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travessia Marai da Fé-Pedralva

    Desanimado pelo tempo ruim desisti de viajar na quinta de feriado, mas
sábado pela manhã, vendo que o sol voltava a dar o ar da graça, mesmo tendo
acordado tarde, pelas 9:30, resolvi partir rumo a Maria da Fé, disposto a
caminhar até Pedralva, passando pelo Pedrão.
    Sai de casa pelas 10:40, para tentar pegar o ônibus das 11:30 para
Itajubá, da viação Transul. Cheguei ao Tiête ainda uns 15 minutos antes da
hora da partida. O ônibus seguiu  pela Fernão Dias e fez a primeira parada
em Pouso Alegre, passando depois por Santa Rita do Sapucaí, antes de chegar
a Itajubá pelas 15:50. Às 16:00 já saia um ônibus da Gardênia com destino a
Maria da Fé, a apenas mais 22 Km de distância, mas como o ônibus vai parando
pelo caminho para pegar e deixar passageiros,a viagem demorou uns 50
minutos. Após um trecho plano, a estrada sobe bastante, já que Maria da Fé
fica situada  numa altitude de 1200 m.
    Chegando a cidade, imediatamente segui para o Hotel Dona Marta, na rua
principal onde hospedei-me por R$ 25,00. Como já era por volta das 17:00 não
deu para fazer mais muita coisa, tampouco o tempo estava muito bom, de fato
as nuvens cobriam as montanhas mais altas ao redor da cidade como o pico da
bandeira  com 1800 m. Dei só uma sondada no trecho inicial da caminhada do
dia seguinte e uma volta pelo centro antes de retornar ao hotel para um
banho e descanso. Sai mais tarde para jantar, momento em que as já
conhecidas limitações gastronômicas da cidade ficaram bem aparentes. Não
restou muita alternativa a não ser degustar uma pizza na pizzaria Casa
Rosada. Antes de retornar ao hotel dei mais uma volta pela cidade, no
momento em que o termômetro marcava os 16° C e o suave friozinho da noite
era bem agradável.

