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subida ao pico sem nome da serra da Bocaina

Quem olha para leste de cima da pedra da Bacia, avista do outro lado de um fundo vale, mais dois cumes proeminentes na continuação da crista da serra da Bocaina. Com a atenção despertada, somada a constatação de que pelo menos o mais próximo tinha o cume coberto de vegetação rasteira, resolvi que valia a pena tentar acessa-los.

Havia três formas de chegar à base deles: a partir do acesso a Bacia partindo da estrada do parque da Bocaina, a partir do final da estrada do Cachoeirão, vindo do bairro do Formoso ou a partir da estrada do vale do Bonito. Preferi iniciar pelo acesso do parque pois, sabia que a estrada estava em ótimo estado, não tinha idéia da condição da estrada que sobe ao vale do Bonito, nem do final da estrada do Cachoeirão, que recentemente subira até o acesso a cachoeira da Mata, mas por cujo final não passava há anos.

Tomando então a estrada de acesso ao parque, pelo km 23, tomei a saída à esquerda, sinalizada pela placa da pousada Recanto da Floresta. Passada a entrada da pousada Campos da Bocaina, segui em frente e próximo a uma casa do lado direito da estrada, parei o carro.

Seguindo pelo pasto em frente, passo por outra casa e na encosta de pasto à frente, encontro uma trilha que sobe em diagonal, da direita para a esquerda. Logo ela entra na mata e prossegue subindo. Acabo saindo da mata e um pouco mais acima a trilha bifurca. Sigo pela esquerda. A direita sobe ao alto do morro à frente e depois segue pela crista. A trilha pela qual sigo, à esquerda, bordeja o morro, subindo muito levemente. As duas opções se reencontram á frente e seguem bordejando a crista. Acabo chegando à nova bifurcação. Ali, pela esquerda chegaria à pedra da Bacia. Mas esse não seria o caminho nesse dia. Tomo à direita e cruzo a crista, passando a bordejá-la pelo outro lado, descendo suavemente. Logo esbarro numa cerca, facilmente cruzada por uma porteira. A trilha faz então uma curva para a direita e segue descendo mais fortemente, logo desembocando novamente junto à cerca.

Agora é só descer paralelo à cerca. Antes de chegar ao fundo, evitando um trecho mais íngreme por dentro de um capão de mata, a trilha se afasta da cerca e desce para a esquerda. Chegamos bem perto do rio da Ponte Alta. A trilha segue seguindo paralelo ao rio, entrando na mata ciliar e passando por trechos encharcados.

Enfim desemboco no rio. É necessário tirar as botas para cruzar o raso riacho, e é bom fazê-lo rápido porque o local é infestado de mutucas. Do outro lado, sigo pela trilha erodida que lá de cima já avistava, subindo a encosta que aos poucos me afasta do rio.

A trilha nivela e cruza uma estreita mata ciliar que protege um afluente do Ponte Alta. Saindo da matinha, subo paralelo a mata até as proximidades de uma araucária. Ali a trilha aparentemente bifurca, mas o certo é seguir para a direita, contornando um curral à esquerda e ao final deste, subindo a encosta de pasto, por trilha mal marcada para pouco acima encontrar uma trilha bem marcada perpendicular.

Tomo então a trilha para a esquerda. Logo entro na mata e cruzo diversos riachos. Água aqui não falta. Ao final, chego à cerca de arame que delimita a fazenda do Bonito. Cruzo a cerca pela porteira. Se continuasse descendo, acabaria na estrada do Cachoeirão, um dos outros acessos mencionados acima. Seguindo a mesma trilha na direção contrária, sairia na estrada do vale do Bonito junto à sede da fazenda do Bonito.

Cruzada a cerca, tomo a trilha que sobe forte rente a cerca. Um ou outro bambu caído ou samambaia intrometida se atravessam em meu caminho, mas nada que atrapalhe demais a subida. Uma grande rocha aparece no caminho, mas a trilha a contorna pela esquerda. Mais acima sou obrigado a engatinhar sob algumas touceiras caídas de bambu.

Enfim a mata acaba e sigo subindo pelo campo. Chegando ao topo, quando a cerca mergulha rumo a outro fundo vale a frente, abandono à cerca, cuja trilha de qualquer forma se fecha e sigo para a esquerda pelo pasto. Vislumbro algum furtivo trilho no capim alto e vou subindo pela crista, desviando de alguns arbustos maiores.

Chego então ao topo do monte. Do outro lado, a encosta se despenha íngreme rumo ao vale. Nesse dia infelizmente as nuvens se acumulam junto à borda da serra e não consigo ver nada abaixo, aliás, nem a pedra da Bacia logo a minha esquerda consigo avistar. Do lado direito, separado por fundo vale e com encostas cobertas de mata, o outro cume, aparentemente um pouco mais alto. À frente, ligeiramente à direita, uma crista um pouco mais baixa e aparentemente trafegável segue mais um pouco. Mais tarde achei que teria sido interessante seguir por ali para ver se não haveria algum acesso ao outro cume, mas quando estava lá em cima e em vista do tempo enevoado não me ocorreu tentá-lo naquele momento.

Todo o percurso, do carro ao cume levou cerca de 3 horas. O cume, não tem nome registrado na carta de São José do Barreiro, mas suas coordenadas aproximadas são 0544/7488. A volta foi pelo mesmo caminho.

Travessia Alsene – Colina

Muita gente conhece o parque do Itatiaia, mas a maioria parece só ter ouvido falar das atrações mais conhecidas tais como os picos das Agulhas Negras e Prateleiras e possivelmente pensar que o parque ser resume a área em torno aos citados picos, porém o parque começa já na garganta do Registro e na área antes da portaria oficial há outras atrações como a pedra Furada e a Pedra Grande.

Alguns quilômetros antes da portaria existia o hotel Alsene, hoje desativado e em ruínas. Cerca de 200 metros antes do Alsene, do mesmo lado da estrada, ou seja, lado esquerdo de quem sobe, inicia-se a trilha de acesso a Pedra Furada, prosseguindo por ali, desce-se até o bairro da Vargem Grande, já na orla do parque, de onde, cruzando-se a serra da Colina por outra trilha, chega-se ao bairro da Colina. Essa foi a travessia que fizemos. Começamos as 8:00 hs.

A trilha começou estreita com os bambuzinhos molhados quase fechando completamente a trilha. Logo chegamos a uma bifurcação. À direita a trilha desce para vale do rio Aiuruoca, levando ao bairro da Serra Negra e a trilha para a Maromba, mas nosso caminho era pela esquerda. A trilha fica mais aberta e passa a subir a encosta suavemente. Avistamos um poste à esquerda. Na verdade nesse trecho inicial a trilha passa a correr mais ou menos paralela a estrada, muito embora não a vermos. Trechos encharcados se sucedem, assim como pequenas descidas e subidas. Não demora e passamos por um riacho. À esquerda, uma garrafa de plástico encravada na encosta foi usada para fazer uma rústica bica.

