Travessia Vargem-Morro Grande

O ponto de encontro combinado era o Tropical de Altitude, um refúgio de montanha em Itanhandu, onde dormiríamos. De lá, o Vinicius e a Daniela, nos conduziriam ao bairro da Vargem, já em Baependi, aos pés do morro do Chapéu, onde iniciaríamos nossa caminhada.

Saímos às 6:30 do domingo de Itanhandu, passamos por Pouso Alto e prosseguindo como que rumo a Caxambu e Baependi. Alguns quilômetros antes dessas cidades, tomamos uma saída à direita e seguimos longos quilômetros de estrada de terra em regular estado rumo ao bairro da Vargem. Em quase todas as bifurcações, tomamos a direita.

Enfim, pelas 8:00 chegamos ao bairro. Seguindo mais um pouco após o trecho calçado, tomamos a esquerda, passando por uma ponte sobre o rio Jacu, e na bifurcação logo à frente, à direita, logo alcançando uma casa branca. Ali começa a caminhada.

O morro do Chapéu, com seu formato característico de cone truncado avulta a nossa esquerda, é para seu topo que seguiremos logo de inicio. A trilha não é aparente a beira da estradinha, mas subindo pelo pasto rumo a uma arvore mais acima, logo encontramos a trilha que vai subindo suavemente pelo pasto da direita para a esquerda. Passamos por uma porteira e por estreito cinturão de mata para logo voltar ao pasto. Seguimos subindo pelo pasto, paralelos a mata à nossa esquerda. Às vezes a trilha se apaga, mas logo reencontramos outra mais acima. Uma roça de milho é deixada à esquerda e ao final desse trecho, esbarramos numa cerca. Procurando um pouco mais à direita, o Célio encontrou uma porteira. Do outro lado a trilha bem marcada segue por entre samambaias e pouco a pouco entramos na mata.

Quando a trilha vira à direita e cruza um riacho, paramos para nos abastecermos de água. Logo prosseguimos subindo pela mata, fazendo alguns zigue-zagues. Mais acima a trilha vira decididamente para a direita e sai da mata. Passamos então a subir pelo aberto, passando por trechos erodidos onde é possível notar até marcas de pneus de moto! Sim em outra ocasião cruzamos com motoqueiros nessa trilha.

A trilha pouco a pouco vai galgando a serra, seguindo sempre para a direita, até que alcançamos o alto cerca de 2:30 hs após o inicio. A trilha então se aproxima de uma mata. Entrando na mata, por trilha marcada, chegamos a um riacho onde nos reabastecemos novamente. Certamente nessa travessia não teríamos problema de água.

Deixamos as mochilas na borda da mata e prosseguimos leves rumo ao topo do Chapéu, que fica fora da rota. Seguindo pelo pasto na direção do colo entre os dois blocos em que se divide o topo, em pouco encontramos a trilha e seguimos por ela, evitando uma matinha mais abaixo, até chegarmos à base do morro, onde uma íngreme trilha pela mata que guarnece a encosta do morro nos leva até seu topo descampado.

O topo é amplo e oferece muito espaço para camping. Fomos até a sua borda oeste, de onde tivemos bela vista do amplo e verdejante vale onde se situa o bairro da Vargem. Uns 15 minutos por ali e retornamos as mochilas para prosseguir a travessia.

Seguindo pelo pasto acompanhando a mata à direita, acabamos encontrando uma trilha que a adentra. A trilha é um pouco confusa, mas é só seguir em frente, procurando o melhor caminho e mantendo o nível que ao final de pouco tempo emergimos no pasto do lado oposto. Logo a saída da mata, topamos com uma pequena cobra à beira da trilha, que a um toque do meu bastão, saiu correndo e se enfiou na mata.

Prosseguimos então pelo descampado no sentido quase que oposto, procurando manter o nível, superando pequenos sobes e desces, sempre com o Chapéu nos observando a nossa direita. Logo percebemos que estamos contornando profundo vale a nossa esquerda.

Ao final desse trecho, apesar de haver trilha que seguia bordejando a frente, aparentemente no rumo desejado, optamos por seguir à esquerda, acompanhando o vale à esquerda. Por um trecho perdemos a trilha marcada, mas acabamos reencontrando-a, mais à frente, um pouco mais abaixo na encosta.

A trilha vai então ora descendo por entre campos de florzinhas roxas, que cobriam também os morros ao redor, ora bordejando pela direita, um morro mais alto. Acabamos cruzando com um grupo que vinha em sentido oposto, desde Aiuruoca.

