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Tentativa de subir a pedra da Bacia partindo da cachoeira da Usina

Já tinha acessado a Pedra da Bacia por dois outros caminhos, a partir das proximidades da pousada Recanto da Floresta (rota mais curta) e subindo desde o bairro do Formoso. As duas opções convergem na crista à oeste do pico. Agora tentaria uma terceira rota, a partir das proximidades da cidade de São José do Barreiro, mas especificamente da cachoeira da Usina.

Saindo da praça central. Sigo pela rua à direita até o final e viro à direita novamente. Há placas indicando cachoeira da Usina. Dali é só seguir em frente. O calçamento acaba junto ao Balneário da Água Santa. A estrada segue agora em terra. Na bifurcação à frente, entro a esquerda, cruzo o riacho e logo em seguida, tomo à direita. A esquerda parece ser a entrada de uma fazenda. A estradinha começa a subir.

Enfim chego a uma capela à esquerda da estrada e resolvo parar o carro ali mesmo. Sigo caminhado. Cruzo uma porteira e em pouco, temos o acesso à cachoeira, à direita. Prossigo pela esquerda e a subida aperta. Vou aos zigue-zagues subindo a encosta.

O caminho torna-se mais rústico. Ora com largura de estrada erodida, ora como sulco de trilha, pelo menos uma vez até o sulco pelo pasto se apaga. Cruzo duas porteira de madeira.

Só tenho alguma dúvida quando encontro uma bifurcação bem mais acima. À esquerda o caminho sobe bem mais largo, mas opto pela direita, que desce um pouco, cruza os restos de um pontilhão de madeira e se reduz a uma trilha, voltando a subir. Após um trecho enlameado, um riacho surge à esquerda, melhor ponto de água até ali.

Cruzo então uma porteira de arame, desvio de um curral e assustando a boiada que pastava por ali. Deixo à esquerda, uma pequena construção, do tamanho de um armário, cujo uso não consegui atinar. A trilha vai bordejando o pasto, sempre subindo. Chego a um ponto onde a trilha à frente parece se apagar. Volto então pegando a trilha para trás que entroncara pouco antes na trilha por onde viera. Ela passa a subir de leve, em direção ao topo da crista que vinha acompanhando.

Logo alcanço a crista e entronco em batida trilha por esta. Vou subindo encostado na mata que aparece na encosta à minha esquerda. O pasto facilmente transitável acaba dando vez as samambaias, trecho que, porém, estava bem limpo.

Enfim, já avistando o topo e tendo subido desde a capela uns 800 metros, perco a trilha num emaranhado de bambus. Até consigo passar um primeiro trecho, para reencontrar um curto trecho de trilha e novamente ver o caminho sumir entre nova touceira de bambus.

Já tendo começado a caminhada tarde era óbvio que não chegaria ao topo, menos ainda com a trilha tão fechada por bambus. Até ali tinha andado cerca de 2:30 hs. Alguém com mais tempo, um facão e disposição talvez queira prosseguir até o topo, mas estejam dispostos a enfrentar um bom trecho de bambus, salvo tenha me equivocado quanto ao caminho, coisa que não acredito, visto estar sobre uma crista que seguia diretamente rumo ao cume, que acredito não podia estar mais que 400 ou 500 metros acima de mim.

Dando por encerrada retornei pelo mesmo caminho e parei algum tempo na cachoeira da Usina, cuja queda superior dispõem de um aprazível poço para banho.

subida ao pico sem nome da serra da Bocaina

Quem olha para leste de cima da pedra da Bacia, avista do outro lado de um fundo vale, mais dois cumes proeminentes na continuação da crista da serra da Bocaina. Com a atenção despertada, somada a constatação de que pelo menos o mais próximo tinha o cume coberto de vegetação rasteira, resolvi que valia a pena tentar acessa-los.

Havia três formas de chegar à base deles: a partir do acesso a Bacia partindo da estrada do parque da Bocaina, a partir do final da estrada do Cachoeirão, vindo do bairro do Formoso ou a partir da estrada do vale do Bonito. Preferi iniciar pelo acesso do parque pois, sabia que a estrada estava em ótimo estado, não tinha idéia da condição da estrada que sobe ao vale do Bonito, nem do final da estrada do Cachoeirão, que recentemente subira até o acesso a cachoeira da Mata, mas por cujo final não passava há anos.

