Travessia Alsene – Colina

Muita gente conhece o parque do Itatiaia, mas a maioria parece só ter ouvido falar das atrações mais conhecidas tais como os picos das Agulhas Negras e Prateleiras e possivelmente pensar que o parque ser resume a área em torno aos citados picos, porém o parque começa já na garganta do Registro e na área antes da portaria oficial há outras atrações como a pedra Furada e a Pedra Grande.

Alguns quilômetros antes da portaria existia o hotel Alsene, hoje desativado e em ruínas. Cerca de 200 metros antes do Alsene, do mesmo lado da estrada, ou seja, lado esquerdo de quem sobe, inicia-se a trilha de acesso a Pedra Furada, prosseguindo por ali, desce-se até o bairro da Vargem Grande, já na orla do parque, de onde, cruzando-se a serra da Colina por outra trilha, chega-se ao bairro da Colina. Essa foi a travessia que fizemos. Começamos as 8:00 hs.

A trilha começou estreita com os bambuzinhos molhados quase fechando completamente a trilha. Logo chegamos a uma bifurcação. À direita a trilha desce para vale do rio Aiuruoca, levando ao bairro da Serra Negra e a trilha para a Maromba, mas nosso caminho era pela esquerda. A trilha fica mais aberta e passa a subir a encosta suavemente. Avistamos um poste à esquerda. Na verdade nesse trecho inicial a trilha passa a correr mais ou menos paralela a estrada, muito embora não a vermos. Trechos encharcados se sucedem, assim como pequenas descidas e subidas. Não demora e passamos por um riacho. À esquerda, uma garrafa de plástico encravada na encosta foi usada para fazer uma rústica bica.

Quase uma hora após o inicio da caminhada, passamos pelos restos de uma cerca de arame. Na encosta à esquerda poderia ser vista a Pedra Furada, conjunto de blocos rochosos onde como o nome diz sobrou, uma brecha entre eles, deixando um furo. Poderia ser visto já que nesse dia a neblina cobria o alto do morro e não víamos nada. Mais um pouco e chegamos a uma bifurcação marcada com um totem.

À esquerda, a trilha sobe o morro, passando ao lado da Pedra Furada e subindo a um cume rochoso mais acima, com visão de 360 graus. Não fomos até lá porque a visibilidade era nula nesse dia. De forma que seguimos pela direita. A trilha prossegue em nível, passa por mais trechos encharcados, dos quais eventualmente desviamos pela esquerda, e mais a frente passa a descer aos zigue-zagues. A trilha tem muito trechos lisos e pedras soltas e cada um a seu tempo acaba levando algum tombo.

Do lado direito da trilha, começamos a visualizar o maciço da Pedra Grande, que mal e mal se avistava dentre a neblina desse dia. O acesso a seu topo não parece ser demarcado, pelo menos em seu inicio e não saberia dizer bem de onde sai.

Vamos descendo pelos campos rupestres e pouco a pouco a vegetação vai mudando. Cruzamos cinturões de mata que vão se tornando cada vez maiores. Sempre com a pedra Grande à nossa direita. Água não falta e repetidamente passamos por nascentes.

Ao fim de duas horas de caminhada paramos para um lanche. Prosseguindo a caminhada, chegamos a um largo gramado, com restos de um cocho e ruínas de pedra do que pareciam ser uma casa junto a nascente de um riacho. Local bucólico onde uma única rês solitária pastava deu margem a muitas fotos.

Cruzando o campo, na cerca do outro lado, um pouco para a direita, encontramos uma porteira de arame. Cruzando a porteira, a trilha segue para a direita bastante enlameada nesse trecho inicial e sobe um pouco. Mas logo volta a descer e entra de vez na mata.

Na mata as variantes proliferam, mas todas descem e não há como errar. Proliferam também as folhas de araucárias no piso da trilha, mas poucas araucárias conseguimos avistar em meio à mata. Quando a trilha parece nivelar, subitamente chegamos a um entroncamento.

