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Travessia Chapada das Perdizes

Travessia da Chapada das Perdizes

Num país tão grande como o Brasil é incrível que a maioria dos trilheiros contentem-se em repetir, ano após ano, sempre as mesmas trilhas clássicas, muitas já demasiado batidas,  enquanto tantas opções pouco conhecidas continuam virtualmente virgens a espera de quem se aventure a percorre-las. A travessia da Chapada das Perdizes é uma dessas últimas, percorrendo a crista das serras que contornam Carrancas, ao norte e leste, e depois passando pela Chapada das Perdizes propriamente dita, descendo, ao final, até Minduri..

Decidido a percorre-la, e não encontrando quem se dispusesse a acompanhar-me, parti na última quinta, à noite, rumo a Itutinga, no ônibus das 21:30, da Gardênia. O horário das 22:30 seria até preferível, mas não havia mais lugar.

Após a primeira parada em Lavras e a segunda num lugarejo chamado Macuco,de que nunca tinha ouvido falar, desci na terceira parada, em Itutinga, na esquina logo após o trevo da cidade. E bom avisar o motorista que você vai descer lá, pois se nenhum outro morador for descer também é bem capaz de você passar batido pela cidadezinha, a qual consiste em algumas poucas ruas em torno da tradicional pracinha em frente à igreja.

Cheguei lá pelas 5:00, provavelmente bem mais tarde do que num fim de semana normal, devido ao congestionamento no começo da Dutra até a saída para a Fernão Dias, de qualquer forma pegando o ônibus das 22:30 deve-se chegar lá por essa hora mesmo.

Sem nada para fazer até o dia clarear circulei pelas poucas ruas, e localizei a saída para Carrancas direção  para onde seguiria. Sem ter certeza quanto ao horário do ônibus para Carrancas, de cada  um para quem perguntei obtive uma resposta diferente, e resolvido a ganhar tempo, postei-me a saída da cidade e tentei conseguir uma carona. Sem sucesso. Pelas 8:20, chegou o ônibus de Lavras para Carrancas. Tomei-o (preço R$ 4,60 ) e em meia hora percorri os 20 km até o alto da serra, logo após as placas da divisa Itutinga-Carrancas e do km 20, junto a placa da pousada Mahayana, desci do ônibus.

  1. Dia de caminhada

Eram quase 9:00, tomei então a estradinha à esquerda ( Leste ) e segui-a, tendo quase sempre visão da baixada ao norte, onde desponta os braços da represa de Camargo. Nas bifurcações tomei sempre À esquerda, os ramos direitos dão acesso a duas pousadas. Quando se abre uma visão à direita, vemos lá embaixo a cidade de Carrancas.

Aos 25 minutos de caminhada, uma porteira trancada me obrigou a pula-la. Mais à frente, quando um duplo sulco sai à esquerda, tomo-o e sigo tendo visões da baixada ao norte. O sulco duplo acaba virando único e, cada vez mais apagado, acaba voltando a encontrar, aos 50 minutos de caminhada, a estradinha de onde saímos. Na seqüência, atravessei uma matinha, onde uma nova porteira, esta aberta, é cruzada. Saindo novamente no aberto, após uma descida, na subida peguei a direita na primeira bifurcação e depois a  esquerda na segunda, mantendo o rumo leste, sobre a crista.

Após uma descida, cruzei um mata-burro e desemboquei numa nova estradinha que vem de Carrancas em direção a Capela do Saco, sendo considerada parte da estrada real, de fato à direita há um marco de concreto da estrada real. Tomei então à esquerda, e segui por cerca de 1 km, desprezando uma primeira saída à direita e quando a estrada cruza uma matinha, junto a um novo marco da estrada real, parei para um lanche e uns goles d´ água.  Tomei então, o trilho à direita, subindo um pouco e então descendo pelo pasto, já avistando a trilha na encosta oposta.

Após passar por uma cerca e cruzar um riacho ( Primeira água no caminho ) subimos a encosta por um trilho erodido, passamos por outra porteira, cruzando um matinha. Assim que acaba a mata à direita, abandonamos a trilha por onde vinha, tomei o primeiro trilho saindo à direita ( Sudeste ).

Seguindo então nesse rumo, passei então por uma porteira no meio de um cinturão de mata, subi a um alto rochoso, desci e no nova subida passei  por uma árvore entre três pedras, mais uma pausa à sombra e alguns goles d´ água, nessa altura já passava do meio-dia e o sol estava de rachar.

Continuando a caminhada, após atingir o alto do próximo morro, o trilho desemboca em um carreiro mais largo,o qual tomei para a direita,  passando por uma mureta de pedras e depois de uma descida de 15 minutos, alcançamos uma segunda mureta.

Neste ponto antes de passar a mureta, descendo por uma trilhazinha, chega-se em um minuto a um carreiro mais largo, fechado à esquerda por uma porteira de arame. Tomando-o então para a direita, em pouco tempo ele acaba numa matinha. Mais abaixo, à esquerda, temos uma grota por onde deve descer um riachinho. Desci um pouco, mas como a mata estava muito fechada e eu, preocupado com a falta de água, comecei a caminhada com 4 litros de água e ainda contando neste momento com 3,5, desisti de descer até lá, mas cheguei a ouvir o barulho de água. Mais fica a lição, quem quiser começar com menos água, pode se abastecer neste ponto, que acredito, não deve secar nunca, de qualquer formar, não recomendo iniciar a caminhada com mais 3 litros, que já devem ser o  bastante.

Voltando a caminho, depois de  alguns sobes e desces e  na seqüência de uma subida maior, passei por baixo de uma linha de força e comecei então a descer em direção da estrada que liga Carrancas com São Vicente de Minas. Na descida passa-se por várias casinhas que abrigaram, e pelo menos uma ainda abriga, repetidoras com suas antenas. Na sombra dessa última, parei para uma descanso, alguns goles d´água e um lanche.

Pelas 14:30, já com 5 horas e meia desde o começo da caminhada, cruzei a estrada, bem no seu ponto mais alto. Do outro lado, subi um degrau no barranco e passei por uma brecha na cerca. Subindo sem trilha pelo pasto baixo. Mais acima, encontra-se uma trilha cruzando na diagonal da direita para a esquerda. Seguindo por ela, alcançei o canto entre duas linhas de árvores, cruzei por elas e segui contornando o próximo morrote. Subi-lo também deve ser uma boa pedida, já que a face leste do mesmo, pude ver mais tarde, é quase vertical, dando uma bonita visão do leste e dos braços da represa dos Camargos mais além.

