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Travessia Ouro Branco – Ouro Preto

Do Centro de Ouro Branco avista-se ao norte a imponente serra do Ouro Branco. Desde a primeira vez que passei por ali pensei que o local daria uma boa caminhada. Pois bem, no último carnaval resolvi fazê-la. Juntaram-se a mim Amarildo, Laércio, Andrea e, na segunda metade, o Cleber.

Saímos na noite de sexta para a longa viagem de cerca de 600 km até Ouro Branco. Fomos de carro porque o horário do ônibus, saindo no meio da tarde era por demais inconveniente. O Laércio e o Amarildo revezaram-se na direção noite adentro. Chegamos à praça central de Ouro Branco às 5:00 e ainda tivemos tempo para um cochilo dentro do carro antes do dia nascer.

Já eram 7:00 quando despertamos totalmente e saímos para tomar um breve café da manhã em um barzinho nos arredores. Depois retornamos por uma das ruas principais até encontrar um estacionamento onde deixar o carro do Laércio durante aqueles 4 dias.

Guardado o carro, iniciamos a caminhada voltando pela mesma rua até a praça central. Contornamos a venerável igreja matriz, que parece já ter conhecido melhores dias, para tomar a rua que sai detrás dela. Vamos descendo e na bifurcação mais abaixo fomos pela direita. Ao chegarmos a uma transversal, viramos para a esquerda e seguimos em nível. Numa esquina a frente, onde há o ferro velho do Divino tomamos à direita descendo. Logo à frente temos a imponente serra e já inclusive vislumbramos a trilha subindo paralela a alguns postes de luz. Passamos por uma garagem de ônibus a esquerda e acabamos numa estradinha de terra. Há frente há duas porteiras. Seguimos pela da esquerda, que está trancada, mas há um quebra-corpo estreito por onde passamos com alguma dificuldade.

Começa então uma trilha que segue num rumo paralelo a serra o que não parece muito promissor. Este é um ponto crítico, pois a trilha que sobe a serra sai à direita mais a frente, e começa muito discretamente, mas andando-se um pouco por um trecho quase sem marcas logo encontramos a trilha marcada, é preciso bastante cuidado neste trecho para localizar a trilha correta.

Tomando a trilha logo ela entra na mata e em mais um pouco chega a um riacho. Ali não teve jeito, apesar de procurarmos um ponto mais fácil de travessia, não encontramos e tivemos mesmo que tirar as botas e cruzar pela água. O Difícil foi recolocá-las na barrenta margem oposta. A trilha prossegue inicialmente seguindo o riacho para a esquerda, mas logo se afasta dele e começa a subir.

Subimos pela mata por um tempo e mais acima encontramos um entroncamento que vem pela direita e é outro acesso um pouco mais longo saindo da cidade por outro ponto. Seguimos subindo e a trilha sai da mata e começa a subir para valer em degraus rochosos. Em alguns pontos a trilha se divide, mas são apenas variantes.

Após algumas passagens mais expostas, enfim chegamos a um ombro na encosta da serra. Ali um riacho no abastece os cantis e de uma pedra em formato cúbico conhecida como pedra quadrada temos uma ampla vista da baixada e da cidade aos nossos pés.

Depois de um refresco nas águas do riacho e algumas fotos do mirante, retomamos a caminhada. A trilha se divide em duas. Optamos pela variante direita que acredito ser menos íngreme. E tome mais degraus rochosos até o alto da serra. Enfim chegamos ao topo e dali havia dois passeios colaterais possíveis. Tomando uma trilha para a esquerda, era acessível um cruzeiro fincando num morrote logo à esquerda. O outro era seguir em frente até a estradinha que segue o alto da serra e tomando uma estradinha lateral que desce ao raso valezinho a frente visitar as pequenas cachoeiras formadas pelo riacho local. Com o sol que já fazia preferimos descer as cachoeiras, o que tomou-nos poucos minutos e chegando lá, aproveitando o grande calor mergulhamos nas frias e rasas águas do maior pocinho.

Após um tempo de descanso por ali, retornamos a estradinha principal e seguimos por ela no rumo leste. A estrada percorre toda crista da serra dando acesso a algumas antenas no extremo oeste. Não há melhor opção do que seguir por ela.

Há muita pouca sombra neste trecho e após andarmos um tanto e já querendo parar para o lanche, acabamos estacionando numa estradinha bem mais precária, aliás, mero sulco duplo que sai a direita, mas sombreada por alguns eucaliptos resultando no único recanto agradável neste trecho para lancharmos.

Deitados a sombra, refrescados pela brisa e reanimados pela comida e alguns goles d’água que agora deviam ser racionados visto não sabermos onde encontraríamos o próximo ponto de água, foi difícil recomeçar a caminhar, mas ainda tínhamos andado muito pouco nesse dia. Retomamos a estradinha e seguimos em frente. A nossa direita a visão de Ouro Branco cada vez menor nos acompanhava.

Quase ao final da estrada, tomamos uma trilha à direita numa curva ascendente e para a esquerda da estrada, apenas um atalho que nos devolve a estrada logo à frente. Enfim a estrada de terra desemboca no asfalto. Do outro lado avistamos uma trilha. Porém há também um casebre onde vemos uma pessoa e na cerca a popular placa “proibida à entrada”. Ainda chamamos o elemento para uma conversa, mas lacônico ele apenas disse que nos não poderíamos passar por ali. Sem alternativa, fomos descendo para a esquerda pelo asfalto, mas 100 metros à frente, avistamos uma porteira de arame na cerca agora à nossa direita e não hesitamos em entrar por ali, seguindo por trilha larga que parece seguir as torres de alta tensão que seguem na mesma direção. Não demora e as torres passam para o outro lado do asfalto, mas há trilha, mais estreita, que segue para direita e por ali fomos. Acabamos desembocando numa estradinha muito ruim e descendo por ela chegamos a uma casa.

Obviamente a trilha passava por uma série de duas porteiras e subia visivelmente a encosta à frente. Por uma questão de educação, resolvemos pedir permissão na casa para passar e aproveitar para tomar alguma informação adicional de como chegar ao arraial do Itatiaia, nosso próximo ponto de referencia.

Para nossa surpresa, apesar da conversa em alto volume que sugeria
uma briga, fomos muito bem recebidos pelo moradores, a maioria parecia que
estava em avançado estado de embriaguez. O menos afetado, ou abstêmio, foi
correndo buscar uma garrafa de água gelada em um caminhão estacionado sei lá
onde! Ofereceram-nos comida e até um lugar para dormir! Dispensamos as
ofertas educadamente, menos a água gelada que consumimos com sofreguidão
após àquelas horas sob sol forte e sem pontos de água. Foi-nos confirmado
que por ali chegaríamos a Itatiaia em cerca de hora e meia e nos foi dado
alguns detalhes a mais sobre o caminho. Após algum descanso a sombra da
casa, seguimos a caminhada passando pelas duas porteiras em rápida sucessão.
Descemos então ao fundo de um vale, cruzando um riacho. Parece que
ligeiramente rio acima havia algum poço para banho de onde um grupo com o
qual cruzamos na região das porteiras voltava, mas não fomos investigar. Do
outro lado a trilha toca a subir a encosta, entrando na mata. Chegamos a uma
bifurcação, onde me parece que teria sido mais direto ir pela direita, mas
fomos pela esquerda e chegamos ao alto da crista da mesma maneira. Tivemos
ai de seguir para a direita pela crista de capim até reentrar na trilha que
agora descia ao próximo vale. Do alto já avistávamos Itatiaia ao alto do
morro, bem mais a frente. Conforme descíamos, nos aproximamos de um riacho
que seguia paralelo que, dado o calor, nos convidou a nova parada para nos
fartarmos de suas geladas águas.
Continuamos a descer até o fundo, onde a trilha vira para a direita e
cruza o riacho, subimos a encosta do outro lado por pouco tempo, para depois
virar para a esquerda e reentrar na mata.
A trilha vai agora aos ziguezagues, aos poucos, subindo por dentro da
mata. Ao fim de algum tempo, chegamos ao alto de uma crista e a trilha passa
a seguir por ai. Uma primeira bifurcação surge, mas parece cair para o lado
oposto da crista. No apegamos ao alto da crista que parece seguir direto na
direção norte, rumo a Itatiaia. Outras bifurcações aparecem mais mantivemos a
mesma orientação. Após uma porteira de arame, a trilha parece bifurcar. O
ramo em frente segue uma cerca mais parece mais fechado. Seguimos pela
esquerda e começamos a descer rapidamente aos ziguezagues. Outras trilhas
se entroncam na nossa e ao final da descida, chegamos a um riacho antecedido
por uma cerca. Saltamos a cerca, cruzamos o riacho largo mais raso pelas
pedras e seguimos a trilha que agora corre paralela ao riacho, para a
direita.
Não demora e passamos por um canal de pedra e chegamos à cachoeira do
Moinho, junto ao qual há um antigo moinho com paredes de pedra. Na cachoeira
alguns locais tomam banho. Junto ao moinho, a trilha parece bifurcar,
tomamos a esquerda, subindo forte. Logo ela se converte em uma estradinha
bem ruim. Subimos por seus íngremes ziguezagues. Numa bifurcação acima,
tomamos a subida mais íngreme e acabamos desembocando no asfalto bem no meio
da vila do Itatiaia.
Seguimos para a direita e em poucos metros encontramos um barzinho
onde não resistimos a parar para uma cerveja gelada ainda sem saber onde
dormiríamos esta noite. Com alguma prosa com o dono do bar que dizia ter
morado muitos anos em São Paulo e se mudado para lá depois de aposentado e
ficou muito contente em conseguir alguns parceiros de prosa naquela
modorrento arraial onde parece que nada acontece desde os dias de
Tiradentes, obtivemos uma indicação de pousada.
A pitoresca vila do Itatiaia encarapitada no topo de um morro tem a
forma de um Y. Estávamos no pé do mesmo e seguindo até uma pracinha, que faz
às vezes de centro do Y, seguimos pelo braço esquerdo do Y. Antes passamos
pela igreja colonial, ainda em restauro, mas em estado bem melhor que a de
Ouro Branco.
Após a pracinha a rua passa a descer e do lado esquerdo encontramos a
pousada Villa Real. Onde fomos muito bem recebidos pela Jéssica. Conseguindo um quarto para os quatro a preço módico demos adeus à idéia de acampar. No outro braço do Y havia o restaurante Araucária, onde poderíamos ter jantado, mas
preferimos dar uso a comida que carregávamos, sendo-nos franqueado o uso da
cozinha da pousada.

