Arquivo mensal: abril 2015

Cachoeiras desconhecidas de Gonçalves

Relato: Cachoeiras desconhecidas de Gonçalves

Impressiona-me como parece que em todas as localidades em que julgava ter esgotado todas as atrações repetidamente descubro novas atrações. É o caso de Gonçalves, que já freqüento há uns 20 anos e só agora soube da existência de quatro cachoeiras, todas de acesso fácil, e das quais nunca ouvira menção!
Quando for ao simpático município mineiro, deixe de lado as mais que manjadas cachoeiras do Retiro, Simão, do Cruzeiro e Andorinhas e busque as da Fazendinha, Tonho Nego, do São Sebastião e do Funil.
As da Fazendinha e do Tonho Nego, são relativamente próximas. Saindo de Gonçalves pela estrada para o Sertão do Cantagalo, a cerca de 8 km encontra-se o centro do pequeno bairro, mas uns 500 metros antes, à esquerda, há a estradinha de acesso à pousada Bicho do Mato. Por ali é o acesso a cachoeira da Fazendinha. O melhor é parar o carro no bairro e seguir a pé. Subindo pela estrada, deixamos a entrada da pousada à direita e seguimos em frente. A estrada contorna o morro e chega à porteira do sítio Gato no Telhado. Passamos a porteira e descemos suavemente, deixando uma casa à direita. Logo chegamos à nova porteira. A frente há a casa do caseiro. A propriedade é particular e é preciso pedir permissão ao caseiro. Por sorte o encontramos junto à porteira e a permissão nos é dada sem mais. O riacho corre à nossa direita e já ouvimos o ruído da queda. Tomamos um trilho que em um minuto nos leva a cachoeira. A água escorre pela laje rochosa e forma um pequeno poço. Todo o percurso do bairro a cachoeira levou uns 15 minutos.
Retornando ao centro do bairro, seguimos pela estrada que passa em frente à pequena igreja. Seguindo sempre em frente, ignoramos as saídas à direita. Logo percebemos o riacho correndo à esquerda da estrada. Mais à frente ele cruza a estrada e segue pela direita. Junto a uma curva para a direita, o riacho volta a cruzar a estrada. Esta começa então a subir e na primeira casa à esquerda está o acesso a cachoeira do Tonho Nego. Novamente o acesso é por propriedade particular. Só que nesse sítio, aparente casa de veraneio, não havia ninguém neste dia. Cruzamos a porteira, seguimos passando ao lado da casa. Logo encontramos a trilha que entra na mata, seguindo paralela ao riacho que corre mais abaixo. Não demora e chegamos à primeira queda, acessível por trilha que desce à esquerda. Do outro lado, outra trilha parece fornecer acesso alternativo pela propriedade na margem oposta ao riacho, mas não chegamos a explorar esse acesso. Seguindo em frente pela trilha, novas quedas são encontradas em graciosa sucessão. Chegando a uma cerca, a trilha prossegue margeando o riacho, mas as cachoeiras acabaram e rio acima o riacho corre suave por entre a mata. O percurso do bairro a cachoeira é de cerca de 20 minutos.
Retornamos a Gonçalves e tomando a estrada rumo ao bairro de São Sebastião das Três Orelhas. Paramos mo centro do bairro, em frente à igreja. Ali começa a caminhada. Passando pela direita da igreja e seguindo até a rua ao fundo, viramos a direita seguindo por ela. Antes do final da ruela, encontramos um quebra corpo na cerca à esquerda. Passamos por ele e subimos pelo pasto até encontrar nova cerca e outro quebra corpo. Passamos por ele e seguimos pela trilha para a esquerda, mantendo o nível. Logo a trilha se torna mais marcada e seguimos bordejando o morro. Outro quebra corpo e, mais à frente, uma porteirinha são transpostos. Chegamos a duas bifurcações seguidas, ignorando-nas e seguimos em frente, chegando a novo quebra corpo. Prosseguimos bordejando o morro. Logo começamos a ouvir o ruído da cachoeira e começamos a avistá-la. Ela é bastante alta. Enfim chegamos ao alto da queda. É preciso passar sob uma cerca de arame, cruzar o riacho saltando pelas pedras e chegando do outro lado seguir a trilha que logo se bifurca. Seguimos descendo o ramo esquerdo e chegamos a um platô rochoso no meio da queda. A visão é belíssima. Parece ser possível descer até a base, mas não tentamos, pois o trecho estava por demais escorregadio devido à chuva recente. O percurso até a cachoeira é de uns 20 minutos.
A ultima das cachoeiras que visitamos, a do Funil, fica antes da cidade para quem vem por São Bento do Sapucaí. Cerca de 6 km antes de Gonçalves, tomamos o acesso ao bairro Atrás da Pedra. Antes de uma subida calçada, paramos o carro e seguimos a pé. Num ponto onde o calçamento sofre uma mudança de padrão, encontramos uma trilha à esquerda. É preciso saltar a cerca de arame e seguir por ali. A trilha sobe um pouco e passa a bordejar a encosta pelo pasto. Logo chegamos ao riacho que, após um trecho onde desaparece sob as rochas, num chamado funil, reaparece e despenca formando a cachoeira. A aproximação da água é um pouco difícil, dado a vegetação crescida no entorno. Como quando chegamos ali começou a chover, nem tentamos chegar á água, mas deve ser possível com um pouco de jeito. Uns 10 minutos de caminhada são o suficiente para alcançar essa cachoeira.