Quase uma hora após o inicio da caminhada, passamos pelos restos de uma cerca de arame. Na encosta à esquerda poderia ser vista a Pedra Furada, conjunto de blocos rochosos onde como o nome diz sobrou, uma brecha entre eles, deixando um furo. Poderia ser visto já que nesse dia a neblina cobria o alto do morro e não víamos nada. Mais um pouco e chegamos a uma bifurcação marcada com um totem.

À esquerda, a trilha sobe o morro, passando ao lado da Pedra Furada e subindo a um cume rochoso mais acima, com visão de 360 graus. Não fomos até lá porque a visibilidade era nula nesse dia. De forma que seguimos pela direita. A trilha prossegue em nível, passa por mais trechos encharcados, dos quais eventualmente desviamos pela esquerda, e mais a frente passa a descer aos zigue-zagues. A trilha tem muito trechos lisos e pedras soltas e cada um a seu tempo acaba levando algum tombo.

Do lado direito da trilha, começamos a visualizar o maciço da Pedra Grande, que mal e mal se avistava dentre a neblina desse dia. O acesso a seu topo não parece ser demarcado, pelo menos em seu inicio e não saberia dizer bem de onde sai.

Vamos descendo pelos campos rupestres e pouco a pouco a vegetação vai mudando. Cruzamos cinturões de mata que vão se tornando cada vez maiores. Sempre com a pedra Grande à nossa direita. Água não falta e repetidamente passamos por nascentes.

Ao fim de duas horas de caminhada paramos para um lanche. Prosseguindo a caminhada, chegamos a um largo gramado, com restos de um cocho e ruínas de pedra do que pareciam ser uma casa junto a nascente de um riacho. Local bucólico onde uma única rês solitária pastava deu margem a muitas fotos.

Cruzando o campo, na cerca do outro lado, um pouco para a direita, encontramos uma porteira de arame. Cruzando a porteira, a trilha segue para a direita bastante enlameada nesse trecho inicial e sobe um pouco. Mas logo volta a descer e entra de vez na mata.

Na mata as variantes proliferam, mas todas descem e não há como errar. Proliferam também as folhas de araucárias no piso da trilha, mas poucas araucárias conseguimos avistar em meio à mata. Quando a trilha parece nivelar, subitamente chegamos a um entroncamento.

À esquerda, a trilha seguiria rumo a pousada dos Lobos. Mas nosso caminho era o da direita. Não andamos muito e nova bifurcação apareceu. Pegamos a esquerda e começamos a subir. Logo saímos no campo e prosseguimos subindo bordejando a encosta para esquerda e assustando alguns cavalos que pastavam por ali. Mantemo-nos acima do mato que recobre a parte da encosta abaixo de nós. Logo passamos por um estreito cinturão de mata e após, por um selado, emergindo numa crista. Abaixo no vale avistamos algumas casas, mas ali não era o bairro da Vargem.

Após cruzarmos uma cerca, seguimos para a esquerda em trecho em que a trilha estava apagada, para reencontrar a trilha mais à frente. Acabamos chegando a um casebre em meio a uma matinha. Ali começou a confusão. A trilha seguia caindo para a direita, mas sabíamos que a Vargem ficava a nossa frente, atrás duma crista. Desconfiando da trilha onde saímos, tomamos outra trilha que saia para a esquerda pouco antes de um bebedouro de gado ainda antes da casa.

Seguindo por ali, em instantes começamos a avistar a Vargem ao fundo do vale, mas não víamos como descer. A trilha entrou na mata contornou um charco e voltou a sair no campo. Seguimos mais um pouco por ela, mas não havia descida, ela seguia bordejando a encosta. Ali tomamos a decisão fatídica, vamos descer rasgando o mato que recobria a encosta abaixo de nós. Saltamos uma cerca e, no inicio foi fácil, só pasto alto e alguns arbustos dos quais facilmente desviávamos. Só que mais abaixo a mata era mais fechada, repleta de cipós e plantas espinhosas. Fomos seguindo do jeito que deu, desviando dos trechos mais entrelaçados até que subitamente saímos numa trilha limpa! Tomamos a trilha para a esquerda e, surpresa, em pouco passos chegamos a uma estradinha que levava a uma casa encravada na mata pouco atrás! As meninas disseram ter avistado está estrada lá de cima. Agora era só descer pela estradinha saindo no bairro bem em frente à igreja da Assembléia de Deus.

Conforme informações locais, parece que deveríamos ter ido para a direita lá em cima, contornado o morro por esse lado e de alguma forma descendo a estrada mais a leste, daí voltando ao bairro, de qualquer forma o trajeto certo nos escapou.

Na estradinha que forma a rua principal do bairro, seguimos para a esquerda, deixando a pousada dos Lírios, à direita.

Depois da última casa, uma trilha sai à direita, passa por um trecho, que nesse dia estava alagado, e do qual desviamos por uma variante à esquerda, até que avistamos um riacho ao fundo de uma baixada. Ali seguimos para a esquerda por trilha evidente, descendo ao fundo da baixada. Cruzamos o riacho e subimos do outro lado. Já era 15:30 e já era um tanto tarde, e talvez mais recomendável abortar o resto do caminho, mas insistimos em prosseguir com o programa assim mesmo.

A subida vai aos zigue-zagues por trilha fundamente escavada. Mais acima a vegetação se abre e começamos a avistar o casario da Vargem ao fundo do vale. Ali fizemos uma parada para lanche, mas a Myrna preferiu prosseguir caminhando. Avisei que haveria um bifurcação à frente e alertei para que nos esperasse ali.

Finda a parada, prosseguimos a caminhada e logo chegamos ao entroncamento, mas cadê a Myrna? Nessa altura começou também a chover. O caminho que planejava era o da direita, mas sem ter certeza para que lado a Myrna seguira o que faríamos? Discutimos as opções e depois de perder algum tempo tentando localizá-la de um lado e do outro, decidimos dividir o grupo, dois iriam para um lado e os outros dois para o outro. Decisão que nós custaria outros contratempos.

Tomei à direita com a Elisa e seguimos em marcha acelerada para ver se alcançávamos a esquiva Myrna. O Walter e a Lili foram para o outro lado. Dei algumas indicações sumárias do caminho a eles, mas elas aparentemente não forma suficientes, já que eles nunca chegaram a Colina e sei lá onde pararam.

Prosseguirei com o relato do eu e a Elisa fizemos. A trilha segue pela crista, sempre subindo, mas suavemente, quase sempre dentro da mata, na direção geral leste. Quase ao final do trecho, quando a trilha quebra para a esquerda e passa a seguir para o norte, encontramos a Myrna. Aliviados, seguimos, descendo por um trecho erodido e reentrando na mata. Cruzamos um trecho enlameado, uma porteira e logo saímos no campo.

