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Pedra Grande do Itatiaia e Pedra Furada

Relato: Pedra Grande do Itatiaia e Pedra Furada

A Pedra Grande do Itatiaia é uma daquelas atrações do parque de que poucos ouviram falar e que inclusive não consta no mapa distribuído aos visitantes. Um pouco mais conhecida, e pelo mesmo acesso daquela, a Pedra Furada é outra destas atrações.
O acesso a ambas é por uma trilha que sai da estrada bem antes da portaria do parque. Cerca de 200 metros antes das ruínas do antigo hotel Alsene, do mesmo lado da estrada que ele.
Descendo pela trilha, logo chegamos a uma bifurcação. À direita a trilha desce para o vale do Aiuruoca, levando ao bairro da Serra Negra, mas nosso caminho é pela esquerda. A trilha passa a subir e logo avistamos um poste de luz. Avistamos a estrada mais abaixo na encosta e passamos a seguir quase paralelos a ela. À frente já vemos o maciço da Pedra Furada. Após alguns sobes e desces, começamos a contornar o maciço pela direita. Um primeiro ponto d’água é passado, onde uma rústica bica foi improvisada com uma garrafa pet. Já avistamos a Pedra Furada mais acima na encosta. Como o nome já indica, trata-se de um grupo de blocos sobrepostos onde ficou um buraco ao centro. Cruzamos uma cerca e ao final do trecho, chegamos a uma bifurcação. Tempo até aqui: 40 minutos.
Deixamos para subir ao topo do maciço da Pedra Furada na volta e prosseguimos em frente. Uma série de trechos encharcados se seguem, alguns em meio à mata outros em campo aberto. Após esse trecho em nível, chegamos à borda de um profundo vale. Dali já avistamos o pequeno contraforte que culmina na Pedra Grande. Porém a trilha começa a descer na direção oposta! Descida repleta de trechos escorregadios e pedras soltas. Pouco à frente a trilha faz uma curva e segue descendo no sentido oposto, nos aproximando da pedra.
Chegamos a uma aparente bifurcação. A esquerda desce mais fortemente. Seguimos porém pela direita, em nível. A trilha chega a uma matinha e parece se dividir, um ramo descendo para esquerda e outro que parece entrar na mata. Preferimos entrar na mata, mas acabamos saindo da mesma mais à frente, para a esquerda. À frente a mata acaba e começa um trecho de capim elefante.
Saindo no aberto, visualizamos mais abaixo e do outro lado do vale de um riacho um aparente rabo de trilha. Vamos então descendo pelo pasto, desviando dos arbustos na tentativa de alcançar aquela trilha. Acabamos chegando a uma trilha deste lado do valezinho que nos leva a cruzar o riacho ainda antes de sua nascente logo abaixo.
Enfim alcançamos a trilha e por ela seguimos, mas ou menos em nível, desviando de capões de mata na encosta acima e abaixo. Algumas vezes a trilha se apaga, mas encontramos nova trilha poucos metros abaixo. A trilha então vira para a esquerda e desce na direção de uma matinha abaixo. Antes de chegar à mata, viramos para a direita e cruzamos uma cerca. Enfim cruzamos a mata em seu trecho mais estreito.
A trilha, agora bem marcada, desce mais um pouco e então contorna um primeiro morro pela esquerda, quase que em nível. Depois vira para a direita e penetra no selado entre as duas elevações. Resta-nos apenas subirmos a encosta final de pasto e chegamos ao topo da Pedra Grande. A subida final curta e fácil engana, pois do outro lado há um alto penhasco quase vertical, bela parede rochosa que faria a diversão de qualquer escalador.
A visão ao redor é dominada pela Pedra Preta e pelo vale do Aiuruoca à direita, cuja alta cachoeira avistamos durante a descida. Ao redor diversos vales menores de afluentes do Aiuruoca densamente cobertos de mata e campos rupestres compõem o panorama. No extremo norte chama a atenção a crista da serra do Papagaio com suas inconfundíveis três corcovas. O percurso até ali tomou-nos cerca de 1:40 hs.
No retorno, voltamos pelo mesmo caminho, mas em algum ponto no trecho onde bordejamos a encosta, variamos de trilha. O que sabemos é que sempre seguindo por trilha marcada, cruzamos o riacho abaixo do ponto onde cruzáramos antes e seguimos bordejando. Um cinturão de mata foi atravessado e voltamos ao aberto. Acabamos entrando novamente na mata e ali dentro proliferavam as alternativas. De modo que fomos subindo pela trilhas mais abertas até que subitamente desembocamos na trilha principal, a mesma por onde viéramos, só que num ponto mais abaixo do que a abandonamos na ida. Não saberíamos como indicar esse ponto. O trajeto dentro da mata é bastante confuso. De modo que na ida o melhor é cortar pelo pasto sem trilha mesmo.
Retornamos então até a bifurcação da Pedra Furada. Ainda com tempo, subimos ao alto do maciço por trilha marcada, que ás vezes segue sobre lajes rochosas. A Pedra Furada propriamente dita é deixada à esquerda, mais abaixo. Não vimos acesso fácil a ela.
Ao final de pouco mais de 15 minutos chegamos ao topo, de onde há visão de 360 graus. Avistamos o vale do Paraíba, o maciço da Agulhas e todo o vale abaixo por onde descemos. Com a noite já se aproximando, descemos a bifurcação e retornamos ao Alsene onde deixamos o carro.

