Arquivo mensal: março 2014

Circuito Pedra do Pinhal

 

O ribeirão da Água Preta é afluente do rio Aiuruoca, seu vale é cercado a oeste pela serra do Papagaio e fechado a leste pelo serrote cujo ponto culminante é a pedra do Pinhal.

O acesso a ela vindo pelo vale do Água Preta pode ser feito por duas trilhas. Subimos por uma e descemos pela outra.

Passando por Aiuruoca e seguindo pela estrada rumo à Alagoa, após 6 km, tomamos à direita na bifurcação, subindo. Entramos assim no vale do Água Preta, mas conhecido como vale do Matutu. Cerca de 12 km após Aiuruoca, avista-se uma capela do lado direito da entrada, junto ao acesso da pousada Pé da Mata. Paramos o carro ali e iniciamos a caminhada, eu e o Rafael.

Dali podíamos avistar nosso objetivo, o paredão rochoso da pedra do Pinhal. Voltamos um pouco pela estrada por onde viemos e entramos na primeira saída à direita, acesso a um sítio provido de porteira. Passamos por um grupo de eucaliptos e cruzamos o ribeirão por uma ponte. Do outro lado, tomamos uma trilha à esquerda, abandonando a estrada. Logo passamos por outra porteira, adentrando um pasto. A trilha se apaga. Vamos então subindo pelo pasto, sem trilha, rumo a uma porteira que logo avistamos mais acima. Passando essa nova porteira, avistamos uma casa à direita. Seguimos subindo, cruzando uma trilha na transversal. A ignoramos e subindo mais um pouco, cruzamos nova trilha. Seguimos então para a esquerda pela trilha.

A trilha passa a bordejar. É preciso procurar uma porteira na cerca que segue paralela um pouco mais acima, Abandonando então a trilha seguimos através dessa porteira. A trilha é marcada e sobe rumo a um selado, já na crista. A partir dai não há mais dúvida.

Enfim chegamos a crista. A trilha desce do outro lado, rumo a um vale florestado. Mas nosso caminho não é por ali. Tomamos um trilha pela crista à direita. Prosseguimos então galgando a crista pela trilha que mais a frente se torna mais larga, assemelhando-se a um aceiro, Subimos sucessivos cocurutos. Ainda mais acima uma estradinha rústica chega a crista e segue pela crista. Contornando uma matinha chegamos a base da pedra. Ai a estradinha acaba e volta a ser uma trilha que entra na mata à esquerda, galgando a subida final até finalmente sair numa laje com visão do vale abaixo.

Seguimos mais um pouco até onde uma pequena proa rochosa projeta-se para diante do paredão. Ai paramos para lanche e contemplação. A subida toda levou quase 2 horas.

A descida fizemos pelo outro acesso. Seguindo em frente, passamos por uma laje maior, com vista para ambos os lados da serra e restos de fogueira. Prosseguimos a trilha passa a descer pela crista, e acaba entrando na mata. Um curta e fraca chuva apenas nos refresca e produz um belo arco-iris.

A trilha afinal passa a seguir pela face esquerda da serra, ou seja a face oposta ao vale do Água Preta, até que cruza uma cerca e desemboca numa trilha transversal. Seguimos para a direita e em pouco descemos de volta ao vale. Quase no final da descida avistamos bem a frente o casarão do Matutu. Cruzamos o Água Preta por uma ponte e desembocamos na estrada, cerca de 200 metros antes do casarão. Ali foi só tomar a estrada para a direita e voltar por cerca de 4 km até o carro. No caminho, num ponto sem nenhuma sinalização, marcado apenas por um quebra-corpo na cerca a direita, é o acesso a cachoeira dos Macacos, pequena queda no curso do Água Preta. Passamos pelo quebra-corpo e em 5 minutos descemos até o ribeirão. Passamos uns bons minutos apreciado a pequena queda encravada na mata.

Enfim o dia já findava, voltamos a estrada e caminhamos os cerca de 1,5 km pela estrada até o carro, dando por encerrado o nosso dia.

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Travessia Delfinópolis-Paraíso Selvagem

 

O traçado geral da caminhada foi subir a serra Preta a partir das cachoeiras do Ézio e seguindo pela sua crista na direção leste até o final, cruzar o vale do rio Bateia, continuando pela serra Grande até uma antena e dai descendo a serra para o sul chegando ao Paraíso Selvagem, complexo de cachoeiras atualmente no abandono. Todo percurso feito dentro dos limites do parque da Serra da Canastra e do município de Delfinópolis.

Saímos os três: eu, Cristiano e Rafael pela manhã no sábado de carnaval e após ultrapassarmos os limites de São Paulo não enfrentamos mais grandes problemas com o trânsito. Fizemos uma parada para o almoço e chegando a balsa que cruza a represa do Peixoto não houve atraso na travessia.

Atravessamos a simpática cidade de Delfinópolis e saindo pelo lado oposto, na rotatória, tomamos a direita, em direção a São João Batista do Glória. Alguns quilômetros a frente, encontramos a entrada à esquerda, sinalizada por uma placa, para a cachoeira do Ézio. Entrando por ali, seguimos por mais alguns quilômetros.

Enfim chegamos ao camping do Ézio pelas 15:00. Ali deixamos o carro e começamos a caminhada subindo a trilha que acompanha o rio da Cachoeira. Passamos por diversas quedas e até paramos para um banho numa queda mais acima.

Quando acabaram as quedas no rio principal, cruzamos um afluente, subindo um pouco por ele o Rafael encontrou uma pequena queda. Subindo mais um pouco passamos junto a uma cerca a direita. Um porteira de arame foi encontrada pelo Cris e a cruzamos. Na sequência saltamos o rio e encontramos próximo a sua margem, um pouco mais abaixo, uma clareira excelente para o acampamento. Já passava das 18:30 e o dia já findava quando montamos acampamento e, subindo um pouco por uma trilha à esquerda, tivemos linda vista do por do sol com as luzes da cidade abaixo já se acendendo.

Logo escureceu totalmente e fizemos o jantar. Mas foi só me deitar para dormir que o dia perfeito acabou de chofre. Senti uma formiga andando sobre mim, atirei para fora da barraca e prossegui tentando dormir, outra formiga, joguei-a pra fora, outra formiga, e outra, e outra, ai resolvi acender a lanterna e descobri para meu horror que havia uma centena delas dentro da barraca e que já haviam cortado grandes buracos na tela da barraca! Ai começou a guerra noturna das formigas. Mudei a barraca alguns metros do local e só ai percebi que havia um formigueiro onde a havia montado antes. A mudança foi ainda atrapalhada por uma aranha que apareceu sobre o o teto da barraca. Pensei que tinha resolvido o problema mas continuava encontrando formigas dentro da barraca a cada um minuto ou dois. Ai ouvi o Cris fazendo barulho lá fora e soube que as formigas estava comendo a barraca dele também. Acendi a lanterna novamente e havia inúmeras formigas entrando novamente na minha barraca. Droga! Alertado pela nossas exclamações o Rafael acendeu sua lanterna e encontrou buracos no seu teto também. A guerra agora era generalizada. Não havia outra coisa a fazer a não ser mudar o acampamento. Era 1:30 hs e tivemos que sair procurando outro local para acamparmos. Uma centena de metros acima, seguindo pela trilha encontramos um local relativamente plano, com mato baixo e que permitia a colocação das barracas. Mudamos então o acampamento para lá e parece que os dois conseguiram dormir o resto da noite em paz. Eu por outro lado continuei matando formigas dentro da minha barraca até o amanhecer!

No outro dia, após o café da manhã, pegar água no riacho para garantir as próximas horas de um dia em que o sol seria forte, matei as últimas formigas e desmontamos o acampamento.

A trilha segue então para o leste, subindo gradualmente. O visual se torna cada vez mais amplo. Avistamos grande parte da Represa, antecedida pela cidade de Delfinópolis e sucedidas pelos morros e pastos ao sul. A trilha contorna um morro pela esquerda e depois prossegue pela crista. Ai ocorreu mais um incidente, meu óculos caiu do rosto,quando o peguei na mão, uma lente tinha caído. Encontrada a lente, perdemos o pequeno parafuso que a prende. Felizmente o Cris conseguiu prender a lente com esparadrapo e ficou bem firme.

Cruzamos um primeiro riacho e prosseguimos pela crista. A trilha passa então ao sul de um morro com profundas erosões, aparentemente causadas por motoqueiros. É o morro do Chora Mulher. Paramos numa sombra e o Cris ficou esperando-nos enquanto eu e o Rafael subíamos pelo íngremes sulcos erodidos até o alto do morro. Bela vista, valeu a pena subi-lo.

Descendo o morro retomamos a trilha. Logo ela bifurca e seguimos pela direita. Nesse trecho todo seguíamos por crista mais baixa, paralela a outra mais alta logo ao norte e separadas por um valezinho. Em outra oportunidade já tínhamos trilhado por aquela outra crista. Nessa crista mais alta inclusive há uma antena que agora avistávamos do nosso caminho.

Cruzamos mais um riacho, logo antes de uma casa isolada conhecida localmente por casinha branca. A partir daí começa uma estradinha de terra pela qual seguimos.

Alguns quilômetros depois, cruzamos um riacho por sobre uma ponte. Uma casa é avistada à esquerda da estrada, a alguma distância. Logo após a ponte, encontramos uma trilha à direita e seguimos por ali. Assim que nos afastamos um pouco, escondemos as mochilas e seguimos sem peso. Essa trilha dá acesso ao complexo de cachoeiras da fazenda Paraíso. Logo a trilha começa a descer e entra num vale de um pequeno riacho. A trilha vai descendo pela margem direita do vale até desembocar na trilha principal da fazenda há pouco metros da cachoeira do Triângulo.

Mergulhei no poço do Triângulo que estava simplesmente uma delícia! Enquanto nos divertíamos na água, o Rafael preferiu descer pela trilha e conhecer as demais cachoeiras: Lambaris, Vai quem Pode, Borboletas, Coqueirinho e Sofazinho.

Quando cansamos da cachoeira, voltamos as mochilas para um lanche e esperamos o Rafael voltar.

Dali voltamos a estrada e seguimos em frente. Quando a estrada bifurca, escodemos novamente as mochilas e seguimos para a direita, rumo ao chamado condomínio de Pedras, conjunto de rochas esculpidas pela água e vento que formam um conjunto bastante interessante.

Visitada a formação rochosa, retomamos as mochilas e prosseguimos pela estrada. Cruzamos uma porteira e começamos a descer a encosta rumo ao vale do rio Bateia, o sol já descambava para o horizonte oeste e as sombras se alongavam sobre a estrada tornando a caminhada mais agradável, Quando chegamos a uma bifurcação, uma placa não deixava dúvida de que o caminho era para esquerda.

Antes de começar a descida, já avistávamos a serra Grande um pouco à esquerda e antes dela, um serrote paralelo, entre as duas, avistava-se a rampa de pasto por onde seguiríamos no dia seguinte. Ao fundo ainda mais a esquerda, o risco branco da chamada estrada do céu, caminho exclusivo de jipes que sobe a serra da Bateia, que corre paralela a serra Grande, e que seria uma alternativa de trajeto.