Segue-se um longo trecho pelo campo, subindo sucessivos cocurutos da serra da Colina, de onde se descortinaria largo visual das serras ao redor, mas nesse dia as nuvens cobriam quase tudo ao redor. A trilha segue quase sempre bem marcada, mas fui ficando preocupado com o horário, já passava das 17:00 hs. Nem sabia ainda que as meninas não tinham lanterna.

Chegando ao final da crista, local conhecido como pico da Boa Vista, nem subimos ao topo, já que não daria para ver nada mesmo. Prosseguimos pela trilha, que vai bordejando e descendo. Logo a trilha vira para a direita e começa a descer mais fortemente. Cruzamos um cinturão de mata e voltamos a sair no aberto.

Mais abaixo ignoramos uma bifurcação à direita que só dá acesso a um riacho e seguimos pela esquerda. A trilha dá uma nivelada e logo chegamos à nova bifurcação. Ali seguimos novamente pela esquerda. A direita desce ao bairro do Jequeri. A trilha até sobe ligeiramente antes de virar para a direita e voltar a descer.

Entramos na mata e uma cerca aparece à nossa esquerda. Afinal cruzamos a cerca por uma porteira. A escuridão já era total e tive que recorrer a minha lanterna, ali também soube que ela seria a nossa única fonte de luz. Seguimos descendo a trilha, agora com dificuldade redobrada. Tinha que iluminar a frente para achar o caminho e depois para trás para que elas me alcançassem. Felizmente esse trecho foi curto, mas tomou muito tempo. Até que chegamos aos fundos de uma casa. Contornando ela, chegamos à estrada de acesso e a partir daí o avanço foi mais fácil. Como a estrada era larga podíamos andar lado a lado e eu conseguia iluminar os passos dos três. Fomos então descendo a estradinha, eventualmente passando por algum trecho mais escorregadio, às vezes caiam alguns pingos de chuva, que sempre que pensávamos em tirar as capas, insistia em nos incomodar. Passamos uma última porteira e chegando a um riacho, cruzamo-lo por uma pinguela à direita.

Enfim chegamos ao bairro da Colina às 20:30. Tínhamos fretado a van do Amarildo para, a partir de Itamonte, nós levar ao Alsene cedo e depois nos pegar às 17:00 na Colina, mas cadê o Amarildo? Sem sinal de celular, procuramos um orelhão de onde ligamos para ele. Sem sucesso. Depois ligamos para o Hotel Rainha, onde nos hospedamos e deixamos os carros. Não atendia. Estávamos sem condução ou hospedagem num bairro a 12 km de Itamonte numa noite de domingo! Já pensávamos em bater de casa em casa até conseguir alguma condução para nós e eis que um carro vem chegando ao bairro nessa úmida noite. E era ele, o Amarildo!

Ele explico que tinha chegado na hora, mas com o nosso atraso extremado tinha descido de volta a cidade. Lá o Walter tinha conseguido falar com ele de um pesqueiro onde eles tinha acabo saindo e pedido para buscá-los lá depois de nós pegar. O Amarildo achou que a van dele não subiria até lá, então contato um outro taxista para pegá-los e veio nos buscar. Reencontramo-nos no hotel Rainha onde eles acabaram dormindo, enquanto nós resolvemos voltar a São Paulo apesar do horário avançado. Só conseguimos sair de Itamonte depois da 22:30.

Cachoeiras desconhecidas de Gonçalves

Impressiona-me como parece que em todas as localidades em que julgava ter esgotado todas as atrações repetidamente descubro novas atrações. É o caso de Gonçalves, que já freqüento há uns 20 anos e só agora soube da existência de quatro cachoeiras, todas de acesso fácil, e das quais nunca ouvira menção!

Quando for ao simpático município mineiro, deixe de lado as mais que manjadas cachoeiras do Retiro, Simão, do Cruzeiro e Andorinhas e busque as da Fazendinha, Tonho Nego, do São Sebastião e do Funil.

As da Fazendinha e do Tonho Nego, são relativamente próximas. Saindo de Gonçalves pela estrada para o Sertão do Cantagalo, a cerca de 8 km encontra-se o centro do pequeno bairro, mas uns 500 metros antes, à esquerda, há a estradinha de acesso à pousada Bicho do Mato. Por ali é o acesso a cachoeira da Fazendinha. O melhor é parar o carro no bairro e seguir a pé. Subindo pela estrada, deixamos a entrada da pousada à direita e seguimos em frente. A estrada contorna o morro e chega à porteira do sítio Gato no Telhado. Passamos a porteira e descemos suavemente, deixando uma casa à direita. Logo chegamos à nova porteira. A frente há a casa do caseiro. A propriedade é particular e é preciso pedir permissão ao caseiro. Por sorte o encontramos junto à porteira e a permissão nos é dada sem mais. O riacho corre à nossa direita e já ouvimos o ruído da queda. Tomamos um trilho que em um minuto nos leva a cachoeira. A água escorre pela laje rochosa e forma um pequeno poço. Todo o percurso do bairro a cachoeira levou uns 15 minutos.

Retornando ao centro do bairro, seguimos pela estrada que passa em frente à pequena igreja. Seguindo sempre em frente, ignoramos as saídas à direita. Logo percebemos o riacho correndo à esquerda da estrada. Mais à frente ele cruza a estrada e segue pela direita. Junto a uma curva para a direita, o riacho volta a cruzar a estrada. Esta começa então a subir e na primeira casa à esquerda está o acesso a cachoeira do Tonho Nego. Novamente o acesso é por propriedade particular. Só que nesse sítio, aparente casa de veraneio, não havia ninguém neste dia. Cruzamos a porteira, seguimos passando ao lado da casa. Logo encontramos a trilha que entra na mata, seguindo paralela ao riacho que corre mais abaixo. Não demora e chegamos à primeira queda, acessível por trilha que desce à esquerda. Do outro lado, outra trilha parece fornecer acesso alternativo pela propriedade na margem oposta ao riacho, mas não chegamos a explorar esse acesso. Seguindo em frente pela trilha, novas quedas são encontradas em graciosa sucessão. Chegando a uma cerca, a trilha prossegue margeando o riacho, mas as cachoeiras acabaram e rio acima o riacho corre suave por entre a mata. O percurso do bairro a cachoeira é de cerca de 20 minutos.

