Arquivo mensal: março 2016

Travessia Ouro Branco – Ouro Preto

Do Centro de Ouro Branco avista-se ao norte a imponente serra do Ouro Branco. Desde a primeira vez que passei por ali pensei que o local daria uma boa caminhada. Pois bem, no último carnaval resolvi fazê-la. Juntaram-se a mim Amarildo, Laércio, Andrea e, na segunda metade, o Cleber.

Saímos na noite de sexta para a longa viagem de cerca de 600 km até Ouro Branco. Fomos de carro porque o horário do ônibus, saindo no meio da tarde era por demais inconveniente. O Laércio e o Amarildo revezaram-se na direção noite adentro. Chegamos à praça central de Ouro Branco às 5:00 e ainda tivemos tempo para um cochilo dentro do carro antes do dia nascer.

Já eram 7:00 quando despertamos totalmente e saímos para tomar um breve café da manhã em um barzinho nos arredores. Depois retornamos por uma das ruas principais até encontrar um estacionamento onde deixar o carro do Laércio durante aqueles 4 dias.

Guardado o carro, iniciamos a caminhada voltando pela mesma rua até a praça central. Contornamos a venerável igreja matriz, que parece já ter conhecido melhores dias, para tomar a rua que sai detrás dela. Vamos descendo e na bifurcação mais abaixo fomos pela direita. Ao chegarmos a uma transversal, viramos para a esquerda e seguimos em nível. Numa esquina a frente, onde há o ferro velho do Divino tomamos à direita descendo. Logo à frente temos a imponente serra e já inclusive vislumbramos a trilha subindo paralela a alguns postes de luz. Passamos por uma garagem de ônibus a esquerda e acabamos numa estradinha de terra. Há frente há duas porteiras. Seguimos pela da esquerda, que está trancada, mas há um quebra-corpo estreito por onde passamos com alguma dificuldade.

Começa então uma trilha que segue num rumo paralelo a serra o que não parece muito promissor. Este é um ponto crítico, pois a trilha que sobe a serra sai à direita mais a frente, e começa muito discretamente, mas andando-se um pouco por um trecho quase sem marcas logo encontramos a trilha marcada, é preciso bastante cuidado neste trecho para localizar a trilha correta.

Tomando a trilha logo ela entra na mata e em mais um pouco chega a um riacho. Ali não teve jeito, apesar de procurarmos um ponto mais fácil de travessia, não encontramos e tivemos mesmo que tirar as botas e cruzar pela água. O Difícil foi recolocá-las na barrenta margem oposta. A trilha prossegue inicialmente seguindo o riacho para a esquerda, mas logo se afasta dele e começa a subir.

Subimos pela mata por um tempo e mais acima encontramos um entroncamento que vem pela direita e é outro acesso um pouco mais longo saindo da cidade por outro ponto. Seguimos subindo e a trilha sai da mata e começa a subir para valer em degraus rochosos. Em alguns pontos a trilha se divide, mas são apenas variantes.

Após algumas passagens mais expostas, enfim chegamos a um ombro na encosta da serra. Ali um riacho no abastece os cantis e de uma pedra em formato cúbico conhecida como pedra quadrada temos uma ampla vista da baixada e da cidade aos nossos pés.

Depois de um refresco nas águas do riacho e algumas fotos do mirante, retomamos a caminhada. A trilha se divide em duas. Optamos pela variante direita que acredito ser menos íngreme. E tome mais degraus rochosos até o alto da serra. Enfim chegamos ao topo e dali havia dois passeios colaterais possíveis. Tomando uma trilha para a esquerda, era acessível um cruzeiro fincando num morrote logo à esquerda. O outro era seguir em frente até a estradinha que segue o alto da serra e tomando uma estradinha lateral que desce ao raso valezinho a frente visitar as pequenas cachoeiras formadas pelo riacho local. Com o sol que já fazia preferimos descer as cachoeiras, o que tomou-nos poucos minutos e chegando lá, aproveitando o grande calor mergulhamos nas frias e rasas águas do maior pocinho.

