Pedra da Bacia e Pico do Tira o Chapéu

A Pedra da Bacia e o pico do Tira o Chapéu são considerados os pontos culminantes da serra da Bocaina. Convenientemente os dois são relativamente próximos e podem ser acessados partindo do mesmo ponto.

O acesso mais direto e fácil é a partir de São José do Barreiro. Subindo a serra rumo a entrada oficial do Parque Nacional da Bocaina. A estrada foi muito melhorada, asfaltada em certos trechos e cascalhada no demais. Pelo km 23, há uma trifurcação. À esquerda, uma estradinha mais estreita leva as pousadas Recanto da Floresta e Campos da Bocaina. À direita temos o acesso à pousada Conde d’Eu.

Entrei a esquerda, passei uma pequena ponte e parei o carro num espaço de pasto à esquerda da estrada. Até poderia ter seguido por ela mais um quilometro e pouco, mas preferi seguir a pé pela estrada. Logo à frente passei por outra bifurcação, à direita havia o acesso à pousada Campos da Bocaina. Segui em frente e logo chego a uma casa à direita da estrada. Ali seria o ponto extremo para ir com o carro.

Saio da estrada e sigo pelo pasto, deixando a casa à esquerda. Passo por um segundo casebre e chego a uma última casa. À frente a encosta de pasto se eleva. É só procurar uma trilha nessa encosta, que sobe em diagonal, da direita para a esquerda.

A partir daí não tem mais como errar. A trilha logo entra na mata. Mais acima sai novamente no pasto e segue subindo rumo à crista que já avistáramos da estrada.

Chego então a um ponto de onde avisto uma torre no alto do morro a frente. É visível uma trilha subindo íngreme na direção dela. Porem, na bifurcação à frente, prefiro seguir a trilha da esquerda, que vai subindo suavemente, bordejando o morro. Acabo reencontrando a trilha da crista, que após passar pelo topo do morro desce um pouco acompanhando a crista.

Sigo então bordejando a crista para acabar esbarrando numa cerca de arame. Do lado oposto à cerca, há uma faixa limpa de terreno como um aceiro. Aparentemente a cerca compõem a divisa do Parque neste trecho. Prefiro manter a cerca à minha direita e prossigo seguindo-a. Alguns sobes e desces suaves se sucedem. À frente já identifico a pedra da Bacia. Quando a cerca mergulha na mata, abando-a e sigo para a esquerda pelo pasto, por trilha bem marcada, descrevendo um arco para novamente tocar na mata mais à frente.

A trilha penetra na mata bem limpa e não tenho dificuldade em segui-la. Passo por uma laje rochosa à esquerda e logo à frente, entre dois grandes blocos rochosos. Dá para subir no bloco à esquerda, em fácil aderência. O visual é bom, e parece ser esse o cume da Bacia, mas sei que seguindo mais um pouco há mirante melhor. Logo chego a novo bloco rochoso, também subido por aderência, de onde o visual de abre quase em 360 graus.

Vê-se claramente São Jose do Barreiro, a represa do Funil, nesses dias de estiagem incrivelmente vazia e ao longe o perfil da Mantiqueira, desde o Marins até o Itatiaia, os trechos de serrania divididos pelas gargantas do Embaú e do Registro. No contraforte da Bocaina logo a nossa direita, destaca-se o domo rochoso da Pedra Redonda, separada de nos, por um fundo vale, por onde é bem visível a trilha alternativa que sobe do bairro do Formoso até nós, Na direção oposta, o ponto mais alto é o Tira o Chapéu. Possivelmente seria possível até ver a Pedra do Frade, mas o acumulo de nuvens na borda marítima obscurecia sua visão nesse dia. Toda subida desde o carro demorou 2 horas e não há nenhuma fonte d’água no caminho.

O retorno foi pelo mesmo caminho, com apenas a variação de ter subido ao alto do morro encimado pela torre, usada aparentemente para alerta de incêndio. Subi na torre, cujo piso está reduzido apenas a alguns caibros da estrutura, mas não obtive visão diferente da que já tido.

O acesso ao Tira o Chapéu, foi feito no dia seguinte, a partindo do mesmo ponto e num tempo similar. Nesse dia o Célio me acompanhou.

Deixando o carro na beira da estrada das pousadas, seguimos pela estrada principal algumas centenas de metros, tomando outra estrada, agora à direita, sinalizada por uma placa. Essa estrada está em estado bem pior, com alguns blocos rochosos e, quando chove, algum trecho enlameado.

