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Cachoeiras desconhecidas de Gonçalves

Relato: Cachoeiras desconhecidas de Gonçalves

Impressiona-me como parece que em todas as localidades em que julgava ter esgotado todas as atrações repetidamente descubro novas atrações. É o caso de Gonçalves, que já freqüento há uns 20 anos e só agora soube da existência de quatro cachoeiras, todas de acesso fácil, e das quais nunca ouvira menção!
Quando for ao simpático município mineiro, deixe de lado as mais que manjadas cachoeiras do Retiro, Simão, do Cruzeiro e Andorinhas e busque as da Fazendinha, Tonho Nego, do São Sebastião e do Funil.
As da Fazendinha e do Tonho Nego, são relativamente próximas. Saindo de Gonçalves pela estrada para o Sertão do Cantagalo, a cerca de 8 km encontra-se o centro do pequeno bairro, mas uns 500 metros antes, à esquerda, há a estradinha de acesso à pousada Bicho do Mato. Por ali é o acesso a cachoeira da Fazendinha. O melhor é parar o carro no bairro e seguir a pé. Subindo pela estrada, deixamos a entrada da pousada à direita e seguimos em frente. A estrada contorna o morro e chega à porteira do sítio Gato no Telhado. Passamos a porteira e descemos suavemente, deixando uma casa à direita. Logo chegamos à nova porteira. A frente há a casa do caseiro. A propriedade é particular e é preciso pedir permissão ao caseiro. Por sorte o encontramos junto à porteira e a permissão nos é dada sem mais. O riacho corre à nossa direita e já ouvimos o ruído da queda. Tomamos um trilho que em um minuto nos leva a cachoeira. A água escorre pela laje rochosa e forma um pequeno poço. Todo o percurso do bairro a cachoeira levou uns 15 minutos.
Retornando ao centro do bairro, seguimos pela estrada que passa em frente à pequena igreja. Seguindo sempre em frente, ignoramos as saídas à direita. Logo percebemos o riacho correndo à esquerda da estrada. Mais à frente ele cruza a estrada e segue pela direita. Junto a uma curva para a direita, o riacho volta a cruzar a estrada. Esta começa então a subir e na primeira casa à esquerda está o acesso a cachoeira do Tonho Nego. Novamente o acesso é por propriedade particular. Só que nesse sítio, aparente casa de veraneio, não havia ninguém neste dia. Cruzamos a porteira, seguimos passando ao lado da casa. Logo encontramos a trilha que entra na mata, seguindo paralela ao riacho que corre mais abaixo. Não demora e chegamos à primeira queda, acessível por trilha que desce à esquerda. Do outro lado, outra trilha parece fornecer acesso alternativo pela propriedade na margem oposta ao riacho, mas não chegamos a explorar esse acesso. Seguindo em frente pela trilha, novas quedas são encontradas em graciosa sucessão. Chegando a uma cerca, a trilha prossegue margeando o riacho, mas as cachoeiras acabaram e rio acima o riacho corre suave por entre a mata. O percurso do bairro a cachoeira é de cerca de 20 minutos.
Retornamos a Gonçalves e tomando a estrada rumo ao bairro de São Sebastião das Três Orelhas. Paramos mo centro do bairro, em frente à igreja. Ali começa a caminhada. Passando pela direita da igreja e seguindo até a rua ao fundo, viramos a direita seguindo por ela. Antes do final da ruela, encontramos um quebra corpo na cerca à esquerda. Passamos por ele e subimos pelo pasto até encontrar nova cerca e outro quebra corpo. Passamos por ele e seguimos pela trilha para a esquerda, mantendo o nível. Logo a trilha se torna mais marcada e seguimos bordejando o morro. Outro quebra corpo e, mais à frente, uma porteirinha são transpostos. Chegamos a duas bifurcações seguidas, ignorando-nas e seguimos em frente, chegando a novo quebra corpo. Prosseguimos bordejando o morro. Logo começamos a ouvir o ruído da cachoeira e começamos a avistá-la. Ela é bastante alta. Enfim chegamos ao alto da queda. É preciso passar sob uma cerca de arame, cruzar o riacho saltando pelas pedras e chegando do outro lado seguir a trilha que logo se bifurca. Seguimos descendo o ramo esquerdo e chegamos a um platô rochoso no meio da queda. A visão é belíssima. Parece ser possível descer até a base, mas não tentamos, pois o trecho estava por demais escorregadio devido à chuva recente. O percurso até a cachoeira é de uns 20 minutos.
A ultima das cachoeiras que visitamos, a do Funil, fica antes da cidade para quem vem por São Bento do Sapucaí. Cerca de 6 km antes de Gonçalves, tomamos o acesso ao bairro Atrás da Pedra. Antes de uma subida calçada, paramos o carro e seguimos a pé. Num ponto onde o calçamento sofre uma mudança de padrão, encontramos uma trilha à esquerda. É preciso saltar a cerca de arame e seguir por ali. A trilha sobe um pouco e passa a bordejar a encosta pelo pasto. Logo chegamos ao riacho que, após um trecho onde desaparece sob as rochas, num chamado funil, reaparece e despenca formando a cachoeira. A aproximação da água é um pouco difícil, dado a vegetação crescida no entorno. Como quando chegamos ali começou a chover, nem tentamos chegar á água, mas deve ser possível com um pouco de jeito. Uns 10 minutos de caminhada são o suficiente para alcançar essa cachoeira.

Cachoeiras desconhecidas de Gonçalves

Impressiona-me como parece que em todas as localidades em que julgava ter esgotado todas as atrações repetidamente descubro novas atrações. É o caso de Gonçalves, que já freqüento há uns 20 anos e só agora soube da existência de quatro cachoeiras, todas de acesso fácil, e das quais nunca ouvira menção!

Quando for ao simpático município mineiro, deixe de lado as mais que manjadas cachoeiras do Retiro, Simão, do Cruzeiro e Andorinhas e busque as da Fazendinha, Tonho Nego, do São Sebastião e do Funil.

As da Fazendinha e do Tonho Nego, são relativamente próximas. Saindo de Gonçalves pela estrada para o Sertão do Cantagalo, a cerca de 8 km encontra-se o centro do pequeno bairro, mas uns 500 metros antes, à esquerda, há a estradinha de acesso à pousada Bicho do Mato. Por ali é o acesso a cachoeira da Fazendinha. O melhor é parar o carro no bairro e seguir a pé. Subindo pela estrada, deixamos a entrada da pousada à direita e seguimos em frente. A estrada contorna o morro e chega à porteira do sítio Gato no Telhado. Passamos a porteira e descemos suavemente, deixando uma casa à direita. Logo chegamos à nova porteira. A frente há a casa do caseiro. A propriedade é particular e é preciso pedir permissão ao caseiro. Por sorte o encontramos junto à porteira e a permissão nos é dada sem mais. O riacho corre à nossa direita e já ouvimos o ruído da queda. Tomamos um trilho que em um minuto nos leva a cachoeira. A água escorre pela laje rochosa e forma um pequeno poço. Todo o percurso do bairro a cachoeira levou uns 15 minutos.

Retornando ao centro do bairro, seguimos pela estrada que passa em frente à pequena igreja. Seguindo sempre em frente, ignoramos as saídas à direita. Logo percebemos o riacho correndo à esquerda da estrada. Mais à frente ele cruza a estrada e segue pela direita. Junto a uma curva para a direita, o riacho volta a cruzar a estrada. Esta começa então a subir e na primeira casa à esquerda está o acesso a cachoeira do Tonho Nego. Novamente o acesso é por propriedade particular. Só que nesse sítio, aparente casa de veraneio, não havia ninguém neste dia. Cruzamos a porteira, seguimos passando ao lado da casa. Logo encontramos a trilha que entra na mata, seguindo paralela ao riacho que corre mais abaixo. Não demora e chegamos à primeira queda, acessível por trilha que desce à esquerda. Do outro lado, outra trilha parece fornecer acesso alternativo pela propriedade na margem oposta ao riacho, mas não chegamos a explorar esse acesso. Seguindo em frente pela trilha, novas quedas são encontradas em graciosa sucessão. Chegando a uma cerca, a trilha prossegue margeando o riacho, mas as cachoeiras acabaram e rio acima o riacho corre suave por entre a mata. O percurso do bairro a cachoeira é de cerca de 20 minutos.

Retornamos a Gonçalves e tomando a estrada rumo ao bairro de São Sebastião das Três Orelhas. Paramos mo centro do bairro, em frente à igreja. Ali começa a caminhada. Passando pela direita da igreja e seguindo até a rua ao fundo, viramos a direita seguindo por ela. Antes do final da ruela, encontramos um quebra corpo na cerca à esquerda. Passamos por ele e subimos pelo pasto até encontrar nova cerca e outro quebra corpo. Passamos por ele e seguimos pela trilha para a esquerda, mantendo o nível. Logo a trilha se torna mais marcada e seguimos bordejando o morro. Outro quebra corpo e, mais à frente, uma porteirinha são transpostos. Chegamos a duas bifurcações seguidas, ignorando-nas e seguimos em frente, chegando a novo quebra corpo. Prosseguimos bordejando o morro. Logo começamos a ouvir o ruído da cachoeira e começamos a avistá-la. Ela é bastante alta. Enfim chegamos ao alto da queda. É preciso passar sob uma cerca de arame, cruzar o riacho saltando pelas pedras e chegando do outro lado seguir a trilha que logo se bifurca. Seguimos descendo o ramo esquerdo e chegamos a um platô rochoso no meio da queda. A visão é belíssima. Parece ser possível descer até a base, mas não tentamos, pois o trecho estava por demais escorregadio devido à chuva recente. O percurso até a cachoeira é de uns 20 minutos.