Pedra Grande do Itatiaia e Pedra Furada

Relato: Pedra Grande do Itatiaia e Pedra Furada

A Pedra Grande do Itatiaia é uma daquelas atrações do parque de que poucos ouviram falar e que inclusive não consta no mapa distribuído aos visitantes. Um pouco mais conhecida, e pelo mesmo acesso daquela, a Pedra Furada é outra destas atrações.
O acesso a ambas é por uma trilha que sai da estrada bem antes da portaria do parque. Cerca de 200 metros antes das ruínas do antigo hotel Alsene, do mesmo lado da estrada que ele.
Descendo pela trilha, logo chegamos a uma bifurcação. À direita a trilha desce para o vale do Aiuruoca, levando ao bairro da Serra Negra, mas nosso caminho é pela esquerda. A trilha passa a subir e logo avistamos um poste de luz. Avistamos a estrada mais abaixo na encosta e passamos a seguir quase paralelos a ela. À frente já vemos o maciço da Pedra Furada. Após alguns sobes e desces, começamos a contornar o maciço pela direita. Um primeiro ponto d’água é passado, onde uma rústica bica foi improvisada com uma garrafa pet. Já avistamos a Pedra Furada mais acima na encosta. Como o nome já indica, trata-se de um grupo de blocos sobrepostos onde ficou um buraco ao centro. Cruzamos uma cerca e ao final do trecho, chegamos a uma bifurcação. Tempo até aqui: 40 minutos.
Deixamos para subir ao topo do maciço da Pedra Furada na volta e prosseguimos em frente. Uma série de trechos encharcados se seguem, alguns em meio à mata outros em campo aberto. Após esse trecho em nível, chegamos à borda de um profundo vale. Dali já avistamos o pequeno contraforte que culmina na Pedra Grande. Porém a trilha começa a descer na direção oposta! Descida repleta de trechos escorregadios e pedras soltas. Pouco à frente a trilha faz uma curva e segue descendo no sentido oposto, nos aproximando da pedra.
Chegamos a uma aparente bifurcação. A esquerda desce mais fortemente. Seguimos porém pela direita, em nível. A trilha chega a uma matinha e parece se dividir, um ramo descendo para esquerda e outro que parece entrar na mata. Preferimos entrar na mata, mas acabamos saindo da mesma mais à frente, para a esquerda. À frente a mata acaba e começa um trecho de capim elefante.
Saindo no aberto, visualizamos mais abaixo e do outro lado do vale de um riacho um aparente rabo de trilha. Vamos então descendo pelo pasto, desviando dos arbustos na tentativa de alcançar aquela trilha. Acabamos chegando a uma trilha deste lado do valezinho que nos leva a cruzar o riacho ainda antes de sua nascente logo abaixo.
Enfim alcançamos a trilha e por ela seguimos, mas ou menos em nível, desviando de capões de mata na encosta acima e abaixo. Algumas vezes a trilha se apaga, mas encontramos nova trilha poucos metros abaixo. A trilha então vira para a esquerda e desce na direção de uma matinha abaixo. Antes de chegar à mata, viramos para a direita e cruzamos uma cerca. Enfim cruzamos a mata em seu trecho mais estreito.
A trilha, agora bem marcada, desce mais um pouco e então contorna um primeiro morro pela esquerda, quase que em nível. Depois vira para a direita e penetra no selado entre as duas elevações. Resta-nos apenas subirmos a encosta final de pasto e chegamos ao topo da Pedra Grande. A subida final curta e fácil engana, pois do outro lado há um alto penhasco quase vertical, bela parede rochosa que faria a diversão de qualquer escalador.
A visão ao redor é dominada pela Pedra Preta e pelo vale do Aiuruoca à direita, cuja alta cachoeira avistamos durante a descida. Ao redor diversos vales menores de afluentes do Aiuruoca densamente cobertos de mata e campos rupestres compõem o panorama. No extremo norte chama a atenção a crista da serra do Papagaio com suas inconfundíveis três corcovas. O percurso até ali tomou-nos cerca de 1:40 hs.
No retorno, voltamos pelo mesmo caminho, mas em algum ponto no trecho onde bordejamos a encosta, variamos de trilha. O que sabemos é que sempre seguindo por trilha marcada, cruzamos o riacho abaixo do ponto onde cruzáramos antes e seguimos bordejando. Um cinturão de mata foi atravessado e voltamos ao aberto. Acabamos entrando novamente na mata e ali dentro proliferavam as alternativas. De modo que fomos subindo pela trilhas mais abertas até que subitamente desembocamos na trilha principal, a mesma por onde viéramos, só que num ponto mais abaixo do que a abandonamos na ida. Não saberíamos como indicar esse ponto. O trajeto dentro da mata é bastante confuso. De modo que na ida o melhor é cortar pelo pasto sem trilha mesmo.
Retornamos então até a bifurcação da Pedra Furada. Ainda com tempo, subimos ao alto do maciço por trilha marcada, que ás vezes segue sobre lajes rochosas. A Pedra Furada propriamente dita é deixada à esquerda, mais abaixo. Não vimos acesso fácil a ela.
Ao final de pouco mais de 15 minutos chegamos ao topo, de onde há visão de 360 graus. Avistamos o vale do Paraíba, o maciço da Agulhas e todo o vale abaixo por onde descemos. Com a noite já se aproximando, descemos a bifurcação e retornamos ao Alsene onde deixamos o carro.

Travessia Chapada das Perdizes

Travessia da Chapada das Perdizes

Num país tão grande como o Brasil é incrível que a maioria dos trilheiros contentem-se em repetir, ano após ano, sempre as mesmas trilhas clássicas, muitas já demasiado batidas,  enquanto tantas opções pouco conhecidas continuam virtualmente virgens a espera de quem se aventure a percorre-las. A travessia da Chapada das Perdizes é uma dessas últimas, percorrendo a crista das serras que contornam Carrancas, ao norte e leste, e depois passando pela Chapada das Perdizes propriamente dita, descendo, ao final, até Minduri..

Decidido a percorre-la, e não encontrando quem se dispusesse a acompanhar-me, parti na última quinta, à noite, rumo a Itutinga, no ônibus das 21:30, da Gardênia. O horário das 22:30 seria até preferível, mas não havia mais lugar.

Após a primeira parada em Lavras e a segunda num lugarejo chamado Macuco,de que nunca tinha ouvido falar, desci na terceira parada, em Itutinga, na esquina logo após o trevo da cidade. E bom avisar o motorista que você vai descer lá, pois se nenhum outro morador for descer também é bem capaz de você passar batido pela cidadezinha, a qual consiste em algumas poucas ruas em torno da tradicional pracinha em frente à igreja.

Cheguei lá pelas 5:00, provavelmente bem mais tarde do que num fim de semana normal, devido ao congestionamento no começo da Dutra até a saída para a Fernão Dias, de qualquer forma pegando o ônibus das 22:30 deve-se chegar lá por essa hora mesmo.

Sem nada para fazer até o dia clarear circulei pelas poucas ruas, e localizei a saída para Carrancas direção  para onde seguiria. Sem ter certeza quanto ao horário do ônibus para Carrancas, de cada  um para quem perguntei obtive uma resposta diferente, e resolvido a ganhar tempo, postei-me a saída da cidade e tentei conseguir uma carona. Sem sucesso. Pelas 8:20, chegou o ônibus de Lavras para Carrancas. Tomei-o (preço R$ 4,60 ) e em meia hora percorri os 20 km até o alto da serra, logo após as placas da divisa Itutinga-Carrancas e do km 20, junto a placa da pousada Mahayana, desci do ônibus.