Vamos porém subindo o vale do Bateia, cruzamos um afluente onde nós abastecemos de água e logo após uma subidinha, quebramos à direita e cruzamos uma ponte. Paramos ai e aproveitei para uma banho nas corredeiras do Bateia. Na verdade a cachoeira da Bateia ou cachoeira dos Degraus fica rio abaixo, tomando a direita na bifurcação da placa, fora do percurso e naquela hora tardia não fomos até lá.

Após a ponte, seguimos uns poucos metros pela estrada da direita, dai entramos pelo pasto, pulamos uma cerca e seguimos até junto a mata um pouco mais acima e montamos acampamento. Felizmente embora um pouco inclinado e com algumas touceiras de capim, não havia formigas!

A noite choveu um pouco mais o terreno era bom e não houve inundação das barracas. Só ai percebemos que a poucos passos acima havia um fio d’água onde pudemos nos reabastecer.

Um rápido café da manhã, desmontamos o acampamento e seguimos em frente ainda antes das 8:00. Foi só descer um pouco para o sul, sem cruzar a cerca de arame e logo encontramos o trilho que seguia para leste subindo o vale de pasto por entre dois serrotes. A trilha estava ai meio fechada, com pasto bem crescido, mas o sulco era sempre evidente e a direção óbvia. Seguíamos subindo paralelos a um pequeno riacho, cruzando vários pequenos afluentes, ou seja, água ali era farta. Chegando quase ao topo, passamos próximos a um pocinho que é a fonte do riacho que seguíamos. A água corria ali em pequeno fluxo mas corria. Esse era o último ponto d’água por muito tempo. Paramos para um pequeno descanso.

Alcançamos então a crista da serra grande e prosseguimos por sobes e desces quase sempre por trilha cruzando trechos de pasto. Às vezes vislumbrávamos à nossa esquerda o alto vale do Bateia e ao norte dele a serra da Bateia. Ao sul, a nossa companhia contante,a represa do Peixoto e os verdes campos que a rodeiam. Delfinópolis vai ficando para trás.

Após esse trecho fácil, a crista se estreita e vai ficando mais agreste e rochosa. Passamos a cabritar por sobre blocos rochosos passando cada vez mais por trechos de canela de ema. Num dos blocos há inclusive um marco geodésico. A trilha vai ficando cada vez menos marcada. Enfim chegamos a uma encosta densamente recoberta de canelas de ema. Ali a trilha parece se apagar. Seguimos subindo pela encosta, caindo para a esquerda, procurando chegar a face oposta. Vamos zigue-zagueando por entre as canelas de ema até alcançar o alto e saindo do outro lado voltamos ao pasto.

Seguimos então por trilha caindo um pouco para a face esquerda da crista e obtendo no caminho linda e longitudinal vista do vale do Bateia. Começamos então a avistar uma antena no horizonte, mas é preciso ainda muita caminhada para alcançar a antena que parece nunca chegar.

Enfim chegamos a antena pelas 14:00. Da nascente mencionada antes até aqui, nenhuma água e o céu que começara o dia encoberto, durante o percurso se abriu. O sol não daria trégua pelo resto desse dia.

Da antena, avista-se uma estrada logo a frente, seguindo por ela desce-se a cachoeira do Facão e dai poderia-se chegar a Fazenda Boa Esperança ou ao Vale do Céu, mas o plano era descer para o Paraíso Selvagem. Então viramos para a direita (sul) e seguimos rumo a uma trilha pedregosa já visível. Tomando a trilha subimos ligeiramente e logo descemos a uma vale. Ali a trilha se bifurca e a saída correta, à direita, quase nos passa despercebida. O Rafael nos corrigiu. Subimos novamente e descemos a novo vale. A trilha bifurca novamente e novamente tomamos a direita. Dai seguimos descendo numa direção quase paralela a da crista da serra Grande. Avistamos um grande canion a frente, um pouco a direita e acima de nós. Bem a nossa direita uma mata ciliar parece sinalizar as nascentes dos riacho que formam o paraíso selvagem. A trilha parece seguir em direção a ela, mas antes de chegar, vira para a esquerda e segue se afastando.

Enfim a trilha cruza um riacho, Ufa, até que enfim água. Saímos da trilha e seguimos um pouco para a direita até a borda de uma mata ciliar, onde uma convidativa sombra nos protegia do sol implacável. Ali paramos para o lanche e para nos refrescarmos, pudera já passava das 15:30.

Após uma longa pausa na aprazível sombra, retomamos a caminhada e prosseguimos a descida pela trilha. Mais abaixo em um ponto que não sei agora precisar, saímos da trilha, guiados pelo GPS do Rafael e seguimos por um trecho de pasto alto até reencontrar a trilha certa mais a frente. A trilha original não sei onde vai dar, mas seguia bem marcada.

A trilha prossegue primeiro bordejando para a direita por um bom trecho para então descer fortemente, em trecho repleto de pedras soltas. Enfim a trilha desemboca numa trilha mais larga que vem da esquerda para a direita diagonalmente. Seguindo para a direita, em pouco desembocamos no estacionamento do Paraíso Selvagem. Um banheiro semi-destruído, uma mureta de pedras que delimita a área onde ficavam os carros. restos de um rancho e bastante lixo espalhado denotam o abandono do local.

Armamos acampamento num trecho de areia na região onde se estacionavam os carros e foi só jantar e dormir.

Outra noite do inferno! Com a tela toda furada, apesar de tentar fazer uns remendos com sacos plásticos e esparadrapo, a barraca foi invadida por mosquitos, não pernilongos, mas uns que mais pareciam borrachudos. Passei grande parte da noite tentando afasta-los de mim. Não dava para entrar no saco de dormir devido ao calor, e não dava para dormir fora do saco por causa das picadas.

Levantei logo cedo, mal o sol saiu, coberto de picaduras em cada trecho de pele que as roupas não cobriam.

Após o café e desarmarmos as barracas, escondemos as mochilas e fomos explorar o complexo.

Primeiro fomos a cachoeira do Alpinista. A trilha sai em frente ao estacionamento e logo cai um pouco para a esquerda, passando a acompanhar o córrego. Entramos então em um canion, a essa hora do dia ainda imerso na sombra. A trilha vai subindo riacho, várias cruzando-o de um lado ao outro. Contei oito cruzamentos. Quase ao final a trilha fica plana e larga e em mais alguns minutos chegamos ao final do canion e a cachoeira do Alpinista. Pausa para um mergulho no poço em sua base e muitas fotos. Do estacionamento a cachoeira levamos 50 minutos.

Voltando ao início, seguimos rumo ao Salto Solitário. Passando em frente ao banheiro destruído, viramos à direita e voltamos pela trilha por onde viéramos no dia anterior. Passamos por dois riachos secos e pela saída muito discreta da trilha por onde descemos do topo da serra. Seguindo em frente, em uns 20 minutos, chegamos a uma bifurcação. À direita a trilha desce a base da cachoeira das Águas Claras. À esquerda, seguimos ao Salto Solitário. Novamente vamos subindo o riacho, cruzando-o várias vezes, mas agora com a vantagem de passar por várias pequenas quedas e poços de águas douradas durante o caminho. Ao fim de 1 hora, chegamos ao Salto Solitário e seu grande poço dourado ,no momento em que o sol já ia alto e o iluminava. Outro banho delicioso e um bom tempo de contemplação nesse lugar lindo.

Com o dia avançando, voltamos ao estacionamento e retomamos as mochilas. Seguimos descendo a estrada de acesso, passando por um extenso canavial. Quando chegamos a uma bifurcação, tomamos a esquerda, cruzando por uma ponte o riacho do Salto Solitário. Um quilômetro e pouco a frente chegamos a estrada Glória-Delfinópolis. Ali há um ponto de ônibus da linha que liga Passos a Delfinópolis. Ficamos esperando o ônibus que passou pelas 17:00.

Saltamos do ônibus na rotatória na saída de Delfinópolis. Ali o Rafael ficou esperando com as mochilas enquanto eu e o Cris íamos buscar o carro. Tomando a estradinha em frente que dá acesso a cachoeira Dr Pinto, seguimos passando por um riacho e logo após, onde há um guarita, tomamos à direita. Uma porteira trancada impede passagem de carros por ali, mas saltamos a cerca e passamos a subir aos zigue-zagues. Chegando ao alto pulamos nova cerca e seguimos para a esquerda pela estrada de acesso ao Ézio. Logo já avistamos a fazenda do Ézio à direita, por uma brecha na vegetação. Bastou descer a estrada até lá e retomamos o carro. Ai foi só voltar pela estrada de acesso até o quiosque da rotatória onde o Rafael nos aguardava.

Ainda tínhamos um dia livre, de maneira que nos hospedamos em Delfinópolis, na pousada Serra Preta, junto a antiga rodoviária. Jantamos no restaurante Bica d’água, entre a rotatória e o centro da cidade, do lado direito da estrada.

No último dia saímos para um tour de carro. Tomando a estrada em direção ao Glória, pouco antes de chegar ao distrito de Olhos d´água, tomamos a esquerda, subindo o vale do Bateia. Cerca de 11 km acima, avistamos a cachoeira do Bateia, do lado direito. Paramos o carro em uma baia a beira da estrada e descemos por trilha óbvia até a cachoeira.

Voltando ao carro seguimos subindo, não cruzamos a ponte de cruzáramos dias antes durante a caminhada, seguimos em frente e tomamos a estrada do céu. A estrada é ruim, só praticável para 4×4.O caminho sobe a serra da Bateia, acompanhando pelo norte a serra Grande que trilhamos dias antes. Belas vistas. Alcançamos ao final as proximidades da antena a partir da qual descemos para o Paraíso Selvagem. Seguindo pela estrada, há uma bifurcação, a direita, sinalizada na placa como “Roça Feia”, segue pela crista mais alguns quilômetros, descendo depois até a cachoeira do Facão, e dai dando acesso a estrada da Babilônia, mas a descida pela estrada é ruim até para jipe. Seguimos então para esquerda, descendo pela serra Branca.

Essa descida também tem alguns pontos ruim, carro 4×2 não passa. Durante essa descida, o carro do Cris sofreu um incêndio! A haste que mantem a bateria presa se soltou e tocou no polo da bateria, provocando um curto que incendiou a bateria. Conseguimos apagar o fogo e o Cris arrancou a haste e prendeu a bateria com um cordel.

O próximo problema foi causado nessa hora dramática, para pegar esse cordel, o Cris abriu a caçamba da picape e puxou a mochila do Rafael, que estava na frente da dele, para fora. Pegou o cordel em sua mochila e presa a bateria, deu partida no motor. Tudo certo. Só que esqueceu de fechar a caçamba.

Mais a frente passamos por uma porteira. Desci para abri-la. Quando o Cris passou pela porteira, notei a caçamba aberta. Chamei o Cris e ele a fechou, mas nenhum de nós lembrou-se de conferir se estava tudo em ordem na caçamba. Seguimos descendo a serra e desembocamos na estrada da babilônia. Ali quebramos para a direita e descemos rumo ao Glória. Passamos pelo Glória, cruzamos a represa e do outro lado, em Passos, procuramos um auto-elétrico, para dar uma conferida no estado da bateria. Ali o Rafael resolver pegar algo em sua mochila e então percebeu para seu e nosso espanto, que a mochila tinha sumido! Claro, ela tinha caído durante o trecho em que a andamos com a caçamba aberta, só que só pensamos nisso nessa hora. Já era um pouco tarde e o Cris não quis retornar todos aqueles quilômetros de estrada de terra para procurar a mochila do Rafael, preferindo reembolsa-lo pelo prejuízo, de modo que uma conferido que a bateria estava funcionando a contento, prosseguimos de volta a São Paulo, dando fim ao passeio.

