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Três trilhas em Ubatuba

     Com um fim de semana de sol pela frente, mas sem vontade de fazer uma travessia mais longa, combinamos eu e o Rafael descemos a Ubatuba e conhecermos algumas caminhadas relativamente curtas que ainda não conhecíamos. No programa: Cachoeira da Água Branca, Praia Brava do Camburi e Praia Brava do Almada.

 

     Seguindo pela Rio-Santos, alguns quilômetros após o portal de Ubatuba, tomamos a saída à esquerda sinalizada Sertão da Quina, poucos metros antes da saída a direita que dá acesso à praia da Cassandoca. Se você chegar a ponte sobre o rio Maranduba já passou do ponto.

       Continuando pela estradinha asfaltada, após um trecho de povoação esparsa chegamos ao centrinho do bairro e ai é preciso tomar a esquerda numa saída sinalizada pela placa “pousada das cachoeiras”, porém a placa esta afixada na direção de quem vem no sentido oposto e por isso quase passamos por ela sem ver. Tomando então à esquerda logo o asfalto acaba e começa a terra. Mais um pouco avistamos uma bica numa entrada à direita da estrada, parei o carro por ali mesmo e seguimos a pé.

       A estradinha vai seguindo paralela ao rio Maranduba e logo passamos pela entrada da pousada das Cachoeiras à esquerda, acessada por longa ponte de madeira. Continuamos pela estrada e enfim chegamos ao Camping Bar das Cachoeiras.

       Paramos por um momento para conversar com seu Eraldo que mora ali. Ele nos confirmou que o acesso à cachoeira da Água Branca era por ali e até nos explicou o caminho, mas disse que demorava 4:30 hs para chegar a cachoeira e tentou nos dissuadir de seguir, pois seria muito tarde. De fato já eram 10:30, mas achamos o tempo dele exagerado e dissemos que iríamos tentar assim mesmo.

         Cruzando a propriedade chegamos ao rio que parece ser uma atração local o que justificaria o barzinho, mas naquele dia o local estava deserto. Parece que as pequenas quedas locais constituem a chamada cachoeira da Renata. Logo encontramos uma trilha a direita que subia acompanhando o rio. Seguimos por ela por uns 5 minutos passando por 3 ou 4 saídas a direita, mas parece que todas desembocavam em terrenos de casas particulares, de modo que o melhor acesso parece ser pelo camping mesmo. Alcançamos então um afluente que tivemos que vadear, consegui cruza-lo por sobre as pedras, mas o Rafael preferiu tirar as botas. Do outro lado a trilha prosseguia para a esquerda voltando a se aproximar do rio. Em mais alguns minutos chegamos a uma bifurcação. À esquerda em pouco metros chegamos ao Poço Verde, outro ponto de banho local. Tiramos uma foto e voltamos a bifurcação, seguindo em frente, logo passamos pela primeira bifurcação que não investigamos, mas que deve dar acesso apenas a outro ponto de banho. Pouco à frente, chegamos a segunda bifurcação, segundo as indicações de seu Eraldo, saindo a noventa graus à esquerda. Na verdade a trilha a frente estava tão fechada que nem dava passagem, de modo que a bifurcação se converteu em curva da trilha original.

          A trilha vai seguindo então paralela à margem esquerda do rio Maranduba, com subidas e descidas, às vezes desviando para cruzar algum pequeno afluente. Contei 18 riachos até a cachoeira. No primeiro valezinho colateral, a queda de uma arvore obstruiu a trilha e nos obriga a descer a pequena e escorregadia encosta e me custa um tombo antes de alcançarmos novamente a trilha na encosta oposta. Seguindo em frente o próximo afluente cavou uma funda vala, cruzada por uma estreita pinguela, preferimos desviar para a esquerda e descer ao fundo da vala por num trecho mais fácil para então retornar a trilha.

        Durante a subida avistamos de tanto em tanto saídas à esquerda, mas que deviam dar acesso a novos pontos de banho e que não tivemos tempo de investigar.

         Cerca de 1:15 hs desde o Poço Verde, a trilha cruza o rio Maranduba, ali paramos para um lanche. Dessa vez não teve jeito foi preciso tirar as botas para cruzar o rio. Do outro lado entramos pelo vale de um afluente antes de sairmos pela direita e voltarmos a acompanhar o rio, agora pela margem direita. Logo passamos por uma pequena toca com restos de fogueira.

         Seguindo em frente, na bifurcação, tomamos a direita, mas chegamos apenas a mais uma cachoeira, por sinal muito bonita. Tiramos umas fotos e voltamos a bifurcação seguindo para a esquerda. A trilha agora se torna mais íngreme, mas continua alternando subidas e descidas.

        Chegamos então ao ponto mais critico, nova bifurcação, marcada por uma flecha gravada no tronco de uma árvore, porém o caminho subindo em frente parece muito mais marcado e acabamos subindo por ele por um tempo, até notarmos que estávamos nos afastando cada vez mais do rio. Retornamos então a bifurcação e tomamos a direita. E continuamos aos sobes e desces. Mais acima uma trilha vem da esquerda e entronca na nossa. E preciso ter cuidado para não errar e na volta entrar por ela! Continuamos subindo e após cerca de 3 horas começamos a ouvir o ruído da cachoeira, mais um pouco e a avistamos. Descendo pelas pedras até o poço de frígidas águas em sua base. Pela posição parece que o sol só bate ali pela manhã e naquele momento, pelas 14:00 hs já estava imerso na sombra, apesar do céu azul. Passei a maior parte do tempo contemplando a enorme cachoeira, em cai em várias quedas. Ainda arrisquei dar uma entradinha na água, mas logo sai. Na sombra e com o vento que fazia ali, estava tão frio fora quanto dentro d’água. O Rafael ainda quis dar uma espiada na trilha que continuava subindo pela esquerda, mas voltou dizendo que a trilha se tornava cada vez mais vertical e mais se afastada do rio. Não havia tempo para mais explorações. Às 15:00 hs iniciamos o retorno que nos tomou cerca de 2:30 hs. De modo que as 17:30 chegamos ao Camping e pouco depois ao carro, bem quando a noite chegava.