A ultima das cachoeiras que visitamos, a do Funil, fica antes da cidade para quem vem por São Bento do Sapucaí. Cerca de 6 km antes de Gonçalves, tomamos o acesso ao bairro Atrás da Pedra. Antes de uma subida calçada, paramos o carro e seguimos a pé. Num ponto onde o calçamento sofre uma mudança de padrão, encontramos uma trilha à esquerda. É preciso saltar a cerca de arame e seguir por ali. A trilha sobe um pouco e passa a bordejar a encosta pelo pasto. Logo chegamos ao riacho que, após um trecho onde desaparece sob as rochas, num chamado funil, reaparece e despenca formando a cachoeira. A aproximação da água é um pouco difícil, dado a vegetação crescida no entorno. Como quando chegamos ali começou a chover, nem tentamos chegar á água, mas deve ser possível com um pouco de jeito. Uns 10 minutos de caminhada são o suficiente para alcançar essa cachoeira.

Gonçalves

      Gonçalves, no sul de Minas, com relevo repleto de pequenas serras,
muitas ainda cobertas de mata, de onde despontam araucárias, possui muitas
opções de trilhas curtas levando a cumes com visão panorâmica e a algumas
bonitas cachoeiras.
      Já tendo passado dois anos desde minha última visita e, como sempre,
tendo sobrado ainda muitos pontos a conhecer na região, voltei para mais
algumas explorações. Desta vez resolvi ir pela Fernão Dias, acesso que acaba
sendo mais curto, muito embora exija seguir por algumas dezenas de
quilômetros de terra, inclusive com uma íngreme subida com muitas pedras
soltas.
      Seguindo então pela Fernão até Cambuí, terceira cidade após a divisa
de estado, peguei a saída à direita, entrando na cidade. No primeiro farol,
tomei a esquerda, e no segundo (que estava desligado) peguei a direita, daí
é só seguir em frente e logo saí da cidade. Mais alguns quilômetros e
cheguei a Córrego do Bom Jesus, cidadezinha próxima ao sopé da serra, de
onde desponta a Pedra de São Domingos. Rapidamente atravessei a cidade,
apenas com um desvio contornando a pracinha central e daí seguindo pela
baixada até o pé da serra, onde o asfalto acaba e a subida de terra começa.
Rapidamente alcançamos o alto da serra, muito embora o forte aclive, repleto
de pedras soltas cause algumas pequenas dificuldades. Daí para frente, a
estrada prossegue sem problemas pelo alto, passando pelo bairro de Costas
até finalmente descer para Gonçalves. Todo percurso de São Paulo até lá deu
cerca de 180 km, feitos em pouco mais de 2 horas e meia.
      Chegando a cidade, procurei hospedagem no local onde já havia ficado
várias vezes: o Bar, restaurante e Pousada Mantiqueira. Ao chegar ao
calçamento basta pegar a primeira à direita. Fica do lado de uma igrejinha.
O local é bem simples e barato (diária de R$ 25,00). Mas há um sem número de
opções no entorno da cidade para quem procura algo menos rústico e esteja
disposto a pagar mais.
     Largando minhas coisas na pousada, segui para o meu primeiro destino:
a Pedra Bonita. Tomei então a rua a esquerda onde há pouco tinha entrado a
direita, onde inclusive há placas indicando as diversas atrações locais e
segui pelo asfalto para logo voltar a terra e passar pela ponte do retiro.
Mais à frente, do lado direito, há a pousada “Trem das Cores”, junto a qual
uma estradinha dá acesso a cachoeira do Retiro. Seguimos em frente por mais
alguns quilômetros, passei pelo bairro de São Sebastião das três orelhas.
Após uma descida e uma ponte, tomei a esquerda rumo a bairro do Campestre,
passei uma saída à esquerda para o bairro dos Venâncios e outra à direita
para o Bairro do Campestre, seguindo sempre em frente, passei então pelo
Espaço Kalevala e então a estrada dobra para a direita e logo passamos pelo
portal da fazenda Campestre. Na seqüência passamos pelas casas da fazenda,
há alguma para alugar inclusive. Após a última casa, há uma descida e na
baixada uma saída para a direita. Parei o carro ali.      
        Seguindo a pé pela estradinha em frente, logo encontrando uma
porteira à esquerda. Passei pela porteira e subi pela estradinha que vai
voltando para trás, até nivelar mais ou menos acima das casas da fazenda,
que daqui não se vêem. Passei por um telheiro à direita e mais a frente um
pequeno riacho cruza a estradinha. Logo após o riacho, uma trilha bem
marcada sai a direita, subindo entre o arvoredo e aos poucos se curva para a
direita, voltando para trás e nivela. Quando parece que ela vai descer de
volta a estradinha, abandonei-as e subi pela encosta de pasto, sem trilha,
até a borda da mata acima, investigando por ali, encontrei a trilha pela
mata, bem aberta subindo direto pela mata, em pouco tempo cruzando uma cerca
e quebrando para a esquerda. A partir daí a trilha sobe aos zigue-zagues
pela mata repleta de bambuzinhos até emergir bem mais acima numa pedra que
dá visão do vale de onde subimos, mais um pouco e a trilha nivela e chega a
uma bifurcação. A esquerda é a trilha por onde desci. A subida prossegue
pela direita, em pouco tempo sai da mata e sobe por laje rochosa, já com
vista dos vales abaixo e do topo da pedra, ainda há uns 10 minutos de
caminhada. Em seguida a trilha se enfia de novo na mata, desce um pouco e
depois volta a sair no aberto, para logo alcançar o topo da pedra. Do topo
tem-se visão 360 graus do entorno, embora na direção de onde viemos só dê
para ver as encostas florestadas por onde passamos. No quadrante sul, temos
visão totalmente desimpedida do vale do Juncal e inclusive de São Bento na
extrema esquerda, com a Pedra do Baú ao fundo.
     Na volta, ao chegar a bifurcação, ao invés de voltar pela esquerda,
por onde tinha vindo, tomei a direita, e logo comecei a descer por entre
bambuzais. A trilha quebra a esquerda e vai descendo ao mesmo tempo que
contorna a montanha. Após descer bastante e já percebendo que havia feito
meia-volta na montanha, passei por vários riachos e acabei desembocando num
pasto onde a trilha se apagou. Segui na diagonal para a direita, até achar
um final de estradinha e logo percebi que era a mesma por onde viera. Mais
um pouco e passei pela trilha por onde subira, seguindo então de volta ao
carro. A subida levou cerca de 1 hora e meia e a descida mais ou menos o
mesmo tempo.
     Peguei o carro e voltei pelo mesmo caminho. No caminho de vinda já deu
para visualizar a Pedra do Barnabé, montanha com a forma de dupla pirâmide
rochosa do lado esquerdo da estrada, logo depois da saída, também à
esquerda, para o bairro dos venâncios. Parei na beira da estrada e desci
para investigar se havia acesso para subi-la. Pelo que pude ver o acesso
desse por esse lado seria difícil, já que a mata fechada cobria a encosta
entre as duas massas rochosas, por onde eu pensei que pudesse haver alguma
trilha. Perguntando a um morador, fui informado que o lado oposto da
montanha era coberto de pasto e que eu poderia acessa-lo pela estrada para
Venâncios. Pelo avançado da hora e já sonhando com meu jantar no restaurante
do Zé do Ovídio, deixei para conferir no dia seguinte e segui para o
restaurante.
      Voltei até a bifurcação antes de São Sebastião e tomei a esquerda,
seguindo daí para frente às placas. Passando então pelo restaurante “Ao pé
da Pedra”, de onde se acessa a Pedra Chanfrada, trilha curta de 20 minutos e
prosseguindo até o Restaurante do “Zé do Ovídio”, de onde parte a trilha da
Pedra do Forno, de cerca de 40 minutos. No restaurante comi uma truta,
acompanhada das demais delícias mineiras da cozinha de dona Glória. Após a