Descemos então rumo a uma mata de araucárias, que atravessamos por marcada trilha. Emergindo do outro lado, subitamente demos com uma cabana na margem oposta de um riacho. É o rancho do Piracicaba, riacho que nos separava dele e que mais abaixo, se precipita formando a cachoeira do Juju.

Atravessamos o riacho e às suas margens, fizemos a parada para o almoço. Já era mais de 13:30. Pouco abaixo um convidativo poço chamava-nos para um banho, mas nenhum de nós aceitou o convite.

O rancho, que foi desapropriado pelo parque e ficava trancado a cadeado tinha sido arrombado e naqueles dias estava sendo ocupado por um grupo de Baependi que passava o feriado naquele local!

Após o almoço, prosseguimos a caminhada. Seguindo indicações de um dos locais, subimos a encosta ao fundo do rancho, aparentemente poderíamos prosseguir pelo alto dos morros a seguir e com isso avançar na direção pretendida, mas percebendo que isso nos poria muito longe do tracklog que seguíamos, desistimos de seguir por ali e voltamos à baixada, de modo que o correto e mais direto, seria seguir subindo o riacho, apenas, subindo a encosta, o bastante para escapar do charco que surge logo acima. Na borda desse charco, há uma trilha que entrar pela mata acima. Encontrar essa entrada nos tomos algum tempo e custo-nos ferimentos por espinhos e um bastão quebrado ao Célio e as duas botas molhadas a mim.

Enfim, tomamos a trilha e logo saltamos um riacho e uma cerca paralela a ele. Ali aproveitamos para pegar água. Pela trilha fomos caindo um pouco para a esquerda e subindo até sairmos da mata. Prosseguimos subindo pela encosta de pasto.

Antes de chegarmos ao topo, fomos surpreendidos pela mudança brusca do tempo. A chuva veio forte e quase sem aviso. O Célio e a Vevê rapidamente armaram sua barraca e a mim, só restou esconder-me no avancê deles. Uma hora e meia depois a chuva parou e pude montar minha barraca. Após o crepúsculo preparamos o jantar.

No dia seguinte, acordei com um pancada de chuva após uma noite sem chuva. Mais logo a chuva parou e pudemos tomar o café da manhã e desmontar as barracas sem contratempos. O tempo se firmou e demos inicio a caminhada.

Subimos mais um pouco, apenas para perceber que um fundo vale no toldava o avanço. Foi preciso pular uma cerca à direita e descendo a encosta, que desse lado era relativamente suave, para alcançando o fundo, localizar uma trilha que atravessava a estreita mata ciliar e saltando o riacho, nos devolvia ao campo do outro lado. Por ali foi só seguir subindo a encosta de pasto, caindo ligeiramente para a esquerda até atingirmos o alto de uma crista, ponto onde pretendíamos acampar no dia anterior, um convidativo e plano gramado entre alguns blocos rochosos.

Do lado sul a encosta era bem mais íngreme e a frente havia novo riacho perpendicular à direção do nosso avanço. Para a esquerda, na direção da nascente desse riacho, havia uma região de charco, já para a direita, a encosta era mais íngreme e ao fundo, mata ciliar cercava o riacho. Descemos ligeiramente para a esquerda, procurando os trechos menos íngremes, passando por trechos de lajes rochosas escorregadias. Chegando ao fundo, foi preciso seguir um pouco para a direita, até encontrar um ponto onde dois saltos permitiam cruzar o riacho, com o auxilio de uma ilhota intermediaria. Quando já estávamos à beira do riacho, a Vevê que ainda descia a encosta gritou que tinha visto uma cobra, num trecho de mato alto por onde passara há pouco. Felizmente a cobra se afastou e ela pode descer sem problemas.

Do outro lado, três capões de mata, que aparentemente cercam três nascentes do riacho despontam no campo a nossa frente. Seguimos subindo pelo pasto, desviando pela direita deles. Depois seguimos pelo alto desviando de um morrote também à esquerda. Segue-se um trecho aberto na direção sul que se interrompe por novo trecho de mata. Encontramos uma trilha, um pouco para a esquerda e entramos na mata. O Célio acaba por tropeçar em restos de uma cerca caída dentro da mata que rasgam sua polaina. A trilha acaba saindo num trecho de campo e seguimos por trilha marcada até reentrar na mata. Esse trecho de mata é mais curto e novamente saímos no campo.

