Arquivo mensal: abril 2014

Trilha do Algodão

 

A neblina cobria as poucas ruas de São João da Chapada. Passava pouco das 6:00 quando descemos do táxi que nos trouxera de Diamantina. Em frente a única padaria do lugarejo, esperávamos sua abertura para tomarmos o café da manhã. O cheiro de pão fresco chegava-nos as narinas, mas a despeito disso e dos ruídos lá dentro, a padaria continuava fechada.

A chamada trilha do algodão, conectava o Biribiri com Santa Bárbara, em cada um dos povoados havia tecelagens e a matéria prima chega a elas em lombo de mula por essa trilha.

A padaria só abriu às 7:00. Café tomado, iniciamos a caminhada às 7:20.

Tomando a rua à esquerda junto a simpática igrejinha, em poucos metros entramos novamente a esquerda, já que a rua a frente era sem saída. Pouco a frente novamente a direita. Em poucos passos passamos uma ponte sobre um pequeno riacho e já estávamos fora do povoado. Seguimos pela estrada, subindo um pouco, e dali sempre em frente pelo chapadão.

O panorama logo se alarga e avistamos ao longe a crista do Espinhaço com seu paredões rochosos. Ignoramos as próximas bifurcações, seguindo sempre em frente até chegar numa onde encontramos a placa “Lapinha”.

Seguimos então à esquerda, logo passando por uma porteira. Na sequência atalhamos pegando uma trilha à direita que desce e reencontra a estradinha mais a frente. Passamos a caminhar em meio a uma mata densa, bem quando o sol rompia a névoa. Trecho muito agradável. A frente cruzamos um riachinho, primeira água desde São João. Cruzamos nova porteira e a trilha sai novamente no descampado.

Avistamos uma casinha e percebemos que pouco antes, numa baixada, a estradinha intercepta um riacho. É o córrego da Lapinha. Pensamos em banharmo-nos no córrego, mas verificamos que o mesmo era bastante raso. Até voltamos um pouco pela sua margem e vimos que uma remanso logo acima era um pouco mais fundo, ainda assim deixamos o banho para lá e prosseguimos a caminhada.

Chegamos então até a casa e passando por uma porteira ao lado dela, seguimos pela estradinha, ainda mais apagada. Começamos a subir suavemente e logo cruzamos novo riacho. Não consegui perceber se era o Lapinha mesmo ou um afluente. Cruzando-o dum salto, seguimos subindo a suave encosta. Na próxima bifurcação, seguimos pela direita.

A frente, quando o caminho nivela, encontramos uma trilha mais estreita saindo à direita. Seguimos pela trilha e passamos a descer tão suavemente quando subíramos. Acabamos desembocando numa estradinha que deve ser a mesma que abandonamos pouco antes. A frente já avistamos um rio mais largo, o Pardo Grande, do outro lado, uma casa na encosta. Seguimos pela apagada estradinha até a margem do rio.

O rio é largo, mas muito raso, a água batia-nos no tornozelo, inviabilizando qualquer ideia de banho. Paramos para um descanso e lanche numa sombra próxima, visto que já passava um pouco das 11:00.

Prosseguindo, tiramos as botas para cruzar o rio de leito arenoso e retomamos a caminhada do outro lado, passando junto ao casebre. Logo a estradinha vira para a direita, mas uma trilha mais estreita segue à esquerda, margeando uma cerca. Seguimos pela trilha que vira para a esquerda e prossegue subindo. Aos poucos a trilha se afasta da cerca e seguimos aos sobes e desces, passando pelo alto de uma crista e voltando a descer ao novo vale que se abre a frente.

Na descida passamos por trechos de lajes rochosas até que chegando a um a bifurcação, tomamos a esquerda, aparentemente menos pisada, mas que desce mais diretamente ao fundo do vale.

Enfim alcançamos um riacho, ou melhor, um afluente do córrego Capivara. Ás águas do afluente pareciam não correr, mas seguindo pela margem por poucas dezenas de metros e pulando uma baixa cerca, chegamos ao Capivara, que esse sim, corre com vontade. Junto a confluência, há uma trilha marcada sinalizando que o ponto de passagem mais fácil é por ali mesmo. Se formos mais para a esquerda o riacho parece ficar mais fundo formando um poço convidativo, mas de que acabamos não desfrutando. Por essa hora as nuvens se acumulavam no céu e o sol sumira por detrás delas.

Aproveitei para encher o cantil nas águas do Capivara e fiz um lanche.

Tirando as botas atravessamos o Capivara e do outro lado, seguimos para a direita, seguindo um trilha marcada paralela ao córrego. Logo a trilha se apaga e seguimos para a esquerda, nos afastando perpendicularmente do córrego, na direção de uma brecha na mata a frente. Cruzando essa brecha e saltando um fio d’água, seguimos um pouco mais pelo pasto sem trilha até interceptar um trilha a frente.