Após um tempo de descanso por ali, retornamos a estradinha principal e seguimos por ela no rumo leste. A estrada percorre toda crista da serra dando acesso a algumas antenas no extremo oeste. Não há melhor opção do que seguir por ela.

Há muita pouca sombra neste trecho e após andarmos um tanto e já querendo parar para o lanche, acabamos estacionando numa estradinha bem mais precária, aliás, mero sulco duplo que sai a direita, mas sombreada por alguns eucaliptos resultando no único recanto agradável neste trecho para lancharmos.

Deitados a sombra, refrescados pela brisa e reanimados pela comida e alguns goles d’água que agora deviam ser racionados visto não sabermos onde encontraríamos o próximo ponto de água, foi difícil recomeçar a caminhar, mas ainda tínhamos andado muito pouco nesse dia. Retomamos a estradinha e seguimos em frente. A nossa direita a visão de Ouro Branco cada vez menor nos acompanhava.

Quase ao final da estrada, tomamos uma trilha à direita numa curva ascendente e para a esquerda da estrada, apenas um atalho que nos devolve a estrada logo à frente. Enfim a estrada de terra desemboca no asfalto. Do outro lado avistamos uma trilha. Porém há também um casebre onde vemos uma pessoa e na cerca a popular placa “proibida à entrada”. Ainda chamamos o elemento para uma conversa, mas lacônico ele apenas disse que nos não poderíamos passar por ali. Sem alternativa, fomos descendo para a esquerda pelo asfalto, mas 100 metros à frente, avistamos uma porteira de arame na cerca agora à nossa direita e não hesitamos em entrar por ali, seguindo por trilha larga que parece seguir as torres de alta tensão que seguem na mesma direção. Não demora e as torres passam para o outro lado do asfalto, mas há trilha, mais estreita, que segue para direita e por ali fomos. Acabamos desembocando numa estradinha muito ruim e descendo por ela chegamos a uma casa.

Obviamente a trilha passava por uma série de duas porteiras e subia visivelmente a encosta à frente. Por uma questão de educação, resolvemos pedir permissão na casa para passar e aproveitar para tomar alguma informação adicional de como chegar ao arraial do Itatiaia, nosso próximo ponto de referencia.