Travessia Alsene – Colina

Muita gente conhece o parque do Itatiaia, mas a maioria parece só ter ouvido falar das atrações mais conhecidas tais como os picos das Agulhas Negras e Prateleiras e possivelmente pensar que o parque ser resume a área em torno aos citados picos, porém o parque começa já na garganta do Registro e na área antes da portaria oficial há outras atrações como a pedra Furada e a Pedra Grande.

Alguns quilômetros antes da portaria existia o hotel Alsene, hoje desativado e em ruínas. Cerca de 200 metros antes do Alsene, do mesmo lado da estrada, ou seja, lado esquerdo de quem sobe, inicia-se a trilha de acesso a Pedra Furada, prosseguindo por ali, desce-se até o bairro da Vargem Grande, já na orla do parque, de onde, cruzando-se a serra da Colina por outra trilha, chega-se ao bairro da Colina. Essa foi a travessia que fizemos. Começamos as 8:00 hs.

A trilha começou estreita com os bambuzinhos molhados quase fechando completamente a trilha. Logo chegamos a uma bifurcação. À direita a trilha desce para vale do rio Aiuruoca, levando ao bairro da Serra Negra e a trilha para a Maromba, mas nosso caminho era pela esquerda. A trilha fica mais aberta e passa a subir a encosta suavemente. Avistamos um poste à esquerda. Na verdade nesse trecho inicial a trilha passa a correr mais ou menos paralela a estrada, muito embora não a vermos. Trechos encharcados se sucedem, assim como pequenas descidas e subidas. Não demora e passamos por um riacho. À esquerda, uma garrafa de plástico encravada na encosta foi usada para fazer uma rústica bica.

Quase uma hora após o inicio da caminhada, passamos pelos restos de uma cerca de arame. Na encosta à esquerda poderia ser vista a Pedra Furada, conjunto de blocos rochosos onde como o nome diz sobrou, uma brecha entre eles, deixando um furo. Poderia ser visto já que nesse dia a neblina cobria o alto do morro e não víamos nada. Mais um pouco e chegamos a uma bifurcação marcada com um totem.

À esquerda, a trilha sobe o morro, passando ao lado da Pedra Furada e subindo a um cume rochoso mais acima, com visão de 360 graus. Não fomos até lá porque a visibilidade era nula nesse dia. De forma que seguimos pela direita. A trilha prossegue em nível, passa por mais trechos encharcados, dos quais eventualmente desviamos pela esquerda, e mais a frente passa a descer aos zigue-zagues. A trilha tem muito trechos lisos e pedras soltas e cada um a seu tempo acaba levando algum tombo.

Do lado direito da trilha, começamos a visualizar o maciço da Pedra Grande, que mal e mal se avistava dentre a neblina desse dia. O acesso a seu topo não parece ser demarcado, pelo menos em seu inicio e não saberia dizer bem de onde sai.

Vamos descendo pelos campos rupestres e pouco a pouco a vegetação vai mudando. Cruzamos cinturões de mata que vão se tornando cada vez maiores. Sempre com a pedra Grande à nossa direita. Água não falta e repetidamente passamos por nascentes.

Ao fim de duas horas de caminhada paramos para um lanche. Prosseguindo a caminhada, chegamos a um largo gramado, com restos de um cocho e ruínas de pedra do que pareciam ser uma casa junto a nascente de um riacho. Local bucólico onde uma única rês solitária pastava deu margem a muitas fotos.

Cruzando o campo, na cerca do outro lado, um pouco para a direita, encontramos uma porteira de arame. Cruzando a porteira, a trilha segue para a direita bastante enlameada nesse trecho inicial e sobe um pouco. Mas logo volta a descer e entra de vez na mata.

Na mata as variantes proliferam, mas todas descem e não há como errar. Proliferam também as folhas de araucárias no piso da trilha, mas poucas araucárias conseguimos avistar em meio à mata. Quando a trilha parece nivelar, subitamente chegamos a um entroncamento.

À esquerda, a trilha seguiria rumo a pousada dos Lobos. Mas nosso caminho era o da direita. Não andamos muito e nova bifurcação apareceu. Pegamos a esquerda e começamos a subir. Logo saímos no campo e prosseguimos subindo bordejando a encosta para esquerda e assustando alguns cavalos que pastavam por ali. Mantemo-nos acima do mato que recobre a parte da encosta abaixo de nós. Logo passamos por um estreito cinturão de mata e após, por um selado, emergindo numa crista. Abaixo no vale avistamos algumas casas, mas ali não era o bairro da Vargem.

Após cruzarmos uma cerca, seguimos para a esquerda em trecho em que a trilha estava apagada, para reencontrar a trilha mais à frente. Acabamos chegando a um casebre em meio a uma matinha. Ali começou a confusão. A trilha seguia caindo para a direita, mas sabíamos que a Vargem ficava a nossa frente, atrás duma crista. Desconfiando da trilha onde saímos, tomamos outra trilha que saia para a esquerda pouco antes de um bebedouro de gado ainda antes da casa.

Seguindo por ali, em instantes começamos a avistar a Vargem ao fundo do vale, mas não víamos como descer. A trilha entrou na mata contornou um charco e voltou a sair no campo. Seguimos mais um pouco por ela, mas não havia descida, ela seguia bordejando a encosta. Ali tomamos a decisão fatídica, vamos descer rasgando o mato que recobria a encosta abaixo de nós. Saltamos uma cerca e, no inicio foi fácil, só pasto alto e alguns arbustos dos quais facilmente desviávamos. Só que mais abaixo a mata era mais fechada, repleta de cipós e plantas espinhosas. Fomos seguindo do jeito que deu, desviando dos trechos mais entrelaçados até que subitamente saímos numa trilha limpa! Tomamos a trilha para a esquerda e, surpresa, em pouco passos chegamos a uma estradinha que levava a uma casa encravada na mata pouco atrás! As meninas disseram ter avistado está estrada lá de cima. Agora era só descer pela estradinha saindo no bairro bem em frente à igreja da Assembléia de Deus.