À esquerda, a trilha seguiria rumo a pousada dos Lobos. Mas nosso caminho era o da direita. Não andamos muito e nova bifurcação apareceu. Pegamos a esquerda e começamos a subir. Logo saímos no campo e prosseguimos subindo bordejando a encosta para esquerda e assustando alguns cavalos que pastavam por ali. Mantemo-nos acima do mato que recobre a parte da encosta abaixo de nós. Logo passamos por um estreito cinturão de mata e após, por um selado, emergindo numa crista. Abaixo no vale avistamos algumas casas, mas ali não era o bairro da Vargem.

Após cruzarmos uma cerca, seguimos para a esquerda em trecho em que a trilha estava apagada, para reencontrar a trilha mais à frente. Acabamos chegando a um casebre em meio a uma matinha. Ali começou a confusão. A trilha seguia caindo para a direita, mas sabíamos que a Vargem ficava a nossa frente, atrás duma crista. Desconfiando da trilha onde saímos, tomamos outra trilha que saia para a esquerda pouco antes de um bebedouro de gado ainda antes da casa.

Seguindo por ali, em instantes começamos a avistar a Vargem ao fundo do vale, mas não víamos como descer. A trilha entrou na mata contornou um charco e voltou a sair no campo. Seguimos mais um pouco por ela, mas não havia descida, ela seguia bordejando a encosta. Ali tomamos a decisão fatídica, vamos descer rasgando o mato que recobria a encosta abaixo de nós. Saltamos uma cerca e, no inicio foi fácil, só pasto alto e alguns arbustos dos quais facilmente desviávamos. Só que mais abaixo a mata era mais fechada, repleta de cipós e plantas espinhosas. Fomos seguindo do jeito que deu, desviando dos trechos mais entrelaçados até que subitamente saímos numa trilha limpa! Tomamos a trilha para a esquerda e, surpresa, em pouco passos chegamos a uma estradinha que levava a uma casa encravada na mata pouco atrás! As meninas disseram ter avistado está estrada lá de cima. Agora era só descer pela estradinha saindo no bairro bem em frente à igreja da Assembléia de Deus.

Conforme informações locais, parece que deveríamos ter ido para a direita lá em cima, contornado o morro por esse lado e de alguma forma descendo a estrada mais a leste, daí voltando ao bairro, de qualquer forma o trajeto certo nos escapou.

Na estradinha que forma a rua principal do bairro, seguimos para a esquerda, deixando a pousada dos Lírios, à direita.

Depois da última casa, uma trilha sai à direita, passa por um trecho, que nesse dia estava alagado, e do qual desviamos por uma variante à esquerda, até que avistamos um riacho ao fundo de uma baixada. Ali seguimos para a esquerda por trilha evidente, descendo ao fundo da baixada. Cruzamos o riacho e subimos do outro lado. Já era 15:30 e já era um tanto tarde, e talvez mais recomendável abortar o resto do caminho, mas insistimos em prosseguir com o programa assim mesmo.

A subida vai aos zigue-zagues por trilha fundamente escavada. Mais acima a vegetação se abre e começamos a avistar o casario da Vargem ao fundo do vale. Ali fizemos uma parada para lanche, mas a Myrna preferiu prosseguir caminhando. Avisei que haveria um bifurcação à frente e alertei para que nos esperasse ali.

Finda a parada, prosseguimos a caminhada e logo chegamos ao entroncamento, mas cadê a Myrna? Nessa altura começou também a chover. O caminho que planejava era o da direita, mas sem ter certeza para que lado a Myrna seguira o que faríamos? Discutimos as opções e depois de perder algum tempo tentando localizá-la de um lado e do outro, decidimos dividir o grupo, dois iriam para um lado e os outros dois para o outro. Decisão que nós custaria outros contratempos.

Tomei à direita com a Elisa e seguimos em marcha acelerada para ver se alcançávamos a esquiva Myrna. O Walter e a Lili foram para o outro lado. Dei algumas indicações sumárias do caminho a eles, mas elas aparentemente não forma suficientes, já que eles nunca chegaram a Colina e sei lá onde pararam.