De qualquer forma contornei a meia altura o morro, seguindo um trilho pelo pasto. No selado a frente, passei por uma cerca caída e segui para a direita,  passando por baixo de outra cerca e , subi o morro  pelo pasto, sem trilha, escalaminhando por alguns degraus rochosos. No topo, voltei ao rumo sul, passei por baixo de outra cerca e segui rumo a uma trilha que avistei mais abaixo.

Subi então pela trilha até o alto do próximo morro,  passei por um mureta com a sua cerca e subindo ao topo do próximo morro cheguei a um ponto que deve ser o melhor para acampar em toda caminhada, com visão 360 graus, Carrancas à direita lá em baixo, outras cidadezinhas a esquerda, e toda a crista por onde vínhamos para trás e a frente o trecho que por onde ainda passaríamos. Mas ainda era só 16:00, muito cedo para parar, então resolvi prosseguir mais um pouco.

Descendo no rumo sul, vemos que um cinturão de mata obsta toda a nossa frente. Comecei a procurar uma passagem para a esquerda e realmente achei uma trilha que bordejava as primeiras árvores e depois entrava na mata. Na mata os trilhos se entrecruzavam, segui sempre pelo mais aberto, tentando não desviar muito para a direita. O trecho é pouco chato, e acabei com diversos cortes feitos pelo bambuzinhos, mais em 15 minutos emergimos no aberto novamente e subi até o alto do próximo morro, descendo novamente pela trilha e passando por um novo e curto cinturão de mato. No alto do novo morro, passamos entre afloramentos rochosos e ao cruzar uma cerca, sendo já 17:00, resolvi parar por ai mesmo, o visual era aberto a leste e para oeste era só passar por entre alguns blocos para enxergarmos o horizonte. Armei a barraca, comi alguma coisa e fiquei sobre um dos blocos rochoso admirando o por-do-sol. Após mais algum tempo de observando do céu noturno e saboreando a sobremesa, e ainda antes das 19:00, entrei dentro do saco-de-dormir e mergulhei no mundo dos sonhos.

  1. Dia de caminhada

Acordei as 5:50, pouco antes do nascer do sol, e ainda pude admira-lo. A noite foi amena, mas a manhã ainda estava um pouco fria e com vento. Voltei a barraca para o café da manhã, mas pelas 7:15, já tinha tudo guardado e a mochila às costas e prossegui deixando para trás o labirinto de blocos rochosos junto aos quais acampara. Seguindo então no rumo  sul-sudeste, em pouco tempo encontramos um abismo a frente. Tomamos então a direita, descendo , passamos entre duas matinhas e depois de cruzar mais um campinho em direção a um cercado de arame que já vemos de longe. Passamos então pela porteira logo atrás do cercado, entrando na mata e descendo por canaletas erodidas até o fundo de um selado, subindo depois do outro lado. Quando a trilha bifurca na subida, tomei a esquerda e prossegui até sair no aberto. Continuei subindo até acercarme de uma mata a frente. Cruzando então a trilha que corre da direita para a esquerda. Tomei-a para a esquerda, bordejando a morro a frente. À esquerda temos a vista da brecha que contornamos e depois, mais atrás, de toda a crista percorrida  de norte a sul. Também vemos as baixadas a leste e a represa ao longe.

Quando alcançamos um cocho de pneu, junto a uma árvore isolada à esquerda. Abandonei a trilha e tomei o rumo sul pelo pasto, sem trilha, descendo o morro em direção ao cinturão de árvores abaixo. Do alto procurei o trecho mais estreito para atravessa-lo. Hesitei entre dois pontos um à esquerda e outro ligeiramente à direita. Descendo a encosta passamos por trilhas transversais que não levam a nada, ignorei-as. No fundo tentei primeiro à esquerda, onde vislumbrei um trilho, mais o trilho segue para a esquerda sem cruzar a mata, tentei força passagem nesse ponto, mais ali a mata era muito emaranhada, não avancei nem 2 metros antes de ficar todo enrolado. Voltei e tentei o outro ponto à direita, onde a mata parecia mais estreita, com um a língua de pasto do outro lado. Não há trilha, é preciso forçar passagem no peito. Nas primeiras dezenas de metros foi mais difícil, depois a mata ficou mais aberta e em pouco tempo alcancei um degrau, junto ao riacho que passa no centro, desviando alguns metros para a esquerda, consegui saltar até junto d’água. Eram 9:00 e parei para pegar um pouco d’água e um lanche. Ali percebi como tinha me excedido ao levar 4 litros porque ainda tinha 1,5 litros e já tinha onde reabastecer. Após essa parada, subi o degrau do outro lado do riacho e cortei o restante da mata, desviando-me de um bloco rochoso. Quando sai no aberto, continuei subindo o pasto, sem trilha, no rumo sudeste até o ponto mais alto.

No alto, passando ao lado de um curral, subi mais um pouco, passei por outra porteira, essa de metal, avistando uma estrada na direção sul-sudoeste. Desci pelo trilho na direção sudeste, rumo a mesma estrada, só que daqui ainda não a vemos, mas em minutos estamos nela e cruzando-a tranversalmente, no rumo de uma trilha na encosta a frente, segui por um trecho sem trilha até alcançar essa trilha que sobe a encosta até o alto e então some. Seguindo mais um pouco pelo pasto no mesmo rumo, alcançamos outra estrada que sobe da esquerda.

A chegar a estradinha, tomei-a para a direita, subindo, passando por uma matinha e após mais alguns sobes e desces, eventualmente com vista da crista percorrida, seguimos em direção a paredão, passamos por uma porteira, com placa “entrada proibida” ( por sorte estava saindo ! ) e subitamente encontrei uma casa ocre, recentemente construída, e belamente adornada e mobiliada. Não havia ninguém nela. Pode-se pegar água ali também, já que há mais de uma torneira do lado de fora e até um chuveiro ! Logo a frente na bifurcação tomei a direita, em minutos pulei uma porteira trancada  e, 10 minutos depois da casa, quando a estrada toma rumo norte, se afastando dos paredões, abandono a estrada e procuro uma trilha à esquerda, beirando as paredes. A trilha foi feita para passagem de uma mangueira preta, seguindo-a, em 5 minutos avistamos uma cachoeira caindo no despenhadeiro à direita em seguida alcançando o riacho que a forma, cruzando-o e subindo alguns metros de encosta, saímos num final de estradinha.