Retornamos a Gonçalves e tomando a estrada rumo ao bairro de São Sebastião das Três Orelhas. Paramos mo centro do bairro, em frente à igreja. Ali começa a caminhada. Passando pela direita da igreja e seguindo até a rua ao fundo, viramos a direita seguindo por ela. Antes do final da ruela, encontramos um quebra corpo na cerca à esquerda. Passamos por ele e subimos pelo pasto até encontrar nova cerca e outro quebra corpo. Passamos por ele e seguimos pela trilha para a esquerda, mantendo o nível. Logo a trilha se torna mais marcada e seguimos bordejando o morro. Outro quebra corpo e, mais à frente, uma porteirinha são transpostos. Chegamos a duas bifurcações seguidas, ignorando-nas e seguimos em frente, chegando a novo quebra corpo. Prosseguimos bordejando o morro. Logo começamos a ouvir o ruído da cachoeira e começamos a avistá-la. Ela é bastante alta. Enfim chegamos ao alto da queda. É preciso passar sob uma cerca de arame, cruzar o riacho saltando pelas pedras e chegando do outro lado seguir a trilha que logo se bifurca. Seguimos descendo o ramo esquerdo e chegamos a um platô rochoso no meio da queda. A visão é belíssima. Parece ser possível descer até a base, mas não tentamos, pois o trecho estava por demais escorregadio devido à chuva recente. O percurso até a cachoeira é de uns 20 minutos.

A ultima das cachoeiras que visitamos, a do Funil, fica antes da cidade para quem vem por São Bento do Sapucaí. Cerca de 6 km antes de Gonçalves, tomamos o acesso ao bairro Atrás da Pedra. Antes de uma subida calçada, paramos o carro e seguimos a pé. Num ponto onde o calçamento sofre uma mudança de padrão, encontramos uma trilha à esquerda. É preciso saltar a cerca de arame e seguir por ali. A trilha sobe um pouco e passa a bordejar a encosta pelo pasto. Logo chegamos ao riacho que, após um trecho onde desaparece sob as rochas, num chamado funil, reaparece e despenca formando a cachoeira. A aproximação da água é um pouco difícil, dado a vegetação crescida no entorno. Como quando chegamos ali começou a chover, nem tentamos chegar á água, mas deve ser possível com um pouco de jeito. Uns 10 minutos de caminhada são o suficiente para alcançar essa cachoeira.

Pedra da Bacia e Pico do Tira o Chapéu

A Pedra da Bacia e o pico do Tira o Chapéu são considerados os pontos culminantes da serra da Bocaina. Convenientemente os dois são relativamente próximos e podem ser acessados partindo do mesmo ponto.

O acesso mais direto e fácil é a partir de São José do Barreiro. Subindo a serra rumo a entrada oficial do Parque Nacional da Bocaina. A estrada foi muito melhorada, asfaltada em certos trechos e cascalhada no demais. Pelo km 23, há uma trifurcação. À esquerda, uma estradinha mais estreita leva as pousadas Recanto da Floresta e Campos da Bocaina. À direita temos o acesso à pousada Conde d’Eu.

Entrei a esquerda, passei uma pequena ponte e parei o carro num espaço de pasto à esquerda da estrada. Até poderia ter seguido por ela mais um quilometro e pouco, mas preferi seguir a pé pela estrada. Logo à frente passei por outra bifurcação, à direita havia o acesso à pousada Campos da Bocaina. Segui em frente e logo chego a uma casa à direita da estrada. Ali seria o ponto extremo para ir com o carro.

Saio da estrada e sigo pelo pasto, deixando a casa à esquerda. Passo por um segundo casebre e chego a uma última casa. À frente a encosta de pasto se eleva. É só procurar uma trilha nessa encosta, que sobe em diagonal, da direita para a esquerda.

A partir daí não tem mais como errar. A trilha logo entra na mata. Mais acima sai novamente no pasto e segue subindo rumo à crista que já avistáramos da estrada.

Chego então a um ponto de onde avisto uma torre no alto do morro a frente. É visível uma trilha subindo íngreme na direção dela. Porem, na bifurcação à frente, prefiro seguir a trilha da esquerda, que vai subindo suavemente, bordejando o morro. Acabo reencontrando a trilha da crista, que após passar pelo topo do morro desce um pouco acompanhando a crista.

Sigo então bordejando a crista para acabar esbarrando numa cerca de arame. Do lado oposto à cerca, há uma faixa limpa de terreno como um aceiro. Aparentemente a cerca compõem a divisa do Parque neste trecho. Prefiro manter a cerca à minha direita e prossigo seguindo-a. Alguns sobes e desces suaves se sucedem. À frente já identifico a pedra da Bacia. Quando a cerca mergulha na mata, abando-a e sigo para a esquerda pelo pasto, por trilha bem marcada, descrevendo um arco para novamente tocar na mata mais à frente.

A trilha penetra na mata bem limpa e não tenho dificuldade em segui-la. Passo por uma laje rochosa à esquerda e logo à frente, entre dois grandes blocos rochosos. Dá para subir no bloco à esquerda, em fácil aderência. O visual é bom, e parece ser esse o cume da Bacia, mas sei que seguindo mais um pouco há mirante melhor. Logo chego a novo bloco rochoso, também subido por aderência, de onde o visual de abre quase em 360 graus.

Vê-se claramente São Jose do Barreiro, a represa do Funil, nesses dias de estiagem incrivelmente vazia e ao longe o perfil da Mantiqueira, desde o Marins até o Itatiaia, os trechos de serrania divididos pelas gargantas do Embaú e do Registro. No contraforte da Bocaina logo a nossa direita, destaca-se o domo rochoso da Pedra Redonda, separada de nos, por um fundo vale, por onde é bem visível a trilha alternativa que sobe do bairro do Formoso até nós, Na direção oposta, o ponto mais alto é o Tira o Chapéu. Possivelmente seria possível até ver a Pedra do Frade, mas o acumulo de nuvens na borda marítima obscurecia sua visão nesse dia. Toda subida desde o carro demorou 2 horas e não há nenhuma fonte d’água no caminho.

O retorno foi pelo mesmo caminho, com apenas a variação de ter subido ao alto do morro encimado pela torre, usada aparentemente para alerta de incêndio. Subi na torre, cujo piso está reduzido apenas a alguns caibros da estrutura, mas não obtive visão diferente da que já tido.

O acesso ao Tira o Chapéu, foi feito no dia seguinte, a partindo do mesmo ponto e num tempo similar. Nesse dia o Célio me acompanhou.

Deixando o carro na beira da estrada das pousadas, seguimos pela estrada principal algumas centenas de metros, tomando outra estrada, agora à direita, sinalizada por uma placa. Essa estrada está em estado bem pior, com alguns blocos rochosos e, quando chove, algum trecho enlameado.

De qualquer forma só seguiríamos por ela cerca de quilometro e meio, até encontrar uma saída à esquerda, novamente marcada com enorme placa turística. Seguimos por estrada ainda mais rústica, rumo a fazenda Cincerro.