Tomando então a estrada de acesso ao parque, pelo km 23, tomei a saída à esquerda, sinalizada pela placa da pousada Recanto da Floresta. Passada a entrada da pousada Campos da Bocaina, segui em frente e próximo a uma casa do lado direito da estrada, parei o carro.

Seguindo pelo pasto em frente, passo por outra casa e na encosta de pasto à frente, encontro uma trilha que sobe em diagonal, da direita para a esquerda. Logo ela entra na mata e prossegue subindo. Acabo saindo da mata e um pouco mais acima a trilha bifurca. Sigo pela esquerda. A direita sobe ao alto do morro à frente e depois segue pela crista. A trilha pela qual sigo, à esquerda, bordeja o morro, subindo muito levemente. As duas opções se reencontram á frente e seguem bordejando a crista. Acabo chegando à nova bifurcação. Ali, pela esquerda chegaria à pedra da Bacia. Mas esse não seria o caminho nesse dia. Tomo à direita e cruzo a crista, passando a bordejá-la pelo outro lado, descendo suavemente. Logo esbarro numa cerca, facilmente cruzada por uma porteira. A trilha faz então uma curva para a direita e segue descendo mais fortemente, logo desembocando novamente junto à cerca.

Agora é só descer paralelo à cerca. Antes de chegar ao fundo, evitando um trecho mais íngreme por dentro de um capão de mata, a trilha se afasta da cerca e desce para a esquerda. Chegamos bem perto do rio da Ponte Alta. A trilha segue seguindo paralelo ao rio, entrando na mata ciliar e passando por trechos encharcados.

Enfim desemboco no rio. É necessário tirar as botas para cruzar o raso riacho, e é bom fazê-lo rápido porque o local é infestado de mutucas. Do outro lado, sigo pela trilha erodida que lá de cima já avistava, subindo a encosta que aos poucos me afasta do rio.

A trilha nivela e cruza uma estreita mata ciliar que protege um afluente do Ponte Alta. Saindo da matinha, subo paralelo a mata até as proximidades de uma araucária. Ali a trilha aparentemente bifurca, mas o certo é seguir para a direita, contornando um curral à esquerda e ao final deste, subindo a encosta de pasto, por trilha mal marcada para pouco acima encontrar uma trilha bem marcada perpendicular.

Tomo então a trilha para a esquerda. Logo entro na mata e cruzo diversos riachos. Água aqui não falta. Ao final, chego à cerca de arame que delimita a fazenda do Bonito. Cruzo a cerca pela porteira. Se continuasse descendo, acabaria na estrada do Cachoeirão, um dos outros acessos mencionados acima. Seguindo a mesma trilha na direção contrária, sairia na estrada do vale do Bonito junto à sede da fazenda do Bonito.

Cruzada a cerca, tomo a trilha que sobe forte rente a cerca. Um ou outro bambu caído ou samambaia intrometida se atravessam em meu caminho, mas nada que atrapalhe demais a subida. Uma grande rocha aparece no caminho, mas a trilha a contorna pela esquerda. Mais acima sou obrigado a engatinhar sob algumas touceiras caídas de bambu.

Enfim a mata acaba e sigo subindo pelo campo. Chegando ao topo, quando a cerca mergulha rumo a outro fundo vale a frente, abandono à cerca, cuja trilha de qualquer forma se fecha e sigo para a esquerda pelo pasto. Vislumbro algum furtivo trilho no capim alto e vou subindo pela crista, desviando de alguns arbustos maiores.

Chego então ao topo do monte. Do outro lado, a encosta se despenha íngreme rumo ao vale. Nesse dia infelizmente as nuvens se acumulam junto à borda da serra e não consigo ver nada abaixo, aliás, nem a pedra da Bacia logo a minha esquerda consigo avistar. Do lado direito, separado por fundo vale e com encostas cobertas de mata, o outro cume, aparentemente um pouco mais alto. À frente, ligeiramente à direita, uma crista um pouco mais baixa e aparentemente trafegável segue mais um pouco. Mais tarde achei que teria sido interessante seguir por ali para ver se não haveria algum acesso ao outro cume, mas quando estava lá em cima e em vista do tempo enevoado não me ocorreu tentá-lo naquele momento.

Todo o percurso, do carro ao cume levou cerca de 3 horas. O cume, não tem nome registrado na carta de São José do Barreiro, mas suas coordenadas aproximadas são 0544/7488. A volta foi pelo mesmo caminho.