 

Pico Focinho de Cão

 

          O Focinho de Cão destaca-se da crista principal da Mantiqueira à oeste da cidade de Piquete, sendo bem visível da cidade.

          Seu acesso porém se dá por estrada de terra que sai antes de Piquete, ainda no município de Lorena, na altura do Km 22 da estrada Lorena-Piquete. Nesse ponto há um reflorestamento de eucaliptos do lado direito da estrada e uma saída à esquerda sinalizada pela placa “Dynacom 4 km”.

          Indo direto por essa estrada, após 7,8 km passa-se por uma porteira de arame à direita da estrada. Se chegar a uma casa amarela, a fazenda Nossa Senhora do Carmo, já errou, volte e procure a entrada, agora à esquerda.

         A estrada cruza um riacho por precária ponte de madeira e passa a subir um morro, chegando ao alto volta a descer ao fundo do vale,onde há um sítio com piscina. Ai paramos o carro e começamos a caminhar.

         Seguimos em frente pela estradinha, passamos por uma porteira de arame, cruzamos dois riachos, o segundo bem menor. Ali há algumas casas e um grande galpão ocupado por um fusca depauperado. Logo após, nova porteira de arame.

         A partir dai a estrada vira um trilha pelo pasto subindo aos zigue-zagues. Na bifurcação acima, tomamos à esquerda e continuamos subindo até o alto do morro. A trilha segue então pelo alto, sem muito desnível. Paramos brevemente sob uma frondosa árvore cuja bem vinda sombra nos protege do sol já inclemente , e ainda nem são 9:00 hs!

        Prosseguindo pela trilha, entramos na mata e subimos mais um pouco. A trilha enfim chega a última porteira de arame. Cruzando-a, a trilha segue fechada para a direita subindo inicialmente um degrau no barranco à direita, mas antes seguimos em frente pela trilha aberta, descendo um pouco e chegando a um riacho, única fonte de água nessa caminhada. Reabastecemos os cantis e nos refrescamos na gelada fonte.

      Voltamos então até próximo da porteira e entramos na trilha fechada. A trilha vai subindo lentamente, acompanhando um riacho à esquerda, o mesmo onde pegamos água, mas afastando-se dele lentamente. A picada é fechada mas está relativamente bem marcada.

      Enfim desembocamos numa estradinha aberta por Furnas para instalar e manter uma linha de alta tensão que passa próxima. A estrada tem vegetação rasteira alta em boa parte do percurso mas tem sinais de trilha quase todo tempo de forma que não é difícil caminhar por ela.

      Seguimos para a esquerda. Subimos um pouco e ignoramos saída à esquerda e para trás, acesso a uma das torres de força. Descemos ligeiramente e passamos por outra saída, agora à esquerda, para outra torre. Mais um pouco e alcançamos uma saída à direita mais limpa. Esse é um aceiro que marca a divisa da Imbel. Ignoramos essa saída e seguimos pela estrada, cujo seguimento é pela esquerda do aceiro, passando por curto trecho mais fechado,

     A partir daí a estrada encontra o aceiro mais cinco vezes, se não me engano, e em todas ignoramos o aceiro e seguimos pela estrada, sempre à esquerda. Antes do próximo encontro com o aceiro, encontramos uma bifurcação e nela tomamos a direita.

        O avanço pela estrada é mais rápido que pelo aceiro, visto que nela a subida é contínua, enquanto que o aceiro sobe e desce sucessivas vezes. O aceiro também parece mais sujo, tomado de samambaias.

        Na sétima vez que encontramos o aceiro, ainda seguimos pela estrada, mas foi engano, a estrada passa a descer e se afasta do pico, Tivemos então de retornar e seguir então pelo aceiro.

        O aceiro começa então a subir forte, quase sempre bastante limpo mas passando por alguns trechos de samambaias cerradas e também por alguns degraus rochosos.

         Quando parecia que estávamos chegando ao cume, percebemos que era um ombro e que ainda havia mais subida.

         Enfim, após cerca de 4:30 hs de caminhada alcançamos o topo. O local tem uma placa e um mastro fincados pelo exército. Do topo avistamos Piquete à leste e grande parte do vale do Paraíba, Cachoeira Paulista,Lorena,Guará e Aparecida. Também a crista da Mantiqueira: Marins, Itaguaré e a Serra Fina à esquerda da cidade.

         A descida foi mais rápida, levando 3:30 hs.

Meia volta em Ilhabela

  Meia-volta em Ilhabela
  
     Decidido a fazer meia-volta a ilha, parti ,segunda, do Tiête, no
primeiro ônibus da Litorânea ( R$ 35,00 ) , às 6:00, rumo a São Sebastião.
Descendo junto ao terminal da balsa pelas 10:00. A travessia foi rápida, já
que o movimento de carros era considerável e logo encheu uma balsa.
     Chegando a ilha, basta andar algumas centenas de metros até o
trevo,onde há um ponto de ônibus coberto. Depois de uma espera de 15 ou 20
minutos tomei o ônibus urbano rumo a Borrifos, no extremo sul da ilha.
Borrifos fica no fim da estrada litorânea asfaltada, onde cheguei pelas
11:00 hs. Após passar o repelente, imprescindível em toda ilha, parti a pé
pela continuação da estrada, agora de terra, rumo a Sepituba. Chegando lá 20
minutos depois. Em Sepituba há um estacionamento onde se pode deixar o
carro. Logo após o estacionamento há um porteira, que nas outras vezes
estava fechada, mas dessa vez encontrei aberta, permitindo a passagem de
veículos até a cachoeira da laje.
     Na verdade a “trilha” até Bonete é uma antiga estrada abandonada e
parcialmente erodida, tendo quase sempre grande largura. Seguindo pela
trilha mais 40 minutos, chega-se a cachoeira da Laje. Antes de lá chegar fui
ultrapassado por dois jipes. Ao fim desse trecho, é preciso cruzar o rio da
cachoeira, sendo necessário descalçar as botas, do outro  lado, seguindo
mais uns metros pela trilha, pega-se uma entrada à direita, e descendo-se
pela rocha chega-se ao escorrega e ao poço em sua base. E possível ir
descendo pela pedras e passar por diversas outras quedas mais abaixo, e
segundo dizem chegando até o mar, mas não fui tão longe. E após umas
descidas no escorrega e banho no poço logo abaixo, fiz um lanche e prossegui
a caminhada.
     Voltando a trilha e prosseguindo, temos mais uma hora de sobe e desce
até o rio do Areado. Alguns metros antes do rio, há uma trilha à direita que
em 5 minutos nos conduz ao costão. Voltando ao rio e subindo um pouco pelo
leito, há trechos mais fundos que permitem um agradável banho.
     Passado o rio do Areado, a trilha volta a subir. Quando estabiliza,
após 30 minutos, sai da mata e temos a primera vista da praia de Bonete,
ainda 30 minutos a frente. A trilha prossegue, quase sempre no aberto,
descendo lentamente em direção à praia, cruzando alguns riachos. Uma hora
após o rio do Areado chegamos a praia.
     No Bonete procurei a pousada Margarida. Chegando lá, o problema foi
conseguir me hospedar, apesar da pousada estar vazia. A Dona Neusa, que
cuida da pousada tinha viajado, deixando a sobrinha tomando conta. A mesma
não sabia de nada, disse que eu tinha que tratar com o Seu Rubens, seu tio,
que ninguém sabia onde estava. Esperei um tempo na frente da pousada para
ver se o dito cujo aparecia, cansado de esperar, fui em direção a praia,
cruzando com o mesmo no caminho, empurrando um carrinho de mão com um
botijão de gás e um saco de cal. Apesar de não conhecer a figura, a
reconheci porque tinha ouvido de orelhada numa conversa entre a sobrinha e
um outro cabra de que ele teria esquecido um botijão e uma saco de cal num
pier de Ilhabela e estava tentando que alguem trouxesse para ele.
    Encontrado seu Rubens, perguntei se havia vaga para mim, e o preço. Ele
disse que sim e pediu R$ 50,00, propus R$ 30,00 e ele aceitou sem discutir.
Esqueci de perguntar se tinha café da manhã, depois descobri que não, devia
ter oferecido menos.
    Hospedado, fui a praia relaxar um pouco, depois voltei a pousada e tomei
um banho ( podem acreditar que é verdade ), fui então jantar no Mc Bonet´s,
restaurante convenientemente contíguo a pousada.
   
