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Travessia Penedo – Mauá

 

Podemos dividir esta travessia em dois trechos que eventualmente podem ser feitos independentemente: Penedo-Serrinha e Serrinha-Mauá.

A caminhada em frente ao supermercado Dois Irmãos, ao qual se chega seguindo direto pela rua principal de Penedo e tomando a direita na única bifurcação importante até chegar ao supermercado. Iniciamos a caminhada, seguindo em frente pela rua. Entramos na próxima rua à direita. Cruzamos o rio e seguimos pela rua até seu final, onde há uma casa em construção, antecedida por maciço portão de madeira, naquele momento aberto. Passamos pelo portão e seguimos em frente. Não havia ninguém por ali. Após a casa a estradinha segue subindo. Logo chegamos a uma bifurcação. A esquerda dá acesso a base de uma bonita cachoeira. Prosseguindo, na próxima saída à esquerda, acessa-se o alto da mesma cachoeira.

Continuando a subir, alcançamos o alto e passamos a descer suavemente. A estradinha cruza um riacho, o qual saltamos pulando pela pedras. Do outro lado o caminho se estreita tornando-se uma verdadeira trilha. Logo ultrapassamos um árvore caída.

Mais um pouco e passamos por um trecho onde a trilha se alarga, plana e gramada e onde até vemos um resto de fogueira! Parece que já acamparam por ali. Uma saída à direita, desce ao rio, chegando a base de uma graciosa cachoeirinha.

Retornamos a trilha principal e seguimos em frente, passamos então por um trecho onde a vegetação de alagadiço quase cobre completamente a trilha.

Uma primeira ruína de um rancho em meio ao mato, à esquerda da trilha, é ultrapassado e pouco a frente, passamos junto a um casebre de pau-a-pique semi demolido. Continuamos reentrando em mata densa.

Como desde o estreitamento da trilha continuamos acompanhamos o riacho à nossa direita, até que chegamos a nova bifurcação. À direita, a trilha cruza o riacho. Pela esquerda segue pela margem direita dele. Optamos pela direita, mas depois descobrimos que o outro ramo converge mais acima, só que após cruzar o riacho diversas vezes e subir um trecho íngreme, além de passar por uma outra cachoeira, a mais bonita da região. Essa é uma variante um pouco mais confusa.

De qualquer forma o caminho mais simples é o mesmo o da direita, que cruza o riacho e passa a subir aos ziguezagues. Quando chegamos ao alto, a mata se abre e emergimos num pasto de onde já avistamos, ao fundo do vale, as casas que compõem a Serrinha do Alambari.

Seguimos por curto trecho pouco marcado para logo reencontrar a trilha bem marcada e inclusive erodida que desce ao fundo do vale. Vamos descendo primeiro rapidamente para depois passar a ziguezaguear rumo a casa mais próxima. Essa descida final está menos marcada mais é só seguir em direção a casa da forma que achar mais fácil.

Chegando a casa, contornando-a pelo lado direito, e cruzando duas precárias porteiras, onde o Rafael acabou assustando as vacas confinadas no rústico curral, que acabaram arrebentando uma das decrépitas porteiras e fugindo! O melhor é tentar passar pela esquerda da casa evitando causar maiores transtornos aos moradores para que não se sintam tentando a fechar a trilha.

Da casa é só seguir em frente pela trilha, cruzar uma porteira de arame junto a um riacho e a pinguela logo após esse para sair num fim de rua que em mais uns duzentos metros nos leva a estrada principal que cruza o bairro, junto a pousada Chalés Florence.

Ali deve-se seguir para a esquerda, subindo a estrada até a pracinha central do bairro. Na praça quebramos a direita tomando a estrada do Camping. A estrada passa a subir mais forte. Após passar pelo Camping Clube, uma saída à direita sinalizada pela placa “Pousada Conquista” era a deixa para sairmos da principal. Poucos metros a frente estava a pousada, onde passaríamos a noite. Todo o trecho de Penedo a estrada da Serrinha levou 3:30 horas.