No dia seguinte, após o café da manhã, reiniciamos a caminhada descendo a rua.
Quando a rua acaba, encontramos duas trilhas que descendo pela mata. Tomamos
a da direita. Não faço idéia onde sai a da esquerda. Descendo por ela logo
chegamos à estrada de Santa Rita de Ouro Preto. Seguimos então pelo asfalto
para a esquerda e em pouco chegamos ao entroncamento com a estrada Ouro
Branco-Ouro Preto. Dali seguimos pelo asfalto, na direção de Ouro Preto, mais algumas centenas de metro até encontrar uma estradinha de terra que sai à esquerda. Seguimos por ali e em pouco há uma trilha que sai agora à direita logo após uma curva da estradinha. Na verdade, trata-se a estrada real, o caminho imperial que
ligava Ouro Branco a Ouro Preto.
Seguimos então pela estrada real que vai subindo a encosta passando
por trechos calçados de pedra, muros de arrimo e mais a frente pela
imponente ponte do Calixto. Quando a estrada real volta a se aproximar do
asfalto, é possível atravessá-lo e do outro lado seguir uma trilha que leva a
uma alta cachoeira cujo nome não sei. Como a maioria não quis visitá-la
seguimos em frente.
Chegando a ponte do Calixto, era possível subir o rio até as quedas da
cachoeira do Calixto logo acima. Uma idéia seria esconder as mochilas por ali a fim de alcançar a cachoeira com mais rapidez e comodidade. A presença de um grupo
por ali nos inibiu de fazê-lo e acabamos deixando essa cachoeira de lado
também.
Prosseguimos pela estrada real e mais a frente ela desemboca no asfalto.
Ali o negócio foi seguir pelo asfalto mesmo por mais cerca de 400 metros.
Após 100 metros, parece que havia a entrada de uma curta trilha que daria
acesso a cachoeira da Agulha Negra, que também acabamos deixando de lado. Ao
fim desse trecho aborrecido pelo asfalto, saímos pela direita, passando por
um quebra corpo junto a uma porteira e tomando a trilha. Junto ao início da
mesma uma placa dizia “proibido para motos”! Passamos ao largo de uma casa e
após saltar dois riachos, a trilha passa a subir, desviando de uma enorme voçoroca.
Ao chegar ao alto e a nova cerca provida de quebra corpo, chegamos a
uma bifurcação. Para a esquerda a trilha continuava para a vila de Chapada.
Para a direita, tínhamos a trilha que subia o pico do Itatiaia.

Ali na bifurcação deixamos as mochilas escondidas entre as pedras e
subimos para a direita rumo ao topo. A trilha é bastante sinalizada por
totens e segue em inúmeros ziguezagues por entre os blocos rochosos que
constituem a encosta da montanha. Umas duas vezes acabamos perdendo a trilha
e tivemos de retornar pequenos trechos até reencontrar o caminho correto.
Alcançamos o topo onde há um mastro com uma bandeira rasgada e um
pequeno oratório. Dali se descortina um belo panorama: a represa do Taboão
no sopé da montanha, Itatiaia encarapitada no morro logo à frente e ao fundo
a serra do Ouro Branco de onde viemos cercada de um sem número de verdes
morros. Do lado leste, vemos a pequena vilazinha de Chapada, nosso próximo
objetivo e na mesma direção, no alto de uma crista parte de Lavras Novas
para onde seguiremos depois.
Após uma meia hora por ali, retornamos as mochilas, onde paramos para
um lanche. Um outro grupo subira até ali e tivemos um dedo de prosa com
eles. Eles ameaçaram subir ao topo, mas parte do grupo não estava disposto a
subir a meia hora a mais de caminhada até o cume e acabaram retornando.
Dali a trilha segue para norte, apesar de vila estar a leste. Na
direção direta, um vale profundo e sua mata ciliar desestimula qualquer
idéia de seguir rasgando em linha reta.
Seguindo pela trilha, bordejamos para o norte e mais a frente à trilha
vira para o leste e segue pelo campo aberto até entrar na mata. Logo após
entrarmos na mata chegamos a um rio. Ali foi necessário tirar as botas para
atravessá-lo. Aproveitamos o calor do meio do dia para um refrescante banho
no raso rio.
Continuando do outro lado a trilha sobe um pouco e vira para a direita
em direção mais ou menos paralelo ao do rio. Não demora e passamos uma
porteira e saímos numa estradinha. Ali parece que descendo pela estrada,
sairíamos num pesqueiro de onde uma trilha nos levaria a cachoeira do
Castelinho, mas acabamos não optando por essa opção e subimos a estrada o
que logo nos levou a estrada principal, por onde descemos na direção da
Chapada, já com a serra do Trovão avultando a nossa esquerda.
Chegando ao fundo do vale, entramos na pequena e simpática Chapada,
onde observamos os primeiros sinais do carnaval. Paramos na barraca do Pezão
para uma cerveja e uns espetinhos.
Da Chapada, tomando a estradinha à direita da bonita Igreja seria
possível também alcançar a cachoeira do Castelinho, mas o pessoal preferiu
deixar a atração de lado, mesmo porque era provável que houve muita gente
por ali. Prosseguimos em frente e descemos mais um pouco, passando por uma
bica à esquerda, onde reabastecemos os cantis. Pouco a frente, uma
estradinha saindo em diagonal à esquerda, provida de uma porteira é o começo
na trilha para Lavras Novas. Seguimos por ali e passamos ao lado de uma
casa. Seguimos então para a esquerda, subindo. Ali a estradinha já vira uma
trilha evidente e muito erodida, parte da antiga estrada real, sinalizada
pelos seus conhecidos marcos.
E toca a subir às vezes por canaletas escavadas, segundo dizem percorridas desde o tempo dos bandeirantes, ou alternadamente por degraus rochosos. Pouco a pouco vamos ganhando altitude. Passado o alto, a trilha ainda desce a um vale,
cruza um riacho onde é feita a tomada de água para o povoado e sobe uma
última e íngreme ladeira até que subitamente emerge na rua principal de
Lavras Novas.
Chegando ali, seguimos para a direita pela rua principal que logo faz
uma curva e começa a descer. Do lado esquerdo há o restaurante “Recanto do
Gabiru” e logo ao lado a pouso dos Querubins, onde acabamos nos hospedando
por preço módico. A comida do restaurante é também boa, farta e barata.

No terceiro dia, saindo da pousada, tomamos a rua para a esquerda. Logo passamos pela igreja e seguindo em frente chegamos ao final da vila e da estrada calçada. Prosseguindo pela estradinha que mais a frente parece se bifurcar.
Tomamos a esquerda no que agora é uma trilha que vai bordejando a encosta.
Ao fundo do vale, ainda não visível, temos a represa do Custodio. Na verdade
ela já vai ficando para trás!
Acabamos desembocando na estrada junto a um marco da estrada real.
Ali havia duas opções: seguir pela estrada e na bifurcação a frente tomar à esquerda,
descendo, passando próximo a cachoeira dos Três Pingos, ou tomar o aceiro
que descer fortemente à esquerda, acompanhando uma linha de postes.
Optamos pelo aceiro e com rapidez descemos a íngreme encosta. Ao
fundo saltamos um riacho e subindo alguns degraus na encosta oposta
desembocamos novamente na estrada. Ali foi só tocar para a esquerda e seguir
a estrada até a barragem que forma a represa do Custódio.
Chegando a represa, o caminho era seguir em frente cruzando pelo
alto da barragem, porém antes, fomos, num passeio colateral, visitar a
cachoeira dos Prazeres, a mais interessante da região. Para isso,
abandonamos a estrada e seguimos para a esquerda, pela borda da represa.
Cerca de 1 hora de caminhada é o que leva para chegarmos ao fundo da mesma.
Ali, subindo por uma trilha que acompanha o principal formador da represa,
avistamos a queda. É preciso atravessar o rio pelas escorregadias pedras e
do outro lado, tomar uma trilha íngreme pela mata até atingirmos novamente o
rio num poço acima da primeira queda. Poço largo, mas não muito fundo, onde
tomamos um merecido banho, ainda com vista da queda logo abaixo e da represa
ao fundo.
Parece que de Lavras Novas há uma trilha que desce direto ao fundo da
represa, e cuja saída percebemos pouco antes de chegarmos ao fundo da
represa. De fato, a vila parece situar-se logo acima e o caminho que
percorremos até a cachoeira nada mais foi do que um longo ziguezague. Porém
não saberia dizer de onde sai esta trilha. Questão para ser esclarecida numa
próxima visita.
Retornamos então pela borda da represa até a barragem, a qual
atravessamos, aproveitamos para encher os cantis numa bica logo do outro
lado. Seguimos então pela estrada que entra na mata e passa a subir
suavemente. Bem à frente, temos uma placa que indica um mirante. Entrando na
trilha, em poucos metros chegamos ao mirante, formação rochosa acima da
represa com ampla vista dela e de onde podemos ver Lavras Novas ainda bem
mais acima do outro lado. Segundo informações que tivemos depois, haveria
alguma trilha que da cachoeira ou suas proximidades levaria até a estrada em
algum ponto, fazendo um grande atalho na caminhada, porém também não tivemos
nenhuma indicação mais precisa de onde seria esse atalho. Outra coisa a
averiguar.
Voltamos à estrada e seguindo em frente. Chegamos a uma bifurcação em que
tomamos a direita, subido. A estrada então se torna uma trilha que após um
tempo nivela e segue por dentro da mata. Bem mais a frente, em nova
bifurcação, tomamos novamente à direita, porém ali presumo que não faça
muita diferença qual ramo for seguido, já estamos dentro do parque do
Itacolomi e provavelmente o outro ramo apenas desemboca mais diretamente
junto as sede do parque. De qualquer maneira, fomos pela direita e acabamos
saindo na estradinha do mirante do Morro do Cachorro, acesso também ao pico
do Itacolomi.
Descemos então e depois da porteira, tomamos à direita. Passando pela
lagoa, onde depois tomaríamos banho, na próxima bifurcação, fomos para a
direita e chegamos enfim ao camping. Ali descobrimos que seria necessário
registrarmo-nos na sede. Deixamos as mochilas por ali e fomos eu e o
Amarildo até a sede, fazer o registro e pagar o pernoite, R$ 25,00 por
cabeça.
Ai pudemos voltar à lagoa para um refresco no final daquele dia
quente. Quando enjoamos da água, voltamos ao camping para tomar um banho
quente e preparamos o jantar quando já escurecia. O camping do parque é até
que bem organizado, o banheiro tem chuveiro quente e é mantido limpo, aliás,
só havia mais duas barracas fora as nossas.

