Arquivo mensal: dezembro 2013

Relato: Pedra do Bispo – Rio Claro/RJ

 

        A pequena cidade fluminense de Rio Claro, ao largo da estrada Barra Mansa-Angra dos Reis, passa quase despercebida, mas os altos paredões rochosos logo após a sede do município não. Avistamos da estrada duas montanhas, a segunda das quais é a pedra do Bispo. O nome, segundo lendas locais, seria devido a um bispo que teria rezado missa no alto da mesma, mas parece-me que o nome talvez seja melhor explicado pela forma de mitra da montanha.

       Entrando na cidade, numa esquina onde há a “padaria central” do lado esquerdo, entramos à direita e seguimos até que a rua quebra a esquerda, contornando a igreja e a pracinha central. Na próxima esquina viramos à direita. Depois à esquerda já que a frente é contra-mão e, na sequência, tomamos a esquerda e depois à direita. Subimos uma íngreme ladeira e na próxima bifurcação, seguimos em frente descendo. Ao fundo, junto a uma igreja. Viramos à esquerda e cruzamos um riacho. Ai acaba o asfalto. Temos uma subida e então a estradinha de terra passa a bordejar o morro à nossa direita.

       Antes de um riacho cercado de um atoleiro, encontramos uma área mais larga. Ali paramos o carro e iniciamos a caminhada, eu e o Rafael.

       A estradinha começa a subir e logo passamos por uma porteira. Um pouco depois temos uma bifurcação. Seguimos à direita subindo. Após um zigue-zague a estrada fica bem mais erodida e chegamos a novo riacho. Nesse ponto a estrada realmente acaba e reduz-se a uma trilha.

      A trilha dá uma nivelada e segue cruzando pastos e atravessamos uma série de porteiras. Deixamos um curral, à esquerda. Mais a frente a trilha começa a entrar na mata e passamos por um riacho dentro da mata onde podemos reabastecer os cantis. Nesse trecho todo avista-se a pedra a frente, mas nesse dia, as nuvens encobriam nossa visão e só pudemos observa-la na volta.

     Após um trecho de bambus, avistamos uma casa com teto de laje mais abaixo, à direita, encravada na mata. A trilha passa a subir em curtos zigue-zagues por dentro da mata contornando alguns blocos rochosos. Chegamos a uma bifurcação com um quebra corpo no ramo esquerdo. Seguimos para a direita e continuamos a subir.

      Enfim chegamos ao selado entre os dois picos marcado por uma porteira, a sexta desde o início da caminhada. A trilha passa a descer rumo a um vale a frente. Logo encontramos uma tronqueira à esquerda. Entramos por ali e a trilha logo bifurca. O ramos direito segue bordejando a encosta. Tomamos o ramo esquerdo e a trilha some poucos metros a frente. Então temos que continuar a subir pela encosta de pasto, sem trilha, rumo a um selado mais acima.

      Antes de chegar ao topo do morro à frente, passamos a bordejar para a direita rumo ao selado. No selado há um curral triangular com porteira em duas faces. Uma das porteiras, que era sustentada por uma árvore, está caída ao chão junto com a árvore. Passamos por ali e atravessamos a outra porteira na sequência.

     Seguimos subindo um pouco e encontramos uma trilha que segue bordejando para a direita. Tomamos essa trilha e em pouco tempo encontramos os destroços de um cocho coberto caídos ao chão. Ali subimos para a esquerda acompanhando uma cerca e chegando a um alto, viramos para a direita e continuamos a subir pela trilha que, às vezes se apaga mas reaparece a frente. Subimos então a íngreme encosta final de pasto semeado de samambaias e arbustos aos zigue-zagues.

       Enfim avistamos a cruz que marca o topo, a trilha bifurca e tomamos à esquerda, passando um quebra corpo e em pouco estamos no topo.