sobremesa de doces caseiros, só sobrou tempo para voltar a cidade enquanto o
sol se punha e a noite chegava acompanhada de forte queda na temperatura.
     Após tomar um banho sai para dar uma volta pela cidade e pude ver que
o progresso chega a olhos vistos. Encontrei uns quatro restaurantes novos
onde alguns anos atrás não se achava onde comer depois das 18:00. Notei
também uma nova pousada, Pousada do Sol, na lateral da pracinha da igreja.
De resto continuava tudo como antes, fora a festa Julhina próximo a minha
pousada que continuou a me a atormentar com suas músicas sertanejas e
chamadas do bingo a altos brados noite adentro, enquanto eu tentava dormir.
     No dia seguinte, após o café da manhã, voltei a Pedra do Barnabé,
seguindo o mesmo caminho do dia anterior, mas entrando na placa para
Venâncios/Restaurante da Wilma. A estrada sobe um tanto, mas quando nivela,
no seu ponto mais alto, junto a uma porteira de arame do lado direito
ornamentada com uma plaqueta da imobiliária “vôo Livre”, parei o carro e
passando por baixo dos arames, subi pela estradinha através do pasto. Quando
o caminho nivela e avista-se uma cerca na transversal à esquerda, virei a
esquerda, seguindo pela outro lado da cerca até um alto mais acima. De novo
virei a esquerda subindo pelo pasto, em alguns trechos sem trilha, rumo ao
topo. Mais acima uma trilha corre para a direita, subindo de modo menos
íngreme, margeando uma matinha, até atingirmos o alto da Pedra do Barnabé.
Daí a visão de todo quadrante Norte é larga e desimpedida. Porém, do lado
Oeste-Sudoeste-Sul, justamente o lado em que a face rochosa domina, dando
aquela bonita vista piramidal da estrada abaixo, a mata na borda dificulta
qualquer vista da estradinha lá embaixo e do bairro de São Sebastião ao
fundo. Dei uma espiada na encosta entre as duas paredes rochosas e ali em
cima a passagem parecia até que bem desimpedida entre as arvorezinhas e
bambus, mais acho que mais embaixo a mata devia ser bem mais fechada e a
subida por ali daria um pouco mais de trabalho. Correndo de sudeste a leste
pode-se ver a crista da serra da Balança, que na seqüência tentei percorrer,
apesar de já poder visualizar que ela era na sua maior parte recoberta de
mata. Desci então até o carro e prossegui pela estrada até próximo ao
restaurante da Wilma.
     Deixando carro por ali, subi a pé pela estrada até o alto, onde há uma
porteira e de onde a estrada desce acentuadamente rumo ao vale do Juncal.
Ali passei por um quebra corpo à direita da estrada e passei a subir por
trilha paralela a uma cerca de crista. Mais acima tive que pular um trecho
de cerca caída e procurar outra trilha mais acima, já que a que seguia se
perdeu junto a íngreme encosta. Prossegui subindo e procurando seguir junto
à crista, por trilha meio confusa, tentando atingir o alto de uma parece
rochosa que avistei bem a direita lá da porteira.  Num ponto onde esbarrei
numa cerca que fazia uma curva de 90 graus, segui por uma trilhazinha à
esquerda, claramente aberta a facão no bambuzal e num minuto cheguei ao alto
do paredão rochoso de onde ampla vista do vale do Juncal descortinava-se.
Parei por algum tempo. Daí voltei à cerca e por ela segui em frente. Logo
tive que pular para o outro lado, onde um final de estradinha apareceu. De
fato um fio elétrico subia até ali, onde um platô parecia que esperava pela
construção de uma casa, mas tudo que havia era um singelo banco de madeira!
Seguindo em frente paralelo a cerca, cheguei a uma encosta onde foi preciso
subir uma laje rochosa em aderência até encontrar uma trilha que subia o
resto da curta encosta por dois curtos zigue-zagues, reentrando na mata. A
partir daí a trilha ficava bem mais fechada, mas ainda encontrei uma janela
na mata à esquerda, um pouco mais à frente, o que permitiu uma última visão
do vale ao sul. Prossegui forçando passagem entre os bambus até que a trilha
ficou totalmente ocluída pelos bambus. Não vislumbrando grandes chances de
ter novas visões das baixadas, desisti de prossegui no que seria só ralação
de braços e pernas para chegar ao fim da crista que, aliás, não devia estar
muito longe. Voltei até o final da estradinha junto ao banco e passei a
descer por ela aos zigue-zagues. Após passar uma baixada onde encontrei a
primeira casa, à direita, a estrada sobe um pouco e chega a uma bifurcação,
onde não peguei nenhum dos dois ramos, desci por trilha na encosta a frente,
rumo a estrada no fundo do vale. Descendo pela trilha cheguei à estrada de
acesso a uma casa à esquerda, seguindo por ela para a direita até a estrada
principal, e daí ainda  para a direita até onde deixara o carro. Peguei o
carro e voltei então até a cidade.
      Da cidade peguei o asfalto de acesso a cidade, vindo da estrada entre
São Bento do Sapucaí e Paraisópolis, descendo a serra. A frente já dá para
ver a pedra do Cruzeiro que fica entre o asfalto e o bairro de Atrás da
Pedra. Alguns quilômetros depois da cidade peguei a estrada para Atrás da
Pedra, saindo a direita. Segui pela estradinha de terra até o bairro.
Chegando ao bairro parei o carro e passando pela porteira de madeira do lado
esquerdo da estrada, passei a pontezinha e subi o caminho de acesso ao topo
da pedra, que ziguezagueia entre bananais e depois por um trecho de mata até
atingir o alto, onde alguns cavalos pastavam tranqüilamente e existe uma
capelinha e um cruzeiro. Daí temos vistas de 360 graus do entorno e podemos
ver que a Pedra levanta-se isolada no meio da baixada que por três lados é
cercada por uma ferradura de serras recobertas de mata. Do lado norte uma
estradinha de terra sobe quase até o alto e deve dar acesso a crista que
talvez possam ser percorridas, pelo menos por uns 2 ou 3 quilômetros .
Objetivo para outro passeio curto, quem sabe na próxima vez. Após um lanche
e algumas fotos voltei ao carro, e daí a cidade.
      O último objetivo do dia foi a cachoeira dos Henriques. Seguindo pela
estrada para Martins, orientando-me pela placa “cachoeira das Andorinhas”,
em 2 quilômetros, passei por essa cachoeira e segui em frente, nas
bifurcações tomei a direita, permanecendo no vale do rio Capivari. Num ponto
onde há uma placa de propaganda de mais um restaurante caseiro das
redondezas e onde já havia inclusive dois carros estacionados, parei e desci
até o rio. Algumas pessoas deleitavam-se num remanso, mas eu sabia que a
cachoeira de verdade era mais abaixo, por isso desci pelas pedras do leito,
sem molhar os pés até um ponto onde uma larga laje de pedra cobre o leito.
Descendo por ela para a direita chega-se a um ponto onde podemos ver uma
bonita queda. Na mata a frente uma trilha leva-nos a base de outra queda
mais abaixo. Da base dessa queda o rio parece prosseguir pelo plano. Voltei
por onde tinha vindo mais após o fim da laje, resolvi subir pelo barranco de
terra à direita, o que deu um pouco de trabalho, pois o mesmo era bem
escorregadio. Tive que ir me agarrando a vegetação do lado direito, mas
rapidamente consegui chegar ao carro e daí voltei à cidade para um
refrigerante gelado, antes de tomar a estrada de volta a São Paulo.
     Em Resumo, Gonçalves possui muitas trilhas curtas a serem conhecidas
servindo tanto para iniciantes, com escasso preparo físico, começarem no
reino das caminhadas, como para qualquer um que queira distrai-se um pouco
com caminhadas curtas por bonita paisagem serrana.