A partir dai seguimos sempre por trilha marcada. Ziguezagueando pelos largos pastos, chegamos a um vestígio de acampamento, resto de fogueira, pedaços de lata, um pá sem cabo! E várias melancias crescendo no entorno! Parece que havia uma construção no local, um rústico rancho do qual sobrou só as fundações. Passamos então a subir a suave encosta da serra do Tigre. Trecho mais proeminente do Espinhaço local.

Quase ao final da subida pelo pasto, esbarramos em um fio d’água à direita da trilha e nos abastecemos de água. A trilha logo depois nivela e entra em espessa mata. Passamos por uma toca à direita da trilha.

Já eram 16:30 e já pensando em levantar acampamento, acabamos saindo da trilha e localizando um trecho plano e limpo à esquerda da mesma, resolvemos terminar o dia por ali mesmo.

Antes ainda do por do sol já montáramos as barracas e após o crepúsculo que tingiu de laranja os paredões rochosos ao nosso redor, preparamos nosso jantar. Ainda pudemos observar o limpo céu onde destacava-se a via-láctea, bem sobre nós. Dado a noite passada, gasta no deslocamento de São Paulo a Diamantina e por isso pouco ou nada dormida, somada ao dia longo de caminhada, demos fim ao expediente já às 19:00 e nos recolhemos a nossos abrigos para uma boa noite de descanso.

 

Acordamos às 6:00 com o dia já claro. Tomamos o café da manhã e às 7:30 já tínhamos tudo dentro da mochila. Retornamos a trilha e prosseguimos. A trilha passa por uma cerca e após um trecho alagado reentra na mata mais fechada, logo saindo de novo no aberto. Vamos desviando de alguns blocos rochosos mais íngremes e subitamente desembocamos no alto da serra, num ponto plano, e com amplo visual nas direções sul e oeste. Ótimo ponto para acampar, se tivéssemos chegado a ele no dia anterior.

Seguimos então bordejando a serra na direção geral oeste por trecho descampado. Ao longe avistamos picos rochosos muito bonitos antecedidos por um vale onde deve correr um rio que de cima não avistamos. Começamos a descer, passando por uma porteira e seguindo por trilho arenoso.

Ao fim de alguns curtos sobes e desces acabamos avistando o bairro de Santa Rita no extremo oeste. Uma igrejinha no alto de um morro e algumas poucas casas esparsas semeadas ao redor.

Vamos descendo e chegando quase a baixada seguimos por pasto alto em direção ao ribeirão Paciência encravado em seu raso vale. Enfim chegamos ao rio e paramos para reabastecer os cantis e aproveitamos os rasos poços para um banho.

Já passava das 10:00 e resolvemos prosseguir a caminhada. Cruzando o riacho saltando de pedra em pedra. Passamos bem na frente de uma casa e tomamos a estrada. Cruzamos uma porteira e prosseguimos. Antes de uma segunda porteira, há duas saídas do lado esquerdo da estrada, uma em angulo de 90 graus e outra, mais estreita em ângulo agudo. Seguimos pela trilha mais estreita, acompanhando uma cerca à nossa direita.

A cerca acaba e prosseguimos pela trilha em frente. Mais a frente, um fio d’água corre à direita da trilha. Paramos para um lanche e aproveitamos para encher o cantil. Seguindo em frente e após um trecho de charco, a trilha segue subindo por um caminho mais largo e pedregoso. Chegando ao alto, abandonamos o caminho mais largo que parece seguir para o sul e seguimos para a direita, pelo pasto sem trilha, até encontrar uma trilha pouco mais a frente. Aparentemente essa trilha saia do caminho mais largo em algum ponto, mas não percebemos. Seguindo pela trilha marcada, vamos descendo rumo ao vale do riacho da Areia. Conforme descemos, acabamos avistando o riacho, mais abaixo, por uma brecha na vegetação ciliar. Seguimos descendo suavemente até que a trilha chega bem perto do riacho, junto a uma cachoeirinha. Perfeito! Saímos da trilha e mergulhamos no belo poço.

Prosseguindo a caminhada, a trilha cruza o riacho poucos metros abaixo e segue pela margem direita, se afastando aos poucos do riacho.

Passamos então a acompanhar uma vereda de Buritis à nossa esquerda. A trilha prossegue em nível acompanhando a vereda até que subitamente, desemboca num final de estrada, junto a uma cachoeira. Passava das 16:30 e resolvemos acampar por ali mesmo, no pasto junto a trilha pouco antes dela chegar a estrada. Com tempo de sobra para banho nas pequenas quedas e contemplação do belo vale abaixo, antes de armar as barracas. Com a escuridão se adensando ao nosso redor, preparamos o jantar junto ao riacho iluminados apenas por nossas lanternas, as estrelas e um ou outro vaga lume.