    Segundo dia

    Parti pelas 8:00, sem café, em direção a Enchovas, próxima praia da face
sul da ilha. partindo da pousada na direção leste, chega-se em poucas
dezenas de metros a outra pousada( esqueci o nome) , contornado o prédio
dessa pousada e seguindo na direção do interior da ilha ( norte ), passa-se
por um rio, sobre uma nova ponte de madeira ( antigamente tinha-se que
passar pulando pelas pedras ) logo após a ponte, na bifurcação, pega-se a
esquerda, a direita dá acesso apenas a propriedades particulares, e seguindo-
se sempre em frente, acaba-se saindo numa trilha mais larga, perpendicular,
que contornar todo povoado, seguindo à direita, a trilha começa a subir,
dando bonita vista do povoado. Em 40 minutos chegamos a praia de Enchovas,
provida de um quebra mar natural.  Saindo da praia pela trilha, passamos
entre uma casa e um abrigo de canoas, depois passamos por um corrego sobre
uma pinguela e em seguida a esquerda de outra casa. Após essa casa, siga à
direita por entre bananeiras, não há trilha marcada no chão, até junto do
rio, que terá de passar tirando as botas, encontrando do outro lado a
continuação da trilha.
    Seguindo pela trilha mais 40 minutos chega-se a próxima praia: Indaiauba
( tem uns caboclos que chamam de Indaiatuba ). Essa praia é particular e
os “home” não querem que ninguém desça até ela. Antes que chegar até ela,
passamos por um longo trecho onde a trilha foi calçada de pedras, por onde
circulam tratores e quadriciclos. Nas curvas há espelhos convexos, um
luxo !!! Passa-se por um grande número de chalés, cada vez que passo lá tem
um novo !! No trecho calçado,na bifurcção, tome à esquerda, descendo.
Subindo à direita, chega-se ao heliporto, visível daqui de baixo. De lá há
um visão panorâmica da praia. Em resumo, nesta praia você tem um vislumbre
da vida dos podres de rico.
     Descendo, quase antes de chegar a praia, haverá um bifurcação, com
placa, indicando à esquerda, a trilha para Castelhanos. Em frente a outra
placa, não entre, proibido passar.
     Tomando à esquerda então, em instantes passá-se por baixo de um
aqueduto, onde acaba o calçamento, e toma-se a trilha, ligeiramente à
direita, subindo paralela a um encanamento. Chegando-se a uma represa mais
acima, toma-se a trilha em frente, do outro lado do rio ( há outra trilha à
esquerda, não é essa). Seguindo pela trilha, logo há um abifurcação, pouco
visível, mas marcada com uma fita listrada, à esquerda. Pegue à esquerda. Se
você, como eu, não percebe-lá vai chegar a um bambuzal, onde a trilha se
bifurca,o certo era o ramo esquerdo, mas uma maçaroca de bambus obstruiu a
trilha, tendo sido aberta a variante que mencionei acima.
      Passado esse ponto não há mais dúvida, a trilha sobe, primeiro por
samambaias, eventualmente com visão da praia e finalmente pela mata. A
subida é forte por uns 30 minutos e depois a trilha nivela. No fim do aclive
há uma pequena clareira onde cabem 2 ou 3 barracas, pode ser um bom ponto de
acampamento. Água existe 5 ou 10 minutos a frente, seguindo pela trilha.
      A partir dai temos mais quase 3 horas pela mata, com pequenos sobes e
desces, cruzando vários riachos, água não é problema. A trilha é quase
sempre óbvia, apenas da árvores caídas e eventuais desvios para contorna-
las. Só tive alguma dúvida bem lá na frente onde a trilha fazia uma curva em
cotovelo para a esquerda bem num ponto onde várias árvores tombaram sobre a
trilha, impossibilitando-me e ver por onde a trilha prosseguia, ai precisei
da bússola para verificar em que direção a trilha deveria estar. Ela segue
na direção geral Norte-Nordeste.
      Quase as 13:45 quando sai da mata, numa encosta de samamabaias, e pude
vislumbrar toda costa da enseada de Castelhanos.
      A trilha desce então rapidamente, até cruzar um riacho,onde tomei um 
banho para refrescar-me um pouco, o calor dentro da mata estava demais.
Seguindo pela trilha margeando o riacho chega-se a praia vermelha. Não
encontrei nenhuma restrição nesta praia, cruzei com moradores e ninguem me
obstou a passagem. Seguindo pela praia até o canto esquerdo encontra-se a
trilha para a praia Mansa.  Em algum ponto antes de sair da mata, se não me
engano ao cruzar um riacho, deve estar a trilha para a praia da Figueira,
mas dessa vez não consegui ver onde é.
      Seguindo pela trilha, rapidamente chegamos a praia mansa, que é bem
pequena, outra sobe e desce e chegamos a Castelhanos.
      Tinham me dito, não me lembro quem,  que havia opção de hospedagem
nesta praia, mas a informação era equivocada. Só há campings. Por sorte
consegui encontrar um que me alugou a barraca também, equipada com colchão e
travesseiro inclusive. Parti então para a canto esquerdo da praia, onde há a
trilha para a cachoeira do Gato. Encontrei a trilha e a segui por uns 20
minutos, mas errei alguma bifurcação, pois não cheguei em lugar algum. Se
paciência para procurar o caminho, voltei a praia e relaxei entrando no mar.
       Voltei então ao Camping, e cheguei bem no meio de uma briga. Dois
manés que estavam no mesmo camping, resolveram tomar banho pelados e parece
que os caiçaras não gostaram, estava armado o forrobodó. Fui tomar banho ( o
segundo em 2 dias ) enquanto o povo discutia. Os manés acabaram desmontando
as barracas e indo embora em seus jipões. Ficaram com medo que à noite
viesem a sofrer algum atentado. Jantei e assim que escureceu fui dormir.

     Terceiro dia

      Acordei cedo, a tempo de ver o sol nascer na praia. Fiz mais uma
horinha e depois, não tendo que desmontat barraca, nem enrolar saco, acertei
as contas e fui embora.
      Tomei a estrada pelas 8:10. A subida é longa, cerca de 600 metros de
desnível. Logo no ínicio é preciso molhar os pés para atravessar um rio,
depois é tocar para cima. Claro que não ia passar nenhum carro para me dar
carona, quem estaria saindo da praia as 8:00 ?? Depois de pouco mais de 2
horas de subida, cheguei ao topo da subida, só ai começei a ver os primeiros
jipes indo para a praia, até ai caminhei absolutamente sozinho. No caminho
há alguns riachos e até algumas cachoeirinhas. Depois do topo desci por mais
cerca de uma hora, avistando então a placa “trilha da água branca”. Entrei
então na trilha passando por uma sucessão de poços e cachoeirinhas, num dos
quais me refresquei.O final da trilha, ou melhor seu começo, já que
estavamos fazendo o percurso ao inverso, é na guarita do parque. Voltando a
estrada, andamos ainda por mais uns 30 minutos, descendo, até chegar a zona
urbana de Ilhabela, junto ao trevo da toca. A partir dai basta seguir sempre
em frente por mais alguns quilomentros para desembocar na avenida lirorânea.
Onde tomando a esquerda uma placa diz: Balsa 3 Km.
     Um centena de metros antes da balsa, à direita, há um posto de venda da
Litorânea, onde já se pode comprar a passagem de volta. Aliás em feriados e
alta temporada e melhor comprar assim que se chega na ilha.

Caminho da Luz

 Quem aguentar ler esse relato inteiro já pode fazer o caminho da luz,
escreve-lo me cansou mais que os 200 kms do caminho.

1.Dia Tombos – Catuné ( 24.7 kms )

   Decidido a fazer o caminho da luz, à pé, parti dia 27, às 18:30, rumo a
Carangola ( a passagem foi R$ 79,50 ).A viagem foi sem incidentes, e a única
coisa que me incomodou foi o ar condicionado no máximo, que me fez passar
frio a viagem toda. Cheguei a Carangola pelas 7:30 do dia 28. Verifiquei que
o próximo ônibus para Tombos, ínicio do caminho, saia às 9:00. A empresa é a
Real, Custa R$ 4,00 e pouco. O ônibus vai para Itaperuna/RJ, sendo Tombos a
primeira parada e última cidade antes da divisa do RJ.
   No tempo de espera dei uma volta pela cidade. Realmente, como já dissera
Mestre Douglas, a cidade não é lá muito bonita. Fica encaixada num vale
estreito, com morros erguendo-se abruptamente nas laterais, sobre os quais o
povo de baixa renda ergue suas casas. Parece um pouco a favela da rocinha !
Passei pela praça da matriz, onde fica o hotel Gran Palace, à direita, e na
primeira travessa, à esquerda encontrei uma padoca simpática onde tomei um
café da manhã. Nesta mesma rua, mais a frente, ficam as agências do Itaú,
Bradesco e CEF. Na mesma rua, mas seguindo à direita há o BB.
   Tomei o café e voltei a rodoviária, que é a antiga estação ferroviária de
passageiros da cidade. Seguindo um pouco mais pelo antigo traçado da
ferrovia, encontra-se outra antiga estação, de cargas, que agora é um centro
de artesãos.
   A viagem até Tombos é rápida, pouco mais de meia hora. Descendo na
rodoviária, também antiga estação ferroviária, logo à direita, ve-se o
Colonial Palace Hotel, e logo ao lado o centenário Hotel Serpa. No Serpa,
faz-se a inscrição e pega-se a credencial de peregrino. A credencial, o
livrinho Caminho da Luz  e uma camiseta saem por R$ 40,00. Na estação tem um
pequeno museu que não tive tempo de visitar.
   Deixei a mochila no Serpa e fui conhecer a cachoeira de Tombos. Tomei à
esquerda, passando pela estação, e seguindo em frente pela rua principal,
contornando uma igreja em obras e pegando a primeira à direita, e ao final a
trilha à esquerda. Descendo até a base, entrando no terreno da pequena
hidrelétrica. A cachoeira não me impressionou muito, talvez porque a água
estava barrenta devido as chuvas.
    Subi de volta ao Serpa, peguei a mochila e pernas para que te quero. Já
eram 11:00 e tinha mais 23 km para cumprir no dia. Seguindo em frente, na
pracinha tomei à esquerda, passando ao lado da prefeitura e sempre seguindo
as setas amarelas, logo sai da cidade e entrei na estrada de terra, ou
melhor , de lama.
     Depois de 8km de estrada, passamos pela fazenda Oliveira, à esquerda,
ela é de 1845, mais a conservação deixa a desejar, de qualquer forma parece
manter as linhas básicas de uma construção da época, em Taipa de pilão.
     Mas 1 km e entramos à esquerda, numa estradinha menor, e ai a lama
tomou conta, parece que entramos pelo caminho da Lama, não da luz. Passa-se
por trechos alternados de mata e pasto, nos de mata o ruido de Bugios se faz
ouvir.
     Pelo hm 13 passamos pela casa da Dona Francisca, onde não parei dado o
avançado da hora e a chuva que começou a cair. Segui mais alguns
quilometros, pelo pasto, sempre subindo, agora numa trilha, por onde a água
escorria e formava lamaçais nos pontos mais planos.
     No Km 20, onde na grande árvore, o caminho se bifurca, para os
ciclistas, há uma estrada à direita, para os caminhantes, a antiga trilha de
romaria, à esquerda.Nesse ponto a chuva voltou a me castigar.
     Seguindo até uma baixada, há uma placa, e um porteirinha, à direita, e
atrás um matagal, mais o caminho é ai mesmo, subindo pela encosta de pasto,
contornado pedras até o alto, após passar por doi ou três quebra-corpos e
contornar um cafezal, a trilha quebra para a esquerda e segue bordejando a
encosta, até desembocar de novo numa estradinha. Tomando a mesma, subindo
mais um pouco chega-se a um cruzeiro, com uma bifurcação. Á esquerda sobe-se
para a gruta, uma subidinha de 500 metros, mas muito ingreme e escorregadia.
Á direita a estrada desce para Catuné.
      Subi a Gruta, que é bem ampla, com um altar de madeira no fundo.
Sentei para lanchar e tomar água. Lá fora a chuva voltou mais forte. Esperei
uma hora e 15 na gruta,mas a chuva não parava, então resolvi prosseguir
assim mesmo. Logo de cara tomei um tombo na descida, que é muito
escorregadia, desci até o cruzeiro e andei mais 2 km e pouco. Cheguei a
Catuné quase 18:00, todo molhado e enlameado.
      Seguindo as informações de Mestre Douglas, procurei a dona Rosa, que
não quis me receber, ligou não sei para quem, e disse que eu devia me
dirigir a casa de dona Lourdes para onde havia sido designado. Parece que há
um esquema de rodízio na hospedagem em Catuné, cada dia uma pessoa recebe os
caminhantes, hoje era dona Lourdes.
      Subi alguns metros de volta e tomei a ruela á direita, com o auxílio
dos moradores, sempre solícitos, encontrei a casa, bati, bati, e bati e
ninguem atendia. Esperei um bocado na chuva até que me atenderam e fizeram
entrar. A casa é simples, mas a hospitalidade de dona Lourdes é cativante.
Chegou a tirar o chinelo do próprio pé e me dar, para que eu não
pegasse “friagem”. Fui tomar um banho quente, tirando as roupas molhadas e
as botas encharcadas. Depois comi um jantar ótimo, confesso que com a fome
que eu estava qualquer coisa era ótimo.
      Depois de banhado e comido, conheci os demais hóspedes: Homero, de
João Pessoa, Márcia de São Paulo, o casal Hélio e Lúcia de Joinville e
Juliano, também de Joinville. Todos muito simpáticos, mas meio
estremunhados, com cara deque ia desistir ai mesmo da caminhada. Dormimos
cedo, preparando-nos para outro dia de lama e chuva no dia seguinte.