 

Começa ali o seguindo trecho da travessia: Serrinha-Mauá.

Saindo da pousada e voltando a principal, seguimos subindo para um pouco mais acima chegarmos ao portal do condomínio Alto do Pinhal. Seguimos em frente e na próxima saída à direita, encontramos a porteira fechada. Ali saltamos a cerca e seguimos entrando no condomínio. Pelo menos àquela hora não havia ninguém a vista, mas de outra vez que passamos por lai foi só conversar com o caseiro que ele permitiu a passagem se maiores problemas.

A seguimos pela estradinha, deixando uma primeira casa à esquerda e descendo um pouco pela estrada para a direita. Pouco a frente, saímos da estrada e seguindo para a esquerda pelo capinzal,na direção de uma palmeira na orla da mata abaixo. Ali há uma trilha que rapidamente nós leva ao riacho que já ouvíamos a distância.

O rio estava um pouco mais alto que da última vez. Não foi possível cruzar pelas pedras. Foi preciso tirar as botas e passar pela água. Apesar da correnteza e das pedras no fundo a travessia é fácil.

Do outro lado na boca da trilha há uma placa “RPPN”. A trilha se afasta rápido do riacho, passamos por algumas árvores caídas e a trilha fica um pouco mais aberta. A partir dai vamos subindo e nos afastando mais lentamente do riacho. Temos então um trecho um pouco confuso, com vários pontos onde a continuação da trilha não é tão óbvia, mas acabamos sempre encontrando a continuação. Paramos para curto descanso num trecho onde uma árvore caída ao chão serve de banco. O ponto de maior confusão, onde aparentemente a trilha segue nais batida para a esquerda, deve-se seguir para a direita, subindo mais forte por um curto trecho.

Pouco a pouco a mata fica mais seca e a trilha se torna mais óbvia. Não havendo mais dúvida sobre a direção a seguir. A subida fica mais íngreme. Enfim começamos a ouvir ruído de água, à direita da trilha, e chegamos a um ponto onde uma trilha desce para a direita ingrememente. Descemos por ali e em pouco chegamos a um riacho, único ponto d’água nessa subida. Reabastecidos os cantis, retomamos a subida.

Quando a mata se abre, emergimos subitamente na crista, O panorama se abre a nossa frente. De um lado vemos a borda leste do maciço do Itatiaia, de outro a baixada, com Penedo, Resende e a via Dutra. Do outro do lado do vale do Paraíba, a serra da Bocaina, e a nossa esquerda, o vale do rio Preto, a Pedra Selada e demais elevações ao redor de Mauá, que segue encaixada e invisível em meio a morraria.

A trilha segue um trecho pela crista por entre vegetação arbustiva, brindando-nos com alguns mirantes e até uma pequena clareira onde acampamos em outra oportunidade, para então virar para a direita e começar a descer para valer.

A descida não tem maiores dificuldades. Na última vez que estivemos por ali, a trilha sumia durante a descida, mas agora o mesmo trecho estava bem aberto. Passamos por um riacho e seguimos descendo.

Há um curto trecho por uma canaleta rochosa e logo após chegamos a novo e mais largo riacho. Saltamos esse riacho e após ele a trilha parecia se apagar, porém parece que o sulco ainda estava lá, apenas encoberto pela vegetação rasteira. Nesse trecho é preciso subir lentamente, se afastando do riacho rumo a umas araucárias no alto do morro a frente. Diversas vezes foi preciso tentar numa direção ou noutra até achar uma passagem mais fácil. Acabamos chegando ao alto e caindo para a esquerda, encontramos uma trilha marcada que passa a acompanhar uma cerca. A partir dai não há mais dúvida.

A trilha acaba saindo numa estradinha, a qual pouco mais a frente, desemboca em outra estradinha. Seguimos para a esquerda até avistarmos as casas da fazenda Marimbondo. O caminho vira para a direita deixando as casa à direita e segue rumo a um portão que, pelo menos naquele momento, estava aberto. Passamos pelo portão subindo um pouco chegamos a um ponto onde a estrada é mais larga, uma trilha sai para a direita. Ela começa plana,mas logo começa uma descida feroz que nos conduz ao poço do Marimbondo. Nele os mais corajosos comemoram o quase término da caminhada com um banho nas suas geladas águas.