 

O dia começou novamente às 6:00. Café da manhã junto ao riacho e depois desmontar acampamento. Antes das 8:00 já estávamos a caminho.

Seguimos pela estradinha para a esquerda. Cruzamos o riacho de Areia pelas pedras e seguimos pela estrada que logo se reduz a dois sulcos no pasto. Logo a estrada começa a descer.

Passamos por um trecho gramado, junto a uma casinha semi derrubada e logo depois o caminho cruza um riacho fundo. Voltamos um pouco e seguindo por uma trilha para a direita, saltamos o riacho por um trecho onde quase toda largura é tomada por um laje rochosa. Voltamos a estradinha e seguimos descendo-a.

A estrada torna-se um sulco repleto de pedras soltas e passa a descer mais rapidamente. A caminhada torna-se mais lenta em terreno propício a quedas e torções no tornozelo. Enfim, passando um pouco da 10:30, subitamente, chegamos a uma barragem à direita que barra o riacho da Areia o qual acompanhávamos desce o início do dia, só que o riacho corre um pouco mais abaixo e dentro da sua mata ciliar, mas seu ruído ouvíamos de quando em quando.

Ainda era cedo e aproveitamos para banharmos-nos no poço formando abaixo da barragem. Diversos turistas já se encontravam no local, sinal de que Santa Bárbara já estava próxima.

Saciado d’água, prosseguimos a descida. Passando para o outro lado do rio pelas lajes abaixo da barragem, tomamos uma trilha do outro lado que desce bem batida rumo ao povoado. Em mais uns 20 minutos desembocávamos na praça que forma o centro da aldeia.

Tomamos um coca gelada no bar da praça e seguimos pela rua principal até a saída do povoado, pouco mais a frente. Junto a Guarita. Viramos a direita e entramos na pousada Sombra do Espinhaço, onde soubemos que havia almoço. Ainda não era 12:00 e esperamos pelo almoço que só começava às 12:30 tomando umas cervejas. Com o almoço e o bate papo com outros comensais consumimos as horas que nos separavam das 14:50, horário do ônibus da Gontijo que nos levaria a Buenópolis. Pontualmente o ônibus chegou e parou junto a guarita. Seguimos rapidamente para Buenópolis, onde conseguimos remarcar as passagens que compráramos para o dia seguinte, por segurança. Ai foi só esperar o ônibus com o qual seguimos por longas 5:30 horas até Belo Horizonte de onde retornamos a São Paulo.

Passeio tranquilo, com pouco desnível, diversos pontos de banho, apenas com alguns pontos onde a navegação pode causar confusão, dado ao grande número de trilhas que se entrecruzam uma caminhada que merece ser feita.

Cruzeiro da Serra Malhada

A serra Malhada compõem o lado esquerdo do vale do ribeirão do Salto em Delfim Moreira. Quase no ponto mais alto,sobre um paredão rochoso há um cruzeiro. Nosso objetivo era atingi-lo e após, descer pelo outro lado.

O acesso a Delfim é pela Dutra, subindo a serra a partir de Lorena e Piquete. Chegando ao trevo de Delfim, seguimos em frente na direção de Itajubá. Após uma longa descida, temos à direita a saída para o bairro de Água Limpa. Seguimos por ali e cruzado o rio e passado um trecho calçado, temos leve subida e desembocamos em uma estradinha de terra. Essa estrada é na verdade o leito do antigo ramal férreo de Delfim Moreira. Seguimos para a direita e mais a frente passamos pela antiga estação do Biguá, à esquerda da estrada, atualmente usada como residência. Logo a frente há até a caixa d’água. Mais um pouco temos uma leve subida e chegamos ao bairro do Biguá. Seguimos em frente e mais 1 km e pouco a frente chegamos ao bairro do Salto.

Passamos pelo bar do Tadeu e logo a frente há uma bifurcação. A estrada segue pela direita. Paramos o carro à esquerda, em frente a uma oficina mecânica e demos início a caminhada.

Voltando um pouco pela estrada e entre um chalé rústico e aparentemente abandonado e outra casa, entramos por uma trilha que logo cruza um riacho, afluente do ribeirão do Salto. Seguimos passando uma porteira e abandonando a trilha, caímos para a direita pelo pasto sem trilha evidente cruzando trechos encharcados e seguindo no rumo do ribeirão. Passamos outra porteira, esta de arame, e imediatamente quebramos à direita no rumo do ribeirão. Ali a passagem é fácil, saltando de pedra em pedra e pulando ainda uma cerca do outro lado.