No último dia, deixando as coisas no camping, subimos ao pico do
Itacolomi. A subida começa pela estradinha do Morro dos Cachorros por onde
descemos no dia anterior e mais acima sai uma trilha pela direita. A trilha é
bem marcada e não há como errar. Chegando ao topo, temos ampla vista de Ouro
Preto ao norte, seguido ao fundo pela serra do Espinhaço. A Oeste podemos
ver Lavras Novas. Do lado oposto Mariana e ao sul apenas as verdes serras
que se espraiam até o horizonte.
Retornamos ao camping, não sem antes fazermos, mais uma parada na lagoa para nos refrescar. Desmontamos as barracas e guardamos as coisas. A descida
até a portaria seria pela estrada de acesso. Um sem número de ziguezagues
pela estrada e alcançamos a portaria. Dali cruzamos o asfalto e do outro
lado, encostamos num ponto de ônibus. Ali já era a periferia de Ouro Preto,
mas a rodoviária, nosso destino, ficava do outro lado da cidade. Nem
chegamos a esquentar o banco e já passou um ônibus. Com ele fomos até a
rodoviária, seu ponto final. Ali constatamos que o ônibus para Ouro Branco
demoraria algumas horas, então acabamos perguntando a um taxista quanto
sairia uma corrida até Ouro Branco, visto que o valor não era grande, não me
lembro quanto, pegamos o taxi e fomos os três: eu, Laércio e Amarildo para
lá. A Andrea e o Cleber tomaram outro taxi para Lavras Novas onde o Cleber
havia deixado seu carro. Para Lavras Novas, apesar de mais perto, os ônibus
são ainda mais esporádicos e não havia mais naquele dia.

Travessia São Francisco Xavier – Monte Verde

    A muito badalada Monte Verde e a menos frequentada São Francisco Xavier são bastante próximas apesar de uma ser mineira e a outra paulista, porém são separadas pela serra da Mantiqueira, sobre cuja crista passa a fronteira SP/MG.

A travessia São Francisco Xavier a Monte Verde é uma caminhada já clássica. Há na verdade três trilhas cruzando a serra e interligando as duas povoações. Uma delas, a chamada trilha do caçador ou da revolução, por atravessar propriedade particular cuja dono levanta proibição de passagem vem sendo pouco trafegada. Das outras duas, resolvemos subir pela trilha do Jorge, reservando a trilha da Fazenda Santa Cruz para o retorno.

Saindo da praça central de São Francisco Xavier na direção Oeste, seguimos pela estrada de Joanópolis. Logo acaba o calçamento e na bifurcação a frente seguimos à direita por poucos metros para logo a frente tomar a esquerda.

Começamos a subir em direção a serra. Deixamos para trás algumas casas e seguimos subindo cada vez mais.

Ao fim de 1:30 ou 2 horas chegamos ao final da estrada, na fazenda Monte Verde. Poderíamos ter vindo até aqui de carro, só que planejamos descer pela outra trilha e de qualquer forma teríamos de retornar até aqui para retoma-lo.

Passamos por uma porteira, deixamos uma última casa à esquerda e a estradinha vira uma trilha bem sombreada por dentro da mata de encosta.

Não é preciso se preocupar com água, 4 pontos se sucedem durante a subida e outra durante a descida.

Muitos ziguezagues e cerca de 2 horas depois , alcançamos o alto da crista e encontramos uma bifurcação. Seguimos pela esquerda e subindo ainda um pouco, desembocamos numa clareira junto a um bloco rochoso de onde temos ampla visão dos dois lados da crista. É a chamada Pedra da Onça. Duas pessoas já armavam um barraca por ali.

Após meia hora de descanso e contemplação voltamos a bifurcação. Seguindo para o outro lado, a trilha desce e sobe alguma vezes por dentro da mata. Cruzamos um trecho de mata conhecida como Floresta encantada. Mais a frente, entramos num trecho onde os bambuzais predominam. Um riacho é cruzado. Após cerca de 1:30 horas a trilha começa a descer fortemente. Chegamos a um riacho mais largo, cruzado por cima de um tronco. Pouco a frente passamos por uma cerca e logo desembocamos no final de uma rua, junto a um hotel Guanxi, ainda em obras. É o final da rua Taurus. Seguindo por ela logo saímos na avenida. das Montanhas e descendo por ela acabamos na rua principal junto ao banco Bradesco.

Em Monte Verde há uma infinidade de pousadas onde pernoitar, mas se a ideia for economizar, a sugestão é seguir pela rua principal para a direita até o bairro operário, onde diversos moradores alugam quartos ou as casas por preço bastante módicos.

O retorno, no dia seguinte, foi pela trilha da fazenda Santa Cruz. Voltando pela mesma avenida das Montanhas. Logo após passamos sob um portal, deixamos a saída da rua Taurus, à esquerda e subimos agora fortemente rumo a crista da serra.

Chegando ao alto, passamos pelo estacionamento onde os turistas que pretendem visitar as pedras da crista deixam os carros e seguimos em frente.

A estradinha vira uma trilha. Deixamos a trilha de acesso ao chapéu do Bispo à direita e seguimos em frente. Logo chegamos a saída a esquerda que leva as pedras Redonda e Partida. Seguimos para um ataque as duas pedras. A Redonda por se mais perto costuma ter bem mais pessoas. À partida poucos chegam.

Retornando a trilha principal. Seguimos em frente. Logo passamos uma porteira de começamos a descer forte. Muitos ziguezagues abaixo, quando a trilha se alarga e chega a uma larga ponte. Tomamos uma discreta trilha à direita e em pouco chegamos a cachoeira da Onça, pequena e graciosa queda com poço.

Voltando a trilha principal, seguimos em frente e dali a pouco chegamos a fazenda Santa Cruz, em frente a qual, há uma porteira trancada. Salta-mo-la e subimos a encosta a frente, chegamos a uma estradinha que tomamos para esquerda. Na bifurcação poucos metros a frente, tomamos à esquerda, descendo.

Quando a estrada vira à esquerda entrando numa outra propriedade, seguimos em frente por trilha mal marcada. Passamos uma porteira e seguimos descendo suavemente até chegamos a uma cerca dentro da mata.

Ali pulamos a cerca em local onde o entortamento dos arames atestam que muitos já fizeram o mesmo. Perdemos alguns instantes até visualizar uma trilha dentro da matinha. Após alguns metros a trilha fica óbvia e logo sai da mata e segue por capim alto, sempre descendo suavemente. Um ou outro aglomerado de samambaias eventualmente tem de ser rompido com as mãos.

Enfim chegamos aos fundos de outra propriedade. Deixamos uma grande laje rochosa à esquerda, passamos entre algumas casa e saímos num fim de estradinha.

Dali é só descer direto pela estradinha até chegar na estrada mestra que vem de Joanópolis e segue para São Francisco. Bem no entroncamento há um ponto de ônibus. Descendo por ela para a esquerda, em 3 km chegamos a cachoeira Pedro David, do lado esquerdo da estrada, e após curta subida, descemos mais 3 km até a praça central de São Francisco. Onde tudo começou no dia anterior.

Seio da Mulher de Pedra

A Mulher de Pedra é uma formação rochosa dentro dos limites do parque dos Três Picos acessível pela estrada Teresópolis – Friburgo. São dois blocos: um forma o rosto e outro o seio separados por profundo selado. O topo do seio é acessível por trilha. O rosto pelo que parece é acessível só por escalada, visto que a face voltada pelo seio, que foi a única que pudemos visualizar é composta por um único paredão rochoso.

Saindo de Teresópolis pela estrada para Friburgo, alguns quilômetros depois, ainda da estrada, avistamos a Mulher de Pedra. Seguimos em frente. A cerca de 12 km de Teresópolis, chegando ao bairro de Vargem Grande. Ali saímos da estrada principal, tomando a estradinha à direita, entre o restaurante da Tia Lene e a base da polícia. Seguimos direto pela estradinha. Quase ao final há duas bifurcações seguidas. Na primeira tomamos à esquerda, na seguinte, poucos metros após, seguimos em frente. Logo a frente, a estrada quebra à esquerda e passamos em frente a uma igreja. Mais um pouco chego a uma praça, onde há o ponto final do ônibus municipal.

Seguimos em frente pelo duplo sulco cimentado que vai subindo na direção da Mulher de Pedra. Na bifurcação a frente, seguimos pela direita, subindo. Ao poucos vamos nos aproximando das pedras que eventualmente aparecem por entre a vegetação. Enfim chegamos a uma porteira encimada por um lustre. Metros antes dessa porteira, que usualmente fica aberta, há uma bifurcação. Tomamos para a esquerda nessa bifurcação, mas cuidado, poucos metros depois há uma porteira de arame do lado direito, ladeada por um porteirinha também de arame, que naquele momento estava aberta.

Paramos o carro no espaço após a porteira. E iniciamos a caminhada subindo em frente, passando por uma casa à direita e logo depois ,seguimos para a direita, deixando outra casa à esquerda, um pouco mais a frente. Logo encostamos numa cerca,à nossa direita, que delimita o terreno de outra casa. Esse trecho está um pouco confuso porque derrubaram muitos arbustos sobre a trilha certa, deixando limpa outra trilha que vira para a esquerda. Ali é só subir em frente, acompanhando a cerca.

A trilha passa então a ziguezaguear morro acima. A vegetação rasteira crescida às vezes cobre o sulco da trilha, mas ela segue sempre bem larga. Alcançando um alto, deixamos à esquerda um barraco cheio de lixo e seguimos em frente. A trilha se alarga, ladeada por samambaias. A trilha, após um trecho plano,passa a descer suavemente.

Enfim a trilha cruza um riacho, e volta a subir agora por dentro da mata. Surge uma bifurcação. Do lado esquerdo a trilha cruza um riacho mais largo. Paramos para pegar água ali. Do outro lado a trilha segue acompanhando o riacho para terminar num pocinho onde algumas mangueiras captam água para as casas abaixo. Seguindo pela direita, logo cruzamos novamente o riacho e um pouco acima subimos acompanhando um afluente do meu lado esquerdo. Esse é o último ponto para pegar água.

Começam também a aparecer pequenas fitas vermelhas, eventualmente laranjas, marcando a trilha. A trilha chega a uma clareira e quebra fortemente para à esquerda, quase voltando. A trilha segue subindo aos zigue-zagues pelo meio de um bambuzal.

Enfim a trilha encosta num paredão e passa a seguir para à esquerda. Chegamos então a uma canaleta subindo. Passamos por uma aderência logo acima e chegamos então ao trecho mais difícil da trilha. Uma laje quase vertical molhada e escorregadia que conseguimos subir pela esquerda, nos agarrando aos bambus que cobre o solo local.

