Arquivo mensal: dezembro 2013

Relato: Três picos do Itatiaia

        Faz tempo que queria conhecer a trilha dos três picos no parque de
Itatiaia, a única trilha maiorzinha na parte baixa do parque, se
descontarmos a travessia Ruy Braga que une a parte baixa a parte alta. Nesse
domingo surgiu a oportunidade.Fomos eu e o Rafael.
     Acordamos cedo e saindo de Penedo, onde dormimos, seguimos para o
parque. Cruzamos a portaria e subimos a estrada, passando pela entrada da
trilha, que parece ter sido recentemente sinalizada. A placa estava até
cheirando a nova. Estacionamos logo a frente, num espaço em frente a entrada
do hotel Ypê. Outro carro já estava ali e um casal se preparava para fazer a
mesma trilha.
     Pegamos as mochilas e descemos até o início da trilha. Logo alcançamos
o casal e em pouco mais chegamos a uma bifurcação. Na dúvida seguimos em
frente para ver onde dava e não demorou muito para chegarmos aos fundos do
hotel Simon. Fechado há tempos pelo visto. Retornamos a bifurcação e tomamos
o ramo ascendente. O casal ficou para trás e certamente desistiu do passeio, pois não foi mais visto.
     A trilha, bem aberta, sobe um pouco mais forte até cruzar um riacho por sobre uma ponte de concreto! A partir dali a trilha fica mais fechada. A caracteristica geral da trilha é que ela é quase toda sob a mata, sombreada e fresca, mas também úmida e com muito pontos escorregadios já que o sol nunca bate no solo, causando tantos tombos a esse escriba que perdi a conta deles bem antes do fim. Por outro lado não é tão úmida que forme atoleiros.
     Após a ponte temos um longo trecho de aclive suave ao final do qual a trilha volta a subir mais forte. Chegamos a um trecho onde um degrau mais alto tem de ser escalado com o auxilio de raízes, porém há a alternativa. Uma variante sai à esquerda,um pouco antes, contornando o trecho e reencontrando a trilha mestra pouco acima.
     Mais um pouco e surge nova bifurcação, mas a direita leva apenas a um riacho, o qual já vamos reencontrar logo acima, de modo que nem vale a pena entrar ali,, nem mesmo para encher o cantil. Mais um zigue-zague, alcançamos e cruzamos o riacho por cima de lajes escorregadias. Ali temos, acima temos três pequenas quedas d’água, abaixo outras e um bonito poço de acesso bastante dificultoso. Paramos para fotos, encher os cantis e um curto descanso.
     A trilha prossegue do outro lado do riacho, passando por trecho repleto de raízes que atravessam a trilha e por uns tantos degraus rochosos, entremeados de trechos enlameados. A trilha volta a subir mais forte e temos saltamos diversas rochas cobertas de musgo.
     Até que chegamos a uma crista. A trilha nivela e depois passa a descer lentamente. Aos poucos começamos a avistar o pico mais alto, à nossa frente, em meio ao arvoredo.
     A trilha então sai da mata e passa a subir fortemente a enoosta do pico em meio a samambaias e arbustos. Alguns degraus rochosos são vencidos e começamos a avistar as encostas de mata da serra, encimada pelo que acreditamos ser o Prateleiras, no ponto mais alto de uma crista paralela a que estamos. Na mesma crista os maiores eminências são o Gigante e o Ovo.
     Enfim chegamos ao topo e após o cruzarmos chegamos ao mirante que sinaliza o final da trilha, de onde se avista o vale do Paraíba abaixo e a contra-encosta da serra da Bocaina no lado oposto. A vista logo abaixo mostra as cidades de Itatiaia, Engenheiro Passos mais à direita e à esquerda, bem maior, Resende e ainda preenchendo boa parte do campo visual a represa do Funil. Na Bocaina ficamos tentando identificar o pico do Tira o Chapéu e a Pedra da Bacia, sem conseguir ter certeza. A subida toda tomou-nos 2:45 hs.
     Após uma hora de comtemplação e de ter ainda conseguido avistar Penedo de um mirante lateral, fizemos um lanche e iniciamos a descida que consumiu 2:10 hs, sem surpresas. 

Relato: Pico da Bandeira de Maria da Fé

         O ponto culminante do município sul-mineiro de Maria da Fé é conhecido localmente como pico da Bandeira. Coroado de antenas ele pode ser acessado de carro por estradinha, mas eu estava a pé!

          Do centro da cidade, para quem está em frente à Maria fumaça conservada como monumento junto à antiga estação ferroviária, o pico está na direção oposta a da estação.

           Deixando então a estação do lado esquerdo e seguindo pela avenida que ocupa o antigo leito ferroviário, em uns 10 minutos chegamos a uma bifurcação em “T”, junto às fábricas de batata frita, principal indústria da cidade. Viramos então à direita e em pouco saímos da área urbana. A estrada começa a subir lentamente. Logo passamos pela fazenda Estância, à direita, e a subida se torna mais íngreme. A estrada vira para a esquerda e vai contornando a montanha enquanto sobe.

          Em 2.5 km passamos por uma bifurcação. À esquerda seguiríamos para o bairro Lagoa, mas a rota é pela direita, continuando a subir. Enquanto subimos vamos percebendo que estamos passando para a face oposta da crista. Mais 1 ou 1,5 km depois, próximo a uma casa grande do lado esquerdo da estrada, encontramos, do lado direito, uma entrada provida de rampa cimentada. Seguimos por ali subindo ainda mais forte.

         A subida agora é aos zigue-zagues, alternado trechos de terra com outros cimentados. Até que finalmente avistamos as antenas já próximas. Do lado direito da estrada a vegetação se abre e temos então vista da cidade ao fundo do vale, de Itajubá mais longe e do Marins, ao fundo, do lado esquerdo, bem como da morraria verdejante entre nós e ele.

         Subindo mais um pouco e tomando uma trilha entre as antenas, entro na mata que guarnece o resto da crista e a maior parte das encostas da mesma. A trilha, após um trecho plano que até serviria de ótima área de camping, fica mais fechada e passa a descer rapidamente. Para onde, só posso especular que retorne a estrada mais abaixo, isso se não se perder completamente na mata. Quem sabe?

          Retorno então ao mirante e gasto mais algum tempo admirando o panorama. A caminhada consumiu cerca de uma hora e deve ter aproximadamente 5 km e cerca e 400 metros de desnível ou pouco mais.

          Enfim é hora de descer, só que a planejo descer por outro caminho. À esquerda do mirante, uma trilha desce ferozmente acompanhando no início uma linha de postes de força. Logo a trilha passa a ziguezaguear, reduzindo o forte declive e desviando de trechos obstruídos pela vegetação. A descida é escorregadia e me obriga a ir me agarrando as árvores para não cair.

          Pouco a pouco a declividade diminui e a trilha vai se desviando para a direita. A mata nativa vai sendo substituída por um reflorestamento, por dentre o qual avisto ao fundo do vale, uma casa. Chego então a uma bifurcação. Sigo a esquerda, descendo novamente de maneira forte e tomando um ou dois tombos.

          Enfim a trilha desemboca em outra mais larga que desce suavemente da direita para a esquerda. Para chegar a ela tenho que saltar um último degrau. Passo então a subir para a direita. Na demora a trilha chega a seu ponto mais alto e volta a descer, agora estou indo na direção da cidade, ainda bem! A trilha é interrompida por um cerca, sem porteira. Para evitar ter de passar sob ela, subo pela direita já que ela parece terminar logo acima, mas esse contorno é meio chato, devido ao grande número de cipós entrelaçados. Acabo conseguindo contornar a incômoda cerca e volto a descer a trilha.

          A trilha sai da mata, volta a subir um pouco, e depois volta a descer. Atravesso outra cerca, agora provida de porteira e o caminho vira uma estradinha precária. Nova baixada e curta subida me levam a uma curta crista. Para trás avisto o pico já bem mais acima, só as antenas em meio à encosta de mata. Volto a descer, passo por uma última porteira e em pouco chego às casas da Fazenda Estância. Cruzo com um morador que cumprimento e que não demonstra nenhuma surpresa por me ver por ali. Esse é o verdadeiro espírito mineiro! Sigo em frente e saindo pelo portal da fazenda chego a estrada por onde vim, seguindo de volta a cidade e para minha pousada, um banho e mais tarde um delicioso jantar. Fim de mais uma tarde bem aproveitada em Maria da Fé.