 

          No dia seguinte seguimos para a praia de Camburi, junto à divisa de Paraty, o objetivo era fazer a curta trilha que a liga a praia Brava do Camburi. Seguindo para o canto direito de Camburi, saltamos um riacho e tomamos a óbvia trilha subindo em frente, ledo engano! A trilha sobe um pouco e logo desce, desembocando em 2 minutos num costão, conhecido como praia da Grosa. Ainda não nos dando conta do erro atravessamos a “praia” de pedras e até subimos a encosta rochosa no canto oposto antes de perceber que por ali não havia passagem. Apesar disso tivemos visão da praia Brava ao longe e esse costão é um local bem bonito. Voltamos então a trilha e no alto da encosta, tomamos uma picada que subia ainda mais pela crista, parece que é uma divisa, vimos alguns marcos de concreto no caminho. Porém essa trilha se perde na mata. Voltamos então a Camburi e resolvemos perguntar para os moradores. A primeira pessoa que avistamos, um pescador de 80 anos que consertava seu barco, nos indicou então o caminho correto.

            Saindo da praia em direção ao interior, por um caminho que segue uma cerca de arame à direita, chegamos a uma bifurcação, onde tomamos a esquerda, marcada pela placa “Camping da Regina”. Num instante passamos por uma pinguela e logo à frente vemos nova bifurcação marcada pela placa, meio apagada, “Praia Brava”, indicando a trilha à esquerda.

             Tomamos então a trilha que, em cerca de 30 minutos, desemboca nas areias da praia Brava de Camburi. Seguimos até o canto direito da praia, onde após cruzar um riacho encontramos outra trilha, que segundo informações coletadas desemboca na Rio-Santos, próximo ao trevo que dá acesso a Picinguaba. No centro da praia outra trilha, mais curta, é o acesso preferencial ao asfalto usado pelos turistas que freqüentam o local. Não chegamos a seguir por nenhuma delas, voltamos por onde viemos.

 

           Para terminar, visitamos a trilha da praia Brava do Almada. Voltando pela estrada e passando a entrada da vila de Picinguaba e logo na seqüência, a ponte sobre o rio da fazenda, tomamos a entrada para a praia da Fazenda, onde fica a sede do núcleo Picinguaba do parque da Serra do Mar. Paramos no estacionamento e após um lanche, seguimos em direção a praia, uma centena de metros adiante. Chegando lá nos dirigimos para o canto direito. Cruzamos um riacho e procuramos a entrada da trilha próxima a uma bica d’água. Foi preciso andar sobre as pedras, já que a maré estava alta e a boca da trilha estava além da linha da maré. Mas uma vez localizada a trilha não há mais dúvida, uma ponte de madeira e alguns degraus mostram alguns “melhoramentos” feitos pelo parque no início da trilha, mas essas grandes obras de arte não duram muito e logo a trilha volta a sua feição primitiva.

           Na primeira bifurcação que encontramos, tomamos a esquerda e logo desembocamos numa pequena praia com muitas pedras, que supusemos ser a praia da Taquara. Voltando a trilha principal e seguindo, logo à frente, encontramos uma segunda bifurcação. O ramo esquerdo parecia mais fechado, então optamos pelo direito, que vai subindo e se afastando do mar, parecia que estávamos errando e logo tivemos a certeza disso quando a trilha terminou numa clareira ocupada por uma tapera semi-destruida. Voltamos então e tomamos o outro ramo. Ele descia um pouco, cruzava um trecho encharcado e depois subia novamente, apenas para passar por um alto e voltar a descer até que desembocamos no canto esquerdo da praia Brava do Almada. O percurso todo contando o erro custou-nos cerca de uma hora. Ainda era cedo, então atravessamos a pequena e graciosa praia Brava e tomamos a trilha saindo do seu canto direito.

          A trilha agora sobe rápido, aos degraus, até no alto cruzar uma estradinha e descer, igualmente rápido, desembocando no centro da praia do Engenho. O Engenho é uma pequena praia totalmente tomada de casas de veraneio. Seguindo para a direita, subimos alguns degraus, passamos sobre umas pedras e logo desembocamos na igualmente pequena praia do Almada, com alguns barzinhos e sua cota de turistas banhando-se ao mar. Ainda tentamos encontrar alguma trilha em seu canto direito que desse acesso a próxima praia, praia do Estaleiro do Padre, mas não encontramos nada. Perguntamos num dos bares e foi-nos informado que a única trilha de acesso ao Estaleiro saia de um quiosque que ficava na metade da estradinha de acesso do Almada ao asfalto. Mas não havia mais tempo para explorações adicionais. Voltamos pelo mesmo caminho até a praia da Fazenda para retomar o carro. Já era 16:50 e o tempo havia se fechado, começando inclusive a cair uma garoa. Demos então fim ao passeio e retornamos a São Paulo, apenas aguardando nova chance de retornar a Ubatuba para conhecer várias outras caminhadas que não tivemos oportunidade de fazer dessa vez.