De qualquer forma só seguiríamos por ela cerca de quilometro e meio, até encontrar uma saída à esquerda, novamente marcada com enorme placa turística. Seguimos por estrada ainda mais rústica, rumo a fazenda Cincerro.

Passando pela fazenda, a estrada torna-se muito erodida e intransitável. Seguimos subindo por ela. O caminho nivela e chega a uma porteira. Ali abandonamos a estrada e tomamos uma trilha evidente que sobe o morro à direita A trilha se afasta de uma cerca, faz um arco e volta a se aproximar da cerca. Acaba entrando na mata e segue subindo por dentro dela.

Enfim saímos no aberto e continuamos subindo pelo pasto. Chegando ao alto do morro, seguimos pela crista, descendo um pouco e logo voltando a subir. Encontramos então nova cerca, que vindo da direita, dá uma quebrada de 90 graus. Seguimos pela trilha, deixando a cerca a nossa direita. Logo reentramos na mata, saímos e em pouco cruzamos novo cinturão de mata.

A trilha, assim como a cerca, novamente quebra para a esquerda e começamos então a subida final. Chegando ao topo, passamos a cerca por uma brecha e chegamos ao topo sinalizado por uma placa cimentada a uma rocha, ladeada por uma cruz, fincada em outra rocha.

A placa diz que ali seria o ponto culminante do estado de São Paulo, afirmação no mínimo discutível, talvez se considerarmos que o Marins, Itaguaré, Capim Amarelo, Pedra da Mina e o Três Estados, sem falar em outros cumes subsidiários, muitos sem nome, ficam na divisa Mineira, possa-se considerá-lo o maior pico inteiramente paulista.

Novamente tempo um amplo panorama da morraria ao redor e da crista da Mantiqueira ao longe, mas a visão do vale fica obstruída pelas bordas da serra da qual estamos a alguma distância.

Na volta, retornamos pelo mesmo caminho até o ponto onde esbarramos na cerca em curva de 90 graus, ali, ao invés de seguir em frente pela crista por onde subíramos, viramos a esquerda e seguimos pela trilha mais apagada que acompanha a cerca de crista.

Descemos a uma baixada e do outro lado, ao invés de subir até o alto ainda seguindo a cerca, bordejamos o morro, mantendo o nível. Reencontramos a cerca mais à frente e descemos a nova baixada. De novo bordejamos o morro e seguindo a trilha passamos a descer para a direita, descrevendo alguns zigue-zagues.

À frente já advínhamos a estrada que avistávamos do alto e que esperamos alcançar. É a mesma estrada onde começamos a caminhada e que prossegue para oeste, atravessando um selado exatamente na crista por onde descemos e segue contornando o maciço do pico.

Estamos quase chegando à estrada, mais a frente temos uma encosta por demais íngreme, voltamos um pouco e descemos num trecho menos íngreme, até esbarrar na mata, bordejar rente a ela e depois a atravessar num curtíssimo trecho dela. Uma porteira é cruzada e estamos na estrada.

Agora é só descer para a direita e logo passamos pela fazenda Pinheirinho e logo depois chegamos à casa de pedra, imponente ruína de um antigo sítio. Paramos para umas fotos. Seguindo pela estrada em pouco alcançamos a bifurcação de acesso à fazenda Cincerro e a partir daí seguimos pela estrada por onde viemos.

Sobrando tempo, acabamos seguindo de carro por alguns quilômetros até a entrada do parque e estacionando ali, fizemos a curta caminhada de 2 km até a cachoeira São Izidro, bela queda do rio Mambucaba à esquerda da estradinha.

Um último passeio pode ser feito visitando a pequena e graciosa cachoeira do Paredão. Entre o ponto onde paramos o carro para subir o pico e a estrada de acesso às fazendas Cincerro e Pinheiro, do lado esquerdo, há uma porteira sinalizada com a popular placa “entrada proibida”. Mas ali não casa alguma, passando pela porteira e descendo uma estradinha, logo passamos por um quebra corpo e em mais alguns minutos a estrada vira uma trilha entre pinheiros. Já ouvimos o barulho d’água à nossa esquerda e logo passamos sobre ampla laje rochosa e chegamos à beira rio, junto à cachoeira. O passeio todo não leva mais que 5 minutos. Subindo um pouco rio acima, uma pinguela permite cruzar o rio e ter a visão da margem oposta.

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