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Percorrendo a EF Sapucaí

 Em mais uma excursão histórico-ferroviária, resolvi aproveitar o último
fim de semana para  percorrer parte do trajeto da antiga E.F. Sapucaí, entre
Itajuba e Carmo de Minas, com o intuito de fotografar seus remanescentes e
em particular três antigas estações, se é que ainda havia restado alguma
coisa delas.
    Construida no final do século XIX,a Antiga Estrada de Ferro Sapucaí teve
seu primeiro trecho, de Soledade de Minas até Itajubá, inaugurado em 1891,
atingindo posteriormente a fronteira SP-MG na localidade de Sapucaí. A
ferrovia deixou de operar no final da década de 70, tendo seus trilhos sido
arrancados em 1990. Na atualidade, restam, além das lembranças na memória de
quem a conheceu, pouco mais que as estações nas principais localidades, em
diferentes graus de conservação. Porém ainda é possível percorrer partes do
seu antigo trajeto, algumas das quais se tornaram estradinhas, enquanto
outras, abandonadas, estão cobertas pelo mato.

     Procurando a estação Pedreira

     Partindo sábado em direção a Maria da Fé, lá cheguei pelas 11:30.
Passando pelo centro, vemos a estação local,à esquerda, em bom estado de
conservação, e seguindo em frente, ao final da cidade, junto a um conjunto
de armazens, tomamos uma rua a esquerda, em diagonal, mais um pouco e a
cidade acaba. Uma pequena subida e logo começamos a descer, logo a frente
encontramos uma bifurcação. Tomando à direita, entramos nesse momento no
antigo leito da ferrovia. Seguindo por ele, passamos por profundos cortes e
em um ou dois pontos, por trechos bastante enlameados. Ao final de 7 kms já
podemos visualizar o bairro do Pedrão e em mais um pouco alcançamos o antiga
estação do Pedrão, atualmente servindo de moradia e depósito. A partir daí a
estradinha se torna visivelmente menos percorrida. Prossegui em busca da
estação de Pedreira, que devia ficar a pouco mais de 5 kms adiante. Após
percorre quase isso, a estradinha fica intransitável. Parei o carro e segui
a pé. A antiga linha segue bordejando a encosta e dando bonitas vistas do
vale abaixo, do outro lado do vale vê-se o bairro São João. Em dois
pontos,vossorocas ameaçam engoli totalemente o antigo leito.  Percorri uns 6
km, até que o caminho atinge a baixada e volta a se tornar uma estrada, até
bem batida, mais a frente cruza-se o rio Lourenço Velho por uma antiga ponte
metálica da ferrovia. Mas nada de encontrar algum sinal da estação Pedreira.
Certamente já foi demolida há tempos. Voltei ao carro e com este até Maria
da Fé.
    O trecho todo, de Maria da Fé a Itajubá, daria um bom passeio de bike,
já que não há grandes obstáculos, embora seja um pouco curto ( 27 km ).

     Em busca da estação do Anil.

     Em Maria da Fé, voltei até a entrada da cidade e tomei a estrada para
Cristina. A estrada está muito mal conservada, apresentado muitos buracos.
No começo pode-se perceber que a linha corria paralela, à esquerda da
estrada de rodagem, mas 1 ou 2 km à frente, já não conseguia mais ver
qualquer indício da ferrovia. Prossegui até o alto da serra, e antes de
começar a desce-la, tomei uma estradinha à esquerda. Parei o carro ali mesmo
e segui a pé. Logo no início há uma bifurcação, é óbvio que o caminho da
direita é o antigo leito da ferrovia. Segui por ele, passando por cortes e
trechos de meia-encosta com vista do vale e da estrada de rodagem abaixo.
Não precisei andar mais de 40 minutos para encontrar os remanescentes da
estação do Anil, primeiro a indefectível caixa d’água e, logo após, a antiga
plataforma, só que no lugar do prédio, uma construção moderna, feita com
vigas de concreto e tijolos baianos. Parece que a construção serve como
depósito de fazenda. Achei interessante a utilização de trilhos para
suportar o telhado.
     Segui ainda por mais uns 10 minutos a frente, onde após passar por um
sítio e cruzar uma porteira, o trecho de estradinha acaba e começa o trecho
de trilha. No ano passado já percorri, à pé, o trecho todo, entre Maria da
Fé e Cristina, mas não achei o passeio muito interessante, primeiro pelo
trecho  de 5 ou 6 km onde se é obrigado a seguir pelo asfalto e em segundo
pelo trecho próximo a Cristina onde uma depressão junto a antiga linha foi
transformada no lixão local.
     Voltei então para Maria da Fé onde me hospedei no hotel Dona Marta,
dando por encerrado o dia.