Passando pela fazenda, a estrada torna-se muito erodida e intransitável. Seguimos subindo por ela. O caminho nivela e chega a uma porteira. Ali abandonamos a estrada e tomamos uma trilha evidente que sobe o morro à direita A trilha se afasta de uma cerca, faz um arco e volta a se aproximar da cerca. Acaba entrando na mata e segue subindo por dentro dela.

Enfim saímos no aberto e continuamos subindo pelo pasto. Chegando ao alto do morro, seguimos pela crista, descendo um pouco e logo voltando a subir. Encontramos então nova cerca, que vindo da direita, dá uma quebrada de 90 graus. Seguimos pela trilha, deixando a cerca a nossa direita. Logo reentramos na mata, saímos e em pouco cruzamos novo cinturão de mata.

A trilha, assim como a cerca, novamente quebra para a esquerda e começamos então a subida final. Chegando ao topo, passamos a cerca por uma brecha e chegamos ao topo sinalizado por uma placa cimentada a uma rocha, ladeada por uma cruz, fincada em outra rocha.

A placa diz que ali seria o ponto culminante do estado de São Paulo, afirmação no mínimo discutível, talvez se considerarmos que o Marins, Itaguaré, Capim Amarelo, Pedra da Mina e o Três Estados, sem falar em outros cumes subsidiários, muitos sem nome, ficam na divisa Mineira, possa-se considerá-lo o maior pico inteiramente paulista.

Novamente tempo um amplo panorama da morraria ao redor e da crista da Mantiqueira ao longe, mas a visão do vale fica obstruída pelas bordas da serra da qual estamos a alguma distância.

Na volta, retornamos pelo mesmo caminho até o ponto onde esbarramos na cerca em curva de 90 graus, ali, ao invés de seguir em frente pela crista por onde subíramos, viramos a esquerda e seguimos pela trilha mais apagada que acompanha a cerca de crista.

Descemos a uma baixada e do outro lado, ao invés de subir até o alto ainda seguindo a cerca, bordejamos o morro, mantendo o nível. Reencontramos a cerca mais à frente e descemos a nova baixada. De novo bordejamos o morro e seguindo a trilha passamos a descer para a direita, descrevendo alguns zigue-zagues.

À frente já advínhamos a estrada que avistávamos do alto e que esperamos alcançar. É a mesma estrada onde começamos a caminhada e que prossegue para oeste, atravessando um selado exatamente na crista por onde descemos e segue contornando o maciço do pico.

Estamos quase chegando à estrada, mais a frente temos uma encosta por demais íngreme, voltamos um pouco e descemos num trecho menos íngreme, até esbarrar na mata, bordejar rente a ela e depois a atravessar num curtíssimo trecho dela. Uma porteira é cruzada e estamos na estrada.

Agora é só descer para a direita e logo passamos pela fazenda Pinheirinho e logo depois chegamos à casa de pedra, imponente ruína de um antigo sítio. Paramos para umas fotos. Seguindo pela estrada em pouco alcançamos a bifurcação de acesso à fazenda Cincerro e a partir daí seguimos pela estrada por onde viemos.

Sobrando tempo, acabamos seguindo de carro por alguns quilômetros até a entrada do parque e estacionando ali, fizemos a curta caminhada de 2 km até a cachoeira São Izidro, bela queda do rio Mambucaba à esquerda da estradinha.

Um último passeio pode ser feito visitando a pequena e graciosa cachoeira do Paredão. Entre o ponto onde paramos o carro para subir o pico e a estrada de acesso às fazendas Cincerro e Pinheiro, do lado esquerdo, há uma porteira sinalizada com a popular placa “entrada proibida”. Mas ali não casa alguma, passando pela porteira e descendo uma estradinha, logo passamos por um quebra corpo e em mais alguns minutos a estrada vira uma trilha entre pinheiros. Já ouvimos o barulho d’água à nossa esquerda e logo passamos sobre ampla laje rochosa e chegamos à beira rio, junto à cachoeira. O passeio todo não leva mais que 5 minutos. Subindo um pouco rio acima, uma pinguela permite cruzar o rio e ter a visão da margem oposta.

Pedra do Caxambu e cachoeira da Esmeralda

A pedra do Caxambu sinaliza o final da crista da serra homônima, contraforte da serra da Bocaina na divisa entre os municípios de São Jose do Barreiro e Arapeí. Acabei subindo até a sua base por mero acaso. Procurando pela cachoeira da Esmeralda, resolvi após visitar a pequena queda, subir um pouco mais a estradinha por onde viera. Avistando uma interessante formação rochosa no topo da crista, segui subindo a estrada até seu final e percebendo que a encosta desimpedida de pasto acima não apresentava qualquer dificuldade, prossegui até seu topo.

O acesso mais direto é passando por São José do Barreiro, prosseguindo pela estrada dos Tropeiros como que indo para Arapeí ou Bananal. Cerca de 8 km após o Barreiro temos o bairro do Formoso. Saindo do asfalto na rua junto à pracinha à direita, siga reto até sair do perímetro urbano. Mais 8 km de estrada de terra, quebre à direita na bifurcação e logo passara por um portal que sinaliza que se chegou ao bairro do Máximo.

Seguindo em frente, passará por curto trecho calçado e um bar à direita. Na saída do trecho calçado siga pela esquerda. Na próxima bifurcação, de novo à esquerda, seguindo a placa “Balneário Por do Sol”. A estrada começa a subir. Passado o balneário, temos nova bifurcação, onde segui novamente pela esquerda. Aliás, parei o carro junto à bifurcação, pois a estrada, além de piorar mais acima, também é muito estreita e não há a possibilidade de estacionar sem fechá-la.

Logo cruzei o riacho e segui subindo com o rio agora a minha direita. Em pouco uma placa “Cachoeira da Mata” posta por algum grupo de motoqueiros marca a entrada da trilha que leva a mais conhecida cachoeira da Esmeralda. O nome cachoeira da Mata designa com maior freqüência outra cachoeira, que fica na estrada do cachoeirão, cuja saída do asfalto fica logo antes do Formoso.

Entrando na trilha, logo desci a beira do rio. Logo abaixo uma corredeira provida de uma jacuzzi natural convida ao banho, mas cruzando o rio e tomando a trilha do outro lado, vamos subindo o rio pela sua margem esquerda, para em poucos minutos voltar a sua margem. Daí já se avista a queda, mas ainda é preciso seguir pelo leito, pulando de pedra em pedra e saltando um degrau rochoso final antes de atingi-la. A seus pés um fundo poço de cor esverdeada explica porque o nome de cachoeira da Esmeralda.

O local é extremamente aprazível, encravado em um raso cânion, cercada pela mata, não há como não mergulhar nas frias águas do poço. O local parece não ser muito freqüentado, o que só aumenta o encanto, não obstante já haver alguns nomes rabiscados no musgo que recobre as rochas ao redor.