       Chegamos ao alto com uma nuvem encobrindo a face leste, mas para oeste podíamos avistar os morros quase da mesma altitude da pedra do Bispo que a cercam desse lado e parte do caminho por onde subíramos. Aos poucos as nuvens se dissiparam e pudemos ver o horizonte à leste. Um pouco ao norte destaca-se a cidade de Rio Claro, bem como um bom trecho da estrada Barra Mansa-Angra e do rio Piraí. Outras serras mais distantes também são visíveis. No extremo norte diz-se que daria para ver Volta Redonda, mas não consegui vê-la nesse dia, talvez pela nebulosidade excessiva. Logo ao sul, outro cume, gêmeo do onde estamos e também provido de uma parede fecha a visão. A subida toda tomou-nos 2:30 hs e a volta, pelo mesmo caminho um pouco menos.

         Com sobra de tempo resolvemos subir na pedra de Santa Terezinha, bloco rochoso que se destaca acima do morro a oeste da cidade e na qual diz-se que dá para ver um perfil de uma vela e de uma santa.

         Voltando por onde viemos, numa esquina onde a frente e a direita há uma escola composta de um prédio de vários andares pintado de amarelo, tomamos a esquerda onde antes tínhamos vindo  da direita. Na próxima esquina, paramos o carro e seguimos à pé para a esquerda.

         Num instante passamos uma ponte e na trifurcação à frente tomamos a esquerda. Passamos a subir uma estradinha de terra que em pouco vira uma trilha e chegando ao alto, bifurca. Passamos uma porteira, à esquerda, e descemos rumo ao vale. Cruzamos o riacho e saindo da estradinha, cruzamos um charco quase seco e passamos então a subir encosta de pasto à frente sem trilha.

       Chegando ao alto do morro, seguimos para a direita pela crista, passando por um primeiro grupo de rochas que serve de mirante e descendo um pouco,voltando a subir rumo ao topo da pedra de Santa Terezinha.

       No topo da pedra não avistamos sua face obviamente, mas temos bonita vista da cidade e de seus arredores. O trecho todo levou 40 ou 45 minutos e a vista vale a pena.

Relato: Travessia Conquista-Cachoeirinha

     Uma outra caminhada curta em Itamonte e a travessia Conquista- Cachoeirinha. Não é uma caminhada longa, tampouco sei de alguma possibilidade de alongamento, mas é um passeio agradável que pode servi para ocupar algumas horas livres na região.
          Saindo de Itamonte pela estrada para Alagoa, pouco mais de um quilometro após o fim do perímetro urbano temos uma bifurcação, seguindo em frente vamos para Alagoa. Tomando a direita e seguindo por estrada de terra vamos para o bairro da Conquista.  Na única bifurcação após sair do asfalto, tomo a esquerda ( em frente ). À direita vai para a Conquista de Cima. Quase ao final da estrada, temos uma capela à direita e a seguir o casario do bairro. Paro o carro em frente a capela e a partir daí sigo a pé pela estradinha estreita.
                Um pouco antes de chegar a última casa, onde a estrada acaba de vez, tomo uma trilha do lado direito que começa a subir a encosta. Logo  contorno a casa e sigo bordejando a encosta. A minha direita sigo uma cerca de arame que nunca atravesso. À esquerda, bem abaixo, acompanho o rio. A trilha alterna entre canaletas erodidas e às vezes encharcadas com trechos de pasto onde a trilha se apaga, mas não há dúvida é só manter-se bordejando
a encosta acompanhando a cerca à direita.
                20 ou 25 minutos a frente, entre algumas grande acácias, temos um trilha que desce a encosta, levando até a base da cachoeira da Conquista. O acesso pode ser meio difícil de achar, mas se ultrapassar o ponto vai ouvir claramente o ruido da cachoeira e seguindo um pouco mais acabara chegando ao riacho acima da cachoeira. Chegando então ao rio, saltei-o pelas pedras e ultrapassei uma cerca por uma porteira de madeira. Seguindo em frente passei por outra porteira e quebrando para à esquerda atravessei outra cerca, pulei um riacho menor e segui para a direita por trilha margeando uma cerca.
                  A trilha parece acabar mais acima junto ao mesmo riacho. Segui então para a
esquerda, subindo pelo pasto sem trilha. Mais acima achei outro trecho de trilha e segui subindo, caindo para esquerda, encontrei uma porteira de arame e a atravessei. Após a porteira encontrei trilha mais marcada mas ainda um tanto apagada. Segui por ela subindo lentamente a encosta de pasto. Mais acima, após passar ao lado de um bonito bloco rochoso, a trilha fica bem marcada e a partir daí não há mais dificuldade.
                A trilha entra então num trecho profundamente escavado e depois passa a seguir para a esquerda por trecho sombreado e muito agradável. Após cruzar um riacho e passar um porteira de madeira, a trilha alterna trechos no aberto pelo pasto com trechos sombreado dentro da mata.
                    Por fim a trilha desce um pouco por uma canaleta erodida e passa então por trecho enlameado de onde já escuto o barulho de carro. Avisto uma casa à direita e logo após, a trilha desemboca na altura do km 11 da estrada para Alagoa, bem no bairro da Cachoeirinha. Pouco a frente temos a saída que dá acesso a Bento José e
Jequeri.