Conforme informações locais, parece que deveríamos ter ido para a direita lá em cima, contornado o morro por esse lado e de alguma forma descendo a estrada mais a leste, daí voltando ao bairro, de qualquer forma o trajeto certo nos escapou.

Na estradinha que forma a rua principal do bairro, seguimos para a esquerda, deixando a pousada dos Lírios, à direita.

Depois da última casa, uma trilha sai à direita, passa por um trecho, que nesse dia estava alagado, e do qual desviamos por uma variante à esquerda, até que avistamos um riacho ao fundo de uma baixada. Ali seguimos para a esquerda por trilha evidente, descendo ao fundo da baixada. Cruzamos o riacho e subimos do outro lado. Já era 15:30 e já era um tanto tarde, e talvez mais recomendável abortar o resto do caminho, mas insistimos em prosseguir com o programa assim mesmo.

A subida vai aos zigue-zagues por trilha fundamente escavada. Mais acima a vegetação se abre e começamos a avistar o casario da Vargem ao fundo do vale. Ali fizemos uma parada para lanche, mas a Myrna preferiu prosseguir caminhando. Avisei que haveria um bifurcação à frente e alertei para que nos esperasse ali.

Finda a parada, prosseguimos a caminhada e logo chegamos ao entroncamento, mas cadê a Myrna? Nessa altura começou também a chover. O caminho que planejava era o da direita, mas sem ter certeza para que lado a Myrna seguira o que faríamos? Discutimos as opções e depois de perder algum tempo tentando localizá-la de um lado e do outro, decidimos dividir o grupo, dois iriam para um lado e os outros dois para o outro. Decisão que nós custaria outros contratempos.

Tomei à direita com a Elisa e seguimos em marcha acelerada para ver se alcançávamos a esquiva Myrna. O Walter e a Lili foram para o outro lado. Dei algumas indicações sumárias do caminho a eles, mas elas aparentemente não forma suficientes, já que eles nunca chegaram a Colina e sei lá onde pararam.

Prosseguirei com o relato do eu e a Elisa fizemos. A trilha segue pela crista, sempre subindo, mas suavemente, quase sempre dentro da mata, na direção geral leste. Quase ao final do trecho, quando a trilha quebra para a esquerda e passa a seguir para o norte, encontramos a Myrna. Aliviados, seguimos, descendo por um trecho erodido e reentrando na mata. Cruzamos um trecho enlameado, uma porteira e logo saímos no campo.

Segue-se um longo trecho pelo campo, subindo sucessivos cocurutos da serra da Colina, de onde se descortinaria largo visual das serras ao redor, mas nesse dia as nuvens cobriam quase tudo ao redor. A trilha segue quase sempre bem marcada, mas fui ficando preocupado com o horário, já passava das 17:00 hs. Nem sabia ainda que as meninas não tinham lanterna.

Chegando ao final da crista, local conhecido como pico da Boa Vista, nem subimos ao topo, já que não daria para ver nada mesmo. Prosseguimos pela trilha, que vai bordejando e descendo. Logo a trilha vira para a direita e começa a descer mais fortemente. Cruzamos um cinturão de mata e voltamos a sair no aberto.

Mais abaixo ignoramos uma bifurcação à direita que só dá acesso a um riacho e seguimos pela esquerda. A trilha dá uma nivelada e logo chegamos à nova bifurcação. Ali seguimos novamente pela esquerda. A direita desce ao bairro do Jequeri. A trilha até sobe ligeiramente antes de virar para a direita e voltar a descer.

Entramos na mata e uma cerca aparece à nossa esquerda. Afinal cruzamos a cerca por uma porteira. A escuridão já era total e tive que recorrer a minha lanterna, ali também soube que ela seria a nossa única fonte de luz. Seguimos descendo a trilha, agora com dificuldade redobrada. Tinha que iluminar a frente para achar o caminho e depois para trás para que elas me alcançassem. Felizmente esse trecho foi curto, mas tomou muito tempo. Até que chegamos aos fundos de uma casa. Contornando ela, chegamos à estrada de acesso e a partir daí o avanço foi mais fácil. Como a estrada era larga podíamos andar lado a lado e eu conseguia iluminar os passos dos três. Fomos então descendo a estradinha, eventualmente passando por algum trecho mais escorregadio, às vezes caiam alguns pingos de chuva, que sempre que pensávamos em tirar as capas, insistia em nos incomodar. Passamos uma última porteira e chegando a um riacho, cruzamo-lo por uma pinguela à direita.

Enfim chegamos ao bairro da Colina às 20:30. Tínhamos fretado a van do Amarildo para, a partir de Itamonte, nós levar ao Alsene cedo e depois nos pegar às 17:00 na Colina, mas cadê o Amarildo? Sem sinal de celular, procuramos um orelhão de onde ligamos para ele. Sem sucesso. Depois ligamos para o Hotel Rainha, onde nos hospedamos e deixamos os carros. Não atendia. Estávamos sem condução ou hospedagem num bairro a 12 km de Itamonte numa noite de domingo! Já pensávamos em bater de casa em casa até conseguir alguma condução para nós e eis que um carro vem chegando ao bairro nessa úmida noite. E era ele, o Amarildo!