Já tinha vindo até ali com o carro, mas dias antes, uma chuvarada tinha criado diversos trechos intransitáveis na estrada, de modo que nosso resgate não tinha como subir até o poço. O jeito for descer a estrada a pé por mais alguns quilômetros, passarmos por um restaurante à direita e chegarmos a uma pousada pouco a frente, à esquerda, onde a kombi que fretáramos nos aguardava. Mais 1 ou 2 km apenas de estrada de terra nos separavam da estrada Mauá-Maringá, recentemente asfaltada, onde poderíamos chegar com um pouco mais de caminhada, caso tivemos tempo bastante. Como era domingo e no dia seguinte era dia de trabalho, providenciamos o resgate para levar-nos de volta ao carro, no início do percurso. Economizando caminhada e tempo,bem como poupando-nos de depender do horário do ônibus para Resende. O trecho toda levou cerca de 8 horas, da pousada Conquista quase até a estrada Mauá-Maringa.

Relato: Serra do Divisor de Águas – Serrinha do Alambari

       Serrinha do Alambari é um ainda sossegado bairro de Resende, encravado entre o Parque do Itatiaia, e as movimentadas Penedo e Visconde de Mauá.  Cortadas pelos límpidos rios Santo Antonio e Pirapitinga, que ao longo do seu trajeto formam diversos e bonitos poços. Há pequenas trilhas que cruzam a mata bem preservada e levam a alguns dos poços, mas a trilha mais interessante do local é a chamada trilha do divisor de águas.

        A trilha do divisor sai da beira do rio Santo Antonio e sobe a serra, parte da serra da Mantiqueira que forma a divisa entre o bairro e Visconde de Mauá. Existiria ainda uma continuação da mesma até Mauá, mas tivemos dificuldade em completar a travessia como veremos adiante. De qualquer forma, acampar na crista do divisor de água foi muito compensador pela paisagem magnífica que se descortina.

        Saímos da Dutra na entrada de Penedo, poucos quilômetros à frente já temos o portal da cidade. Seguimos em frente, como que indo para Mauá, cerca de 4 km após Penedo, temos nova entrada à esquerda, ornada de portal. Esta é a entrada da Serrinha. Seguimos por mais 4 km de terra e passamos então por trecho calçado, junto à chamada Praça, centro do bairro. Ao final da mesma, entramos a direita, tomando a estrada do Camping. Logo começamos a subir e após mais 4 km, já tendo passado pelo Camping Clube que dá nome à estrada, chegamos ao portal dos condomínios Alto do Pinhal/ Vale Verde. Ai paramos o carro.

       Pegamos as mochilas, eu e o Rafael, e caminhamos algumas centenas de metros até a entrada do condomínio Vale Verde, à direita. Passamos pelo portão entreaberto e na bifurcação junto a duas casas, uma à frente, outra à direita, seguimos descendo à direita, por duplo caminho calçado. Logo à frente cruzamos com o caseiro seu Gurgel, que já nos conhecia, e conversamos um pouco com ele e com um casal de moradores que os acompanhava. Saímos da estrada e seguimos para a esquerda, no rumo de uma palmeira na orla da mata mais abaixo, lá encontramos a trilha que leva a margem do rio Santo Antonio.

         A trilha desce rapidamente ao rio, que; aliás, é chamado pelos locais de Santo Antonio, mas consta na carta do IBGE, como córrego da floresta! Qualquer que seja o nome, o rio é cristalino e vai formando diversos e lindíssimos poços em seu trajeto. Cruzamo-lo por um tosco dique de pedras e do outro lado, identificamos o início da trilha por uma placa “RPPN Santo Antonio”. A trilha logo começa a subir e passamos por 2 ou 3 troncos caídos. A partir daí a caminhada exige atenção, a trilha, pela mata aberta e repleta de palmitos Jussara, apresenta diversos bifurcações ou pseudobifurcações, talvez provocadas por palmiteiros. O fato é que a trilha vai subindo inicialmente de maneira pouco íngreme, sempre caindo para esquerda, como que subindo meio que paralela ao rio. É difícil dar alguma orientação maior sobre o caminho, certamente não é trilha para principiantes, exige bom senso. A única orientação geral é sempre subir pelo caminho mais aberto.

