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subida ao pico sem nome da serra da Bocaina

Quem olha para leste de cima da pedra da Bacia, avista do outro lado de um fundo vale, mais dois cumes proeminentes na continuação da crista da serra da Bocaina. Com a atenção despertada, somada a constatação de que pelo menos o mais próximo tinha o cume coberto de vegetação rasteira, resolvi que valia a pena tentar acessa-los.

Havia três formas de chegar à base deles: a partir do acesso a Bacia partindo da estrada do parque da Bocaina, a partir do final da estrada do Cachoeirão, vindo do bairro do Formoso ou a partir da estrada do vale do Bonito. Preferi iniciar pelo acesso do parque pois, sabia que a estrada estava em ótimo estado, não tinha idéia da condição da estrada que sobe ao vale do Bonito, nem do final da estrada do Cachoeirão, que recentemente subira até o acesso a cachoeira da Mata, mas por cujo final não passava há anos.

Tomando então a estrada de acesso ao parque, pelo km 23, tomei a saída à esquerda, sinalizada pela placa da pousada Recanto da Floresta. Passada a entrada da pousada Campos da Bocaina, segui em frente e próximo a uma casa do lado direito da estrada, parei o carro.

Seguindo pelo pasto em frente, passo por outra casa e na encosta de pasto à frente, encontro uma trilha que sobe em diagonal, da direita para a esquerda. Logo ela entra na mata e prossegue subindo. Acabo saindo da mata e um pouco mais acima a trilha bifurca. Sigo pela esquerda. A direita sobe ao alto do morro à frente e depois segue pela crista. A trilha pela qual sigo, à esquerda, bordeja o morro, subindo muito levemente. As duas opções se reencontram á frente e seguem bordejando a crista. Acabo chegando à nova bifurcação. Ali, pela esquerda chegaria à pedra da Bacia. Mas esse não seria o caminho nesse dia. Tomo à direita e cruzo a crista, passando a bordejá-la pelo outro lado, descendo suavemente. Logo esbarro numa cerca, facilmente cruzada por uma porteira. A trilha faz então uma curva para a direita e segue descendo mais fortemente, logo desembocando novamente junto à cerca.

Agora é só descer paralelo à cerca. Antes de chegar ao fundo, evitando um trecho mais íngreme por dentro de um capão de mata, a trilha se afasta da cerca e desce para a esquerda. Chegamos bem perto do rio da Ponte Alta. A trilha segue seguindo paralelo ao rio, entrando na mata ciliar e passando por trechos encharcados.

Enfim desemboco no rio. É necessário tirar as botas para cruzar o raso riacho, e é bom fazê-lo rápido porque o local é infestado de mutucas. Do outro lado, sigo pela trilha erodida que lá de cima já avistava, subindo a encosta que aos poucos me afasta do rio.

A trilha nivela e cruza uma estreita mata ciliar que protege um afluente do Ponte Alta. Saindo da matinha, subo paralelo a mata até as proximidades de uma araucária. Ali a trilha aparentemente bifurca, mas o certo é seguir para a direita, contornando um curral à esquerda e ao final deste, subindo a encosta de pasto, por trilha mal marcada para pouco acima encontrar uma trilha bem marcada perpendicular.

Tomo então a trilha para a esquerda. Logo entro na mata e cruzo diversos riachos. Água aqui não falta. Ao final, chego à cerca de arame que delimita a fazenda do Bonito. Cruzo a cerca pela porteira. Se continuasse descendo, acabaria na estrada do Cachoeirão, um dos outros acessos mencionados acima. Seguindo a mesma trilha na direção contrária, sairia na estrada do vale do Bonito junto à sede da fazenda do Bonito.

Cruzada a cerca, tomo a trilha que sobe forte rente a cerca. Um ou outro bambu caído ou samambaia intrometida se atravessam em meu caminho, mas nada que atrapalhe demais a subida. Uma grande rocha aparece no caminho, mas a trilha a contorna pela esquerda. Mais acima sou obrigado a engatinhar sob algumas touceiras caídas de bambu.

Enfim a mata acaba e sigo subindo pelo campo. Chegando ao topo, quando a cerca mergulha rumo a outro fundo vale a frente, abandono à cerca, cuja trilha de qualquer forma se fecha e sigo para a esquerda pelo pasto. Vislumbro algum furtivo trilho no capim alto e vou subindo pela crista, desviando de alguns arbustos maiores.

Chego então ao topo do monte. Do outro lado, a encosta se despenha íngreme rumo ao vale. Nesse dia infelizmente as nuvens se acumulam junto à borda da serra e não consigo ver nada abaixo, aliás, nem a pedra da Bacia logo a minha esquerda consigo avistar. Do lado direito, separado por fundo vale e com encostas cobertas de mata, o outro cume, aparentemente um pouco mais alto. À frente, ligeiramente à direita, uma crista um pouco mais baixa e aparentemente trafegável segue mais um pouco. Mais tarde achei que teria sido interessante seguir por ali para ver se não haveria algum acesso ao outro cume, mas quando estava lá em cima e em vista do tempo enevoado não me ocorreu tentá-lo naquele momento.

Todo o percurso, do carro ao cume levou cerca de 3 horas. O cume, não tem nome registrado na carta de São José do Barreiro, mas suas coordenadas aproximadas são 0544/7488. A volta foi pelo mesmo caminho.