Ele explico que tinha chegado na hora, mas com o nosso atraso extremado tinha descido de volta a cidade. Lá o Walter tinha conseguido falar com ele de um pesqueiro onde eles tinha acabo saindo e pedido para buscá-los lá depois de nós pegar. O Amarildo achou que a van dele não subiria até lá, então contato um outro taxista para pegá-los e veio nos buscar. Reencontramo-nos no hotel Rainha onde eles acabaram dormindo, enquanto nós resolvemos voltar a São Paulo apesar do horário avançado. Só conseguimos sair de Itamonte depois da 22:30.

Travessia Alsene-Maromba

  Travessia Alsene-Maromba

  Rumo ao Alsene

  Alternativa a mais famosa Rebouças-Mauá que cruza o parque do Itatiaia e
está oficialmente proibida a longo tempo, a Alsene-Maromba contorna o parque
pelo norte, não sofre nenhuma restrição e pode ser feita até em 1 dia com
vontade, ou em 1 e meio com calma.
  Aliás as duas poderiam até ser acopladas e teriamos então um circuito
fechado de 3 dias de caminhada.
  Mais tinhamos só o fim de semana e resolvemos faze-la com calma. Saimos
então na sexta à noite de São Paulo em direção a Itanhandu, no último ônibus
disponível, as 23:15: eu, Rodrigo, Roberta e Gibson.
  Chegamos a Itanhandu as 4:00, a rodoviária esta cheia de pessoas da
região voltando de alguma festa local. Tivemos que esperar um pouco até que
aparecesse um taxista disposto a nos levar até o Alsene. Quase 1 hora depois
chegou seu Odair com seu possante Voyage e fechamos com ele por R$ 120,00.
  Seguimos então para o Alsene, passando por Itamonte e subindo pelo
asfalto até a garganta do Registro, onde tomamos a estrada de terra rumo ao
Parque. Essa estrada nunca foi boa, mais parece que estavar pior que da
última vez que passei por ela, o Seu Odair teve que seguir devagarinho pela
estrada empedrada ,onde a  cada minuto parece que o carro dele não
conseguria seguir em frente. A noite mal ( ou não ) dormida no ônibus e o
doce chacoalhar do carro induziam ao sono, e acho que todos cochilamos pelo
menos um pouco, alguns já estavam quase se babando.
   Enquanto subiamos o dia nasceu e pudermos ter alguns vislumbres das
serras ao redor ainda cobertas de neblina. Passando o Brejo da Lapa a
estrada que já era ruim ficou ainda pior, já estava com pena de seu Odair e
eu pensava em sugerir que o grupo seguisse a pé, mais ainda seguimos mais 1
km ou dois até que todos em uníssono dissemos: “Pare o carro, vamos a pé
daqui”.
    Descemos então e seguimos a pé os 2 ou 3 km restantes. Mais acho que
se não decidicemos isso seu odair iria até o fim conosco, o cara era ponta
firme, não reclamou nenhuma vez !
    Enquanto subiamos o restante da estrada, andavamos ainda na sombra e o
frio era de rachar. Cerca de 150 metros antes do Alsene encontramos a trilha
à esquerda, ai já estavamos sob o sol e foi preciso começar a tirar os
agasalhos.

    Descendo pelo vale do Aiuruoca

    Tomando então a trilha, no começo passamos por trechos de cascalho
solto, depois brejos, em seguida predominou o barro escorregadio, onde
vários tombos foram se sucedendo.
    Vinte minutos abaixo passamos por um riacho cruzado por uma ponte de
madeira com uma tronqueira na sequência. Esse é o primeira água potável que
encontramos desde a estrada.
    A uma hora da estrada paramos para lanchar junto a uma cabana do lado
direito da trilha.
    A descida prossegue com amplas vistas do vale do Aiuruoca com o pico
do Papagaio despontando no horizonte.
    Pelas 10:00 alcançamos o rio Aiuruoca e o cruzamos pelas pedras num
ponto onde havia uma ponte da qual só restou os pilares de alvenaria de
pedra. Do outro lado uma casinha de fazenda, um paiol e algumas vacas
pastando. Paramos para descansar um pouco. Talvez desse para se molhar um
pouco no rio, mas a profundidade é muito pequena e a temperatura naquela
hora era baixa demais para arriscarmo-nos.
    Prosseguimos então bordejando pela margem direita do rio, subindo
lentamente no início, mas deixando o rio cada vez mais abaixo. Mais a frente
cruzamos com o primeiro local, com roupa de apicultor. Ele disse que já
tinha terminado o serviço com as abelhase que podiamos passar sem problemas.
seguimos passando rapidamente pelo trecho por via das dúvidas.
    Na sequencia a trilha vai subindo e subindo, com pequenos trechos
planos. Passamos então por uma fazendola a esquerda com um rústico curral.
Na sequência após um trecho de descida, a trilha volta a subir bastante.
    Cruza-se então uma crista e passamos então para outro vale, de um
afluente do Aiuruoca ( qual ? ), nesse trecho fomos repetidamente
sobrevoados por um caça da aeronáutica. Passada a crista a trilha desce
fortemente em direção ao fundo do vale. Paramos para o almoço, eram por
volta das 12:00.
    Na sequência descemos rapidamente para o fundo do vale, cruzamos o
riacho por um pinguela e subindo um pouco do outro lado, saimos da mata e
após cruzarmos um curto trecho de pasto chegamos a casa do filho do seu
Anísio ( um dos 300 ), após alguma prosa e uma oferta recusada de tomar um
cafezinho seguimos pela estradinha em direção a casa do pai dele. Soubemos
também que ele alugava um chalé ( o preço segundo o Augusto que passou por
lá anos atrás era R$ 40,00 ). Não perguntamos o preço atual.
   Pela estradinha, em 5 minutos chegamos a uma bifurcação, tomamos a
direita e em mais alguns minutos chegamos a casa de seu Anísio. Ali pode-se
acampar e parece que também funciona como pousada. Mais uma parada para um
dedinho de prosa e seu Anísio nós orientou sobre a trilha para Maromba. Mais
um café recusado e seguimos até o fim da estradinha, após passarmos por uma
ponte, uns tanques em construção,alçançamos o fim da estradinha. Pulando
então o riacho, onde uma bica a esquerda pode proporcionar um banho.

