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Circuito Gomeral

Gomeral é um bairro rural de Guaratinguetá encravado em plena
encosta da serra da Mantiqueira. O acesso mais direto é atravessando a
cidade de Guará, seguir rumo ao bairro de Pedrinhas, no sopé da serra, e
prosseguindo em frente, subir a estrada que após um trecho inicial asfaltado torna-se de terra.
Um dos pontos notáveis da região é a chamada Pedra Grande, cume
rochoso encravado em um contraforte da serra. É possível acessa-la a partir de duas trilhas que saem de pontos próximos da estrada de acesso ao bairro. Optamos pela primeira opção, próxima à pousada Além das Nuvens.
Deixamos o carro na frente do restaurante Tão do Gomeral, pouco à
frente, e retornamos caminhando pela estrada. Passamos pela pousada Donana e um pouco antes de um riacho à direita, cruzamos uma tronqueira. A trilha faz uma curva e começa a subir a encosta, porém é uma trilha de vacas e logo a abandonamos e passamos a subir a encosta de pasto diretamente para cima, da melhor maneira que conseguimos. Vamos cruzando outras trilhas de vacas e às vezes aproveitando alguns trechos delas.
Logo avistamos uma cerca de crista mais acima, e o nosso primeiro
objetivo é alcançá-la. Chegando a cerca, passamos por baixo dela já que não nenhuma porteira à vista e seguimos subindo acompanhando a cerca. Logo percebemos que cruzar a cerca talvez não fosse a melhor idéia já que a mesma vira para a esquerda obstruindo nosso avanço! De qualquer forma seguimos em frente, caindo numa trilha larga que vai virando para a esquerda e nos leva a uma porteira. Cruzando a porteira, abandonamos a trilha que leva a uma casa logo acima e voltamos a acompanhar a mesma crista por onde vínhamos subindo. À nossa frente já vemos a pedra Grande, por cujo borda direita subiremos.
Seguimos pelo pasto até a borda da mata onde encontramos a entrada da trilha. Pouco andamos pela mata e logo é preciso saltar outra cerca. Daí é só seguir subindo pela trilha bastante limpa sem grandes problemas, salvo um ou outro bambu caído.
Quando nos aproximamos do rochoso, a trilha torna-se mais íngreme e passa a intercalar degraus rochosos com trechos escorregadios. O panorama se abre e temos as primeiras visões amplas do vale.
Chegando ao topo encontramos uma bifurcação. Seguimos em frente,
passando por uma clareira e começamos a descer ligeiramente do outro lado até um ponto onde a visão é mais desimpedida e podemos avistar Guará, Aparecida, Roseira, Pinda e, com tempo bom, até Taubaté. Também reconhecemos o bairro de Ribeirão Grande, a fazenda Hare Krishna e o pico do Itapeva, culminância local de largo trecho da serra que podemos avistar.
A subida até ali tomou-nos cerca de 2 horas. Após um lanche e um
bom tempo de contemplação, demos prosseguimento à caminhada voltando à bifurcação próxima a clareira e tomando o outro ramo. A descida é rápida em seu começo, passando depois a alternar trechos íngremes com outros quase planos. Passamos por três bifurcações onde um dos ramos apenas levava a belos mirantes poucos metros à frente.
Após esse trecho de descida pela mata, chegamos a um selado onde uma bifurcação mais importante aparece. O nosso caminho seguia em frente. A outra opção descia para a esquerda, caindo para o outro lado da crista e aparentemente sinalizando uma travessia quiçá interessante, mas que não tínhamos tempo de explorar nesse dia único de que dispúnhamos, quem sabe num outro dia.
Prosseguimos então em frente e não muito à frente, encontramos
nova bifurcação. Em outra oportunidade seguíramos em frente e acabamos saindo num trecho de pasto por onde descêramos de volta a estrada fechando um circuito. Dessa vez resolvemos tomar à esquerda e voltamos a subir por trilha inicialmente bem limpa. Mas acima uma arvore caída e uns tantos bambus sobre a trilha tornaram a caminhada um pouco mais trabalhosa, mas de maneira alguma difícil. Pouco a pouco vamos galgando a serra e bem mais acima passamos por um estreito riacho, única fonte de água até ai. Mais um pouco e o caminho nivela e se alarga.     Já chegamos ao alto da serra. Prosseguimos e a trilha, aparentemente freqüentada por bovinos se multiplica em variantes. Ignoramos uma saída à esquerda. Enfim encontramos um trilha larga que vem da direita e converge com a que seguíamos. Resolvemos investigá-la e voltamos por ela, subindo muito pouco e logo a vegetação se
abre e percebemos que vamos chegar a um cume! O cume, mais alto do que a Pedra Grande e que depois soubemos que os locais ironicamente chamam de Pedrinha, tem um visual ainda mais bonito do que o da Pedra Grande. Paramos para mais um lanche, algumas fotos e para decidir o que faríamos a seguir. Até ali, desde a Pedra Grande leváramos 2:30 hs.