Relato:trilha das praias desertas – Ubatuba

       As primeiras praias de Ubatuba para quem vem de Caraguá são: Galhetas, Figueira, Ponta Aguda, Mansa e Lagoa. Deixando de lado a pequena praia de Galhetas que não outro acesso fora a própria estradinha das Galhetas, as demais são interligadas por trilhas formando uma caminhada para um dia ou ainda podendo ser acoplada a trilha do Saco das Bananas, alongando a mesma.

       Saltando do ônibus na estrada junto à divisa municipal Caraguá/Ubatuba, marcada por um portal sobre a Rio-Santos, tomei a estrada à direita, ao lado de um supermercado. Se tivesse vindo de carro provavelmente teria deixado o carro por ali mesmo.

        Cerca de 50 metros de suave subida depois, a estrada quebra para a direita. Sigo por ela então por cerca de 1,5 a 2 km planos, passando por casas veraneio e até por um camping, até chegar a uma bifurcação, onde o ramo esquerdo, de terra, sobe fortemente. Abandono então o asfalto e encaro a subida íngreme. Fora uma casa de recente construção, a estrada é cercada pela mata nativa e nessa hora matinal, imersa na sombra, ainda bem porque o céu está azul e o sol forte. Passado o alto, a estrada passa a descer. Não demora muito e esbarro em larga trilha saindo em ângulo à direita. Esse é o acesso à praia da Figueira.

        Tomo então a trilha que desce rapidamente e é bastante escorregadia. Quando avisto uma casa à direta e outra à esquerda, mais ao longe, o caminho nivela e sigo em frente, pulando um riachinho. A trilha se junta a uma estradinha mais larga que vem da esquerda, mas continuo em frente e em instantes desemboco na praia da Figueira, junto a um quiosque que, certamente na temporada deve vender bebidas aos freqüentadores, mas que nesse dia de inverno está fechado.

        Aproveito para ir pela areia até o canto direito e avanço um pouco pelo costão até o ponto em que ele se torna intransponível. Sento então numa rocha para descansar um pouco e contemplar a paisagem. Por ali não chegarei a lugar nenhum, mas a continuação da caminhada é pelo outro canto da praia.

        Seguindo então para o canto esquerdo da praia, depois de saltar o riacho e andar um pouco sobre as lajes rochosas encontro a trilha para a próxima praia. A entrada está um pouco mal marcada, mas uma vez que começo a subir a trilha fica melhor. Passo por um ou dois trechos meio tomados pelas samambaias e a trilha volta a ser limpa. Atinjo um alto de onde tenho bela vista da enseada de Tabatinga, ilha do Tamanduá e mais ao longe de Ilhabela e além. Encontro então uma bifurcação. Um ramo sobe direto e deve chegar à estradinha. Sigo em frente e logo volto a descer, desembocando na praia da Ponta Aguda.

        A saída da trilha fica bem entre as lajes rochosas que guarnecem o lado direito da praia, de modo que quem vem da praia é um pouco difícil encontrar a boca da trilha. Atravesso então a praia da Ponta Aguda que não é exatamente deserta, contando com alguns quiosques e um camping improvisado onde despontam algumas barracas. Assim se a praia não é exatamente deserta ao menos rústica é.

         Passo pela estradinha de acesso e logo depois por um riacho, largo demais para um salto e com pelo menos um palmo de fundura, de modo que ao passar com um pé dentro d’água quase me entra pelo cano da bota. Seguindo até o canto esquerdo da praia tenho um pouco de dificuldade de encontrar a boca da trilha que de novo sobe a partir de uma laje rochosa sem nenhuma marca mais evidente.

         A trilha sobe por dentro da mata e logo nivela, passando a bordejar a encosta, quase sempre formando um penhasco à direita. É preciso cuidado, um tombo levaria a uma boa queda. Em 10 minutos a trilha volta a descer e desemboca na praia Mansa.

        A praia Mansa é pequena e a primeira verdadeiramente deserta, sem nenhuma construção e sem ninguém naquele momento. Sigo então para o canto esquerdo dela, onde sento numa rocha à sombra para o lanche, já era meio-dia!

       Depois de 20 minutos de parada, quando já pensava em retomar a caminhada, a chegada de uma lancha à praia me incita a prosseguir já que o sossego e a solidão iam acabar mesmo.

       Procurei pela trilha e logo a encontrei, larga e marcada. Segui por ela então e a prometida subida logo foi seguida por um trecho em nível, se afastando do litoral por dentre a mata nativa. Acabei chegando a uma bifurcação em T. A lógica me dizia que deveria seguir pela esquerda, mas a curiosidade me mandou seguir pela direita para ver onde daria. Logo percebi que o mar estava a minha esquerda, pois podia ouvi-lo e quase vê-lo por detrás da cortina de mata. Claramente iria voltar à costa provavelmente em algum mirante. A trilha bateu então em um pequeno lago em meio à mata. Contornando-o pela esquerda, reencontrando a trilha do outro lado. Mais um pouco e passei por uma laje à direita de onde pude ver o mar, mas segui pela trilha e após curta descida com direito a um ou dois pontos escorregadios, desemboquei em um costão de largas lajes rochosas. Em um ponto mais alto um cruzeiro cimentado à rocha se destacava. Caminhei pelas lajes e aprecie o panorama. Talvez o local sirva a pesca ou apenas de mirante, mas certamente a vista é bonita. De qualquer forma meu destino era a praia da Lagoa. Voltei então a bifurcação e tomei o outro ramo.