Para nossa surpresa, apesar da conversa em alto volume que sugeria
uma briga, fomos muito bem recebidos pelo moradores, a maioria parecia que
estava em avançado estado de embriaguez. O menos afetado, ou abstêmio, foi
correndo buscar uma garrafa de água gelada em um caminhão estacionado sei lá
onde! Ofereceram-nos comida e até um lugar para dormir! Dispensamos as
ofertas educadamente, menos a água gelada que consumimos com sofreguidão
após àquelas horas sob sol forte e sem pontos de água. Foi-nos confirmado
que por ali chegaríamos a Itatiaia em cerca de hora e meia e nos foi dado
alguns detalhes a mais sobre o caminho. Após algum descanso a sombra da
casa, seguimos a caminhada passando pelas duas porteiras em rápida sucessão.
Descemos então ao fundo de um vale, cruzando um riacho. Parece que
ligeiramente rio acima havia algum poço para banho de onde um grupo com o
qual cruzamos na região das porteiras voltava, mas não fomos investigar. Do
outro lado a trilha toca a subir a encosta, entrando na mata. Chegamos a uma
bifurcação, onde me parece que teria sido mais direto ir pela direita, mas
fomos pela esquerda e chegamos ao alto da crista da mesma maneira. Tivemos
ai de seguir para a direita pela crista de capim até reentrar na trilha que
agora descia ao próximo vale. Do alto já avistávamos Itatiaia ao alto do
morro, bem mais a frente. Conforme descíamos, nos aproximamos de um riacho
que seguia paralelo que, dado o calor, nos convidou a nova parada para nos
fartarmos de suas geladas águas.
Continuamos a descer até o fundo, onde a trilha vira para a direita e
cruza o riacho, subimos a encosta do outro lado por pouco tempo, para depois
virar para a esquerda e reentrar na mata.
A trilha vai agora aos ziguezagues, aos poucos, subindo por dentro da
mata. Ao fim de algum tempo, chegamos ao alto de uma crista e a trilha passa
a seguir por ai. Uma primeira bifurcação surge, mas parece cair para o lado
oposto da crista. No apegamos ao alto da crista que parece seguir direto na
direção norte, rumo a Itatiaia. Outras bifurcações aparecem mais mantivemos a
mesma orientação. Após uma porteira de arame, a trilha parece bifurcar. O
ramo em frente segue uma cerca mais parece mais fechado. Seguimos pela
esquerda e começamos a descer rapidamente aos ziguezagues. Outras trilhas
se entroncam na nossa e ao final da descida, chegamos a um riacho antecedido
por uma cerca. Saltamos a cerca, cruzamos o riacho largo mais raso pelas
pedras e seguimos a trilha que agora corre paralela ao riacho, para a
direita.
Não demora e passamos por um canal de pedra e chegamos à cachoeira do
Moinho, junto ao qual há um antigo moinho com paredes de pedra. Na cachoeira
alguns locais tomam banho. Junto ao moinho, a trilha parece bifurcar,
tomamos a esquerda, subindo forte. Logo ela se converte em uma estradinha
bem ruim. Subimos por seus íngremes ziguezagues. Numa bifurcação acima,
tomamos a subida mais íngreme e acabamos desembocando no asfalto bem no meio
da vila do Itatiaia.
Seguimos para a direita e em poucos metros encontramos um barzinho
onde não resistimos a parar para uma cerveja gelada ainda sem saber onde
dormiríamos esta noite. Com alguma prosa com o dono do bar que dizia ter
morado muitos anos em São Paulo e se mudado para lá depois de aposentado e
ficou muito contente em conseguir alguns parceiros de prosa naquela
modorrento arraial onde parece que nada acontece desde os dias de
Tiradentes, obtivemos uma indicação de pousada.
A pitoresca vila do Itatiaia encarapitada no topo de um morro tem a
forma de um Y. Estávamos no pé do mesmo e seguindo até uma pracinha, que faz
às vezes de centro do Y, seguimos pelo braço esquerdo do Y. Antes passamos
pela igreja colonial, ainda em restauro, mas em estado bem melhor que a de
Ouro Branco.
Após a pracinha a rua passa a descer e do lado esquerdo encontramos a
pousada Villa Real. Onde fomos muito bem recebidos pela Jéssica. Conseguindo um quarto para os quatro a preço módico demos adeus à idéia de acampar. No outro braço do Y havia o restaurante Araucária, onde poderíamos ter jantado, mas
preferimos dar uso a comida que carregávamos, sendo-nos franqueado o uso da
cozinha da pousada.

