Travessia Alsene-Maromba

  Travessia Alsene-Maromba

  Rumo ao Alsene

  Alternativa a mais famosa Rebouças-Mauá que cruza o parque do Itatiaia e
está oficialmente proibida a longo tempo, a Alsene-Maromba contorna o parque
pelo norte, não sofre nenhuma restrição e pode ser feita até em 1 dia com
vontade, ou em 1 e meio com calma.
  Aliás as duas poderiam até ser acopladas e teriamos então um circuito
fechado de 3 dias de caminhada.
  Mais tinhamos só o fim de semana e resolvemos faze-la com calma. Saimos
então na sexta à noite de São Paulo em direção a Itanhandu, no último ônibus
disponível, as 23:15: eu, Rodrigo, Roberta e Gibson.
  Chegamos a Itanhandu as 4:00, a rodoviária esta cheia de pessoas da
região voltando de alguma festa local. Tivemos que esperar um pouco até que
aparecesse um taxista disposto a nos levar até o Alsene. Quase 1 hora depois
chegou seu Odair com seu possante Voyage e fechamos com ele por R$ 120,00.
  Seguimos então para o Alsene, passando por Itamonte e subindo pelo
asfalto até a garganta do Registro, onde tomamos a estrada de terra rumo ao
Parque. Essa estrada nunca foi boa, mais parece que estavar pior que da
última vez que passei por ela, o Seu Odair teve que seguir devagarinho pela
estrada empedrada ,onde a  cada minuto parece que o carro dele não
conseguria seguir em frente. A noite mal ( ou não ) dormida no ônibus e o
doce chacoalhar do carro induziam ao sono, e acho que todos cochilamos pelo
menos um pouco, alguns já estavam quase se babando.
   Enquanto subiamos o dia nasceu e pudermos ter alguns vislumbres das
serras ao redor ainda cobertas de neblina. Passando o Brejo da Lapa a
estrada que já era ruim ficou ainda pior, já estava com pena de seu Odair e
eu pensava em sugerir que o grupo seguisse a pé, mais ainda seguimos mais 1
km ou dois até que todos em uníssono dissemos: “Pare o carro, vamos a pé
daqui”.
    Descemos então e seguimos a pé os 2 ou 3 km restantes. Mais acho que
se não decidicemos isso seu odair iria até o fim conosco, o cara era ponta
firme, não reclamou nenhuma vez !
    Enquanto subiamos o restante da estrada, andavamos ainda na sombra e o
frio era de rachar. Cerca de 150 metros antes do Alsene encontramos a trilha
à esquerda, ai já estavamos sob o sol e foi preciso começar a tirar os
agasalhos.

    Descendo pelo vale do Aiuruoca

    Tomando então a trilha, no começo passamos por trechos de cascalho
solto, depois brejos, em seguida predominou o barro escorregadio, onde
vários tombos foram se sucedendo.
    Vinte minutos abaixo passamos por um riacho cruzado por uma ponte de
madeira com uma tronqueira na sequência. Esse é o primeira água potável que
encontramos desde a estrada.
    A uma hora da estrada paramos para lanchar junto a uma cabana do lado
direito da trilha.
    A descida prossegue com amplas vistas do vale do Aiuruoca com o pico
do Papagaio despontando no horizonte.
    Pelas 10:00 alcançamos o rio Aiuruoca e o cruzamos pelas pedras num
ponto onde havia uma ponte da qual só restou os pilares de alvenaria de
pedra. Do outro lado uma casinha de fazenda, um paiol e algumas vacas
pastando. Paramos para descansar um pouco. Talvez desse para se molhar um
pouco no rio, mas a profundidade é muito pequena e a temperatura naquela
hora era baixa demais para arriscarmo-nos.
    Prosseguimos então bordejando pela margem direita do rio, subindo
lentamente no início, mas deixando o rio cada vez mais abaixo. Mais a frente
cruzamos com o primeiro local, com roupa de apicultor. Ele disse que já
tinha terminado o serviço com as abelhase que podiamos passar sem problemas.
seguimos passando rapidamente pelo trecho por via das dúvidas.
    Na sequencia a trilha vai subindo e subindo, com pequenos trechos
planos. Passamos então por uma fazendola a esquerda com um rústico curral.
Na sequência após um trecho de descida, a trilha volta a subir bastante.
    Cruza-se então uma crista e passamos então para outro vale, de um
afluente do Aiuruoca ( qual ? ), nesse trecho fomos repetidamente
sobrevoados por um caça da aeronáutica. Passada a crista a trilha desce
fortemente em direção ao fundo do vale. Paramos para o almoço, eram por
volta das 12:00.
    Na sequência descemos rapidamente para o fundo do vale, cruzamos o
riacho por um pinguela e subindo um pouco do outro lado, saimos da mata e
após cruzarmos um curto trecho de pasto chegamos a casa do filho do seu
Anísio ( um dos 300 ), após alguma prosa e uma oferta recusada de tomar um
cafezinho seguimos pela estradinha em direção a casa do pai dele. Soubemos
também que ele alugava um chalé ( o preço segundo o Augusto que passou por
lá anos atrás era R$ 40,00 ). Não perguntamos o preço atual.
   Pela estradinha, em 5 minutos chegamos a uma bifurcação, tomamos a
direita e em mais alguns minutos chegamos a casa de seu Anísio. Ali pode-se
acampar e parece que também funciona como pousada. Mais uma parada para um
dedinho de prosa e seu Anísio nós orientou sobre a trilha para Maromba. Mais
um café recusado e seguimos até o fim da estradinha, após passarmos por uma
ponte, uns tanques em construção,alçançamos o fim da estradinha. Pulando
então o riacho, onde uma bica a esquerda pode proporcionar um banho.