     2. Dia  Catuné – Pedra Dourada ( 23.25 kms )

     Parti pelas 7:00 de Catuné. A chuva tinha parado. Homero e Márcia
partiram na frente. Hélio e Lúcia partiram depois de mim. Juliano decidiu ir
de carro até Pedra Dourada.
     A última recomendação de Dona Lourdes foi para que eu me hospedasse na
Dona Ana em Pedra Dourada. Agora há outra opção lá, um hotel que foi
inaugurado a uns 6 meses atrás.
     Em 30 minutos passei pelo balneário da igrejinha, que parece que já foi
um lugar legal para tomar um banho de rio,mas que está meio detonado. De
qualquer forma tem um telhado cobrindo um piso de cimento, que poderia
servir como ponto de bivaque classe Jorge ( custo zero ). Mais uns 2 km e
começa a subido do Lombo de Burro. Prestei bem atenção neste trecho para não
cometer o mesmo erro de Mestre Douglas. Porém não consegui perceber onde se
poderia errar, estava tudo bem sinalizado com as setas amarelas. No alto da
subida, seguimos por um trecho plano, onde há à direita um casa de pau-a-
pique semi-desmoronada. Mas um pouco e começa a descida para Água Santa.
Água Santa é um minúsculo povoado. Descancei um pouco na pracinha,há uma
pequena padaria e uma igrejinha muito bonitinha apesar de mal consevada.
    Seguindo em frente, após passar um ponte sobre um riacho, a placa indica
que o caminho segue à direita, descendo, mas na verdade ali é o caminho até
a fonte da água santa. O caminho segue em frente. Sem notar isso desci à
direita e prossegui à esquerda na bifurcação abaixo. Seguindo mais um pouco
encontrei Homero e Márcia que vinham voltando, e me esclareceram que por ali
só se chegava a fonte. Prossegui até a fonte, por uma subida um pouco
escorregadia, passando por duas porteiras. Na fonte tomei uns goles da água,
que dizem ser milagrosa, e descansei um instante. Voltei pelo mesmo caminho,
tendo, enquanto voltava, uma bonita visão da vila no fundo do vale.
    De volta a Água santa, prossegui pelo caminho, agora à direita, e
iniciei uma longa subida. Pelo 12:00 parei e sentei numa pedra a beira do
caminho para lanchar. Eis que chega um gol branco, de onde sai Juliano e
mais duas caminhantes: Andreia e Júlia. Após 15 minutos de lanche e conversa
o gol prosseguiu para Pedra Dourada levando Juliano. Voltei a caminhar e
logo deixei para trás as duas, que estavam andando de havaianas. Devia ser
para captar melhor as energias telúricas do caminho. O fato é que a partir
dai elas ficaram conhecidas como: “As telúricas”.
    Mais alguns kms praticamente planos,com alguns pequenos sobes e desces,e
já víamos Pedra Dourada ao longe. Começou então a longa descida para Pedra
Dourada. Alcançando o fundo do vale,há uma cachoeira com acesso  à esquerda,
mais um trechinho plano e alcanço Hélio e Lúcia. Eles não haviam descido a
fonte e por isso me ultrapassaram sem que eu notasse. Chegamos juntos a
pracinha de Pedra Dourada, após passar pelo hotel à esquerda.
    A pousada de Dona Ana fica do outro lado da praça, e tem uma grande
placa na frente. A casa da Dona Ana é bem pequena, mas atrás, se ergue um
enorme edifício, ainda em amliação segundo Dona Ana, com um sem número de
quartos. Tendo sido levado ao meu quarto por Dona Ana, tomei um banho e fui
relaxar um pouco, lendo meu livro e cochilando um pouco. Durante o dia só
tivemos dois pequenos períodos de garoa, mas após chegarmos a pousada caiu
um tremenda chuva que prosseguiu pelo resto da tarde e entrou pela noite.
    Devido a chuva não me animei em circular pela cidade, jantei na Dona Ana
e fui dormir cedo.

    3. Dia  Pedra Dourada-Faria Lemos ( 25.2 kms )

    Partimos todos juntos pelas 7:00, menos o Homero que decidiu ir de carro
sob a alegação de que tinha passado a noite com febre e não se sentia bem.
outras versões dão conta de que algumas garrafas de vinho entornadas na
noite podem ter alguma coisa a ver com sua desistência.
    Antes de sairmos, dona Ana leu um trecho da bíblia como faz
tradicionalmente.
    Assim que saimos da cidade e termina o calçamento, começa uma subida,
como de costume bem embarreada. A subida acaba cerca de 3,5 km depois, temos
então vista da pedra dourada, paredão rochoso de cor clara e coberto de
ranhuras à esquerda, dizem que com o sol incidindo sobre ele toma um tom
dourado. Neste dia não só não tinha sol,como as nuvens encobriam-na
parcialmente. Nesta região há um reflorestamento. O caminhado prossegue mais
ou menos plana. Pelo km 8,passa-se pela pedra do Lagarto, à esquerda, bloco
rochoso com alguns metros, com forma que lembra ligeiramente um lagarto. A
partir dai passa-se por diversas cachoeiras de todos os tamanhos. Pelo km
11, começa mais uma descida e então avista-se a mais bonita delas, a
cachoeira Surpresa. Juliano e Márcia já estavam na dianteira e eu resolvi
descer até a base da cachoeira Surpresa, uns 200 metros à esquerda, por uma
estradinha. Hélio e Lúcia que não desceram, me ultrapassaram então.
    Na base da Cachoeira há um rancho semi-destruido, parece que o local já
foi mais frequentado. Comi um lanche e tome uns goles de água, enquanto
admirava a cachoeira. Voltando ao caminho, segue-se margeando o mesmo rio da
cachoeira surpresa, que agora segue, ora formando novas quedas e
corredeiras, ora se espraindando em uma lagoa, mas a frente há um trecho
onde passa-se por uma laje de pedra.
    Num ponto de ônibus precariamente coberto com uma estrutura de madeira e
lona encontro Hélio,Lúcia e Juliano lanchando, a Márcia tinha continuado e
devia estar bem a frente. Paro com eles alguns minutos. Ao prosseguirmos
logo topamos com uma subida curta de um 600 metros, e alçancado o topo e
ultrapassada a crista, temos uma ampla vista do vale do rio São Mateus e das
serras mais a frente. Começa então a longa descida até o trevo de Faria
Lemos, descida que se prolonga por 5 ou 6 kms, o panorama é bem bonito, o
tempo se mantinha seco, viam-se os meandros do rio no fundo do vale,
enquanto na encosta oposta predominavam os pastos, as vacas e alguma casinha
perdida  de fazenda. O topo dos morros permanecia florestado, e as vezes, o
caminho atravessava alguma capão de mata.
    No meio da descida encontramos “as telúricas”, elas tinham vindo de
carro até um certo ponto da descida, acho que próximo a placa cachoeira do
chicão, e vieram subindo à pé, até encontrar os últimos do grupo, no caso
Hélio e Lúcia, passando a descer de volta a Faria Lemos junto conosco.
    Alcançado o trevo, onde à direita há um laticínio, ornado de mangueiras,
todas carregadas de frutos, segue-se mais uns 3 km de asfalto, passando por
duas bicas, e inumeráveis mangueiras carregadas de frutos.
    Alcançado o calçamento, no T, peguei a direita, passando por uma padaria
e seguindo mais uns 200 metros até a animada praçinha, seguindo mais uns
metros e pegando a primeira rua à direita, no que parece ser o antigo
traçado da ferrovia, e seguindo mais uns 100 metros, encontra-se o Hotel
Ventura, o único da cidade, bem em cima de um supermercado.
    A hospedagem foi um problema. O dono disse que tava lotado, que se eu
não tivesse reserva não tinha jeito. Perguntei se no quarto tinha duas
camas, e recebendo resposta positiva, perguntei ao Juliano se podia ficar
com ele. Ele disse que sim, e ai acabaram meus problemas.
    Hospedado e banhado, sai para dar uma volta na cidade, o sol resolveu
sair, e forte. Rodei toda a cidade, tomei um refrigerante e tirei algumas
fotos.Mais tarde fomos todos juntos jantar no único restaurante da cidade, o
Feijão sem Bicho.Para chegar no restaurante basta seguir o traçado antigo da
estrada de ferro, saindo do hotel,passando pela praça, ao lado da antiga
estação e seguindo até ver o restaurante do lado direito, pintado de
amarelo. Há vários pratos com peixe. Durante o jantar caiu mais um pé-d’água
daqueles. Após uma passada na sorveteria da praça, fomos todos dormir.

   4. Dia  Faria Lemos – Carangola ( 22.85 kms )

   Partimos em 4 neste dia, eu e o casal persistência ( hélio e Lúcia )
pelas 7:00, Homero um pouco mais cedo. Juliano foi de carro para Carangola,
para uma visita ao hospital, uma picada de inseto em sua perna havia inchado
muito e doia quando ele pisava. Márcia e as telúricas ( Júlia e Andreia )
seguiram de carro até um ponto na serra dos cristais. A saída antecipada de
Homero levantou suspeitas de que ele pretendia recorrer a metodos ilícitos
como seguir pela estrada asfaltada, cujo percurso era mais curto, ou mesmo
ir de ônibus para Carangola.
    Voltando pelo mesmo caminho por onde chegamos, após passar a padaria era
só seguir em frente e em menos de 1 km acabava o calçamento e começava a
estrada de lama, digo, de terra. Dois kms depois passa-se pela fazenda do
Coronel Novaes ( fazenda Boa Esperança ), o Cel Novaes foi famoso e temido
em sua época pelos desmandos e atrocidades praticadas por seus jagunços.
Logo após a fazenda, o caminho cruza o rio e passa a acompanha-lo pela
margem direita. O caminho vai subindo lentamente e cerca de 3,5 kms depois,
logo em seguida a um trecho em que a estradinha afundou devido a erosão, não
dando passagem nem sequer a veículos 4×4, avista-se uma cachoeira á direita,
e na sequência, uma bifurcação antes de uma ponte, tomamos à esquerda.
    Seguindo mais 5 km passamos pelo trevo da fazenda Cláudio Machado,onde
fiz uma parada para descanso. Passamos uma ponte e andamos mais quase 2 kms
até a fazenda das Palmeiras, onde dizem que há um alambique que produz a
melhor cachaça da região,chamada “Nota dez”. Não querendo carregar nem um
grama extra, nem entrei na fazenda.
    Mas um pouco e começa a subida da serra dos cristais, chamada assim
porque o solo é todo juncado de pequenos cristais. Neste ponto encontramos
Márcia e as telúricas, que confirmaram que Homero havia passado por elas, já
há algum tempo, acabando enfim com nossas suspeitas de trambique da parte
dele. Parei e fiquei com elas até que Hélio e Lúcia nos alcançacem. Partimos
todos juntos para subir a serra. Do alto disseram que haveria visão de toda
região em torno, porém a vegetação na beira do caminho prejudicava demais a
visão, não consegui ver grande coisa.
    Uma vez no alto, imediatamente começa a descida, seguida de um trecho de
baixada sem dificuldade. Pelo km 18,5, alcançamos a estradinha para Caiana,
que tomariamos no dia seguinte. Voltamos então 4 kms até Carangola, passando
pelo Horto, pelo estadio municipal,pelo clube campestre, até chegarmos a
praça da matriz, na qual fica o Gram Palace Hotel,onde nos hospedamos.
    Fomos encontrar o Juliano capotado no seu quarto, no hospital tinham lhe
aplicado duas injeções que o deixaram totalmente xarope.
    O Gram Palace é um muquifo metido a hotel 5 estrelas, não gostei muito
do hotel, os quartos eram pequenos e abafados, e o preço da diária acima da
média.
    Banhado, fomos almoçar no Spaço Solar, restaurante bem razoável, que
fica na rua à direita de quem sai do hotel, na primeira esquina depois da
praça. Em frente ao restaurante há uma sorveteria, com sorvete muito bom.
    O resto da tarde gastei passeando pela cidade e descansando no quarto.
Jantamos no mesmo lugar e fomos dormir.