  1. Dia de caminhada

Eram quase 9:00, tomei então a estradinha à esquerda ( Leste ) e segui-a, tendo quase sempre visão da baixada ao norte, onde desponta os braços da represa de Camargo. Nas bifurcações tomei sempre À esquerda, os ramos direitos dão acesso a duas pousadas. Quando se abre uma visão à direita, vemos lá embaixo a cidade de Carrancas.

Aos 25 minutos de caminhada, uma porteira trancada me obrigou a pula-la. Mais à frente, quando um duplo sulco sai à esquerda, tomo-o e sigo tendo visões da baixada ao norte. O sulco duplo acaba virando único e, cada vez mais apagado, acaba voltando a encontrar, aos 50 minutos de caminhada, a estradinha de onde saímos. Na seqüência, atravessei uma matinha, onde uma nova porteira, esta aberta, é cruzada. Saindo novamente no aberto, após uma descida, na subida peguei a direita na primeira bifurcação e depois a  esquerda na segunda, mantendo o rumo leste, sobre a crista.

Após uma descida, cruzei um mata-burro e desemboquei numa nova estradinha que vem de Carrancas em direção a Capela do Saco, sendo considerada parte da estrada real, de fato à direita há um marco de concreto da estrada real. Tomei então à esquerda, e segui por cerca de 1 km, desprezando uma primeira saída à direita e quando a estrada cruza uma matinha, junto a um novo marco da estrada real, parei para um lanche e uns goles d´ água.  Tomei então, o trilho à direita, subindo um pouco e então descendo pelo pasto, já avistando a trilha na encosta oposta.

Após passar por uma cerca e cruzar um riacho ( Primeira água no caminho ) subimos a encosta por um trilho erodido, passamos por outra porteira, cruzando um matinha. Assim que acaba a mata à direita, abandonamos a trilha por onde vinha, tomei o primeiro trilho saindo à direita ( Sudeste ).

Seguindo então nesse rumo, passei então por uma porteira no meio de um cinturão de mata, subi a um alto rochoso, desci e no nova subida passei  por uma árvore entre três pedras, mais uma pausa à sombra e alguns goles d´ água, nessa altura já passava do meio-dia e o sol estava de rachar.

Continuando a caminhada, após atingir o alto do próximo morro, o trilho desemboca em um carreiro mais largo,o qual tomei para a direita,  passando por uma mureta de pedras e depois de uma descida de 15 minutos, alcançamos uma segunda mureta.

Neste ponto antes de passar a mureta, descendo por uma trilhazinha, chega-se em um minuto a um carreiro mais largo, fechado à esquerda por uma porteira de arame. Tomando-o então para a direita, em pouco tempo ele acaba numa matinha. Mais abaixo, à esquerda, temos uma grota por onde deve descer um riachinho. Desci um pouco, mas como a mata estava muito fechada e eu, preocupado com a falta de água, comecei a caminhada com 4 litros de água e ainda contando neste momento com 3,5, desisti de descer até lá, mas cheguei a ouvir o barulho de água. Mais fica a lição, quem quiser começar com menos água, pode se abastecer neste ponto, que acredito, não deve secar nunca, de qualquer formar, não recomendo iniciar a caminhada com mais 3 litros, que já devem ser o  bastante.

Voltando a caminho, depois de  alguns sobes e desces e  na seqüência de uma subida maior, passei por baixo de uma linha de força e comecei então a descer em direção da estrada que liga Carrancas com São Vicente de Minas. Na descida passa-se por várias casinhas que abrigaram, e pelo menos uma ainda abriga, repetidoras com suas antenas. Na sombra dessa última, parei para uma descanso, alguns goles d´água e um lanche.

Pelas 14:30, já com 5 horas e meia desde o começo da caminhada, cruzei a estrada, bem no seu ponto mais alto. Do outro lado, subi um degrau no barranco e passei por uma brecha na cerca. Subindo sem trilha pelo pasto baixo. Mais acima, encontra-se uma trilha cruzando na diagonal da direita para a esquerda. Seguindo por ela, alcançei o canto entre duas linhas de árvores, cruzei por elas e segui contornando o próximo morrote. Subi-lo também deve ser uma boa pedida, já que a face leste do mesmo, pude ver mais tarde, é quase vertical, dando uma bonita visão do leste e dos braços da represa dos Camargos mais além.

De qualquer forma contornei a meia altura o morro, seguindo um trilho pelo pasto. No selado a frente, passei por uma cerca caída e segui para a direita,  passando por baixo de outra cerca e , subi o morro  pelo pasto, sem trilha, escalaminhando por alguns degraus rochosos. No topo, voltei ao rumo sul, passei por baixo de outra cerca e segui rumo a uma trilha que avistei mais abaixo.

Subi então pela trilha até o alto do próximo morro,  passei por um mureta com a sua cerca e subindo ao topo do próximo morro cheguei a um ponto que deve ser o melhor para acampar em toda caminhada, com visão 360 graus, Carrancas à direita lá em baixo, outras cidadezinhas a esquerda, e toda a crista por onde vínhamos para trás e a frente o trecho que por onde ainda passaríamos. Mas ainda era só 16:00, muito cedo para parar, então resolvi prosseguir mais um pouco.

Descendo no rumo sul, vemos que um cinturão de mata obsta toda a nossa frente. Comecei a procurar uma passagem para a esquerda e realmente achei uma trilha que bordejava as primeiras árvores e depois entrava na mata. Na mata os trilhos se entrecruzavam, segui sempre pelo mais aberto, tentando não desviar muito para a direita. O trecho é pouco chato, e acabei com diversos cortes feitos pelo bambuzinhos, mais em 15 minutos emergimos no aberto novamente e subi até o alto do próximo morro, descendo novamente pela trilha e passando por um novo e curto cinturão de mato. No alto do novo morro, passamos entre afloramentos rochosos e ao cruzar uma cerca, sendo já 17:00, resolvi parar por ai mesmo, o visual era aberto a leste e para oeste era só passar por entre alguns blocos para enxergarmos o horizonte. Armei a barraca, comi alguma coisa e fiquei sobre um dos blocos rochoso admirando o por-do-sol. Após mais algum tempo de observando do céu noturno e saboreando a sobremesa, e ainda antes das 19:00, entrei dentro do saco-de-dormir e mergulhei no mundo dos sonhos.