Relato: Circuíto São Bento-Alto do Coimbra

        Sim é verdade, boa parte desse circuito é por estradinha de terra, mas a paisagem é muito bonita e entre a Bocaina e o Quilombo, não vi sequer um carro. Se você for um devoto da bike pode até pensar em fazê-lo pedalando, mas saiba que a subida é grande, e a descida muito mais íngreme. Um verdadeiro downhill!

        O ponto de partida e chegada é São Bento do Sapucaí, bastante conhecida pela Pedra do Baú. Saindo da pracinha central, na mesma direção que se toma para ir a Pedra, na praça menor onde se sobe a direta para ir a Pedra, sigo em frente. Passo uma ponte e na bifurcação logo à frente, sigo direto em frente. A direita vai-se para o bairro do Quilombo, e por ali voltarei ao final da caminhada.

        A estrada segue quase plana pelos primeiros quilômetros, quando nos afastamos dos primeiros morros à direita, o cenário abre-se e avistamos o conjunto Bauzinho-Baú-Ana Chata daquele lado. Naquele dia as nuvens pairavam baixas e não se via nada. Cerca de 2 km depois, aparece o que seria uma trifurcação, mas a estrada segue pela extrema esquerda, mais larga e batida, as outras duas aparentemente são acessos a fazendas. Mais 2,5 km de caminhada e a estrada se bifurca, segui pela esquerda, deixando uma capelinha à direita. Em algum ponto nesse trecho, passo por um poste listrado e multicolorido que marca a divisa estadual SP/MG, entramos então em Minas uai!  Mais à frente, chego a avistar à esquerda, do outro lado da baixada, e por entre o arvoredo no outro extremo do campo, um pequeno trecho da estrada para Paraisópolis, município no qual caminhamos no momento.

       Enfim 6 km após o início chegamos a uma bifurcação em “T”. A esquerda deve chegar ao asfalto, mas vou para a direita e logo começa a subida, no começo suave, para depois se tornar mais íngreme. Enquanto subo o que me chama a atenção é a longa crista que vou acompanhando à minha direita, acredito que ela corresponda à divisa estadual naquele trecho. Ganhando altura a visão se alarga. Uma bonita fazenda com sua sede ornada de palmeiras preenche o fundo do vale, e mais ao longe vou avistando cada vez mais montanhas para o lado de Gonçalves (oeste).

      Cerca de 2,5 km após o “T”, chego a Fazenda Santo Expedito, onde paro para um primeiro descanso à sombra e para alguns goles d’água. A subida ainda não acabou, mas já foi uma boa parte.

      Seguindo em frente acabo chegando ao topo da subida e na seqüência, sem pausa, começo a descer suavemente. Chego então a novo poste listrado. Novamente passo pela fronteira estadual. Minha curta excursão a Minas se encerra. Mais um pouco e chego ao bairro da Bocaina. Uma igrejinha, uma dúzia de casas e um barzinho, lamentavelmente fechado naquele dia. E é claro 100 metros de calçamento de bloquetes, benfeitoria que qualquer bairro rural sempre aspira. Desanimado pelo bar fechado, que alegria não seria um refrigerante gelado! Sigo em frente.

      Não demora muito, 500 metros depois do fim do calçamento, ou um pouco mais, chego a uma bifurcação, com uma saída à direita e para trás, sinalizada com a placa “Coimbra”. Tomo então rumo ao Coimbra.

      A estrada volta a subir, embora não se forma muito forte. A mata se faz mais densa e as araucárias proliferam. Nesse trecho passo por apenas duas ou três casas. A visão se abre para o norte conforme subo e só o que se avista é morros cobertos de verde.  Após uma última casa, à direita, a estrada nivela e cruzo um riacho. À direita, junto ao riacho, encontro uma trilha e até uma marcação com uma seta. Acredito que o percurso tenha sido usado por alguma corrida. Aparentemente por ali atalharia a caminhada, além de aumentar o percurso por trilha, mas como já era um pouco tarde e não queria perder tempo não explorei a opção. Inclusive acredito que esse riacho é o mesmo que serve de sangradouro ao lago como dito a frente.

       Continuei então pela estrada e chegando ao entroncamento mais à frente, segui pela direita, e para trás, passando por uma porteira. Se Seguisse em frente, chegaria à nova bifurcação em “T”, onde a esquerda desce para Luminosa e a direita para o Paiol Grande, junto ao asfalto São Bento-Campos.

        Segui então subi por curto e escorregadio trecho até, após uma curva, avistar à esquerda da estrada, o lago. Estou então no Alto do Coimbra. O local é bonito e bucólico. O lago é sangrado por um riacho. Tomei a trilha à direita do riacho e segui por ela até que o panorama se abre e pude então ter ampla vista da morraria ao redor, toda ela abaixo de mim. Pude ver pequeno trecho da estrada por onde vim e acredito, aproximadamente o caminho que faria vindo pela trilha desde o riacho. O caminho não seria direto, mas aparentemente um zigue-zague. Por ali sentei para descansar um pouco enquanto contemplava a paisagem.

         Voltando então a estrada, segui em frente, terminando de contornar o lago. Não demora muito e encontro uma trilha saindo pela esquerda, bem marcada. A estrada segue em frente, mas não deve ir muito longe, provavelmente acaba pouco à frente.

        Tomei a trilha à esquerda e seguindo por ela em meio à mata fechada, logo salto um riacho e prossigo ainda subindo. Alguns trechos em canaleta e escorregadios seriam as primeiras dificuldades enfrentadas por que se aventurasse a vir de bike.

         Quando chego ao ponto mais alto da caminhada, passo por uma porteira e começo a descer. A descida é feroz e escorregadia em muitos pontos. A vegetação vai se abrindo em campos e repletos de araucárias. Em maio seria bom lugar para coletar pinhões! Após uma curva, a paisagem se abre à esquerda, dando ampla vista do vale muito abaixo, com São Bento ao fundo e o bairro do Quilombo mais próximo. Prossigo a descida e a trilha acaba desembocando em um final de estrada de acesso a uma finada pousada (não me lembro o nome, mas é alguma coisa do céu). Prossigo descendo fortemente pela estrada, aos zigues-zagues, com vista para o complexo do Baú à frente. Após descer bastante passo por algumas casas à esquerda, mas a descida ainda não acabou. Só acaba bem próximo ao bairro do Quilombo.

        O bairro do Quilombo é até bem grandinho, um bom número de casas antes da pracinha junto à igreja. Logo após templo temos o pavilhão de artesanato “Arte no Quilombo”, o qual aproveito para visitar e gasto algum tempo com um dedo de prosa com a simpática atendente.

         Mas a noite já se aproxima e ainda faltam 2 km, agora infelizmente por asfalto. Sigo então em frente, subindo ao alto do morro, passando pela entrada do sofisticado restaurante “Trincheira”, e após um trecho plano, desço até a bifurcação por onde passamos logo ao início. Tomando à direita, já no perímetro urbano de São Bento, para chegar ao centro da cidade às 18:00, justamente ao apagar dos últimos brilhos do crepúsculo. Foram cerca de 7 horas de caminhada (comecei as 11:00 hs) por uma região que muito me agrada e qual certamente retornarei.

Relato: Travessia Rebouças-Mauá via Rancho Caído

       Já havíamos marcado de fazer a clássica travessia Rebouças-Mauá no ano passado, e depois cancelado devido ao mau tempo, porém nãohavia desistido de fazê-la. Apenas aguardávamos o momento oportuno de caminhar nessa trilha por longo tempo mantida proibida pela direção do parque do Itatiaia.

       Agora iríamos concretizar nosso intento. E assim na última sexta, tomamos o ônibus das 23:30 da Cometa, rumo a Itanhandu, eu, Rodrigo, Amarildo, Gibson e Rafael. Após pormos a conversa em dia, encerramos o colóquio e tentamos dormitar um pouco. Chegamos em Itanhandu por volta das 4:00. Havíamos marcado com o Sr. Amarildo de Itamonte para que nos pegasse na rodoviária de Itanhandu às 5:00. Assim esperamos por ele no frio da madrugada. Às 4:45 eis que a Kombi encosta e rapidamente seguimos nela rumo a Itamonte, onde paramos numa padaria, ainda fechada, até que abrisse para tomarmos o café da manhã. Após o qual seguimos, já com o dia claro, rumo a portaria do parque, aonde chegamos às 7:30.