        A trilha dá algumas voltas pela mata e por alguns momentos parece estar se afastando da costa, mas acaba voltando lentamente a bordejar rente à costa, Começo a ouvir o mar novamente e logo avisto as areias da praia da Lagoa. A descida final é bastante íngreme.

        Enfim chego à praia da Lagoa, cujo nome é devido à lagoa junto ao canto esquerdo da mesma, mas daqui do canto direito, não dá para vê-la e sequer adivinha-la. Sigo então pelas fofas areias rumo ao canto oposto onde já avisto dois barcos ancorados e alguns turistas na areia. Chegando a lagoa me abrigo numa sombra e me sento para um descanso.

         Cheguei ao extremo de meu passeio, resta agora voltar. Retorno pela areia até próximo ao canto direito, onde encontro uma trilha que adentra pelo capinzal rumo ao interior. Tomo-a e logo entro na mata, passando por alguns trechos enlameados. Não demora e chego a uma estradinha de terra.

         Tomando a estrada para a direita, em pouco contornaríamos uma porteira e poucos metros além, encontramos uma saída à esquerda, inicialmente pouco marcada, mas que logo cruza um riacho e quebra para a direita. É a trilha do Saco das Bananas, por onde cerca de uma hora depois chegaríamos à praia Brava do Frade, e na seqüência passaríamos pelas praias do Saco das Bananas, Raposa, Cassandoquinha, terminando na praia da Cassandoca. Mas não era esse o programa do dia, nem haveria tempo para terminá-lo ainda com luz do dia.

        De modo que chegando a estrada, tomei-a para a esquerda. A estrada após curta subida desce e chega a uma bifurcação junto a pousada Taoland. A esquerda dá acesso para carros a praia da Ponta Aguda. Sigo pela direita e volto a subir. Chego então a um ponto onde a vista se desimpede a esquerda e tenho nova vista do mar à leste e sul. Sigo em frente e a estrada volta a subir. Passo então pela trilha de acesso a praia da Figueira e o resto do caminho não têm novidade, sendo o mesmo da vinda.

          Enfim chego a Rio-Santos e paro para comprar um refrigerante gelado no mercado antes de seguir para o ponto de ônibus logo em frente, onde nem chego a esquentar o banco porque logo passa um ônibus rumo a Ubatuba onde pretendo passar a noite. E é o fim de um dia de sol e praias quase desertas!

Relato:trilha da Praia de Fora

      A trilha da praia de Fora (ou trilha da Ponta da Espia) inicia-se na praia da Enseada e dá acesso a duas prainhas selvagens: praia de Fora e praia de Xandra. Antigamente era possível prosseguir após essa última, e passando por um condomínio, chegar à praia de Toninhas, porém benfeitorias recentes nesse condomínio impedem a passagem e converteram o que era uma travessia numa trilha de bate e volta.

       A caminhada começa na praia da Enseada, na verdade sai do asfalto na altura de Perequê Mirim, pouco antes, e segui pela primeira travessa que encontrei rumo à praia homônima, que não conhecia, apenas para remediar meu desconhecimento. A praia é pequena e hospeda uma marina. Segui então para a esquerda, passei por uma pequena ponte sobre um riacho, e tomei a rua que sai do extremo esquerdo da praia. Rapidamente ela contorna um morro e desemboca no canto direito da praia da Enseada, maior e bem mais freqüentada. Atravessei então todo a praia até seu canto esquerdo, passando por alguns barzinhos e recebendo os tradicionais olhares esgazeados que uma pessoa totalmente vestida e calçada de botas desperta na população de banhistas.

      Chegando ao canto esquerdo, tomei a estradinha que dali sai e vai margeando a encosta a esquerda. Passo por algumas casas e a estrada vira uma trilha. Em pouco tempo a trilha desce até a areia e passo por um trecho estreito de areia bem rente ao mar. Logo a trilha se afasta do mar e passo por uma porteira, atravessando duas ou três propriedades. A passagem parece ser franca e apenas cumprimentei os moradores enquanto passava.

       A trilha vai seguindo pela mata, subindo lentamente, e apenas cruzando um ou outro riacho onde a funda grota formada pelo curso d’água às vezes obriga a um curto salto. Não demora muito e chego ao ponto mais alto da caminhada, a partir daí a trilha começa a descer e se torna mais úmida e escorregadia. Encontro então uma bifurcação. Tomo a direita e a descida se torna ainda mais íngreme e escorregadia. Um ou outro galho caído obriga-me a abaixar para ultrapassá-lo. Sem grandes dificuldades chego a um ponto onde uma corda foi posta para facilitar a descida da última canaleta enlameada que leva direto a praia de Fora. Com cuidado desço me segurando a corda, mas o trecho que parecia difícil revela-se surpreendentemente tranqüilo.

       Enfim alcanço as areias da pequena praia de Fora. Salto um riacho e ando os poucos metros de praia até uma sombra sob um das poucas arvores. No mar alguns poucos surfistas aproveitam esse recanto escondido. Após um descanso à sombra, resolvo subi nas lajes à direita da praia. Percebo que é possível seguir pelo costão e avanço por ele rumo a ponta da Espia, ainda mais à direita. A frente avista-se a ilha Anchieta cuja ponta norte quase toca a ponta da Espia formando um estreito canal. Mas após avançar um pouco pelo costão chego a um trecho que considero arriscado e paro por ali, voltando à praia. No entanto o passeio foi interessante e o panorama que tive do costão é bastante bonito.