Tomei então essa estradinha para a direita ( a esquerda não dá em nada ) e na bifurcação a frente tomei à esquerda e na próxima a direita. A estradinha passa entre plantações de uma planta com caule e folhas vermelhas ( qual espécie ? ). Mais a frente  a estradinha vira um trilho entre a plantação, mais ao longe avisto uma estrada mais batida na encosta, sigo para lá. Tomei esta estrada para a esquerda e logo passo por uma  porteira, de novo com a popular placa  “entrada proibida” , seguindo até uma bifurcação na borda da chapada, de onde já avistamos a cidade de Minduri lá embaixo e ao longe,o pico do Papagaio com suas inconfundíveis 3 corcovas. Tomei então para a direita, seguindo no rumo oeste por 2 km, até passarmos por uma porteira e começando então a íngrime descida.

Era 12:30 e o sol forte não dava trégua. A estrada agora é batida, descendo aos zigue-zagues, passando por diversas  porteiras até alcançar a primeira fazenda, junto ao vale do ribeirão da Prata. Passei então por mais algumas fazendolas e cruzando o dito ribeirão, passamos pelo recanto do Vorney, com sua cachoeira, atração turística local. Após isso a trilha sobe até uma crista de onde temos nova vista da cidade, agora mais perto. Voltamos então a descer. Ao cruzar mais um riacho, temos mais uma subida impertinente e então descemos o trecho final, passando pela estação de tratamento de água da COPASA, cruzamos a linha de trem e tomando para a esquerda em minutos chegamos ao trevo na entrada da cidade. Mais alguns minutos e chegamos ao centro da cidade. Como não há rodoviária, a passagem de volta pode ser comprada numa lojinha logo em frente ao banco do Brasil. O ônibus passa pelas 22:30 vindo de Andrelândia, podendo ser tomado no ponto coberto mais à frente, junto ao hotel Avenida.

No hotel, que também é restaurante e boteco, tomei  uma cocas geladas e por R$ 3,00 tomei também um banho. Como tinha chegado ali pelas 16:30 e ainda era 18:00, resolvi dar umas voltas pela cidade, não que tivesse muito que ver nela, mas mais a frente, na mesma rua principal por onde chegamos e que é também a estrada que vem de Cruzília e segue para Andrelândia, quase na saída para esta, encontrei outro restaurante ( da Célia ) que achei mais simpático, e onde acabei jantando. Banhado e jantado, não me restou outra opção além esperar até as 22:30 quando passaria o ônibus, e que aliás só passou as 22:40. A volta foi no mundo dos sonhos, só acordei no tiête às 6:30 do domingo, ainda com o dia inteiro de folga.

Enfim, esta é uma caminhada que recomendo: deserta ( não vi ninguém até o meio da descida , nas primeira fazendas ), desconhecida, com largos visuais,sem lixo, sem os regulamentos tacanhos dos parques e nem tão seca quanto pensava que fosse, uma alternativa viável para um fim de semana, e até, se houver mais tempo, pode-se descer até Carrancas e visitar algumas de suas cachoeiras.

travessia Chapada das Perdizes

Num país tão grande como o Brasil é incrível que a maioria dos trilheiros
contentem-se em repetir, ano após ano, sempre as mesmas trilhas clássicas,
muitas já demasiado batidas,  enquanto tantas opções pouco conhecidas
continuam virtualmente virgens a espera de quem se aventure a percorre-las.
A travessia da Chapada das Perdizes é uma dessas últimas, percorrendo a
crista das serras que contornam Carrancas, ao norte e leste, e depois
passando pela Chapada das Perdizes propriamente dita, descendo, ao final,
até Minduri.. 
Voltei a percorre-la, acompanhado pelo Rafael.Pegamos o ônibus das 22:30, da Gârdenia, rumo a Itutinga.
Após a duas paradas na estrada, a primeira parada para descer passageiros, no caso nós,  foi em Itutinga. Descemso bem em frente ao posto de gasolina,junto a praça. E bom avisar o motorista que você vai descer lá, pois se nenhum outro morador for descer também é bem capaz de você passar batido pela cidadezinha, a qual consiste em algumas poucas ruas
em torno da tradicional pracinha em frente à igreja.
Cheguamos lá pelas 4:30, e sem nada para fazer até o dia clarear deitamos junto a uma entrada de carro numa casa a esquerda da praça e cochilamos por uma hora e pouco.Sem ter certeza quanto ao horário do ônibus para Carrancas, de cada  um para quem
perguntei obtivemos uma resposta diferente, mas parece que o horário no sábado é pelas 11:30, o que nos atrasaria demasiado,  resolvemos a ganhar tempo tentando uma carona. Sem sucesso. Pelas 9:00 desistimos e partimos para o plano B, tomar um táxi, procuramos então pelo sr Hélio, que mora na segunda rua a esquerda da igreja, junto ao bazar da Michele. Rapidamente percorremos os 20 km até o alto da serra, logo após as placas da divisa Itutinga-Carrancas e do km 20, junto a placa da pousada Mahayana, desci do
ônibus. a corrida custou-nos R$ 40,00.