       O termômetro na portaria marcava 5° C, e isso já com o sol espiando por sobre as montanhas! Preenchemos a ficha, pagamos a taxa e após os últimos ajustes nas mochilas, iniciamos a caminhada pela esburacada estrada até o abrigo Rebouças.

       Chegando ao abrigo, já sob o sol, fizemos ultima parada para tirar os agasalhos, ir ao banheiro e completar os cantis antes de iniciarmos a trilha propriamente dita. Passando ao lado do abrigo e cruzando a represa, pulando sobre as pedras, entramos na trilha que leva ao Agulhas Negras. Após alguns curtos sobes e desces, passamos por uma ponte pênsil, chegamos a uma bifurcação, sinalizada por placa, que indica Agulhas a frente, pedra do Altar e cachoeira do Aiuruoca à esquerda. Tomamos então à esquerda, subindo, e poucos metros à frente, deixamos nova saída à direita, agora sem placa, a qual leva a Asa de Hermes.

        Vamos subindo enquanto observamos o imponente maciço do Agulhas Negras à nossa direita, onde podíamos inclusive, observar inúmeros excursionistas subindo. Quando ganhamos alguma altura pudemos avistar a Asa de Hermes encarapitada sobre maciço logo à esquerda do maciço do Agulhas, separado desse por profunda endentação. A trilha vai voltando em direção quase paralela a da estradinha e acabamos avistando a torre de Furnas que se situa próxima à portaria do parque. Quando a trilha nivela, encontramos uma bifurcação cujo ramo direito leva a pedra do Altar, já avistada daquele lado. Fizemos pequena parada para que o Amarildo passasse uma fita na sua bota que começava a se abrir, dando sinais inequívocos de extenso e exigente uso.

        Prosseguindo a caminhada, a trilha começa a descer e passamos então por baixo da pedra do Altar. Descendo mais entramos então no vale do Aiuruoca e chegando ao fundo, passamos a bordejá-lo pela esquerda. Descortina-se então a nossa frente a visão dos Ovos da Galinha, conjunto de matacões sobranceiros a uma crista rochosa e a direita destes, a Pedra do Sino de Itatiaia cujo nome faz menção a ligeira forma sinuosial da montanha.

        Saltamos um primeiro riacho, um dos formadores do rio Aiuruoca e mais à frente o próprio Aiuruoca, nessa altura, quase em sua nascente, mero riacho que pulamos de um salto. Tomando a trilha do lado oposto, quebramos a esquerda e descendo o rio. Em pouco chegamos ao alto da cachoeira do Aiuruoca. Sendo 12:00, paramos para o almoço. Após o lanche, passando para o outro lado por cima das pedras e tomamos a trilha que, de forma íngreme, desce a base da cachoeira. Sentamos a beira do límpido e, nesse dia frigidíssimo poço, e ao sol que preenchia o azul céu, relaxamos por algum tempo a anos-luz das preocupações do dia-a-dia.

        Enfim ainda faltava chão para o ponto previsto para acampamento, de modo que às 12:50 subimos para o alto da cachoeira. O Rafael resolveu explorar o outro lado, em busca da trilha variante que constitui a travessia Rebouças-Mauá via Serra Negra e a encontrou subindo um pouco a encosta do outro lado por trecho pouco marcado. Enquanto esperamos por ele, outro grupo chegou à cachoeira, grupo que depois chegaria ao Rancho Caído antes de nós, ocupando o melhor local de acampamento.

        Com o retorno do Rafael, prosseguimos a caminhada. Voltando por onde viemos até o ponto de cruzamento do rio, seguimos pela mesma margem, deixando os Ovos da Galinha à direita. A trilha inicialmente segue em nível, para depois começar a subir suavemente. Na seqüência a trilha vai virando para a direita e acaba passando por trás dos Ovos da Galinha, deflete para esquerda e continua a subir rumo a um selado. Passado o selado, a paisagem se abre e temos larga vista, que inclui à direita, os picos Maromba e Marombinha, um pouco à esquerda destes e mais longe, a Pedra Selada. Bem mais à esquerda e ao fundo a crista da Serra do Papagaio com suas inconfundíveis três corcovas. À direita desta e também ao fundo, acredito identificar também a Mitra do Bispo. E é claro, as nossas costas, a face leste do maciço do Agulhas, ladeada pela Asa de Hermes. Abaixo à direita, o vale do alto rio Preto que depois formará a divisa RJ/MG, atravessando as vilas de Maromba, Maringá e Mauá. O lugar seria ótimo lugar para acampamento, com sua esplendida vista, mais ainda era cedo, e pretendíamos avançar mais.

       Seguimos então pela trilha, descendo por um amplo zigue-zague, para depois seguir bordejando por um tempo, antes de voltar a descer até o fundo do vale. Saltamos de pulo o rio preto, que nesse ponto era ainda menor que o Aiuruoca. Paramos um pouco para reabastecer os cantis nas suas frias águas.

       Continuando a caminhada, a trilha começa a subir suavemente, passa por pequeno charco, e ao atingir o alto de um morro ornado de mata, passa por uma clareira que pode servir de ponto de camping. Cruzado o alto, voltamos a descer agora por dentro de bambuzais, primeiro trecho fechado desde o inicio da caminhada. Alguns degraus escorregadios são superados e saímos novamente no aberto, e em mais um pouco estamos no fundo de novo vale, onde dois riachos são cruzados em sucessão. Já avistamos na encosta do outro lado, próximo a algumas araucárias, o local do antigo e desaparecido, Rancho caído.

        Portanto, após o segundo riacho, subimos a encosta e chegando a clareira de acampamento, à esquerda, próximo a alguns matacões. Conforme já dito o local já estava ocupado por outro grupo, o qual já se ocupava em acender seus cigarros “não convencionais” e em se banhar pelados no riacho próximo. Nem cogitamos em ficar por ali em tão espalhafatosa companhia. Seguimos pela trilha, subindo a encosta, passando por pequeno charco e enfim, quando a trilha vira para a esquerda e nivela, encontramos pequena área de acampamento, à direita da trilha. Ainda investigamos se haveria local melhor um pouco à frente, mas o Amarildo confirmou que não. De modo que Ainda pelas 16:00 e pouco, encostamos por ali mesmo. Montamos as barracas, e procuramos subir nas rochas próximas para apreciar o por do sol, o qual aconteceu ainda cedo para nós, como conseqüência das altas cristas ao nosso redor. Os demais se reuniram para cozinhar, mas como tinha optado por levar apenas lanche frio, comi meus sanduíches já dentro da barraca, apenas observado o cozinhar dos demais pela porta entreaberta de minha barraca. Pelas 18:20, o sono me obrigou a me recolher ainda antes que o jantar deles acabasse.

        Acordei no dia seguinte, pouco depois das 6:00, mas fiquei enrolando dentro da barraca. Durante a noite, cheguei a ver o termômetro marcar 2.9 ° C, mas quase não ventou e não tive passei frio. Tomei o café dentro da barraca e, pelas 7:00, todos nos levantamos. Enquanto os demais preparavam seus cafés quentes, subi na encosta à esquerda do acampamento, onde um curioso conjunto de rochas se equilibrava como se postas umas sobre as outras como blocos de brinquedo. Do topo do rochoso voltei a ter a visão da face leste do Agulhas e do lado direito, do pico do Papagaio. Descendo ao acampamento, desarmamos as barracas e guardamos tudo dentro das mochilas. O acampamento estava à altitude de cerca de 2300 metros e vamos ao fim descer a Maringá que está por volta de 1100 metros.

         Reiniciamos a caminha às 8:45. A trilha inicialmente desce, cruza um cinturão de mata, onde corre um riacho, e volta a subir, ainda dentro da mata. Depois continua a subir, agora pelo campo, até atingir uma crista. Dali a visão novamente se alarga. Tanto atrás, do Agulhas, como para frente, dando vista da Pedra Selada, das vilas de Mauá e Maringá e das morraria ao norte delas.