   Subidão da misericórdia

    Começa nesse ponto o chamado “subidão da misericórdia”, a trilha passa
a subir a encosta numa direção quase contrária a que vinhamos pela
estradinha. A subida neste trecho é toda por dentro da mata. Meia hora
acima, numa trifurcação, tomamos o ramo do meio, subindo, só que bem mais
acima encontramos algumas colmeias. Um picada de abelha no ombro rapidamente
convenceu-me do erro, descemos novamente a trifurcação, pegando então o ramo
direito, mais batido e plano.
    Cinco ou dez minutos depois, passamos por um riacho, penúltimo ponto
de água neste trecho. Logo depois nova trifurcação é encontrada. Tomamos o
ramo esquerdo, subindo, e a subida volta a ser forte e contínua.
    Mais acima, após uma curva à esquerda, a subida suaviza e a trilha
passa a seguir uma cerca à direita.Invertemos então a direção geral da
caminhada, passando então a andar na direção da vila da Maromba. A vegetação
começa a ficar mais aberta, dando uma ou outra visão do vale de onde viemos,
lá embaixo vemos os casinhas do sítio do seu Anísio, por onde passamos uma
hora antes.
    Passamos então por um casebre, ao lado do qual a água escorre de uma
caixa d’água. Opa, último ponto de água, pulando a cerca, reabastecemos-nos
para o resto do dia e noite. Seguimos então beirando a cerca e subindo mais
e mais, agora no aberto com amplas vistas do vale do Aiuruoca e de seu
afluente por onde subimos.
    Pelas 16:00 paramos já próximos ao ponto mais alto da trilha para um
lanche e apreciação da ampla vista em torno.
    Prosseguindo mais um pouco, cruzamos o ponto mais alto, contornando um
topo de morro pela esquerda e tendo visão do pico do papagaio ao norte e da
pedra selada e vale do rio Preto a leste. Descendo um pouco, chegamos a um
platô de pasto, onde acabamos acampando junto a um capão de mata do seu lado
esquerdo. Era mesmo o melhor ponto para acamparmos, protegido do vento
constante que havia em todo entorno pelas árvores.
    Acampamento montando, ainda tivemos a visita de um genro de seu Anísio
( a familia é grande !! ) que volta de Maringá onde tinha ido vender queijo
e mel.
    Pudemos então apreciar um belíssimo por-do-sol e a noite um céu
estupidamente estrelado. Lá embaixo podiamos ver as luzinhas de Resende, bem
como mais fraca, as cidades que contornam a serra da Bocaina.
    Apesar de alguns se incomodarem com o assedio de vacas no princípio da
noite, a noite foi tranquila e nem fez tanto frio assim.

    Descendo para a Maromba

    Saimos do local de acampamento pela 9:00 do dia seguinte, restando
apenas descer o resto da trilha até a vila da Maromba. Seguindo então pelo
descampado, seguindo uma das várias trilhas paralelas, em 30 minutos
alcançamos de largas vistas, passando então a descer rapidamente por dentro
da mata, com esparços trechos descampados.
     A descida prossegui sem dúvidas por 2 horas. Paramos então para um
descanso e ao prosseguirmos, num trecho onde a trilha seguia por uma crista,
com profundo vale visível a esquerda, encontramos uma bifurcação. A trilha
em frente, menos marcada, provavelmente vai sair próximo a cachoeira Santa
Clara. Tomamos a direita, descendo rapidamente. Em mais meia hora, passamos
por um tronqueira e desembocamos numa estradinha, a qual tomamos para
direita. Em instantes passamos por uma porteira. A direita fica a pousada
Tiatiaim. Tomando a esquerda, cruzamos o rio Preto e acabamos na estradinha
pricipal, próximos da cachoeira do Escorrega. Chegamos na estrada pouco
depois das 12:00.
     Resolvemos descer em direção da vila, parando no poção da Maromba no
caminho. No poção tomamos um banho na geladíssima água do rio Preto e
seguimos então na direção da vila. Chegando lá, almoçamos um truta grelhada
com molho de alcaparra e comemoramos com cervejas.
     Como ainda era cedo ( 14:00 hs ) e ônibus para Resende só saia as
16:30 hs. Resolvemos descer andando até a vila de Maringa ( 3 km ) para que
a Roberta pudesse comprar seu bolo húngaro. Ainda sobrou tempo para mais
cervejas e uma pinga com mel. Quase 17:00 pegamos o ônibus para Resende, a
longa viagem até lá, feita com as mochilas no colo foi o suplício final
desta viagem. Chegamos lá 18:55 hs, sabendo que o último ônibus para São
Paulo da Cometa sai as 19:00, chegamos correndo ao guiche, só para ser
informados que o ônibus já estava lotado. Consultando então o guiche da
1001, conseguimos comprar 4 passagens no ônibus que vinha da Rio, pagando
passagem integral, mas que jeito. Em 3 horas estavamos no Tiête.