1. Dia de caminhada

Eram quase 10:00, tomamos então a estradinha à esquerda ( Leste ) e seguimo-la,
tendo quase sempre visão da baixada ao norte, onde desponta os braços da
represa de Camargo. Nas bifurcações tomamos sempre à esquerda, os ramos
direitos dão acesso a duas pousadas. Quando se abre uma visão à direita,
vemos lá embaixo a cidade de Carrancas.
Aos 25 minutos de caminhada, uma porteira trancada obrigou-nos a pula-la.
Mais à frente, quando um duplo sulco sai à esquerda, tomamo-lo e continuamos tendo
visões da baixada ao norte. O sulco duplo acaba virando único e, cada vez
mais apagado, acaba voltando a encontrar, aos 50 minutos de caminhada, a
estradinha de onde saímos. Na seqüência, atravessamos uma matinha, onde uma
nova porteira, esta aberta, é cruzada. Saindo novamente no aberto, após uma
descida, na subida peguamos a direita na primeira bifurcação e depois a  
esquerda na segunda, mantendo o rumo leste, sobre a crista.
Após uma descida, cruzamos um mata-burro e desembocamos numa nova estradinha
que vem de Carrancas em direção a Capela do Saco, sendo considerada parte da
estrada real, de fato à direita há um marco de concreto da estrada real.
Tomei então à esquerda, e seguimos por cerca de 1 km, desprezando uma primeira
saída à direita e quando a estrada cruza uma matinha, junto a um novo marco
da estrada real, paramos para um lanche e uns goles d´ água.  Tomamos então, o
trilho à direita, subindo um pouco e então descendo pelo pasto, já avistando
a trilha na encosta oposta.
Após passar por uma cerca e cruzar um riacho ( Primeira água no caminho )
subimos a encosta por um trilho erodido, passamos por outra porteira,
cruzando um matinha. Assim que acaba a mata à direita, abandonamos a trilha
por onde vinhamos, tomamos o primeiro trilho saindo à direita ( Sudeste ).
Seguindo então nesse rumo, passamos então por uma porteira no meio de um
cinturão de mata, subimos a um alto rochoso, descemos e no nova subida passamos  por
uma árvore entre três pedras, mais uma pausa à sombra e alguns goles d´
água, nessa altura já passava do meio-dia e o sol estava de rachar.
Continuando a caminhada, após atingir o alto do próximo morro, o trilho
desemboca em um carreiro mais largo,o qual tomamos para a direita,  passando
por uma mureta de pedras e depois de uma descida de 15 minutos, alcançamos
uma segunda mureta.
Neste ponto antes de passar a mureta, voltando uns 20 metros, à esquerda, encontra-se uma trilha para trás que desce uns 3 minutos até alcançar a borda de uma matinha, seguindo mais um pouco, a trilha cruza sobre umas lajes, onde deve corre um riacho quando chove. Descendo pelo rochoso, sobre o qual a galharia caída dificultava bastante a passagem, logo se encontra água minando de entre as rochas.  Comecei a caminhada com 3 litros e ainda mão precisava reabastecer-me, mais fica a lição, quem quiser começar com menos
água, pode se abastecer neste ponto, que acredito, não deve secar munca.
Voltando a caminho, depois de  alguns sobes e desces e  na seqüência de uma
subida maior, passamos por baixo de uma linha de força e começamos então a
descer em direção da estrada que liga Carrancas a São Vicente de Minas. Na
descida passa-se por várias casinhas que abrigaram, e pelo menos uma ainda
abriga, repetidoras com suas antenas. Na sombra dessa última, paramos para uma
descanso, alguns goles d´água e um lanche.
Pelas 16:30, já com 5 horas e meia desde o começo da caminhada, cruzamos a
estrada, bem no seu ponto mais alto. Do outro lado, subimos um degrau no
barranco e passando por uma brecha na cerca. Subindo sem trilha pelo pasto
baixo. Mais acima, encontra-se uma trilha cruzando na diagonal da direita
para a esquerda. Seguindo por ela, alcançando o canto entre duas linhas de
árvores, cruzamos por elas e seguimos contornando o próximo morrote. Subi-lo
também deve ser uma boa pedida, já que a face leste do mesmo, pudemos ver mais
tarde, é quase vertical, dando uma bonita visão do leste e dos braços da
represa dos Camargos mais além.
De qualquer forma contornamos a meia altura o morro, seguindo um trilho pelo
pasto. No selado a frente, passamos por uma cerca caída e seguimos para a
direita,  passando por baixo de outra cerca e , subimos o morro  pelo pasto,
sem trilha, escalaminhando por alguns degraus rochosos. No topo, voltamos ao
rumo sul, passamos por baixo de outra cerca e seguimos rumo a uma trilha que
avistamos mais abaixo.
Subimos então pela trilha até o alto do próximo morro,  passamos por um mureta
com a sua cerca e subindo ao topo do próximo morro cheguei a um ponto que
deve ser o melhor para acampar em toda caminhada, com visão 360 graus,
Carrancas à direita lá em baixo, outras cidadezinhas a esquerda, e toda a
crista por onde vínhamos para trás e a frente o trecho que por onde ainda
passaríamos. Mas ainda era só 17:30, muito cedo para parar, então resolvemos
prosseguir mais um pouco.
Descendo no rumo sul, vemos que um cinturão de mata obsta toda a nossa
frente. Procurarmos uma passagem para a esquerda e realmente achamos
uma trilha que bordejava as primeiras árvores e depois entrava na mata. Na
mata os trilhos se entrecruzavam, seguimos sempre pelo mais aberto, tentando
não desviar muito para a direita. O trecho é transposto em 15 minutos e então emergimos no
aberto novamente e subimos até o alto do próximo morro, descendo novamente pela
trilha e passando por um novo e curto cinturão de mato. No alto do novo
morro, passamos entre afloramentos rochosos e ao cruzar uma cerca, sendo já
19:00, resolvemos parar por ai mesmo, o visual era aberto a leste e para oeste
era só passar por entre alguns blocos para enxergarmos o horizonte. Armamos as
barracas, comemos alguma coisa e ficsmos sobre um dos blocos rochoso admirando o
por-do-sol. Após mais algum tempo de observando do céu noturno e saboreando
a sobremesa, e ainda antes das 20:00, entrei dentro do saco-de-dormir e
mergulhei no mundo dos sonhos.