        Da praia, volto pela trilha de vinda até a bifurcação e daí tomo o ramo esquerdo. A trilha segue pela mata, sem subir nem descer muito, até que a mata de abre e a trilha passa a descer pelo aberto com bonita visão da praia abaixo, do costão adiante dela e da encosta verdejante acima deles, em meio a qual despontam algumas casas. A trilha volta a entrar na mata, sempre descendo e logo caio na areia da praia de Xandra. Um pouco maior que a outra, com areia mais fofa e totalmente deserta. Seguindo pela areia, encontro um riacho muito largo para saltar e tenho de subi-lo alguns metros até achar um ponto onde grandes rochas permitem saltá-lo comodamente.

       Seguindo pela areia, antes de chegar a um grupo de grandes blocos rochosos que ocupam o canto esquerdo da praia, tomo uma trilha que sobe rapidamente, mas logo nivela e segue bordejando a encosta. Não demora e a trilha parece se apagar. Desço um degrau rochoso e encontro o que parece a continuação, larga avenida entre bananeiras. Chegando a uma cerca, junto a qual uma enferrujada placa indica propriedade de fulano de tal. Ali a trilha parece se bifurcar. Um ramo desce, mas acaba em um trecho de costão. Até tentei avançar pelo costão de blocos rochosos, mas o nível crescente de dificuldade me dissuadiu de prosseguir. Voltei e tomei o ramo subindo. Após subir um pouco a trilha volta a nivelar e segue bordejando, aparentemente na direção pretendida, apenas para mais a frente esbarrar numa cerca cerrada, onde uma placa informa “trilha fechada, volte por onde veio”.

       Claro que não seria dissuadido por tão pouco, com dificuldade a contornei, saindo da trilha, desci a íngreme encosta escorregadia, subindo de volta a trilha logo após a cerca. Pensei ter burlado a proibição. Ledo engano! Avançando pela trilha agora visivelmente tomada pelo mato, logo cheguei a nova cerca, esta agora intransponível! Atrás da cerca temos já uma rua asfaltada do tal condomínio. Em 2004 quando andei pela primeira vez por ali, estas cercas não existiam e passava-se livremente para a rua, seguindo por ela até a praia de Toninhas. Pelo visto os abonados donos dos casebres desse condomínio, que certamente devem visitar bissextamente o local, acharam necessário cercar melhor suas propriedades, acabando de vez com a curta travessia que existia por ali entre as praias da Enseada e Toninhas! Paciência, o jeito era voltar por onde viera, o que me tomou pouco mais de uma hora. Dessa maneira se visitar o local não perca tempo prosseguindo após a praia de Xandra. Curta a praia e volte daí, pois adiante não vai encontrar mais nada de interesse, a menos que querendo emular São Tomé queira conferir as cercas fechando a passagem.

Relato: Praia das Sete Fontes

         Outra opção de trilha curta em Ubatuba é a trilha das Sete Fontes. O ínício é no Saco da Ribeira. Saindo da Rio-Santos junto ao acesso as marinas, e só seguir pela rua que serpenteia por entre as marinas. Logo o asfalto acaba e sigo por estreita estradinha de terra. Após uma leve subida e descida, chegamos a uma saída à esquerda, sinalizada por placa. A estrada se reduz a uma passagem entre muros que logo desce a praia do Saco da Ribeira.
         A orla da praia é quase toda ocupada por casas de veraneio e há um ou outro barco ancorado logo em frente. Sigo pela areia atravessando toda a praia. No extremo oposto encontro uma trilha que sobe íngreme, mas logo nivela, e segue por entre a mata.
         A trilha segue agradavelmente plana e sombreada por algum tempo, quando a mata a esquerda se abre, temos bela visão da costa a frente, quase como uma versão reduzida da Joatinga. Pouco depois a trilha passa a descer, agora por degraus cimentado e aos zigue-zagues, até desembocar nas areias da praia do Flamengo, mais uma praia sossegada e repleta de casas de veraneios.
         Prossigo pela areia, mas pouco após o meio da praia, junto a um placa “Não jogue lixo, preserve a natureza” ou coisa que o valha, tomo um caminho entre duas cercas, me afastando da praia. Como previ, a trilha sobe rumo a um selado, vísivel antes da descida a praia do Flamengo. Logo a trilha começa a subir rapidamente, passando primeiro por degraus cimentados e depois em trilha, intercalada de algusn degraus rochosos.
        Chegando ao alto do selado imediatamente a trilha desce, passando por alguns trechos escorregadios para logo chegar a baixada. Prosseguindo por entre algumas casas, enfim desemboco na areia da praia das Sete Fontes, junto ao barzinho Stoatoa. Da Rio-Santos até a areia da praia gastei 1:10 hs. Sem pressa. Dei uma volta pela praia e procurei alguma trilha que seguisse até a praia da Sununga, que seria a mais próxima à oeste, mas em vão. Perguntei aos locais e me foi dito não haver conexão com a Sununga. De modo que após 1 hora por ali,um lanche e um refrigerante gelado, iniciei o retorno pelo mesmo caminho da vinda,o qual levou cerca de uma hora.  

Relato: cachoeiras de Ubatumirim

       Essa caminhada é para os que chegam a Ubatuba sem carro, com carro a disposição é possível acessar essas cachoeiras mais diretamente, mas o percurso seria ligeiramente diferente.

       De qualquer forma o ponto de partida é a estrada para o sertão de Ubatumirim, cerca de 1,5 km depois da entrada da praia de Ubatumirim para quem vem de Ubatuba. Uma outra referência é um mercado à direita da pista, junto aos restos de um posto de gasolina desativado.