Relato: Circuito Colina-Boa Vista

O bairro da Colina em Itamonte fica no sopé da serra da colina. Um curto circuito pode ser feito percorrendo toda crista desta serra, cujo ponto mais alto é conhecido como pico da Boa Vista.
Saindo de Itamonte, na direção da Garganta do Registro, deixo o asfalto 3 km depois, no bairro do Picuzinho. Tomo a saída à esquerda e em pouco o calçamento acaba. Sigo em frente subindo por estrada de terra. Alguns quilômetros a frente, após curta descida, passo pelo bairro de Ilha Grande e continuo a subir. Cerca de 12 km do centro de Itamonte, chego enfim ao bairro. Estaciono junto ao campo de futebol, próximo a um sobrado verde de esquina que funciona como bar.
Comecei a caminhada já um pouco tarde, às 11:50. Sigo pela rua à direita do bar. Logo saio do bairro e passo pelo hotel fazenda Terra de Gosen, à direita. A estradinha tem agora um trecho calçado de bloquetes. Continuo subindo rumo ao selado mais acima,passando por dois sítios à esquerda, o segundo já quase no alto.
A estrada passa então a descer, cruzando um riacho ao fundo do vale. Durante a descida avisto o Picu acima e a frente por entre as nuvens. Sigo até uma saída à esquerda sinalizada pela placa da pousada Abrigo das Águas, tomo então a estradinha agora mais estreita rumo a pousada. Começo então a subir lentamente bordejando o outro lado do vale.
Passo por uma bonita casa à direita e logo após a estrada faz uma curva para a esquerda e chega a uma porteira de arame. Ali abandono a estrada e tomo a trilha à direita. Há na boca da
trilha uma bica que é a última fonte de água de fácil acesso até a descida do pico. Por ali paro para um lanche e alguns goles d’água. Até ai cerca de 1 hora de caminhada.
Sigo então pela trilha que logo entra na mata e continua a subir. Às vezes a mata se abre a esquerda e tenho um vislumbre da serra da Colina, posso então observar que a crista da serra que estava encoberta de nuvens vai, pouco a pouco se abrindo.
Cerca de uma hora após entrar na trilha e após cruzar dois riachos rasos, chego a uma
bifurcação. O ramo direito desce e desemboca na estrada que desce do Brejo da Lapa até o bairro da Vargem Grande, pouco abaixo da pousada dos Lobos. Porém sigo pela esquerda, subindo suavemente e me mantendo na crista da serra. Logo a vegetação se abre a esquerda avisto novamente a serra, agora de outro ângulo.
Dez ou quinze minutos após a bifurcação, chego a nova bifurcação, mais discreta, à direita, a trilha desce direto ao bairro da Vargem Grande. Paro por uns 10 minutos para um descanso e para mastigar algo.
Prossigo em frente pela crista subindo mais um pouco. A próxima saída à direita dá só acesso a um mirante de onde se avista todo o vale da Vargem Grande. Chego a uma bifurcação em T. À direita, a trilha desce para o bairro da Fragária. Sigo pela esquerda. Após mais um trecho pela mata saio no descampado que caracteriza a maioria do resto da crista.
Passo por uma saída à direita que aparentemente segue na direção do bairro de Campo Redondo, mais não tenho certeza. Sigo pela esquerda seguindo a borda esquerda da serra. Vou galgando sucessivos cocurutos. Passo uma porteira de arame e após passar uma última matinha chego ao final da serra: o cume do Boa Vista.
Tenho então ampla visão do vale abaixo com o bairro da Colina ao centro. Do lado esquerdo vejo o Picu, unha rochosa que se destaca da serra homônima. Antes dele o vale por onde subi, inclusive a casa bonita ao fim da estradinha. Atrás da serra do Picu tenho um vislumbre da serra
Fina envolta em nuvens. Do lado oposto vejo os vales a norte. Provavelmente com tempo mais aberto enxergaria o pico do Garrafão. Enfim o tempo se escoava. Tendo chegado ali às 15:45, sai dali às 16:00.
Descendo para a direita, sem trilha, intercepto a trilha mais abaixo, tinha abandonado a trilha mais atrás para alcançar o cume. A trilha desce bordejando  a crista íngreme por um tempo antes de passar a descer mais rápido aos zigue-zagues. Chego a nova bifurcação, o ramo direito segue na direção do Campo Redondo. Sigo descendo pela esquerda e logo chego a outra
bifurcação. A direita desce para o bairro de Jequeri. Sigo pela esquerda novamente. A trilha nivela e vai bordejando por um tempo. Depois vira para a direita e desce por uma crista que separa o vale da Colina do de Jequeri. Enfim a trilha desce para a esquerda. Cruzo uma cerca e sigo descendo.
Avisto uma casa à direita com um deck de madeira mais abaixo. A trilha segue em nível para a esquerda até que desemboca num final de estrada.  Agora a descida segue por estrada, íngreme e constante. Passo por alguns sítios até chegar ao fundo do vale. Cruzo um rio por uma pinguela e num instante desemboco na Colina. O percurso todo levou 5:30 hs de caminhada
forte, O desnível total de cerca de 900 metros.