2. Dia de caminhada

Acordei as 6:00, pouco antes do nascer do sol, mas otempo estava encoberto. A
noite foi amena, mas a manhã ainda estava um pouco fria e com vento. Voltei
a barraca para o café da manhã, mas pelas 8:00, já tinhamos tudo guardado e a
mochila às costas e prosseguimos deixando para trás o labirinto de blocos
rochosos junto aos quais acamparamos. Seguindo então no rumo  sul-sudeste, em
pouco tempo encontramos um abismo a frente. Tomamos então a direita,
descendo , passamos entre duas matinhas e depois de cruzar mais um campinho
em direção a um cercado de arame que já vemos de longe. Passamos então pela
porteira logo atrás do cercado, entrando na mata e descendo por canaletas
erodidas até o fundo de um selado, subindo depois do outro lado. Quando a
trilha bifurca na subida, tomamos a esquerda e prosseguimos até sair no aberto.
Continuamos subindo até acervar-nos de uma mata a frente. Cruzando então a
trilha que corre da direita para a esquerda. Tomamo-la para a esquerda,
bordejando a morro a frente. À esquerda temos a vista da brecha que
contornamos e depois, mais atrás, de toda a crista percorrida  de norte a
sul. Também vemos as baixadas a leste e a represa ao longe.
Quando alcançamos um cocho de pneu, junto a uma árvore isolada à esquerda.
Abandonamos a trilha e tomamos o rumo sul pelo pasto, sem trilha, descendo o
morro em direção ao cinturão de árvores abaixo. Do alto procurei o trecho
mais estreito para atravessa-lo. Hesitei entre dois pontos um à esquerda e
outro ligeiramente à direita. Descendo a encosta passamos por trilhas
transversais que não levam a nada, ignorei-as. No fundo tentei primeiro  o  ponto à direita, onde a mata parecia mais estreita, com um a língua de pasto do outro lado. Não há trilha, é preciso forçar passagem no peito. Nas primeiras dezenas de metros foi mais difícil, depois a mata ficou mais aberta e em pouco tempo alcançamos o riacho que passa
ao centro, descenmos até junto d’água. Eram 10:00 e paramos para pegar um pouco d’água e um lanche. Após essa parada, subimos o degrau do outro lado do riacho e cortando o restante da mata, desviando-me de um bloco rochoso. Quando saimos no aberto, continuamos subindo o pasto, sem trilha, no rumo sudeste até o ponto mais alto.
No alto, passando ao lado de um curral, subimos mais um pouco, passando por outra
porteira, essa de metal, avistando uma estrada na direção sul-sudoeste.
Descemos pelo trilho na direção sudeste, rumo a mesma estrada, só que daqui
ainda não a vemos, mas em minutos estamos nela e cruzando-a tranversalmente,
no rumo de uma trilha na encosta a frente, seguimos por um trecho sem trilha
até alcançar essa trilha que sobe a encosta até o alto e então some.
Seguindo mais um pouco pelo pasto no mesmo rumo, alcançamos outra estrada
que sobe da esquerda.
A chegar a estradinha, tomomo-la para a direita, subindo, passando por uma
matinha e após mais alguns sobes e desces, eventualmente com vista da crista
percorrida, seguimos em direção a um paredão, passamos por uma porteira, com
placa “entrada proibida” ( por sorte estavamos saindo ! ) e subitamente
encontramos uma casa amarela, recentemente construída, e belamente adornada e
mobiliada. Não havia ninguém nela. Pode-se pegar água ali também, já que há
mais de uma torneira do lado de fora e até um chuveiro ! Logo a frente na
bifurcação tomamos a direita, em minutos pulamos uma porteira trancada  e, 10
minutos depois da casa, quando a estrada toma rumo norte, se afastando dos
paredões, abandonamos a estrada e procuramos uma trilha à esquerda, beirando as
paredes. A trilha foi feita para passagem de uma mangueira azul, seguindo-
a, em 5 minutos avistamos uma cachoeira caindo no despenhadeiro à direita em
seguida alcançando o riacho que a forma, cruzando-o e subindo alguns metros
de encosta, saímos num final de estradinha.
Tomamos então essa estradinha para a direita ( a esquerda não dá em nada ) e
na bifurcação a frente tomamos à esquerda e na trifurcação a seguir,a esquerda. A estradinha
passa por um eucaliptal plantado a pouco mais de um ano e logo passa por outra  porteira, de novo com a popular placa  “entrada proibida” , seguindo então até uma bifurcação na borda da chapada, de onde já avistamos a cidade de Minduri lá embaixo e ao longe,o pico do Papagaio com suas inconfundíveis 3 corcovas. Tomamos então para a direita, seguindo no rumo oeste por 2 km, até passarmos por uma porteira e começando então a íngrime descida.
Era 14:00 e o sol forte não dava trégua. A estrada agora é batida, descendo
aos zigue-zagues, passando por diversas  porteiras até alcançar a primeira
fazenda, junto ao vale do ribeirão da Prata. Passamos então por mais algumas
fazendolas e cruzando o dito ribeirão, passamos pelo recanto do Vorney, com
sua cachoeira, atração turística local. Após isso a trilha sobe até uma
crista de onde temos nova vista da cidade, agora mais perto. Voltamos então
a descer. Ao cruzar mais um riacho, temos mais uma subida impertinente e
então descemos o trecho final, passando pela estação de tratamento de água
da COPASA, cruzamos a linha de trem e tomando para a esquerda em minutos
chegamos ao trevo na entrada da cidade. Mais alguns minutos e chegamos ao
centro da cidade. Como não há rodoviária, a passagem de volta pode ser
comprada numa lojinha logo em frente ao banco do Brasil. No domingo a loja estava fechada, mas, informando pelos vizinhos, consegui descobrir que o dono, seu Mauro mora perto dali e consegui que ele viesse nos atender. Ele também vende as passagens na própria casa, mas é preciso perguntar onde fica, parece que é uma das que sobem, junto ao estádio. O ônibus passa pelas 22:30 vindo de Andrelândia, podendo ser tomado no ponto coberto mais à
frente, junto ao hotel Avenida.
No hotel, que também é restaurante e boteco, tomamo  uns refrigerantes e por
R$ 3,00 tomamos também um banho.Na mesma rua principal por onde chegamos e que
é também a estrada que vem de Cruzília e segue para Andrelândia, quase na
saída para esta, há outro restaurante ( da Célia ) que acho mais simpático, e onde acabamos jantando. Banhados e jantados, não me restou outra  coisa a fazer além esperar até as 22:30 quando passaria o ônibus, o qual aliás só
passou as 22:40. A volta foi no mundo dos sonhos, só acordei no Tiête às 
5:50 de segunda, ainda com tempo de ir para casa e descançar umas horas antes de ir para o trabalho. 
Enfim, esta é uma caminhada que recomendo: deserta ( não vi ninguém até o
meio da descida , nas primeira fazendas ), desconhecida, com largos
visuais,sem lixo, sem os regulamentos tacanhos dos parques e nem tão seca
quanto pensava que fosse, uma alternativa viável para um fim de semana, e
até, se houver mais tempo, pode-se descer até Carrancas e visitar algumas de
suas cachoeiras.

travessia Itutinga-Carrancas

Grupo: Ronald, Rodrigo, Roberta, Bob, Paula, Luiz, Sandra, Amarildo, Cruz
e Margarida
 Local: Munícipios de Itutinga e Minduri, Minas Gerais
 Época: último feriado,de 12/10 a 14/10

