travessia da serra dos Poncianos

 

        Já tendo feito a conhecida travessia São Francisco Xavier – Monte
Verde pela trilha do Jorge, sempre me intrigou aquela trilha que saia do
extremo oeste da clareira junto ao mirante do Jorge. Onde iria dar? Chegaria
até a pedra Partida?
        Demorei tanto a investigar a tal trilha que acabei antecedido nesta
exploração pela dupla de rasgadores de mato Jorge e Mamute, mas nem isso
diminuiu minha vontade que já vinha de tanto tempo de conhecer o trecho de
crista nomeado no mapa de serra dos Poncianos. Fomos então, eu e o Rafael,
repetir a caminhada deles. O Rafael conseguiu com o Mamute os pontos da
caminhada deles para nos auxiliar na nossa.
        Saímos as 7:00 de São Paulo e seguimos direto para São Francisco
Xavier. Chegando lá, passamos direto pelo arraial e seguimos pela estrada
como que no rumo de Joanópolis. Mal saindo do perímetro urbano, na primeira
bifurcação tomamos a direita e poucos metros depois à esquerda. Ali começa a
subida de poucos quilômetros até a fazenda Monte Verde, onde a estrada
acaba. Um pouco antes do final da estrada há uma área de estacionamento à
esquerda, junto a uns bancos. Paramos o carro ali.
       O tempo nublado estava bem diferente do que deixáramos em São Paulo,
na qual o sol dava sua graça por entre as nuvens. A cerração ao nosso redor
tornava a visibilidade bem baixa. Sem duvida o sábado não era muito
promissor para a caminhada, mas já que tínhamos ido até ali não iríamos
desistir tão fácil.
        A chamada trilha do Jorge começa ao fim da estrada, após uma
porteira trancada. Tomamo-la e fomos subindo aos zigue-zagues por entre a
mata. Água não falta nessa subida, passamos por vários riachos. No geral a
trilha parecia mais fechada que da ultima vez, talvez pela época chuvosa que
limita o numero de corajosos que se mete a percorre-la, deixando que a
vegetação rasteira cresça sobre a trilha, mas de maneira geral a trilha a
trilha é bem agradável, com um ou outro trecho escorregadio ou degrau
erodido. A Mata ao redor barra qualquer visão mais larga, mesmo quando o
tempo esta aberto, o que não era o caso neste dia.
        Ao fim de uma hora e meia chegamos ao alto da crista, no ponto onde
uma bifurcação surge. Em frente seguiríamos para Monte Verde. Seguimos pela
esquerda subindo ainda mais um pouco, passando ao lado de grandes rochas e
depois nivelando e seguindo mais um pouco até o mirante do Jorge.
        O mirante do Jorge, também conhecido como pedra da Onça, dá ampla
vista tanto para o vale lá embaixo, ao sul, como das baixadas ao norte e se
compõem de uma grande clareira, boa para acampamento, como podemos notar
pelos restos de fogueira e lixo deixados por campistas menos conscientes.
Duas rochas, de um lado e outro servem de mirantes. Nesse dia, como já se
pode adivinhar só mirávamos eram as nuvens ao redor. Na direção oeste, num
período de abertura das nuvens, pudermos ver a pedra Partida, nosso próximo
objetivo. O Rafael até julgou ver uma pessoa no alto da pedra.
       Aproveitamos para lanchar e descansar sentados no mirante. Já eram
quase 13:00 quando resolvemos prosseguir. Tomamos então a trilha obvia no
extremo oeste da clareira que logo começa a descer pela mata. A partir daí
tentamos seguir mais ou menos no rumo sudoeste. A mata é até bem aberta, o
que no fundo só atrapalha, pois às vezes acabamos saindo da trilha ou
tomando algum ramal lateral da mesma. De qualquer forma fomos seguindo
sempre por trilha evidente, tentando permanecer sobre a crista. Em alguns
trechos bambus caídos obrigava-nos a rastejar sob ou pisoteá-los para
avançarmos. Em outros trechos o solo da trilha estava coberto de tapete de
trevos verde claros sobre os quais tínhamos se passar.