  1. Dia de caminhada

Acordei as 5:50, pouco antes do nascer do sol, e ainda pude admira-lo. A noite foi amena, mas a manhã ainda estava um pouco fria e com vento. Voltei a barraca para o café da manhã, mas pelas 7:15, já tinha tudo guardado e a mochila às costas e prossegui deixando para trás o labirinto de blocos rochosos junto aos quais acampara. Seguindo então no rumo  sul-sudeste, em pouco tempo encontramos um abismo a frente. Tomamos então a direita, descendo , passamos entre duas matinhas e depois de cruzar mais um campinho em direção a um cercado de arame que já vemos de longe. Passamos então pela porteira logo atrás do cercado, entrando na mata e descendo por canaletas erodidas até o fundo de um selado, subindo depois do outro lado. Quando a trilha bifurca na subida, tomei a esquerda e prossegui até sair no aberto. Continuei subindo até acercarme de uma mata a frente. Cruzando então a trilha que corre da direita para a esquerda. Tomei-a para a esquerda, bordejando a morro a frente. À esquerda temos a vista da brecha que contornamos e depois, mais atrás, de toda a crista percorrida  de norte a sul. Também vemos as baixadas a leste e a represa ao longe.

Quando alcançamos um cocho de pneu, junto a uma árvore isolada à esquerda. Abandonei a trilha e tomei o rumo sul pelo pasto, sem trilha, descendo o morro em direção ao cinturão de árvores abaixo. Do alto procurei o trecho mais estreito para atravessa-lo. Hesitei entre dois pontos um à esquerda e outro ligeiramente à direita. Descendo a encosta passamos por trilhas transversais que não levam a nada, ignorei-as. No fundo tentei primeiro à esquerda, onde vislumbrei um trilho, mais o trilho segue para a esquerda sem cruzar a mata, tentei força passagem nesse ponto, mais ali a mata era muito emaranhada, não avancei nem 2 metros antes de ficar todo enrolado. Voltei e tentei o outro ponto à direita, onde a mata parecia mais estreita, com um a língua de pasto do outro lado. Não há trilha, é preciso forçar passagem no peito. Nas primeiras dezenas de metros foi mais difícil, depois a mata ficou mais aberta e em pouco tempo alcancei um degrau, junto ao riacho que passa no centro, desviando alguns metros para a esquerda, consegui saltar até junto d’água. Eram 9:00 e parei para pegar um pouco d’água e um lanche. Ali percebi como tinha me excedido ao levar 4 litros porque ainda tinha 1,5 litros e já tinha onde reabastecer. Após essa parada, subi o degrau do outro lado do riacho e cortei o restante da mata, desviando-me de um bloco rochoso. Quando sai no aberto, continuei subindo o pasto, sem trilha, no rumo sudeste até o ponto mais alto.

No alto, passando ao lado de um curral, subi mais um pouco, passei por outra porteira, essa de metal, avistando uma estrada na direção sul-sudoeste. Desci pelo trilho na direção sudeste, rumo a mesma estrada, só que daqui ainda não a vemos, mas em minutos estamos nela e cruzando-a tranversalmente, no rumo de uma trilha na encosta a frente, segui por um trecho sem trilha até alcançar essa trilha que sobe a encosta até o alto e então some. Seguindo mais um pouco pelo pasto no mesmo rumo, alcançamos outra estrada que sobe da esquerda.

A chegar a estradinha, tomei-a para a direita, subindo, passando por uma matinha e após mais alguns sobes e desces, eventualmente com vista da crista percorrida, seguimos em direção a paredão, passamos por uma porteira, com placa “entrada proibida” ( por sorte estava saindo ! ) e subitamente encontrei uma casa ocre, recentemente construída, e belamente adornada e mobiliada. Não havia ninguém nela. Pode-se pegar água ali também, já que há mais de uma torneira do lado de fora e até um chuveiro ! Logo a frente na bifurcação tomei a direita, em minutos pulei uma porteira trancada  e, 10 minutos depois da casa, quando a estrada toma rumo norte, se afastando dos paredões, abandono a estrada e procuro uma trilha à esquerda, beirando as paredes. A trilha foi feita para passagem de uma mangueira preta, seguindo-a, em 5 minutos avistamos uma cachoeira caindo no despenhadeiro à direita em seguida alcançando o riacho que a forma, cruzando-o e subindo alguns metros de encosta, saímos num final de estradinha.

Tomei então essa estradinha para a direita ( a esquerda não dá em nada ) e na bifurcação a frente tomei à esquerda e na próxima a direita. A estradinha passa entre plantações de uma planta com caule e folhas vermelhas ( qual espécie ? ). Mais a frente  a estradinha vira um trilho entre a plantação, mais ao longe avisto uma estrada mais batida na encosta, sigo para lá. Tomei esta estrada para a esquerda e logo passo por uma  porteira, de novo com a popular placa  “entrada proibida” , seguindo até uma bifurcação na borda da chapada, de onde já avistamos a cidade de Minduri lá embaixo e ao longe,o pico do Papagaio com suas inconfundíveis 3 corcovas. Tomei então para a direita, seguindo no rumo oeste por 2 km, até passarmos por uma porteira e começando então a íngrime descida.

Era 12:30 e o sol forte não dava trégua. A estrada agora é batida, descendo aos zigue-zagues, passando por diversas  porteiras até alcançar a primeira fazenda, junto ao vale do ribeirão da Prata. Passei então por mais algumas fazendolas e cruzando o dito ribeirão, passamos pelo recanto do Vorney, com sua cachoeira, atração turística local. Após isso a trilha sobe até uma crista de onde temos nova vista da cidade, agora mais perto. Voltamos então a descer. Ao cruzar mais um riacho, temos mais uma subida impertinente e então descemos o trecho final, passando pela estação de tratamento de água da COPASA, cruzamos a linha de trem e tomando para a esquerda em minutos chegamos ao trevo na entrada da cidade. Mais alguns minutos e chegamos ao centro da cidade. Como não há rodoviária, a passagem de volta pode ser comprada numa lojinha logo em frente ao banco do Brasil. O ônibus passa pelas 22:30 vindo de Andrelândia, podendo ser tomado no ponto coberto mais à frente, junto ao hotel Avenida.

No hotel, que também é restaurante e boteco, tomei  uma cocas geladas e por R$ 3,00 tomei também um banho. Como tinha chegado ali pelas 16:30 e ainda era 18:00, resolvi dar umas voltas pela cidade, não que tivesse muito que ver nela, mas mais a frente, na mesma rua principal por onde chegamos e que é também a estrada que vem de Cruzília e segue para Andrelândia, quase na saída para esta, encontrei outro restaurante ( da Célia ) que achei mais simpático, e onde acabei jantando. Banhado e jantado, não me restou outra opção além esperar até as 22:30 quando passaria o ônibus, e que aliás só passou as 22:40. A volta foi no mundo dos sonhos, só acordei no tiête às 6:30 do domingo, ainda com o dia inteiro de folga.

