Meia volta em Ilhabela

  Meia-volta em Ilhabela
  
     Decidido a fazer meia-volta a ilha, parti ,segunda, do Tiête, no
primeiro ônibus da Litorânea ( R$ 35,00 ) , às 6:00, rumo a São Sebastião.
Descendo junto ao terminal da balsa pelas 10:00. A travessia foi rápida, já
que o movimento de carros era considerável e logo encheu uma balsa.
     Chegando a ilha, basta andar algumas centenas de metros até o
trevo,onde há um ponto de ônibus coberto. Depois de uma espera de 15 ou 20
minutos tomei o ônibus urbano rumo a Borrifos, no extremo sul da ilha.
Borrifos fica no fim da estrada litorânea asfaltada, onde cheguei pelas
11:00 hs. Após passar o repelente, imprescindível em toda ilha, parti a pé
pela continuação da estrada, agora de terra, rumo a Sepituba. Chegando lá 20
minutos depois. Em Sepituba há um estacionamento onde se pode deixar o
carro. Logo após o estacionamento há um porteira, que nas outras vezes
estava fechada, mas dessa vez encontrei aberta, permitindo a passagem de
veículos até a cachoeira da laje.
     Na verdade a “trilha” até Bonete é uma antiga estrada abandonada e
parcialmente erodida, tendo quase sempre grande largura. Seguindo pela
trilha mais 40 minutos, chega-se a cachoeira da Laje. Antes de lá chegar fui
ultrapassado por dois jipes. Ao fim desse trecho, é preciso cruzar o rio da
cachoeira, sendo necessário descalçar as botas, do outro  lado, seguindo
mais uns metros pela trilha, pega-se uma entrada à direita, e descendo-se
pela rocha chega-se ao escorrega e ao poço em sua base. E possível ir
descendo pela pedras e passar por diversas outras quedas mais abaixo, e
segundo dizem chegando até o mar, mas não fui tão longe. E após umas
descidas no escorrega e banho no poço logo abaixo, fiz um lanche e prossegui
a caminhada.
     Voltando a trilha e prosseguindo, temos mais uma hora de sobe e desce
até o rio do Areado. Alguns metros antes do rio, há uma trilha à direita que
em 5 minutos nos conduz ao costão. Voltando ao rio e subindo um pouco pelo
leito, há trechos mais fundos que permitem um agradável banho.
     Passado o rio do Areado, a trilha volta a subir. Quando estabiliza,
após 30 minutos, sai da mata e temos a primera vista da praia de Bonete,
ainda 30 minutos a frente. A trilha prossegue, quase sempre no aberto,
descendo lentamente em direção à praia, cruzando alguns riachos. Uma hora
após o rio do Areado chegamos a praia.
     No Bonete procurei a pousada Margarida. Chegando lá, o problema foi
conseguir me hospedar, apesar da pousada estar vazia. A Dona Neusa, que
cuida da pousada tinha viajado, deixando a sobrinha tomando conta. A mesma
não sabia de nada, disse que eu tinha que tratar com o Seu Rubens, seu tio,
que ninguém sabia onde estava. Esperei um tempo na frente da pousada para
ver se o dito cujo aparecia, cansado de esperar, fui em direção a praia,
cruzando com o mesmo no caminho, empurrando um carrinho de mão com um
botijão de gás e um saco de cal. Apesar de não conhecer a figura, a
reconheci porque tinha ouvido de orelhada numa conversa entre a sobrinha e
um outro cabra de que ele teria esquecido um botijão e uma saco de cal num
pier de Ilhabela e estava tentando que alguem trouxesse para ele.
    Encontrado seu Rubens, perguntei se havia vaga para mim, e o preço. Ele
disse que sim e pediu R$ 50,00, propus R$ 30,00 e ele aceitou sem discutir.
Esqueci de perguntar se tinha café da manhã, depois descobri que não, devia
ter oferecido menos.
    Hospedado, fui a praia relaxar um pouco, depois voltei a pousada e tomei
um banho ( podem acreditar que é verdade ), fui então jantar no Mc Bonet´s,
restaurante convenientemente contíguo a pousada.
   