Pedra do Caxambu e cachoeira da Esmeralda

A pedra do Caxambu sinaliza o final da crista da serra homônima, contraforte da serra da Bocaina na divisa entre os municípios de São Jose do Barreiro e Arapeí. Acabei subindo até a sua base por mero acaso. Procurando pela cachoeira da Esmeralda, resolvi após visitar a pequena queda, subir um pouco mais a estradinha por onde viera. Avistando uma interessante formação rochosa no topo da crista, segui subindo a estrada até seu final e percebendo que a encosta desimpedida de pasto acima não apresentava qualquer dificuldade, prossegui até seu topo.

O acesso mais direto é passando por São José do Barreiro, prosseguindo pela estrada dos Tropeiros como que indo para Arapeí ou Bananal. Cerca de 8 km após o Barreiro temos o bairro do Formoso. Saindo do asfalto na rua junto à pracinha à direita, siga reto até sair do perímetro urbano. Mais 8 km de estrada de terra, quebre à direita na bifurcação e logo passara por um portal que sinaliza que se chegou ao bairro do Máximo.

Seguindo em frente, passará por curto trecho calçado e um bar à direita. Na saída do trecho calçado siga pela esquerda. Na próxima bifurcação, de novo à esquerda, seguindo a placa “Balneário Por do Sol”. A estrada começa a subir. Passado o balneário, temos nova bifurcação, onde segui novamente pela esquerda. Aliás, parei o carro junto à bifurcação, pois a estrada, além de piorar mais acima, também é muito estreita e não há a possibilidade de estacionar sem fechá-la.

Logo cruzei o riacho e segui subindo com o rio agora a minha direita. Em pouco uma placa “Cachoeira da Mata” posta por algum grupo de motoqueiros marca a entrada da trilha que leva a mais conhecida cachoeira da Esmeralda. O nome cachoeira da Mata designa com maior freqüência outra cachoeira, que fica na estrada do cachoeirão, cuja saída do asfalto fica logo antes do Formoso.

Entrando na trilha, logo desci a beira do rio. Logo abaixo uma corredeira provida de uma jacuzzi natural convida ao banho, mas cruzando o rio e tomando a trilha do outro lado, vamos subindo o rio pela sua margem esquerda, para em poucos minutos voltar a sua margem. Daí já se avista a queda, mas ainda é preciso seguir pelo leito, pulando de pedra em pedra e saltando um degrau rochoso final antes de atingi-la. A seus pés um fundo poço de cor esverdeada explica porque o nome de cachoeira da Esmeralda.

O local é extremamente aprazível, encravado em um raso cânion, cercada pela mata, não há como não mergulhar nas frias águas do poço. O local parece não ser muito freqüentado, o que só aumenta o encanto, não obstante já haver alguns nomes rabiscados no musgo que recobre as rochas ao redor.

Após ter me refrescado com o banho, voltei à estrada e só por curiosidade segui subindo por ela. Logo passei por uma casa à direita e pouco depois ignorei uma saída à esquerda, aparentemente menos usada. Acabei chegando a uma porteira de varas. Saltei-a e cheguei a uma casa, aparentemente não habitada,

Passei pelo lado direito da casa e cruzei uma tronqueira ao fundo. Acima já avistava a pedra. Segui pela trilha evidente, subindo. Quando a trilha virou a direita e nivelou, passei a subir pelo pasto, caindo também um pouco para a direita. Saltei uma cerca e segui subindo, agora para a esquerda, desviando de algumas paredes rochosas,

Perto do rochoso, encontrei marcadas trilhas de vaca que aos zigue-zagues me levaram a crista logo acima. Segui subindo pela crista, desviando de um matacão pela esquerda.

Acabei chegando a um capão de mata, mas foi fácil encontrar uma trilha de vaca pela mata e segui subindo caindo um pouco para a esquerda. Quando a mata acabou, comecei a bordejar pelo pasto para a esquerda. Logo cheguei ao topo da crista e entrei em novo trecho de mata, cruzando-o de novo por trilha de vaca, onde, aliás, algumas das ditas se encontravam, para logo saírem correndo de mim.

Quando a mata acaba, poucos metros de aclive pelo pasto, semeado de bosta me levam a base da pedra. Chegando a ela, vejo que o paredão de rocha é vertical, tanto ao norte, quanto ao sul, só do lado oeste, onde estou, a subida parece mais praticável. Ainda subo os primeiros degraus rochosos, mas acabo percebendo que o acesso ao topo é uma escalada, e não das mais fáceis. A rocha fica quase vertical, molhada e escorregadia. Uso de corda seria imprescindível para o acesso ao topo. Dando-me por contente por ter chegado até ali, apenas sento-me para um descanso enquanto contemplo o visual da baixada ao norte.

O retorno foi feito pelo mesmo caminho. A subida desde a cachoeira levou cerca de 1:30 hs e subi uns 500 metros de desnível. Acrescento que aparentemente, haveria uma rota paralela, á esquerda da que segui. Pelo que parece, na ultima bifurcação da estradinha, que ignorei, a esquerda leva a outra casa donde uma trilha parece levar a outra casa, bem mais acima na encosta, donde parece não haver problema para alcançar a crista subindo pelo pasto. Ignoro se seria mais fácil subir por ali. Acho que não.