Ultrapassado esse trecho chato e passamos por mais uma curta aderência, A trilha prossegue subindo, eventualmente passando por alguns degraus rochosos. Enfim chegamps ao topo de um primeiro cocuruto. Ali há uma pequena clareira. Há uma trilha para a esquerda, mais que apenas dá acesso a um mirante da baixada e de onde também é possível ver grande parte da crista que ainda vamos ter de subir. Seguindo para a direita, a trilha passa a descer rumo a um valezinho. Chegando ao fundo, voltamos a subir fortemente.

Chegamos a um segundo cocuruto, temos então logo a frente há a crista por onde é feita o ataque final. A trilha sai da mata, passa por um trecho de vegetação arbustiva, onde o sulco da trilha muitas vezes está encoberto. Voltamos novamente a entrar na mata, subindo suavemente.

A trilha sai novamente no aberto e começa a subir forte, alternando trecho de capim alto, degraus e aderências . Acima avistamos uma laje que pensamos ser o topo. Ledo engano! Passamos por ela e ainda é preciso subir mais um pouco antes de chegar ao largo topo.

O topo tem espaço para diversas barracas e tem um livro de cume. A vista é de 360 graus. Serras do Órgãos de um lado, três Picos e Capacete de outro, baixada Fluminense ao Sul, ao norte não sei identificar nada. Visual belíssimo num dia de tempo excelente. A subida toda levou 7:00 hs em ritmo lento. A descida no dia seguinte apenas 5:00 hs.

Cachoeiras desconhecidas de Gonçalves

Relato: Cachoeiras desconhecidas de Gonçalves

Impressiona-me como parece que em todas as localidades em que julgava ter esgotado todas as atrações repetidamente descubro novas atrações. É o caso de Gonçalves, que já freqüento há uns 20 anos e só agora soube da existência de quatro cachoeiras, todas de acesso fácil, e das quais nunca ouvira menção!
Quando for ao simpático município mineiro, deixe de lado as mais que manjadas cachoeiras do Retiro, Simão, do Cruzeiro e Andorinhas e busque as da Fazendinha, Tonho Nego, do São Sebastião e do Funil.
As da Fazendinha e do Tonho Nego, são relativamente próximas. Saindo de Gonçalves pela estrada para o Sertão do Cantagalo, a cerca de 8 km encontra-se o centro do pequeno bairro, mas uns 500 metros antes, à esquerda, há a estradinha de acesso à pousada Bicho do Mato. Por ali é o acesso a cachoeira da Fazendinha. O melhor é parar o carro no bairro e seguir a pé. Subindo pela estrada, deixamos a entrada da pousada à direita e seguimos em frente. A estrada contorna o morro e chega à porteira do sítio Gato no Telhado. Passamos a porteira e descemos suavemente, deixando uma casa à direita. Logo chegamos à nova porteira. A frente há a casa do caseiro. A propriedade é particular e é preciso pedir permissão ao caseiro. Por sorte o encontramos junto à porteira e a permissão nos é dada sem mais. O riacho corre à nossa direita e já ouvimos o ruído da queda. Tomamos um trilho que em um minuto nos leva a cachoeira. A água escorre pela laje rochosa e forma um pequeno poço. Todo o percurso do bairro a cachoeira levou uns 15 minutos.
Retornando ao centro do bairro, seguimos pela estrada que passa em frente à pequena igreja. Seguindo sempre em frente, ignoramos as saídas à direita. Logo percebemos o riacho correndo à esquerda da estrada. Mais à frente ele cruza a estrada e segue pela direita. Junto a uma curva para a direita, o riacho volta a cruzar a estrada. Esta começa então a subir e na primeira casa à esquerda está o acesso a cachoeira do Tonho Nego. Novamente o acesso é por propriedade particular. Só que nesse sítio, aparente casa de veraneio, não havia ninguém neste dia. Cruzamos a porteira, seguimos passando ao lado da casa. Logo encontramos a trilha que entra na mata, seguindo paralela ao riacho que corre mais abaixo. Não demora e chegamos à primeira queda, acessível por trilha que desce à esquerda. Do outro lado, outra trilha parece fornecer acesso alternativo pela propriedade na margem oposta ao riacho, mas não chegamos a explorar esse acesso. Seguindo em frente pela trilha, novas quedas são encontradas em graciosa sucessão. Chegando a uma cerca, a trilha prossegue margeando o riacho, mas as cachoeiras acabaram e rio acima o riacho corre suave por entre a mata. O percurso do bairro a cachoeira é de cerca de 20 minutos.
Retornamos a Gonçalves e tomando a estrada rumo ao bairro de São Sebastião das Três Orelhas. Paramos mo centro do bairro, em frente à igreja. Ali começa a caminhada. Passando pela direita da igreja e seguindo até a rua ao fundo, viramos a direita seguindo por ela. Antes do final da ruela, encontramos um quebra corpo na cerca à esquerda. Passamos por ele e subimos pelo pasto até encontrar nova cerca e outro quebra corpo. Passamos por ele e seguimos pela trilha para a esquerda, mantendo o nível. Logo a trilha se torna mais marcada e seguimos bordejando o morro. Outro quebra corpo e, mais à frente, uma porteirinha são transpostos. Chegamos a duas bifurcações seguidas, ignorando-nas e seguimos em frente, chegando a novo quebra corpo. Prosseguimos bordejando o morro. Logo começamos a ouvir o ruído da cachoeira e começamos a avistá-la. Ela é bastante alta. Enfim chegamos ao alto da queda. É preciso passar sob uma cerca de arame, cruzar o riacho saltando pelas pedras e chegando do outro lado seguir a trilha que logo se bifurca. Seguimos descendo o ramo esquerdo e chegamos a um platô rochoso no meio da queda. A visão é belíssima. Parece ser possível descer até a base, mas não tentamos, pois o trecho estava por demais escorregadio devido à chuva recente. O percurso até a cachoeira é de uns 20 minutos.
A ultima das cachoeiras que visitamos, a do Funil, fica antes da cidade para quem vem por São Bento do Sapucaí. Cerca de 6 km antes de Gonçalves, tomamos o acesso ao bairro Atrás da Pedra. Antes de uma subida calçada, paramos o carro e seguimos a pé. Num ponto onde o calçamento sofre uma mudança de padrão, encontramos uma trilha à esquerda. É preciso saltar a cerca de arame e seguir por ali. A trilha sobe um pouco e passa a bordejar a encosta pelo pasto. Logo chegamos ao riacho que, após um trecho onde desaparece sob as rochas, num chamado funil, reaparece e despenca formando a cachoeira. A aproximação da água é um pouco difícil, dado a vegetação crescida no entorno. Como quando chegamos ali começou a chover, nem tentamos chegar á água, mas deve ser possível com um pouco de jeito. Uns 10 minutos de caminhada são o suficiente para alcançar essa cachoeira.

Pedra Grande do Itatiaia e Pedra Furada

Relato: Pedra Grande do Itatiaia e Pedra Furada

A Pedra Grande do Itatiaia é uma daquelas atrações do parque de que poucos ouviram falar e que inclusive não consta no mapa distribuído aos visitantes. Um pouco mais conhecida, e pelo mesmo acesso daquela, a Pedra Furada é outra destas atrações.
O acesso a ambas é por uma trilha que sai da estrada bem antes da portaria do parque. Cerca de 200 metros antes das ruínas do antigo hotel Alsene, do mesmo lado da estrada que ele.
Descendo pela trilha, logo chegamos a uma bifurcação. À direita a trilha desce para o vale do Aiuruoca, levando ao bairro da Serra Negra, mas nosso caminho é pela esquerda. A trilha passa a subir e logo avistamos um poste de luz. Avistamos a estrada mais abaixo na encosta e passamos a seguir quase paralelos a ela. À frente já vemos o maciço da Pedra Furada. Após alguns sobes e desces, começamos a contornar o maciço pela direita. Um primeiro ponto d’água é passado, onde uma rústica bica foi improvisada com uma garrafa pet. Já avistamos a Pedra Furada mais acima na encosta. Como o nome já indica, trata-se de um grupo de blocos sobrepostos onde ficou um buraco ao centro. Cruzamos uma cerca e ao final do trecho, chegamos a uma bifurcação. Tempo até aqui: 40 minutos.
Deixamos para subir ao topo do maciço da Pedra Furada na volta e prosseguimos em frente. Uma série de trechos encharcados se seguem, alguns em meio à mata outros em campo aberto. Após esse trecho em nível, chegamos à borda de um profundo vale. Dali já avistamos o pequeno contraforte que culmina na Pedra Grande. Porém a trilha começa a descer na direção oposta! Descida repleta de trechos escorregadios e pedras soltas. Pouco à frente a trilha faz uma curva e segue descendo no sentido oposto, nos aproximando da pedra.
Chegamos a uma aparente bifurcação. A esquerda desce mais fortemente. Seguimos porém pela direita, em nível. A trilha chega a uma matinha e parece se dividir, um ramo descendo para esquerda e outro que parece entrar na mata. Preferimos entrar na mata, mas acabamos saindo da mesma mais à frente, para a esquerda. À frente a mata acaba e começa um trecho de capim elefante.
Saindo no aberto, visualizamos mais abaixo e do outro lado do vale de um riacho um aparente rabo de trilha. Vamos então descendo pelo pasto, desviando dos arbustos na tentativa de alcançar aquela trilha. Acabamos chegando a uma trilha deste lado do valezinho que nos leva a cruzar o riacho ainda antes de sua nascente logo abaixo.
Enfim alcançamos a trilha e por ela seguimos, mas ou menos em nível, desviando de capões de mata na encosta acima e abaixo. Algumas vezes a trilha se apaga, mas encontramos nova trilha poucos metros abaixo. A trilha então vira para a esquerda e desce na direção de uma matinha abaixo. Antes de chegar à mata, viramos para a direita e cruzamos uma cerca. Enfim cruzamos a mata em seu trecho mais estreito.
A trilha, agora bem marcada, desce mais um pouco e então contorna um primeiro morro pela esquerda, quase que em nível. Depois vira para a direita e penetra no selado entre as duas elevações. Resta-nos apenas subirmos a encosta final de pasto e chegamos ao topo da Pedra Grande. A subida final curta e fácil engana, pois do outro lado há um alto penhasco quase vertical, bela parede rochosa que faria a diversão de qualquer escalador.
A visão ao redor é dominada pela Pedra Preta e pelo vale do Aiuruoca à direita, cuja alta cachoeira avistamos durante a descida. Ao redor diversos vales menores de afluentes do Aiuruoca densamente cobertos de mata e campos rupestres compõem o panorama. No extremo norte chama a atenção a crista da serra do Papagaio com suas inconfundíveis três corcovas. O percurso até ali tomou-nos cerca de 1:40 hs.
No retorno, voltamos pelo mesmo caminho, mas em algum ponto no trecho onde bordejamos a encosta, variamos de trilha. O que sabemos é que sempre seguindo por trilha marcada, cruzamos o riacho abaixo do ponto onde cruzáramos antes e seguimos bordejando. Um cinturão de mata foi atravessado e voltamos ao aberto. Acabamos entrando novamente na mata e ali dentro proliferavam as alternativas. De modo que fomos subindo pela trilhas mais abertas até que subitamente desembocamos na trilha principal, a mesma por onde viéramos, só que num ponto mais abaixo do que a abandonamos na ida. Não saberíamos como indicar esse ponto. O trajeto dentro da mata é bastante confuso. De modo que na ida o melhor é cortar pelo pasto sem trilha mesmo.
Retornamos então até a bifurcação da Pedra Furada. Ainda com tempo, subimos ao alto do maciço por trilha marcada, que ás vezes segue sobre lajes rochosas. A Pedra Furada propriamente dita é deixada à esquerda, mais abaixo. Não vimos acesso fácil a ela.
Ao final de pouco mais de 15 minutos chegamos ao topo, de onde há visão de 360 graus. Avistamos o vale do Paraíba, o maciço da Agulhas e todo o vale abaixo por onde descemos. Com a noite já se aproximando, descemos a bifurcação e retornamos ao Alsene onde deixamos o carro.