Gonçalves – últimas explorações

     Na última vez que fomos a Gonçalves, já pensando que tínhamos
esgotado todas as atrações locais, acabamos obtendo informações sobre
algumas caminhadas de que ainda não tínhamos ouvido falar.  Surgiu daí a
vontade de voltar novamente aquela simpática localidade para explora-las.
Não demorou muito para surgir a oportunidade, e com dois dias livres essa
semana, lá fui eu.
      A primeira opção foi uma trilha para subir a Pedra de São Domingos,
cujo topo pode também ser acessado de carro, por sinuosa estradinha, opção
da maioria dos visitantes mais sedentários. Saindo de Gonçalves em direção a
bairro de Costas, na primeira bifurcação, depois de cerca de um quilômetro,
tomamos a esquerda. A referência é o “Otaviano’s Rancho”, a cerca de 14
quilômetros da cidade. Uns dois quilômetros antes passamos pela divisa de
município Gonçalves/Camanducaia. O Otaviano’s fica a esquerda da estrada,
perto de uma placa que indica Camanducaia à frente e bairro do Mato à
esquerda. Parei o carro no estacionamento do rancho e o dono apareceu para
me atender. Perguntei qual o caminho para a pedra, a qual já se avistava no
alto, à direita da estrada, e fui informado que cobrava-se R$ 5,00 de quem
percorria a trilha. Tudo bem, já tinha ido até lá e não ia desistir por uns
trocados. Ele me indicou então o caminho. Devia pegar uma estradinha que sai
do lado oposto da estrada por onde tinha vindo e subir sempre pelo caminho
principal. No começo ela subia pelo aberto, para em seguida nivelar e seguir
por uma crista, com amplo visual de ambos os lados. Do lado direito avista-
se ao longe o complexo do Baú. Aliás, parece que essa crista faz a divisa
dos municípios. O caminho passa então a descer, entrando na mata. Depois de
um casebre de madeira a esquerda, volta novamente a subir. Passamos então
por uma porteira de madeira e, mais a frente, o caminho que desde o começo
era um duplo trilho, se reduz a um trilho único e logo se bifurca. Tomando a
direita, subimos uma encosta de pasto. A trilha agora dobra a esquerda e
nivela. Logo ela vira a direita e já avistamos as torres que ornam o topo da
pedra, bem próximas a frente. Mais um pouco e desembocamos na estradinha de
acesso ao cume. Subimos o último zigue-zague da estrada e chegamos a área
usada como estacionamento, junto a torre maior. Daí uma escada de cimento a
esquerda leva ao cume rochoso de onde obtemos visões de 360 graus do
entorno. A subida toda levou cerca de uma hora. A volta foi feita pelo mesmo
caminho, mas observei uma provável alternativa. A esquerda da chegada,
postes de força descem a encosta, seguindo em direção a eles, encontrei uma
trilha que aparentemente desce até o fundo do vale, podendo-se avistar a
estrada lá embaixo. Não tentei descer por ali porque já era final da tarde e
preferi não me meter em explorações com o dia já findando, mas essa pode ser
uma alternativa interessante para uma próxima vez.
       A próxima atração que visitei foi a Pedra do Jair. Ela fica na
verdade no município de Sapucaí Mirim, mas pouco além da divisa de
Município, no bairro contíguo de Juncal. Tomando a saída rumo a muito
conhecida Pedra do Forno, próxima ao também famoso restaurante do Zé do
Ovídio, após cerca de 10 quilômetros, deixamos o acesso do restaurante à
direita e seguimos em frente em direção a Juncal. A estrada sobe um pouco e
no alto cruzamos a divisa de município, começando então a descer. A descida
está em boa parte lajotada. Chegando ao fundo estamos já na região central
do Juncal, um grande ajuntamento de casas. Seguindo em frente, para a pedra
devemos pegar uma estrada a esquerda, com uma placa indicando “Pedra do
Jair”, só que na sentido oposto, para quem vem de Sapucaí. Tomando a
esquerda subimos mais quase dois quilômetros, até chegar ao fim da estrada.
O paredão rochoso da pedra já se avista a frente, ligeiramente a direita.
Parando o carro no sítio do finado Jair, perguntei a viúva sobre o caminho
até o alto. Claro que ela me pediu uma contribuição pecuniária para
autorizar-me o passeio. Dei R$ 5,00 de ajuda para ela e tomei a trilha a
direita da casa. O caminho vira para a esquerda e vai subindo rumo a crista.
Passei por quatro porteiras até que o caminho encostou numa cerca à
esquerda, acompanhando uma crista ornada de araucárias. Quando esbarrei em
outra cerca, transversal, dobrei a direita seguindo a cerca e logo cheguei a
crista principal. Segui por ela, subindo a lombada final até o alto da
pedra. O topo da visão de quase 360 graus, só prejudicada num pequeno trecho
ao sul por um trecho de mata. A subida toda me tomou cerca de 35 minutos.
Descendo um pouco a direita, chega-se ao topo do rochoso que se avista lá
debaixo, dali temos visão do vale abaixo,bem como da casa da viúva onde
começamos a caminhada. A volta foi pelo mesmo caminho, quase no mesmo tempo.
       A próxima caminhada foi a subida da pedra do Grotão. Essa pedra é
visível, a direita da estrada, alguns quilômetros antes de Gonçalves, para
quem vem pelo asfalto, passando por São Bento do Sapucaí. Uns três
quilômetros antes da cidade, há o “Rancho do Gaúcho”, à direita da estrada.
Logo depois temos uma estradinha a direita. Tomando essa estradinha, ela
sobe ligeiramente, nivela e logo começa a descer fortemente. Antes de
começar a descida, pulei um cerca a esquerda e entrei num bananal, subindo
por um caminho. Essa trilha bifurcou algumas vezes, e sempre segui o ramo
ascendente. A trilha acabou em umas colméias. Tomei a esquerda um pouco
antes, subindo por entre as bananeiras. Quando o bananal acabou continuei
subindo por lajes de pedra uns tanto íngremes até que cheguei num paredão
rochoso vertical. Tentei contornar pela direita mais o mato era muito
fechado. Segui então pela esquerda, subindo até que esbarrei em uma trilha
que vinha de uma casa abaixo. Só ai percebi que a informação que tinha
recebido de que não havia trilha de subida estava furada. Continue subindo
pela trilha, as zigue-zagues, até que alcancei uma pequena laje de pedra que
dava ampla visão do vale lá embaixo. A direita podia ver a pedra do
Cruzeiro, com sua minúscula capelinha branca e logo atrás a pedra do Baú,
ainda mais longe. O topo da pedra estava ainda um pouco mais acima, mas
completamente envolvido em mata não compensaria chegar até lá, já que não
teria visão alguma. Acho que gastei mais de hora para subir até o topo, mas
o caminho que segui foi péssimo. A volta foi pela trilha, desci por ela
passando pelo ponto onde a encontrei e descendo até a casa abaixo. A casa
estava vazia. Desci pelo acesso até um portão a beira a estrada, o qual
estava trancado a cadeado. Tive que passar por baixo dele. Toda a descida
levou apenas vinte minutos. A melhor e mais direta opção de subida seria por
onde desci, mas isso envolve passar pela casa, o que talvez possa ser
problema se houver moradores.
           Para terminar fui fazer uma caminhada fácil que já tinha  uma
vez. Saindo da cidade pela mesma estrada para Pedra do Forno, parei o carro
cerca de dois quilômetros após a cidade, junto a pousada “Trem das Cores”.
Tomei a estradinha à direita, acesso para a cachoeira do Retiro. Passa-se
uma porteira e toma-se uma trilha à direita logo depois. Aliás, quase não
percebia o começo da trilha. O início está um pouco indistinto. A trilha
bordeja a encosta e faz uma curva à esquerda, dando vista para as primeiras
quedas do Retiro. Belíssima cachoeira! Infelizmente parece que a densidade
de pousadas no entorno está crescendo. Pude notar novas construções tanto a
direita, na encosta oposta, como mais acima, a esquerda. Subindo pela trilha
fui passando pelas quedas sucessivas até que a trilha parece acabar numa
vala transversal, seguida de uma cerca. Segui para a esquerda beirando a
vala até chegar a um ponto onde a cerca some e pude pular a vala, tomando
uma trilha do outro lado para a direita. A trilha segue subindo o rio, no
inicio beirando outra cerca à esquerda, mas depois essa cerca some. Passei
então por um quebra corpo num cerca transversal mais a frente e na próxima
cerca passei por baixo dos arames. Cheguei então a outra cachoeira, a do
Cruzeiro. O mirante do Cruzeiro fica, aliás, no moro a direita e para trás.
Seria minha próxima meta. Subindo ao alto da cachoeira do Cruzeiro, tirei as
botas e passei o riacho com água pelos tornozelos. Pularia uma cerca do
outro lado e subiria a encosta de pasto até o alto, seguindo pela crista até
o mirante, porém olhando para trás e vendo as nuvens pretas que rapidamente
cobriam o céu, decidi abortar essa parte da caminhada e retornar para o
carro. Antes de chegar lá começou a chover encerrando com qualquer pretensão
minha de fazer mais qualquer caminhada.
       Desta vez não estou  tão certo de quem não haja mais alternativa
interessantes a explorar na região, quem sabe na próxima encontro alguma
outra novidade…

Circuito Gonçalves

      Já na penúltima visita a Gonçalves, enquanto seguia pela estrada de acesso a cidade, observei a interessante crista à esquerda da estrada, que segue o rumo geral sudeste a partir da cidade. Pareceu-me que caminhar por sobre ela daria um interessante passeio. Decidi então que quando voltasse a Gonçalves experimentaria faze-lo. Na semana passada, enfim surgiu a oportunidade.

       Deixando o carro numa das ruas centrais da cidade, voltei pela avenida de acesso até o portal da cidade. Eram 10:00 e tomei uma estradinha que sai a direita, para poucos metros depois entrar novamente à direita, passando por um terreno recentemente terraplenado, pulando uma cerca ao fundo e subindo pelo pasto à esquerda, rumo ao alto do morro. Descendo um pouco a face oposta, cruzei uma precária estradinha de terra e passei a galgar o próximo morro. À medida que subia, o panorama se ampliava, e podia ver a cidade lá embaixo, encravada em seu vale. Quase no alto, contornei uma cerca pela esquerda até chegar a nova cerca, a qual agora tive de saltar. Virando para a direita, procurei alcançar a crista, agora pontilhada de árvores. Segui então pela crista, aproveitando a sombra proporcionada e também o belo panorama proporcionado pela vale do ribeirão Campestre à minha direita, em meio do qual, despontava a cachoeira do Retiro, infelizmente cada vez mais cercada por novas construções.

       Ao final desse gostoso trecho plano, tive de descer uma curta e íngreme encosta até um pequeno vale, para na seqüência subir novamente pela encosta de pasto rumo a próxima elevação, sempre seguindo paralelo a tradicional cerca de crista. Claro que o trecho plano pelo alto não iria durar muito e logo seria preciso descer a novo vale, mas percebendo que à frente a encosta era recoberta de mata do lado da cerca onde estava, aproveitei uma porteira para passar para o outro lado da cerca. Seguindo em frente, desci a curta encosta e imediatamente volte a subir. Deixei passar nova porteira, que permitiria voltar ao lado esquerdo da cerca, hipnotizado pelo visual que tinha a minha direita, porém mais à frente a mata acabou me obrigando a saltar a cerca de volta ao lado esquerdo, o que, claro, teria sido mais fácil pela porteira.