      Temos então mais uma ótima opção pela trilha de fim de semana, nem
muito longa, nem tão longe, com visual maravilhosos e ainda podendo curtir
um banho de cachoeira e uma truta grelhada ao final. 

Relato: Três picos do Itatiaia

        Faz tempo que queria conhecer a trilha dos três picos no parque de
Itatiaia, a única trilha maiorzinha na parte baixa do parque, se
descontarmos a travessia Ruy Braga que une a parte baixa a parte alta. Nesse
domingo surgiu a oportunidade.Fomos eu e o Rafael.
     Acordamos cedo e saindo de Penedo, onde dormimos, seguimos para o
parque. Cruzamos a portaria e subimos a estrada, passando pela entrada da
trilha, que parece ter sido recentemente sinalizada. A placa estava até
cheirando a nova. Estacionamos logo a frente, num espaço em frente a entrada
do hotel Ypê. Outro carro já estava ali e um casal se preparava para fazer a
mesma trilha.
     Pegamos as mochilas e descemos até o início da trilha. Logo alcançamos
o casal e em pouco mais chegamos a uma bifurcação. Na dúvida seguimos em
frente para ver onde dava e não demorou muito para chegarmos aos fundos do
hotel Simon. Fechado há tempos pelo visto. Retornamos a bifurcação e tomamos
o ramo ascendente. O casal ficou para trás e certamente desistiu do passeio, pois não foi mais visto.
     A trilha, bem aberta, sobe um pouco mais forte até cruzar um riacho por sobre uma ponte de concreto! A partir dali a trilha fica mais fechada. A caracteristica geral da trilha é que ela é quase toda sob a mata, sombreada e fresca, mas também úmida e com muito pontos escorregadios já que o sol nunca bate no solo, causando tantos tombos a esse escriba que perdi a conta deles bem antes do fim. Por outro lado não é tão úmida que forme atoleiros.
     Após a ponte temos um longo trecho de aclive suave ao final do qual a trilha volta a subir mais forte. Chegamos a um trecho onde um degrau mais alto tem de ser escalado com o auxilio de raízes, porém há a alternativa. Uma variante sai à esquerda,um pouco antes, contornando o trecho e reencontrando a trilha mestra pouco acima.
     Mais um pouco e surge nova bifurcação, mas a direita leva apenas a um riacho, o qual já vamos reencontrar logo acima, de modo que nem vale a pena entrar ali,, nem mesmo para encher o cantil. Mais um zigue-zague, alcançamos e cruzamos o riacho por cima de lajes escorregadias. Ali temos, acima temos três pequenas quedas d’água, abaixo outras e um bonito poço de acesso bastante dificultoso. Paramos para fotos, encher os cantis e um curto descanso.
     A trilha prossegue do outro lado do riacho, passando por trecho repleto de raízes que atravessam a trilha e por uns tantos degraus rochosos, entremeados de trechos enlameados. A trilha volta a subir mais forte e temos saltamos diversas rochas cobertas de musgo.
     Até que chegamos a uma crista. A trilha nivela e depois passa a descer lentamente. Aos poucos começamos a avistar o pico mais alto, à nossa frente, em meio ao arvoredo.
     A trilha então sai da mata e passa a subir fortemente a enoosta do pico em meio a samambaias e arbustos. Alguns degraus rochosos são vencidos e começamos a avistar as encostas de mata da serra, encimada pelo que acreditamos ser o Prateleiras, no ponto mais alto de uma crista paralela a que estamos. Na mesma crista os maiores eminências são o Gigante e o Ovo.
     Enfim chegamos ao topo e após o cruzarmos chegamos ao mirante que sinaliza o final da trilha, de onde se avista o vale do Paraíba abaixo e a contra-encosta da serra da Bocaina no lado oposto. A vista logo abaixo mostra as cidades de Itatiaia, Engenheiro Passos mais à direita e à esquerda, bem maior, Resende e ainda preenchendo boa parte do campo visual a represa do Funil. Na Bocaina ficamos tentando identificar o pico do Tira o Chapéu e a Pedra da Bacia, sem conseguir ter certeza. A subida toda tomou-nos 2:45 hs.
     Após uma hora de comtemplação e de ter ainda conseguido avistar Penedo de um mirante lateral, fizemos um lanche e iniciamos a descida que consumiu 2:10 hs, sem surpresas. 

Relato: Travessia Rebouças-Mauá via Rancho Caído

       Já havíamos marcado de fazer a clássica travessia Rebouças-Mauá no ano passado, e depois cancelado devido ao mau tempo, porém nãohavia desistido de fazê-la. Apenas aguardávamos o momento oportuno de caminhar nessa trilha por longo tempo mantida proibida pela direção do parque do Itatiaia.