Pedra do Caxambu e cachoeira da Esmeralda

A pedra do Caxambu sinaliza o final da crista da serra homônima, contraforte da serra da Bocaina na divisa entre os municípios de São Jose do Barreiro e Arapeí. Acabei subindo até a sua base por mero acaso. Procurando pela cachoeira da Esmeralda, resolvi após visitar a pequena queda, subir um pouco mais a estradinha por onde viera. Avistando uma interessante formação rochosa no topo da crista, segui subindo a estrada até seu final e percebendo que a encosta desimpedida de pasto acima não apresentava qualquer dificuldade, prossegui até seu topo.

O acesso mais direto é passando por São José do Barreiro, prosseguindo pela estrada dos Tropeiros como que indo para Arapeí ou Bananal. Cerca de 8 km após o Barreiro temos o bairro do Formoso. Saindo do asfalto na rua junto à pracinha à direita, siga reto até sair do perímetro urbano. Mais 8 km de estrada de terra, quebre à direita na bifurcação e logo passara por um portal que sinaliza que se chegou ao bairro do Máximo.

Seguindo em frente, passará por curto trecho calçado e um bar à direita. Na saída do trecho calçado siga pela esquerda. Na próxima bifurcação, de novo à esquerda, seguindo a placa “Balneário Por do Sol”. A estrada começa a subir. Passado o balneário, temos nova bifurcação, onde segui novamente pela esquerda. Aliás, parei o carro junto à bifurcação, pois a estrada, além de piorar mais acima, também é muito estreita e não há a possibilidade de estacionar sem fechá-la.

Logo cruzei o riacho e segui subindo com o rio agora a minha direita. Em pouco uma placa “Cachoeira da Mata” posta por algum grupo de motoqueiros marca a entrada da trilha que leva a mais conhecida cachoeira da Esmeralda. O nome cachoeira da Mata designa com maior freqüência outra cachoeira, que fica na estrada do cachoeirão, cuja saída do asfalto fica logo antes do Formoso.

Entrando na trilha, logo desci a beira do rio. Logo abaixo uma corredeira provida de uma jacuzzi natural convida ao banho, mas cruzando o rio e tomando a trilha do outro lado, vamos subindo o rio pela sua margem esquerda, para em poucos minutos voltar a sua margem. Daí já se avista a queda, mas ainda é preciso seguir pelo leito, pulando de pedra em pedra e saltando um degrau rochoso final antes de atingi-la. A seus pés um fundo poço de cor esverdeada explica porque o nome de cachoeira da Esmeralda.

O local é extremamente aprazível, encravado em um raso cânion, cercada pela mata, não há como não mergulhar nas frias águas do poço. O local parece não ser muito freqüentado, o que só aumenta o encanto, não obstante já haver alguns nomes rabiscados no musgo que recobre as rochas ao redor.

Após ter me refrescado com o banho, voltei à estrada e só por curiosidade segui subindo por ela. Logo passei por uma casa à direita e pouco depois ignorei uma saída à esquerda, aparentemente menos usada. Acabei chegando a uma porteira de varas. Saltei-a e cheguei a uma casa, aparentemente não habitada,

Passei pelo lado direito da casa e cruzei uma tronqueira ao fundo. Acima já avistava a pedra. Segui pela trilha evidente, subindo. Quando a trilha virou a direita e nivelou, passei a subir pelo pasto, caindo também um pouco para a direita. Saltei uma cerca e segui subindo, agora para a esquerda, desviando de algumas paredes rochosas,

Perto do rochoso, encontrei marcadas trilhas de vaca que aos zigue-zagues me levaram a crista logo acima. Segui subindo pela crista, desviando de um matacão pela esquerda.

Acabei chegando a um capão de mata, mas foi fácil encontrar uma trilha de vaca pela mata e segui subindo caindo um pouco para a esquerda. Quando a mata acabou, comecei a bordejar pelo pasto para a esquerda. Logo cheguei ao topo da crista e entrei em novo trecho de mata, cruzando-o de novo por trilha de vaca, onde, aliás, algumas das ditas se encontravam, para logo saírem correndo de mim.

Quando a mata acaba, poucos metros de aclive pelo pasto, semeado de bosta me levam a base da pedra. Chegando a ela, vejo que o paredão de rocha é vertical, tanto ao norte, quanto ao sul, só do lado oeste, onde estou, a subida parece mais praticável. Ainda subo os primeiros degraus rochosos, mas acabo percebendo que o acesso ao topo é uma escalada, e não das mais fáceis. A rocha fica quase vertical, molhada e escorregadia. Uso de corda seria imprescindível para o acesso ao topo. Dando-me por contente por ter chegado até ali, apenas sento-me para um descanso enquanto contemplo o visual da baixada ao norte.