Relato: travessia Campos do Jordão-Pinhal

    O trajeto era para bike, mas me interessava percorre-lo, principalmente porque há um trecho de trilha no meio, a chamada trilha do zig-zag, que aliás, não é para qualquer ciclista, sendo bastante escorregadia até para descer caminhando.

    Tomei o ônibus para Campos de Jordão e desci na rodoviária, em pleno bairro Jaguaribe, às 9:00. Saindo pela frente, quebrei a esquerda e logo a frente à direita, passando por sobre um riacho e subindo a pequena encosta logo a frente. Sai então na avenida central de Campos, a qual corta toda a cidade, acompanhando os trilhos da ferrovia. Tomei então a direita, rumo a saída da cidade.

    Seguiram-se cerca de 4 km atráves da cidade, atravessando os bairros de Jaguaribe e Abernéssia. Na bifurcação ao final desse trecho, tomei a esquerda, rumo ao portal da cidade. Logo a frernte nova bifurcação, tomei novamente a esquerda,e em mais um pouco chego ao portal da cidade.

    Cruzando o portal, sigo pelo acostamento da rodovia por mais cerca de 1,5 km, em trecho plano. Quando ela começa a descer, encontro uma saída de trerra à direita que imediatamente se bifurca. Sigo pela estradinha da esquerda, que logo começa a descer.