    Segundo dia

    Parti pelas 8:00, sem café, em direção a Enchovas, próxima praia da face
sul da ilha. partindo da pousada na direção leste, chega-se em poucas
dezenas de metros a outra pousada( esqueci o nome) , contornado o prédio
dessa pousada e seguindo na direção do interior da ilha ( norte ), passa-se
por um rio, sobre uma nova ponte de madeira ( antigamente tinha-se que
passar pulando pelas pedras ) logo após a ponte, na bifurcação, pega-se a
esquerda, a direita dá acesso apenas a propriedades particulares, e seguindo-
se sempre em frente, acaba-se saindo numa trilha mais larga, perpendicular,
que contornar todo povoado, seguindo à direita, a trilha começa a subir,
dando bonita vista do povoado. Em 40 minutos chegamos a praia de Enchovas,
provida de um quebra mar natural.  Saindo da praia pela trilha, passamos
entre uma casa e um abrigo de canoas, depois passamos por um corrego sobre
uma pinguela e em seguida a esquerda de outra casa. Após essa casa, siga à
direita por entre bananeiras, não há trilha marcada no chão, até junto do
rio, que terá de passar tirando as botas, encontrando do outro lado a
continuação da trilha.
    Seguindo pela trilha mais 40 minutos chega-se a próxima praia: Indaiauba
( tem uns caboclos que chamam de Indaiatuba ). Essa praia é particular e
os “home” não querem que ninguém desça até ela. Antes que chegar até ela,
passamos por um longo trecho onde a trilha foi calçada de pedras, por onde
circulam tratores e quadriciclos. Nas curvas há espelhos convexos, um
luxo !!! Passa-se por um grande número de chalés, cada vez que passo lá tem
um novo !! No trecho calçado,na bifurcção, tome à esquerda, descendo.
Subindo à direita, chega-se ao heliporto, visível daqui de baixo. De lá há
um visão panorâmica da praia. Em resumo, nesta praia você tem um vislumbre
da vida dos podres de rico.
     Descendo, quase antes de chegar a praia, haverá um bifurcação, com
placa, indicando à esquerda, a trilha para Castelhanos. Em frente a outra
placa, não entre, proibido passar.
     Tomando à esquerda então, em instantes passá-se por baixo de um
aqueduto, onde acaba o calçamento, e toma-se a trilha, ligeiramente à
direita, subindo paralela a um encanamento. Chegando-se a uma represa mais
acima, toma-se a trilha em frente, do outro lado do rio ( há outra trilha à
esquerda, não é essa). Seguindo pela trilha, logo há um abifurcação, pouco
visível, mas marcada com uma fita listrada, à esquerda. Pegue à esquerda. Se
você, como eu, não percebe-lá vai chegar a um bambuzal, onde a trilha se
bifurca,o certo era o ramo esquerdo, mas uma maçaroca de bambus obstruiu a
trilha, tendo sido aberta a variante que mencionei acima.
      Passado esse ponto não há mais dúvida, a trilha sobe, primeiro por
samambaias, eventualmente com visão da praia e finalmente pela mata. A
subida é forte por uns 30 minutos e depois a trilha nivela. No fim do aclive
há uma pequena clareira onde cabem 2 ou 3 barracas, pode ser um bom ponto de
acampamento. Água existe 5 ou 10 minutos a frente, seguindo pela trilha.
      A partir dai temos mais quase 3 horas pela mata, com pequenos sobes e
desces, cruzando vários riachos, água não é problema. A trilha é quase
sempre óbvia, apenas da árvores caídas e eventuais desvios para contorna-
las. Só tive alguma dúvida bem lá na frente onde a trilha fazia uma curva em
cotovelo para a esquerda bem num ponto onde várias árvores tombaram sobre a
trilha, impossibilitando-me e ver por onde a trilha prosseguia, ai precisei
da bússola para verificar em que direção a trilha deveria estar. Ela segue
na direção geral Norte-Nordeste.
      Quase as 13:45 quando sai da mata, numa encosta de samamabaias, e pude
vislumbrar toda costa da enseada de Castelhanos.
      A trilha desce então rapidamente, até cruzar um riacho,onde tomei um 
banho para refrescar-me um pouco, o calor dentro da mata estava demais.
Seguindo pela trilha margeando o riacho chega-se a praia vermelha. Não
encontrei nenhuma restrição nesta praia, cruzei com moradores e ninguem me
obstou a passagem. Seguindo pela praia até o canto esquerdo encontra-se a
trilha para a praia Mansa.  Em algum ponto antes de sair da mata, se não me
engano ao cruzar um riacho, deve estar a trilha para a praia da Figueira,
mas dessa vez não consegui ver onde é.
      Seguindo pela trilha, rapidamente chegamos a praia mansa, que é bem
pequena, outra sobe e desce e chegamos a Castelhanos.
      Tinham me dito, não me lembro quem,  que havia opção de hospedagem
nesta praia, mas a informação era equivocada. Só há campings. Por sorte
consegui encontrar um que me alugou a barraca também, equipada com colchão e
travesseiro inclusive. Parti então para a canto esquerdo da praia, onde há a
trilha para a cachoeira do Gato. Encontrei a trilha e a segui por uns 20
minutos, mas errei alguma bifurcação, pois não cheguei em lugar algum. Se
paciência para procurar o caminho, voltei a praia e relaxei entrando no mar.
       Voltei então ao Camping, e cheguei bem no meio de uma briga. Dois
manés que estavam no mesmo camping, resolveram tomar banho pelados e parece
que os caiçaras não gostaram, estava armado o forrobodó. Fui tomar banho ( o
segundo em 2 dias ) enquanto o povo discutia. Os manés acabaram desmontando
as barracas e indo embora em seus jipões. Ficaram com medo que à noite
viesem a sofrer algum atentado. Jantei e assim que escureceu fui dormir.