Após ter me refrescado com o banho, voltei à estrada e só por curiosidade segui subindo por ela. Logo passei por uma casa à direita e pouco depois ignorei uma saída à esquerda, aparentemente menos usada. Acabei chegando a uma porteira de varas. Saltei-a e cheguei a uma casa, aparentemente não habitada,

Passei pelo lado direito da casa e cruzei uma tronqueira ao fundo. Acima já avistava a pedra. Segui pela trilha evidente, subindo. Quando a trilha virou a direita e nivelou, passei a subir pelo pasto, caindo também um pouco para a direita. Saltei uma cerca e segui subindo, agora para a esquerda, desviando de algumas paredes rochosas,

Perto do rochoso, encontrei marcadas trilhas de vaca que aos zigue-zagues me levaram a crista logo acima. Segui subindo pela crista, desviando de um matacão pela esquerda.

Acabei chegando a um capão de mata, mas foi fácil encontrar uma trilha de vaca pela mata e segui subindo caindo um pouco para a esquerda. Quando a mata acabou, comecei a bordejar pelo pasto para a esquerda. Logo cheguei ao topo da crista e entrei em novo trecho de mata, cruzando-o de novo por trilha de vaca, onde, aliás, algumas das ditas se encontravam, para logo saírem correndo de mim.

Quando a mata acaba, poucos metros de aclive pelo pasto, semeado de bosta me levam a base da pedra. Chegando a ela, vejo que o paredão de rocha é vertical, tanto ao norte, quanto ao sul, só do lado oeste, onde estou, a subida parece mais praticável. Ainda subo os primeiros degraus rochosos, mas acabo percebendo que o acesso ao topo é uma escalada, e não das mais fáceis. A rocha fica quase vertical, molhada e escorregadia. Uso de corda seria imprescindível para o acesso ao topo. Dando-me por contente por ter chegado até ali, apenas sento-me para um descanso enquanto contemplo o visual da baixada ao norte.

O retorno foi feito pelo mesmo caminho. A subida desde a cachoeira levou cerca de 1:30 hs e subi uns 500 metros de desnível. Acrescento que aparentemente, haveria uma rota paralela, á esquerda da que segui. Pelo que parece, na ultima bifurcação da estradinha, que ignorei, a esquerda leva a outra casa donde uma trilha parece levar a outra casa, bem mais acima na encosta, donde parece não haver problema para alcançar a crista subindo pelo pasto. Ignoro se seria mais fácil subir por ali. Acho que não.

Travessia Vargem-Morro Grande

O ponto de encontro combinado era o Tropical de Altitude, um refúgio de montanha em Itanhandu, onde dormiríamos. De lá, o Vinicius e a Daniela, nos conduziriam ao bairro da Vargem, já em Baependi, aos pés do morro do Chapéu, onde iniciaríamos nossa caminhada.

Saímos às 6:30 do domingo de Itanhandu, passamos por Pouso Alto e prosseguindo como que rumo a Caxambu e Baependi. Alguns quilômetros antes dessas cidades, tomamos uma saída à direita e seguimos longos quilômetros de estrada de terra em regular estado rumo ao bairro da Vargem. Em quase todas as bifurcações, tomamos a direita.

Enfim, pelas 8:00 chegamos ao bairro. Seguindo mais um pouco após o trecho calçado, tomamos a esquerda, passando por uma ponte sobre o rio Jacu, e na bifurcação logo à frente, à direita, logo alcançando uma casa branca. Ali começa a caminhada.

O morro do Chapéu, com seu formato característico de cone truncado avulta a nossa esquerda, é para seu topo que seguiremos logo de inicio. A trilha não é aparente a beira da estradinha, mas subindo pelo pasto rumo a uma arvore mais acima, logo encontramos a trilha que vai subindo suavemente pelo pasto da direita para a esquerda. Passamos por uma porteira e por estreito cinturão de mata para logo voltar ao pasto. Seguimos subindo pelo pasto, paralelos a mata à nossa esquerda. Às vezes a trilha se apaga, mas logo reencontramos outra mais acima. Uma roça de milho é deixada à esquerda e ao final desse trecho, esbarramos numa cerca. Procurando um pouco mais à direita, o Célio encontrou uma porteira. Do outro lado a trilha bem marcada segue por entre samambaias e pouco a pouco entramos na mata.

Quando a trilha vira à direita e cruza um riacho, paramos para nos abastecermos de água. Logo prosseguimos subindo pela mata, fazendo alguns zigue-zagues. Mais acima a trilha vira decididamente para a direita e sai da mata. Passamos então a subir pelo aberto, passando por trechos erodidos onde é possível notar até marcas de pneus de moto! Sim em outra ocasião cruzamos com motoqueiros nessa trilha.

A trilha pouco a pouco vai galgando a serra, seguindo sempre para a direita, até que alcançamos o alto cerca de 2:30 hs após o inicio. A trilha então se aproxima de uma mata. Entrando na mata, por trilha marcada, chegamos a um riacho onde nos reabastecemos novamente. Certamente nessa travessia não teríamos problema de água.

Deixamos as mochilas na borda da mata e prosseguimos leves rumo ao topo do Chapéu, que fica fora da rota. Seguindo pelo pasto na direção do colo entre os dois blocos em que se divide o topo, em pouco encontramos a trilha e seguimos por ela, evitando uma matinha mais abaixo, até chegarmos à base do morro, onde uma íngreme trilha pela mata que guarnece a encosta do morro nos leva até seu topo descampado.

O topo é amplo e oferece muito espaço para camping. Fomos até a sua borda oeste, de onde tivemos bela vista do amplo e verdejante vale onde se situa o bairro da Vargem. Uns 15 minutos por ali e retornamos as mochilas para prosseguir a travessia.

Seguindo pelo pasto acompanhando a mata à direita, acabamos encontrando uma trilha que a adentra. A trilha é um pouco confusa, mas é só seguir em frente, procurando o melhor caminho e mantendo o nível que ao final de pouco tempo emergimos no pasto do lado oposto. Logo a saída da mata, topamos com uma pequena cobra à beira da trilha, que a um toque do meu bastão, saiu correndo e se enfiou na mata.

Prosseguimos então pelo descampado no sentido quase que oposto, procurando manter o nível, superando pequenos sobes e desces, sempre com o Chapéu nos observando a nossa direita. Logo percebemos que estamos contornando profundo vale a nossa esquerda.

Ao final desse trecho, apesar de haver trilha que seguia bordejando a frente, aparentemente no rumo desejado, optamos por seguir à esquerda, acompanhando o vale à esquerda. Por um trecho perdemos a trilha marcada, mas acabamos reencontrando-a, mais à frente, um pouco mais abaixo na encosta.