    Após cerca de 1,5 km pela estradinha, encontro uma saída à direita. Ali começa a trilha do zig-zag. A trilha começa larga e relativamente plana, mas logo se estreita e a declividade aumenta. Passo então a andar por uma canaleta enlameada e escorregadia. Várias vezes a trilha se bifurca, apenas para se reencontrar mais a frente. Até que numa bifurcação fico em dúvida, já que cada lado vai na direção oposta. Opto pelo ramo esquerdo que parece descer, enquanto o direito parece que bordeja em nível. Mais a frente saio da mata e começo a ter alguma visão do vale por onde desço.

    Finalmente após cerca de 3 km de trilha escorregadia acabo desembocando numa estradinha. Acabou o trecho mais divertido. A estradinha vai descendo, agora mais suavemente. Um quilometro e pouco abaixo encontro um entroncamento, junto a uma capelinha. Sigo descendo para a esquerda. Mais uns 2 km serpenteando entre alguns sítios e chego a nova bifurcação, junto a outra igrejinha. Neste trecho a estrada está asfaltada. O ramo da direita daria acesso a cachoeira do Lajeado, uma das atração turísticas de Santo Antonio do Pinhal, mas a cachoeira é pequena e cobra-se ingresso para visita-la. Não é meu programa para hoje. Tomo então a esquerda e passo a subir forte. Logo o asfalto some e em mais um pouco atinjo o alto e passo a descer mais suavemente do outro lado.

     Na próxima bifurcação, a rigor, pode-se tomar qualquer dos dois lados. Ambos acabam saindo em Pinhal. Mais vou pela direita. Passo por mais alguns sítios e em um deles sou perseguidos pelos cachorros. Mas logo me livro deles. Na próxima bifurcação tomo a esquerda e a direita poucos metros depois. Uma curta subida se segue e após o alto, íngreme descida sucede-a, onde novo trecho de asfalto aparece. Nessa altura o céu que já vinha se fechando dá os primeiros sinais de que vai mandar chuva de verdade. Com os primeiros pingos saco o guarda-chuva e sigo descendo. Logo chego a uma baixada, passo uma ponte e já no perímetro urbano, chego a uma bifurcação em T. Tomo a direita e em pouco mais estou no centro da cidade. Na próxima esquina, à esquerda, entro na pousada Beira Rio, onde me abrigo justo no momento em que o mundo desaba e a chuva vem com força.

      No total andei cerca de 20 km em percurso. Os primeiros 6 km no asfalto e os demais em trilha e estradinha de terra sem movimento. Passeio agradável e como dito incialmente passível de ser feito de bike, desde se tenha alguma experiência, pois o trecho de trilha é bastante técnico.

Relato: Circuíto São Bento-Luminosa-Baú

        Queria chegar a Luminosa, distrito de Brasópolis, partindo de São Bento. Tinha indo até lá uma vez passando pelo Alto do Coimbra, com um trecho de trilha até o Coimbra e daí descendo por estradinha de terra até Luminosa, mas dessa vez quis fazer um caminho diferente. Não sabia de nenhuma outra opção de trilha então segui por estradinhas mesmo. Na verdade aproveitei um roteiro de Bike do Cavallari.

      Saindo das proximidades da Igreja Matriz, segui para o norte. Logo passei por uma ponte, já na orla da cidade e na bifurcação logo à frente, tomei a esquerda, rumo ao bairro do Cantagalo. Tomando a direita iria para o bairro do Quilombo, de onde acessaria a trilha do Alto do Coimbra mencionada acima. Num instante o asfalto acaba. Daí para frente seria só terra até Luminosa.

       Assim que contornamos um morro, a visão se desimpede à direita e dá para ver a Pedra do Baú, espiando-me do alto, à direita. Quase dois quilômetros após sair da cidade a estrada faz uma curva forte para a esquerda. Saídas à direita apenas acessam fazendas. Mais dois quilômetros e meio e a estradinha parece se bifurcar. Segui pela esquerda, contornando uma capelinha à minha direita. A caminhada continua pelo plano e na extrema esquerda do largo vale que atravessamos vejo, um trecho do asfalto que segue de São Bento para Paraisópolis.