No dia seguinte, após o café da manhã, reiniciamos a caminhada descendo a rua.
Quando a rua acaba, encontramos duas trilhas que descendo pela mata. Tomamos
a da direita. Não faço idéia onde sai a da esquerda. Descendo por ela logo
chegamos à estrada de Santa Rita de Ouro Preto. Seguimos então pelo asfalto
para a esquerda e em pouco chegamos ao entroncamento com a estrada Ouro
Branco-Ouro Preto. Dali seguimos pelo asfalto, na direção de Ouro Preto, mais algumas centenas de metro até encontrar uma estradinha de terra que sai à esquerda. Seguimos por ali e em pouco há uma trilha que sai agora à direita logo após uma curva da estradinha. Na verdade, trata-se a estrada real, o caminho imperial que
ligava Ouro Branco a Ouro Preto.
Seguimos então pela estrada real que vai subindo a encosta passando
por trechos calçados de pedra, muros de arrimo e mais a frente pela
imponente ponte do Calixto. Quando a estrada real volta a se aproximar do
asfalto, é possível atravessá-lo e do outro lado seguir uma trilha que leva a
uma alta cachoeira cujo nome não sei. Como a maioria não quis visitá-la
seguimos em frente.
Chegando a ponte do Calixto, era possível subir o rio até as quedas da
cachoeira do Calixto logo acima. Uma idéia seria esconder as mochilas por ali a fim de alcançar a cachoeira com mais rapidez e comodidade. A presença de um grupo
por ali nos inibiu de fazê-lo e acabamos deixando essa cachoeira de lado
também.
Prosseguimos pela estrada real e mais a frente ela desemboca no asfalto.
Ali o negócio foi seguir pelo asfalto mesmo por mais cerca de 400 metros.
Após 100 metros, parece que havia a entrada de uma curta trilha que daria
acesso a cachoeira da Agulha Negra, que também acabamos deixando de lado. Ao
fim desse trecho aborrecido pelo asfalto, saímos pela direita, passando por
um quebra corpo junto a uma porteira e tomando a trilha. Junto ao início da
mesma uma placa dizia “proibido para motos”! Passamos ao largo de uma casa e
após saltar dois riachos, a trilha passa a subir, desviando de uma enorme voçoroca.
Ao chegar ao alto e a nova cerca provida de quebra corpo, chegamos a
uma bifurcação. Para a esquerda a trilha continuava para a vila de Chapada.
Para a direita, tínhamos a trilha que subia o pico do Itatiaia.

Ali na bifurcação deixamos as mochilas escondidas entre as pedras e
subimos para a direita rumo ao topo. A trilha é bastante sinalizada por
totens e segue em inúmeros ziguezagues por entre os blocos rochosos que
constituem a encosta da montanha. Umas duas vezes acabamos perdendo a trilha
e tivemos de retornar pequenos trechos até reencontrar o caminho correto.
Alcançamos o topo onde há um mastro com uma bandeira rasgada e um
pequeno oratório. Dali se descortina um belo panorama: a represa do Taboão
no sopé da montanha, Itatiaia encarapitada no morro logo à frente e ao fundo
a serra do Ouro Branco de onde viemos cercada de um sem número de verdes
morros. Do lado leste, vemos a pequena vilazinha de Chapada, nosso próximo
objetivo e na mesma direção, no alto de uma crista parte de Lavras Novas
para onde seguiremos depois.
Após uma meia hora por ali, retornamos as mochilas, onde paramos para
um lanche. Um outro grupo subira até ali e tivemos um dedo de prosa com
eles. Eles ameaçaram subir ao topo, mas parte do grupo não estava disposto a
subir a meia hora a mais de caminhada até o cume e acabaram retornando.
Dali a trilha segue para norte, apesar de vila estar a leste. Na
direção direta, um vale profundo e sua mata ciliar desestimula qualquer
idéia de seguir rasgando em linha reta.
Seguindo pela trilha, bordejamos para o norte e mais a frente à trilha
vira para o leste e segue pelo campo aberto até entrar na mata. Logo após
entrarmos na mata chegamos a um rio. Ali foi necessário tirar as botas para
atravessá-lo. Aproveitamos o calor do meio do dia para um refrescante banho
no raso rio.
Continuando do outro lado a trilha sobe um pouco e vira para a direita
em direção mais ou menos paralelo ao do rio. Não demora e passamos uma
porteira e saímos numa estradinha. Ali parece que descendo pela estrada,
sairíamos num pesqueiro de onde uma trilha nos levaria a cachoeira do
Castelinho, mas acabamos não optando por essa opção e subimos a estrada o
que logo nos levou a estrada principal, por onde descemos na direção da
Chapada, já com a serra do Trovão avultando a nossa esquerda.
Chegando ao fundo do vale, entramos na pequena e simpática Chapada,
onde observamos os primeiros sinais do carnaval. Paramos na barraca do Pezão
para uma cerveja e uns espetinhos.
Da Chapada, tomando a estradinha à direita da bonita Igreja seria
possível também alcançar a cachoeira do Castelinho, mas o pessoal preferiu
deixar a atração de lado, mesmo porque era provável que houve muita gente
por ali. Prosseguimos em frente e descemos mais um pouco, passando por uma
bica à esquerda, onde reabastecemos os cantis. Pouco a frente, uma
estradinha saindo em diagonal à esquerda, provida de uma porteira é o começo
na trilha para Lavras Novas. Seguimos por ali e passamos ao lado de uma
casa. Seguimos então para a esquerda, subindo. Ali a estradinha já vira uma
trilha evidente e muito erodida, parte da antiga estrada real, sinalizada
pelos seus conhecidos marcos.
E toca a subir às vezes por canaletas escavadas, segundo dizem percorridas desde o tempo dos bandeirantes, ou alternadamente por degraus rochosos. Pouco a pouco vamos ganhando altitude. Passado o alto, a trilha ainda desce a um vale,
cruza um riacho onde é feita a tomada de água para o povoado e sobe uma
última e íngreme ladeira até que subitamente emerge na rua principal de
Lavras Novas.
Chegando ali, seguimos para a direita pela rua principal que logo faz
uma curva e começa a descer. Do lado esquerdo há o restaurante “Recanto do
Gabiru” e logo ao lado a pouso dos Querubins, onde acabamos nos hospedando
por preço módico. A comida do restaurante é também boa, farta e barata.