         Começa então a descida conhecida como “mata cavalo”. O nome impressiona mais que a própria trilha que desce até que suavemente, em largos zigue-zagues. No principio pelos campos de altitude, depois a vegetação vai ficando cada vez mais alta, até entrarmos na mata.  Logo que entramos na mata, surge uma bifurcação, mas a esquerda dá acesso apenas a uma área de acampamento. Tomamos então à direita e, em pouco, cruzamos um riacho. Pausa para encher os cantis.

         A trilha prossegue descendo por dentro da mata, e fora um ou outro bambu caído não apresenta qualquer dificuldade. Passamos por outro riacho, saltando de pedra em pedra. Ao chegar a um terceiro riacho, atravessado por estreita pinguela, já estamos chegando ao final da trilha. Em pouco chegamos a uma bifurcação. À esquerda leva a uma pequena queda naquele último riacho. À direita, em mais um pouco, após uma porteira, desemboca no final da estrada do vale das Cruzes. A trilha acabou, agora é seguir pela estrada por mais 3,5 km, serpenteando entre bonitas casas de veraneio, quase sempre descendo, até desembocar pelas 13:30 na estrada que liga Mauá a Maringá.

         Ali nos separamos do Rafael, que tinha pressa em voltar a São Paulo, e por isso seguiu para a direita, rumo a Mauá, esperando tomar um ônibus que se supunha sairia dali à 15:00, rumo a Resende. Na verdade a informação estava desatualizada e ele acabou se safando com uma providencial carona que o trouxe direto a São Paulo. O restante de nós seguiu para a esquerda, rumo a Maringá, aonde chegamos em mais uns 20 e poucos minutos, e logo aboletamos no restaurante “Cozinha Mineira”, onde saboreamos uma truta assada acompanhada de cerveja gelada, sem esquecer a sobremesa e o café para arrematar. Saímos dali pouco antes das 16:45, para nos dirigir ao ponto de ônibus, quase em frente. Ali tomamos o ônibus para Resende. Para nossa infelicidade o mesmo estava cheio e fomos sacolejando em pé até Resende. A única noticia boa nesse fim de jornada é que a descida da serra já está asfaltada, diminuindo um pouco o desconforto da viagem.

          Chegando a rodoviária de Resende, nem esquentamos banco, imediatamente embarcamos no ônibus para São Paulo, que saia as 18:30, chegando ao Tiête por volta das 22:00.

Relato: Trilha das 7 Praias variante Bonete-Fortaleza

       A chamada trilha das sete praias é relativamente curta e bastante conhecida, o que eu não conhecia era a variante que leva diretamente da praia Grande do Bonete a da Fortaleza, sem passar pela do Cedro.

         A caminhada começa no canto esquerdo da praia da Lagoinha, ali salto do ônibus no primeiro ponto após o fim da praia e entro no condomínio que há ali. Tomo a rua à direita, contornando a lateral do condomínio, até chegar à portaria traseira, que dá acesso à praia. Passando pelo portal, tomo a trilha imediatamente à esquerda, margeando a cerca também à esquerda. Logo a trilha se afasta da cerca e avisto a praia da Lagoinha à direita, por algumas brechas na vegetação e do outro lado do rio.

        A seqüência não tem segredo, seguem-se alguns suaves sobes e desces por dentro da sombreada mata. Passo por algumas casas e por duas ou três pequenas praias até que cerca de meia hora depois, desço à praia do Bonete. Primeira praia de tamanho razoável, ocupada por um quiosque que nesse dia, fora de temporada, estava fechado é claro! Paro por ali e tomo um banho nas mansas águas da enseada da Lagoinha.

         Refrescado pelo banho, prossigo pela trilha na outra ponta da praia. A trilha faz a subida mais íngreme até ali, nivela por curtíssimo tempo e vira para a esquerda, começando a descer. Cerca de 10 ou 15 minutos depois, desço as areias da praia grande do Bonete. Essa bem maior, deve ter um quilometro de comprimento. Sigo pelas fofas areias e pela metade dela, paro numa sombra para o lanche, afinal já era quase meio-dia.

         Continuando a caminhada, chego ao canto esquerdo da praia e saltando o estreito riacho, quebro à esquerda e logo encontro uma bifurcação, agora marcada pela placa com a seta amarela dos “Passos dos Jesuítas”. A seta indica a trilha para a praia do Cedro, mas não queria ir por ali, ao invés disso, segui pela esquerda, paralelo ao riacho e passei ao lado de uma casa e logo após por um bar. A partir dali é só seguir em frente, acompanhando os postes de energia. Logo a trilha sobe forte e aos zigue-zagues. Como o trecho é aberto, o sol castiga. Cerca de 120 metros acima, passo por um selado e começo a descer igualmente rápido, já avistando a Fortaleza lá embaixo.

          A trilha desemboca num fim de estradinha por onde desço até uma trifurcação. À extrema direita é o acesso ao hotel Refugio do Corsário. Tomo à esquerda e logo à direita, descendo direto à praia, onde desemboco junto a uma casa com paredes ocre e cerca azul.

         Procurei um bar por ali para tomar algo gelado e resolver o que fazer em seguida, ainda era cedo, de Bonete a Fortaleza por esse caminho não deu mais que 30 minutos.

         Resolvi dar um pulo na praia do Cedro, que esperava estar deserta. Segui para a direita até o fim da praia e chegando ao costão subi nas lajes, logo encontrando a trilha. Ali também não dúvida. Na única bifurcação, tomei a direita e continuei subindo, até passar por uma casa solitária à direita da trilha que marca o ponto mais alto do trecho. A partir daí a descida é constante e mais rápida que a subida.

         A trilha emerge no canto esquerdo da praia, junto a um quiosque que parece ter sido reformado recentemente. Muitas das populares placas de “não jogue lixo” e “proteja a natureza” foram fixadas ao redor, mas o preocupado ambientalista não se preocupou com o monte de telhas quebradas e entulho que deixou no fundo do barraco! Por ali perto um casal acampava com seus cachorros! Desci a areia e procurei um ponto mais distante para dar uma entrada na água, o calor era palpável. O mar ali é mais batido e meu banho foi mais trepidante que o último!

       A praia na verdade é considerada como duas, separadas por uma rocha, uma chamada praia do Cedro e a outra praia Deserta. Para mim isso é preciosismo. Passei a rocha e fui visitar a “outra praia”. Ali havia mais dois casais e, surpresa, outro quiosque! De todas as vezes que passei por ali é a primeira que encontro vivalma. O lugar já está ficando popular demais ou das outras vezes dei sorte. Pensando bem nunca fiz essa caminhada com tempo tão bom!

        Voltei por onde vim e na bifurcação, tomei a direita, o que dá acesso à ponta da Fortaleza. Logo cheguei ao rochoso e segui rumo a ponta. Nos grandes blocos rochosos alguns praticavam escalada enquanto outros pescavam da borda das lajes. Subi num bloco de fácil acesso com vista para a praia da Fortaleza e fiquei admirando a paisagem, marcada ao fundo pela serra do mar onde se destacava o Corcovado de Ubatuba, marcando profundo chanfrado na crista. Belo ponto para se acampar!

         Já passava das 15:30 quando decidi retornar a Fortaleza. Chegando lá tomei uma das últimas saídas da praia, junto a uma igrejinha e segui rumo ao asfalto, antes dando algumas voltas por dentro do bairro.

         Poderia tomar o ônibus para Ubatuba ali, no ponto final, mas resolvi conhecer as próximas praias. Segui então pelo asfalto, subindo. Andei cerca de um quilometro ate encontrar uma trilha à direita descendo a encosta. Desci por ali, passando por trechos cimentados, até chegar a areia. Estava então na pequena praia Brava da Fortaleza. Dei uma volta pela praia e com o sol já baixo, retornei à estrada.

         Seguindo pela estrada, encontrei nova trilha outro quilometro a frente, junto a uma lixeira. Descendo por uma trilha paralela a uma cerca de arame, cheguei à praia da Costa, ainda menor.