      Mais um quilometro e meio e chego a nova bifurcação, agora em T. Tomo a direita e logo a estrada começa a subir, primeiro suavemente, depois bem íngreme. Pouco mais de um quilometro a frente, passo pela fazenda Santo Expedito, à esquerda, e paro para um curto descanso e alguns goles d’água.

       Retomo a caminhada e a subida prossegue. A visão da baixada se amplia bastante e vejo o vale por onde vim, cercado pelas montanhas por todos os lados. Enfim alcanço o alto, cruzo um selado e passo a descer suavemente. Não demoro muito para alcançar o bairro da Bocaina, com seus 100 metros de calçamento, uma dúzia de casas, uma igrejinha e um barzinho. Paro para tomar uma coca gelada à sombra, já que o céu está absolutamente azul e o sol vem castigando-me desce o inicio da caminhada.

       Prossegui então rumo a bairro do Cantagalo, menos de quilometro a frente, tomo a direita, em frente, e volto a subir um pouco. Passando novo selado, volto a descer suavemente. Quase 17 quilômetros após o inicio, passo pelas primeiras casas do Cantagalo. No entroncamento, tomo a direita, logo vejo a igreja, à esquerda. Os moradores estão enfeitando o espaço a frente da igreja, parece que haverá alguma festividade local. Paro a sombra para mais alguns goles d’água.

       Seguindo em frente, prossigo pelo fundo do vale, passando por mais algumas casas, até que a estrada volta a subir. Mais a subida é curta, logo passo a andar em meio à mata que guarnece as altas encostas da serra divisória e alcanço o alto. Estou cruzando a divisa de municípios (São Bento do Sapucaí/Brasópolis) e também de estados (SP/MG).

      Quando vai começar a descer, avisto uma placa: ”Pedra do Cruzeiro”. Passo então a porteira à direita e subo pelo caminho principal. Logo tomo uma trilha a esquerda, mais estreita, e continuo subindo rente a cerca à esquerda. A trilha nivela e segue em direção a mata. Chegando a mata, a trilha passa a subir aos zigue-zagues. Mais acima uma bica à direita abastece meu cantil. Mais a subida prossegue e quando paro de subir, continuo bordejando a encosta até chegar a uma porteira de madeira. Cruzando-a, avisto o cruzeiro.

      Do Cruzeiro a visão é esplendorosa. Ao fundo do vale o pequeno vilarejo mais parece um presépio, encaixado em meio a uma crista montanhosa em forma de ferradura, que a cerca por três lados. Só esse visual justifica qualquer caminhada. Gasto a próxima meia hora admirando o visual e fazendo um lanche.

      Enfim já é hora de prosseguir. Volto pelo mesmo caminho e em mais meia hora volto a estrada. Desço então os quilômetros finais de sinuosa estrada até Luminosa. A cada curva tendo nova visão da vila, cada vez mais próxima.

      Chegando ao calçamento, sigo para a direita até chegar a hospedaria de dona Ditinha, que serve ao caminho da Fé, mas hospeda também outros caminhantes que passam pelo local. Um bom banho, um cochilo e estou pronto para o jantar caseiro preparado pela dona Ditinha.

        No dia seguinte o programa é retornar a São Bento, mas por um caminho diferente. Seguindo em frente, acompanhando agora o traçado do caminho da fé, após a pracinha, descemos a direita. Vou seguindo as setas azuis. Na próxima bifurcação tomo a direita. A esquerda acabaria saindo em Piranguçu. A estradinha, cada vez mais precária, começa então a subir. Vai ter de galgar novamente a serra divisória MG/SP. Alguns quilômetros à frente passo por um sítio à direita, que também serve de hospedaria do caminho da fé.