Enfim, esta é uma caminhada que recomendo: deserta ( não vi ninguém até o meio da descida , nas primeira fazendas ), desconhecida, com largos visuais,sem lixo, sem os regulamentos tacanhos dos parques e nem tão seca quanto pensava que fosse, uma alternativa viável para um fim de semana, e até, se houver mais tempo, pode-se descer até Carrancas e visitar algumas de suas cachoeiras.

Tentativa de subir a pedra da Bacia partindo da cachoeira da Usina

Já tinha acessado a Pedra da Bacia por dois outros caminhos, a partir das proximidades da pousada Recanto da Floresta (rota mais curta) e subindo desde o bairro do Formoso. As duas opções convergem na crista à oeste do pico. Agora tentaria uma terceira rota, a partir das proximidades da cidade de São José do Barreiro, mas especificamente da cachoeira da Usina.

Saindo da praça central. Sigo pela rua à direita até o final e viro à direita novamente. Há placas indicando cachoeira da Usina. Dali é só seguir em frente. O calçamento acaba junto ao Balneário da Água Santa. A estrada segue agora em terra. Na bifurcação à frente, entro a esquerda, cruzo o riacho e logo em seguida, tomo à direita. A esquerda parece ser a entrada de uma fazenda. A estradinha começa a subir.

Enfim chego a uma capela à esquerda da estrada e resolvo parar o carro ali mesmo. Sigo caminhado. Cruzo uma porteira e em pouco, temos o acesso à cachoeira, à direita. Prossigo pela esquerda e a subida aperta. Vou aos zigue-zagues subindo a encosta.

O caminho torna-se mais rústico. Ora com largura de estrada erodida, ora como sulco de trilha, pelo menos uma vez até o sulco pelo pasto se apaga. Cruzo duas porteira de madeira.

Só tenho alguma dúvida quando encontro uma bifurcação bem mais acima. À esquerda o caminho sobe bem mais largo, mas opto pela direita, que desce um pouco, cruza os restos de um pontilhão de madeira e se reduz a uma trilha, voltando a subir. Após um trecho enlameado, um riacho surge à esquerda, melhor ponto de água até ali.

Cruzo então uma porteira de arame, desvio de um curral e assustando a boiada que pastava por ali. Deixo à esquerda, uma pequena construção, do tamanho de um armário, cujo uso não consegui atinar. A trilha vai bordejando o pasto, sempre subindo. Chego a um ponto onde a trilha à frente parece se apagar. Volto então pegando a trilha para trás que entroncara pouco antes na trilha por onde viera. Ela passa a subir de leve, em direção ao topo da crista que vinha acompanhando.

Logo alcanço a crista e entronco em batida trilha por esta. Vou subindo encostado na mata que aparece na encosta à minha esquerda. O pasto facilmente transitável acaba dando vez as samambaias, trecho que, porém, estava bem limpo.

Enfim, já avistando o topo e tendo subido desde a capela uns 800 metros, perco a trilha num emaranhado de bambus. Até consigo passar um primeiro trecho, para reencontrar um curto trecho de trilha e novamente ver o caminho sumir entre nova touceira de bambus.

Já tendo começado a caminhada tarde era óbvio que não chegaria ao topo, menos ainda com a trilha tão fechada por bambus. Até ali tinha andado cerca de 2:30 hs. Alguém com mais tempo, um facão e disposição talvez queira prosseguir até o topo, mas estejam dispostos a enfrentar um bom trecho de bambus, salvo tenha me equivocado quanto ao caminho, coisa que não acredito, visto estar sobre uma crista que seguia diretamente rumo ao cume, que acredito não podia estar mais que 400 ou 500 metros acima de mim.

Dando por encerrada retornei pelo mesmo caminho e parei algum tempo na cachoeira da Usina, cuja queda superior dispõem de um aprazível poço para banho.

subida ao pico sem nome da serra da Bocaina

Quem olha para leste de cima da pedra da Bacia, avista do outro lado de um fundo vale, mais dois cumes proeminentes na continuação da crista da serra da Bocaina. Com a atenção despertada, somada a constatação de que pelo menos o mais próximo tinha o cume coberto de vegetação rasteira, resolvi que valia a pena tentar acessa-los.

Havia três formas de chegar à base deles: a partir do acesso a Bacia partindo da estrada do parque da Bocaina, a partir do final da estrada do Cachoeirão, vindo do bairro do Formoso ou a partir da estrada do vale do Bonito. Preferi iniciar pelo acesso do parque pois, sabia que a estrada estava em ótimo estado, não tinha idéia da condição da estrada que sobe ao vale do Bonito, nem do final da estrada do Cachoeirão, que recentemente subira até o acesso a cachoeira da Mata, mas por cujo final não passava há anos.

Tomando então a estrada de acesso ao parque, pelo km 23, tomei a saída à esquerda, sinalizada pela placa da pousada Recanto da Floresta. Passada a entrada da pousada Campos da Bocaina, segui em frente e próximo a uma casa do lado direito da estrada, parei o carro.

Seguindo pelo pasto em frente, passo por outra casa e na encosta de pasto à frente, encontro uma trilha que sobe em diagonal, da direita para a esquerda. Logo ela entra na mata e prossegue subindo. Acabo saindo da mata e um pouco mais acima a trilha bifurca. Sigo pela esquerda. A direita sobe ao alto do morro à frente e depois segue pela crista. A trilha pela qual sigo, à esquerda, bordeja o morro, subindo muito levemente. As duas opções se reencontram á frente e seguem bordejando a crista. Acabo chegando à nova bifurcação. Ali, pela esquerda chegaria à pedra da Bacia. Mas esse não seria o caminho nesse dia. Tomo à direita e cruzo a crista, passando a bordejá-la pelo outro lado, descendo suavemente. Logo esbarro numa cerca, facilmente cruzada por uma porteira. A trilha faz então uma curva para a direita e segue descendo mais fortemente, logo desembocando novamente junto à cerca.

Agora é só descer paralelo à cerca. Antes de chegar ao fundo, evitando um trecho mais íngreme por dentro de um capão de mata, a trilha se afasta da cerca e desce para a esquerda. Chegamos bem perto do rio da Ponte Alta. A trilha segue seguindo paralelo ao rio, entrando na mata ciliar e passando por trechos encharcados.

Enfim desemboco no rio. É necessário tirar as botas para cruzar o raso riacho, e é bom fazê-lo rápido porque o local é infestado de mutucas. Do outro lado, sigo pela trilha erodida que lá de cima já avistava, subindo a encosta que aos poucos me afasta do rio.