        Chegando ao alto segui pelo alto, virando ligeiramente à esquerda, procurando me manter na crista. A frente já podia ver novo vale, mais largo que os anteriores e após eles, duas elevações gêmeas, de altura similar. A encosta de descida agora era repleta de samambaias e arbustos, mas não tive dificuldade de localizar uma trilha que descendo da esquerda para a direita desembocava num carreiro mais largo, o qual, descia até o fundo. Saltando mais uma cerca e assustando algumas vacas, segui subindo por trilhas de vaca, rumo ao selado entre os dois morros. Acabei subindo por trecho mais íngreme, mas depois vi que havia trilha mais suave um pouco mais à direita.  Chegando ao selado, virei a direita e continuei a subir até voltar a crista, dobrando então para a esquerda e voltando ao rumo geral sudeste.

         A trilha agora entra em um trecho de mata aberta. Do outro lado da cerca a minha direita, o panorama se alargou e no horizonte pude identificar a Pedra do Forno e a crista que faz parte da divisa SP/MG. Vendo que a minha frente forma-se fundo vale, percebi que a crista seguia mais a minha direita, desviei para a direita e voltei a acompanhar uma cerca. Logo tive de salta-la para o outro visto que a mata se adensava do lado esquerdo dela, mas do lado direito o pasto desimpedido permitia livre trânsito. Logo comecei a descer, e avistei duas casas do lado direito. Acabei desembocando numa estrada de terra que acredito suba do bairro Atrás da Pedra e siga até o bairro de Venâncios, para onde me encaminhava, mas o objetivo era continuar pela crista, daí procurei meio de subir no morro a frente. Na beira da estrada formava-se um barranco quase vertical, mais poucos metros para a direita, uma vala cruzava a estrada e subindo por ela em poucos passos desemboquei de volta ao pasto e continuei subindo rente a cerca, novamente a minha esquerda. Chegando ao alto, a mata fechava o caminho à frente, mas era só pula para o outro lado da cerca e seguir por trilha aberta. Mais uma ou duas mudanças de lado da cerca e o cruzamento de mais duas ou três porteiras seriam necessárias enquanto cabritava pelos sucessivos morros que acabaram me levando até um ponto onde após pular mais uma cerca, a mata fechada e a íngreme encosta impossibilitavam o prosseguimento nessa direção. Um rústico cruzeiro, colocado nesse topo, testemunhava a fé local. Procurando para a direita, acabei encontrando uma bem marcada trilha que descia suavemente, desviando lentamente para a direita. Chegando ao fundo, a vegetação se abriu e foi necessário novamente mudar de lado da cerca.

        Seguindo agora à direita da cerca, passamos a subir suavemente, enquanto novamente a paisagem se descortinava. Passando por algumas árvores, aproveitei e parei a sombra para um lanche. Seguindo em frente, a trilha desembocou num carreiro mais largo, o qual tomei para a direita. Descendo lentamente por ele, assim que a encosta de samambaias deu lugar a mata, encontrei uma trilha batida descendo à esquerda. Desci por essa trilha, até que ela subitamente saiu no aberto, no alto de um barranco, de onde se podia observar, próximo, uma encruzilhada de quatro estradas. Descendo um rápido zigue-zague, passei por uma casa, cruzei uma porteira e cheguei a encruzilhada, junto a qual havia o que parecia ser um barzinho, fechado, mas havia uma torneira onde pude me reabastecer de água e inclusive um banheiro aberto.

       Dessas quatro estradas, duas vinham de Atrás da Pedra, provavelmente uma era cruzada anteriormente, a outra, por onde já havia caminhado anteriormente, muito mais precária, só é recomendada a carros 4×4. Das outras duas, uma vinha de São Sebastião das Três Orelhas e a outra, por onde seguiríamos, atravessava a serra da Balança e descia para o bairro do Serrano, já em São Bento do Sapucaí.

      Segui então rumo a serra da Balança, sinalizada pela placa “Restaurante de Vilma”, pelo qual logo passei. A estrada passa então a subir até que chegamos ao alto, marcado por uma porteira. À frente vemos a pedra da Balança. Abandonei então a estrada e subi a encosta de pasto à direita, acompanhando a cerca à esquerda. Estamos agora bem em cima da divisa SP/MG. Quando a cerca quebra para a esquerda, segui também para a esquerda, por trilha evidente. Nova cerca surge à direita. Encontrei uma trilha subindo do outro lado dela, pulei a cerca e segui subindo pela mata, procurando manter-me na crista. Parece haver várias trilha se entrecruzando dentro da mata, mas é só não se afastar da encosta a esquerda. Quando esbarrei em nova cerca a frente, tomei uma saída a direita, deixando a cerca a minha esquerda, nova cerca transversal obstrui a minha frente, mas encontrei um ponto onde ela está semiderrubada, um pouco mais à direita e saltei-a ali. Voltando a seguir a cerca à esquerda. Próximo a uma quina na cerca, do outro lado dela, há inclusive um mirante em meio a um bambuzal, que dá bonita visão do vale abaixo, mas não cheguei a visitá-lo dessa vez.

      Seguindo em frente, a mata acaba e passamos andar pelo pasto. Subindo ligeiramente, passamos por um ponto onde há um banco de praça caído! Há também um poste de luz, com transformador, parece que o terreno foi pensado para se fazer uma casa, há uma estradinha de acesso, mas continua vazio. Há ampla visão ao Norte, mais ao sul a mata que guarnece a crista tapa qualquer visão.

      Continuei pela crista, e logo tive se ultrapassar um degrau rochoso, valendo-me de uma trilha para direita, mas afinal tive de subir um curto trecho me agarrando como pude as arvores. Entrei então num trecho onde a crista é coberta de touceiras de bambu. Em alguns pontos parecia até já ter havido trilha, mas na maior parte do trecho a seguir a caminhada foi sem trilha, quebrando bambus e ziguezagueando a procura de uma melhor passagem. Às vezes foi preciso passa me arrastando sob bambus caídos. No todo a velocidade de progresso foi muito baixa. Mais ou menos no centro desse trecho, tive de contornar pela direita um trecho rochoso, que depois pule subir voltando por um trilhazinha. Do alto dessa rocha pude ter novamente visão do quadrante norte. Mas após isso fui novamente devolvido as dificuldades de cruzar o bambuzal.

         Cerca de duas horas após entrar no bambuzal sai novamente no aberto descendo um pequeno trecho para logo subir novamente em meio à vegetação arbustiva. Logo encontrei uma trilha e fui subindo por ela até chegar ao alto e pular nova cerca. Seguiu-se um trecho plano de crista até esbarrar em nova cerca. À frente a trilha prosseguia pela mata e parecia bastante fechada. Meu objetivo original era continuar chegando até a estrada que desce desde o Espaço kalevala em direção ao Bairro do Serrano, mas esse trecho de bambuzal realmente me cansou e presenteou-me com inumeráveis escoriações. Resolvi abandonar a crista mais cedo, seguindo pela trilha que descia para a direita e era bem aberta, deixando para explorar o restante da crista em um outro dia.

         Descendo então para a direita, fui descendo aos zigue-zagues, com a vegetação se abrindo ao meu redor. Logo descia pelo pasto e pude ver que, a segunda elevação à frente parecia ser a própria Pedra do Barnabé, só que vista do lado oposto a que se vê da estrada. Da estrada a pedra parece uma pirâmide rochosa, mas do lado de trás ela é uma encosta de capim, por onde podemos facilmente subir. A trilha foi se convertendo em uma precária estradinha e logo que chegou a base do próximo morro, virou para a direita, assumindo uma direção que não me interessava. Abandonei a estradinha e subi o morro pelo pasto salpicado de arbustos até o seu alto, mantendo o mais próximo da cerca a minha esquerda.

          Chegando ao alto, toca a descer novamente para o selado a frente. Chegando ao selado, com a encosta da Pedra do Barnabé logo à frente, achei uma trilha do outro lado da cerca que parecia contornar o Barnabé pela esquerda. Saltei então a cerca e segui pela trilha. No inicio ela seguia plana, passava por um antigo bebedouro de cimento e depois entrava num bosque de araucárias, para depois dobrar a direita e começar a descer a encosta rapidamente, em curtos zigue-zagues. Até que a trilha desembocou em uma estradinha por onde segui descendo até chegar ao fundo, cruzar um riacho e ao final saltar uma sólida porteira trancada a cadeado. Cheguei então a uma estrada. Tomando-a para a direita, em uns 300 metros, desemboquei na estrada principal que, para a esquerda segue em direção ao Espaço Kalevala e de lá desce ao Serrano, local onde planejava terminar a caminhada originalmente. Tomei a estrada para a direita, voltando a Gonçalves.

         Em mais 2 km, cheguei a nova bifurcação onde tomei a direita novamente. Seguiram-se então uns 1000 metros de subida até que cheguei no bairro de São Sebastião da Três Orelhas. Nesse trecho pude admirar a face rochosa da Pedra do Barnabé que havia contornado por trás. Em São Sebastião parei um pouco para um refrigerante gelado em um barzinho. Dali foram ainda mais 5 km até Gonçalves, os primeiros quilômetros quase planos, como uma curta descida após a entrada da cachoeira do Retiro e o último quilômetro plano após a ponte do Retiro.

        Temos então um circuito de um dia que começa e termina em Gonçalves, o qual, como dito acima poderia ser um pouco maior levando até o Espaço Kalevala, uns dois quilômetros à frente de onde sai.