          Voltei à estrada e prossegui subindo e depois descendo. Quando começaram a aparecer ruazinhas à direita com nomes de pássaros, percebi que estava próximo a praia Vermelha, também conhecida como praia dos arquitetos, o que explica as diversas monstruosidades construídas nas encostas ao redor! Mas já era tarde demais para visitá-la. Provavelmente qualquer daquelas ruas dê acesso a areia, mas não tenho certeza. Segui pelo asfalto e junto à guarita da guarda a frente, no ponto de ônibus, esperei a volta do ônibus que vi passando indo, o qual não tardou a retornar e me levou rumo ao centro, e ao hotel.

Relato: praia do Felix-do Lúcio-Prumirim

        Desci do ônibus no ponto próximo a portaria do condomínio que cerca a praia do Felix. Passei pelo portal e desci a sinuosa estrada rumo à praia. Chegando a área de estacionamento onde os visitantes deixam seus carros, tomei a curta trilha rumo a praia, a qual rapidamente me levou ao canto direito da praia do Felix. Nesse canto há bastante sombra e os ali se concentram os que querem se proteger do sol.

         Tomei a direção do canto esquerdo, atravessando toda a praia. Não há construções na praia, nenhum quiosque, e a mata preservada a circunda totalmente. Chegando do outro lado, passo por entre algumas rochas e logo encontro uma trilha. Subindo um pouco por ela, logo a trilha nivela e passa por uma erosão. Nesse trecho a trilha precisou ser relocada para um ponto um pouco mais abaixo. O trecho é curto, mas escorregadio e necessita cuidado. Ao fim de uns 10 minutos pela mata, a trilha subitamente emerge numa estradinha de terra. Continuo pela estrada, já avistando uma casa mais à frente, à esquerda. Logo outra trilha sai à direita. Sigo por ali e após discreta subida a trilha quebra para a direita e desce um pouco. Emirjo num costão. Sigo um pouco por ele para a direita e avisto a praia do Felix. No lado oposto, um pouco mais longe, vejo parte da praia de Prumirim. Sigo então nessa direção. O costão faz uma curva para a esquerda, formando uma enseadinha. Ali fica a praia das Conchas ou praia do Lúcio, curta faixa de areia entre rochas dispersas, semeada de conchinhas. Em pouco desço à areia e sento para contemplar o aprazível local.

         Segundo informações, haveria uma trilha dali para Prumirim, que como notei não era longe, aparentemente logo após uma ponta rochosa. Sigo na direção de Prumirim, procurando alguma saída de trilha à esquerda. O costão segue relativamente fácil de transitar. Logo do lado da terra forma-se um paredão rochoso vertical. Claro que ali não havia trilha, mas sigo em frente e começo a subir pelos degraus rochosos que vão se formando, até que o costão à minha frente se torna intransponível. Certamente não era por ali o caminho para Prumirim! Mas o local é bonito e valeu uma foto.

         Voltei pelo costão e pelo rabo de trilha até a casa. Ali perguntei por uma trilha para Prumirim, porém me foi dito que não havia trilha. O conselho foi para subir pela estradinha e chegando ao asfalto seguir por ele. Como não havia outra opção fiz isso mesmo.

         Cheguei ao asfalto junto a uma das onipresentes torres de celular. Tomei o asfalto para a direita e andando 200 ou 300 metros, achei uma saída cimentada à direita. Desci por ela. Na bifurcação logo abaixo, tomei a direita, na direção de um camping. Passei por algumas lonas de circo, debaixo das quais as pessoas poderiam montar suas barracas e depois ao lado de alguns chalés. Chegando ao final da estrada, encontrei uma trilha sinalizada com a placa “praia”. Segui por ela e cheguei a um rio. Tirei as botas e o atravessei com água pelos joelhos, seguindo por sua margem esquerda e em pouco, desemboquei no canto direito da praia de Prumirim, marcada pela foz do dito rio. A primeira coisa que fiz foi procurar algum indício de trilha por ali, e nada! Parece que nunca ouve trilha nenhuma ali, apesar das duas praias estarem tão próximas.

          Já que estava por ali, segui para o canto esquerdo da praia. Aliás, após uma laje rochosa, a continuação da praia tem até outro nome, praia Canto Itaipu. Aproveitei para procurar por ali alguma trilha de acesso à próxima praia, salvo engano chamada praia do Leo, mas não encontrei nada. Voltei então a um dos quiosques para uma bebida gelada enquanto avaliava o que faria em seguida.

          Resolvi voltar à praia do Felix, e o fiz pelo mesmo caminho da vinda. Chegando ao Felix parei numa sombra para o lanche. Terminado este, segui para o canto direito da praia a fim de procurar um possível acesso a prainha do Felix, mas cruzado o riacho que fecha o lado direito da praia, só encontrei cercas e propriedades particulares. Subindo por uma rua diferente da pela qual desci e tomando sempre à esquerda, passei por várias casas, sempre procurando segui na direção sul. Cheguei a uma bifurcação, cujo ramo esquerdo levava a uma casa e a direita parecia bem menos transitado. Segui pela direita, logo passando por uma porteira aberta. Após a porteira, a estrada virava um duplo sulco pelo capim. Sigo por eles, subindo um pouco, descendo ligeiramente e subindo de novo, até passar por umas lajes rochosas e chegar ao alto de um morro, de súbito avisto o mar e uma pequena praia, seguida após uma ponta rochosa, e após esta por uma praia muito maior. A praia grande certamente era Itamambuca, já a pequena, acredito ser a praia Brava de Itamambuca. Pensei que tinha tirado a sorte grande!

        Segui pela agora trilha descendo e numa bifurcação tomei a direita, passando por alguns destroços: um vaso sanitário, uma cadeira enferrujada, alguns vasos de plantas. Parece que por ali já ouve alguma construção, ou se planejava fazê-la, mas o local parece abandonado a tempos. Enfim a trilha desaparece. Consigo ver a praia abaixo e não muito longe, mas entre mim e ela interpõe-se um trecho de mata. Tenho vontade de forçar passagem até lá, mas pelo horário, acho pouco prudente, planejo já estar de volta ao ponto de ônibus às 15:30 e já são quase 15:00. Deixo então a tentativa para uma próxima vez e retorno por onde vim, até uma bifurcação onde vejo a placa “alternativa para Rio-Santos”. Sigo então essas placas até a saída do condomínio. E chego no ponto exatamente às 15:30! Acabo esperando até às 16:00 pela passagem de um ônibus que me levou a Ubatuba e ao ônibus de volta a São Paulo.

       Agora só resta esperar uma próxima chance de alcançar aquela pequena praia deserta, pelo Felix ou por Itamambuca, o que for mais fácil.