        Após subirmos os primeiros 300 metros, a trilha que até ai seguia principalmente na direção oeste ou noroeste, vira para a direção norte, e agora a subida torna-se mais íngreme e a trilha mais marcada. A partir daí não mais como errar. A vegetação também muda, se torna mais cerrada e proliferam os bambuzinhos que, a cada momento, se enroscam nas mochilas.

        Após cerca de 600 metros de subida, escutamos barulho de água à direita, e avistamos uma íngreme descida deste lado. Descendo até lá, temos acesso a um fio d’ água que irá nos reabastecer os cantis na volta. Continuando a subida, ao completar cerca de 700 metros de desnível vencido enfim a mata começa a se abrir e nos dá o primeiro vislumbre do vale do Paraíba, já bem abaixo. Mais um pouco e saímos da mata, passando a andar numa crista repleta de arbustos e samambaias. Os mirantes se sucedem, dando-nos magníficas visões das montanhas que guarnecem a borda leste do parque do Itatiaia, onde se destaca um lindo pináculo ogival, do vale do Paraíba, onde se destacam as cidades de Resende e Penedo e, do lado oposto, das vilas de Mauá, em meio aos verdes morros de Minas. No Fundo, a nossa frente, avistamos a Pedra Selada e boa parte da crista que se estende de onde estamos até ela.

          Passamos por uma clareira maior e depois por outras duas menores, onde só caberia uma barraca cada. A subida até ai levou 3:30 hs. Terminado a crista, a trilha vira para a esquerda e começa a descer. Descemos por ela, cerca de 60 ou 80 metros, até que a vegetação começa a mudar, parecendo que vai passar de seco campo de altitude, entremeados de arbustos e samambaias, para mata de encosta, e ai a trilha desaparece! Procuramos a frente, em todas as direções e o Rafael chegou até a rasgar mato por 150 metros, sem que conseguíssemos reencontrar a trilha. À frente tínhamos o fundo vale do rio Marimbondo. Bem mais à direita, do outro lado do rio, víamos o que parecia uma estradinha, mas como chegar lá? Acabamos desistindo de prosseguir e retornamos a clareira maior onde montamos acampamento. Aparentemente a trilha se fechou por falta de uso.

            Com a noite chegando, jantamos e depois fomos a um dos mirantes observar o vale fartamente iluminado e as pequenas vilas de Mauá brilhando parcamente em meio à escuridão do lado mineiro. Às 20:00 nos recolhemos às barracas e eu adormeci imediatamente.

            Acordamos às 6:30, já com o sol alto. Tomamos café, arrumamos as coisas e resolvemos voltar ao final da trilha para mais uma exploração que não resultou em melhor resultado que no dia anterior. Resolvemos então voltar por onde viéramos, retornando a Serrinha e ao carro. A descida acabou dando mais trabalho que a subida e diversas vezes saímos da trilha e tivemos de reencontrá-la para continuar a descida.

             Antes das 13:00 já estávamos de volta ao carro e gastamos as próximas horas explorando a malha de trilhas que há entre as duas principais estradas do bairro, a saber: a estrada do Camping e a estrada dos Artesões, e conhecendo alguns dos poços do rio Pirapitinga.

             O acampamento na crista do Divisor de Águas é um passeio muito bonito em cenário majestoso, justificável por si mesmo, ainda que ficasse ainda mais interessante se a travessia para Mauá fosse reaberta. Que seja reaberta em futuro próximo.

             Um último alerta, esse realmente não é passeio para grupos grandes, não há como por mais de quatro barracas na crista e mesmo para isso seria preciso dividir o grupo em três partes.