Travessia Chapada das Perdizes

Travessia da Chapada das Perdizes

Num país tão grande como o Brasil é incrível que a maioria dos trilheiros contentem-se em repetir, ano após ano, sempre as mesmas trilhas clássicas, muitas já demasiado batidas,  enquanto tantas opções pouco conhecidas continuam virtualmente virgens a espera de quem se aventure a percorre-las. A travessia da Chapada das Perdizes é uma dessas últimas, percorrendo a crista das serras que contornam Carrancas, ao norte e leste, e depois passando pela Chapada das Perdizes propriamente dita, descendo, ao final, até Minduri..

Decidido a percorre-la, e não encontrando quem se dispusesse a acompanhar-me, parti na última quinta, à noite, rumo a Itutinga, no ônibus das 21:30, da Gardênia. O horário das 22:30 seria até preferível, mas não havia mais lugar.

Após a primeira parada em Lavras e a segunda num lugarejo chamado Macuco,de que nunca tinha ouvido falar, desci na terceira parada, em Itutinga, na esquina logo após o trevo da cidade. E bom avisar o motorista que você vai descer lá, pois se nenhum outro morador for descer também é bem capaz de você passar batido pela cidadezinha, a qual consiste em algumas poucas ruas em torno da tradicional pracinha em frente à igreja.

Cheguei lá pelas 5:00, provavelmente bem mais tarde do que num fim de semana normal, devido ao congestionamento no começo da Dutra até a saída para a Fernão Dias, de qualquer forma pegando o ônibus das 22:30 deve-se chegar lá por essa hora mesmo.

Sem nada para fazer até o dia clarear circulei pelas poucas ruas, e localizei a saída para Carrancas direção  para onde seguiria. Sem ter certeza quanto ao horário do ônibus para Carrancas, de cada  um para quem perguntei obtive uma resposta diferente, e resolvido a ganhar tempo, postei-me a saída da cidade e tentei conseguir uma carona. Sem sucesso. Pelas 8:20, chegou o ônibus de Lavras para Carrancas. Tomei-o (preço R$ 4,60 ) e em meia hora percorri os 20 km até o alto da serra, logo após as placas da divisa Itutinga-Carrancas e do km 20, junto a placa da pousada Mahayana, desci do ônibus.

  1. Dia de caminhada

Eram quase 9:00, tomei então a estradinha à esquerda ( Leste ) e segui-a, tendo quase sempre visão da baixada ao norte, onde desponta os braços da represa de Camargo. Nas bifurcações tomei sempre À esquerda, os ramos direitos dão acesso a duas pousadas. Quando se abre uma visão à direita, vemos lá embaixo a cidade de Carrancas.

Aos 25 minutos de caminhada, uma porteira trancada me obrigou a pula-la. Mais à frente, quando um duplo sulco sai à esquerda, tomo-o e sigo tendo visões da baixada ao norte. O sulco duplo acaba virando único e, cada vez mais apagado, acaba voltando a encontrar, aos 50 minutos de caminhada, a estradinha de onde saímos. Na seqüência, atravessei uma matinha, onde uma nova porteira, esta aberta, é cruzada. Saindo novamente no aberto, após uma descida, na subida peguei a direita na primeira bifurcação e depois a  esquerda na segunda, mantendo o rumo leste, sobre a crista.

Após uma descida, cruzei um mata-burro e desemboquei numa nova estradinha que vem de Carrancas em direção a Capela do Saco, sendo considerada parte da estrada real, de fato à direita há um marco de concreto da estrada real. Tomei então à esquerda, e segui por cerca de 1 km, desprezando uma primeira saída à direita e quando a estrada cruza uma matinha, junto a um novo marco da estrada real, parei para um lanche e uns goles d´ água.  Tomei então, o trilho à direita, subindo um pouco e então descendo pelo pasto, já avistando a trilha na encosta oposta.

Após passar por uma cerca e cruzar um riacho ( Primeira água no caminho ) subimos a encosta por um trilho erodido, passamos por outra porteira, cruzando um matinha. Assim que acaba a mata à direita, abandonamos a trilha por onde vinha, tomei o primeiro trilho saindo à direita ( Sudeste ).

Seguindo então nesse rumo, passei então por uma porteira no meio de um cinturão de mata, subi a um alto rochoso, desci e no nova subida passei  por uma árvore entre três pedras, mais uma pausa à sombra e alguns goles d´ água, nessa altura já passava do meio-dia e o sol estava de rachar.

Continuando a caminhada, após atingir o alto do próximo morro, o trilho desemboca em um carreiro mais largo,o qual tomei para a direita,  passando por uma mureta de pedras e depois de uma descida de 15 minutos, alcançamos uma segunda mureta.

Neste ponto antes de passar a mureta, descendo por uma trilhazinha, chega-se em um minuto a um carreiro mais largo, fechado à esquerda por uma porteira de arame. Tomando-o então para a direita, em pouco tempo ele acaba numa matinha. Mais abaixo, à esquerda, temos uma grota por onde deve descer um riachinho. Desci um pouco, mas como a mata estava muito fechada e eu, preocupado com a falta de água, comecei a caminhada com 4 litros de água e ainda contando neste momento com 3,5, desisti de descer até lá, mas cheguei a ouvir o barulho de água. Mais fica a lição, quem quiser começar com menos água, pode se abastecer neste ponto, que acredito, não deve secar nunca, de qualquer formar, não recomendo iniciar a caminhada com mais 3 litros, que já devem ser o  bastante.

Voltando a caminho, depois de  alguns sobes e desces e  na seqüência de uma subida maior, passei por baixo de uma linha de força e comecei então a descer em direção da estrada que liga Carrancas com São Vicente de Minas. Na descida passa-se por várias casinhas que abrigaram, e pelo menos uma ainda abriga, repetidoras com suas antenas. Na sombra dessa última, parei para uma descanso, alguns goles d´água e um lanche.

Pelas 14:30, já com 5 horas e meia desde o começo da caminhada, cruzei a estrada, bem no seu ponto mais alto. Do outro lado, subi um degrau no barranco e passei por uma brecha na cerca. Subindo sem trilha pelo pasto baixo. Mais acima, encontra-se uma trilha cruzando na diagonal da direita para a esquerda. Seguindo por ela, alcançei o canto entre duas linhas de árvores, cruzei por elas e segui contornando o próximo morrote. Subi-lo também deve ser uma boa pedida, já que a face leste do mesmo, pude ver mais tarde, é quase vertical, dando uma bonita visão do leste e dos braços da represa dos Camargos mais além.

De qualquer forma contornei a meia altura o morro, seguindo um trilho pelo pasto. No selado a frente, passei por uma cerca caída e segui para a direita,  passando por baixo de outra cerca e , subi o morro  pelo pasto, sem trilha, escalaminhando por alguns degraus rochosos. No topo, voltei ao rumo sul, passei por baixo de outra cerca e segui rumo a uma trilha que avistei mais abaixo.

Subi então pela trilha até o alto do próximo morro,  passei por um mureta com a sua cerca e subindo ao topo do próximo morro cheguei a um ponto que deve ser o melhor para acampar em toda caminhada, com visão 360 graus, Carrancas à direita lá em baixo, outras cidadezinhas a esquerda, e toda a crista por onde vínhamos para trás e a frente o trecho que por onde ainda passaríamos. Mas ainda era só 16:00, muito cedo para parar, então resolvi prosseguir mais um pouco.

Descendo no rumo sul, vemos que um cinturão de mata obsta toda a nossa frente. Comecei a procurar uma passagem para a esquerda e realmente achei uma trilha que bordejava as primeiras árvores e depois entrava na mata. Na mata os trilhos se entrecruzavam, segui sempre pelo mais aberto, tentando não desviar muito para a direita. O trecho é pouco chato, e acabei com diversos cortes feitos pelo bambuzinhos, mais em 15 minutos emergimos no aberto novamente e subi até o alto do próximo morro, descendo novamente pela trilha e passando por um novo e curto cinturão de mato. No alto do novo morro, passamos entre afloramentos rochosos e ao cruzar uma cerca, sendo já 17:00, resolvi parar por ai mesmo, o visual era aberto a leste e para oeste era só passar por entre alguns blocos para enxergarmos o horizonte. Armei a barraca, comi alguma coisa e fiquei sobre um dos blocos rochoso admirando o por-do-sol. Após mais algum tempo de observando do céu noturno e saboreando a sobremesa, e ainda antes das 19:00, entrei dentro do saco-de-dormir e mergulhei no mundo dos sonhos.

  1. Dia de caminhada

Acordei as 5:50, pouco antes do nascer do sol, e ainda pude admira-lo. A noite foi amena, mas a manhã ainda estava um pouco fria e com vento. Voltei a barraca para o café da manhã, mas pelas 7:15, já tinha tudo guardado e a mochila às costas e prossegui deixando para trás o labirinto de blocos rochosos junto aos quais acampara. Seguindo então no rumo  sul-sudeste, em pouco tempo encontramos um abismo a frente. Tomamos então a direita, descendo , passamos entre duas matinhas e depois de cruzar mais um campinho em direção a um cercado de arame que já vemos de longe. Passamos então pela porteira logo atrás do cercado, entrando na mata e descendo por canaletas erodidas até o fundo de um selado, subindo depois do outro lado. Quando a trilha bifurca na subida, tomei a esquerda e prossegui até sair no aberto. Continuei subindo até acercarme de uma mata a frente. Cruzando então a trilha que corre da direita para a esquerda. Tomei-a para a esquerda, bordejando a morro a frente. À esquerda temos a vista da brecha que contornamos e depois, mais atrás, de toda a crista percorrida  de norte a sul. Também vemos as baixadas a leste e a represa ao longe.