Circuito São Bento – Gonçalves

       A idéia era ir de São Bento do Sapucaí até Gonçalves, evitando o asfalto, tanto quanto possível. Comecei a andar às 10:00. Saindo de São Bento, pela entrada principal da cidade, dobrei a direita, junto a um supermercado e segui rumo ao bairro do Serrano. Passei sob a estrada por um estreito túnel, pelo qual passa só um veículo por vez, e segui pela plana estrada. Ali não havia opção, era ir pelo asfalto mesmo, mas o trecho nem tem tanto movimento. À frente já avistava a serra que faz a divisa entre os dois municípios, e também entre São Paulo e Minas.

         Após cerca de 5 ou 6 km, passamos pelo bairro do Serrano, com sua bem cuidada igrejinha e depois de cruzarmos uma ponte o asfalto acaba. Subindo mais uns quinhentos metros, passo pela entrada sinalizada da cachoeira do poção. Tomei a direita na bifurcação logo em seguida e a direita novamente pouco depois, junto à saída para a cachoeira do tobogã. Ali passei a porteira à esquerda da estrada e andei os poucos metros de trilha até a cachoeira. A queda é alta, mas tem pouco volume de água e não tem poço para banho. Parei para um descanso e alguns goles d’água, à sombra, porque o sol estava forte demais e não havia nuvem alguma para atenua-lo.

       Voltei então a estrada e segui em frente, descendo um pouco, passando por algumas casas, cruzando uma porteira e voltando então a subir. Durante a subida cruzei mais duas porteiras. Após a terceira porteira, voltei a descer um pouco e cheguei a nova casa. À esquerda, um pouco acima, os paredões da pedra da Divisa avultavam. O local é usado para a prática de escalada, como se pode constatar pela placa afixada junto a nova porteira.

       Abandonei então a estrada de terra e passando pela porteira à esquerda, subi agora por trilha, contornando a pedra da divisa pela direita. Mais acima a trilha entra na mata e após atingir o alto da crista, passa a descer pelo outro lado. Damos adeus então a São Paulo e passamos a percorrer terras mineiras. Em pouco tempo a mata vai se abrindo, ao mesmo tempo em que a trilha se alarga, lentamente se convertendo em estradinha. Passei então por bananais, e mais tarde por pastos. A primeira casa por onde passei, à direita da estrada, parecia fechada. Continuei descendo, agora mais suavemente, até passar por outras casas, agora à esquerda da estrada. Andava agora pelo bairro do Riberãozinho.

       O bairro de Atrás da Pedra, que era minha próxima meta, ficava a minha esquerda. Tinha então de cruzar a crista que fechava o vale a esquerda. Quando aparece um bananal nessa crista, vi que uma trilha subia a encosta contornando-o, decidi utiliza-la. Passei então por uma porteira à minha esquerda, saltei o estreito riacho que corria paralelo a estrada, passei entre um curral, à esquerda, e uma casa, à direita e segui subindo por trilha batida.

      Após uma primeira porteira de arame, a trilha vira para a esquerda, cruza o bananal, sempre subindo, e passa por nova porteira de arame, virando a direita e subindo íngreme, agora pelo pasto. Uma providencial bica reabastece meu cantil. Continuo a subir pelo pasto, na direção da crista. Afinal a trilha se apaga, mas a crista já está próxima e vou subindo do jeito que dá pelo pasto alto e escorregadio. Os últimos metros são os mais íngremes, mas enfim alcanço a crista e passo a seguir rente a cerca, para a direita.

      Quando a cerca cruza com outra perpendicular, procuro um ponto mais fácil para cruza-la e acabo encontrando um ponto, um pouco mais à direita, onde um dos arames está partido. Salta ali e volto, seguindo para a esquerda. Logo encontro uma trilha batida e chegando a borda da crista, avisto o bairro de Atrás da Pedra, caracterizado pela pedra do Cruzeiro, monólito encimando por branca capelinha. A trilha rapidamente vai descendo, rumo a uma estradinha no fundo do vale a frente.

        Chegando a estrada, tomo-a para a direita, e logo desemboco na estrada que circula a pedra, rente a sua base, seguindo para a esquerda. Rapidamente chego ao bairro, com sua igreja bem cuidada, sua praça, recentemente pavimentada e sua dúzia de casas ao redor. Num tosco bar, compro um refrigerante e vou toma-lo numa sombra próxima.

         Após o descanso, como ainda são pouco mais de 15:00, resolvo subir ao alto da Pedra do Cruzeiro. Voltando a estrada por onde vim e seguindo poucos metros à frente, chego a uma porteira a minha direita. E só cruzar a porteira e logo vou subindo aos zigue-zagues até chegar ao alto da pedra. De lá temos ampla visão da ferradura de montanhas ao sul, oeste e norte. Atrás da crista a oeste fica Gonçalves, meu destino, a sudeste vejo a encosta rochosa da pedra da Divisa, por onde passei pouco antes. E de sul a leste, parte do trecho de crista que descrevi em outro relato. Acabei até cochilando uns minutos na sombra da capela, mas enfim precisava continuar. Desci então pelo mesmo caminho e retomei a estrada na direção de Gonçalves.

        Seguindo em frente, a estrada vai virando para a direita até entroncar no asfalto. A alternativa à esquerda, mas como já ia ficando meio tarde, resolvi seguir pelo caminho mais curto, que era pelo asfalto mesmo, subindo por 4 km. Chegando ao portal da cidade, faltou só um pequeno trecho final descendo, já dentro do perímetro urbano. Cheguei pelas 17:30.

       No centro, tive o azar de que havia não sei que festa na cidade e por isso as hospedagens mais baratas que conhecia estavam lotadas. Acabei tendo de ficar numa pousada um pouco mais cara.

      No dia seguinte o programa era volta a São Bento, por um caminho diferente. Segui então rumo ao portal, só que agora peguei a estrada de terra à direita. Logo ela começou a descer fortemente. Mais abaixo tomei a esquerda na primeira bifurcação que encontrei. A estrada nivela por um tempo e logo percebo que ela vai sair de volta no asfalto. Tomo a direita na próxima bifurcação e desço mais um pouco. À frente vejo que a estrada vai acabar numa casa, mas à direita, do outro lado de um riacho, vejo a estrada de terra que lega ao bairro de Atrás da Pedra, pelo qual passei no dia anterior. Desço então a curta encosta de pasto a direita, pulo o estreito riacho, e subo a encosta do outro lado, por um caminho evidente. Chegando a cerca, passo por uma porteira de arame e desemboco na estrada.

     Tomo a estrada para a direita, e sigo por um trecho pelo qual passei ontem, até chegar a Atrás da Pedra, ali tomo a direita, seguindo por um curto trecho calçado de bloquetes. Logo o calçamento acaba e o trecho plano dá lugar a uma subida, que vai ficando cada vez mais íngreme. Mais acima numa bifurcação, a placa indica que ambas as opções seguem para o bairro de Venâncios, mas que a estrada à esquerda seria apenas para 4×4, perfeito, é por ali que eu sigo. A subida continua forte. Na bifurcação acima, junto a algumas casas, tomo a esquerda. Mais acima, passo junto à nova casa, à esquerda, onde o leito da estrada foi transformado em curral, passo por duas porteiras, desvio da boiada e continuo a subir. A estrada que já não era grande coisa fica ainda pior. Na próxima bifurcação sigo pela esquerda, passando por uma porteira de madeira. O Sol já está forte e a subida torna-se bastante desgastante. A estrada prossegue subindo aos zigue-zagues. Fileiras de araucárias fornecem alguma sombra e a visão da baixada vai se ampliando, tornando possível avistar a pedra do Cruzeiro em meio ao vale.

       Enfim chego ao alto da subida e dou adeus ao panorama norte. Paro para descansar um pouco e após sigo descendo suavemente. Logo chego a um entroncamento de quatro estradas. A mais a direita é a outra opção de subida, melhor conservada, usada pelos carros comuns. A próxima leva a São Sebastião das Três Orelhas e de volta a Gonçalves. A mais a esquerda segue para a serra da Balança, que faz a divisa MG/SP, é por ali que vou. Passo pelo restaurante da Vilma à direita e começo a subir. Passo por uma porteira e a subida prossegue. Atingindo a crista passo por outra porteira e o panorama se abre à frente. Lá embaixo fica o bairro do Serrano, já em São Bento.

        Antes de descer resolvo visitar o mirante no alto da escarpa rochosa à direita. Antes da porteira, subo margeando a cerca até ela dobrar para a esquerda. Sigo então por trilha para esse lado, pulando nova cerca agora à direita e seguindo por trilha evidente. Várias trilhas parecem se entrecruzar dentro da mata, mas procuro não me afastar a encosta à esquerda. Quando chego a nova cerca, pulo-a e sigo, agora com a cerca a minha direita. Logo ela quebra para a esquerda, mas continuo acompanhado-a, até que ela faz uma quina para a direita. Ali me afasto da cerca, e procuro uma trilha por entre a massa de bambus à minha esquerda. Em poucos metros desemboco numa pequena laje rochosa a beira do precipício, que me dá belíssima visão do vale abaixo. Paro para um lanche enquanto admiro o panorama.