O retorno foi feito pelo mesmo caminho. A subida desde a cachoeira levou cerca de 1:30 hs e subi uns 500 metros de desnível. Acrescento que aparentemente, haveria uma rota paralela, á esquerda da que segui. Pelo que parece, na ultima bifurcação da estradinha, que ignorei, a esquerda leva a outra casa donde uma trilha parece levar a outra casa, bem mais acima na encosta, donde parece não haver problema para alcançar a crista subindo pelo pasto. Ignoro se seria mais fácil subir por ali. Acho que não.

Pedra da Bacia

    Para muita gente as atrações da Serra da Bocaina parecem se limitar a
tradicional “trilha do ouro”, mas a região guarda ainda muitas outras
caminhadas e montanhas a serem conhecidas. Dentre os cumes da Bocaina o mais
alto é a Pedra da Bacia, que com seus 2095 metros aparece na carta como
Pedra Alta.
    No Penúltimo fim de semana fomos subi-la, eu, Nelson, Rodrigo e
Roberta.  Na sexta à noite, pelas 20:30, partimos rumo a bairro do Formoso,
no município de São José do Barreiro. Seguimos pela Dutra até Queluz, última
cidade antes da divisa de estado, passando por dentro da cidade e tomando a
estrada para Areias. A estrada continua com um desvio de terra no seu trecho
mais alto, desvio que já existe há anos e parece até que aquela estrada
nunca mais será consertada. Voltando ao asfalto, outra surpresa, uma boiada
passeia pela estrada em meio à noite, desviando dos bichos, logo chegamos a
Areias, e seguindo agora pela rodovia dos Tropeiros, neste trecho bem
conservada, seguimos rumo ao Barreiro. Passando o Barreiro ainda faltavam
mais 9 quilômetros até o Formoso, num trecho onde o asfalto está
visivelmente mais gasto e a sinalização apagada. Chegamos ao Formoso às
00:50 e logo localizamos a Pousada Formoso, na beira da própria estrada,
junto a uma pracinha. Foi preciso acordar a proprietária, Dona Pedrita.
Rapidamente nos instalamos em nossos quartos para uma boa noite de sono, já
que a subida no dia seguinte seria longa.

