Cachoeiras desconhecidas de Gonçalves

Impressiona-me como parece que em todas as localidades em que julgava ter esgotado todas as atrações repetidamente descubro novas atrações. É o caso de Gonçalves, que já freqüento há uns 20 anos e só agora soube da existência de quatro cachoeiras, todas de acesso fácil, e das quais nunca ouvira menção!

Quando for ao simpático município mineiro, deixe de lado as mais que manjadas cachoeiras do Retiro, Simão, do Cruzeiro e Andorinhas e busque as da Fazendinha, Tonho Nego, do São Sebastião e do Funil.

As da Fazendinha e do Tonho Nego, são relativamente próximas. Saindo de Gonçalves pela estrada para o Sertão do Cantagalo, a cerca de 8 km encontra-se o centro do pequeno bairro, mas uns 500 metros antes, à esquerda, há a estradinha de acesso à pousada Bicho do Mato. Por ali é o acesso a cachoeira da Fazendinha. O melhor é parar o carro no bairro e seguir a pé. Subindo pela estrada, deixamos a entrada da pousada à direita e seguimos em frente. A estrada contorna o morro e chega à porteira do sítio Gato no Telhado. Passamos a porteira e descemos suavemente, deixando uma casa à direita. Logo chegamos à nova porteira. A frente há a casa do caseiro. A propriedade é particular e é preciso pedir permissão ao caseiro. Por sorte o encontramos junto à porteira e a permissão nos é dada sem mais. O riacho corre à nossa direita e já ouvimos o ruído da queda. Tomamos um trilho que em um minuto nos leva a cachoeira. A água escorre pela laje rochosa e forma um pequeno poço. Todo o percurso do bairro a cachoeira levou uns 15 minutos.

Retornando ao centro do bairro, seguimos pela estrada que passa em frente à pequena igreja. Seguindo sempre em frente, ignoramos as saídas à direita. Logo percebemos o riacho correndo à esquerda da estrada. Mais à frente ele cruza a estrada e segue pela direita. Junto a uma curva para a direita, o riacho volta a cruzar a estrada. Esta começa então a subir e na primeira casa à esquerda está o acesso a cachoeira do Tonho Nego. Novamente o acesso é por propriedade particular. Só que nesse sítio, aparente casa de veraneio, não havia ninguém neste dia. Cruzamos a porteira, seguimos passando ao lado da casa. Logo encontramos a trilha que entra na mata, seguindo paralela ao riacho que corre mais abaixo. Não demora e chegamos à primeira queda, acessível por trilha que desce à esquerda. Do outro lado, outra trilha parece fornecer acesso alternativo pela propriedade na margem oposta ao riacho, mas não chegamos a explorar esse acesso. Seguindo em frente pela trilha, novas quedas são encontradas em graciosa sucessão. Chegando a uma cerca, a trilha prossegue margeando o riacho, mas as cachoeiras acabaram e rio acima o riacho corre suave por entre a mata. O percurso do bairro a cachoeira é de cerca de 20 minutos.

Retornamos a Gonçalves e tomando a estrada rumo ao bairro de São Sebastião das Três Orelhas. Paramos mo centro do bairro, em frente à igreja. Ali começa a caminhada. Passando pela direita da igreja e seguindo até a rua ao fundo, viramos a direita seguindo por ela. Antes do final da ruela, encontramos um quebra corpo na cerca à esquerda. Passamos por ele e subimos pelo pasto até encontrar nova cerca e outro quebra corpo. Passamos por ele e seguimos pela trilha para a esquerda, mantendo o nível. Logo a trilha se torna mais marcada e seguimos bordejando o morro. Outro quebra corpo e, mais à frente, uma porteirinha são transpostos. Chegamos a duas bifurcações seguidas, ignorando-nas e seguimos em frente, chegando a novo quebra corpo. Prosseguimos bordejando o morro. Logo começamos a ouvir o ruído da cachoeira e começamos a avistá-la. Ela é bastante alta. Enfim chegamos ao alto da queda. É preciso passar sob uma cerca de arame, cruzar o riacho saltando pelas pedras e chegando do outro lado seguir a trilha que logo se bifurca. Seguimos descendo o ramo esquerdo e chegamos a um platô rochoso no meio da queda. A visão é belíssima. Parece ser possível descer até a base, mas não tentamos, pois o trecho estava por demais escorregadio devido à chuva recente. O percurso até a cachoeira é de uns 20 minutos.

A ultima das cachoeiras que visitamos, a do Funil, fica antes da cidade para quem vem por São Bento do Sapucaí. Cerca de 6 km antes de Gonçalves, tomamos o acesso ao bairro Atrás da Pedra. Antes de uma subida calçada, paramos o carro e seguimos a pé. Num ponto onde o calçamento sofre uma mudança de padrão, encontramos uma trilha à esquerda. É preciso saltar a cerca de arame e seguir por ali. A trilha sobe um pouco e passa a bordejar a encosta pelo pasto. Logo chegamos ao riacho que, após um trecho onde desaparece sob as rochas, num chamado funil, reaparece e despenca formando a cachoeira. A aproximação da água é um pouco difícil, dado a vegetação crescida no entorno. Como quando chegamos ali começou a chover, nem tentamos chegar á água, mas deve ser possível com um pouco de jeito. Uns 10 minutos de caminhada são o suficiente para alcançar essa cachoeira.

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