    5. Dia Carangola – Espera Feliz ( 33.3 kms )

    Partimos mais cedo, eu pelas 6:00, Homero, Hélio e Lúcia ainda mais
cedo, pelas 5:20, a Márcia depois de mim. O trecho inicial é a repetição do
trecho final do dia anterior, voltamos então passando pelo clube campestre,
pelo horto, até a bifurcação, onde pegamos a esquerda ( em frente ), tomando
a direita voltariamos para Faria Lemos.
    O caminho prossegue, incialmente plano, e posteriormente subindo
suavemente, passamos por várias fazendas, sendo a última a fazenda Parada
General. Quase duas horas de caminhada levam-me até a Parada General, antiga
parada da estrada de ferro, onde há uma pequena plataforma coberta, uma casa
parcialmente desmoronada e, um pouco mais a frente, uma antiga caixa d’água.
Parei para descansar um pouco. Nem sinal dos que sairam a frente, o que só
reforçou as suspeitas, que já corriam à socapa, de uso de dopping pesado.
Inclusive no dia anterior foi encontrada uma seringa hipodérmica na bagagem
de um dos participantes.
     A partir desse ponto segue-se pelo antigo leito da ferrovia até Caiana.
O trecho tem declividade muita baixa, sempre bordejando a serra para
direita, muitas vezes com cortes na rocha à esquerda. A baixa declividade
faz com que muita água empoçe, formando muitos lamaçais.
     Tomando então a direita, passamos sucessivamente pela fonte Santa Clara
( depois de cerca de 2 kms ), um pouco a frente por duas casas das turmas de
manutenção da via permanente e, em mais uns 500 metros, por um arco escavado
na rocha, pequeno túnel de 4 metros de profunfidade.
      Numa parada para descanso, após o arco, Márcia me alcança, mas
enquanto ela descança, eu prossigo. Daí a pouco alcanço “as telúricas”, que
agora estavam caminhando descalças, aproveitado o efeito medicinal da lama
imagino. Mal as deixo para trás e chego a antiga estação Ernestina.
Abandonada, sem telhado e com as portas e janelas arrancadas. Paro para
tirar umas fotos e “as telúricas” me alcançam. Parto novamente e no km 21,
alcanço a carro que as espera. Elas vieram de carro até a Parada General e
serão resgatadas na fazenda do Vinícius.
      Prosseguimos pelo leito da estrada de ferro, agora fora da mata,
atravessendo pastos e passando por fazendolas. Mais 4 km e chego a Caiana,
começa a garoar, paro para descançar e tomar uma coca num pequeno boteco.
Nesse meio tempo a Márcia chega. A garoa para e partimos juntos rumo a
Espera Feliz.
      De Saída, deveriamos ter tomado à direira em um cruzamento, seguimos
em frente e ao notarmos que estavamos errando, perguntamos o caminho a um
grupo de senhores. Eles perguntaram se queriamos ir pela rodagem ( asfalto )
ou pela estrada de chão. Com certeza era pela terra. Disseram para pegar à
direita, de novo à direita e depois a esquerda, passando pelo posto de
saúde. Era esse mesmo o caminho, o posto de saúde era uma das referências.
Logo depois do posto, passamos por uma ponte e acaba o calçamento, o caminho
segue plano,passando pelo aeroclube.
      Neste ponto a Márcia ficou para trás. Mais um pouco e começa uma
subida de 1 km, assim que ela acaba, começa a descida, já com vista de
Espera Feliz. Mais um km e chegamos ao calçamento. Seguindo em frente mais
um km, chegamos ao cruzamento com a rua principal da cidade, a esquerda, na
esquina há um seminário. Quebrando então à direita,segue-se mais uns 500
metros até os hoteis, próximos a rodoviária, passando antes pela matriz.
      Fiquei no hotel Pico da Bandeira, o melhor de toda viagem, há outros
dois logo em seguida, mais baratos. O jantar foi um problema, era dia 1 e
estava tudo fechado, acabei tendo de comer uns salgados na rodoviária ( não
recomendo ) e tomando um sorvete numa sorveteria que achei na rua por onde
continua o caminho no próximo dia.
      Esperava ter encontrado Cleusa & Cia no trecho do dia anterior, ou na
pior das hipotéses em Carangola, e até ai nada, já estava achando que eles
tinham desistido. Na certa ela devia estar em Bragança, balançando numa
rede. E eu enfrentando a chuva e lama sozinho. Tudo bem, iria seguir até o
fim assim mesmo. Qual não foi minha surpresa quando estando no saguão do
hotel, à noite, me aparece a turma toda, além da Cleusa, Guga, Katia e
Jefferson, também a Gi e o Pascoal !! Eles iriam tentar comer alguma coisa e
eu fui junto acompanha-los. Acabamos num trailer da rua principal. Após
tomar mais uma coca e ficarmos conversando por uma hora, fui dormir. Eles
continuaram esperando seus sanduíches, que demoraram sei lá quanto !!

    6. Dia Espera Feliz – Alto Caparaó ( 33,95 kms )

     Acordei mais tarde nesse dia, o café só era servido no meu hotel a
partir das 6:30 . Saimos pelas 7:00, apenas em três: Eu, Homero e Hélio, o
Senhor persistência. O resto da trupe seguiu de carro para Alto Caparaó.
Acho que já tinha caminhado o suficiente.
     O caminho segue pelo antigo traçado da estrada de ferro, praticamente
plano, sempre pela margem esquerda de um rio. Depois de uma hora e pouco,
parei para descançar e os dois continuaram, não os alcançei mais.
      Apesar das chuvaradas diárias há mais de uma semana e da pouca
declividade do caminho, os trechos enlameados eram até que supreentemente
poucos.
      Depois de 8,5 kms passamos pela antiga estação de Pedra Menina, à
esquerda. Continuandos por mais quase 9 km, atravessamos uma estreita ponte
metálica, que só dá passagem para um veiculo por vez, também remanescente da
ferrovia. Mais uns 3 km e finalmente chegamos a Caparaó.
      Parei em Caparaó para descançar e tomar uma coca. Começou a chover e
não parou mais até depois de eu chegar a Alto Caparaó.
      Pensava que o povo da bike passaria por mim neste trecho, mas nada !
      Partir de Caparaó, açoitado pela chuva. Antes mesmo de acabar o
calçamento já começa a subida. Depois de 1 km de subida, segue-se uma
descida tão longa quanto. E logo em seguida outra subida. No final da
segunda descida, parei para descançar no alpendre da sede de uma fazenda à
esquerda.
       A chuva não parava, prossegui assim mesmo. No final da segunda
descida há uma ponte sobre um riacho que faz a divisa entre Caparaó e Alto
Caparaó. Há tambem um bifurçação, toma-se a direita para Alto Caparaó. Segue
uma terceira subida, após a qual o caminho torna-se quase plano.
       Passada a terceira subida, passa-se por um armazem de café, à
esquerda, por um ponto coberto de ônibus à direita, e dai até o calçamento
são menos de 3 km. Chegando ao calçamento segue-se em frente até uma
bifuração em T, onde o topo do T é a rua principal de Alto Caparaó. Tomando
à direita, ainda falta um bom pedaço de subida até a praça da matriz. Todo
trecho calçado tem uns 3 km. Essa subida final no calçamento me pareceu a
parte mais cansativa de todo caminho.
       Chegando na praça da igreja, à esquerda fica a pousada Serra Azul, o
pessoal tinha reserva nela, fui procura-los. A dona da pousada até parece
ser boa gente, mas é muito atrapalhada. Depois de falar com umas três
pessoas, fui saber que o povo tinha desistido de ficar justamente pela
demora em hospedar-se, fruto da desorganização local. Eu estava todo
molhado, com as pernas enlameadas, só queria tomar um banho e descançar em
paz por uma hora. A dona da pousada disse para eu esperar um pouco que iria
dar um jeito no quarto e não sei que. Estava sem paciência de esperar, e
como o motivo primário de eu ficar ali era ficar juntos com os colegas e
eles já tinham se mandado mesmo, decidi me arrancar também e ir para a
pousada Vale verde, do outro lado da praça, que eu já conhecia e achara bem
razoável. O povo tinha ido para a pousada do Bezerra, 2 km acima e como eu
já sabia, bem mais cara.
        Encaminhei-me então para a pousada Vale Verde. Chegando lá, fui
prontamente recebido. Tomei um banho, descansei e mais tarde subi até o
Bezerra encontrar o pessoal. Depois de alguma conversa, onde fui chantageado
a subir até a tronqueira de jipe junto com eles, eu pretendia ir à pé, desci
para praça e jantei no restaurante ao lado da minha pousada. Comido fui
prontamente dormir o sono dos justos.

     7. Dia Alto Caparaó – Pico da Bandeira ( 18,1 km )

     Acordei quase 7:00 e tomei o café. Tinha pensado que iria subir o pico
com Cleusa & cia, mas cadê eles ?? No dia anterior não os tinha encontrado,
parece que nem tinham chegado a Alto Caparaó ! Resolvi subir com o pessoal
com o qual já estava andando. Subi então à pé até o Bezerra, cerca de 2 km
acima. Eles iam de jipe até a tronqueira, e com já disse fui obrigado a ir
junto. Esperamos então o jipe que já havia sido contratado e fomos com ele
até a tronqueira. O tempo já estava feio, e a garoa nos acompanhou até lá em
cima. De baixo não se via nada do topo da serra.
     Chegando a Tronqueira, o primeiro a pedir arrego foi o Homero, ele que
ficou pondo fogo todo dia anterior, convocando todos a subir o pico, foi o
primeiro a desistir !! Começamos a subir a trilha para o terreirão, e logo
Andreia desiste também e volta para a tronqueira, somos agora só 6 do nosso
grupo subindo , outro grupo de 8 também sobe.
     A trilha sobe sempre seguindo pela margem esquerda do rio José Pedro ,
bastante escavada pela erosão, com água correndo em diversos pontos, a chuva
não dava trégua. Há abundante sinalização na forma de marcas amarelas nas
rochas.
     Em 1 hora e dez, eu e o Juliano alcançamos o Terreirão, e esperamos um
bom tempo até que os demais chegassem. Uma siriema passeava pelo gramado.
Encontramos uma barraca armada, não chegando a ver o campista, mas disseram
que ele subiu depois de nós ao pico, juntando-se ao outro grupo.
     A visibilidade baixava ainda mais a partir do terreirão e a chuva
continuava a cair. Resolvemos subir assim mesmo até o cume, menos a Júlia,
que resolveu ficar no terreirão, assim como uma dona do outro grupo.
    A subida fica mais ingreme do terreirão ao cume e muita água escoava
pelas canaletas erodidas, tornando a trilha em riacho. A cada parada para
descanso, sentiamos frio e eramos forçados a continuar a andar para nós
aquecer. Quase no colo entre a Bandeira e o Calçado, Márcia que até ai nós
acompanhava, decidiu parar e esperar o casal persistência que vinha mais
atrás. Subimos rapidamente eu e Juliano até o topo. Ficamos uns 15 minutos
no topo, a visibilidade era quase nenhuma, da cruz mal dava para ver a
torre !!! A chuva continuava e o vento era cortante, o frio estava além do
suportável. Comi rapidamente meu lanche e antes de acabar o Hélio chegou. A
Lúcia  havia ficado no colo com a Márcia, cerca de 5 minutos abaixo. Ele
também comeu alguma coisa e enquanto o outro grupo chegava ao cume,
começamos a descer. O começo da descida foi pior, minhas pernas estava até
meio duras de frio. Precisou esquentar um pouco com o movimento para que
meus movimentos ficassem mais fáceis. Rapidamente descemos até terreirão e
ficamos esperando o casal chegar. Depois de algum tempo de espera eles
chegaram. Imediatamente tomamos a trilha para tronqueira. O frio estava
demais, a chuva não parava. Quando chegamos a tronqueira, a chuva parou, mas
ainda sentia frio. Tivemos de esperar um bocado pelo Casal e pela Júlia.
Quando começamos a descer para a portaria do parque até parecia que tempo
estava querendo abrir !! Da pousada do Bezerra até a praça desci à pé,
estava sonhando com um banho quente. Depois do banho cochilei uma hora e
pouco, depois subi de volta ao Bezerra, para jantar com o pessoal, e nos
despedirmos, no dia seguinte cada uma tomaria seu caminho.
      Depois da despedida, desci até a praça e voltei a pousada Serra Azul
para pegar o meu certificado de Caminhante da Luz. Acabei encontrando com a
Cleusa & Cia, eles tinham chegado naquele dia e estavam hospedados lá.
Conversamos e depois acompanhei-os até uma pizzaria. Eles pretendiam subir
ao Terreirão, dormir no refúgio para atacar o pico no dia seguinte. Sem
perspectiva de melhora no tempo resolvi não acompanha-los.
      No dia seguinte ainda encontrei-os e acompanhei-os por uns 500 metros
da subida em direção a portaria, mas a chuva que começava a cair me demoveu
de ir mais longe. Voltei a pousada, guardei minhas coisas e partir rumo a
Manhumirim, onde pegaria o ônibus de volta a São Paulo.
      Agora eu era um caminhante da luz e outros caminhos se abriam a minha
frente….