        Saltei do ônibus no ponto mencionado, e tomei então a estradinha asfaltada, à esquerda, seguindo por ela por cerca 1,5 km até uma bifurcação junto a um ponto de ônibus. Ali tomei a esquerda e logo em seguida cruzei por uma ponte pênsil o rio, que corria paralelo a estrada. Do outro lado do rio, tomei a trilha a direita, bem marcada e sombreada, prosseguindo por um trecho muito agradável. Numa bifurcação poucas centenas de metros a frente segui pela esquerda. Logo me aproximei de algumas casas na encosta a frente, e fui detectado pelos cachorros delas que começaram a latir. Quebrei a direita e segui perpendicularmente a direção de onde vinha até encontrar uma estradinha mais larga, seguindo por ela. As casas ficaram para trás, e daí a pouco passei por uma ponte sobre talvez o mesmo rio de antes. Cheguei à nova casa e tomei então à esquerda e seguindo pela estreita estradinha.

          Um curto sobe e desce e, um quilometro a frente, cruzo um riacho de um salto no ponto mais estreito que encontrei. Prossigo pela estrada passando por umas duas casas à direita e depois por uma área gramada à esquerda, onde uma placa parece indicar que o local é usado eventualmente para camping. Mais um pouco e uma bifurcação leva a uma nova casa a direita. Passando pela esquerda da casa, que no momento estava deserta, encontro uma trilha e sigo por ela, entrando na mata. Percebo que um riacho corre paralelo a trilha, à direita e abaixo.

           Ao fim de 300 metros de trilha, chego à cachoeira do Tombador de baixo. Salto pelas pedras e chego à laje bem no meio do rio de onde tenho vista frontal da queda. Paro por ali por um tempo, curtindo o local e aproveitando para tomar uns goles d’água.

           Retomando a caminhada, salto de volta a “terra firme” e voltando muito pouco pela trilha encontro a bifurcação que não tinha visto na vinda. Subindo por ela chego à outra queda chamada Tombador de Cima. Mais uma pausa para fotos. Encontro outra trilha à esquerda e sigo por ela. Logo encontro outra bifurcação e sigo por ela subindo, na perspectiva e achar ainda outra queda, mas ledo engano, a trilha sobe paralela ao riacho e vai se afastando dele. Depois de 10 minutos não achei o fim da trilha, que continua subindo rumo à encosta da serra. Onde será que dá? Coisa a ser explorada em outra oportunidade. Voltei então pela trilha e seguindo pelo ramo oposto ao por onde tinha vindo sai de volta diretamente na estrada, sem passar pela casa!

          Voltei então pela estradinha até a casa junto ao rio quase 2 km atrás. Dali tomei a esquerda e segui pela estrada, ignorando a primeira saída à direita, depois ignorando a saída à esquerda e para trás até chegar a uma bifurcação, junto a uma porteira à esquerda. Ali tomei à esquerda e para trás.

          E tome um quilometro e pouco de subida, passando por uma casa simples à esquerda e depois por duas bonitas casas, próximas, uma de cada lado da estrada. Chegando num alto logo depois, encontro a trilha de acesso a cachoeira da Laje, do lado direito e marcada por uma placa. Ali é só descer por trilha íngreme e escorregadia até chegar ao rio e depois subi-lo pela laje escorregadia até a cachoeira da Laje, pequena e graciosa, logo acima. Por ali sentei para um lanche e descanso.

         A volta foi por onde vim até a bifurcação junto à porteira, ali tomei a esquerda e 400 metros após passei por um barzinho e desemboquei no final da estradinha asfaltada, seguindo por ela.

         Cerca de 1,5 km depois, cruzei com o ônibus de Ubatumirim. Segui por mais algumas centenas de metros e cheguei ao ponto onde sai da estrada na vinda. Sentei ali e esperei pela volta do ônibus que em 10 minutos voltou vazio. Tomei-o e voltei a Ubatuba dando fim ao passeio.

          O passeio originalmente era um roteiro de bike podendo portanto, ser prazerosamente feito dessa forma.

          Se estiver de carro e quiser dispensar grandes caminhadas sugiro o seguinte: Siga pela estrada de asfalto até o barzinho, ali pegue a esquerda agora na terra. Chegando na bifurcação da porteira é só escolher, a esquerda dá acesso à cachoeira do Tombador, a direita, à cachoeira da Laje. A estrada da Laje está em muito bom estado, a do Tombador tem alguns trechos de lama, talvez seja melhor parar o carro junto à primeira casa.

Relato: Cachoeira da Água Branca – Ubatuba

     Seguindo pela Rio-Santos, alguns quilômetros após o portal de Ubatuba, tomamos a saída à esquerda sinalizada Sertão da Quina, poucos metros antes da saída a direita que dá acesso à praia da Cassandoca. Se você chegar a ponte sobre o rio Maranduba já passou do ponto.

       Continuando pela estradinha asfaltada, após um trecho de povoação esparsa chegamos ao centrinho do bairro e ai é preciso tomar a esquerda numa saída sinalizada pela placa “pousada das cachoeiras”, porém a placa esta afixada na direção de quem vem no sentido oposto e por isso quase passamos por ela sem ver. Tomando então à esquerda logo o asfalto acaba e começa a terra. Mais um pouco avistamos uma bica numa entrada à direita da estrada, parei o carro por ali mesmo e seguimos a pé.

       A estradinha vai seguindo paralela ao rio Maranduba e logo passamos pela entrada da pousada das Cachoeiras à esquerda, acessada por longa ponte de madeira. Continuamos pela estrada e enfim chegamos ao Camping Bar das Cachoeiras.