 Fotos em:
http://rcolombini.multiply.com/photos/album/48/Travessia_Itutinga-Carrancas

 A região de Itutinga e, sua vizinha mais conhecida, Carrancas, no sul de
Minas,compoem-se de pequenas serras orientadas na direção oeste-leste,
cobertas predominantemente por campos e entremeadas de riachos de águas
cristalinas e suas respectivas matas ciliares.
 Já tendo percorrido no feriado anterior a parte leste da maior serra
local, a serra de Carrancas, bem como seus prolongamentos meridionais que a
conectam a chapada das Perdizes, já no munícipio de Minduri, e interessado
em explorar a região ao norte, bem como a trecho oeste da serra de
Carrancas, e tendo ainda aparecido mais 9 interessados na caminhada,
partimos todos, quinta-feira passada, à noite, rumo a Itutinga.
 Já sabendo que o ônibus nos deixaria um tanto cedo em Itutinga, procurei
pegar o horário mais tardio, o qual normalmente seria 22:30, porém fui
informado na bilheteria, no momento da compra, que o horário mais tarde
disponível naquele dia seria 21:00. Teria então que ir nesse horáro mesmo, o
que me deixou em Itutinga pelas 4:00. O restante do grupo não tendo comprado
as passagem com a devida antecência, acabou tendo que embarcar no ônibus das
20:00, o que os deixou ainda uma hora mais cedo.
 Chegando então em Itutinga, pedi para descer junto a igreja, já que não há
rodoviária na pequena cidade. Encontrei então os demais dormindo, ou
tentando dormir, sob um misto de coreto e concha acústica, na pracinha em
frente a matriz. Menos o Luiz, que vindo de Juiz de Fora, chegou na noite
anterior, hospedando-se então na pousada de Dona Leia. Aliás só com sua
chegada, dona Leia já infartou ! Juntei-me a eles para tentar dormir uma
horinha.
 Pelas 5:00 chegou o camarada que o Luiz já tinha previamente contratado
para nos levar de van até a cachoeira do Raulino, onde a caminhada iria
começar, e acordou-nos. Logo em seguida chegou o Luiz e seguimos então para
a lanchonete de dona Aparecida, que abriu mais cedo especialmente para
atender-nos, também contratada pelo Luiz na noite anterior.
 Após o café da manhã, seguimos então socados entre as mochilas por 5 ou 6
kms de asfalto até o alto da cachoeira do Raulino, já visível da estrada, do
lado direito .
 Pelas 6:30, descemos então por uma trilha na margem esquerda do rio,
inclusive com um lance de escada de concreto ao final, até a base da
cachoeira do Raulino, podendo então apreciar seu porte e volume de água
razoável para época.

   1. dia – Da serra do Pombeiro até a Cachoeira das Andorinhas

 As 7:00 pegamos as mochilas e iniciamos a caminhada, pela estradinha de
terra que cruza o rio da cachoeira e segue para oeste. Subimos então a
crista da serra do pombeiro. Em mais algum tempo, seguindo sempre pela
crista, a estradinha se torna um trilho no pasto. Passamos por afloramentos
rochosos, pulamos uma cerca logo após uma cisterna, passamos por uma ou
duas porteiras. As cercas nessa região frequentemente acopanham muretas de
pedras, que o Bob sempre nos lembrava terem sido levantadas pelos escravos.
Mais a frente, passamos sob uma torre de transmissão. Ao sul
observavamos as encostas rochosas de uma outra serrinha paralela, e ao
fundo, a imponente muralha da serra de Carrancas.
  Pelas 9:30, já tendo deixado essa primeira serrinha à esquerda,
enxergamos ao longe a serra do galinheiro que conflue obliquamente para a de
Carrancas e, entre nós e ela, a baixada por onde corre uma estradinha no
sentido leste-oeste e, mais a direita, vemos outra estradinha no sentido
norte-sul. Na verdade é a mesma estrada que faz uma curva mas isso não
podiamos perceber ainda.
  Resolvemos então descer da serra do Pombeiro, rumo a estradinha mais
próxima. Num ponto onde a encosta, apesar de ìngreme, é coberta apenas de
pasto, descemos,no rumo sul, aos zigue-zagues, em direção a um cinturão de
mata abaixo, que certamente guarnecia um riacho.
  Chegando lá, pelas 10:00, paramos para um primeiro lanche e para coletar
alguma água na límpida vertente. Após algum descanso, seguimos
atravessando o riacho no ponto onde as pedras do seu leito permitia-nos faze-
lo sem molhar os pés e subindo o degrau no lado oposto. Em mais alguns
passos saímos  da mata ciliar, seguindo sempre que possível por uma trilhos
de vaca.
  Ao percebermos que a trilha se voltava para o leste e que havia outro
riacho a frente, abandonando o trilho, tivemos que repetir a operação
anterior, entrar na mata ciliar, no rumo sul, procurar um ponto que desse
para passar sem molhar os pés e atravessando-o. Com o agravante de que agora
a barranca do outro lado era mais alta e difícil de subir, mas afinal
conseguimos sair no aberto novamente.
  Seguimos então pelo pasto no rumo sul até alcançar o alto do morro, onde
obtivemos novamente visão do terreno a frente, agora com a estrada mais
perto.
  Seguimos então em direção a ela, tendo ainda que contornar uma valeta
pela esquerda, no fundo da qual existia um pequeno brejo. Seguindo pelo
pasto, acabamos passando próximo a ruína de uma casa, junto a qual
prontificava um pé de limão-rosa, por pouco tempo confundido com um pé de
mexericas.
  Logo a frente o caminho cruzava outro riacho. Nova pausa para lanche e
descanso. A Paula até banhou-se num raso pocinho. Já passava do meio-dia e o
calor era grande. Na continuação, passamos por um pequeno bosque de
eucaliptos e passamos a andar paralelos a estrada que buscavamos, só que na
direção errada. Pulamos então a cerca e tomamos a estrada para direita (
leste ).
  Em pouco tempo passamos por um grupo de casas à esquerda, onde paramos
para tomar informações sobre a localização e distância até a cachoeira
das Andorinhas, nossa próxima referência. Também aproveitamos para completar
os cantis. Acabamos descobrindo que o morador era o seu Valdir, mencionado
no relato do Jorge e que o mesmo lembrava-se do Jorge e da Ilsa que tinham
passado por lá há dois anos atrás e conversado com ele por mais de uma hora !
   Despendimo-nos de seu Valdir pouco depois das 13:00 e seguimos então
pela estrada no rumo leste. Mais a frente ela faz uma curva e toma o rumo
sul, ao mesmo tempo que passa a subir, aproximando-se da serra do
galinheiro. Na sequência, volta o rumo leste, andando mais ou menos paralela
as primeiras elevações do galinheiro, e volta a aplainar-se.
   Passamos por um cruzeiro à direita, onde uma informação errada de um
motoqueiro nos fez descer à direita, apenas para descobrir que não era lá a
cachoeira !
   Quase 16:00, passamos então por uma capela à esquerda. Logo na sequência
passamos por um capão de eucaliptos também à esquerda e numa curva da
estrada para a esquerda, entramos na propriedade a frente, quebramos a
esquerda, passando junto a uma casa e, seguindo trilhos de vaca, descemos
rumo ao rio, já audível, descendo por uma “canaleta” entre dois morrinhos.
   Chegando ao rio, no alto da cachoeira das Andorinhas, atravessamo-lo,
pulando pelas pedras e tomamos uma trilha do outro lado para a direita.
Assim que possível desce-se pela encosta rumo a um rancho de madeira,
próximo ao rio. Voltando um pouco pela margem temos uma prainha de areia e a
cachoeira, que apesar de não ter poço, tem uma deliciosa ducha.
   Após o banho, acabamos acampando em torno do rancho e usando-o como
cozinha e refeitório. Pelas 18:00 escureceu, mas ainda ficamos mais umas
duas conversando, antes de nós recolhermos as barracas para um merecido sono
ao som da cachoeira.