A trilha vai então ora descendo por entre campos de florzinhas roxas, que cobriam também os morros ao redor, ora bordejando pela direita, um morro mais alto. Acabamos cruzando com um grupo que vinha em sentido oposto, desde Aiuruoca.

Descemos então rumo a uma mata de araucárias, que atravessamos por marcada trilha. Emergindo do outro lado, subitamente demos com uma cabana na margem oposta de um riacho. É o rancho do Piracicaba, riacho que nos separava dele e que mais abaixo, se precipita formando a cachoeira do Juju.

Atravessamos o riacho e às suas margens, fizemos a parada para o almoço. Já era mais de 13:30. Pouco abaixo um convidativo poço chamava-nos para um banho, mas nenhum de nós aceitou o convite.

O rancho, que foi desapropriado pelo parque e ficava trancado a cadeado tinha sido arrombado e naqueles dias estava sendo ocupado por um grupo de Baependi que passava o feriado naquele local!

Após o almoço, prosseguimos a caminhada. Seguindo indicações de um dos locais, subimos a encosta ao fundo do rancho, aparentemente poderíamos prosseguir pelo alto dos morros a seguir e com isso avançar na direção pretendida, mas percebendo que isso nos poria muito longe do tracklog que seguíamos, desistimos de seguir por ali e voltamos à baixada, de modo que o correto e mais direto, seria seguir subindo o riacho, apenas, subindo a encosta, o bastante para escapar do charco que surge logo acima. Na borda desse charco, há uma trilha que entrar pela mata acima. Encontrar essa entrada nos tomos algum tempo e custo-nos ferimentos por espinhos e um bastão quebrado ao Célio e as duas botas molhadas a mim.

Enfim, tomamos a trilha e logo saltamos um riacho e uma cerca paralela a ele. Ali aproveitamos para pegar água. Pela trilha fomos caindo um pouco para a esquerda e subindo até sairmos da mata. Prosseguimos subindo pela encosta de pasto.

Antes de chegarmos ao topo, fomos surpreendidos pela mudança brusca do tempo. A chuva veio forte e quase sem aviso. O Célio e a Vevê rapidamente armaram sua barraca e a mim, só restou esconder-me no avancê deles. Uma hora e meia depois a chuva parou e pude montar minha barraca. Após o crepúsculo preparamos o jantar.

No dia seguinte, acordei com um pancada de chuva após uma noite sem chuva. Mais logo a chuva parou e pudemos tomar o café da manhã e desmontar as barracas sem contratempos. O tempo se firmou e demos inicio a caminhada.

Subimos mais um pouco, apenas para perceber que um fundo vale no toldava o avanço. Foi preciso pular uma cerca à direita e descendo a encosta, que desse lado era relativamente suave, para alcançando o fundo, localizar uma trilha que atravessava a estreita mata ciliar e saltando o riacho, nos devolvia ao campo do outro lado. Por ali foi só seguir subindo a encosta de pasto, caindo ligeiramente para a esquerda até atingirmos o alto de uma crista, ponto onde pretendíamos acampar no dia anterior, um convidativo e plano gramado entre alguns blocos rochosos.

Do lado sul a encosta era bem mais íngreme e a frente havia novo riacho perpendicular à direção do nosso avanço. Para a esquerda, na direção da nascente desse riacho, havia uma região de charco, já para a direita, a encosta era mais íngreme e ao fundo, mata ciliar cercava o riacho. Descemos ligeiramente para a esquerda, procurando os trechos menos íngremes, passando por trechos de lajes rochosas escorregadias. Chegando ao fundo, foi preciso seguir um pouco para a direita, até encontrar um ponto onde dois saltos permitiam cruzar o riacho, com o auxilio de uma ilhota intermediaria. Quando já estávamos à beira do riacho, a Vevê que ainda descia a encosta gritou que tinha visto uma cobra, num trecho de mato alto por onde passara há pouco. Felizmente a cobra se afastou e ela pode descer sem problemas.

Do outro lado, três capões de mata, que aparentemente cercam três nascentes do riacho despontam no campo a nossa frente. Seguimos subindo pelo pasto, desviando pela direita deles. Depois seguimos pelo alto desviando de um morrote também à esquerda. Segue-se um trecho aberto na direção sul que se interrompe por novo trecho de mata. Encontramos uma trilha, um pouco para a esquerda e entramos na mata. O Célio acaba por tropeçar em restos de uma cerca caída dentro da mata que rasgam sua polaina. A trilha acaba saindo num trecho de campo e seguimos por trilha marcada até reentrar na mata. Esse trecho de mata é mais curto e novamente saímos no campo.

O panorama se alarga adiante. Do lado esquerdo, há uma baixada ampla, parte do vale do rio Santo Agostinho, onde desponta algumas casas, que acredito serem a sede do parque e uma estrada que do sul segue até elas. À frente, funda grota atravessa nosso caminho. Do outro lado morros se elevam. A trilha segue bordejando para depois passar a descer ziguezagueando até o fundo da grota.

Ao fundo, entroncamos uma marcada trilha que faz a ligação entre a Vargem e o vale do Santo Agostinho. Seguimos para a direita por ela um tempo, até que encontramos uma saída que segue subindo o morro, agora a nossa esquerda. Rapidamente saímos da mata que guarnece o fundo da grota e voltamos ao aberto.

Seguimos pelo pasto caindo um pouco para a direita até encontrar nova mata e entrarmos numa trilha pouco marcada, descemos ligeiramente, e após alguma confusão ao fundo, encontramos uma cerca um pouco mais à direita, junto à cerca, uma trilha mais marcada subia a encosta do outro lado. Seguimos por ela e fomos devolvidos ao aberto.

Temos então mais trechos alternados de pasto e passagens por curtos trechos de mata. À direita voltamos a ter visão do amplo vale da Vargem e eventualmente do morro do Chapéu.

Descemos por fim um trecho mais profundo, sempre beirando uma mata. Pareceu-me até que descíamos demasiadamente. Ultrapassamos por um estreito cinturão de mata por uma brecha e voltamos a subir pelo pasto. Em pouco chegamos a maior e mais densa mata. Encontramos uma trilha bastante fechada por bambuzinhos, mas cujo sulco no chão era marcado. Entrando nela, logo escutamos o ruído de água e chegamos a um riacho. Paramos então para o almoço e nos reabastecemos de água.

Retomada a caminhada, logo saímos da mata e voltamos a subir íngreme encosta de pasto. Começamos a cair para esquerda e passamos a bordejar. O que ficaria claro depois é que estávamos então contornando o alto vale do rio Jacu, fundamente encaixado no terreno, ao qual desceríamos mais à frente. Nesse trecho esbarramos com um grupo que participava de um curso da OBB e cujo objetivo aparente era seguir na direção de onde viéramos, ou seja, da serra da Vargem e que procuravam se orientar apenas com o mapa topográfico, o que nessa região realmente não é fácil.