     Levantei cedo, tomei o café da manhã às 7:30 e às 8:00 pus o pé na
estrada. Segui em direção a antiga estação ferroviária na avenida central da
cidade e passei a seguir a direção que a estrada de ferro tomava rumo a
Itajubá. A antiga linha já foi erradicada há muito tempo, mas dentro da
cidade podemos reconhecer por onde ela passava pela muretinha graciosamente
ondulada que corre sobre o canteiro central da avenida principal. Seguindo
então pela avenida, na direção oposta àquela por onde chegamos de ônibus,
até que a mureta acaba e as duas ruas paralelas se convertem em apenas uma
de mão dupla. Passei por um  centro de saúde, na encosta à  esquerda e
tomei  a segunda rua, em curva à esquerda. Logo a frente subi até um aterro
que corre em paralelo na encosta a esquerda, no que parece ser o resto do
antigo leito da linha.  Mais à frente, quando acaba o calçamento da rua à
direita, o aterro se prolonga numa estrada de terra, com um rio correndo à
direita e as últimas casas da cidade ficando para trás. A estrada então se
curva suavemente para a direita. Passei por uma porteira ao lado de uma
granja. A linha passava obviamente pelo terreiro da granja, mas a estradinha
segue paralela ao antigo traçado da linha. Passei por outra porteira e sobre
um riacho, à esquerda vemos os restos carcomidos do pontilhão da ferrovia.
Logo a frente após umas casas à esquerda, temos um trecho de lamaçal,
contornado por trilho na encosta à esquerda. Voltando a estrada, que agora
retomou o traçado da linha, passamos por uma porteira de arame. Neste ponto
a estrada toma a encosta à esquerda, subindo fortemente e abandonando o
traçado da linha de vez. Tomei um trilho pelo mato alto seguindo pelo antigo
leito em curva para a direita. Chegamos então a antiga ponte sobre o rio que
vínhamos acompanhando, do mesmo modelo das demais do ramal do Sapucaí,
metálica, com vigas longitudinais ligadas por treliça. Passei me
equilibrando numa das vigas e apoiando-me num precário corrimão feito de
arame e galhos fincados de tanto em tanto. Do outro lado do rio, já ouvindo
o barulho de uma queda, encontrei uma trilha a esquerda, que num minuto me
levou ao alto de uma queda de dezena de metros, mas aparentemente sem acesso
a parte baixa neste ponto. Voltei ao leito e segui agora por trecho onde
dois sulcos correm pelo mato alto. Mais a frente uma pilha de lenha denuncia
que a mata ciliar vem sendo abatida impunemente. Por trilha a esquerda desci
um pouco apenas para observar que grossas árvores da mata ciliar já tinham
sido cortadas e agoras as menores estavam virando lenha. Voltei ao leito e
segui em frente. Vi mais umas duas trilhas descendo a esquerda  alguma delas
deve levar a base da cachoeira anterior e provavelmente a outra queda mais
abaixo, coisa a ser explorada numa próxima oportunidade. Passei por pequeno
corte na rocha e por uns dois trechos empoçados que tiveram que ser
contornados pela esquerda. Quando cheguei a uma porteira de arame a
esquerda, dando acesso a uma roça de milho, passei por ela e tive uma visão
de todo vale do rio Lourenço Velho e do Pedrão,ainda encoberto de nuvens, e
outros dos paredões de rocha em morros ao redor, bem como da continuação do
leito na encosta a frente. Segui então em frente e o caminho se torna mais
limpo até desembocar na estrada que vai de Maria da Fé à vila do Pedrão. Uns
metros à frente, numa bifurcação, retomamos ao antigo leito da ferrovia,
agora transformado em estradinha e seguimos por ele por mais uns 5 km,
cruzando apenas com uma charrete, uma moto e uma bicicleta. Nesse trajeto de
tempos em tempos, a vegetação a esquerda abre-se e temos novas e belas
visões do vale e das montanhas ao redor. O caminho segue descendo
suavemente, quase sempre em corte, raramente na rocha e sem nenhuma obra de
arte.
    Pelas 10:00, avistei a vila do Pedrão à esquerda, encaixada num selado,
com o pico do Pedrão ao fundo. Segui mais 5 ou 10 minutos até a antiga
estação do Pedrão, mal conservada, atualmente sendo usada como residência,
do que dá testemunho a ligação de energia elétrica, a antena parabólica e
algumas roupas num varal nos fundos. Um pouco antes da estação  ainda existe
a antiga caixa d’ água da ferrovia.
   Pegando a direita antes da estação, em minutos subimos a vila do Pedrão,
umas duas dúzias de casas em torno de uma capela. Na subida já avistamos um
cruzeiro branco no alto da encosta atrás da vila e uma trilha subindo na
diagonal da esquerda para a direita que leva até ele. Para dar uma trégua na
caminhada por estradinha e ao mesmo tempo obter visão panorâmica, a idéia
era subir até o cruzeiro e depois seguir pela crista de pasto rumo ao
Pedrão. Quando cheguei a vila, quebrei a esquerda ( há um boteco na
esquina ) e subi, passando a esquerda da capela, aliás muito bem conservada,
num instante acaba o calçamento e a última casa, à direita, fica para trás.
Na bifurcação adiante, tomei a direita, sempre subindo. Aí fiz a primeira
bobagem, por distração passei pela entrada da trilha do cruzeiro sem vê-la.
Tudo bem, sabia que ao atingir o alto, podia acessar a crista por outra
trilha. Subi até o alto e quando a estradinha dobrou à direita e ia começar
a descer, passei ( na verdade me arrastei por baixo ) por uma porteira de
arame, que parece ter sido feita para nunca ser aberta, e subi pelo pasto,
rente a uma cerca, subindo pela crista. Quando a cerca virou a esquerda,
seguindo a crista, segui por ela, o pasto estava bastante mais alto que da
última vez que passei por ali, mas nada que dificultasse muito o progresso.
Pulei outra cerca transversal e ao atingir um alto onde 4 cercas se
encontravam, passei para o outro lado da cerca que seguia e prossegui pela
crista. A frente avistava-se o pico do Pedrão à direita e para trás, a vista
da vila encravada num selado lá embaixo é muito graciosa. Seguindo pela
crista, a próxima cerca tem uma brecha o que evita termos de pula-la. Na
segunda não tem jeito, só passando por baixo. Do lado esquerdo da cerca de
crista surge então um cafezal. Desci a uma baixada e antes da próxima cerca
resolvi cair para a direita. Ao fundo da crista, teríamos que contornar uma
encosta formada por lajes de pedra e mata arbustiva fechada que preferi
evitar. Desci a encosta íngreme de pasto até esbarrar em outra cerca com um
casebre após ela, pulei por cima dela e virando a esquerda e logo chegando
até outra cerca que passei por baixo, saindo num final de estradinha. Desci
por ela uns minutos e logo sai em outra estradinha, essa a que dá acesso ao
Pedrão. Segui então para a esquerda, no princípio pelo fundo do vale, mas
logo subindo forte. Essa estrada está fortemente erodida, nenhum carro
normal subiria por ela, acho que até de jipe teria que ser meio louco para
subi-la. Ao atingir um mata-burro, parei a sombra para descansar um pouco.
Segui em frente subindo forte e com as erosões se tornando ainda mais
fundas. Atingi o alto pelas 12:00. O topo consiste de largo trecho plano de
pasto, onde uma rebanho pastava tranqüilamente. Seguindo em frente até o
lado oposto, passei por um mata-burro e logo cheguei ao alto do paredão de
granito que constitui a face norte do Pedrão. Desse lado uma cruz branca de
madeira e metal marca o alto do paredão. Parei na base do cruzeiro para
apreciar a vista norte. Aí percebi que Pedralva era muito mais longe do que
eu me lembrava . E pensei ainda vou ter de andar muito ! Pelas 12:15, segui
pela trilha que seguia para a esquerda descendo aos zigue-zagues e que eu
ingenuamente achei que desceria para a base do lado norte. Se tivesse a
visão da face norte que tive depois veria que isso era improvável. Todo lado
norte, assim com parte dos lados oeste e leste são puro granito, descer ali
só rapelando mesmo. Mas a trilha estava ali e começava a descer,
aparentemente dando uma volta para oeste. Desci por ela até passar uma
tronqueira e entrar num bananal. Após mais algumas voltas pelo bananal,
sempre descendo, cheguei a uma bica d’água. Ali a trilha acabava. Ainda
perdi tempo procurando uma continuação mais abaixo no bananal, mas nada.
Comecei a voltar e ainda procurei alguma outra saída `a esquerda. Num ponto
ultrapassei o bananal e na encosta de pasto além, segui uma trilha que
contornou o monte por um tempo para acabar em nada. Tive que voltar ao
cruzeiro e como única opção descer por onde tinha subido. Com isso perdi
quase uma hora. Desci até o fundo do valezinho, mas ao invés de subir a
encosta de pasto por onde tinha descido, segui pela estrada. Ao chegar a um
grupo de casas, segui descendo a esquerda e rapidamente cheguei a estrada
que descia da vila do Pedrão, tomando-a para a esquerda, rumo a Pedralva,
ainda a quase 13 km de distância.
     O resto da caminhada foi por estrada de terra. Conforme descia pude
ter uma visão cada ver melhor do Pedrão e das suas encostas quase verticais
de granito. Deu para ver que a trilha que eu esperava encontrar realmente só
existia na minha imaginação. O cruzeiro onde estivera a pouco foi ficando
cada vez menor até se tornar uma manchinha branca no alto do morro. Ao
chegar ao fundo, numa bifurcação, peguei a direita, cruzando um rio. Na
seqüência, prossegui  por trecho plano por um tempo, para depois subir um
pouco, atingindo uma alto e descendo de novo. Numa bifurcação mais à frente,
tomei à esquerda, seguindo a placa “rodovia”. Nova subida suave, seguida de
descida. Acabei, pelas 15:40, desembocando na rodovia que liga Itajubá a
Pedralva. Segui então para a direita pelo asfalto por mais cerca de 3 km até
o trevo de Pedralva. Encontrei um pessoal parado na beira da rodovia e
perguntei onde poderia pegar o ônibus para Itajubá, responderam-me que ali
mesmo e que eles também estavam esperando. Eram 16:10, em 2 ou 3 minutos o
ônibus passou e segui nele para Itajubá, chegando lá às 17:00. Ainda deu
tempo de comprar a última passagem de volta a São Paulo pelo Transul, das
18:00. O retorno foi rápido e às 21:30 cheguei ao Tiête.
     Pois é parece que Maria da Fé tem algum feitiço, porque toda vez que
vou até  lá, o que planejo fazer não dá exatamente certo, mas sempre
descubro novas “atrações” e encontro motivo para retornar. Esta já foi a
quinta vez que fui até lá e agora penso em retornar uma sexta vez para
pesquisar aquelas trilhas de acesso as cachoeiras.