        Encerrado o descanso, volto até a estrada pelo mesmo caminho por onde vim. Chegando lá, passo a porteira e inicio a forte descida. A descida é interrompida mais abaixo por leve subida, mas essa dura pouco e logo retorno à descida feroz. Após passar pela primeira casa desce o alto, me surpreendo com a visão da cachoeira do Tobogã, já estou quase chegando à baixada. Mais um pouco e chego a cachoeira do Poção. A essa altura, com o calor que faz, não resisto, tomo a trilha, agora a minha direita, e em 5 minutos chego ao poço. Um rápido mergulho na fria água e revigorado, retomo a estrada para completar os 5 ou 6 km de asfalto até São Bento. Ainda me resta tempo para uma truta assada antes pegar o carro e retornar a São Paulo, satisfeito de ter conhecido mais um pouco a agradável região.

Travessia Gonçalves-São bento

                       A idéia era partindo de Gonçalves, seguir até Monte Verde usando o máximo de trilhas, mas sabendo que seriam necessários alguns trechos de estradinha de terra para conecta-los. Assim saindo de São Paulo no sábado, tomei o primeiro horário para Paraisópolis, às 6:30. Não havendo condução direta para Gonçalves a solução seria ir por Paraisópolis.
          Cheguei lá pelas 10:15, e a chuva já vinha caindo a alguns tempo, não sei bem desde de quando, só sei que quando sai de São Paulo o tempo estava encoberto, mas não chovia. Como dormi durante boa parte do trajeto não percebi quando começou a chuva, só que quando acordei já chovia. O próximo horário para Gonçalves era às 12:15, de modo que passei essas duas horas
dentro da rodoviária de Paraisópolis, e a chuva não parava.
                        Desembarquei na minúscula rodoviária de Gonçalves
pelas 12:45.  A chuva continuava, e a vontade era de ficar por ali mesmo em alguma pousada, deixando para iniciar a caminhada no dia seguinte, talvez com tempo melhor, mas é claro que num feriado de carnaval, não encontraria vaga em lugar nenhum! Que jeito, o negócio era começar a caminhada sob chuva mesmo. Tomei então a rua rumo ao portal da cidade. Chegando lá, segui por uma estradinha de terra a direita, e poucos metros depois, passando pelo lado da primeira porteira, à direita. Segui então para a direita pelo terreno que parece ter sido recentemente terraplanado. Fui subindo pelo caminho em zigue-zague, ganhando altura sem muito esforço. Mais acima foi preciso pular sobre a primeira de muitas cercas. Quando cheguei a outra cerca, na extrema esquerda, passei a subir para a direita, agora pelo pasto, até chegar ao alto do morro.
                         Chegando ao alto, teria ampla vista ao redor,
principalmente da cidade ao fundo do vale, à direita, mas nesse dia a névoa não me deixava ver mais que algum metros ao redor. Que pena! Segui em frente e logo o morro desce para uma estradinha transversal à frente, fui descendo para a esquerda, procurando o caminho menos íngreme. Chegando a estrada e cruzando-a, tomo uma trilha a frente, subindo pela crista de pasto.
                           A trilha desvia um pouco para a esquerda,
passando entre algumas árvores até chegar a uma cerca. Passando por uma porteira, segui subindo, agora acompanhando uma cerca a esquerda. Vendo que essa cerca quebra para a direita, obstruindo meu caminho, salto para o lado esquerdo dela e continuo a subir. Chegando a nova cerca transversal, desvio para a esquerda, acompanhando-a, até que ela dobra para a direita e consigo
continuar a subir, agora com a cerca à direita.
                            Mas tudo que é bom dura pouco, nova cerca obstrui minha passagem, tenho de salta-la e continuando a subir, agora caindo para a direta, rumo a uma linha de árvores que guarnecem nova cerca à direita. No caminho assusto algumas vacas. Cheguei então ao alto, do lado direito teria vista da bela cachoeira do Retiro, encaixada no vale do ribeirão Campestre. Posso até ouvir o seu troar, mas a névoa continuar a toldar qualquer visão da paisagem. Tenho agora um trecho plano pela crista, fácil, cuja única dificuldade são os poças de lama formados pela chuva.
                             Quando a crista dobra para a direita e segue
em direção a mata, tenho de descer a encosta a frente rumo a baixada a frente, que não enxergo, mas sei que não é tão funda quanto a névoa faz parecer. Vou descendo, procurando seguir sutis caminhos de vaca. Enfim consigo enxergar o fundo e a nova subida a frente. Rapidamente passo pelo fundo e começo a subir pela crista de pasto. Quase no alto, passo a andar sob uma fileira de araucárias, que formam denso bosque a minha direita. Chegando ao alto, o caminho nivela e sigo até que a mata fecha a minha
frente, mas na cerca a minha direita encontro uma porteira, pela qual  passo para o outro lado da cerca, seguindo em frente por trilha marcada, descendo curta encosta até nova baixada.
                               Chegando ao fundo, cruzo porteira à esquerda
e passo a subir nova encosta. Conforme vou subindo a vegetação a frente se torna mas alta, mas vou seguindo por trilhas de vaca mais abertas, demandando o alto do morro. Chegando ao alto, encontro um final de estradinha, por onde passo a descer rumo ao vale que já vislumbrava a frente.
                               Do outro lado do vale, avisto picos gêmeos.
Chegando ao fundo do vale, abando no a estradinha, pulo uma cerca e subo pelo pasto sem trilha, caindo um pouco para a direita, pois  sei que encontrarei uma trilha ali, que segue da direita para a esquerda e me levará em direção ao selado entre os dois picos. Chegando a trilha, sigo por ela e vou bordejando a encosta à direita, até passar entre os dois picos e chegar a uma porteira.
                               Passando a porteira, tomo a trilha para a
direita, subindo. A trilha logo vira para a esquerda e continua subindo até chegar a uma crista densamente florestada de eucaliptos. Prossigo mais um pouco e vendo que já eram 15:00 e ainda não tinha almoçado, parei, sentando num tronco caído para o lanche. Durante esse tempo todo a chuva não deu trégua.
                               Prosseguindo  a caminhada, fui seguindo a
trilha por entre as árvores até que encontrei nova cerca transversal. Saltei a cerca paralela à direita, em um ponto em que um tronco caído facilitava a tarefa. Segui então para a direita, na direção da borda da crista, quebrando para a esquerda quando a cerca fazia o mesmo. Continuei então em frente, seguindo a cerca, agora a minha esquerda. Neste trecho devia ter visão da Pedra do Forno ao longe, mas nesse dia mal conseguia ver onde pisava. A trilha começa a descer e logo avisto uma ou duas casas mais abaixo.
                               Chego então a uma estrada transversal. Passo
por uma porteira, ando alguns metros para a direita e chegando a uma pequena ponte sobre uma vala, desço ao fundo da vala e subo pelo profundo sulco até conseguir sair dele e voltar a subir pelo pasto, lentamente me aproximando da cerca à esquerda. Quando a mata se fecha a minha frente, salto a cerca à esquerda e passo a seguir paralelo a ela por trilha meio suja mas evidente. Passado o alto, desço  um pouco  e encontro uma porteira na cerca, volto
então para o lado direito da cerca e continuo agora por trilha batida. Mas a frente uma cerca transversal obsta minha passagem, até encontro uma porteira, mas a mesma foi amarrada firmemente impedindo a sua abertura. Tenho que saltar a cerca, num ponto um pouco mais a direita, voltando a seguir pela continuação da trilha por onde vinha.
                                 Acabo chegando a nova mata e de novo salto
para o lado esquerdo da cerca, continuando a seguir paralelo a ela. Enfim chego a outro ponto onde a cerca quebra para a esquerda e começa a descer para o fundo de uma vale. Salto a cerca e seguindo em frente, encontro um cruzeiro branco no alto do morro. Em frente a crista despenca em  um penhasco densamente coberto de mata, mas procurando para a direita, encontro uma trilha que prossegue em meio mata pela crista e saltando mais uma cerca, volto ao aberto, tenho então de saltar a cerca à direita, entrando num
terreno recentemente convertido em uma lavoura de batatas. Sigo em frente pela crista, acompanhando a cerca agora a esquerda. Subo a um alto e depois desço um pouco, para subir novamente, passando por um trecho onde a terra parece ter sido revolvida, mas onde o mato cresceu novamente. Enfim salto a
ceca à esquerda e desemboco em uma estradinha.
                                  Sigo para a direita pela estradinha. Do
lado esquerdo o terreno é densamente revestido de samambaias, do lado direito tenho mata. A estrada começa a descer e acabo encontrando uma trilha à esquerda. Sigo por ela, descendo pela mata pela trilha estreita mas bem marcada. Subitamente saio no aberto e avisto uma encruzilhada de quatro estradas à direita. Desço pelo final da trilha, passo por um galpão e após uma porteira saio na estrada.
                                   Sigo alguns metros para a direita e me
abrigo na varanda de uma bar, bem na encruzilhada. Aproveito para me abastecer de água numa providencial torneira. Já eram 17:00, e a chuva tinha até ficado mais forte. Comecei a procurar onde acampar, mas no entorno o terreno era muito plano e a essa altura parecia um pântano. Continuei então pela estrada que uma placa na encruzilhada indicava seguir para São Bento.