     A estação do Ribeiro ainda estará de pé ??

     No dia seguinte, segui para Cristina, a fim de pesquisar o trecho entre
Cristina e Carmo de Minas e tentar localizar a estação do Ribeiro. A estrada
entre Maria da Fé e Cristina está em péssimo estado de conservação, havendo
um trecho em que o asfalto simplesmente sumiu !! Após chacoalhar até
Cristina, passando por inúmeros buracos, passei ao lado da antiga estação,
agora servindo de rodoviária, e segui em frente, acompanhado o leito da
ferrovia, agora convertido em estradinha.
     Quase 4 km a frente uma placa de trânsito impedido me causa estranheza.
Segui mais um pouco e encontrei o motivo da placa. A erosão havia levado
quase todo leito da estrada !! Parei o carro e segui à pé. Logo após
encontrei do lado direito as ruinas de antigas casas da turma de manutenção
da linha. Mais um pouco a frente e percebo que a linha segui por dentro do
que é agora um sítio,com porteira trancada. Após encetar esforços para
contornar o trecho, passando por outras propriedades, percebo que nos fundos
do sítio, há uma antiga ponte metálica, cruzando o riacho que corre pelo
fundo do vale que até então percorriamos. Logo acima há uma bonita cachoeira.
     Após a ponte, o mato cresce alto, e não consigo encontrar a continuação
do leito da linha. Presumo que ela siga em linha reta, e após voltar um
pouco e pegar uma estradinha à direita, passando por outras propriedades e
pulando duas porteiras, alcanço o ponto onde presumi que a linha continuava,
porém, bastou andar mais um pouco para ver que havia algo errado. Entrava
então em um vale lateral, com morros ingremes em toda volta. Não havia
desenvolvimento para o trem subir aquilo. Começei a elaborar a hipótese
maluca de que devia haver um túnel em algum lugar ali ! e de que ele havia
desabado, soterrando sua entrada ! Coisa de maluco mesmo, uma estrada
econômica como a Sapucaí não devia ter nenhum túnel na linha toda, de
Sapucaí até Santa de Rita de Jacutinga. Começava a ficar tarde, e como não
conseguia achar a continuação por aí e queria encontrar a estação do
Ribeiro. Resolvi ir para Carmo e tentar percorrer a linha no sentido
inverso, inclusive porque a distância era menor.
     Enquanto voltava para o carro, encontrei um morador local, o qual
interpelado por mim, explicou-me que aquele local era conhecido por “curva
da ferradura”, porque ali a linha dava uma volta de quase 180 graus,
voltando pelo outro lado do vale. Assim que ele me apontou o antigo leito na
encosta do outro lado do vale, vi que tinha procurado em todo lugar, menos
onde ela realmente estava. Realmente naquele local, o terreno estava muito
mexido pelas diversas pequenas propriedades que ocupavam a área, obliterando
completamente aquele trecho do leito. Mesmo assim resolvi voltar ao carro e
seguir para Carmo, já que não sabia o que encontraria se seguisse pelo leito.
     Em Carmo, passando pela estação local, que fica à esquerda da estrada
Cristina-São Lourenço, segui pelo antigo leito, o qual serve de estradinha
nesse primeito trecho. Mas a frente, bastante ocluido pelo mato, segui por
uma trilha na encosta à direita. Após passar por duas cercas e algumas
casas, voltei ao leito, agora com mato baixo. Segui por um bom pedaço pelo
leito, as vezes com pasto mais alto, as vezes mais baixo, até atingir uma
ponte metálica perdida no meio do mato. Nesse ponto segui pela trilha à
direita, cruzando um riacho por uma ponte de madeira e saindo num conjunto
de casas da fazenda São Gabriel. Passei por varias porteiras até sair na
estradinha de acesso da fazenda. Voltei por ela até quase o asfalto,cruzando
um pouco antes o antigo leito. Do lado esquerdo ( lado da ponte ) totalmente
ocluído pelo mato, do lado direito, passei por uma porteira de arame e segui
por pasto baixo. Após outra porteira de arame, o pasto se torna mais alto e
mais a frente bate quase na cintura. O mato crescido tornou difícil a
caminhada, e a hora adiantada me fizeram encerrar a excursão. Subi uma
encosta à esquerda, também com mato alto, até atingir o asfalto mais acima,
neste trecho a linha corria paralela ao asfalto. Voltei a cidade pelo
asfalto.
      Ao chegar ao carro resolvi voltar ao final do trecho percorrido e
seguir mais um pouco pelo asfalto para ver se encontrava alguma coisa. Não
preciso rodar mais 600 ou 700 m do final da caminhada para achar uma
porteira de arame à direita da estrada, e passando por ela e andando alguns
metros à direita, encontrar outra ponte metálica perdida no meio do mato.
Seguindo à esquerda, por um trecho aberto, cheguei a um ponto, onde não
consegui encontrar a continuação da linha. Encerrei ai minha prospecção, não
encontrando a estação do Ribeiro, mas sem saber se cheguei a passar pelo
trecho onde ela estaria. Vou ter que voltar e pesquisar o resto do trecho
para ter certeza.