Relato: Travessia Camburi-Ubatumirim

Peguei o ônibus Picinguaba Divisa no centro de Ubatuba e segui até seu ponto final, na saída para a praia de Camburi, cerca de 1 km antes da divisa SP/RJ.
Descendo a estradinha parcialmente asfaltada, em uns 10
minutos cheguei a praia. Cercada de casas simples de caiçaras e provida de alguns campings rústicos. A praia é pequena. Segui para a direita e antes de chegar a um riacho, quebrei novamente à direita, me afastando da praia. Na primeira saída à esquerda, segui por ali. Logo passei um riacho por uma pinguela e logo a frente, sinalizada por um placa “praia Brava”, encontrei o ínicio da trilha para a praia Brava do Camburi.
A trilha inicia passando por um fio d’água e logo sobe um pouco, entrando na mata fechada. Sigo pela trilha sem problemas e talvez 20 minutos após vejo a praia Brava à
direita, por uma janela na mata. Logo a trilha começa a descer. Chegando a baixada, perco alguns instantes procurando a continuação da trilha, pois uma árvore sobre a trilha me confunde um pouco, mas o caminho mais fácil é pela extrema esquerda, subindo um pouco a encosta.
Em um minuto saio próximo ao canto esquerdo da praia, selvagem e mais ou menos do mesmo tamanho de Camburi, Sigo então cruzando a praia até seu canto direito. Mais ou menos ao centro da praia, numa reentrância na mata pouco antes de um banco rústico, há uma trilha que sobe a encosta aos zigue- zagues de volta a rodovia. É o acesso mais rápido à praia Brava a partir do asfalto. Chego ao canto direito e após pular um riacho, tomo a trilha larga e limpa que sai dali. Nessa trilha cruzo mais 5 ou 6 riachos, em 2 tenho de tirar as botas para cruza-los. Após os riachos e um discreto sobe e desce, chego a uma cerca e ali a trilha parece se bifurcar. Um ramo segue em frente e o outro segue a cerca para a esquerda. Sigo em frente subindo ligeiramente e passando por uma laje à direita da trilha. Chego então a um pequeno bairro.
Vou subindo e ziguezagueando por entre as casas simples dos moradores locais até que desemboco de volta no asfalto.
Sigo então pelo asfalto para a esquerda. Em poucas centenas de metros, chego ao trevo de acesso a vila de Picinguaba, Sigo em frente e em mais algumas centenas de metros passo pela
sede administrativa do núcleo Picinguaba à direita da estrada.
Dali ainda ando mais 1 km pelo asfalto, passando sobre o rio Picinguaba. Mais a frente, passo por um ponto de ônibus à direita, nomeado Ponta Baixa. Atenção, estou próximo a entrada da trilha “Picadão da Barra” que sai discretamente à esquerda, poucas dezenas de metros depois, sem nenhuma sinalização visível.
Procuro então pela saída da trilha e a encontro. Em pouco metros ela passa rente aos postes de força que correm seguindo a estrada e segue em frente atravessando um samambaial. Se você derivar para a direita antes encontrará uma série de pequenas lagoas cercadas de brejos.
A trilha segue então por 500 metros bem estreita em meio as samambaias. Após isso me aproximo do rio e sigo margeando-o em meio a vegetação arbustiva. Até que a trilha entra na mata de vez.
Cerca de 15 minutos após sair do asfalto, chego ao fim da trilha, junto a margem do rio da Fazenda. Então me dispo e sigo atravessando o rio. Primeiro sigo para a esquerda do pequeno rio que seguia pela trilha antes. E contornada uma ponta de mata de restinga, cruzo o, pelo menos naquele momento, estreito canal do rio da Fazenda. A água só passa um pouco da minha cintura por uns dois passos e depois vai ficando cada vez mais rasa.
Cheguei então ao canto esquerdo da praia da Fazenda. Calço as botas e sigo então cruzando a praia da Fazenda que é mais longa do que parece a princípio. Pelo meio da praia, assunto um grupo de urubus e percebo que a carniça de que eles se alimentam vem da carcaça de dois pinguins! Um já nem tem mais a cabeça, mas o outro, apesar de putrefato ainda está mais ou menos inteiro.
Chego ao canto direito da praia da Fazenda e após alguns goles d’água, procuro a trilha da praia Brava do Almada. É preciso subir umas lajes que pelo menos naquele instante estavam meio escorregadias, mas logo encontro a trilha, pouco mais afastada do mar do que uma bica de bambu. A trilha está, pelo menos no seu início com algumas benfeitorias tais com degraus e um trecho de passarela de madeira. Não há muita dúvida. Sigo pela trilha bem marcada até encontrar uma bifurcação.
Na bifurcação, tomo a esquerda e logo percebo que apenas desce a uma pequena praia entre pedras. Paro por ali para o lanche e algum descanso.
Voltando a trilha principal, sigo em frente e logo encontro nova bifurcação. Ali sei que o caminho segue à esquerda. Em frente a trilha desemboca em uma casa em ruínas.  Sigo então
pela esquerda e suba mais um pouco para logo mais descer novamente.   Voltando a baixada e passando um trecho de vegetação arbustiva onde a trilha estreita bastante, subitamente desemboco na praia Brava do Almada.
Tomo então a direita e cruzo a praia. Passo por uma ou duas casas que não me lembrava existirem. Ao fim da praia, salto um fio d’água e passo subir pela trilha, provida de degraus. Chegando ao alto e cruzando uma estradinha de terra, acesso a algumas casas por ali, desço pela trilha em frente e desemboco no meio da praia do Engenho.
A praia do Engenho já está completamente tomada pelas casas de veraneio. Sigo então para a direita e chegando ao fim da praia, tomo os degraus cimentados que subindo a rocha que compõem o canto direito da praia, logo a cruza e desço então a praia do Almada, de mesmo tamanho e também totalmente ocupada.
Sigo atravessando a praia do Almada e pelo meio dela, saio da praia, cruzo um
estacionamento e chego ao largo ao final da estrada de acesso ao Almada, onde fica o ponto final da ônibus.
Sigo então pela estradinha asfaltada subindo a encosta. Mais acima, sai por um trilha à esquerda que passa por algumas casas e depois volta a estrada mais acima, mas acho que o melhor é seguir direto pelo asfalto, os veranistas donos dessas casas podem não
gostar da intrusão. Quando passei não tinha ninguém, só vi uma mulher que deve ser caseira e não me obstou a passagem.
De qualquer maneira, quando a estrada nivela e até desce um pouco, chego a um quiosque chamado Mirante. Logo abaixo avisto a praia do Estaleiro do Padre. Procuro então por
uma trilha de descida que me disseram haver por ali. Poucas dezenas de metros após o quiosque a encontro.
A trilha é bem marcada e desce aos zigue-zagues bem rapidamente. Em 7 minutos já estou nas areias da praia da Estaleiro. Sigo então pela praia rumo ao seu canto direito, que é formado
pelo rio Ubatumirim que a separa da praia de Ubatumirim.
Chegando ao rio, dispo-me e o atravesso. O rio tem corrente mais ou menos forte, mas
pelo menos naquele momento, a água não chegou nem a minha cintura e a areia do fundo  é compacta, de modo que o atravessei sem problemas. Poderia então ter continuado pela praia de Ubatumirim e chegado a duas praias acessíveis por trilha a partir do seu canto direito: as praias Justa e Surutuba. Mas da última teria de voltar a Ubatumirim e dela ao asfalto.
Como já era um pouco tarde, preferi cruzar o rio de volta ao Estaleiro e dai seguir a um
quiosque um pouco antes onde degustei um cerveja antes de tomando a estradinha voltar ao asfalto. Logo cheguei ao trevo de acesso e sentei-me no ponto de ônibus, mas nem esquentei o banco e já passou um ônibus com o qual regressei a Ubatuba onde cheguei pelas 18:00 dando fim ao dia de caminhada.