Trezentos metros a frente passei pelo restaurante da Vilma e a estrada começa a subir. Cruzo uma porteira de madeira e pouco acima, encontro uma saída a direita onde encontrei um pequeno trecho plano onde percebi que caberia a minha barraca. E toca a armar a barraca sob chuva, Oh coisa maravilhosa! Mas uma vez montada a barraca, me joguei para dentro, tirei a roupa molhada, me enxuguei e coloquei uma roupa seca e quente. Agora só
restava preparar uma jantar quente. Ai meu azar prosseguiu, meu fogareiro deu crepe é quase incendeio a barraca! Ainda bem que não dei uma de Jorge e tentei acende-lo dentro da barraca. Tive que me virar sem ele mesmo, e com a noite se adensando, mergulhei no meu saco de dormir.
                                   Durante a noite ainda choveu bastante,
mas de manhã o tempo, apesar de nublado, parecia mais firme, resolvi então prosseguir a caminhada. Tomei o café, desarmei a barraca e voltei a estrada. Fui subindo e logo passei por um ponto de água à direita, claro que completei o cantil. Segui até um selado marcado por uma porteira. A frente a estrada desce no rumo de São Bento do Sapucaí, mas um cobertor de nuvens impedia qualquer visão do vale. Nuvens acima e nuvens abaixo, iria continuar
ensanduichado entre nuvens.
                                    Na porteira, abandonei a estrada,
subindo pela encosta à direita, rente a uma cerca. Quando a cerca quebra para a esquerda, sigo para esquerda também, entre duas cercas, até encontrar um ponto de passagem mais fácil na cerca a minha direita. Continuo então pela mata, subindo por trilha evidente. O certo seria continuar por uma trilha menos marcada, que segue próximo a borda da crista, mas errei em algum ponto, e continuei pela trilha mais batida, que lentamente foi me desviando para outra crista mais a direita. Quando percebi o erro, abandonei
a trilha e desci para a esquerda, por trecho de mata aberta, até encontrar
outra cerca, numa baixada, tendo pasto do outro lado. Saltei a cerca e subi pela encosta de pasto rumo a crista à minha esquerda.
                                   Chegando ao alto, parei próximo a um
banco de jardim tombado. Cruzando a cerca de crista à minha esquerda, há um mirante no alto de um paredão rochoso, dessa vez não fui até lá, visto que o visual seria nulo. O prosseguimento seria pela crista, desviando de um trecho rochoso por um discreta trilha e depois seguindo por trecho de bambuzal realmente infernal. Já passei por essa crista no ano passado e não achei que tenha valido a pena, visual só num rochoso no centro do trecho, ponto único onde emerge-se por um instante do denso bambuzal e consegue-se
ter alguma visão do ao redor. Dessa vez resolvi contornar esse  trecho mais perrengue. Tomei a trilha descendo desde o banco para a direita. Passei por uma nascente e depois por uma porteira. A partir daí a trilha vira uma estradinha. Continuei descendo, passando por outra porteira e depois por uma casa à direita. A estrada vai descendo por dentro da mata, curvando-se para
a esquerda e depois para a direita e nivelando.  Quando saio da mata, posso ver todo o trecho de crista do qual desviei. Dá para ver que sua extensão nem é tão grande, e que ele é relativamente plano, só o que dificulta atravessa-lo é mesmo o bambu cerrado.
                                  Ignoro uma primeira saída à esquerda e
mais a frente, pulo a cerca a minha esquerda e sigo pelo pasto, mais ou menos na direção de uma casa. Atrás da casa vejo uma encosta íngreme, dividida por uma cerca vertical, do lado esquerdo o terreno está tomado pelas samambaias. Do lado direito há pasto limpo. Sigo então cruzando um riacho e chegando próximo a casa, salto a cerca a direita, passando então por uma pequena porteira e saindo  na estradinha de acesso a casa.
                                  Continuo em frente, passando sobre um
riacho canalizado e passo então a árdua subida da encosta. Vou subindo aos zigue-zagues para economizar esforço. Chego então a uma trilha na encosta que segue subindo da direita para a esquerda, sigo pela trilha, chegando a uma porteira de madeira, mas do outro lado o terreno é totalmente tomado de samambaias, sem trilha. Abandono então a trilha e volto a subir pelo pasto
até atingir nova trilha que sobe para esquerda até outra porteira idêntica.
Passo pela porteira e continuo subindo até atingir a crista. A trilha se divide, à esquerda, voltaria até entrar no bambuzal. Sigo então pela direita, logo esbarrando numa cerca à direita.
                                  Salto então a cerca e sigo descendo por
trilha evidente, mas forrada de folhas de araucária, acompanhando a cerca de crista à esquerda. Quando a mata se abre, avisto uma estradinha à direita, de onde dois assustados cavalos me observam. A trilha converge para estrada, num ponto onde um degrau dificulta a descida à estrada, mas voltando um pouco para a direita logo encontro um ponto onde um pulo me leva a estradinha. Volto então a descer pela estrada. Mais logo a estrada se bifurca, sigo pela esquerda, que parece acompanhar ainda a crista, a estrada
logo se fecha e se reduzir a uma fechada trilha. Prossigo afastando alguns arbustos caídos e em pouco tempo desemboco novamente numa estrada, quiça a mesma. Sigo pela estrada e logo chego a um ponto onde a estrada faz fechada curva para a direita, afastando-se totalmente da crista. Porém, atrás da cerca à esquerda, avisto uma trilha que segue por entre a densa mata à esquerda.
                                   Salto a cerca e sigo pela trilha, cujo solo está totalmente tomado de vegetação rasteira, mas a trilha é evidente e
fácil segui-la, fora um ou outro arbusto caído, que me obriga a passar por baixo ou pisar em cima para salta-lo. A trilha vai bordejando a encosta, sem subir nem descer, mas lentamente vai se afastando da crista. Uma pena, pensei que conseguiria seguir pela crista até alcançar a estrada que desce para o Serrano. Depois de um bom tempo plano, a trilha começa a descer e depois sai da mata fechada, passando por trecho de pasto alto, até que após um trecho final cercado de Pinus, desemboca num final de estrada. A direita
temos uma casa. Paro um pouco para descansar, e agora que estou no aberto, sinto uma fina garoa, que talvez já estivesse caindo antes, mas dentro da mata eu não sentia. Eram cerca de 11:30.
                                   Sigo então pela estrada para a esquerda
e em pouco tempo passo por uma porteira e saio na estrada principal. Vejo então que a propriedade por onde sai chama-se “Sítio Monte Claro”. Tomo a estrada para a esquerda e logo passo pela saída, à direita, para o bairro do Campestre. Sigo para a esquerda, seguindo a placa do “Espaço Kalevala”, restaurante e pousada local. A estrada sobe um pouco e ao fim de 20 minutos
chego a nova bifurcação. A esquerda temos o restaurante, a direita a estrada que segue para a fazenda Campestre e em frente, a estrada que segue para o bairro do Serrano e daí a São Bento do Sapucaí.
                                   Logo após a bifurcação, no ramo esquerdo
há uma capelinha do lado direito. Sentei ali para um lanche, pois já eram 12:30. O tempo estava bem mais fechado que de manhã e já havia garoado um pouco. Enquanto lanchava, decidi abortar a travessia. A estrada que desce para o Serrano, me levaria em pouco tempo para São Bento, pois o Serrano dista apenas cerca de 6 km da cidade, por estrada plana e asfaltada.
                                   A travessia para Monte Verde, seguiria
passando pela Fazenda Campestre, em seguida passando pela saída à esquerda para a Pedra Bonita, e seguindo em frente, ao fim de mais uma hora ou hora e meia, chega a uma casa isolada. Seguindo em frente a estrada se converte numa trilha por onde subiria até o alto da Pedra do Jair. Dali por falta de trilha na direção requerida, pontilhada de íngremes cristas coberta de densa
mata,  desceria por trilha até a casa do finado Jair e daí por estradinha até o bairro do Juncal, prosseguindo pela estrada, numa bifurcação 4 km depois, tomaria a esquerda, apesar da placa indicando Monte Verde à direita, seguindo por mais alguns quilômetros, até encontrar uma porteira à direita, com uma porteira pequena ao lado, por onde seguiria através do reflorestamento até os fundos da fazenda  Sobradinho, depois por estradinha mais 4 km e ao final reentrando no reflorestamento da fazenda Klablin até
emergir no bairro Operário, já em Monte Verde, mas isso fica para uma próxima vez, com tempo melhor.
                                  As invés disso, tomei a estrada para  o Serrano, subindo até um selado e depois descendo rapidamente, eventualmente com vista do vale e de São Bento do Sapucaí, do lado direito. Na metade da descida parei uns 10 minutos numa capela à direita. Cerca de 6 km após o Kalevala, desemboquei no asfalto, tomando-o para a direita. Ao fundo podia ver as nuvens cobrindo as cristas ao redor, por onde teria passado e talvez acampado. Mais uns 6 km e estava em São Bento, no caminho caiu chuva parte
do percusso, como a justificar a minha desistência.
                                  Às 16:00 cheguei a rodoviária e peguei um
ônibus para São José às 16:15. Em São José a conexão foi quase instantânea , e  às 20:00 desembarcava em São Paulo.
                                  Um belo trajeto com visual serrano, trechos de mata e clima de montanha, que pretendo retomar numa próxima
ocasião, com o tempo mais seco.