    Acordei às 7:00, eu e o Nelson, mas foi difícil fazer o casal levantar!
Só fomos tomar o café da manhã já quase 8:00. Pagamos a diária ( R$ 25,00 )
e partimos. De carro voltamos pela estrada algumas centenas de metros,
passamos uma ponte e tomamos à esquerda a estrada do Cachoeirão. Por ela
seguiríamos uns 6 km até a Pousada Fazenda da Barra. A estrada de terra
segue sem subir muito, até que avistamos a placa da fazenda indicando a
esquerda, passamos uma ponte e subimos por uma íngreme subida cimentada,
atravessamos uma porteira e chegamos a fazenda. Pedimos para estacionar o
carro ali e deixaram sem problemas. Ali até podia ter sido o ponto de
pernoite, mas os preços são um tanto salgados.
    Iniciamos então a caminhada voltando até a estrada e subindo por ela.
Em pouco tempo passamos uma porteira e cruzamos um riacho por cujo vale
subiríamos, deixando uma casa à direita. Segue-se um zigue-zague onde
trilhos cimentados paralelos foram feitos para facilitar o acesso do carro
de algum morador. Na bifurcação acima, abandonamos o cimentado e tomamos à
direita. A subida prossegue com o riacho ficando cada vez mais para baixo. À
direita, deveria ser possível ver o topo da Bacia e a frente o selado por
onde passaríamos, mas as nuvens que se acumulavam nas cristas da serra
toldavam toda visão. Cerca de uma hora acima, paramos junto a uma
bifurcação, onde um fio d’água corria a esquerda, permitindo-nos reabastecer
os cantis e logo a frente um riacho caia em pequenas quedas e passava sobre
uma ponte de troncos. Paramos para um pequeno descanso.
    Seguimos então pela direita, passando pela ponte continuando a subir
pela estradinha que ficava cada vez pior.  Por volta das 11:00 chegamos à
última casa, onde o fio elétrico acaba. Na verdade, dois postes antes da
casa, junto a uma árvore isolada à direita, abandonamos a estrada e pegamos
uma trilha à esquerda pelo pasto, em pouco tempo ela devolve-nos a dois
sulcos paralelos, ultrapassamos uma porteira de arame e após seguir ainda um
pouco para a esquerda, a trilha quebra para a direita e volta a subir a
encosta, por sulco que já avistávamos lá de baixo, na diagonal da esquerda
para a direita. A “trilha” tem largura de estrada e pelo visto deve ser
percorrida eventualmente pela Toyota do proprietário de uma casa mais acima,
que deve freqüentar o local apenas em fins de semana e feriados.
    Eram quase 12:00 quando paramos para o almoço, junto a um borbulhante
riacho à esquerda. Enquanto comíamos, o sol que se mostrava entre nuvens
desde o começo do dia foi totalmente encoberto, fazendo com que a
temperatura caísse bastante. Voltamos a andar, subindo rapidamente para
esquentar, passamos por mais 4 riachos, e por uma saída a direita que leva a
casa com piscina no campo um pouco mais abaixo. Antes do trecho onde a
estradinha desce um pouco e acaba numa porteira trancada a cadeado,
abandonamo-la e tomamos trilha à esquerda, subindo as zigue-zagues até o
selado, aonde chegamos pelas 13:00. Dali a vista do vale por onde subimos é
muito bonita, embora a névoa não permitisse avistarmos muito longe naquele
instante.
    A partir daí a trilha prossegue bucólica por dentro da mata descendo
suavemente. A certa altura cruzamos com uma boiada sendo tocada serra
abaixo, o que nos obrigou a encostar a beirada da mata para permitir a
passagem dos bois, dos cavaleiros que os conduziam e de sua dúzia de
cachorros. Em menos de uma hora emergimos no aberto com os campos da bocaina
a nossa frente. À nossa direita o vale por onde seguia o riacho que
acompanhávamos e mais além, a crista que galgaríamos e por onde voltaríamos
já que o pico tinha ficado para trás. Em pouco tempo a trilha pelo pasto
começa a virar para a esquerda, seguindo para o vale do Bonito. Quando
chegamos próximos a uma araucária isolado na baixada, abandonamos a trilha e
descemos na direção da araucária. Logo encontramos uma trilha no pasto que
passando a esquerda da araucária entra numa matinha, cruza um riacho e sobe
de novo para o aberto. Bordejarmos pelo pasto por um tempo antes de
descermos até o riacho no fundo do vale, onde preferi tirar as botas para
atravessar. Do outro lado prosseguimos, rapidamente saindo da mata ciliar, e
após cruzarmos dois fios d’água, seguimos pelo pasto contornando um morro à
esquerda. Quando a trilha se bifurcou, pegamos a esquerda, o que foi acabou
sendo um erro. Essa trilha deve desembocar no miolo do parque, em algum
ponto próximo a cachoeira São Isidro. Mas não fomos tão longe, seguimos por
ela só até esbarrarmos na cerca de arame do parque. Tivemos então de subir
ao longo da cerca, num trecho onde ela sobe um íngreme aclive, com bambus
formando quase que um túnel junto a ela. Se tivéssemos pegado a trilha à
direita um pouco antes, teríamos ziguezagueando pela encosta de capim,
chegando a cerca num ponto acima desse trecho.
   Segue-se então uma subida ao longo da cerca, vencendo um desnível de 250
metros, com o sol batendo diretamente em nossos rostos. Esse trecho tomou-
nos um pouco mais de uma hora, mas ao atingirmos o alto da crista, onde a
cerca quebra para a direita, descortinou-se um amplo panorama de quase 360
graus. Olhando para trás pudemos ver o vale por onde viéramos e parte do
caminho percorrido e desse lado, bem ao fundo, atrás das montanhas mais
próximas, a Pedra do Frade. Do lado oposto, podemos ver a estrada de acesso
ao parque, vinda do Barreiro, algumas das fazendolas e pousadas rurais junto
a ela. Pudemos também perceber que já estávamos mais altos que a maioria das
montanhas ao redor.
    Após algum descanso, passamos para o outro lado da cerca e a seguimos
por alguns sobes e desces pequenos até que a cerca entra na mata. Ali
procuramos um trilha pelo pasto a esquerda, e seguimos em arco por ela, por
alguns minutos, até entrarmos na mata em um outro ponto. Seguimos pela mata
por uns 10 minutos até desembocarmos numa clareira, junto a um afloramento
rochoso, com vista para o norte. Ali largamos as mochilas e seguimos por
mais 5 minutos pela mata até uma grande pedra que contornamos pela direita,
subindo um pouco e seguindo mais um minuto até atingir a laje que forma o
cume da pedra da Bacia, por onde subimos até o alto, obtendo então visão de
todo  entorno: da crista da Mantiqueira ao norte, Marins-Itaguaré, Serra
Fina, Itatiaia, abaixo o vale do Paraíba com a represa do Funil ao centro, a
direita o vale por onde subíramos e em torno todas as montanhas da Bocaina.
Antes de escurecer completamente voltamos até as mochilas e por ali mesmo
armamos as barracas nos espaços que encontramos, na verdade eu e o Nelson
armamos as nossas na própria trilha, com certeza ali não é local freqüentado
pro grandes grupos.
    Depois de nosso jantar sob um céu coalhado de estrelas, mergulhamos em
nossos sacos de dormir para uma noite de repouso depois da longa ascensão.
Como resolvemos descer pelo mesmo caminho por onde subimos não era
necessário acordar muito cedo.
   