No terceiro dia, saindo da pousada, tomamos a rua para a esquerda. Logo passamos pela igreja e seguindo em frente chegamos ao final da vila e da estrada calçada. Prosseguindo pela estradinha que mais a frente parece se bifurcar.
Tomamos a esquerda no que agora é uma trilha que vai bordejando a encosta.
Ao fundo do vale, ainda não visível, temos a represa do Custodio. Na verdade
ela já vai ficando para trás!
Acabamos desembocando na estrada junto a um marco da estrada real.
Ali havia duas opções: seguir pela estrada e na bifurcação a frente tomar à esquerda,
descendo, passando próximo a cachoeira dos Três Pingos, ou tomar o aceiro
que descer fortemente à esquerda, acompanhando uma linha de postes.
Optamos pelo aceiro e com rapidez descemos a íngreme encosta. Ao
fundo saltamos um riacho e subindo alguns degraus na encosta oposta
desembocamos novamente na estrada. Ali foi só tocar para a esquerda e seguir
a estrada até a barragem que forma a represa do Custódio.
Chegando a represa, o caminho era seguir em frente cruzando pelo
alto da barragem, porém antes, fomos, num passeio colateral, visitar a
cachoeira dos Prazeres, a mais interessante da região. Para isso,
abandonamos a estrada e seguimos para a esquerda, pela borda da represa.
Cerca de 1 hora de caminhada é o que leva para chegarmos ao fundo da mesma.
Ali, subindo por uma trilha que acompanha o principal formador da represa,
avistamos a queda. É preciso atravessar o rio pelas escorregadias pedras e
do outro lado, tomar uma trilha íngreme pela mata até atingirmos novamente o
rio num poço acima da primeira queda. Poço largo, mas não muito fundo, onde
tomamos um merecido banho, ainda com vista da queda logo abaixo e da represa
ao fundo.
Parece que de Lavras Novas há uma trilha que desce direto ao fundo da
represa, e cuja saída percebemos pouco antes de chegarmos ao fundo da
represa. De fato, a vila parece situar-se logo acima e o caminho que
percorremos até a cachoeira nada mais foi do que um longo ziguezague. Porém
não saberia dizer de onde sai esta trilha. Questão para ser esclarecida numa
próxima visita.
Retornamos então pela borda da represa até a barragem, a qual
atravessamos, aproveitamos para encher os cantis numa bica logo do outro
lado. Seguimos então pela estrada que entra na mata e passa a subir
suavemente. Bem à frente, temos uma placa que indica um mirante. Entrando na
trilha, em poucos metros chegamos ao mirante, formação rochosa acima da
represa com ampla vista dela e de onde podemos ver Lavras Novas ainda bem
mais acima do outro lado. Segundo informações que tivemos depois, haveria
alguma trilha que da cachoeira ou suas proximidades levaria até a estrada em
algum ponto, fazendo um grande atalho na caminhada, porém também não tivemos
nenhuma indicação mais precisa de onde seria esse atalho. Outra coisa a
averiguar.
Voltamos à estrada e seguindo em frente. Chegamos a uma bifurcação em que
tomamos a direita, subido. A estrada então se torna uma trilha que após um
tempo nivela e segue por dentro da mata. Bem mais a frente, em nova
bifurcação, tomamos novamente à direita, porém ali presumo que não faça
muita diferença qual ramo for seguido, já estamos dentro do parque do
Itacolomi e provavelmente o outro ramo apenas desemboca mais diretamente
junto as sede do parque. De qualquer maneira, fomos pela direita e acabamos
saindo na estradinha do mirante do Morro do Cachorro, acesso também ao pico
do Itacolomi.
Descemos então e depois da porteira, tomamos à direita. Passando pela
lagoa, onde depois tomaríamos banho, na próxima bifurcação, fomos para a
direita e chegamos enfim ao camping. Ali descobrimos que seria necessário
registrarmo-nos na sede. Deixamos as mochilas por ali e fomos eu e o
Amarildo até a sede, fazer o registro e pagar o pernoite, R$ 25,00 por
cabeça.
Ai pudemos voltar à lagoa para um refresco no final daquele dia
quente. Quando enjoamos da água, voltamos ao camping para tomar um banho
quente e preparamos o jantar quando já escurecia. O camping do parque é até
que bem organizado, o banheiro tem chuveiro quente e é mantido limpo, aliás,
só havia mais duas barracas fora as nossas.