travessia Cristina-Carmo de Minas

          A idéia era seguir o antigo traçado da linha férrea, já erradicada há quase 20 anos, entre as pequenas cidades mineiras de Cristina e Carmo de Minas. Entre elas havia a estação do Ribeiro que pretendia localizar e se ainda houvesse algo em pé, fotografar.

          Chegando a Cristina, parei o carro numa pracinha ao lago da antiga estação de Cristina, hoje convertida em rodoviária, e iniciei a caminhada pontualmente às 10:00. O trecho inicial, convertido em rua segue margeando um riacho à esquerda, logo saindo da cidadezinha. A caminhada prossegue agora por uma estradinha de terra que ocupou o antigo leito da ferrovia. Logo passamos por cortes na encostas e mais a frente sobre um riacho, onde a antiga ponte ou bueiro parece ter sido substituído, pois há um desnível no leito da estrada. Após o riacho passamos por duas casas abandonadas e rodeadas pelo mato, à direita, que aparentemente deviam ser da turma de manutenção da via permanente. Numa curva à direita mais adiante temos uma bifurcação onde o ramo da esquerda, conforme uma placa indica, deve dar acesso ao asfalto que leva de Cristina a São Lourenço, passando por Carmo de Minas. Seguimos pela direita acompanhando o traçado da ferrovia. O vale se alarga à esquerda e logo avistamos o asfalto do lado oposto. Andando mais um pouco chegamos a nova bifurcação onde percebemos que o antigo leito seguida para a direita.

          Nesse trecho abandonei o traçado da linha férrea porque já sabia que seguindo pela direita, teria de passar por várias propriedades, e pular várias cercas, apenas para chegar a ponte em curva no fundo desse vale, onde a linha cruzava o riacho a nossa esquerda e depois voltava pelo lado oposto do vale, descrevendo uma ferradura, apenas para conseguir cruzar a baixada e continuar galgando a serrinha do outro lado. Tomei então a estradinha à esquerda, que desce um pouco, cruza o riacho por uma ponte de alvenaria e sobe ligeiramente do outro lado, passando por uma casa a esquerda. Cruzando a porteira de madeira a frente, chegamos novamente ao leito ferroviário, nesse ponto totalmente obliterado. Aliás, a região ainda é conhecida pelos locais mais antigos como curva da ferradura. Tomando a esquerda pelo pasto e tentando não assustar as vacas que pastavam no local, logo cruzamos uma porteira de arame e continuamos bordejando a encosta de pasto, seguindo pelos trilhos de vaca. Podemos então avistar a estradinha por onde viemos à esquerda, do lado oposto do vale. Cruzamos novas cercas e passamos por mais um corte na encosta, lentamente mudando de direção de Oeste para Norte e subindo tão suavemente que nem sentimos.