Dali, ou voltaríamos por onde viéramos, ou poderíamos acessar a
estrada já em seu trecho do alto da serra que como podíamos ver, passava pouco à frente, flanqueada por algumas casas. Resolvemos voltar pela estrada. Voltamos então à bifurcação e seguimos em frente. Não demorou muito e chegamos a um pasto, desviando de um laguinho, chegamos aos fundos de uma casa junto a qual um Monza estava estacionado. Cruzamos uma porteira e passando por um portãozinho a frente saímos na estrada. Ali era só seguir para a direita. Logo a estrada começava a descer e então perderíamos altura através de inúmeros zigue-zagues descendo boa parte da serra até chegamos ao restaurante. A descida tomou-nos quase 2 horas. Ainda havia tempo para um
chope gelado e para um jantar a base de truta no restaurante ainda de darmos por encerrado o passeio e tomamos o caminho de volta.

Gomeral

     Gomeral é um bairro de Guaratinguetá, na encosta da serra da
Mantiqueira, próximo a divisa com Campos do Jordão. Há algum tempo tinha
ouvido falar do local e pesquisando na net descobri que haviam algumas
caminhadas no local, levando a montanhas e cachoeiras. Apesar da pouca
informação levantada, resolvi dar uma pesquisada no local para ver o que
conseguia. O Anderson acompanhou-me nesta viagem.
     Saindo cedo de São Paulo, seguimos pela Carvalho Pinto e depois pela
Dutra até Guará. O trecho todo levou cerca de 2:30, com uma parada para o
café da manhã. Chegando a altura da cidade, deixei passar a primeira entrada
para a cidade, entrando na segunda, justamente no trevo de acesso a Cunha,
junto ao qual há um supermercado “Spani”. Entrando à direita e passando sob
a pista, seguimos passando pela rodoviária, a direita, e na próxima
rotatória entramos a esquerda. Na rotatória seguinte entramos à direita,
passando sobre a linha do trem e depois sobre rio Paraíba. Após o rio
entramos a esquerda e voltamos até próximo a base da ponte, em frente à
câmara municipal, quando pegamos a direita, passando por todo centro da
cidade e seguindo até uma praça em cujo centro há uma estatua de Ícaro. Ali
pegamos a esquerda, seguindo por trecho cheio de lombadas até uma bifurcação
onde pegamos a direita, seguindo rumo a Pedrinhas. Nesse ponto a zona urbana
já acabou e seguimos passando por pequenos sítios, campos e trechos de mata
até o bairro de Pedrinhas, na base da serra, onde o asfalto acaba.
      A partir daí a estrada, agora de terra começa a subir a encosta da
serra. O visual se alarga e começamos a enxergar as encostas da serra, ainda
na maior parte coberta de mata. Cerca de 8 km após o fim do asfalto,
chegamos à pousada da Donana, à direita. Dali, segundo a informação que
tinha sai a trilha da Pedra Grande do Gomeral. Estacionamos o carro na
frente da pousada e fomos procurar mais informações junto a Dona Ana e sua
filha. Fomos então surpreendidos pela reticência delas, não conseguimos
arrancar nenhuma indicação do início da trilha, só as habituais alertas de
que “a trilha está muito suja”, ”É fácil se perder”, ”um casal subiu uma vez
e não conseguiu descer”. Claro que essas habituais tentativas de dissuasão
não surtiram efeito em nós, já tendo sido ouvidas incontáveis vezes, mas a
nuvem de desinformação acabou nos atrasando um tanto.