       Agora iríamos concretizar nosso intento. E assim na última sexta, tomamos o ônibus das 23:30 da Cometa, rumo a Itanhandu, eu, Rodrigo, Amarildo, Gibson e Rafael. Após pormos a conversa em dia, encerramos o colóquio e tentamos dormitar um pouco. Chegamos em Itanhandu por volta das 4:00. Havíamos marcado com o Sr. Amarildo de Itamonte para que nos pegasse na rodoviária de Itanhandu às 5:00. Assim esperamos por ele no frio da madrugada. Às 4:45 eis que a Kombi encosta e rapidamente seguimos nela rumo a Itamonte, onde paramos numa padaria, ainda fechada, até que abrisse para tomarmos o café da manhã. Após o qual seguimos, já com o dia claro, rumo a portaria do parque, aonde chegamos às 7:30.

       O termômetro na portaria marcava 5° C, e isso já com o sol espiando por sobre as montanhas! Preenchemos a ficha, pagamos a taxa e após os últimos ajustes nas mochilas, iniciamos a caminhada pela esburacada estrada até o abrigo Rebouças.

       Chegando ao abrigo, já sob o sol, fizemos ultima parada para tirar os agasalhos, ir ao banheiro e completar os cantis antes de iniciarmos a trilha propriamente dita. Passando ao lado do abrigo e cruzando a represa, pulando sobre as pedras, entramos na trilha que leva ao Agulhas Negras. Após alguns curtos sobes e desces, passamos por uma ponte pênsil, chegamos a uma bifurcação, sinalizada por placa, que indica Agulhas a frente, pedra do Altar e cachoeira do Aiuruoca à esquerda. Tomamos então à esquerda, subindo, e poucos metros à frente, deixamos nova saída à direita, agora sem placa, a qual leva a Asa de Hermes.

        Vamos subindo enquanto observamos o imponente maciço do Agulhas Negras à nossa direita, onde podíamos inclusive, observar inúmeros excursionistas subindo. Quando ganhamos alguma altura pudemos avistar a Asa de Hermes encarapitada sobre maciço logo à esquerda do maciço do Agulhas, separado desse por profunda endentação. A trilha vai voltando em direção quase paralela a da estradinha e acabamos avistando a torre de Furnas que se situa próxima à portaria do parque. Quando a trilha nivela, encontramos uma bifurcação cujo ramo direito leva a pedra do Altar, já avistada daquele lado. Fizemos pequena parada para que o Amarildo passasse uma fita na sua bota que começava a se abrir, dando sinais inequívocos de extenso e exigente uso.

        Prosseguindo a caminhada, a trilha começa a descer e passamos então por baixo da pedra do Altar. Descendo mais entramos então no vale do Aiuruoca e chegando ao fundo, passamos a bordejá-lo pela esquerda. Descortina-se então a nossa frente a visão dos Ovos da Galinha, conjunto de matacões sobranceiros a uma crista rochosa e a direita destes, a Pedra do Sino de Itatiaia cujo nome faz menção a ligeira forma sinuosial da montanha.

        Saltamos um primeiro riacho, um dos formadores do rio Aiuruoca e mais à frente o próprio Aiuruoca, nessa altura, quase em sua nascente, mero riacho que pulamos de um salto. Tomando a trilha do lado oposto, quebramos a esquerda e descendo o rio. Em pouco chegamos ao alto da cachoeira do Aiuruoca. Sendo 12:00, paramos para o almoço. Após o lanche, passando para o outro lado por cima das pedras e tomamos a trilha que, de forma íngreme, desce a base da cachoeira. Sentamos a beira do límpido e, nesse dia frigidíssimo poço, e ao sol que preenchia o azul céu, relaxamos por algum tempo a anos-luz das preocupações do dia-a-dia.

        Enfim ainda faltava chão para o ponto previsto para acampamento, de modo que às 12:50 subimos para o alto da cachoeira. O Rafael resolveu explorar o outro lado, em busca da trilha variante que constitui a travessia Rebouças-Mauá via Serra Negra e a encontrou subindo um pouco a encosta do outro lado por trecho pouco marcado. Enquanto esperamos por ele, outro grupo chegou à cachoeira, grupo que depois chegaria ao Rancho Caído antes de nós, ocupando o melhor local de acampamento.

        Com o retorno do Rafael, prosseguimos a caminhada. Voltando por onde viemos até o ponto de cruzamento do rio, seguimos pela mesma margem, deixando os Ovos da Galinha à direita. A trilha inicialmente segue em nível, para depois começar a subir suavemente. Na seqüência a trilha vai virando para a direita e acaba passando por trás dos Ovos da Galinha, deflete para esquerda e continua a subir rumo a um selado. Passado o selado, a paisagem se abre e temos larga vista, que inclui à direita, os picos Maromba e Marombinha, um pouco à esquerda destes e mais longe, a Pedra Selada. Bem mais à esquerda e ao fundo a crista da Serra do Papagaio com suas inconfundíveis três corcovas. À direita desta e também ao fundo, acredito identificar também a Mitra do Bispo. E é claro, as nossas costas, a face leste do maciço do Agulhas, ladeada pela Asa de Hermes. Abaixo à direita, o vale do alto rio Preto que depois formará a divisa RJ/MG, atravessando as vilas de Maromba, Maringá e Mauá. O lugar seria ótimo lugar para acampamento, com sua esplendida vista, mais ainda era cedo, e pretendíamos avançar mais.

       Seguimos então pela trilha, descendo por um amplo zigue-zague, para depois seguir bordejando por um tempo, antes de voltar a descer até o fundo do vale. Saltamos de pulo o rio preto, que nesse ponto era ainda menor que o Aiuruoca. Paramos um pouco para reabastecer os cantis nas suas frias águas.