    No dia seguinte fui o único que acordou cedo para ver o sol nascer.
Levantei às 6:00 e tomei a trilha até o cume. Foi preciso lanterna para
percorrer os 10 minutos pela mata ainda bastante escuros àquela hora.
Cheguei ao cume e pude ver que todo o vale do Paraíba estava recoberto de
nuvens, de onde só emergiam a crista da Mantiqueira e da Bocaina, onde
estava. O sol nasceu por entre nuvens uns 15minutos depois, fiquei
observando o panorama por mais algum tempo e depois voltei ao acampamento
para o café da manhã. O Nelson já tinha levantado e após o café voltei com
ele até o cume novamente para algum tempo de contemplação. Observei então
que pouco antes do cume, onde contornamos uma rocha pela direita, uma trilha
à esquerda parece descer a crista por dentro da mata, deve ser a outra
trilha de acesso pelo lado oposto do vale por onde subimos, da qual já
tínhamos ouvido falar. Deve ser um outro acesso mais rápido e íngreme, ou
pode servir como rota alternativa de descida, fica a idéia para futura
exploração.
      Acabamos de desmontar o acampamento e iniciamos a descida às 9:45. A
volta transcorreu sem incidentes. No ponto onde a cerca quebra para a
esquerda e desce a encosta, de onde podemos avistar a estrada de acesso à
portaria do parque, avistamos algumas pessoas no cume de um morro próximo,
provavelmente provenientes da pousada Recanto da Floresta, aliás, por essa
crista é que deve ser o acesso mais curto para a Pedra da Bacia vindo da
pousada ou de algum ponto nas proximidades dela, outra possibilidade de
acesso facilitado para os menos preparados.
     Descendo pela cerca, dessa vez desviamos do túnel de bambus, descendo
para a esquerda até achar a trilha pelo pasto e descer as zigue-zagues até a
baixada. Cruzamos o rio e subimos pelos campos até alcançar a araucária
isolada, próximo a qual paramos para o almoço, já que era quase 12:00. Neste
ponto, se seguíssemos a trilha para a direita, cruzaríamos uma crista e
desceríamos para o vale do Bonito, saindo numa estradinha, onde para a
direita seguiríamos em direção ao miolo do Parque da Bocaina e para a
esquerda desceríamos rumo a Arapeí, sendo que numa bifurcação cerca de 3 km
antes de Arapeí, poderíamos tomar outra estradinha até o Formoso, onde tudo
se iniciou. Esta é uma outra opção para que tiver mais tempo e quiser andar
uma pouco mais.
     Prosseguimos pela trilha através da  mata até o selado e descemos
pelos intermináveis zigue-zagues até a estradinha e por ela até a Pousada
onde deixamos o carro. No trecho onde passamos por dois trilhos cimentados,
antes de uma casa a esquerda, avisei que havia uma cachoeira atrás do
morrote. Eu e o Rodrigo largamos as mochilas com os outros e pegamos uma
trilhazinha quase escondida subindo à esquerda pelo pasto aos zigue-zagues e
depois descendo rapidamente pela mata até alcançar o rio, onde a pequena e
graciosa cachoeira da Mata, com seu fundo poço, esconde-se entre a mata
ciliar.
       Pelas 15:30 alcançamos o carro e iniciamos a volta para São Paulo.
       Concluindo a região apresenta muitas outras opções, inclusive outros
acessos a Pedra da Bacia e outras possibilidades de saída, inclusive
emendando com a trilha do ouro por uma das suas entradas clandestinas.