   Subidão da misericórdia

    Começa nesse ponto o chamado “subidão da misericórdia”, a trilha passa
a subir a encosta numa direção quase contrária a que vinhamos pela
estradinha. A subida neste trecho é toda por dentro da mata. Meia hora
acima, numa trifurcação, tomamos o ramo do meio, subindo, só que bem mais
acima encontramos algumas colmeias. Um picada de abelha no ombro rapidamente
convenceu-me do erro, descemos novamente a trifurcação, pegando então o ramo
direito, mais batido e plano.
    Cinco ou dez minutos depois, passamos por um riacho, penúltimo ponto
de água neste trecho. Logo depois nova trifurcação é encontrada. Tomamos o
ramo esquerdo, subindo, e a subida volta a ser forte e contínua.
    Mais acima, após uma curva à esquerda, a subida suaviza e a trilha
passa a seguir uma cerca à direita.Invertemos então a direção geral da
caminhada, passando então a andar na direção da vila da Maromba. A vegetação
começa a ficar mais aberta, dando uma ou outra visão do vale de onde viemos,
lá embaixo vemos os casinhas do sítio do seu Anísio, por onde passamos uma
hora antes.
    Passamos então por um casebre, ao lado do qual a água escorre de uma
caixa d’água. Opa, último ponto de água, pulando a cerca, reabastecemos-nos
para o resto do dia e noite. Seguimos então beirando a cerca e subindo mais
e mais, agora no aberto com amplas vistas do vale do Aiuruoca e de seu
afluente por onde subimos.
    Pelas 16:00 paramos já próximos ao ponto mais alto da trilha para um
lanche e apreciação da ampla vista em torno.
    Prosseguindo mais um pouco, cruzamos o ponto mais alto, contornando um
topo de morro pela esquerda e tendo visão do pico do papagaio ao norte e da
pedra selada e vale do rio Preto a leste. Descendo um pouco, chegamos a um
platô de pasto, onde acabamos acampando junto a um capão de mata do seu lado
esquerdo. Era mesmo o melhor ponto para acamparmos, protegido do vento
constante que havia em todo entorno pelas árvores.
    Acampamento montando, ainda tivemos a visita de um genro de seu Anísio
( a familia é grande !! ) que volta de Maringá onde tinha ido vender queijo
e mel.
    Pudemos então apreciar um belíssimo por-do-sol e a noite um céu
estupidamente estrelado. Lá embaixo podiamos ver as luzinhas de Resende, bem
como mais fraca, as cidades que contornam a serra da Bocaina.
    Apesar de alguns se incomodarem com o assedio de vacas no princípio da
noite, a noite foi tranquila e nem fez tanto frio assim.

    Descendo para a Maromba

    Saimos do local de acampamento pela 9:00 do dia seguinte, restando
apenas descer o resto da trilha até a vila da Maromba. Seguindo então pelo
descampado, seguindo uma das várias trilhas paralelas, em 30 minutos
alcançamos de largas vistas, passando então a descer rapidamente por dentro
da mata, com esparços trechos descampados.
     A descida prossegui sem dúvidas por 2 horas. Paramos então para um
descanso e ao prosseguirmos, num trecho onde a trilha seguia por uma crista,
com profundo vale visível a esquerda, encontramos uma bifurcação. A trilha
em frente, menos marcada, provavelmente vai sair próximo a cachoeira Santa
Clara. Tomamos a direita, descendo rapidamente. Em mais meia hora, passamos
por um tronqueira e desembocamos numa estradinha, a qual tomamos para
direita. Em instantes passamos por uma porteira. A direita fica a pousada
Tiatiaim. Tomando a esquerda, cruzamos o rio Preto e acabamos na estradinha
pricipal, próximos da cachoeira do Escorrega. Chegamos na estrada pouco
depois das 12:00.
     Resolvemos descer em direção da vila, parando no poção da Maromba no
caminho. No poção tomamos um banho na geladíssima água do rio Preto e
seguimos então na direção da vila. Chegando lá, almoçamos um truta grelhada
com molho de alcaparra e comemoramos com cervejas.
     Como ainda era cedo ( 14:00 hs ) e ônibus para Resende só saia as
16:30 hs. Resolvemos descer andando até a vila de Maringa ( 3 km ) para que
a Roberta pudesse comprar seu bolo húngaro. Ainda sobrou tempo para mais
cervejas e uma pinga com mel. Quase 17:00 pegamos o ônibus para Resende, a
longa viagem até lá, feita com as mochilas no colo foi o suplício final
desta viagem. Chegamos lá 18:55 hs, sabendo que o último ônibus para São
Paulo da Cometa sai as 19:00, chegamos correndo ao guiche, só para ser
informados que o ônibus já estava lotado. Consultando então o guiche da
1001, conseguimos comprar 4 passagens no ônibus que vinha da Rio, pagando
passagem integral, mas que jeito. Em 3 horas estavamos no Tiête.

      Temos então mais uma ótima opção pela trilha de fim de semana, nem
muito longa, nem tão longe, com visual maravilhosos e ainda podendo curtir
um banho de cachoeira e uma truta grelhada ao final. 

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