       Após um trecho de pasto mais alto, passamos por uma casa a esquerda e acabamos desembocando em nova estrada de terra. Nesse trecho o leito foi também convertido em estrada vicinal. Continuando pela estrada, agora sombreada pelos eucaliptos segue-se um trecho tranqüilo até que a estrada curva-se para a direita, nitidamente abandonando o antigo leito ferroviário. O jeito é pular a cerca a esquerda e continuar pelo leito, agora tomado por pasto alto, mas alguns sulcos de vaca facilitam o caminhar. Mais algumas cercas são cruzadas, e um primeiro bambuzal também é cruzado sem muita dificuldade.

       A caminhada prossegue pelo pasto até que nos aproximamos de um segundo bambuzal, mais cerrado, antecedido por alguns metros de grandes touceiras de capim gordura. Avançamos sem enxergar direito onde pisamos até chegar ao bambuzal, o qual não é tão cerrado quanto parecia, sendo facilmente atravessado. Quase ao final passamos por um riacho, onde observamos os restos de um pontilhão, somente os encontros de alvenaria. Pulamos mais uma cerca e seguimos margeando o arame a esquerda, onde há uma quase trilha através do pasto crescido. À frente já avistamos a ponte por onde a estrada de rodagem cruzava sobre a ferrovia.

       Chegando próximo a ponte o pasto abaixa tornando a caminhada mais fácil. Passamos então sob a rodovia passando então pelo ponto mais alto do traçado, onde inclusive é a divisa entre os municípios de Cristina e Carmo de Minas. Agora a linha seguia na direção noroeste, descrevendo longo arco para a direita, de modo a ter desenvolvimento para descer suavemente o desnível à frente. O caminho continua fácil, por pasto baixo e trilhado. Mais à frente quando começamos a virar para a direita, pulamos uma cerca e contornamos uma crescente voçoroca que já levou a maior parte do leito da linha.

       Passamos então a andar na direção leste, mais ou menos paralelos ao asfalto, mais bem afastados dele, e separados por fundo vale. Seguindo em frente chegamos a um trecho onde a mata tomou totalmente o leito, mas há uma tênue trilha que ziguezagueia pela mata e por onde prosseguimos sem muita dificuldade até voltarmos a emergir no aberto. Cruzamos um novo riacho e mais à frente passamos por algumas casas a direita e mais abaixo na encosta, de onde estridentes cachorros nos saúdam. Diversas cercas são atravessadas até que avistamos a antiga estação do Ribeiro, ao lado de uma casa e de um curral. O asfalto é visível a pouca distância, à direita, e um pouco mais abaixo. O prédio ainda está de pé e em razoável estado de conservação. A porta fechada por corrente com cadeado. Parece ser utilizada como galpão, mais olhei por uma janela entreaberta e vi que o interior estava vazio. No entorno da estação o mato estava bem crescido, mais seguindo em frente logo apareceu uma trilha e o caminhar tornou-se mais fácil novamente. O vale a direita vai se estreitando e percebemos que vamos nos aproximando cada vez mais do asfalto, só que no meio o vale se aprofunda, com o riacho engastado entre íngremes e quase verticais barrancas. A mata fechada domina esse trecho. O caminho vai ficando mais fechado, logo se reduzindo a uma estreita e tortuosa trilha em meio à mata. Cruzando um riacho por uma frágil pinguela, onde observamos novamente restos de um pontilhão. Parece que a trilha vai sumir a qualquer momento, até que subitamente desembocamos em um trecho aberto. A esquerda uma curta e íngreme descida dá acesso ao asfalto. O rumorejante riacho que acompanhávamos à direita passou para o lado oposto do asfalto. Seguimos por esse trecho fácil até chegarmos a uma porteira de arame do lado direito, junto ao asfalto. O caminho, agora convertido em estradinha quebra para a esquerda.