De Passa Quatro a Cruzeiro – Andando na linha

De Passa Quatro a Cruzeiro, Andando na linha.    

   Há tempos me interessava percorrer, a pé, o trecho serrano da antiga
estrada de ferro Minas-Rio, que ligava Cruzeiro/SP a Três Corações/MG,
construida em 1884 e desativada definitivamente em 1991, mas cujos trilhos
nunca foram retirados. Resolvi então fazer esta caminhada no último fim de
semana.
   Como pretendia fazer todo o trecho de cerca de 34 km em um único dia,
parti sábado no ônibus das 10:15 pela viação Cometa ( antigamente era
Resendense ). A idéia era dormir em Passa Quatro e sair logo cedo, chegando
antes da noite à Cruzeiro.

Pesquisando o trecho Passa Quatro-Itanhandu

   Cheguei em Passa Quatro às 15:00 e como tinha muito dia pela frente,
resolvi pesquisar o trecho entre Passa Quatro e Itanhandu. De Passa Quatro
ao alto da serra, a ABPF opera um trenzinho turístico, tendo portanto
recuperado esse trecho, mas no sentido oposto, a linha está no mais completo
abandonono e totalmente coberta pela vegetação, servindo apenas como
monumento ao descaso estatal pelo setor ferroviário.
   Antes mesmo de sair da zona urbana já os trilhos desaparecem sob o
capim alto. Seguindo paralelo a eles, prossegui por uma estradinha. Mas a
frente a vegetação engrossa mais e, em muitos trechos, por dezenas de
metros, não se enxerga os trilhos, até árvores brotaram entre eles. Em
alguns pontos ,eles foram propositalmente soterrados para dar passagem a
veículos, como numa ponte de alvenaria encontrada mais a frente.
   Alguns kms a frente a estradinha quebra à direita, segui por um pequeno
trecho de trilha, desembocando em outra estradinha, que em mais um pouco
passa pelo bairro de tronqueira, no qual se vê uma antiga parada da estrada
de ferro, apenas uma plataforma de concreto coberta por uma cobertura de
zinco.
   Prosseguindo pela estrada, agora à direita dos trilhos, passamos por
pequenos sítios e por uma grande granja à direita. Mais a frente, antes do
bairro Pé do Morro, avista-se outra antiga parada, uma plataforma quase
engolida pelo mato e já sem cobertura.
   Após Pé do Morro, a estradinha cruza a linha e se afasta, peguei um
trilha à direita da linha e prossegui. Acabei em outra estradinha. Mas a
frente a estrada vai uma volta à direita. Peguei em frente uma trilha que
logo me leva a outra estradinha, agora do lado esquerdo da linha.
   Finalmente cheguei a Itanhandu  17:40 hs depois. O trecho todo não tem
grande atrativo, sendo demasiado urbanizado.
   Peguei o ônibus ( cidade do aço ) as 19:00 e voltei para Passa Quatro.
Hospedando-me no Hotel Serra Azul, em frente a estação ferroviária. Segundo
o atendente, peguei o último quarto vago. Saiu por R$ 30,00. Jantei no
próprio restaurante do hotel, mas a outro na mesma rua, mais a frente, e
mais outro na rua de trás.

Descendo para Cruzeiro

   Acordei mais tarde do que planejava e acabei saindo do hotel pelas 7:50.
Peguei a linha e fui seguindo. Não é preciso andar sobre os dormentes, nesse
trecho há sempre uma trilhazinha de um lado ou de outro da linha, onde é
mais cômodo caminhar.
    Quatro quilometros à frente, passei pela estação do Manacá, onde há uma
feirinha de artesanato no horário de passagem do trem turístico( dez e
pouco ). Como era muito cedo, estava fechada.
    Mais 6 quilometros é a distância até a próxima estação. Antes, passa-se
pela cachoeira das andorinhas, à esquerda, cujas últimas quedas já se
avistam da linha, uma trilhazinha leva a queda principal, que esconde uma
gruta, mas não desci até lá. Logo a frente cruza-se a estrada que leva ao
pico do Itaguaré. Cruza-se mais uma estrada, um riacho maior e finalmente
chega-se a estação Cel Fulgêncio, a última do lado mineiro da ferrovia.
Cheguei aqui pelas 9:40 e fiz uma pausa para descanso. Logo após a estação
temos o túnel da mantiqueira, com 997 m, segundo maior túnel ferroviário por
muito tempo. Ele passa justamente por baixo da garganta do Embaú,
tradicional caminho das minas na época do bandeirantes e por onde passa a
estrada de rodagem, dezenas de metros acima.
    O túnel é reto, de uma ponta já se enxerga a outra, quase não sendo
necessária lanterna para atravessa-lo. Em algum ponto dentro dele cruza-se
também a fronteira SP-MG.Em dez minutos estava do outro lado.
    Saindo do outro lado tem-se uma belíssima vista do vale abaixo e das
encostas da mantiqueira ao redor. De um lado o ponto mais alto é o pico da
Gomeira, do outro, acredito que dê para ver o Itaguaré, mas um cobertor de
nuvens vedava qualquer visão para esse lado. Há até um pequeno mirante feito
com antigos dormentes. Mas alguns metros e acaba o trecho carpido, a partir
dai não passa trem há muitos e muitos anos.
     Temos então um trecho de trilha aberta, que mais a frente após cruzar
outra trilha tranversal fica bem mais fechada. Em alguns trechos a trilha
quase desaparece, temos então longos trechos de vara-mato. A vegetação
cresceu tanto que por trechos de dezenas de metros não se consegue ver os
trlhos. Mas a frente passa-se por um pequeno túnel,de uns 15 metros e na
sequência intercepta-se outra trilha que sobe à esquerda. Quando a vegetação
abre a vista do vale é sempre bonita. Enxerga-se uma cachoeira caindo pelo
paredão ao lado do qual iremos passar mais tarde. Antes da cachoeira enxerga-
se a estrutura metálica de uma grande ponte, a maior que encontraremos.
     Quando chegamos na cochoeira, olhando para trás vemos uma casa num
ponto acima da linha, para onde vai aquela trilha que vimos antes. Uma
estrada sobe a partir dela, mas não há nenhum acesso para o vale.
     Pelas 12:00 alcanço um trecho mais aberto, onde vacas pastam. A última
hora teve muito mato para atravessar, mas muito mais virá ainda. Neste
trecho avista-se outra casa encosta abaixo, facilmente acessível descendo
por uma encosta de pasto baixo.
     Antes disso o enjoo que já me perseguia a uma hora e pouco desembocou
em vômito. Pensei em abortar a missão por ai mesmo, mas depois de vomitar e
descansar uns 15 minutos me senti melhor e prossegui.
     O trecho de pasto baixo não durou muito, voltei a enfrentar trecho de
mato alto, onde geralmente sempre se achava algum arremedo de trilha, mas em
alguns trechos tive que passa no peito mesmo. Outros dois túneis de 20 e
poucos metros são atravessados e diversos pontilhões. Nos pontilhões tomei
sempre o cuidado de passar andando sobre os trilhos, já que nos dormentes
não podia confiar tal o estado de putrefação em que estavam. Tanto na parede
dos túneis, como no trilhos dos pontilhóes, encontrei “incrições rupestres”,
sinal de que outros malucos já tinham percorrido o mesmo caminho.
      Pelas 13:30 intercepetei outra trilha, com uma porteira de arame.
Parei para descansar. Quando voltei a caminhar, o tempo tinha mudado, de sol
forte para nuvens escuras. Não tardaria a chover.
      Os trechos de vara-mato se sucediam, entremeados por pequenos trechos
mais limpos. Em 4 trechos a erosão tinha levado o solo, deixando os trilhos
pendurados no ar. Nos dois primeiros tive que descer ao fundo da vossoroca e
subir de novo do outro lado, nos dois outros deu para contornar pela
esquerda.
       Pelas 15:00 interceptei uma estrada, com uma porteira à esquerda e
um mata-burros à direita. Já estava com as pernas muito arranhadas pelos
espinhos e a chuva vinha castigado a uns 20 minutos, pensei em descer pela
estrada, mas resolvi prosseguir mas um pouco. Espera alcançar a estação
Perequê, e supunha que talvez após ela o caminho fosse mais aberto.
       Eram 15:40 e nada de encontrar a estação Perequê, já estava ficando
preocupado, ela devia estar 9 kms depois da Cel Fulgêncio e  8 kms depois do
túnel, mas já estava andando há mais de 5 horas e nada dela aparecer, será
que em 5 horas eu não tinha feito 8 kms ?? Minha velocidade de avanço estava
baixa, mas calculei que pelo menos 2 kms por hora eu estava fazendo.
Subitamente desemboco num trecho mais aberto, e o trecho prossegue aberto
por uma distância bem maior que os trechos limpos anteriores, mas nada da
estação.
      Pelas 16:00 uma cerca interrompe a passagem, pegando uma trilha à
direita, subi uma pequena elevação e avistei uma casa pouco metros abaixo.
Passei a porteira e prossegui pela linha, onde agora o mato estava um pouco
mais crescido. Em alguns pontos avistei as marcas de um pneu de moto. Mas a
frente quando o vara-mato recomeçava, avistei uma estrada correndo quase
paralela a linha, num nível mais abaixo. Como a estrada subia e a linha
descia suavemente, prossegui varando mato até que as duas estivessem no
mesmo nível, quando então, alguns metros de mato alto me separavam da
estrada, ultrapassei-os, quase em frente de uma entrada de fazenda, e passei
a andar pela estrada. A estrada seguia paralela a linha por algumas centenas
de metros e depois descia uma depressão e subia para alcançar o asfalto.
Quando vi o asfalto a frente, entendi que seja lá o que quer que tenha
restado da estação Perequê( provavelmente quase nada) tinha ficado muito
atrás engolida pelo mato.
     Ao tocar o asfalto, visualizei a linha num aterro do outro lado da
depressão, desci por outra estrada que desemboca no mesmo ponto do asfalto
que a outra e ao alcançar os trilhos, enxerguei logo à direita a estação
Rufino de Almeida. Parei para descansar um pouco. Eram quase 17:00 e já
estava cansado de ter as pernas cortadas pelo mato, resolvi fazer os 6 kms
finais pelo asfalto. No princípio, a linha segue paralela a estrada,
passando por um pequeno túnel. Mas a frente a linha se afasta para contonar
a parte mais alta da cidade. Segui em frente e quando cheguei ao centro,
numa praça, onde na esquina da esquerda fica o posto da PM, peguei a
direita, indo até a saída da cidade, onde fica a rodoviária.Cheguei a mesma
Às 18:20 e em dez minutos já saia um ônibus. Cheguei a São Paulo pelas 21:30.

