Relato: Pico da Bandeira de Maria da Fé

         O ponto culminante do município sul-mineiro de Maria da Fé é conhecido localmente como pico da Bandeira. Coroado de antenas ele pode ser acessado de carro por estradinha, mas eu estava a pé!

          Do centro da cidade, para quem está em frente à Maria fumaça conservada como monumento junto à antiga estação ferroviária, o pico está na direção oposta a da estação.

           Deixando então a estação do lado esquerdo e seguindo pela avenida que ocupa o antigo leito ferroviário, em uns 10 minutos chegamos a uma bifurcação em “T”, junto às fábricas de batata frita, principal indústria da cidade. Viramos então à direita e em pouco saímos da área urbana. A estrada começa a subir lentamente. Logo passamos pela fazenda Estância, à direita, e a subida se torna mais íngreme. A estrada vira para a esquerda e vai contornando a montanha enquanto sobe.

          Em 2.5 km passamos por uma bifurcação. À esquerda seguiríamos para o bairro Lagoa, mas a rota é pela direita, continuando a subir. Enquanto subimos vamos percebendo que estamos passando para a face oposta da crista. Mais 1 ou 1,5 km depois, próximo a uma casa grande do lado esquerdo da estrada, encontramos, do lado direito, uma entrada provida de rampa cimentada. Seguimos por ali subindo ainda mais forte.

         A subida agora é aos zigue-zagues, alternado trechos de terra com outros cimentados. Até que finalmente avistamos as antenas já próximas. Do lado direito da estrada a vegetação se abre e temos então vista da cidade ao fundo do vale, de Itajubá mais longe e do Marins, ao fundo, do lado esquerdo, bem como da morraria verdejante entre nós e ele.

         Subindo mais um pouco e tomando uma trilha entre as antenas, entro na mata que guarnece o resto da crista e a maior parte das encostas da mesma. A trilha, após um trecho plano que até serviria de ótima área de camping, fica mais fechada e passa a descer rapidamente. Para onde, só posso especular que retorne a estrada mais abaixo, isso se não se perder completamente na mata. Quem sabe?

          Retorno então ao mirante e gasto mais algum tempo admirando o panorama. A caminhada consumiu cerca de uma hora e deve ter aproximadamente 5 km e cerca e 400 metros de desnível ou pouco mais.

          Enfim é hora de descer, só que a planejo descer por outro caminho. À esquerda do mirante, uma trilha desce ferozmente acompanhando no início uma linha de postes de força. Logo a trilha passa a ziguezaguear, reduzindo o forte declive e desviando de trechos obstruídos pela vegetação. A descida é escorregadia e me obriga a ir me agarrando as árvores para não cair.

          Pouco a pouco a declividade diminui e a trilha vai se desviando para a direita. A mata nativa vai sendo substituída por um reflorestamento, por dentre o qual avisto ao fundo do vale, uma casa. Chego então a uma bifurcação. Sigo a esquerda, descendo novamente de maneira forte e tomando um ou dois tombos.

          Enfim a trilha desemboca em outra mais larga que desce suavemente da direita para a esquerda. Para chegar a ela tenho que saltar um último degrau. Passo então a subir para a direita. Na demora a trilha chega a seu ponto mais alto e volta a descer, agora estou indo na direção da cidade, ainda bem! A trilha é interrompida por um cerca, sem porteira. Para evitar ter de passar sob ela, subo pela direita já que ela parece terminar logo acima, mas esse contorno é meio chato, devido ao grande número de cipós entrelaçados. Acabo conseguindo contornar a incômoda cerca e volto a descer a trilha.

          A trilha sai da mata, volta a subir um pouco, e depois volta a descer. Atravesso outra cerca, agora provida de porteira e o caminho vira uma estradinha precária. Nova baixada e curta subida me levam a uma curta crista. Para trás avisto o pico já bem mais acima, só as antenas em meio à encosta de mata. Volto a descer, passo por uma última porteira e em pouco chego às casas da Fazenda Estância. Cruzo com um morador que cumprimento e que não demonstra nenhuma surpresa por me ver por ali. Esse é o verdadeiro espírito mineiro! Sigo em frente e saindo pelo portal da fazenda chego a estrada por onde vim, seguindo de volta a cidade e para minha pousada, um banho e mais tarde um delicioso jantar. Fim de mais uma tarde bem aproveitada em Maria da Fé.

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