         Obviamente percebe-se que a linha devia seguir em frente, mais o mato tomou totalmente o leito. Seguimos pela estradinha à esquerda e logo chegamos a margem do riacho, o mesmo que seguíamos antes. Dali podemos ver a ponte metálica pela qual o trem o cruzava. As pontes desse ramal são todas do mesmo modelo, não tem um tabuleiro fácil de caminhar, são compostas de duas vigas longitudinais ligadas por uma treliça, sobre as vigas eram fixadas as pontas dos dormentes e sobre eles os trilhos. Como os trilhos e dormentes se foram, se quiser cruza-las tem-se que passar equilibrando-se sobre as vigas de uns 25 centímetros de largura. Francamente não tínhamos intenção e de mos exercitar na acrobacia. Portanto voltamos até a porteira de arame, cruzamo-la e tomando o asfalto para a esquerda. Logo à frente numa entrada tivemos nova visão da ponte, e pudemos ver que a vegetação crescia até sobre ela! Logo à frente em nova entrada, pulamos uma cerca e voltamos ao leito, nesse trecho novamente tomado pelo pasto alto.

         Seguimos então pelo pasto, mais logo notamos uma trilha limpa junto à cerca direita e a tomamos, aumentando a velocidade de progressão. Mais à frente a cerca se afasta do leito e a abandonamos, voltando ao pasto. À frente vemos então um bosque de eucaliptos, chegando lá pulamos outra cerca e o pasto fica mais transitável. Alcançada nova cerca, temos uma estradinha de acesso a uma fazenda. O riacho se aproxima novamente, agora a nossa esquerda. À frente o pasto está muito crescido, seguimos por ele até chegar a nova ponte metálica, mais ou menos do tamanho da outra. Novamente renunciamos ao prazer de cruza-la equilibrando-nos pelas vigas e voltamos até a estradinha.

         Tomando a estradinha para direita, cruzamos o riacho por curta ponte e chegamos a fazenda. Cruzamos os currais passando por três porteiras, as duas primeiras estavam abertas e a última fechada apenas por uma correntinha. Não vimos ninguém para pedir permissão mais o percurso deve ser usual pelos locais. Do outro lado cruzamos um riachinho por uma ponte e tomamos uma estradinha para a direita. Num instante tomamos uma trilha que saia a direita e chegamos a margem do riacho bem próximo à cabeceira da ponte ferroviária. Retomamos a trilha pelo leito e seguimos sem problemas passando por mais algumas cercas e casas. Mais à frente chegamos a um trecho encharcado que nos obrigou a abandonar o leito e tomar uma estradinha à esquerda que dava uma volta e passava por algumas casas. Assim que passamos o banhado voltamos ao leito ferroviário.

         Continuamos se maiores problemas por trecho onde a ferrovia seguia deixando o riacho à direita, com sua larga várzea nos separando do asfalto ainda mais à direita. Mais à frente uma flagrante de crime ambiental, um grupo derrubava a machadas uma árvore da mata ciliar. Não falamos nada, cumprimentamos as pessoas e seguimos em frente, não estávamos interessados em encrencas. Enfim o leito se converte em precária estradinha e por ela acabamos chegando ao perímetro urbano de Carmo de Minas. Desembocando na antiga estação, também convertida em rodoviária. Na parede ainda vemos a data da inauguração: 1891. O prédio parece ter sido recentemente pintado. A rodoviária estava fechada e não encontramos ninguém para nos confirmar o horário de volta a Cristina. Eram 15:50.

       Afinal confirmamos que o ônibus que vinha de São Lourenço e seguia para Itajubá, passando por Cristina passava pelas 17:30. Mais ou menos no horário o ônibus chegou e seguimos para Cristina, chegando de volta ao carro já noite feita. Enfim um passeio agradável de cerca de 23 KM feitos em quase 6 horas, praticamente sem pausas, sem maiores dificuldades que algum pasto alto, percorrendo um pedaço da história ferroviária de nosso país, história pouco conhecida e menos ainda contada.