Caímos então em outra trilha. Seguimos para a direita,a trilha vai subindo suavemente, contornando uma mata. Quando a mata acaba, e avistamos uma cerca subindo direto, abandonamos a trilha e subimos paralelo a cerca.

Quando a cerca vira para a esquerda, saltamos a cerca e subindo um pouco mais encontramos nova trilha seguindo para a direita. A trilha cruza um trecho rochoso e segue bordejando. Logo passamos por um riacho, junto ao qual avistamos restos do que parecia ser uma barragem antiga.

Encontramos nova cerca e passamos por uma porteira providencial. Subindo para a esquerda pelo pasto, desviamos de uma rocha e acabamos avistando um curral coberto mais acima. Seguimos rumo a ele e passando por duas porteiras, saímos do outro lado. Tomamos nova trilha que logo cruza um riacho e logo passa a subir a encosta a frente. Não demora e essa trilha se apaga, mas prosseguimos pelo pasto subindo pela crista semeada de araucárias.

Enfim chegamos ao alto. A frente a crista cai numa grota. Pulamos a cerca à esquerda e tomamos a crista de ligação a frente. No princípio passamos por pasto alto mas logo encontramos uma trilha evidente e seguimos por ela. Essa crista está semeada de limoeiros profusamente carregados de frutos. Ao fim dessa crista, passamos uma tronqueira e seguimos pela trilha para a direita. A trilha se bifurca, o ramo esquerdo parece bem mais batido, mas seguimos pela direita. Subimos por trecho um pouco fechado mas acabamos desembocando em um trilha mais limpa, talvez tenhamos perdido o caminho mais limpo em algum ponto. A trilha leva a um rústico rancho junto a uma plantação de feijão. Na bifurcação junto ao rancho, tomamos a esquerda. A trilha parece bordejar, mas lentamente vai subindo a um selado. Chegando lá, quebramos para a direita e seguimos subindo rente a uma cerca. Já estamos na crista encimada pelo cruzeiro, mas chegamos a ela bem para a esquerda. Saltamos nova cerca e atravessamos um milharal. Ainda precisamos mudar de lado na cerca de crista duas vezes, avançando pelo lado mais desimpedido antes e chegar, quase 2 horas depois do início, ao cruzeiro. Logo abaixo avistamos o bairro do Biguá e parte do vale do ribeirão do Salto. Do outro lado a morraria mineira se desdobra em outras cristas e vales. Paramos então para um lanche e descanso que acabou até em curto cochilo.

Na descida , saltamos a cerca atrás do cruzeiro e logo encontramos uma trilha descendo pela crista para a direita. Fomos descendo por essa trilha, perdendo altura rapidamente. O caminho é em boa parte sombreado, limpo e muito agradável. Temos então bela vista do paredão abaixo do cruzeiro.

Enfim chegamos a um selado onde a trilha parece se apagar, Saltamos a cerca para a direita e seguimos descendo pelo pasto rumo a um outro selado mais abaixo, tínhamos de chegar a estrada por onde acessamos o bairro, ao fundo do vale e a avistamos claramente, bem abaixo. Começamos então a ver outra estrada de terra, do nosso lado do vale e resolvemos alcança-la em primeiro lugar. Seguimos ainda um pouco para a esquerda pela crista procurando um trecho onde a encosta fosse menos íngreme. Acabamos descendo margeando uma cerca que descia direto. O pasto estava um pouco alto e a descida um pouco mais íngreme que do que o que seria conveniente, mas não difícil demais para justificar seguir mais pela crista. E fomos descendo como deu, pulando cercas quando necessário até chegamos a estradinha. Chegando lá percebemos que a estrada nada mais era do que a continuação do leito da ferrovia, que sobe por uma lado do vale,passa pela estação e pouco acima faz uma curva, cruza o rio por uma sólida ponte de alvenaria de pedra e passa então a voltar pelo outro lado do vale ganhando altura lentamente rumo ao bairro do Barreirinho.

Então foi só seguir pela antiga linha para a direita, cruzar a ponte e poucos metros após a ponte desembocamos na estrada por onde viéramos de carro. Seguindo pela estrada em instantes cruzamos o bairro do Biguá e dai chegamos ao bairro do Salto e ao carro.

Com ainda quase uma hora de luz, resolvemos visitar a cachoeira do Salto, Parece que a queda principal fica mais acima e não tínhamos tempo para chegar até ela, fomos então até uma pequena queda próxima. Seguindo pela estrada, na primeira curva, antes de iniciar a subida, saltamos uma porteira trancada à direita, Após a porteira, tomamos a trilha à direita e vamos nos aproximando do ribeirão. Em uns 5 minutos chegamos a um conjunto de pequenas quedas e pocinhos. Encerramos ali o dia esperando que em outra oportunidade pudéssemos voltar ao local para visitar a queda principal acima.