       Paramos por um momento para conversar com seu Eraldo que mora ali. Ele nos confirmou que o acesso à cachoeira da Água Branca era por ali e até nos explicou o caminho, mas disse que demorava 4:30 hs para chegar a cachoeira e tentou nos dissuadir de seguir, pois seria muito tarde. De fato já eram 10:30, mas achamos o tempo dele exagerado e dissemos que iríamos tentar assim mesmo.

         Cruzando a propriedade chegamos ao rio que parece ser uma atração local o que justificaria o barzinho, mas naquele dia o local estava deserto. Parece que as pequenas quedas locais constituem a chamada cachoeira da Renata. Logo encontramos uma trilha a direita que subia acompanhando o rio. Seguimos por ela por uns 5 minutos passando por 3 ou 4 saídas a direita, mas parece que todas desembocavam em terrenos de casas particulares, de modo que o melhor acesso parece ser pelo camping mesmo. Alcançamos então um afluente que tivemos que vadear, consegui cruza-lo por sobre as pedras, mas o Rafael preferiu tirar as botas. Do outro lado a trilha prosseguia para a esquerda voltando a se aproximar do rio. Em mais alguns minutos chegamos a uma bifurcação. À esquerda em pouco metros chegamos ao Poço Verde, outro ponto de banho local. Tiramos uma foto e voltamos a bifurcação, seguindo em frente, logo passamos pela primeira bifurcação que não investigamos, mas que deve dar acesso apenas a outro ponto de banho. Pouco à frente, chegamos a segunda bifurcação, segundo as indicações de seu Eraldo, saindo a noventa graus à esquerda. Na verdade a trilha a frente estava tão fechada que nem dava passagem, de modo que a bifurcação se converteu em curva da trilha original.

          A trilha vai seguindo então paralela à margem esquerda do rio Maranduba, com subidas e descidas, às vezes desviando para cruzar algum pequeno afluente. Contei 18 riachos até a cachoeira. No primeiro valezinho colateral, a queda de uma arvore obstruiu a trilha e nos obriga a descer a pequena e escorregadia encosta e me custa um tombo antes de alcançarmos novamente a trilha na encosta oposta. Seguindo em frente o próximo afluente cavou uma funda vala, cruzada por uma estreita pinguela, preferimos desviar para a esquerda e descer ao fundo da vala por num trecho mais fácil para então retornar a trilha.

        Durante a subida avistamos de tanto em tanto saídas à esquerda, mas que deviam dar acesso a novos pontos de banho e que não tivemos tempo de investigar.

         Cerca de 1:15 hs desde o Poço Verde, a trilha cruza o rio Maranduba, ali paramos para um lanche. Dessa vez não teve jeito foi preciso tirar as botas para cruzar o rio. Do outro lado entramos pelo vale de um afluente antes de sairmos pela direita e voltarmos a acompanhar o rio, agora pela margem direita. Logo passamos por uma pequena toca com restos de fogueira.

         Seguindo em frente, na bifurcação, tomamos a direita, mas chegamos apenas a mais uma cachoeira, por sinal muito bonita. Tiramos umas fotos e voltamos a bifurcação seguindo para a esquerda. A trilha agora se torna mais íngreme, mas continua alternando subidas e descidas.

        Chegamos então ao ponto mais critico, nova bifurcação, marcada por uma flecha gravada no tronco de uma árvore, porém o caminho subindo em frente parece muito mais marcado e acabamos subindo por ele por um tempo, até notarmos que estávamos nos afastando cada vez mais do rio. Retornamos então a bifurcação e tomamos a direita. E continuamos aos sobes e desces. Mais acima uma trilha vem da esquerda e entronca na nossa. E preciso ter cuidado para não errar e na volta entrar por ela! Continuamos subindo e após cerca de 3 horas começamos a ouvir o ruído da cachoeira, mais um pouco e a avistamos. Descendo pelas pedras até o poço de frígidas águas em sua base. Pela posição parece que o sol só bate ali pela manhã e naquele momento, pelas 14:00 hs já estava imerso na sombra, apesar do céu azul. Passei a maior parte do tempo contemplando a enorme cachoeira, em cai em várias quedas. Ainda arrisquei dar uma entradinha na água, mas logo sai. Na sombra e com o vento que fazia ali, estava tão frio fora quanto dentro d’água. O Rafael ainda quis dar uma espiada na trilha que continuava subindo pela esquerda, mas voltou dizendo que a trilha se tornava cada vez mais vertical e mais se afastada do rio. Não havia tempo para mais explorações. Às 15:00 hs iniciamos o retorno que nos tomou cerca de 2:30 hs. De modo que as 17:30 chegamos ao Camping e pouco depois ao carro, bem quando a noite chegava.

Relato: Trilha das 7 Praias variante Bonete-Fortaleza

       A chamada trilha das sete praias é relativamente curta e bastante conhecida, o que eu não conhecia era a variante que leva diretamente da praia Grande do Bonete a da Fortaleza, sem passar pela do Cedro.

         A caminhada começa no canto esquerdo da praia da Lagoinha, ali salto do ônibus no primeiro ponto após o fim da praia e entro no condomínio que há ali. Tomo a rua à direita, contornando a lateral do condomínio, até chegar à portaria traseira, que dá acesso à praia. Passando pelo portal, tomo a trilha imediatamente à esquerda, margeando a cerca também à esquerda. Logo a trilha se afasta da cerca e avisto a praia da Lagoinha à direita, por algumas brechas na vegetação e do outro lado do rio.