     Terceiro dia

      Acordei cedo, a tempo de ver o sol nascer na praia. Fiz mais uma
horinha e depois, não tendo que desmontat barraca, nem enrolar saco, acertei
as contas e fui embora.
      Tomei a estrada pelas 8:10. A subida é longa, cerca de 600 metros de
desnível. Logo no ínicio é preciso molhar os pés para atravessar um rio,
depois é tocar para cima. Claro que não ia passar nenhum carro para me dar
carona, quem estaria saindo da praia as 8:00 ?? Depois de pouco mais de 2
horas de subida, cheguei ao topo da subida, só ai começei a ver os primeiros
jipes indo para a praia, até ai caminhei absolutamente sozinho. No caminho
há alguns riachos e até algumas cachoeirinhas. Depois do topo desci por mais
cerca de uma hora, avistando então a placa “trilha da água branca”. Entrei
então na trilha passando por uma sucessão de poços e cachoeirinhas, num dos
quais me refresquei.O final da trilha, ou melhor seu começo, já que
estavamos fazendo o percurso ao inverso, é na guarita do parque. Voltando a
estrada, andamos ainda por mais uns 30 minutos, descendo, até chegar a zona
urbana de Ilhabela, junto ao trevo da toca. A partir dai basta seguir sempre
em frente por mais alguns quilomentros para desembocar na avenida lirorânea.
Onde tomando a esquerda uma placa diz: Balsa 3 Km.
     Um centena de metros antes da balsa, à direita, há um posto de venda da
Litorânea, onde já se pode comprar a passagem de volta. Aliás em feriados e
alta temporada e melhor comprar assim que se chega na ilha.

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