A trilha nivela e cruza uma estreita mata ciliar que protege um afluente do Ponte Alta. Saindo da matinha, subo paralelo a mata até as proximidades de uma araucária. Ali a trilha aparentemente bifurca, mas o certo é seguir para a direita, contornando um curral à esquerda e ao final deste, subindo a encosta de pasto, por trilha mal marcada para pouco acima encontrar uma trilha bem marcada perpendicular.

Tomo então a trilha para a esquerda. Logo entro na mata e cruzo diversos riachos. Água aqui não falta. Ao final, chego à cerca de arame que delimita a fazenda do Bonito. Cruzo a cerca pela porteira. Se continuasse descendo, acabaria na estrada do Cachoeirão, um dos outros acessos mencionados acima. Seguindo a mesma trilha na direção contrária, sairia na estrada do vale do Bonito junto à sede da fazenda do Bonito.

Cruzada a cerca, tomo a trilha que sobe forte rente a cerca. Um ou outro bambu caído ou samambaia intrometida se atravessam em meu caminho, mas nada que atrapalhe demais a subida. Uma grande rocha aparece no caminho, mas a trilha a contorna pela esquerda. Mais acima sou obrigado a engatinhar sob algumas touceiras caídas de bambu.

Enfim a mata acaba e sigo subindo pelo campo. Chegando ao topo, quando a cerca mergulha rumo a outro fundo vale a frente, abandono à cerca, cuja trilha de qualquer forma se fecha e sigo para a esquerda pelo pasto. Vislumbro algum furtivo trilho no capim alto e vou subindo pela crista, desviando de alguns arbustos maiores.

Chego então ao topo do monte. Do outro lado, a encosta se despenha íngreme rumo ao vale. Nesse dia infelizmente as nuvens se acumulam junto à borda da serra e não consigo ver nada abaixo, aliás, nem a pedra da Bacia logo a minha esquerda consigo avistar. Do lado direito, separado por fundo vale e com encostas cobertas de mata, o outro cume, aparentemente um pouco mais alto. À frente, ligeiramente à direita, uma crista um pouco mais baixa e aparentemente trafegável segue mais um pouco. Mais tarde achei que teria sido interessante seguir por ali para ver se não haveria algum acesso ao outro cume, mas quando estava lá em cima e em vista do tempo enevoado não me ocorreu tentá-lo naquele momento.

Todo o percurso, do carro ao cume levou cerca de 3 horas. O cume, não tem nome registrado na carta de São José do Barreiro, mas suas coordenadas aproximadas são 0544/7488. A volta foi pelo mesmo caminho.

Travessia Alsene – Colina

Muita gente conhece o parque do Itatiaia, mas a maioria parece só ter ouvido falar das atrações mais conhecidas tais como os picos das Agulhas Negras e Prateleiras e possivelmente pensar que o parque ser resume a área em torno aos citados picos, porém o parque começa já na garganta do Registro e na área antes da portaria oficial há outras atrações como a pedra Furada e a Pedra Grande.

Alguns quilômetros antes da portaria existia o hotel Alsene, hoje desativado e em ruínas. Cerca de 200 metros antes do Alsene, do mesmo lado da estrada, ou seja, lado esquerdo de quem sobe, inicia-se a trilha de acesso a Pedra Furada, prosseguindo por ali, desce-se até o bairro da Vargem Grande, já na orla do parque, de onde, cruzando-se a serra da Colina por outra trilha, chega-se ao bairro da Colina. Essa foi a travessia que fizemos. Começamos as 8:00 hs.

A trilha começou estreita com os bambuzinhos molhados quase fechando completamente a trilha. Logo chegamos a uma bifurcação. À direita a trilha desce para vale do rio Aiuruoca, levando ao bairro da Serra Negra e a trilha para a Maromba, mas nosso caminho era pela esquerda. A trilha fica mais aberta e passa a subir a encosta suavemente. Avistamos um poste à esquerda. Na verdade nesse trecho inicial a trilha passa a correr mais ou menos paralela a estrada, muito embora não a vermos. Trechos encharcados se sucedem, assim como pequenas descidas e subidas. Não demora e passamos por um riacho. À esquerda, uma garrafa de plástico encravada na encosta foi usada para fazer uma rústica bica.

Quase uma hora após o inicio da caminhada, passamos pelos restos de uma cerca de arame. Na encosta à esquerda poderia ser vista a Pedra Furada, conjunto de blocos rochosos onde como o nome diz sobrou, uma brecha entre eles, deixando um furo. Poderia ser visto já que nesse dia a neblina cobria o alto do morro e não víamos nada. Mais um pouco e chegamos a uma bifurcação marcada com um totem.

À esquerda, a trilha sobe o morro, passando ao lado da Pedra Furada e subindo a um cume rochoso mais acima, com visão de 360 graus. Não fomos até lá porque a visibilidade era nula nesse dia. De forma que seguimos pela direita. A trilha prossegue em nível, passa por mais trechos encharcados, dos quais eventualmente desviamos pela esquerda, e mais a frente passa a descer aos zigue-zagues. A trilha tem muito trechos lisos e pedras soltas e cada um a seu tempo acaba levando algum tombo.

Do lado direito da trilha, começamos a visualizar o maciço da Pedra Grande, que mal e mal se avistava dentre a neblina desse dia. O acesso a seu topo não parece ser demarcado, pelo menos em seu inicio e não saberia dizer bem de onde sai.

Vamos descendo pelos campos rupestres e pouco a pouco a vegetação vai mudando. Cruzamos cinturões de mata que vão se tornando cada vez maiores. Sempre com a pedra Grande à nossa direita. Água não falta e repetidamente passamos por nascentes.

Ao fim de duas horas de caminhada paramos para um lanche. Prosseguindo a caminhada, chegamos a um largo gramado, com restos de um cocho e ruínas de pedra do que pareciam ser uma casa junto a nascente de um riacho. Local bucólico onde uma única rês solitária pastava deu margem a muitas fotos.

Cruzando o campo, na cerca do outro lado, um pouco para a direita, encontramos uma porteira de arame. Cruzando a porteira, a trilha segue para a direita bastante enlameada nesse trecho inicial e sobe um pouco. Mas logo volta a descer e entra de vez na mata.

Na mata as variantes proliferam, mas todas descem e não há como errar. Proliferam também as folhas de araucárias no piso da trilha, mas poucas araucárias conseguimos avistar em meio à mata. Quando a trilha parece nivelar, subitamente chegamos a um entroncamento.