Relato: Serra do Três irmãos – Carvalhos/MG

Do topo da serra do Papagaio, olhando para o leste, avistam-se as três elevações que compõem a serra dos Três Irmãos, já no município contíguo de Carvalhos. São conhecidos, de norte a Sul, como Calambau, Muquém e Bandeira.
Neste último feriado, fomos eu e o  Rafael conhece-los. Seguimos em direção a Aiuruoca e passando o trevo da cidade, seguimos por mais 20 Km até o trevo de Carvalhos. Ali entrando à direita, mais 8 km nos levaram até a pequena cidade.
Logo na entrada da cidade, viramos à direita, passando pela pousada Bianca e seguimos em frente, logo saindo da cidade. Na primeira bifurcação depois de entrarmos na estradinha de terra, seguimos para a direita, rumo ao bairro Ponte Alta. O pico do Muquém com seu perfil característico já avulta a frente. Logo passamos pelo bairro com sua igrejinha à esquerda da estrada. Seguimos em frente até chegar a uma bifurcação. Ai paramos o carro, num
espaço à direita da estrada.
Começamos a caminhada seguindo pela estrada da esquerda, deixando uma casa abandonada, à direita da estrada, logo ao início. Passamos uma porteira e pouco antes da segunda, abandonamos a estrada e seguimos para a esquerda por trilha evidente, rumo a um selado mais acima. Chegando ao selado, provido de porteira, abandonamos a trilha e seguimos para a direita, subindo rente a cerca. Ao chegarmos no ponto onde a cerca quebra à direita,
cruzamos a cerca e seguimos para a direita, ganhando altura pela crista e lentamente nos
afastando da cerca.
Quando a vegetação muda de pasto para uma matinha arbustiva, seguimos subindo por uma das trilhas que adentram os arbustos. A cerca que vinha pela direita, quebra  para a esquerda e acabamos atingindo-a. Seguimos beirando a cerca para a esquerda e, pouco a frente, quando a trilha que seguíamos parece acabar, cruzamos a cerca por um ponto
onde o arame inferior já estava arrebentado.
Prosseguimos então pelo selado coberto de florescente capim, cruzando na diagonal até encontrar outra cerca, esta dupla, que vem na diagonal à esquerda. Cruzamos também esta última cerca e seguimos subindo pela crista de pasto logo encontrando uma trilha. Vamos galgando os ombros de pasto até o topo desse morro germinado ao pico do Muquém. No alto a
trilha vira para a esquerda e desce ligeiramente, contornando alguns arbustos e chegando a base do casquete rochoso que forma o topo do Muquém.
Agora resta-nos apenas a escalaminhada final ao topo. O trecho sobe rápido passando por um trecho de laje que assusta um pouco mas no final se revela fácil. Há agarras bastante nas rochas e alguns arbustos onde se agarrar. Passada a laje temos mais poucos metros de trilha íngreme e chegamos ao topo. Plano e coberto de pasto baixo, bom para acampar mais
bastante exposto.
A subida toda levou 2 horas e no caminho não há nenhuma fonte d’ água. Do topo temos visão de 360 graus. A nordeste vemos a cidade de Carvalhos, ao sul, ao longe a Pedra
Selada e, mais perto, a Mitra do Bispo e a serra do Ouro Fala. No extremo sudoeste, o pico do Garrafão. No oeste a serra do Papagaio.
Mais próximo vemos ao sul, o bairro do Muquém e um pouco a sua direita o pico da
Bandeira com seu imponente paredão rochoso. Do lado oposto temos o paredão do Calambau.
A descida foi feita pelo mesmo caminho, mais chegando a porteira no selado, o Rafael quis descer para a direita, saindo numa estradinha que segue até o bairro do Muquém. Eu voltei ao carro e segui rumo a bairro do Muquém onde cheguei e mal tive tempo de tomar um refrigerante no barzinho local antes que o  Rafael chegasse.
O acesso ao Calambau deve ser pela face norte, através de crista de pasto  a partir do bairro de Ponte Alta mesmo, mas não tentamos subi-lo,
O bairro do Muquém é acessível a partir da cidade pelo mesmo caminho que o bairro da Ponte Alta, só que na bifurcação pega-se a esquerda, e chegando ao bairro da Vargem
Alegre, toma-se a direita.
No bairro do Muquém, seguindo em frente rumo a bairro de Três irmãos, passando a direita da igreja local, entramos na segunda bifurcação à esquerda, caminho do bairro Bananeira. Intentávamos subir o pico da Bandeira. A estrada segue pela face oposta do pico. Após uma
subida calçada de pedras, paramos junto a uma cocheira do lado esquerdo da estrada. Mais
acima à esquerda há uma casa. Do lado direito da estrada há um campo lavrado que foi recentemente semeado de milho e daqui a algum tempo será um florescente milharal. Passamos por uma tronqueira e cruzamos em linha reta esse campo. Do lado oposto encontramos outra tronqueira. Cruzando por ela, começamos a subir a crista de pasto para a esquerda. Mais acima aparece uma trilha marcada que segue até um trecho de mata mais acima e a cruza em trecho bem largo.
A trilha sai da mata, vira para a esquerda, nivela e se torna mal marcada. A trilha acaba sumindo mais a frente. O jeito é subir direto pelo campo de samambaias. As samambaias estão
pequenas, mas devem crescer com o tempo e tornar esse trecho bem sujo. Ao meio do trecho pelas samambaias, encontramos um fragmento de trilha que segue escavada para a direita, mas logo some novamente. Voltamos a subir pelas samambaial. Quando chegamos a borda da mata, encontramos uma trilha que segue para a direita.
Tomamos então a trilha e logo passamos por uma tronqueira. Subindo mais um pouco a trilha vira à esquerda e chega à crista. Há uma bifurcação. Em frente a trilha parece descer pelo outro lado. À esquerda a trilha segue subindo pela crista. Entramos então em trecho mais
fechado de samambaial. Perdemos a trilha e temos que abrir um curto trecho até reencontrar a trilha mais a frente. Acabamos caindo um pouco para direita da crista e saindo da vegetação mais cerrada, mas continuamos a subir.
Logo a frente já avistamos o topo piramidal do pico, o trecho final é bem íngreme mas coberto de pasto. Chegando na parte de pasto reencontramos uma trilha que sobe aos zigue-zagues.
Enfim alcançamos o topo do Pico da Bandeira. Levamos cerca de 1:30 hs. No caminho
não encontramos nenhuma fonte d’água. Ele é uns 40 metros mais alto do que o pico do Muquém e do topo temos uma visão 360 graus parecida com a que temos do Muquém. A volta é pouca coisa mais rápida e tivemos algum problema para reencontrar a trilha no trecho de samambaias, o qual merecia uma limpada.
Além dos picos ainda visitamos duas das mais conhecidas cachoeiras locais: a da Estiva e a dos Franceses.
A da Estiva fica no bairro homônimo. No bairro de Vargem Alegre deve-se seguir pela estrada da esquerda e na próxima bifurcação, esquerda novamente. Alguns quilômetros a
frente já se avista a cachoeira, à esquerda das estrada. Na saída à esquerda logo a frente, é só parar o carro antes da porteira e seguir a pé pela trilha chegando-se a base da cachoeira que
escorre por uma larga laje rochosa. Seguindo pela estrada na primeira tronqueira à esquerda podemos descer pela estradinha que cruza o rio por um ponte e vira uma trilha, logo
chegando ao rio. Seguindo-se por dentro da mata ciliar e descendo alguns degraus rochosos chega-se ao topo da cachoeira.
A cachoeira dos Franceses fica no bairro de mesmo nome, na última bifurcação no acesso à
cachoeira da Estiva segue-se pela direita, passando em pouco pelo bairro dos Franceses. Cerca de 200 metros após, numa bifurcação deixamos o carro e seguimos a pé pela estreita estradinha da esquerda. Passamos por sobre o rio e a estrada passa a subir. Avista-se
então a cachoeira por entre a mata.
Mais um pouco já vemos a cachoeira à esquerda da estrada. Por uma trilhazinha descemos as lajes junto a cachoeira. Descendo pelas lajes podemos chegar a outras quedas mais abaixo.
Enfim acho que visitamos as principais atrações de Carvalho, mas devem haver ainda mais coisas a explorar na região, é só questão de pesquisar.