     2. dia  – Pela serras do Galinheiro e de Carrancas

   Acordamos pelas 6:00, mas o café da manhã e o arrumar das coisas nos
reteve na cachoeira até depois das 8:00. Em seguida as divegências tomaram-
nos mais tempo. Alguns queriam contratar um transporte até mais a frente, o
que me pareceu besteira já que a serra do galinheiro estava próxima e um
veículo só poderia nos levar até o sopé desta. Uma tentativa nesse sentido
junto ao morador próximo acabou redundando em nada. Quando enfim começamos a
andar, a maior parte do grupo preferiu seguir por uma trilha do lado
esquerdo do rio , onde acampamos, ao invés de voltar por onde tinhamos
vindo, cruzando o rio. Subimos então por esse lado, mas ao constatar que a
estrada por ali dava uma volta grande, resolveu-se voltar atrás e cruzar o
rio pelas pedras. Voltamos então por lá, a não ser a Margarida que preferiu
seguir pela estrada. Enquanto passavamos pelo rio, um cão local,que já
dormira no acampamento conosco e agora nós seguia, com sua perna traseira
quebrada, caiu dentro do rio e precisou ser resgatado. Quando chegamos de
volta a estrada, cadê a Margarida ? Já tinha passado e o Luiz teve que busca-
la na capela. Mais alguma discussão e finalmente concluimos que deveríamos
seguir pela estradinha por onde a Margarida tinha vindo ! Nisso já eram 9:00.
    Tomamos então a estradinha no rumo sul, passando por uma ponte sobre o
rio da cachoeira ( qual ? ) e na bifurcação a frente tomando à esquerda, no
rumo da serra.
    Nas bifurcações a frente, tomamos sempre à direita. Duas porteiras são
ultrapassadas, e a serra torna-se cada vez mais imponente.
    Pelas 10:00, enquanto descansavamos à sombra de algumas árvores, a
Paula veio informar-nos que: Bob, Margarida e o Cruz, abatidos por afecções
diversas, insolação e cansaço, resolveram abandonar a empreitada e que os 4
voltariam pela estrada e tentariam pegar carona para Itutinga.
    Agora reduzidos a apenas 6, seguimos em frente, rumo a serra. Mais um
porteira ultrapassada e quando a estrada se curva para a direita, paralela a
serra, abandonamo-na, subindo no rumo da serra entre capim e pequenos
arbustos.
    A subida da serra tomou-nos apenas 30 ou 40 minutos, apesar de feita
sem qualquer indício de trilha. Pedras soltas e alguns degraus rochosos
foram os únicos obstáculos, já que a vegetação arbustiva era bem esparça e
mesmo o capim pouco denso. A meia subida, passamos por mais uma mureta de
pedra, facilmente ultrapassada num ponto onde ela estava semi-demolida.
    Alcançado a crista da serra, os celulares voltaram a ter sinal e a
Sandra, Amarildo e Roberta puderam ligar para seus familiares.
    Atravessamos a crista até a beira da encosta oposta ( sudeste ) e
seguimos então para a direita, pela crista, por trilhas óbvias, contornando
cocurutos maiores, primeiro pela esquerda e depois pela direita. Sempre
avistando a frente  e do outro lado do vale, o paredão imponente da serra de
Carrancas.
    Após atravessarmos um platô maior de pasto, descemos para um selado,
guarnecido do seu lado sul por dois morros sobre os quais passa uma das
populares muretas de pedras. Caimos então para a direita e descendo por
trilha chegamos a outro plato mais baixo, com um capão de mata no meio. E o
chamado Beco, encruzilhada entres as serras do Galinheiro e de Carrancas.
    No beco deveria haver água. Enquanto Eu, Luiz, Roberta e Sandra
descansavamos à sombra, Rodrigo e Amarildo sairam procurando pela nascente
d´água. Nessa hora, o Luiz abriu sua mochila e tirou um melão de dentro !! O
mesmo foi mais que rapidamente repartido e consumido, já que o sol forte,a
secura do ar e falta de água imediatamente acessível estavam nos deixando
mais que sedentos. Rodrigo e Amarildo voltaram de mãos vazias, tinham
percorrido um bom trecho do sulco no centro do cinturão de árvores, sem
encontrar água. Não podendo nos reabastecer, teríamos de contar apenas com a
água que tínhamos pego na cachoeira pela manhã. Já passava do meio-dia e o
sol estava em seu zênite e o calor, em seu máximo.
   Partimos então pelo beco, seguindo a trilha no rumo sul, contornado um
capão de arbustos espinhosos e subindo o morro ao sul.
   Emergimos então num platô de pasto com a primeira elevação da serra de
Carrancas à frente. Porém não foi preciso subir nesse morro, uma trilha nos
levou bordejando-o para a esquerda, por entre arbustos, até um platô de
pasto, já na serra de Carrancas.
   Começou então o longo trecho de 15 kms pela serra de Carrancas. Cruzando
mais uma mureta, passamos por um trecho sem trilha até um cinturão de
árvores, onde encontramos uma passagem, no centro da qual havia um sulco
seco e uma cerca paralela. Passando por ela, em um instante voltamos ao
aberto.
   O Sol forte, a secura, a ausência quase total de sombra e a falta de
água começaram a afetar psicologicamente alguns excursionistas. A velocidade
de avanço caiu bastante. Tive medo que fosse necessário tomar medidas
extremas para conter o desepero de alguns.
   O caminho segue agora sempre por trilha óbvia, geralmente próxima a face
norte da serra de Carrancas, com seus imponentes paredões quase verticais.
As vezes o caminho se afasta da borda para desviar de algum cocuruto maior,
mas logo volta.
  Pequenos sobes e desces se sucedem. Num ponto, percebo que o caminho a
frente acaba em mata fechada. Subo então a encosta à direita, verticamente,
até encontrar a trilha num ombro mais acima e toma-la novamente para a
esquerda.
   Mais a frente a trilha torna-se dois sulcos paralelos, onde observamos
marcas de pneus. Porém mais a frente a estradinha curva-se para a direita,
passando para a contra-encosta. Abandonamos então a estradinha e seguimos
por uma trilha por entre o pasto queimado. Aliás boa parte do topo da serra
está queimada, constituindo um cenário deprimente. A trilha logo contorna um
cocuruto e volta apresentar largura de estrada. Nesse ponto, Luiz avistando
uma casa junto a um açude na planície abaixo e, claramente afetado pelo
calor e sede, insiste para que desçamos até lá. Porém consigo conter seu
desepero com o argumento de que a descida por aquela escarpa vertical é
muito difícil, senão impossível.
   A sede cresce e o desespero do grupo idem. A estradinha prossegue por
sobes e desces mais acentuados, até que começamos a avistar Carrancas ao
longe, mas falta muito ainda. Avistamos depois algumas construções que
sinalizam que o asfalto está lá, ainda ha quilometros de nós.
   Quando avistamos carros parados no horizonte, percebemos que a rampa de
voo estava lá e o asfalto deve estar logo depois. Nessa altura o por-do-sol
já está próximo e o calor começava a arrefecer.
   Observamos um carro parado na descida antes da rampa. O Amarildo e o
Luiz dispararam na frente para ver se conseguiam alguma água. E não é que o
casal do carro era de Niteroi e deu um resto de garrafa d´água para eles.
Ficamos conversando com o casal enquanto esperavamos os demais para os
últimos goles d´água para eles, eram as primeiras pessoas que encontravamos
desde as 9 da manhã, e já era quase 18:00.
   Parti então na frente pretendendo completar o trecho final antes da
escuridão completa. Passei pela rampa de voo já com a escuridão se
adensando. Havia vários carros parados lá, mas passei direto. Mais a frente,
a poucos minutos de chegar ao asfalto, fui alcançado pelos demais que vinham
de carona na caçamba de uma caminhonete, seguida por um corsa.Era 18:15.
Subi então no corsa e seguimos, cruzando a estrada e subindo do lado oposto
por um pequeno trecho até a pousada Mahayama. Lá após constatarmos que não
havia vagas e tomarmos um suco gelado que estava uma delícia, voltamos a
pegar carona com os mesmos camaradas, que nos levaram de volta ao asfalto e
,descendo por 4 kilometros, até o camping da Ponte onde ficamos, pagando R$
7,00 pelo pernoite.
   Chegando, fomos logo para o quiosque no centro do camping e submergimos
nossa sede em cocas, cervejas e água a vontade, após o que montamos as
barracas e preparamos o jantar. Ficamos conversando por um bom tempo,
esperando a fila do chuveiro diminuir. Jantados e banhados, fomos dormir só
depois das 23:00.