O panorama se alarga adiante. Do lado esquerdo, há uma baixada ampla, parte do vale do rio Santo Agostinho, onde desponta algumas casas, que acredito serem a sede do parque e uma estrada que do sul segue até elas. À frente, funda grota atravessa nosso caminho. Do outro lado morros se elevam. A trilha segue bordejando para depois passar a descer ziguezagueando até o fundo da grota.

Ao fundo, entroncamos uma marcada trilha que faz a ligação entre a Vargem e o vale do Santo Agostinho. Seguimos para a direita por ela um tempo, até que encontramos uma saída que segue subindo o morro, agora a nossa esquerda. Rapidamente saímos da mata que guarnece o fundo da grota e voltamos ao aberto.

Seguimos pelo pasto caindo um pouco para a direita até encontrar nova mata e entrarmos numa trilha pouco marcada, descemos ligeiramente, e após alguma confusão ao fundo, encontramos uma cerca um pouco mais à direita, junto à cerca, uma trilha mais marcada subia a encosta do outro lado. Seguimos por ela e fomos devolvidos ao aberto.

Temos então mais trechos alternados de pasto e passagens por curtos trechos de mata. À direita voltamos a ter visão do amplo vale da Vargem e eventualmente do morro do Chapéu.

Descemos por fim um trecho mais profundo, sempre beirando uma mata. Pareceu-me até que descíamos demasiadamente. Ultrapassamos por um estreito cinturão de mata por uma brecha e voltamos a subir pelo pasto. Em pouco chegamos a maior e mais densa mata. Encontramos uma trilha bastante fechada por bambuzinhos, mas cujo sulco no chão era marcado. Entrando nela, logo escutamos o ruído de água e chegamos a um riacho. Paramos então para o almoço e nos reabastecemos de água.

Retomada a caminhada, logo saímos da mata e voltamos a subir íngreme encosta de pasto. Começamos a cair para esquerda e passamos a bordejar. O que ficaria claro depois é que estávamos então contornando o alto vale do rio Jacu, fundamente encaixado no terreno, ao qual desceríamos mais à frente. Nesse trecho esbarramos com um grupo que participava de um curso da OBB e cujo objetivo aparente era seguir na direção de onde viéramos, ou seja, da serra da Vargem e que procuravam se orientar apenas com o mapa topográfico, o que nessa região realmente não é fácil.

Após contornarmos um pequeno capão de mata, voltamos à direção sul, ainda bordejando e depois descendo ao fundo do pequeno vale, cruzamos um curto cinturão de mata e voltamos a subir, bordejando no rumo sul. Chegamos ao alto de um selado, onde uma trilha bem marcada segue para a direita. Tomamos a trilha e entramos então no vale do rio Jacu. A trilha segue em nível por um tempo e temos bela vista do vale, das corredeiras do rio e do chapadão na margem oposta. Poucos a pouco, e após passarmos por trechos de mata, vamos descendo ao fundo do vale.

Após um trecho final mais íngreme, chegamos à beira do rio Jacu. O caminho prossegue do outro lado, mas antes, descendo um pouco pela margem direita, chegamos a um conjunto de cachoeiras providas de poço realmente muito bonitas. Se o tempo estivesse mais quente teria entrado n’água.

Retomando a caminhada e cruzando o rio, viramos a esquerda e seguimos subindo o rio. Subimos até encontrar uma trilha que saia à esquerda. Tomando essa saída, descemos pelo pasto até entrar na mata ciliar e voltarmos à beira do rio. Ali, pela primeira e última vez, foi preciso tirar as botas e molhar os pés subindo o rio alguns metros, até encontrar a continuação da trilha do outro lado.

Logo passamos pela mata ciliar, repleta de araucárias, e saímos novamente no pasto. Começamos a subir de modo íngreme, passando por uma pequena cachoeira à direita. Alguns zigue-zagues a mais e chegamos a uma bifurcação. À esquerda a trilha entra em um pequeno vale. Seguimos por ali e bordejamos a encosta por pouco tempo. Descendo, cruzamos um riacho e subindo poucos metros, chegando a uma clareira onde alguns pilares de madeira carcomidos denunciam que ali já houve um rancho. Acampamos ao redor deles em excelente sítio: plano, seco, protegido e próximo à água. Eram 18:00 hs e ficamos descansando até o ocaso, quando então preparamos nosso jantar e ficamos conversando mais um pouco antes de nos recolhermos.

Acordamos novamente com uma pancada de chuva, mas ela logo passou e levantamos para o café da manhã. Ao redor a neblina cobria os morros ao redor.