Quando alcançamos um cocho de pneu, junto a uma árvore isolada à esquerda. Abandonei a trilha e tomei o rumo sul pelo pasto, sem trilha, descendo o morro em direção ao cinturão de árvores abaixo. Do alto procurei o trecho mais estreito para atravessa-lo. Hesitei entre dois pontos um à esquerda e outro ligeiramente à direita. Descendo a encosta passamos por trilhas transversais que não levam a nada, ignorei-as. No fundo tentei primeiro à esquerda, onde vislumbrei um trilho, mais o trilho segue para a esquerda sem cruzar a mata, tentei força passagem nesse ponto, mais ali a mata era muito emaranhada, não avancei nem 2 metros antes de ficar todo enrolado. Voltei e tentei o outro ponto à direita, onde a mata parecia mais estreita, com um a língua de pasto do outro lado. Não há trilha, é preciso forçar passagem no peito. Nas primeiras dezenas de metros foi mais difícil, depois a mata ficou mais aberta e em pouco tempo alcancei um degrau, junto ao riacho que passa no centro, desviando alguns metros para a esquerda, consegui saltar até junto d’água. Eram 9:00 e parei para pegar um pouco d’água e um lanche. Ali percebi como tinha me excedido ao levar 4 litros porque ainda tinha 1,5 litros e já tinha onde reabastecer. Após essa parada, subi o degrau do outro lado do riacho e cortei o restante da mata, desviando-me de um bloco rochoso. Quando sai no aberto, continuei subindo o pasto, sem trilha, no rumo sudeste até o ponto mais alto.

No alto, passando ao lado de um curral, subi mais um pouco, passei por outra porteira, essa de metal, avistando uma estrada na direção sul-sudoeste. Desci pelo trilho na direção sudeste, rumo a mesma estrada, só que daqui ainda não a vemos, mas em minutos estamos nela e cruzando-a tranversalmente, no rumo de uma trilha na encosta a frente, segui por um trecho sem trilha até alcançar essa trilha que sobe a encosta até o alto e então some. Seguindo mais um pouco pelo pasto no mesmo rumo, alcançamos outra estrada que sobe da esquerda.

A chegar a estradinha, tomei-a para a direita, subindo, passando por uma matinha e após mais alguns sobes e desces, eventualmente com vista da crista percorrida, seguimos em direção a paredão, passamos por uma porteira, com placa “entrada proibida” ( por sorte estava saindo ! ) e subitamente encontrei uma casa ocre, recentemente construída, e belamente adornada e mobiliada. Não havia ninguém nela. Pode-se pegar água ali também, já que há mais de uma torneira do lado de fora e até um chuveiro ! Logo a frente na bifurcação tomei a direita, em minutos pulei uma porteira trancada  e, 10 minutos depois da casa, quando a estrada toma rumo norte, se afastando dos paredões, abandono a estrada e procuro uma trilha à esquerda, beirando as paredes. A trilha foi feita para passagem de uma mangueira preta, seguindo-a, em 5 minutos avistamos uma cachoeira caindo no despenhadeiro à direita em seguida alcançando o riacho que a forma, cruzando-o e subindo alguns metros de encosta, saímos num final de estradinha.

Tomei então essa estradinha para a direita ( a esquerda não dá em nada ) e na bifurcação a frente tomei à esquerda e na próxima a direita. A estradinha passa entre plantações de uma planta com caule e folhas vermelhas ( qual espécie ? ). Mais a frente  a estradinha vira um trilho entre a plantação, mais ao longe avisto uma estrada mais batida na encosta, sigo para lá. Tomei esta estrada para a esquerda e logo passo por uma  porteira, de novo com a popular placa  “entrada proibida” , seguindo até uma bifurcação na borda da chapada, de onde já avistamos a cidade de Minduri lá embaixo e ao longe,o pico do Papagaio com suas inconfundíveis 3 corcovas. Tomei então para a direita, seguindo no rumo oeste por 2 km, até passarmos por uma porteira e começando então a íngrime descida.

Era 12:30 e o sol forte não dava trégua. A estrada agora é batida, descendo aos zigue-zagues, passando por diversas  porteiras até alcançar a primeira fazenda, junto ao vale do ribeirão da Prata. Passei então por mais algumas fazendolas e cruzando o dito ribeirão, passamos pelo recanto do Vorney, com sua cachoeira, atração turística local. Após isso a trilha sobe até uma crista de onde temos nova vista da cidade, agora mais perto. Voltamos então a descer. Ao cruzar mais um riacho, temos mais uma subida impertinente e então descemos o trecho final, passando pela estação de tratamento de água da COPASA, cruzamos a linha de trem e tomando para a esquerda em minutos chegamos ao trevo na entrada da cidade. Mais alguns minutos e chegamos ao centro da cidade. Como não há rodoviária, a passagem de volta pode ser comprada numa lojinha logo em frente ao banco do Brasil. O ônibus passa pelas 22:30 vindo de Andrelândia, podendo ser tomado no ponto coberto mais à frente, junto ao hotel Avenida.

No hotel, que também é restaurante e boteco, tomei  uma cocas geladas e por R$ 3,00 tomei também um banho. Como tinha chegado ali pelas 16:30 e ainda era 18:00, resolvi dar umas voltas pela cidade, não que tivesse muito que ver nela, mas mais a frente, na mesma rua principal por onde chegamos e que é também a estrada que vem de Cruzília e segue para Andrelândia, quase na saída para esta, encontrei outro restaurante ( da Célia ) que achei mais simpático, e onde acabei jantando. Banhado e jantado, não me restou outra opção além esperar até as 22:30 quando passaria o ônibus, e que aliás só passou as 22:40. A volta foi no mundo dos sonhos, só acordei no tiête às 6:30 do domingo, ainda com o dia inteiro de folga.

Enfim, esta é uma caminhada que recomendo: deserta ( não vi ninguém até o meio da descida , nas primeira fazendas ), desconhecida, com largos visuais,sem lixo, sem os regulamentos tacanhos dos parques e nem tão seca quanto pensava que fosse, uma alternativa viável para um fim de semana, e até, se houver mais tempo, pode-se descer até Carrancas e visitar algumas de suas cachoeiras.

Tentativa de subir a pedra da Bacia partindo da cachoeira da Usina

Já tinha acessado a Pedra da Bacia por dois outros caminhos, a partir das proximidades da pousada Recanto da Floresta (rota mais curta) e subindo desde o bairro do Formoso. As duas opções convergem na crista à oeste do pico. Agora tentaria uma terceira rota, a partir das proximidades da cidade de São José do Barreiro, mas especificamente da cachoeira da Usina.

Saindo da praça central. Sigo pela rua à direita até o final e viro à direita novamente. Há placas indicando cachoeira da Usina. Dali é só seguir em frente. O calçamento acaba junto ao Balneário da Água Santa. A estrada segue agora em terra. Na bifurcação à frente, entro a esquerda, cruzo o riacho e logo em seguida, tomo à direita. A esquerda parece ser a entrada de uma fazenda. A estradinha começa a subir.

Enfim chego a uma capela à esquerda da estrada e resolvo parar o carro ali mesmo. Sigo caminhado. Cruzo uma porteira e em pouco, temos o acesso à cachoeira, à direita. Prossigo pela esquerda e a subida aperta. Vou aos zigue-zagues subindo a encosta.

O caminho torna-se mais rústico. Ora com largura de estrada erodida, ora como sulco de trilha, pelo menos uma vez até o sulco pelo pasto se apaga. Cruzo duas porteira de madeira.

Só tenho alguma dúvida quando encontro uma bifurcação bem mais acima. À esquerda o caminho sobe bem mais largo, mas opto pela direita, que desce um pouco, cruza os restos de um pontilhão de madeira e se reduz a uma trilha, voltando a subir. Após um trecho enlameado, um riacho surge à esquerda, melhor ponto de água até ali.

Cruzo então uma porteira de arame, desvio de um curral e assustando a boiada que pastava por ali. Deixo à esquerda, uma pequena construção, do tamanho de um armário, cujo uso não consegui atinar. A trilha vai bordejando o pasto, sempre subindo. Chego a um ponto onde a trilha à frente parece se apagar. Volto então pegando a trilha para trás que entroncara pouco antes na trilha por onde viera. Ela passa a subir de leve, em direção ao topo da crista que vinha acompanhando.

Logo alcanço a crista e entronco em batida trilha por esta. Vou subindo encostado na mata que aparece na encosta à minha esquerda. O pasto facilmente transitável acaba dando vez as samambaias, trecho que, porém, estava bem limpo.

Enfim, já avistando o topo e tendo subido desde a capela uns 800 metros, perco a trilha num emaranhado de bambus. Até consigo passar um primeiro trecho, para reencontrar um curto trecho de trilha e novamente ver o caminho sumir entre nova touceira de bambus.

Já tendo começado a caminhada tarde era óbvio que não chegaria ao topo, menos ainda com a trilha tão fechada por bambus. Até ali tinha andado cerca de 2:30 hs. Alguém com mais tempo, um facão e disposição talvez queira prosseguir até o topo, mas estejam dispostos a enfrentar um bom trecho de bambus, salvo tenha me equivocado quanto ao caminho, coisa que não acredito, visto estar sobre uma crista que seguia diretamente rumo ao cume, que acredito não podia estar mais que 400 ou 500 metros acima de mim.

Dando por encerrada retornei pelo mesmo caminho e parei algum tempo na cachoeira da Usina, cuja queda superior dispõem de um aprazível poço para banho.

subida ao pico sem nome da serra da Bocaina

Quem olha para leste de cima da pedra da Bacia, avista do outro lado de um fundo vale, mais dois cumes proeminentes na continuação da crista da serra da Bocaina. Com a atenção despertada, somada a constatação de que pelo menos o mais próximo tinha o cume coberto de vegetação rasteira, resolvi que valia a pena tentar acessa-los.

Havia três formas de chegar à base deles: a partir do acesso a Bacia partindo da estrada do parque da Bocaina, a partir do final da estrada do Cachoeirão, vindo do bairro do Formoso ou a partir da estrada do vale do Bonito. Preferi iniciar pelo acesso do parque pois, sabia que a estrada estava em ótimo estado, não tinha idéia da condição da estrada que sobe ao vale do Bonito, nem do final da estrada do Cachoeirão, que recentemente subira até o acesso a cachoeira da Mata, mas por cujo final não passava há anos.