       Continuando a caminhada, a trilha começa a subir suavemente, passa por pequeno charco, e ao atingir o alto de um morro ornado de mata, passa por uma clareira que pode servir de ponto de camping. Cruzado o alto, voltamos a descer agora por dentro de bambuzais, primeiro trecho fechado desde o inicio da caminhada. Alguns degraus escorregadios são superados e saímos novamente no aberto, e em mais um pouco estamos no fundo de novo vale, onde dois riachos são cruzados em sucessão. Já avistamos na encosta do outro lado, próximo a algumas araucárias, o local do antigo e desaparecido, Rancho caído.

        Portanto, após o segundo riacho, subimos a encosta e chegando a clareira de acampamento, à esquerda, próximo a alguns matacões. Conforme já dito o local já estava ocupado por outro grupo, o qual já se ocupava em acender seus cigarros “não convencionais” e em se banhar pelados no riacho próximo. Nem cogitamos em ficar por ali em tão espalhafatosa companhia. Seguimos pela trilha, subindo a encosta, passando por pequeno charco e enfim, quando a trilha vira para a esquerda e nivela, encontramos pequena área de acampamento, à direita da trilha. Ainda investigamos se haveria local melhor um pouco à frente, mas o Amarildo confirmou que não. De modo que Ainda pelas 16:00 e pouco, encostamos por ali mesmo. Montamos as barracas, e procuramos subir nas rochas próximas para apreciar o por do sol, o qual aconteceu ainda cedo para nós, como conseqüência das altas cristas ao nosso redor. Os demais se reuniram para cozinhar, mas como tinha optado por levar apenas lanche frio, comi meus sanduíches já dentro da barraca, apenas observado o cozinhar dos demais pela porta entreaberta de minha barraca. Pelas 18:20, o sono me obrigou a me recolher ainda antes que o jantar deles acabasse.

        Acordei no dia seguinte, pouco depois das 6:00, mas fiquei enrolando dentro da barraca. Durante a noite, cheguei a ver o termômetro marcar 2.9 ° C, mas quase não ventou e não tive passei frio. Tomei o café dentro da barraca e, pelas 7:00, todos nos levantamos. Enquanto os demais preparavam seus cafés quentes, subi na encosta à esquerda do acampamento, onde um curioso conjunto de rochas se equilibrava como se postas umas sobre as outras como blocos de brinquedo. Do topo do rochoso voltei a ter a visão da face leste do Agulhas e do lado direito, do pico do Papagaio. Descendo ao acampamento, desarmamos as barracas e guardamos tudo dentro das mochilas. O acampamento estava à altitude de cerca de 2300 metros e vamos ao fim descer a Maringá que está por volta de 1100 metros.

         Reiniciamos a caminha às 8:45. A trilha inicialmente desce, cruza um cinturão de mata, onde corre um riacho, e volta a subir, ainda dentro da mata. Depois continua a subir, agora pelo campo, até atingir uma crista. Dali a visão novamente se alarga. Tanto atrás, do Agulhas, como para frente, dando vista da Pedra Selada, das vilas de Mauá e Maringá e das morraria ao norte delas.

         Começa então a descida conhecida como “mata cavalo”. O nome impressiona mais que a própria trilha que desce até que suavemente, em largos zigue-zagues. No principio pelos campos de altitude, depois a vegetação vai ficando cada vez mais alta, até entrarmos na mata.  Logo que entramos na mata, surge uma bifurcação, mas a esquerda dá acesso apenas a uma área de acampamento. Tomamos então à direita e, em pouco, cruzamos um riacho. Pausa para encher os cantis.

         A trilha prossegue descendo por dentro da mata, e fora um ou outro bambu caído não apresenta qualquer dificuldade. Passamos por outro riacho, saltando de pedra em pedra. Ao chegar a um terceiro riacho, atravessado por estreita pinguela, já estamos chegando ao final da trilha. Em pouco chegamos a uma bifurcação. À esquerda leva a uma pequena queda naquele último riacho. À direita, em mais um pouco, após uma porteira, desemboca no final da estrada do vale das Cruzes. A trilha acabou, agora é seguir pela estrada por mais 3,5 km, serpenteando entre bonitas casas de veraneio, quase sempre descendo, até desembocar pelas 13:30 na estrada que liga Mauá a Maringá.

         Ali nos separamos do Rafael, que tinha pressa em voltar a São Paulo, e por isso seguiu para a direita, rumo a Mauá, esperando tomar um ônibus que se supunha sairia dali à 15:00, rumo a Resende. Na verdade a informação estava desatualizada e ele acabou se safando com uma providencial carona que o trouxe direto a São Paulo. O restante de nós seguiu para a esquerda, rumo a Maringá, aonde chegamos em mais uns 20 e poucos minutos, e logo aboletamos no restaurante “Cozinha Mineira”, onde saboreamos uma truta assada acompanhada de cerveja gelada, sem esquecer a sobremesa e o café para arrematar. Saímos dali pouco antes das 16:45, para nos dirigir ao ponto de ônibus, quase em frente. Ali tomamos o ônibus para Resende. Para nossa infelicidade o mesmo estava cheio e fomos sacolejando em pé até Resende. A única noticia boa nesse fim de jornada é que a descida da serra já está asfaltada, diminuindo um pouco o desconforto da viagem.

          Chegando a rodoviária de Resende, nem esquentamos banco, imediatamente embarcamos no ônibus para São Paulo, que saia as 18:30, chegando ao Tiête por volta das 22:00.