Prosseguirei com o relato do eu e a Elisa fizemos. A trilha segue pela crista, sempre subindo, mas suavemente, quase sempre dentro da mata, na direção geral leste. Quase ao final do trecho, quando a trilha quebra para a esquerda e passa a seguir para o norte, encontramos a Myrna. Aliviados, seguimos, descendo por um trecho erodido e reentrando na mata. Cruzamos um trecho enlameado, uma porteira e logo saímos no campo.

Segue-se um longo trecho pelo campo, subindo sucessivos cocurutos da serra da Colina, de onde se descortinaria largo visual das serras ao redor, mas nesse dia as nuvens cobriam quase tudo ao redor. A trilha segue quase sempre bem marcada, mas fui ficando preocupado com o horário, já passava das 17:00 hs. Nem sabia ainda que as meninas não tinham lanterna.

Chegando ao final da crista, local conhecido como pico da Boa Vista, nem subimos ao topo, já que não daria para ver nada mesmo. Prosseguimos pela trilha, que vai bordejando e descendo. Logo a trilha vira para a direita e começa a descer mais fortemente. Cruzamos um cinturão de mata e voltamos a sair no aberto.

Mais abaixo ignoramos uma bifurcação à direita que só dá acesso a um riacho e seguimos pela esquerda. A trilha dá uma nivelada e logo chegamos à nova bifurcação. Ali seguimos novamente pela esquerda. A direita desce ao bairro do Jequeri. A trilha até sobe ligeiramente antes de virar para a direita e voltar a descer.

Entramos na mata e uma cerca aparece à nossa esquerda. Afinal cruzamos a cerca por uma porteira. A escuridão já era total e tive que recorrer a minha lanterna, ali também soube que ela seria a nossa única fonte de luz. Seguimos descendo a trilha, agora com dificuldade redobrada. Tinha que iluminar a frente para achar o caminho e depois para trás para que elas me alcançassem. Felizmente esse trecho foi curto, mas tomou muito tempo. Até que chegamos aos fundos de uma casa. Contornando ela, chegamos à estrada de acesso e a partir daí o avanço foi mais fácil. Como a estrada era larga podíamos andar lado a lado e eu conseguia iluminar os passos dos três. Fomos então descendo a estradinha, eventualmente passando por algum trecho mais escorregadio, às vezes caiam alguns pingos de chuva, que sempre que pensávamos em tirar as capas, insistia em nos incomodar. Passamos uma última porteira e chegando a um riacho, cruzamo-lo por uma pinguela à direita.

Enfim chegamos ao bairro da Colina às 20:30. Tínhamos fretado a van do Amarildo para, a partir de Itamonte, nós levar ao Alsene cedo e depois nos pegar às 17:00 na Colina, mas cadê o Amarildo? Sem sinal de celular, procuramos um orelhão de onde ligamos para ele. Sem sucesso. Depois ligamos para o Hotel Rainha, onde nos hospedamos e deixamos os carros. Não atendia. Estávamos sem condução ou hospedagem num bairro a 12 km de Itamonte numa noite de domingo! Já pensávamos em bater de casa em casa até conseguir alguma condução para nós e eis que um carro vem chegando ao bairro nessa úmida noite. E era ele, o Amarildo!

Ele explico que tinha chegado na hora, mas com o nosso atraso extremado tinha descido de volta a cidade. Lá o Walter tinha conseguido falar com ele de um pesqueiro onde eles tinha acabo saindo e pedido para buscá-los lá depois de nós pegar. O Amarildo achou que a van dele não subiria até lá, então contato um outro taxista para pegá-los e veio nos buscar. Reencontramo-nos no hotel Rainha onde eles acabaram dormindo, enquanto nós resolvemos voltar a São Paulo apesar do horário avançado. Só conseguimos sair de Itamonte depois da 22:30.

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