À esquerda, a trilha seguiria rumo a pousada dos Lobos. Mas nosso caminho era o da direita. Não andamos muito e nova bifurcação apareceu. Pegamos a esquerda e começamos a subir. Logo saímos no campo e prosseguimos subindo bordejando a encosta para esquerda e assustando alguns cavalos que pastavam por ali. Mantemo-nos acima do mato que recobre a parte da encosta abaixo de nós. Logo passamos por um estreito cinturão de mata e após, por um selado, emergindo numa crista. Abaixo no vale avistamos algumas casas, mas ali não era o bairro da Vargem.

Após cruzarmos uma cerca, seguimos para a esquerda em trecho em que a trilha estava apagada, para reencontrar a trilha mais à frente. Acabamos chegando a um casebre em meio a uma matinha. Ali começou a confusão. A trilha seguia caindo para a direita, mas sabíamos que a Vargem ficava a nossa frente, atrás duma crista. Desconfiando da trilha onde saímos, tomamos outra trilha que saia para a esquerda pouco antes de um bebedouro de gado ainda antes da casa.

Seguindo por ali, em instantes começamos a avistar a Vargem ao fundo do vale, mas não víamos como descer. A trilha entrou na mata contornou um charco e voltou a sair no campo. Seguimos mais um pouco por ela, mas não havia descida, ela seguia bordejando a encosta. Ali tomamos a decisão fatídica, vamos descer rasgando o mato que recobria a encosta abaixo de nós. Saltamos uma cerca e, no inicio foi fácil, só pasto alto e alguns arbustos dos quais facilmente desviávamos. Só que mais abaixo a mata era mais fechada, repleta de cipós e plantas espinhosas. Fomos seguindo do jeito que deu, desviando dos trechos mais entrelaçados até que subitamente saímos numa trilha limpa! Tomamos a trilha para a esquerda e, surpresa, em pouco passos chegamos a uma estradinha que levava a uma casa encravada na mata pouco atrás! As meninas disseram ter avistado está estrada lá de cima. Agora era só descer pela estradinha saindo no bairro bem em frente à igreja da Assembléia de Deus.

Conforme informações locais, parece que deveríamos ter ido para a direita lá em cima, contornado o morro por esse lado e de alguma forma descendo a estrada mais a leste, daí voltando ao bairro, de qualquer forma o trajeto certo nos escapou.

Na estradinha que forma a rua principal do bairro, seguimos para a esquerda, deixando a pousada dos Lírios, à direita.

Depois da última casa, uma trilha sai à direita, passa por um trecho, que nesse dia estava alagado, e do qual desviamos por uma variante à esquerda, até que avistamos um riacho ao fundo de uma baixada. Ali seguimos para a esquerda por trilha evidente, descendo ao fundo da baixada. Cruzamos o riacho e subimos do outro lado. Já era 15:30 e já era um tanto tarde, e talvez mais recomendável abortar o resto do caminho, mas insistimos em prosseguir com o programa assim mesmo.

A subida vai aos zigue-zagues por trilha fundamente escavada. Mais acima a vegetação se abre e começamos a avistar o casario da Vargem ao fundo do vale. Ali fizemos uma parada para lanche, mas a Myrna preferiu prosseguir caminhando. Avisei que haveria um bifurcação à frente e alertei para que nos esperasse ali.

Finda a parada, prosseguimos a caminhada e logo chegamos ao entroncamento, mas cadê a Myrna? Nessa altura começou também a chover. O caminho que planejava era o da direita, mas sem ter certeza para que lado a Myrna seguira o que faríamos? Discutimos as opções e depois de perder algum tempo tentando localizá-la de um lado e do outro, decidimos dividir o grupo, dois iriam para um lado e os outros dois para o outro. Decisão que nós custaria outros contratempos.

Tomei à direita com a Elisa e seguimos em marcha acelerada para ver se alcançávamos a esquiva Myrna. O Walter e a Lili foram para o outro lado. Dei algumas indicações sumárias do caminho a eles, mas elas aparentemente não forma suficientes, já que eles nunca chegaram a Colina e sei lá onde pararam.

Prosseguirei com o relato do eu e a Elisa fizemos. A trilha segue pela crista, sempre subindo, mas suavemente, quase sempre dentro da mata, na direção geral leste. Quase ao final do trecho, quando a trilha quebra para a esquerda e passa a seguir para o norte, encontramos a Myrna. Aliviados, seguimos, descendo por um trecho erodido e reentrando na mata. Cruzamos um trecho enlameado, uma porteira e logo saímos no campo.

Segue-se um longo trecho pelo campo, subindo sucessivos cocurutos da serra da Colina, de onde se descortinaria largo visual das serras ao redor, mas nesse dia as nuvens cobriam quase tudo ao redor. A trilha segue quase sempre bem marcada, mas fui ficando preocupado com o horário, já passava das 17:00 hs. Nem sabia ainda que as meninas não tinham lanterna.

Chegando ao final da crista, local conhecido como pico da Boa Vista, nem subimos ao topo, já que não daria para ver nada mesmo. Prosseguimos pela trilha, que vai bordejando e descendo. Logo a trilha vira para a direita e começa a descer mais fortemente. Cruzamos um cinturão de mata e voltamos a sair no aberto.

Mais abaixo ignoramos uma bifurcação à direita que só dá acesso a um riacho e seguimos pela esquerda. A trilha dá uma nivelada e logo chegamos à nova bifurcação. Ali seguimos novamente pela esquerda. A direita desce ao bairro do Jequeri. A trilha até sobe ligeiramente antes de virar para a direita e voltar a descer.

Entramos na mata e uma cerca aparece à nossa esquerda. Afinal cruzamos a cerca por uma porteira. A escuridão já era total e tive que recorrer a minha lanterna, ali também soube que ela seria a nossa única fonte de luz. Seguimos descendo a trilha, agora com dificuldade redobrada. Tinha que iluminar a frente para achar o caminho e depois para trás para que elas me alcançassem. Felizmente esse trecho foi curto, mas tomou muito tempo. Até que chegamos aos fundos de uma casa. Contornando ela, chegamos à estrada de acesso e a partir daí o avanço foi mais fácil. Como a estrada era larga podíamos andar lado a lado e eu conseguia iluminar os passos dos três. Fomos então descendo a estradinha, eventualmente passando por algum trecho mais escorregadio, às vezes caiam alguns pingos de chuva, que sempre que pensávamos em tirar as capas, insistia em nos incomodar. Passamos uma última porteira e chegando a um riacho, cruzamo-lo por uma pinguela à direita.