       A subida torna-se íngreme e a estrada piora, acho que não é qualquer carro que passa por ali. A cada curva tenho nova visão de Luminosa, agora cada vez menor. Quando o caminho nivela, ignoro uma saída à esquerda que sobe forte e sigo em nível pelo valezinho, contornando um sítio à frente e depois retomando a subida forte. Tenho então a ultima vista de Luminosa antes de entrar de vez na mata. A partir daí a estradinha nivela e sigo aos curtos sobes e desces entre reflorestamento de um lado e mata aparentemente nativa do outro. Quando a visão se desimpede do lado esquerdo posso ver o grande trecho de morros florestados que a região ainda abriga.

       Até que subitamente desemboco no asfalto da estrada entre São Bento e Campos do Jordão. Se seguisse para a direita voltaria a São Bento pelo asfalto o que não me interessava. Tomei então a esquerda, na direção de Campos, e segui por alguns quilômetros de curtos sobes e desces até chegar a entrada do Bauzinho, usada também para acessar o Baú por que vem de Campos.

        Segui então por mais alguns quilômetros de terra, cruzando com alguns carros de turistas que iam ao Bauzinho. Na baixada final antes do fim da estrada, parei num barzinho para um refrigerante. Até ali a estradinha praticamente só descia. Na seqüência havia uma subida, que afinal nem é tão longa, e chego ao estacionamento no final da estrada, repleto de carros.

        Tomei então a trilha do Bauzinho que em 5 minutos me leva ao próprio. A maioria da turistada já fica neste trecho, mas sigo pela fina crista rochosa até sua ponta, onde paro para admirar o conjunto. Mas o tempo vai passando e ainda pretendo subir o Baú. Volto então pela trilha até a bifurcação logo em seu inicio, à esquerda de quem vem.Ali sigo pela trilha que margeia a face sul do Baú.

        Em meia hora chego até o entroncamento com a trilha que leva a escada sul. Tomo a direita e em pouco chego à escada. Pronto, é só subir os sucessivos lances de escada para chegar ao topo do Baú. Na subida tenho de me pendurar para o lado em um dos lances para dar passagem a um sujeito e sua namorada que resolvem começar a descer mesmo estando eu em meio à subida. A educação passou longe.

         Chegando ao topo me dirijo a borda que dá para o Bauzinho e me sento para um lanche, já era hora! Passo por ali uma meia hora até resolver que já era hora de descer. Na descida, por sorte, não esbarro com nenhum outro pángua. Chegando a base da escada, sigo pela trilha rumo a Ana Chata. Na bifurcação à frente, tomo a esquerda. A direita leva diretamente ao inicio da trilha junto ao estacionamento dos carros, poderia até descer por ali e depois tomar outra trilha rumo ao fundo do vale, por onde já subi em outra ocasião( relato Circuito Cachoeira dos Amores-Baú ), mas resolvi tomar a trilha que contorna pelo norte a Ana Chata. A trilha por onde sigo entronca em outra que vem da principal e sigo para a esquerda novamente. Subo um pouco e logo passo rente à base da Ana Chata. Chego a saída que leva a “gruta”, acesso ao topo da Ana Chata. Pelo avançado da hora resolvo não subir a Ana Chata e sigo em frente. A trilha desce aos degraus, passa uma porteira e segue pela crista.

      No ponto onde a crista de pasto de afila ao máximo e começa a subir, salto a cerca que venho seguindo a direita e encontrando uma trilha pouco marcada pelo pasto. Vou descendo rumo a uma cerca à esquerda que desce seguindo uma linha de araucárias. Chegando a cerca vou descendo pela trilha evidente embora saturada de folhas de araucárias.

     Quando a descida forte acaba, deixo um caixa d’água enterrada a direita e sigo para a esquerda, passando por um curralzinho e pulando nova cerca. Aqui é o ponto onde poderia seguir pela serra do Baú, conforme o relato correspondente, mas pelo horário resolvi tomar o caminho mais curto que era seguir em frente, caindo numa estradinha, a qual segui para a esquerda, descendo, e logo passando por uma porteira. A descida prossegue e mais à frente passo por uma casa à esquerda e por nova porteira. Chego então a nova bifurcação, em T. Sigo para esquerda, em nível, passo por uma casa a esquerda, e após nova descida tenho nova alternativa.

