Corcovado de Ubatuba

  O pico do Corcovado, ponto culminante do trecho ubatubense da Serra do
Mar, situa-se no trecho sul do município, próximo a praia Dura, mas é
visível do centro da cidade, sendo possível avistar dele boa parte do
litoral norte de Ubatuba, bem como muitas das praias do litoral sul.
  Já o tinha subido outras vezes, mas resolvido a visita-lo novamente,
partimos,sábado passado, Edu, Valeria e Tony e eu rumo a Ubatuba no ônibus
das 7:00 da Litorânea. O horário é bem conveniente, já que nos deixa na
praia Dura pouco depois das 10:30, ainda com bastante tempo para a subida.
  Para quem não conhece bem Ubatuba, a praia Dura fica logo após as praias
de Maranduba e Lagoinha, as primeiras pelas quais se passa ao longo da Rio-
Santos quando se vem de Caraguatatuba em direção a Ubatuba. Uma referência
adicional são as placas do hotel “Refúgio do Corsário”, cuja estrada de
acesso, na praia da Fortaleza, sai na altura em que devemos descer, sendo
visíveis vários kilometros antes.
   Pedindo para o motorista parar então no único ponto de ônibus da praia
Dura, descemos por volta das 10:40. Após os preparativos iniciais, iniciamos
a caminhada pela estrada para o bairro do Corcovado, do outro lado da pista,
junto ao supermercado Praia Dura. Esse começo de caminhada é pelo asfalto
mal conservado da estradinha do bairro. Antes da bifurcação a frente já
podemos ver o pico bem a frente . Na bifurcação tomamos à esquerda e
seguimos pela estrada principal.
    Seguimos pelas estrada, com pequenos sobes e desce, até a altura do
número 3200. Logo após um bar à esquerda, com um ponto de ônibus ao lado,
pegamos a estradinha de terra a direita. A propósito, um ônibus que sai do
centro de Ubatuba passa por essa estrada um pouco mais tarde, por volta de
meio-dia e pouco, acredito. Mas espera-lo junto a pista ira importar em uma
espera de 1 hora ou mais, e consequente perda de tempo.
    Seguindo pela estradinha em 5 minutos passamos por uma ponte sobre um
rio e logo após, a primeira saída à direita leva a reserva indígena. A
segunda saída, pouco metros depois é a correta.
    Seguindo por essa estradinha, logo encontramos uma corrente
atravessada, o que impede a passagem de veículos, na sequência, junto a
algumas casas, tempo um campinho de futebol à direita e seguindo mais um
pouco após uma última casa à direita, a estrada se fecha de vez e vira uma
trilha.
    Alguns minutos por ela, chegamos a uma bifurcação, a trilha correta é a
esquerda. Seguindo por ela num instante chegamos a um rio que pode ser
atravessado pulando de pedra em pedra. Chegamos a esse ponto às 12:00. Logo
após o rio encontramos um bifurcação em T. O lado certo é a direita, preste
atenção porque na volta a tendência é pegar o lado errado o que leva ao rio
em outro ponto.
     A partir dai a trilha não tem mais erro. Subindo suavemente a
princípio, 5 minutos depois subimos  um calombo mais acentuado, para depois
desce-lo. A trilha serpenteia por entre pedras e troncos caídos. Mais a
frente uma picada a direita, fechada com um galho ficado ao chão também pode
confundir na volta, cuidado ! Fora isso não há por onde errar, apesar das
advertências de um rapaz com o qual cruzei ainda na estrada, de que “precisa
de guia, os índios abrem picadas na mata”, pura conversa fiada, como de
costume.
     Eu sabia que um pouco mais acima havia um último ponto de água, antes
da subida se tornar íngrime, mais começei a achar que estava demorando muito
para chegar, e informado pela Valeria de que não tinha nenhuma gota d´ água,
eu, que ia a frente do grupo, fiquei com medo de ter passado pelo ponto sem
ve-lo, achei melhor recomendar a eles que voltassem até o último riacho que
cruzamos e se abastecessem lá. Fiquei esperando onde estava enquanto eles
faziam isso e aproveitei para comer alguma coisa, já que o estômago já
estava reclamando.
     Esse retorno para abastecimento de água, nos custou uma perda de meia
hora, perda boba, porque, logo após, subindo menos de 5 minutos esbarrei no
tal ponto que estava procurando.
     Enquanto eu comia, o resto do grupo voltou e continuou a subida. Segui-
os 5 minutos mais tarde, pelas 13:00, mas alcança-los não foi fácil, já que
desse ponto em diante a subida se torna árdua, uma verdadeira escadaria, com
as raízes das árvores e servindo com degraus.
     A muito custo alcançei o Tony, que era que o último dos três. Ele me
deu passagem e segui a frente dele, mas ainda sem alçancar o Edu e a
Valeria. As 14:00, alçancei-os, eles tinham parado junto ao grupo de pedras,
que servem como mirante, pode-se ver a praia Dura e todo a planície entre
ela e nós. A altitude era já de 460 m ( zerei o altímetro na beira da Rio-
Santos ). Fizemos a primeira parada, e os demais aproveitaram para lanchar.
Eram já 14:00.