Tomando então a estrada de acesso ao parque, pelo km 23, tomei a saída à esquerda, sinalizada pela placa da pousada Recanto da Floresta. Passada a entrada da pousada Campos da Bocaina, segui em frente e próximo a uma casa do lado direito da estrada, parei o carro.

Seguindo pelo pasto em frente, passo por outra casa e na encosta de pasto à frente, encontro uma trilha que sobe em diagonal, da direita para a esquerda. Logo ela entra na mata e prossegue subindo. Acabo saindo da mata e um pouco mais acima a trilha bifurca. Sigo pela esquerda. A direita sobe ao alto do morro à frente e depois segue pela crista. A trilha pela qual sigo, à esquerda, bordeja o morro, subindo muito levemente. As duas opções se reencontram á frente e seguem bordejando a crista. Acabo chegando à nova bifurcação. Ali, pela esquerda chegaria à pedra da Bacia. Mas esse não seria o caminho nesse dia. Tomo à direita e cruzo a crista, passando a bordejá-la pelo outro lado, descendo suavemente. Logo esbarro numa cerca, facilmente cruzada por uma porteira. A trilha faz então uma curva para a direita e segue descendo mais fortemente, logo desembocando novamente junto à cerca.

Agora é só descer paralelo à cerca. Antes de chegar ao fundo, evitando um trecho mais íngreme por dentro de um capão de mata, a trilha se afasta da cerca e desce para a esquerda. Chegamos bem perto do rio da Ponte Alta. A trilha segue seguindo paralelo ao rio, entrando na mata ciliar e passando por trechos encharcados.

Enfim desemboco no rio. É necessário tirar as botas para cruzar o raso riacho, e é bom fazê-lo rápido porque o local é infestado de mutucas. Do outro lado, sigo pela trilha erodida que lá de cima já avistava, subindo a encosta que aos poucos me afasta do rio.

A trilha nivela e cruza uma estreita mata ciliar que protege um afluente do Ponte Alta. Saindo da matinha, subo paralelo a mata até as proximidades de uma araucária. Ali a trilha aparentemente bifurca, mas o certo é seguir para a direita, contornando um curral à esquerda e ao final deste, subindo a encosta de pasto, por trilha mal marcada para pouco acima encontrar uma trilha bem marcada perpendicular.

Tomo então a trilha para a esquerda. Logo entro na mata e cruzo diversos riachos. Água aqui não falta. Ao final, chego à cerca de arame que delimita a fazenda do Bonito. Cruzo a cerca pela porteira. Se continuasse descendo, acabaria na estrada do Cachoeirão, um dos outros acessos mencionados acima. Seguindo a mesma trilha na direção contrária, sairia na estrada do vale do Bonito junto à sede da fazenda do Bonito.

Cruzada a cerca, tomo a trilha que sobe forte rente a cerca. Um ou outro bambu caído ou samambaia intrometida se atravessam em meu caminho, mas nada que atrapalhe demais a subida. Uma grande rocha aparece no caminho, mas a trilha a contorna pela esquerda. Mais acima sou obrigado a engatinhar sob algumas touceiras caídas de bambu.

Enfim a mata acaba e sigo subindo pelo campo. Chegando ao topo, quando a cerca mergulha rumo a outro fundo vale a frente, abandono à cerca, cuja trilha de qualquer forma se fecha e sigo para a esquerda pelo pasto. Vislumbro algum furtivo trilho no capim alto e vou subindo pela crista, desviando de alguns arbustos maiores.

Chego então ao topo do monte. Do outro lado, a encosta se despenha íngreme rumo ao vale. Nesse dia infelizmente as nuvens se acumulam junto à borda da serra e não consigo ver nada abaixo, aliás, nem a pedra da Bacia logo a minha esquerda consigo avistar. Do lado direito, separado por fundo vale e com encostas cobertas de mata, o outro cume, aparentemente um pouco mais alto. À frente, ligeiramente à direita, uma crista um pouco mais baixa e aparentemente trafegável segue mais um pouco. Mais tarde achei que teria sido interessante seguir por ali para ver se não haveria algum acesso ao outro cume, mas quando estava lá em cima e em vista do tempo enevoado não me ocorreu tentá-lo naquele momento.

Todo o percurso, do carro ao cume levou cerca de 3 horas. O cume, não tem nome registrado na carta de São José do Barreiro, mas suas coordenadas aproximadas são 0544/7488. A volta foi pelo mesmo caminho.

Travessia Alsene – Colina

Muita gente conhece o parque do Itatiaia, mas a maioria parece só ter ouvido falar das atrações mais conhecidas tais como os picos das Agulhas Negras e Prateleiras e possivelmente pensar que o parque ser resume a área em torno aos citados picos, porém o parque começa já na garganta do Registro e na área antes da portaria oficial há outras atrações como a pedra Furada e a Pedra Grande.

Alguns quilômetros antes da portaria existia o hotel Alsene, hoje desativado e em ruínas. Cerca de 200 metros antes do Alsene, do mesmo lado da estrada, ou seja, lado esquerdo de quem sobe, inicia-se a trilha de acesso a Pedra Furada, prosseguindo por ali, desce-se até o bairro da Vargem Grande, já na orla do parque, de onde, cruzando-se a serra da Colina por outra trilha, chega-se ao bairro da Colina. Essa foi a travessia que fizemos. Começamos as 8:00 hs.

A trilha começou estreita com os bambuzinhos molhados quase fechando completamente a trilha. Logo chegamos a uma bifurcação. À direita a trilha desce para vale do rio Aiuruoca, levando ao bairro da Serra Negra e a trilha para a Maromba, mas nosso caminho era pela esquerda. A trilha fica mais aberta e passa a subir a encosta suavemente. Avistamos um poste à esquerda. Na verdade nesse trecho inicial a trilha passa a correr mais ou menos paralela a estrada, muito embora não a vermos. Trechos encharcados se sucedem, assim como pequenas descidas e subidas. Não demora e passamos por um riacho. À esquerda, uma garrafa de plástico encravada na encosta foi usada para fazer uma rústica bica.

Quase uma hora após o inicio da caminhada, passamos pelos restos de uma cerca de arame. Na encosta à esquerda poderia ser vista a Pedra Furada, conjunto de blocos rochosos onde como o nome diz sobrou, uma brecha entre eles, deixando um furo. Poderia ser visto já que nesse dia a neblina cobria o alto do morro e não víamos nada. Mais um pouco e chegamos a uma bifurcação marcada com um totem.

À esquerda, a trilha sobe o morro, passando ao lado da Pedra Furada e subindo a um cume rochoso mais acima, com visão de 360 graus. Não fomos até lá porque a visibilidade era nula nesse dia. De forma que seguimos pela direita. A trilha prossegue em nível, passa por mais trechos encharcados, dos quais eventualmente desviamos pela esquerda, e mais a frente passa a descer aos zigue-zagues. A trilha tem muito trechos lisos e pedras soltas e cada um a seu tempo acaba levando algum tombo.

Do lado direito da trilha, começamos a visualizar o maciço da Pedra Grande, que mal e mal se avistava dentre a neblina desse dia. O acesso a seu topo não parece ser demarcado, pelo menos em seu inicio e não saberia dizer bem de onde sai.

Vamos descendo pelos campos rupestres e pouco a pouco a vegetação vai mudando. Cruzamos cinturões de mata que vão se tornando cada vez maiores. Sempre com a pedra Grande à nossa direita. Água não falta e repetidamente passamos por nascentes.

Ao fim de duas horas de caminhada paramos para um lanche. Prosseguindo a caminhada, chegamos a um largo gramado, com restos de um cocho e ruínas de pedra do que pareciam ser uma casa junto a nascente de um riacho. Local bucólico onde uma única rês solitária pastava deu margem a muitas fotos.

Cruzando o campo, na cerca do outro lado, um pouco para a direita, encontramos uma porteira de arame. Cruzando a porteira, a trilha segue para a direita bastante enlameada nesse trecho inicial e sobe um pouco. Mas logo volta a descer e entra de vez na mata.

Na mata as variantes proliferam, mas todas descem e não há como errar. Proliferam também as folhas de araucárias no piso da trilha, mas poucas araucárias conseguimos avistar em meio à mata. Quando a trilha parece nivelar, subitamente chegamos a um entroncamento.

À esquerda, a trilha seguiria rumo a pousada dos Lobos. Mas nosso caminho era o da direita. Não andamos muito e nova bifurcação apareceu. Pegamos a esquerda e começamos a subir. Logo saímos no campo e prosseguimos subindo bordejando a encosta para esquerda e assustando alguns cavalos que pastavam por ali. Mantemo-nos acima do mato que recobre a parte da encosta abaixo de nós. Logo passamos por um estreito cinturão de mata e após, por um selado, emergindo numa crista. Abaixo no vale avistamos algumas casas, mas ali não era o bairro da Vargem.

Após cruzarmos uma cerca, seguimos para a esquerda em trecho em que a trilha estava apagada, para reencontrar a trilha mais à frente. Acabamos chegando a um casebre em meio a uma matinha. Ali começou a confusão. A trilha seguia caindo para a direita, mas sabíamos que a Vargem ficava a nossa frente, atrás duma crista. Desconfiando da trilha onde saímos, tomamos outra trilha que saia para a esquerda pouco antes de um bebedouro de gado ainda antes da casa.

Seguindo por ali, em instantes começamos a avistar a Vargem ao fundo do vale, mas não víamos como descer. A trilha entrou na mata contornou um charco e voltou a sair no campo. Seguimos mais um pouco por ela, mas não havia descida, ela seguia bordejando a encosta. Ali tomamos a decisão fatídica, vamos descer rasgando o mato que recobria a encosta abaixo de nós. Saltamos uma cerca e, no inicio foi fácil, só pasto alto e alguns arbustos dos quais facilmente desviávamos. Só que mais abaixo a mata era mais fechada, repleta de cipós e plantas espinhosas. Fomos seguindo do jeito que deu, desviando dos trechos mais entrelaçados até que subitamente saímos numa trilha limpa! Tomamos a trilha para a esquerda e, surpresa, em pouco passos chegamos a uma estradinha que levava a uma casa encravada na mata pouco atrás! As meninas disseram ter avistado está estrada lá de cima. Agora era só descer pela estradinha saindo no bairro bem em frente à igreja da Assembléia de Deus.

Conforme informações locais, parece que deveríamos ter ido para a direita lá em cima, contornado o morro por esse lado e de alguma forma descendo a estrada mais a leste, daí voltando ao bairro, de qualquer forma o trajeto certo nos escapou.

Na estradinha que forma a rua principal do bairro, seguimos para a esquerda, deixando a pousada dos Lírios, à direita.