Após contornarmos um pequeno capão de mata, voltamos à direção sul, ainda bordejando e depois descendo ao fundo do pequeno vale, cruzamos um curto cinturão de mata e voltamos a subir, bordejando no rumo sul. Chegamos ao alto de um selado, onde uma trilha bem marcada segue para a direita. Tomamos a trilha e entramos então no vale do rio Jacu. A trilha segue em nível por um tempo e temos bela vista do vale, das corredeiras do rio e do chapadão na margem oposta. Poucos a pouco, e após passarmos por trechos de mata, vamos descendo ao fundo do vale.

Após um trecho final mais íngreme, chegamos à beira do rio Jacu. O caminho prossegue do outro lado, mas antes, descendo um pouco pela margem direita, chegamos a um conjunto de cachoeiras providas de poço realmente muito bonitas. Se o tempo estivesse mais quente teria entrado n’água.

Retomando a caminhada e cruzando o rio, viramos a esquerda e seguimos subindo o rio. Subimos até encontrar uma trilha que saia à esquerda. Tomando essa saída, descemos pelo pasto até entrar na mata ciliar e voltarmos à beira do rio. Ali, pela primeira e última vez, foi preciso tirar as botas e molhar os pés subindo o rio alguns metros, até encontrar a continuação da trilha do outro lado.

Logo passamos pela mata ciliar, repleta de araucárias, e saímos novamente no pasto. Começamos a subir de modo íngreme, passando por uma pequena cachoeira à direita. Alguns zigue-zagues a mais e chegamos a uma bifurcação. À esquerda a trilha entra em um pequeno vale. Seguimos por ali e bordejamos a encosta por pouco tempo. Descendo, cruzamos um riacho e subindo poucos metros, chegando a uma clareira onde alguns pilares de madeira carcomidos denunciam que ali já houve um rancho. Acampamos ao redor deles em excelente sítio: plano, seco, protegido e próximo à água. Eram 18:00 hs e ficamos descansando até o ocaso, quando então preparamos nosso jantar e ficamos conversando mais um pouco antes de nos recolhermos.

Acordamos novamente com uma pancada de chuva, mas ela logo passou e levantamos para o café da manhã. Ao redor a neblina cobria os morros ao redor.

Enquanto desmontávamos as barracas e guardávamos as coisas o tempo foi abrindo e até ameaçou sair o sol. Retomando a caminhada, voltamos a ultima bifurcação e tomamos o outro ramo. Voltamos a subir a encosta de pasto, quase sempre por trilha marcada. A encosta como nos dias precedentes estava juncada de florzinhas roxas. Chegando a crista, viramos a direita e prosseguimos subindo pela crista, ultrapassando curtos capões de mata. Logo começamos a avistar as encostas rochosas do Garrafão a nossa esquerda. Seguíamos contornando o fundo vale que nos separava dele. Do lado oposto haviam as baixadas marcadas na carta como fazenda do Alegre. Eventualmente a crista faz um zigue-zague, até que chegamos à cabeça do vale à nossa esquerda.

Descemos então curto degrau de pasto, saltamos um riacho e começamos a subir a encosta de pasto semeado de lajes rochosas do outro lado. Vamos desviando de alguns trechos de vegetação mais alta, procurando chegar ao alto da crista, no ponto imediatamente à direita da mata que guarnece o topo do pico. Chegando quase ao alto, caímos para a esquerda e cruzamos o pequeno capão de mata, já no topo. Prosseguindo mais um pouco, estacionamos nas lajes na borda do topo, de onde temos vista da baixada que compõem o bairro do Garrafão. O tempo estava um pouco enevoado. Tivemos alguns vislumbres do Papagaio e da Mitra do Bispo, mas não dava para ver nada na direção sul, onde o maciço do Itatiaia desponta. Fizemos nosso almoço por ali.

Ás 13:15 hs iniciamos a descida rumo ao bairro de Morro Grande. Seguimos pela crista que descreve um amplo arco na direção sul-oeste. Logo à frente subimos ligeira elevação e passamos ao lado de uma antena. Na verdade a antena fica no verdadeiro cume do Garrafão, pelo menos uns 20 metros mais alto. Dali seguimos descendo a um raso vale. Caindo para a direita pelo fundo do valezinho, encontramos uma trilha que passa a bordejar a baixa encosta à nossa esquerda. Vamos perdendo altitude lentamente. No ponto mais baixo do arco, justo quando completamos cerca de 90 graus dele, quebramos a esquerda, continuando a descer por um corredor de pasto, seguindo a borda da mata a nossa direita.

Quando chegamos ao final desse pasto, encontramos uma entrada na mata à direita, seguindo por ali, logo cruzamos um riacho e, do outro lado, a trilha quebra à esquerda e em pouco sai no aberto, para logo em seguida passar por estreito cinturão de mata e emergir novamente no campo.

Agora avistamos uma crista que segue para a esquerda. Nossa trilha passa a segui-la pela encosta oposta. Por ela vamos descendo lentamente, sempre com vista da baixada da fazenda do Alegre aos nossos pés. Quando a crista vira para a direita, abandonamos a trilha marcada e descemos para a direita, sem trilha, até achar outra trilha mais abaixo. Essa trilha, bem marcada e pedregosa, vira para a esquerda e volta a descer forte. Duas variantes sucessivas, à esquerda, possibilitam zigue-zagues mais suaves e menos acidentados. Enfim chegamos à baixada e encontramos uma marcada trilha que, a esquerda desce ao Morro Grande, e a direita tanto dá acesso a uma descida rápida ao vale da Vargem, como segue pela encosta oposta da baixada do Alegre, eventualmente entroncando na mesma trilha por onde viemos, pouco acima da cachoeira do rio Jacu.

Iniciamos então a descida pela mata: zigue-zagues, variantes e trechos profundamente escavados se sucedem. Em meio a isso, a chuva que já se anunciava, enfim se apresenta. Transformando o sulco marcado da trilha em um riacho. Não há muito a fazer além de por as capas de chuva e seguir descendo procurando não pisar nos trechos mais empoçados. A trilha passa por um trecho mais aberto e depois volta à mata. Passamos por um último riacho que poderia nos reabastecer. Mais um pouco e desembocamos num trecho mais largo, do que fora uma estrada. Uns zigue-zagues a mais e chegamos a um rústico chalé, onde paramos para um curto descanso. Faltava muito pouco para chegarmos à estrada carroçável onde o Vinicius e a Daniela felizmente já nos esperavam para levar-nos de volta a Itanhandu, dando fim a nossa travessia praticamente no horário marcado: 17:00 hs.