         Neste trecho a navegação foi fácil e a trilha parece ser usada com
relativa freqüência. Passamos por alguns trechos abertos, mas a maior parte
do caminho era dentro da mata. Quando chegamos a um trecho aberto, com uma
laje rochosa à esquerda, vimos um totem de pedra na encosta da laje.
Seguimos em direção a ele e vimos que uma trilha entrava na mata no alto
dessa laje. Seguimos por essa trilha e acabamos logo saindo num amplo platô
rochoso. Fomos circulando por ele até chegarmos a sua borda sul. Sem duvida
dali teríamos amplas visões da região, isso se o tempo ajudasse. Os
tradicionais restos de fogueira mostravam que o local deve ser visitado
freqüentemente, o que de resto o estado da trilha já indicava.
        Retornamos ao totem e procuramos então uma continuação da trilha no
rumo noroeste, onde devia estar a pedra Partida. Rodamos bastante em torno,
mais nem sinal de trilha naquela direção. Parece que a trilha que seguíamos
servia só para ir até aquele mirante, não continuando dali.
        A partir dali nossa orientação seria o traçado no GPS do Rafael do
percurso Jorge/Mamute. Passamos então a seguir sem trilha, no sentido geral
noroeste, procurando seguir o caminho de nossos antecessores. A mata nessa
crista é até bem aberta, não criando maiores obstáculos, salvo uma ou outra
massaroca de bambus facilmente contornáveis por um lado ou outro. Mais não
encontramos nem laivos de trilha. Íamos sinuosamente ziguezagueando em torno
do traçado seguido por nossos antecessores, sem conseguir manter o mesmo
traçado dado a falta de sinais físicos da passagem de quem quer que seja.
          Quando nos aproximamos da pedra Partida pareceu-me encontrar um
trecho mais marcado, uma trilha que subia mais fortemente em direção a
pedra. Chegamos então num trecho rochoso, bem embaixo da pedra. Parecia que
a subida final teria de ser feita por ali, em aderência. Só não que havia
aderência nenhuma naquela face. Gastando um bom tempo procurando uma subida
mais fácil à esquerda, em meio a bambuzais entrelaçados, mais nada. Sem
nenhuma opção por ali, e com a hora avançada, seguimos a sugestão do Rafael,
retornando um pouco por onde viemos, e depois tentando contornar o rochoso
pela direita. Acabamos chegando à outra face rochosa, só que nessa a rocha
era bem aderente. Seguimos então bordejando a rocha até chegamos a um ponto
onde a inclinação diminuía e a subida na diagonal à esquerda era viável.
Subindo por ali chegamos ao alto da pedra Partida. Enfim estávamos em
terreno conhecido!
        O tempo continuava fechado ao redor, o vento era cortante e uma
fina garoa que começava a nos açoitar em pouco tempo nos convenceu a seguir
em frente. Tomamos então a trilha em direção obvia e fomos descendo aos
degraus. Passamos pelo acesso a pedra Redonda, que não visitamos,
desembocando ao final de uma estradinha. À esquerda, passando a porteira,
desceríamos para a fazenda Santa Cruz. Tomamos a direita, passamos pelos
acessos ao Chapéu do Bispo, à esquerda, pelo Star Bar à direita, onde os
três carros de corajosos turistas que tinham subido até ali com aquele tempo
aguardavam seus donos, e seguimos descendo a Av das Montanhas rumo ao centro
de Monte Verde.
       Chegando a rua principal, próximo ao Bradesco, dobramos a direita,
passamos pelo ringue de patinação, subimos a ladeira, passamos pelo acesso
ao aeroporto e seguindo mais um pouco, depois de uma agencia dos correios,
chegamos à casa de Dona Joana, marcada com a tabuleta “Chalés Miloni”, onde
conseguimos hospedagem, sem café, por R$ 25,00 por cabeça. Depois, voltando
uns cem metros, do outro lado da rua, fomos ao restaurante Tenne, para uma
truta assada e um refrigerante gelado.