        A seqüência não tem segredo, seguem-se alguns suaves sobes e desces por dentro da sombreada mata. Passo por algumas casas e por duas ou três pequenas praias até que cerca de meia hora depois, desço à praia do Bonete. Primeira praia de tamanho razoável, ocupada por um quiosque que nesse dia, fora de temporada, estava fechado é claro! Paro por ali e tomo um banho nas mansas águas da enseada da Lagoinha.

         Refrescado pelo banho, prossigo pela trilha na outra ponta da praia. A trilha faz a subida mais íngreme até ali, nivela por curtíssimo tempo e vira para a esquerda, começando a descer. Cerca de 10 ou 15 minutos depois, desço as areias da praia grande do Bonete. Essa bem maior, deve ter um quilometro de comprimento. Sigo pelas fofas areias e pela metade dela, paro numa sombra para o lanche, afinal já era quase meio-dia.

         Continuando a caminhada, chego ao canto esquerdo da praia e saltando o estreito riacho, quebro à esquerda e logo encontro uma bifurcação, agora marcada pela placa com a seta amarela dos “Passos dos Jesuítas”. A seta indica a trilha para a praia do Cedro, mas não queria ir por ali, ao invés disso, segui pela esquerda, paralelo ao riacho e passei ao lado de uma casa e logo após por um bar. A partir dali é só seguir em frente, acompanhando os postes de energia. Logo a trilha sobe forte e aos zigue-zagues. Como o trecho é aberto, o sol castiga. Cerca de 120 metros acima, passo por um selado e começo a descer igualmente rápido, já avistando a Fortaleza lá embaixo.

          A trilha desemboca num fim de estradinha por onde desço até uma trifurcação. À extrema direita é o acesso ao hotel Refugio do Corsário. Tomo à esquerda e logo à direita, descendo direto à praia, onde desemboco junto a uma casa com paredes ocre e cerca azul.

         Procurei um bar por ali para tomar algo gelado e resolver o que fazer em seguida, ainda era cedo, de Bonete a Fortaleza por esse caminho não deu mais que 30 minutos.

         Resolvi dar um pulo na praia do Cedro, que esperava estar deserta. Segui para a direita até o fim da praia e chegando ao costão subi nas lajes, logo encontrando a trilha. Ali também não dúvida. Na única bifurcação, tomei a direita e continuei subindo, até passar por uma casa solitária à direita da trilha que marca o ponto mais alto do trecho. A partir daí a descida é constante e mais rápida que a subida.

         A trilha emerge no canto esquerdo da praia, junto a um quiosque que parece ter sido reformado recentemente. Muitas das populares placas de “não jogue lixo” e “proteja a natureza” foram fixadas ao redor, mas o preocupado ambientalista não se preocupou com o monte de telhas quebradas e entulho que deixou no fundo do barraco! Por ali perto um casal acampava com seus cachorros! Desci a areia e procurei um ponto mais distante para dar uma entrada na água, o calor era palpável. O mar ali é mais batido e meu banho foi mais trepidante que o último!

       A praia na verdade é considerada como duas, separadas por uma rocha, uma chamada praia do Cedro e a outra praia Deserta. Para mim isso é preciosismo. Passei a rocha e fui visitar a “outra praia”. Ali havia mais dois casais e, surpresa, outro quiosque! De todas as vezes que passei por ali é a primeira que encontro vivalma. O lugar já está ficando popular demais ou das outras vezes dei sorte. Pensando bem nunca fiz essa caminhada com tempo tão bom!

        Voltei por onde vim e na bifurcação, tomei a direita, o que dá acesso à ponta da Fortaleza. Logo cheguei ao rochoso e segui rumo a ponta. Nos grandes blocos rochosos alguns praticavam escalada enquanto outros pescavam da borda das lajes. Subi num bloco de fácil acesso com vista para a praia da Fortaleza e fiquei admirando a paisagem, marcada ao fundo pela serra do mar onde se destacava o Corcovado de Ubatuba, marcando profundo chanfrado na crista. Belo ponto para se acampar!

         Já passava das 15:30 quando decidi retornar a Fortaleza. Chegando lá tomei uma das últimas saídas da praia, junto a uma igrejinha e segui rumo ao asfalto, antes dando algumas voltas por dentro do bairro.

         Poderia tomar o ônibus para Ubatuba ali, no ponto final, mas resolvi conhecer as próximas praias. Segui então pelo asfalto, subindo. Andei cerca de um quilometro ate encontrar uma trilha à direita descendo a encosta. Desci por ali, passando por trechos cimentados, até chegar a areia. Estava então na pequena praia Brava da Fortaleza. Dei uma volta pela praia e com o sol já baixo, retornei à estrada.

         Seguindo pela estrada, encontrei nova trilha outro quilometro a frente, junto a uma lixeira. Descendo por uma trilha paralela a uma cerca de arame, cheguei à praia da Costa, ainda menor.

          Voltei à estrada e prossegui subindo e depois descendo. Quando começaram a aparecer ruazinhas à direita com nomes de pássaros, percebi que estava próximo a praia Vermelha, também conhecida como praia dos arquitetos, o que explica as diversas monstruosidades construídas nas encostas ao redor! Mas já era tarde demais para visitá-la. Provavelmente qualquer daquelas ruas dê acesso a areia, mas não tenho certeza. Segui pelo asfalto e junto à guarita da guarda a frente, no ponto de ônibus, esperei a volta do ônibus que vi passando indo, o qual não tardou a retornar e me levou rumo ao centro, e ao hotel.