Enfim chegamos ao bairro da Colina às 20:30. Tínhamos fretado a van do Amarildo para, a partir de Itamonte, nós levar ao Alsene cedo e depois nos pegar às 17:00 na Colina, mas cadê o Amarildo? Sem sinal de celular, procuramos um orelhão de onde ligamos para ele. Sem sucesso. Depois ligamos para o Hotel Rainha, onde nos hospedamos e deixamos os carros. Não atendia. Estávamos sem condução ou hospedagem num bairro a 12 km de Itamonte numa noite de domingo! Já pensávamos em bater de casa em casa até conseguir alguma condução para nós e eis que um carro vem chegando ao bairro nessa úmida noite. E era ele, o Amarildo!

Ele explico que tinha chegado na hora, mas com o nosso atraso extremado tinha descido de volta a cidade. Lá o Walter tinha conseguido falar com ele de um pesqueiro onde eles tinha acabo saindo e pedido para buscá-los lá depois de nós pegar. O Amarildo achou que a van dele não subiria até lá, então contato um outro taxista para pegá-los e veio nos buscar. Reencontramo-nos no hotel Rainha onde eles acabaram dormindo, enquanto nós resolvemos voltar a São Paulo apesar do horário avançado. Só conseguimos sair de Itamonte depois da 22:30.

Cachoeiras desconhecidas de Gonçalves

Impressiona-me como parece que em todas as localidades em que julgava ter esgotado todas as atrações repetidamente descubro novas atrações. É o caso de Gonçalves, que já freqüento há uns 20 anos e só agora soube da existência de quatro cachoeiras, todas de acesso fácil, e das quais nunca ouvira menção!

Quando for ao simpático município mineiro, deixe de lado as mais que manjadas cachoeiras do Retiro, Simão, do Cruzeiro e Andorinhas e busque as da Fazendinha, Tonho Nego, do São Sebastião e do Funil.

As da Fazendinha e do Tonho Nego, são relativamente próximas. Saindo de Gonçalves pela estrada para o Sertão do Cantagalo, a cerca de 8 km encontra-se o centro do pequeno bairro, mas uns 500 metros antes, à esquerda, há a estradinha de acesso à pousada Bicho do Mato. Por ali é o acesso a cachoeira da Fazendinha. O melhor é parar o carro no bairro e seguir a pé. Subindo pela estrada, deixamos a entrada da pousada à direita e seguimos em frente. A estrada contorna o morro e chega à porteira do sítio Gato no Telhado. Passamos a porteira e descemos suavemente, deixando uma casa à direita. Logo chegamos à nova porteira. A frente há a casa do caseiro. A propriedade é particular e é preciso pedir permissão ao caseiro. Por sorte o encontramos junto à porteira e a permissão nos é dada sem mais. O riacho corre à nossa direita e já ouvimos o ruído da queda. Tomamos um trilho que em um minuto nos leva a cachoeira. A água escorre pela laje rochosa e forma um pequeno poço. Todo o percurso do bairro a cachoeira levou uns 15 minutos.

Retornando ao centro do bairro, seguimos pela estrada que passa em frente à pequena igreja. Seguindo sempre em frente, ignoramos as saídas à direita. Logo percebemos o riacho correndo à esquerda da estrada. Mais à frente ele cruza a estrada e segue pela direita. Junto a uma curva para a direita, o riacho volta a cruzar a estrada. Esta começa então a subir e na primeira casa à esquerda está o acesso a cachoeira do Tonho Nego. Novamente o acesso é por propriedade particular. Só que nesse sítio, aparente casa de veraneio, não havia ninguém neste dia. Cruzamos a porteira, seguimos passando ao lado da casa. Logo encontramos a trilha que entra na mata, seguindo paralela ao riacho que corre mais abaixo. Não demora e chegamos à primeira queda, acessível por trilha que desce à esquerda. Do outro lado, outra trilha parece fornecer acesso alternativo pela propriedade na margem oposta ao riacho, mas não chegamos a explorar esse acesso. Seguindo em frente pela trilha, novas quedas são encontradas em graciosa sucessão. Chegando a uma cerca, a trilha prossegue margeando o riacho, mas as cachoeiras acabaram e rio acima o riacho corre suave por entre a mata. O percurso do bairro a cachoeira é de cerca de 20 minutos.

Retornamos a Gonçalves e tomando a estrada rumo ao bairro de São Sebastião das Três Orelhas. Paramos mo centro do bairro, em frente à igreja. Ali começa a caminhada. Passando pela direita da igreja e seguindo até a rua ao fundo, viramos a direita seguindo por ela. Antes do final da ruela, encontramos um quebra corpo na cerca à esquerda. Passamos por ele e subimos pelo pasto até encontrar nova cerca e outro quebra corpo. Passamos por ele e seguimos pela trilha para a esquerda, mantendo o nível. Logo a trilha se torna mais marcada e seguimos bordejando o morro. Outro quebra corpo e, mais à frente, uma porteirinha são transpostos. Chegamos a duas bifurcações seguidas, ignorando-nas e seguimos em frente, chegando a novo quebra corpo. Prosseguimos bordejando o morro. Logo começamos a ouvir o ruído da cachoeira e começamos a avistá-la. Ela é bastante alta. Enfim chegamos ao alto da queda. É preciso passar sob uma cerca de arame, cruzar o riacho saltando pelas pedras e chegando do outro lado seguir a trilha que logo se bifurca. Seguimos descendo o ramo esquerdo e chegamos a um platô rochoso no meio da queda. A visão é belíssima. Parece ser possível descer até a base, mas não tentamos, pois o trecho estava por demais escorregadio devido à chuva recente. O percurso até a cachoeira é de uns 20 minutos.

A ultima das cachoeiras que visitamos, a do Funil, fica antes da cidade para quem vem por São Bento do Sapucaí. Cerca de 6 km antes de Gonçalves, tomamos o acesso ao bairro Atrás da Pedra. Antes de uma subida calçada, paramos o carro e seguimos a pé. Num ponto onde o calçamento sofre uma mudança de padrão, encontramos uma trilha à esquerda. É preciso saltar a cerca de arame e seguir por ali. A trilha sobe um pouco e passa a bordejar a encosta pelo pasto. Logo chegamos ao riacho que, após um trecho onde desaparece sob as rochas, num chamado funil, reaparece e despenca formando a cachoeira. A aproximação da água é um pouco difícil, dado a vegetação crescida no entorno. Como quando chegamos ali começou a chover, nem tentamos chegar á água, mas deve ser possível com um pouco de jeito. Uns 10 minutos de caminhada são o suficiente para alcançar essa cachoeira.