     Após uma meia hora de descanso e contemplação do visual, prosseguimos
a subida. Na andei muito e topei com uma jararaca na trilha, mais ela logo
se afastou e escondeu na vegetação rasteira à esquerda. A subida prosseguia
íngrime. Cerca de 45 ou 50 minutos acima, alcança-se uma clareira. A trilha
para o pico sobe do lado direito. À esquerda uma trilhazinha dá acesso a um
riachinho, que nós reabastece os cantis. A Altitude era 720 m. Após aguardar
que o resto do grupo chegasse, ficamos descansando por algum tempo.
     Lá pelas 15:45 retormamos a subida. deviam ser umas 16:35 quando
alcançei a clareira na crista da serra, que chamo clareira das bromélias,
devido ao grande número delas pelas árvores em redor.A altitude era 1050 m
Caso você esteja atrasado e a noite se avizinhe, pode-se acampar nesta
clareira, que é praticamente o único ponto de acampamento possível desde o
começo da trilha. Um inconveniente é que ela está infestada de carrapatos,
arranquei vários antes de recomeçar a caminhada.
     Após o resto do grupo chegar e o descanso costumeiro, seguimos pela
17:00 em direção ao pico. A trilha sai da direita da clareira, e segue pela
crista, inicialmente com pouco desnível, eventualmente com vistas do topo e
seu paredão de pedra. Após uns 20 minutos fáceis, apesar da trilha estreita,
com samambaias e bambuzinhos nos cortando pernas e braços expostos, chegamos
a subida final, o trecho mais íngrime de toda trilhas, onde o uso dos braços
é inevitável. Uns 5 minutos agarrando-se em raizes e subindo por lajes
escorregadias, terminam com um último trecho de canaleta arenosa.
      Enfim na crista do pico, mais 2 ou 3 minutos seguindo para a direita,
nos levam ao cume, com suas largas vistas de 360 graus,e sua clareira onde
as 3 barracas cabem sem muita folga. Chegamos pelas 17:35, ainda a tempo de
assistir o por-do-sol, que descambava atrás do mar de morros a oeste.
      Instalados, pudemos cuidar do jantar, quase sem o uso de lanternas,
já que a lua quase cheia, proporcionava-nos uma claridade conveniente.
Enquanto observavamos o centro de Ubatuba e o outros bairros iluminados por
milhares de luzinhas lá embaixo. A temperatura era agradável e o vento
inexistente. O meu altímetro marcava 1142 metros. Pouco a pouco a neblina
foi cobrindo as baixadas e as luzinhas foram sumindo.
      Antes da 21:00 recolhi-me a minha barraca, fazia tão pouco frio, nem
entrei no saco, deitando-me sobre ele.
      Durante a noite, como já esperava o vento aumentou e passou a açoitar-
nos com alguma intensidade. Acordei as 6:00 para ver o sol nascer. Despertei
os demais e assistimos a um belíssimo nascer, ainda com a baixadas
encobertas pela neblina, mas com todo o céu totalmente azul.
      Do alto do pico, tempo vista das praias da Lagoinha ao sul e do outro
lado da enseada da lagoinha vemos a praia da Caçandoca. Praia Dura logo
abaixo do pico e praia da Fortaleza e seu pontão de rocha mais ao fundo.
Para o norte vemos a praia do Lázaro e parte da praia da Enseada. Ainda mais
ao norte vemos a cidade de Ubatuba e trechos do litoral norte do
munícipio,onde não conseguimos individualizar as praias. Pode-se ver também
a Ilhas Anchieta , do Mar Virado e parte da do Tamanduá e mais ao longe as
Ilhas de São Sebastião, Búzios e Vitória. A visibilidade estava um pouco
diminuída pela poeira em suspensão, o que já era esperado dado a pouca chuva
que tem caido no último més.
       Após o café da manhã, voltamos pela trilha de chegada e seguindo
pela crista, passando por outras clareiras de acampamento, descemos até o
rio Calçado, a uns 15 minutos, para enchermos os cantis. Do rio seguindo por
uma trilha na margem direita por um minuto, voltamos ao rio e seguindo por
seu leito por uns 1 minuto, reecontramos a trilha que vai dar no núcleo
Vargem Grande o Parque Estadual da Serra do Mar, junto a uma placa que
diz: “Corcovado 450 m”. Essa trilha é um acesso mais leve ao pico, não fosse
a burrocracia ambiental que cria os entraves de sempre: Exigência de guias,
agendamento prévio,etc.
       Retornando ao topo, desarmadas as barracas, guardadas as coisas, e
tiradas as últimas fotos, partimos as 10:00 para a desgastante descida. Com
as paradas nos mesmos pontos que na subida, acabei chegando no começo da
trilha às 15:00, os mais lentos só chegaram quase às 15:30. Informados de
que dai a pouco passaria um ônibus com destino ao centro, corremos para o
ponto junto ao barzinho, apenas para sermos informados que o ônibus já tinha
passado a pouco, o que nós obrigou a caminhar todo o trecho de pouco mais de
3 kms de volta a estrada.
       Pelas 16:30 já estavamos, eu o edu, no ponto junto a praia Dura e
pouco depois chegaram o Tony e a Valeria. Não demorou muito e passou um
ônibus para o centro. Chegamos lá quase as 17:30, só nós restava tomar o
último horário para São Paulo, ás 19:00 hs. Porém chegamos muito em cima da
hora para dar tempo de jantarmos em algum restaurante da orla,tivemos então
que nós contentarmos com um lanche numa pequena padaria junto a rodoviária,
onde nem cerveja havia !
       Em resumo, O Corcovado de Ubatuba é uma excelente caminhada para um
fim de semana de sol, ou uma ótima penitência no caso de mau tempo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s