      O dia seguinte amanheceu com chuva, o que nos fez prolongar nossa
estada nas camas o máximo possível, mas finalmente resolvemos sair para o
café da manhã. Seguimos pela mesma rua, na direção oposta ao centro,
passando pela igreja católica, pelo restaurante Capricho (outra opção barata
de jantar) e do lado oposto da rua chegamos a padaria Museu do pão, onde
tomamos nosso café da manhã.
         O tempo chuvoso nos fez desistir de subir até a crista para
visitar o Chapéu do Bispo, Platô e Pico do Selado, resolvemos então voltar
ao carro pelo caminho mais curto que é direto pela trilha do Jorge.
         Voltamos então pela rua principal até o Bradesco, tomando a Av das
Montanhas e seguimos por ela até um portal. Após o portal há uma bifurcação.
A direita foi de onde viemos no dia anterior, direto da crista entre a Pedra
Redonda e o Chapéu do Bispo. Tomamos a esquerda, a rua Taurus. Seguindo
direto por ela a rua acaba no “Centro para as Nações”. Seguimos então pela
trilha que sobe a direita e passando por um quebra corpo à esquerda,
seguimos por trilha que vai margeando a cerca de divisa do Centro à
esquerda. Cruzamos outro quebra corpo, onde há uma placa que diz que a área
faz parte de Fazenda Klablin. Logo a trilha chega a um riacho, transposto
por uma pinguela.
         Subi na pinguela e fui passando sem problemas. Quando já quase
tinha quase chegado do outro lado, já com a sensação de consegui,
escorreguei e cai dentro do riacho, molhando as botas e a calça e pior,
batendo as costelas na pinguela, as quais ficariam me doendo por umas três
semanas.
          Só quando sai do riacho e cheguei do outro lado e que vi que
havia uma segunda pinguela, mais à esquerda. Essa pinguela era mais alta,
porem mais curta e aparentemente menos escorregadia que a primeira, Sugeri
ao Rafael, que já começava a tirar as botas para passar pela água, que
passasse por ali, e ele passou sem problemas.
         Seguimos subindo pela trilha, sem encontrar muitos problemas até
que encontramos um senhor que vinha descendo com um facão na mão. Ele disse
que vinha de São Francisco e que tinha acabado de passar por um trecho muito
fechado pelos bambus, mas que tinha dado uma boa limpada nele. Realmente
após cruzamos um riacho menor, seguiu-se um trecho onde a grande quantidade
de bambus caídos dificultou um pouco o avanço e provavelmente dificultaria
muito mais se nosso “anjo da guarda” não tivesse passado antes com seu facão.
        Ao fim de uma hora e meia desde o inicio da trilha chegamos de
volta à bifurcação na crista. Agora o acesso do mirante, por onde tínhamos
subido no dia anterior, convidava a nova visita, se o tempo estivesse melhor
até poderíamos ter voltado lá, mas do jeito que estava não valia a pena.
Seguimos descendo de volta ao carro. No final da descida um chuvisco mais
forte nos importunou, mas nem chegou a justificar o uso de capa. Cerca de
três horas após abandonarmos a rua Taurus estávamos de volta ao carro.
Descemos com o carro até São Francisco para um almoço tardio e depois
retornamos para São Paulo. A volta foi toda sob forte chuva. Pelo visto
terminamos a caminhada na hora certa!
        Enfim uma curiosidade de anos foi satisfeita e um novo circuito
estabelecido, muito embora o trecho de crista entre o Mirante do Jorge e a
Pedra Partida não seja exatamente um percurso para principiantes.

2 ideias sobre “travessia da serra dos Poncianos

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