   A volta

   No dia seguinte acordamos pelas 6:00, tendo perdido uma hora por conta
do horário de verão. Tomamos o café, arrumamos as coisas e por volta das
8:30, saimos do camping em direção a Carrancas, que ficava a 1,5 km.
Chegamos a praça da matriz pelas 9:00, ponto inicial do ônibus para Lavras.
O ônibus saia só as 10:00, tivemos tempo então de procurar uma padaria para
comer e beber alguma coisa.
   Saindo às 10:00, chegamos a Lavras pelas 11:45, cruzando o alto da serra
de Carrancas e podendo observar seus paredões quase verticais que
percorreramos no dia anterior e passando ainda por Itutinga e Itumirim.
   Em Lavras, descobrimos que só havia vagas no ônibus direto para São
Paulo das 22:30. Optamos então por tomar um para Varginha que saia as 12:15.
Despedimo-nos então do Luiz, que ia para Juiz de Fora, via São João del Rei.
   Em uma parada intermediária, em Três Corações, desci do ônibus e
descobri que havia uma ônibus direto para São Paulo as 15:20. Abandonamos
então a idéia de ir a Varginha e descemos ali mesmo, comprando passagem para
São Paulo. Como só havia 4 passagens para São Paulo e havia um ônibus direto
para Santos pouco depois, a Sandra optou por tomar o direto para Santos.
Despedimo-nos dela então. Fomos então eu, Rodrigo e a Roberta num ônibus e o
Amarildo num outro que sai 1 minuto depois e acabou chegando ao Tietê antes
do nosso. As 21:00 estavamos todos no Tietê.

   Em resumo a caminhada até que não foi ruim, apesar de um trecho razoável
andando por estrada de terra, o que resultou um tanto enfadonho. Outro
supresa desagradável foram os campos no alto da serra de Carrancas, na maior
parte queimados, prejudicando o visual. No geral o passeio talvez pudesse
ser melhorado alterando um pouco o percurso, seguindo mais tempo pela serra
do Pombeiro e só descendo dela na altura da cachoeira das Aranhas,
poderiamos então ter abreviado o trecho de estrada e como bônus adicional
visitado a cachoeira das Aranhas.
Essa opção fica para o próximo aventureiro que percorrer essa travessia,
possivelmente também pegando a serra coberta por seu florescente pasto a
altura dos joelhos.