Relato: Circuito Maria da Fé-Pedrão

        Esse é outro roteiro de bike que fiz a pé. O percurso todo é por estradinha, sendo apenas os últimos 2 km de acesso ao Pedrão em estado precário, só acessível a jipes.

        O circuito começa e acaba em Maria da Fé, aprazível cidade sul-mineira. Inicio a caminhada em frente à antiga estação ferroviária. Com a antiga locomotiva a minha esquerda, sigo no rumo oeste pela rua por onde outrora corriam os trilhos. Em cerca de 1 km chego a uma bifurcação em “T”, junto às fabricas de batata frita. Tomo a direita, na mesma direção que tomei anteriormente para subir o pico da bandeira.

         Em uma centena de metros o calçamento acaba, saio do perímetro urbano e a estrada começa a subir. Cerca de 1,5 km depois chego a uma bifurcação, marcada com a placa “Lagoa”. Tomo a esquerda, exatamente na direção do bairro Lagoa. O Caminho nivela e sigo bordejando a encosta. Por algumas brechas na vegetação, à esquerda, tenho vista panorâmica do vale do rio Lourenço Velho e das encostas rochosas ao redor, entremeadas de vegetação. Nessa hora da manhã ainda há neblina sobre algumas baixadas. A paisagem é muito bonita. O percurso segue por trechos de mata nativa, com um ou outro sítio disperso.