No último dia, deixando as coisas no camping, subimos ao pico do
Itacolomi. A subida começa pela estradinha do Morro dos Cachorros por onde
descemos no dia anterior e mais acima sai uma trilha pela direita. A trilha é
bem marcada e não há como errar. Chegando ao topo, temos ampla vista de Ouro
Preto ao norte, seguido ao fundo pela serra do Espinhaço. A Oeste podemos
ver Lavras Novas. Do lado oposto Mariana e ao sul apenas as verdes serras
que se espraiam até o horizonte.
Retornamos ao camping, não sem antes fazermos, mais uma parada na lagoa para nos refrescar. Desmontamos as barracas e guardamos as coisas. A descida
até a portaria seria pela estrada de acesso. Um sem número de ziguezagues
pela estrada e alcançamos a portaria. Dali cruzamos o asfalto e do outro
lado, encostamos num ponto de ônibus. Ali já era a periferia de Ouro Preto,
mas a rodoviária, nosso destino, ficava do outro lado da cidade. Nem
chegamos a esquentar o banco e já passou um ônibus. Com ele fomos até a
rodoviária, seu ponto final. Ali constatamos que o ônibus para Ouro Branco
demoraria algumas horas, então acabamos perguntando a um taxista quanto
sairia uma corrida até Ouro Branco, visto que o valor não era grande, não me
lembro quanto, pegamos o taxi e fomos os três: eu, Laércio e Amarildo para
lá. A Andrea e o Cleber tomaram outro taxi para Lavras Novas onde o Cleber
havia deixado seu carro. Para Lavras Novas, apesar de mais perto, os ônibus
são ainda mais esporádicos e não havia mais naquele dia.

Anúncios