Relato: Serra do Ouro Fala

A serra do Ouro Fala fica no extremo sul do município de Aiuruoca, seguindo mais ou menos na direção oeste-leste até encontrar a serra dos Nogueiras que forma a divisa Alagoa/Aiuruoca em seu canto nordeste/sudeste. Consta de três cumes sucessivamente mais altos. Intentamos chegar pelo menos ao segundo cume para verificar se seria possível caminhando por essa crista, alcançar o pico da Mitra do Bispo que marca o extremo leste da serra dos Nogueiras e cujo acesso pelo sul, já tínhamos palmilhado em outra ocasião. Poderia então ser estabelecida uma curta travessia.
Saindo de Alagoa, seguimos nós quatro: Eu, Rafael, Cristiano e Gibson pela estrada Alagoa-Aiuruoca por cerca de 4 km passando a divisa de Aiuruoca e pouco depois pelo bairro da
Campina. Seguindo por mais um quilômetro, com a estrada se aproximando ao rio Aiuruoca, avistamos a pinguela que o atravessa, à direita da estrada.
Paramos o carro pouco a frente, num trecho mais largo da estrada e iniciamos então a caminhada.
Atravessamos a balouçante pinguela e tomamos a trilha à esquerda. Em pouco chegamos a um quebra corpo e logo após a uma estradinha. Andamos para a esquerda mais uma centena de metros e, antes de chegamos a uma capão de mata, saímos da estrada e seguimos cruzando
o pasto sem trilha no rumo da serra. Desviamos um pouco para a direita e logo encontramos uma passagem na mata a frente. Pulamos uma cerca e seguimos subindo pelo pasto sujo.
Acabamos encontrando uma trilha marcada que corre na diagonal da direita para a esquerda e seguimos então por ela.
A trilha entra num matinha e logo emerge do outro lado. Cruzamos então uma tronqueira e avistamos a frente e abaixo uma trilha larga que leva um curral coberto, mas não descemos até lá, ao invés disso, seguimos subindo rente a cerca para a direita. O sol era forte mas junto a cerca ainda havia alguma sombra. Dessa forma fomos contornando uma grota à nossa esquerda. Quando chegamos num ponto onde estávamos acima da cabeça desta, tomamos uma trilha para a esquerda. A trilha some perto de uma árvore, seguimos ainda mais para a esquerda, sem trilha, e acabamos encontrando nova trilha, bem marcada, que segue bordejando para a esquerda.
Fomos por essa trilha até chegar a um ponto onde há um fio d´água escorrendo por uma laje. A água era pouca, mas acho que até daria para pega- la em caso de necessidade. Então, seguimos por uma trilha que segue subindo de forma íngreme, contornando a mata de onde a
água flui. Chegando a uma cerca transversal mais acima, seguimos pela trilha para a direita, beirando a cerca e sempre subindo.
Quando alcançamos o topo do pasto onde a cerca faz uma curva de 90 graus, saltamos a cerca e entramos na mata, procurando subir e ao mesmo tempo ir para a esquerda.
Tivemos de ir abrindo uma trilha na mata e quase ao final dela em um samambaial.
Quando conseguimos sair das samambaias, emergimos no campo de altitude, com capim alto. Seguimos então ainda mais para esquerda para escapar de um trecho mais sujo e voltamos então a subir direto pelo capim, as vezes encontrando algum trecho de trilha que logo some mais a frente. Subimos direto pra cima por um tempo, caindo depois para a direita, até
alcançar a crista da serra e subindo o resto por ali.
Chegamos então ao topo do primeiro cume da serra e o sol não dava trégua. Decidimos
seguir pela crista, cruzando o curto e raso selado para tentar subir ao próximo cume, chamado pelos locais de Conquista, porém chegando a base da subida final constatamos que o resto da subida seria por mata arbustiva cerrada e por onde a trilha que acompanhávamos seguia. Não
dispúnhamos de facão e nem disposição para a longa bateção de facão que o trecho exigiria.
Resolvemos então encerrar a caminhada por ali e gastamos o tempo contemplando os largos horizontes que se abriam ao nosso redor.
Avistávamos  ao sul a cidade de Alagoa, o pico do chorão que subíramos no dia anterior e mais ao longe o Pico do Garrafão, além da serra do Condado e a pedra do Juquinha. Mais próximos o bairro da Campina e atrás, a pedra da Campina. Do lado Oeste as serra do Paiol e a pedra da Campina. Ao norte toda a serra do Papagaio e mais próximo o bairro do Nogueira. Do lado leste o cume do Conquista aos pés do qual estávamos.
A subida levou cerca de 3 horas, dificultada pelo trecho lento pelo campo de altitude. Após uma hora de contemplação, descemos de volta ao carro em 1 hora e meia. A nebulosidade
crescia, mais ainda estava quente e sobrava tempo para irmos até a cachoeira do Ouro Fala.
Voltando pela estrada na direção de Alagoa, há uma saída à esquerda ( de quem volta ) sinalizada por uma carcomida placa “Cachoeira do Ouro Fala”. Descemos por ali, cruzamos o rio e do outro lado após passar por um sítio, paramos junto a uma porteira verde logo a frente. E só passar pela porteira e descer uns 20 metros até chegar a um descampado, o córrego que um pouco mais a esquerda deságua no rio Aiuruoca cai em pequenas quedas formando pequeno poços onde pode-se banhar. A cachoeira é pequena mais graciosa. Arremate perfeito de uma bela caminhada ao sol.

Relato: Pico do Chorão – Alagoa/MG

O pico do Chorão é visível de qualquer lugar que tenha vista para oeste na pequena cidade mineira de Alagoa. Nosso objetivo era atingir seu cume. Já tinham me dito que o acesso seria um pouco difícil pois parte da trilha de acesso num trecho que atravessava mata de encosta está fechada por falta de uso. Fomos então nos quatro: eu, Rafael, Cristiano e o Gibson munidos de determinação e facão. Saindo da cidade, tomamos a rua que cruza o rio e segue passando pela igrejinha da Nha Chica, saindo da cidade ainda calçada por um trecho e mais a frente segue já em terra. A frente já avistamos o Chorão. Em formato piramidal e por isso também chamado de pirâmide do vale. Na bifurcação, seguimos para a esquerda. O ramo direito dá acesso ao final da travessia Aiuruoca-Alagoa. Paramos o carro junto a uma casa do lado direito da estrada. A estrada acaba uns 200 metros a frente de qualquer forma, mas junto a casa é mais larga e podemos parar sem obstruir a estrada. Seguindo então a pé pela estrada, saímos da principal na primeira porteira à esquerda. De qualquer forma a estrada acaba poucas dezenas de metros a frente em outra casa. Subindo à esquerda, contornamos uma casa logo acima. Anunciados pelos estridentes cachorros, fomos recepcionados pelo morador a quem explicamos que estávamos de passagem para acessar a trilha do pico. Passando então pela lateral da casa, seguimos bordejando e passamos por uma passagem na cerca logo a frente. Pouco a frente entramos numa trilha marcada e seguimos bordejando pelo pasto. Contornamos uma árvore que tombou sobre a trilha e depois por uma tronqueira. Na sequencia passamos por um riacho, por uma porteira aberta e seguimos cruzando entre dois trechos de lavoura. Após cruzarmos mais um pequeno riacho, encontramos uma bifurcação. Seguimos subindo à esquerda. Logo chegamos a nova bifurcação e tomamos à direita ainda subindo. Nova tronqueira é cruzada e seguimos subindo até que a trilha acaba numa árvore caída junto a uma cerca. Ali é preciso pular a cerca. Do outro lado, subimos para a esquerda pelo pasto, sem trilha. Mais acima há um trecho cercado. Neste trecho haviam dois moradores locais arando o terreno com um arado puxado por bois. Paramos e ficamos observando o trabalho dos lavradores que as gritos de “ô,ô,ô, Bordalo, ah,ah,ah Gauchinho, vira, vira cavalão” manejavam as parelhas de bois. Já tínhamos subido um pouco demais, voltamos ligeiramente, seguindo a cerca do terreno lavrado pelo seu lado mais baixo até o canto inferior esquerdo, onde havia uma tronqueira. Passando por ela, tomamos a trilha evidente para a esquerda. Devido ao declive do terreno, essa trilha que pouco sobe realmente vai ganhando altura e acaba chegando ao alto da crista que sobe para o cume. Chegando a crista, abandonamos a trilha, que se fosse seguida levaria em pouco a um riacho, fonte de boa água. Seguindo pela crista semeada de samambaias vamos ganhando altitude, primeiro devagar e depois mais rapidamente. Quando a subida se torna mais íngreme, achamos restos de uma trilha que vai subindo mais agradavelmente aos zigue-zagues. Enfim esbarramos em mata cerrada. Há resto de trilha passando pela mata, inclusive com marcas antigas de facão, mas estava bastante suja. foi preciso usar do facão para auxiliar a passagem. A subida prosseguiu então mais lentamente enquanto nos desvencilhava-nos ou cortava-nos os bambuzinhos e cipos que insistiam em se agarrar a nós. O trecho foi cansativo mais acabamos saindo da mata e alcançando a parte superior do pico, saímos em um campo aberto, mas a subida prossegue. A crista torna-se estreita já dentro da mata e no aberto continuamos, beirando a beirada direita dela, já com ampla visão do arredores e da cidade ao fundo do vale e Mitra do Bispo despontando no horizonte leste. Do lado norte a serra do Charco fecha o horizonte. Ao sul, sudoeste com o tempo limpo daria para observar parte do Itatiaia e da Serra Fina. A crista é mais longa do imaginava e percorremo-a toda, passando por um belo trecho semeado de margaridas até o lado oposto. O extremo oeste da crista cai em um penhasco vertical até a mata fechada lá embaixo. Paramos no ponto mais alto e apreciamos o belo panorama enquanto lanchávamos. A subida toda tomou-nos 3 horas. Após uma hora e pouco no cume, retornamos pelo mesmo caminho em talvez 2 horas e pouco. O trecho pela mata já estava aberto o que facilitou a volta. Se alguém quiser visita-lo recomendo ir logo, antes que a mata feche novamente. Um belo passeio em uma região pouco visitada. Vale a pena conhece-la.