      Inicialmente subimos a estradinha em frente da pousada, tomando-a
para a esquerda, mas acabamos achando algumas casas de veraneio, sem que
nenhuma trilha fosse encontrada. Tomamos outra estradinha, menos batida para
a direita, subindo até próximo a outra casa onde dois homens construíam uma
cerca. Inquirimos os mesmos sobre se era por ali o acesso à pedra e, entre
respostas contraditórias, nos foi dito que não, e que o acesso a pedra só
era permitido com o acompanhamento de guia. Foi dito também que a filha de
dona Ana é que gerenciava o serviço de Guias. Claro! Por isso não quis nos
dar nenhuma informação. Voltamos a estrada, já um tanto irritados. O
Anderson sugeriu descermos um pouco pela estrada, pois ele achava, baseado
na visão que tivéramos do alto da estradinha onde tínhamos sido barrado, que
o acesso era por uma encosta cujo acesso seria um pouco mais abaixo.
    Realmente ele estava certo. Cerca de 150 metros antes da pousada
Donana, do lado esquerdo da estrada, há uma porteira de madeira fechada com
arame farpado. Pulamos essa porteira e subimos pela trilha, primeiro para a
esquerda, depois para a direita e aos zigue-zagues pelo pasto, às vezes sem
trilha, às vezes por alguma trilha de vaca, procurando ganhar altura.A
subida é bem íngreme.  Logo avistamos uma cerca subindo da esquerda para a
direita.
     Aqui erramos, passamos sob esta cerca e continuamos subindo paralelos
a ela. Mais acima paramos para um lanche num trecho plano com ampla vista do
vale abaixo e dos contrafortes do outro lado. Dali seguimos para a esquerda,
pulando uma cerca, contornando por cima uma casa e passando por uma porteira
de arame, sempre procurando ganhar o máximo de altitude pelo pasto, na
esperança de encontrarmos a trilha através da mata no trecho onde esta era
mais estreita. Ao atingirmos a orla da mata passamos a procurar pela trilha
que a atravessava. Não encontramos trilha alguma. Na perspectiva de ter de
descer muito para contornar uma língua de mata que descia a direita, sugeri
subirmos pela crista onde estávamos, varando a mata na direção da pedra, que
parecia próxima, apesar de encoberta pela neblina.
      Iniciamos então a subida pela mata que nos tomou pouca mais de hora,
mas que pareceu bem mais. No começo a mata era até bem aberta, mas não
demorou muito para o bambuzal começar e então a subida tornou-se um contínuo
quebrar de bambus, e esgueirar-se, quando não rastejar por baixo de
touceiras caídas, sem contar a ralação de braços e pernas. Até que
finalmente saímos na trilha certa, bem mais acima, logo no ponto onde a
trilha passa a contornar um paredão rochoso pela direita, subindo aos
degraus. A trilha chega ao alto, envolto em mata, mas continua ainda,
descendo um pouco do outro lado até atingir uma pedra que serve de mirante.
Dali pudemos avistar todo o quadrante oeste, podendo-se ver várias cidades
do vale: Guará, Aparecida, Potim, Pindamonhangaba e até Taubaté. A nossa
direita erguia-se o paredão da Mantiqueira onde pudemos identificar o pico
do Itapeva. As nuvens que cobriam o alto da serra tinham se dissipado e o
sol saiu brindando-nos pela ascensão. Apesar de todas as tentativas de vedar-
nos o acesso a pedra, tínhamos subido-na e parecia que os elementos agora
nos homenageavam pela persistência.
      A descida pela trilha foi bem mais rápida, num instante saímos da
mata e passamos a descer aos zigue-zagues pelo pasto, evitando a cerca agora
à direita até chegamos à porteira por onde entráramos.
     Recapitulando, durante a subida pelo pasto, o melhor e deixar a cerca
à esquerda, subindo para a direita, mas mantendo distância da mata. Procure
pela trilha na beira da mata, numa cristazinha de pasto. A trilha está bem
aberta, apesar de terem dito o contrário.
     Já passava das 17:00 quando voltamos até o carro. Com o dia findando e
sem paciência para procurar outro lugar acabamos ficando na pousada da
Donana mesmo. A pousada é um tanto rústica, instalada numa casa
bicentenária, que conserva toda a estrutura original, com porão, sem forro e
com a cozinha adornada por um fogão à lenha. Tomamos um banho quente antes
do jantar de comida caseira acompanhada de uma truta. Após o jantar saímos
para dar uma volta pelos arredores, subindo pela estradinha, passando por um
restaurante, mais acima pela igreja de São Lázaro e subimos ainda um pouco
mais, antes de voltar. Lá embaixo no vale viam-se as luzinhas das cidades.