Depois da última casa, uma trilha sai à direita, passa por um trecho, que nesse dia estava alagado, e do qual desviamos por uma variante à esquerda, até que avistamos um riacho ao fundo de uma baixada. Ali seguimos para a esquerda por trilha evidente, descendo ao fundo da baixada. Cruzamos o riacho e subimos do outro lado. Já era 15:30 e já era um tanto tarde, e talvez mais recomendável abortar o resto do caminho, mas insistimos em prosseguir com o programa assim mesmo.

A subida vai aos zigue-zagues por trilha fundamente escavada. Mais acima a vegetação se abre e começamos a avistar o casario da Vargem ao fundo do vale. Ali fizemos uma parada para lanche, mas a Myrna preferiu prosseguir caminhando. Avisei que haveria um bifurcação à frente e alertei para que nos esperasse ali.

Finda a parada, prosseguimos a caminhada e logo chegamos ao entroncamento, mas cadê a Myrna? Nessa altura começou também a chover. O caminho que planejava era o da direita, mas sem ter certeza para que lado a Myrna seguira o que faríamos? Discutimos as opções e depois de perder algum tempo tentando localizá-la de um lado e do outro, decidimos dividir o grupo, dois iriam para um lado e os outros dois para o outro. Decisão que nós custaria outros contratempos.

Tomei à direita com a Elisa e seguimos em marcha acelerada para ver se alcançávamos a esquiva Myrna. O Walter e a Lili foram para o outro lado. Dei algumas indicações sumárias do caminho a eles, mas elas aparentemente não forma suficientes, já que eles nunca chegaram a Colina e sei lá onde pararam.

Prosseguirei com o relato do eu e a Elisa fizemos. A trilha segue pela crista, sempre subindo, mas suavemente, quase sempre dentro da mata, na direção geral leste. Quase ao final do trecho, quando a trilha quebra para a esquerda e passa a seguir para o norte, encontramos a Myrna. Aliviados, seguimos, descendo por um trecho erodido e reentrando na mata. Cruzamos um trecho enlameado, uma porteira e logo saímos no campo.

Segue-se um longo trecho pelo campo, subindo sucessivos cocurutos da serra da Colina, de onde se descortinaria largo visual das serras ao redor, mas nesse dia as nuvens cobriam quase tudo ao redor. A trilha segue quase sempre bem marcada, mas fui ficando preocupado com o horário, já passava das 17:00 hs. Nem sabia ainda que as meninas não tinham lanterna.

Chegando ao final da crista, local conhecido como pico da Boa Vista, nem subimos ao topo, já que não daria para ver nada mesmo. Prosseguimos pela trilha, que vai bordejando e descendo. Logo a trilha vira para a direita e começa a descer mais fortemente. Cruzamos um cinturão de mata e voltamos a sair no aberto.

Mais abaixo ignoramos uma bifurcação à direita que só dá acesso a um riacho e seguimos pela esquerda. A trilha dá uma nivelada e logo chegamos à nova bifurcação. Ali seguimos novamente pela esquerda. A direita desce ao bairro do Jequeri. A trilha até sobe ligeiramente antes de virar para a direita e voltar a descer.

Entramos na mata e uma cerca aparece à nossa esquerda. Afinal cruzamos a cerca por uma porteira. A escuridão já era total e tive que recorrer a minha lanterna, ali também soube que ela seria a nossa única fonte de luz. Seguimos descendo a trilha, agora com dificuldade redobrada. Tinha que iluminar a frente para achar o caminho e depois para trás para que elas me alcançassem. Felizmente esse trecho foi curto, mas tomou muito tempo. Até que chegamos aos fundos de uma casa. Contornando ela, chegamos à estrada de acesso e a partir daí o avanço foi mais fácil. Como a estrada era larga podíamos andar lado a lado e eu conseguia iluminar os passos dos três. Fomos então descendo a estradinha, eventualmente passando por algum trecho mais escorregadio, às vezes caiam alguns pingos de chuva, que sempre que pensávamos em tirar as capas, insistia em nos incomodar. Passamos uma última porteira e chegando a um riacho, cruzamo-lo por uma pinguela à direita.

Enfim chegamos ao bairro da Colina às 20:30. Tínhamos fretado a van do Amarildo para, a partir de Itamonte, nós levar ao Alsene cedo e depois nos pegar às 17:00 na Colina, mas cadê o Amarildo? Sem sinal de celular, procuramos um orelhão de onde ligamos para ele. Sem sucesso. Depois ligamos para o Hotel Rainha, onde nos hospedamos e deixamos os carros. Não atendia. Estávamos sem condução ou hospedagem num bairro a 12 km de Itamonte numa noite de domingo! Já pensávamos em bater de casa em casa até conseguir alguma condução para nós e eis que um carro vem chegando ao bairro nessa úmida noite. E era ele, o Amarildo!

Ele explico que tinha chegado na hora, mas com o nosso atraso extremado tinha descido de volta a cidade. Lá o Walter tinha conseguido falar com ele de um pesqueiro onde eles tinha acabo saindo e pedido para buscá-los lá depois de nós pegar. O Amarildo achou que a van dele não subiria até lá, então contato um outro taxista para pegá-los e veio nos buscar. Reencontramo-nos no hotel Rainha onde eles acabaram dormindo, enquanto nós resolvemos voltar a São Paulo apesar do horário avançado. Só conseguimos sair de Itamonte depois da 22:30.

Cachoeiras desconhecidas de Gonçalves

Impressiona-me como parece que em todas as localidades em que julgava ter esgotado todas as atrações repetidamente descubro novas atrações. É o caso de Gonçalves, que já freqüento há uns 20 anos e só agora soube da existência de quatro cachoeiras, todas de acesso fácil, e das quais nunca ouvira menção!

Quando for ao simpático município mineiro, deixe de lado as mais que manjadas cachoeiras do Retiro, Simão, do Cruzeiro e Andorinhas e busque as da Fazendinha, Tonho Nego, do São Sebastião e do Funil.

As da Fazendinha e do Tonho Nego, são relativamente próximas. Saindo de Gonçalves pela estrada para o Sertão do Cantagalo, a cerca de 8 km encontra-se o centro do pequeno bairro, mas uns 500 metros antes, à esquerda, há a estradinha de acesso à pousada Bicho do Mato. Por ali é o acesso a cachoeira da Fazendinha. O melhor é parar o carro no bairro e seguir a pé. Subindo pela estrada, deixamos a entrada da pousada à direita e seguimos em frente. A estrada contorna o morro e chega à porteira do sítio Gato no Telhado. Passamos a porteira e descemos suavemente, deixando uma casa à direita. Logo chegamos à nova porteira. A frente há a casa do caseiro. A propriedade é particular e é preciso pedir permissão ao caseiro. Por sorte o encontramos junto à porteira e a permissão nos é dada sem mais. O riacho corre à nossa direita e já ouvimos o ruído da queda. Tomamos um trilho que em um minuto nos leva a cachoeira. A água escorre pela laje rochosa e forma um pequeno poço. Todo o percurso do bairro a cachoeira levou uns 15 minutos.

Retornando ao centro do bairro, seguimos pela estrada que passa em frente à pequena igreja. Seguindo sempre em frente, ignoramos as saídas à direita. Logo percebemos o riacho correndo à esquerda da estrada. Mais à frente ele cruza a estrada e segue pela direita. Junto a uma curva para a direita, o riacho volta a cruzar a estrada. Esta começa então a subir e na primeira casa à esquerda está o acesso a cachoeira do Tonho Nego. Novamente o acesso é por propriedade particular. Só que nesse sítio, aparente casa de veraneio, não havia ninguém neste dia. Cruzamos a porteira, seguimos passando ao lado da casa. Logo encontramos a trilha que entra na mata, seguindo paralela ao riacho que corre mais abaixo. Não demora e chegamos à primeira queda, acessível por trilha que desce à esquerda. Do outro lado, outra trilha parece fornecer acesso alternativo pela propriedade na margem oposta ao riacho, mas não chegamos a explorar esse acesso. Seguindo em frente pela trilha, novas quedas são encontradas em graciosa sucessão. Chegando a uma cerca, a trilha prossegue margeando o riacho, mas as cachoeiras acabaram e rio acima o riacho corre suave por entre a mata. O percurso do bairro a cachoeira é de cerca de 20 minutos.

Retornamos a Gonçalves e tomando a estrada rumo ao bairro de São Sebastião das Três Orelhas. Paramos mo centro do bairro, em frente à igreja. Ali começa a caminhada. Passando pela direita da igreja e seguindo até a rua ao fundo, viramos a direita seguindo por ela. Antes do final da ruela, encontramos um quebra corpo na cerca à esquerda. Passamos por ele e subimos pelo pasto até encontrar nova cerca e outro quebra corpo. Passamos por ele e seguimos pela trilha para a esquerda, mantendo o nível. Logo a trilha se torna mais marcada e seguimos bordejando o morro. Outro quebra corpo e, mais à frente, uma porteirinha são transpostos. Chegamos a duas bifurcações seguidas, ignorando-nas e seguimos em frente, chegando a novo quebra corpo. Prosseguimos bordejando o morro. Logo começamos a ouvir o ruído da cachoeira e começamos a avistá-la. Ela é bastante alta. Enfim chegamos ao alto da queda. É preciso passar sob uma cerca de arame, cruzar o riacho saltando pelas pedras e chegando do outro lado seguir a trilha que logo se bifurca. Seguimos descendo o ramo esquerdo e chegamos a um platô rochoso no meio da queda. A visão é belíssima. Parece ser possível descer até a base, mas não tentamos, pois o trecho estava por demais escorregadio devido à chuva recente. O percurso até a cachoeira é de uns 20 minutos.

A ultima das cachoeiras que visitamos, a do Funil, fica antes da cidade para quem vem por São Bento do Sapucaí. Cerca de 6 km antes de Gonçalves, tomamos o acesso ao bairro Atrás da Pedra. Antes de uma subida calçada, paramos o carro e seguimos a pé. Num ponto onde o calçamento sofre uma mudança de padrão, encontramos uma trilha à esquerda. É preciso saltar a cerca de arame e seguir por ali. A trilha sobe um pouco e passa a bordejar a encosta pelo pasto. Logo chegamos ao riacho que, após um trecho onde desaparece sob as rochas, num chamado funil, reaparece e despenca formando a cachoeira. A aproximação da água é um pouco difícil, dado a vegetação crescida no entorno. Como quando chegamos ali começou a chover, nem tentamos chegar á água, mas deve ser possível com um pouco de jeito. Uns 10 minutos de caminhada são o suficiente para alcançar essa cachoeira.