       Com 5 km e pouco, na próxima bifurcação, tomo a direita, ligeira subida seguida por uma descida forte. Começo a avistar, à esquerda, as casas do bairro Lagoa, mais densamente povoado do que eu imaginava. Chegando quase ao fundo, encontro nova bifurcação em “T”, na qual sigo para a esquerda, passando pelo “centro” do bairro.

       Subo muito pouco e numa bifurcação antes da igreja, tomo a esquerda e logo na seqüência, à direita, iniciando uma subida forte, mas curta. Logo passo pelo alto de um morro, perco a visão do bairro e passo a descer.

       Ignoro uma primeira saída à direita, que parece só levar a uma casa mais à frente, e cem metros depois, na próxima bifurcação, tomo à esquerda, subindo forte novamente. Não demora muito chego novamente ao topo de outro morro e volto a descer, de modo mais suave.

        Logo começo a avistar o paredão rochoso do Pedrão à frente e um pouco à direita. Sigo então por alguns quilômetros, por entre plantações de banana e algumas casas, voltando a subir lentamente. Na bifurcação seguinte, sigo em frente.

        Completados 13 km de caminhada, chego ao bairro do Pedrão. Percorro 100 metros de calçamento e chego a um entroncamento. À direita temos a bonita igrejinha do bairro. Sigo para a direita, logo o calçamento acaba e passo a descer suavemente. Na primeira saída à esquerda, sigo por ali e começa uma forte subida.

         A estrada nivela, passa entre algumas casas, e depois segue na direção de um selado, à esquerda do Pedrão. Nesse ponto a estrada piora bastante, impossibilitando que qualquer carro baixo prossiga. Se você pretende apenas visitar o Pedrão, sem fazer a caminhada, mas não tem um jipe, a opção é parar o carro na última casa e dali seguir a pé esses últimos dois quilômetros. Logo a subida se torna íngreme e escorregadia. Do lado esquerda, no meio da subida foi construído um oratório, que parece conter uma bica d’água, mas que estava seca nesse dia. Quando chego ao selado, a estrada vira para a direita e continua subindo, um pouco menos íngreme. Enfim chego ao alto, e a estrada vira um trilho no pasto. Assusto algumas vacas enquanto procuro o cruzeiro que marca o alto da pedra. Acabo caindo mais para a esquerda do que esperava, passando por um mata-burro e chego então ao cruzeiro.

       Dali a vista é desimpedida para o norte e a cidade que se avista a frente é Pedralva. Do outro lado é possível avistar Itajubá, bem maior, mas Maria da Fé esta escondida em seu vale e não dá para vê-la. À minha frente a encosta rochosa é vertical, caindo até os pastos lá embaixo. Passo cerca de uma hora por ali, faço um lanche e antes de ir embora ainda assisto a decolagem de um paraglider!

       O retorno é pelo caminho da vinda até o bairro do Pedrão. No trecho mais íngreme, enquanto desço, vejo um motoqueiro que subia, tomar um tremendo tombo.

       Chegando ao bairro, sigo direto, deixando a igreja à direita. Mais 100 metros e o calçamento acaba, passo então a descer suavemente até a antiga estação do Pedrão, mal conservada e utilizada como residência ou depósito. Enquanto tento tirar uma foto dela me assusto com dois cachorros que avançam sobre mim e me convencem a afastar-me do local. Sigo então pelo antigo leito da ferrovia, agora convertido em estradinha vicinal, passando ao lado da antiga caixa d’água. A seqüência da caminhada é tranqüila, suave subida bordejando a encosta, passando por alguns cortes cavados na rocha, num total de cerca de seis km. Quase chegando à cidade, a estrada abandona o leito e segue para a esquerda, subindo forte por um curto trecho. O antigo leito segue em frente, mas logo a frente sofreu erosão e foi tomado por uma voçoroca, como pude constatar em uma visita anterior, além disso, mais a frente o leito cruzava um rio e a ponte ferroviária era formada por duas vigas longitudinais ligadas por uma treliça, sobre as quais eram fixados os dormentes, os quais obviamente foram retirados juntos com os trilhos a muito tempo, ou seja, só dá para passar perigosamente se equilibrando nas vigas.

          De modo que sigo pela estrada, que logo nivela, alcança o calçamento e chega à mesma bifurcação em “T” do início do trajeto, tomo então à direita e um quilometro depois estou de volta a estação.

          O percurso todo tem 29 km e me tomou 8 horas, contando 1 hora parado no Pedrão.