Enquanto desmontávamos as barracas e guardávamos as coisas o tempo foi abrindo e até ameaçou sair o sol. Retomando a caminhada, voltamos a ultima bifurcação e tomamos o outro ramo. Voltamos a subir a encosta de pasto, quase sempre por trilha marcada. A encosta como nos dias precedentes estava juncada de florzinhas roxas. Chegando a crista, viramos a direita e prosseguimos subindo pela crista, ultrapassando curtos capões de mata. Logo começamos a avistar as encostas rochosas do Garrafão a nossa esquerda. Seguíamos contornando o fundo vale que nos separava dele. Do lado oposto haviam as baixadas marcadas na carta como fazenda do Alegre. Eventualmente a crista faz um zigue-zague, até que chegamos à cabeça do vale à nossa esquerda.

Descemos então curto degrau de pasto, saltamos um riacho e começamos a subir a encosta de pasto semeado de lajes rochosas do outro lado. Vamos desviando de alguns trechos de vegetação mais alta, procurando chegar ao alto da crista, no ponto imediatamente à direita da mata que guarnece o topo do pico. Chegando quase ao alto, caímos para a esquerda e cruzamos o pequeno capão de mata, já no topo. Prosseguindo mais um pouco, estacionamos nas lajes na borda do topo, de onde temos vista da baixada que compõem o bairro do Garrafão. O tempo estava um pouco enevoado. Tivemos alguns vislumbres do Papagaio e da Mitra do Bispo, mas não dava para ver nada na direção sul, onde o maciço do Itatiaia desponta. Fizemos nosso almoço por ali.

Ás 13:15 hs iniciamos a descida rumo ao bairro de Morro Grande. Seguimos pela crista que descreve um amplo arco na direção sul-oeste. Logo à frente subimos ligeira elevação e passamos ao lado de uma antena. Na verdade a antena fica no verdadeiro cume do Garrafão, pelo menos uns 20 metros mais alto. Dali seguimos descendo a um raso vale. Caindo para a direita pelo fundo do valezinho, encontramos uma trilha que passa a bordejar a baixa encosta à nossa esquerda. Vamos perdendo altitude lentamente. No ponto mais baixo do arco, justo quando completamos cerca de 90 graus dele, quebramos a esquerda, continuando a descer por um corredor de pasto, seguindo a borda da mata a nossa direita.

Quando chegamos ao final desse pasto, encontramos uma entrada na mata à direita, seguindo por ali, logo cruzamos um riacho e, do outro lado, a trilha quebra à esquerda e em pouco sai no aberto, para logo em seguida passar por estreito cinturão de mata e emergir novamente no campo.

Agora avistamos uma crista que segue para a esquerda. Nossa trilha passa a segui-la pela encosta oposta. Por ela vamos descendo lentamente, sempre com vista da baixada da fazenda do Alegre aos nossos pés. Quando a crista vira para a direita, abandonamos a trilha marcada e descemos para a direita, sem trilha, até achar outra trilha mais abaixo. Essa trilha, bem marcada e pedregosa, vira para a esquerda e volta a descer forte. Duas variantes sucessivas, à esquerda, possibilitam zigue-zagues mais suaves e menos acidentados. Enfim chegamos à baixada e encontramos uma marcada trilha que, a esquerda desce ao Morro Grande, e a direita tanto dá acesso a uma descida rápida ao vale da Vargem, como segue pela encosta oposta da baixada do Alegre, eventualmente entroncando na mesma trilha por onde viemos, pouco acima da cachoeira do rio Jacu.

Iniciamos então a descida pela mata: zigue-zagues, variantes e trechos profundamente escavados se sucedem. Em meio a isso, a chuva que já se anunciava, enfim se apresenta. Transformando o sulco marcado da trilha em um riacho. Não há muito a fazer além de por as capas de chuva e seguir descendo procurando não pisar nos trechos mais empoçados. A trilha passa por um trecho mais aberto e depois volta à mata. Passamos por um último riacho que poderia nos reabastecer. Mais um pouco e desembocamos num trecho mais largo, do que fora uma estrada. Uns zigue-zagues a mais e chegamos a um rústico chalé, onde paramos para um curto descanso. Faltava muito pouco para chegarmos à estrada carroçável onde o Vinicius e a Daniela felizmente já nos esperavam para levar-nos de volta a Itanhandu, dando fim a nossa travessia praticamente no horário marcado: 17:00 hs.

 

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