     Se algum insano pensar em repetir essa caminhada, aconselho a ir de
calças, porque de bermuda acabei com as pernas em petição de miséria. Um
facão, embora não seja imprescindível, pode ser útil em alguns pontos.

Percorrendo a EF Sapucaí

 Em mais uma excursão histórico-ferroviária, resolvi aproveitar o último
fim de semana para  percorrer parte do trajeto da antiga E.F. Sapucaí, entre
Itajuba e Carmo de Minas, com o intuito de fotografar seus remanescentes e
em particular três antigas estações, se é que ainda havia restado alguma
coisa delas.
    Construida no final do século XIX,a Antiga Estrada de Ferro Sapucaí teve
seu primeiro trecho, de Soledade de Minas até Itajubá, inaugurado em 1891,
atingindo posteriormente a fronteira SP-MG na localidade de Sapucaí. A
ferrovia deixou de operar no final da década de 70, tendo seus trilhos sido
arrancados em 1990. Na atualidade, restam, além das lembranças na memória de
quem a conheceu, pouco mais que as estações nas principais localidades, em
diferentes graus de conservação. Porém ainda é possível percorrer partes do
seu antigo trajeto, algumas das quais se tornaram estradinhas, enquanto
outras, abandonadas, estão cobertas pelo mato.

     Procurando a estação Pedreira

     Partindo sábado em direção a Maria da Fé, lá cheguei pelas 11:30.
Passando pelo centro, vemos a estação local,à esquerda, em bom estado de
conservação, e seguindo em frente, ao final da cidade, junto a um conjunto
de armazens, tomamos uma rua a esquerda, em diagonal, mais um pouco e a
cidade acaba. Uma pequena subida e logo começamos a descer, logo a frente
encontramos uma bifurcação. Tomando à direita, entramos nesse momento no
antigo leito da ferrovia. Seguindo por ele, passamos por profundos cortes e
em um ou dois pontos, por trechos bastante enlameados. Ao final de 7 kms já
podemos visualizar o bairro do Pedrão e em mais um pouco alcançamos o antiga
estação do Pedrão, atualmente servindo de moradia e depósito. A partir daí a
estradinha se torna visivelmente menos percorrida. Prossegui em busca da
estação de Pedreira, que devia ficar a pouco mais de 5 kms adiante. Após
percorre quase isso, a estradinha fica intransitável. Parei o carro e segui
a pé. A antiga linha segue bordejando a encosta e dando bonitas vistas do
vale abaixo, do outro lado do vale vê-se o bairro São João. Em dois
pontos,vossorocas ameaçam engoli totalemente o antigo leito.  Percorri uns 6
km, até que o caminho atinge a baixada e volta a se tornar uma estrada, até
bem batida, mais a frente cruza-se o rio Lourenço Velho por uma antiga ponte
metálica da ferrovia. Mas nada de encontrar algum sinal da estação Pedreira.
Certamente já foi demolida há tempos. Voltei ao carro e com este até Maria
da Fé.
    O trecho todo, de Maria da Fé a Itajubá, daria um bom passeio de bike,
já que não há grandes obstáculos, embora seja um pouco curto ( 27 km ).

     Em busca da estação do Anil.

     Em Maria da Fé, voltei até a entrada da cidade e tomei a estrada para
Cristina. A estrada está muito mal conservada, apresentado muitos buracos.
No começo pode-se perceber que a linha corria paralela, à esquerda da
estrada de rodagem, mas 1 ou 2 km à frente, já não conseguia mais ver
qualquer indício da ferrovia. Prossegui até o alto da serra, e antes de
começar a desce-la, tomei uma estradinha à esquerda. Parei o carro ali mesmo
e segui a pé. Logo no início há uma bifurcação, é óbvio que o caminho da
direita é o antigo leito da ferrovia. Segui por ele, passando por cortes e
trechos de meia-encosta com vista do vale e da estrada de rodagem abaixo.
Não precisei andar mais de 40 minutos para encontrar os remanescentes da
estação do Anil, primeiro a indefectível caixa d’água e, logo após, a antiga
plataforma, só que no lugar do prédio, uma construção moderna, feita com
vigas de concreto e tijolos baianos. Parece que a construção serve como
depósito de fazenda. Achei interessante a utilização de trilhos para
suportar o telhado.
     Segui ainda por mais uns 10 minutos a frente, onde após passar por um
sítio e cruzar uma porteira, o trecho de estradinha acaba e começa o trecho
de trilha. No ano passado já percorri, à pé, o trecho todo, entre Maria da
Fé e Cristina, mas não achei o passeio muito interessante, primeiro pelo
trecho  de 5 ou 6 km onde se é obrigado a seguir pelo asfalto e em segundo
pelo trecho próximo a Cristina onde uma depressão junto a antiga linha foi
transformada no lixão local.
     Voltei então para Maria da Fé onde me hospedei no hotel Dona Marta,
dando por encerrado o dia.

     A estação do Ribeiro ainda estará de pé ??

     No dia seguinte, segui para Cristina, a fim de pesquisar o trecho entre
Cristina e Carmo de Minas e tentar localizar a estação do Ribeiro. A estrada
entre Maria da Fé e Cristina está em péssimo estado de conservação, havendo
um trecho em que o asfalto simplesmente sumiu !! Após chacoalhar até
Cristina, passando por inúmeros buracos, passei ao lado da antiga estação,
agora servindo de rodoviária, e segui em frente, acompanhado o leito da
ferrovia, agora convertido em estradinha.
     Quase 4 km a frente uma placa de trânsito impedido me causa estranheza.
Segui mais um pouco e encontrei o motivo da placa. A erosão havia levado
quase todo leito da estrada !! Parei o carro e segui à pé. Logo após
encontrei do lado direito as ruinas de antigas casas da turma de manutenção
da linha. Mais um pouco a frente e percebo que a linha segui por dentro do
que é agora um sítio,com porteira trancada. Após encetar esforços para
contornar o trecho, passando por outras propriedades, percebo que nos fundos
do sítio, há uma antiga ponte metálica, cruzando o riacho que corre pelo
fundo do vale que até então percorriamos. Logo acima há uma bonita cachoeira.
     Após a ponte, o mato cresce alto, e não consigo encontrar a continuação
do leito da linha. Presumo que ela siga em linha reta, e após voltar um
pouco e pegar uma estradinha à direita, passando por outras propriedades e
pulando duas porteiras, alcanço o ponto onde presumi que a linha continuava,
porém, bastou andar mais um pouco para ver que havia algo errado. Entrava
então em um vale lateral, com morros ingremes em toda volta. Não havia
desenvolvimento para o trem subir aquilo. Começei a elaborar a hipótese
maluca de que devia haver um túnel em algum lugar ali ! e de que ele havia
desabado, soterrando sua entrada ! Coisa de maluco mesmo, uma estrada
econômica como a Sapucaí não devia ter nenhum túnel na linha toda, de
Sapucaí até Santa de Rita de Jacutinga. Começava a ficar tarde, e como não
conseguia achar a continuação por aí e queria encontrar a estação do
Ribeiro. Resolvi ir para Carmo e tentar percorrer a linha no sentido
inverso, inclusive porque a distância era menor.
     Enquanto voltava para o carro, encontrei um morador local, o qual
interpelado por mim, explicou-me que aquele local era conhecido por “curva
da ferradura”, porque ali a linha dava uma volta de quase 180 graus,
voltando pelo outro lado do vale. Assim que ele me apontou o antigo leito na
encosta do outro lado do vale, vi que tinha procurado em todo lugar, menos
onde ela realmente estava. Realmente naquele local, o terreno estava muito
mexido pelas diversas pequenas propriedades que ocupavam a área, obliterando
completamente aquele trecho do leito. Mesmo assim resolvi voltar ao carro e
seguir para Carmo, já que não sabia o que encontraria se seguisse pelo leito.
     Em Carmo, passando pela estação local, que fica à esquerda da estrada
Cristina-São Lourenço, segui pelo antigo leito, o qual serve de estradinha
nesse primeito trecho. Mas a frente, bastante ocluido pelo mato, segui por
uma trilha na encosta à direita. Após passar por duas cercas e algumas
casas, voltei ao leito, agora com mato baixo. Segui por um bom pedaço pelo
leito, as vezes com pasto mais alto, as vezes mais baixo, até atingir uma
ponte metálica perdida no meio do mato. Nesse ponto segui pela trilha à
direita, cruzando um riacho por uma ponte de madeira e saindo num conjunto
de casas da fazenda São Gabriel. Passei por varias porteiras até sair na
estradinha de acesso da fazenda. Voltei por ela até quase o asfalto,cruzando
um pouco antes o antigo leito. Do lado esquerdo ( lado da ponte ) totalmente
ocluído pelo mato, do lado direito, passei por uma porteira de arame e segui
por pasto baixo. Após outra porteira de arame, o pasto se torna mais alto e
mais a frente bate quase na cintura. O mato crescido tornou difícil a
caminhada, e a hora adiantada me fizeram encerrar a excursão. Subi uma
encosta à esquerda, também com mato alto, até atingir o asfalto mais acima,
neste trecho a linha corria paralela ao asfalto. Voltei a cidade pelo
asfalto.
      Ao chegar ao carro resolvi voltar ao final do trecho percorrido e
seguir mais um pouco pelo asfalto para ver se encontrava alguma coisa. Não
preciso rodar mais 600 ou 700 m do final da caminhada para achar uma
porteira de arame à direita da estrada, e passando por ela e andando alguns
metros à direita, encontrar outra ponte metálica perdida no meio do mato.
Seguindo à esquerda, por um trecho aberto, cheguei a um ponto, onde não
consegui encontrar a continuação da linha. Encerrei ai minha prospecção, não
encontrando a estação do Ribeiro, mas sem saber se cheguei a passar pelo
trecho onde ela estaria. Vou ter que voltar e pesquisar o resto do trecho
para ter certeza.