Voltamos para a pousada e dormirmos  ainda antes das 21:00.
     No domingo acordamos pelas 8:00, tomamos o café e saímos pelas 9:00.
Pegamos o carro e subimos a estrada. Numa bifurcação depois da igreja,
tomamos a direita apenas para parar o carro logo antes de uma curva.
Continuamos a pé, à frente a estrada cruza um riacho. Na beira deste riacho,
mais acima, há tanques de criação de peixe. Passamos uma porteira onde havia
uma placa que informava que a cachoeira do Onça ficava naquela propriedade,
mas a visita, para variar, era só acompanhada por guia. Avistamos uma pessoa
na casa no alto do morro a esquerda e subimos até lá para conversar. Foi-nos
dito que poderíamos visitar a cachoeira, que era só descer pelo pasto no
ponto onde já tínhamos avistado uma plaqueta, que logo acharíamos uma
trilha. Voltamos até o ponto, passamos pela porteira de arame e descemos
pelo pasto até a orla da mata, onde encontramos a trilha descendo, da
direita para a esquerda. Seguindo a trilha, passamos sob uns arames e logo
chegamos a primeira queda, provida de poço. Seguindo em frente, sempre
mantendo-nos junto ao rio, chegamos a uma segunda queda. Não encontramos
mais trilha na seqüência, paramos por ali mesmo por algum tempo. Retornando
pelo mesmo caminho até o carro.
      Voltamos a subir pela estrada com a idéia de atingir o alto da serra
e talvez seguir até Campos de Jordão, já que a estradinha de terra leva ao
Horto de Campos. Conforme subíamos a estrada ia ficando pior. Passamos por
mais algumas casas, um restaurante e um pesqueiro. Chegamos até um ponto
onde o grande número de pedras soltas somado a declividade acentuada não
permitiu que meu carro subisse. Desistimos então de subir com o carro.
Encostei o carro na beira da estrada e passamos a subir a pé pela estrada.
No final o trecho ruim era curto, mais acima a estrada tinha sido
recentemente aplainada. Em alguns pontos a vegetação se abria um pouco e
tínhamos vista da baixada. Quando chegamos ao alto, num ponto onde há uma
casa no alto de um morro do lado direito da estrada, pulamos a cerca de
madeira do lado esquerdo e subimos pela encosta de capim até o alto. Tivemos
então ampla vista do vale abaixo, das cristas distantes do outro lado e da
Pedra Grande, ligeiramente abaixo, num contraforte da serra. Logo a frente
há uma pousada no lado esquerdo da estrada com um lago à frente.
      Seguimos pela estrada por mais uma hora e meia, no rumo do horto, por
campos ondulados, a maior parte do tempo dentro do terreno da fazenda
Lavrinhas. Numa primeira bifurcação, junto a um chalé, tomamos a esquerda.
Mais à frente, num trecho pela mata passamos por uma guarita abandonada do
parque. Na bifurcação a seguir, tomamos a direita. A esquerda parece que
leva a um mirante São José dos Alpes, pudemos ver alguns carros parados a
distância. A estrada sobe um pouco e depois começa a descer. Pelas 14:30
pudemos avistar o asfalto de acesso ao Horto, bem longe, do outro lado do
profundo vale à frente. Resolvemos voltar daí. Calculo que o Horto estivesse
ainda uns 40 minutos à frente.
      Voltamos ao carro e com ele retornamos um ou dois km até o
restaurante mencionado acima. Ele está situado num ponto excepcional, do seu
deck de madeira, temos ampla vista do vale e das encostas da serra ao redor,
realmente uma visão belíssima, ainda mais com o sol descambando para o
poente. Jantamos uma truta ao molho enquanto lá fora a escuridão tomava
conta e as luzinhas das cidades lentamente iam se acendendo, ao mesmo tempo
em que no céu também as estrelas despontavam.
      Restava apenas descer os 12 km de terra até Pedrinhas e daí tomar o
asfalto passando por Guará e daí a São Paulo.
      Realmente o local possui paisagens bem interessantes, a Pedra Grande
e a Cachoeira do Onça são lugares que vale a pena conhecer e deve haver
outras trilhas e cachoeiras ainda por visitar, pena que a população local
parece achar que a única forma de explorar o turismo é enfiando um guia
goela abaixo de todos que por lá aparecem.