      Em frente pela estradinha, cada vez mais precária, entraria em uma crista e voltaria pelo caminho que descrevi como caminho de vinda no relato Mirante do Cruzeiro-Baú, mas optei pelo caminho mais fácil, que usei na volta no mesmo relato. Passei a cerca à direita ao final da descida, e desci por trilha evidente até nova cerca, dai passei por nova porteira à direita e desci nessa direção. Logo cruzo outra porteira e desemboco em uma estradinha por onde desço até chegar no asfalto, na altura do km 4. Dali para frente é só seguir pelos 4 quilômetros finais de asfalto até o centro de São Bento completando o circuito. Chego a São Bento às 17:00 e ainda tenho tempo para tomar um sorvete na sorveteria na esquina da rua principal antes de iniciar o retorno a São Paulo.

 

Relato:trilha das praias desertas – Ubatuba

       As primeiras praias de Ubatuba para quem vem de Caraguá são: Galhetas, Figueira, Ponta Aguda, Mansa e Lagoa. Deixando de lado a pequena praia de Galhetas que não outro acesso fora a própria estradinha das Galhetas, as demais são interligadas por trilhas formando uma caminhada para um dia ou ainda podendo ser acoplada a trilha do Saco das Bananas, alongando a mesma.

       Saltando do ônibus na estrada junto à divisa municipal Caraguá/Ubatuba, marcada por um portal sobre a Rio-Santos, tomei a estrada à direita, ao lado de um supermercado. Se tivesse vindo de carro provavelmente teria deixado o carro por ali mesmo.

        Cerca de 50 metros de suave subida depois, a estrada quebra para a direita. Sigo por ela então por cerca de 1,5 a 2 km planos, passando por casas veraneio e até por um camping, até chegar a uma bifurcação, onde o ramo esquerdo, de terra, sobe fortemente. Abandono então o asfalto e encaro a subida íngreme. Fora uma casa de recente construção, a estrada é cercada pela mata nativa e nessa hora matinal, imersa na sombra, ainda bem porque o céu está azul e o sol forte. Passado o alto, a estrada passa a descer. Não demora muito e esbarro em larga trilha saindo em ângulo à direita. Esse é o acesso à praia da Figueira.

        Tomo então a trilha que desce rapidamente e é bastante escorregadia. Quando avisto uma casa à direta e outra à esquerda, mais ao longe, o caminho nivela e sigo em frente, pulando um riachinho. A trilha se junta a uma estradinha mais larga que vem da esquerda, mas continuo em frente e em instantes desemboco na praia da Figueira, junto a um quiosque que, certamente na temporada deve vender bebidas aos freqüentadores, mas que nesse dia de inverno está fechado.

        Aproveito para ir pela areia até o canto direito e avanço um pouco pelo costão até o ponto em que ele se torna intransponível. Sento então numa rocha para descansar um pouco e contemplar a paisagem. Por ali não chegarei a lugar nenhum, mas a continuação da caminhada é pelo outro canto da praia.

        Seguindo então para o canto esquerdo da praia, depois de saltar o riacho e andar um pouco sobre as lajes rochosas encontro a trilha para a próxima praia. A entrada está um pouco mal marcada, mas uma vez que começo a subir a trilha fica melhor. Passo por um ou dois trechos meio tomados pelas samambaias e a trilha volta a ser limpa. Atinjo um alto de onde tenho bela vista da enseada de Tabatinga, ilha do Tamanduá e mais ao longe de Ilhabela e além. Encontro então uma bifurcação. Um ramo sobe direto e deve chegar à estradinha. Sigo em frente e logo volto a descer, desembocando na praia da Ponta Aguda.

        A saída da trilha fica bem entre as lajes rochosas que guarnecem o lado direito da praia, de modo que quem vem da praia é um pouco difícil encontrar a boca da trilha. Atravesso então a praia da Ponta Aguda que não é exatamente deserta, contando com alguns quiosques e um camping improvisado onde despontam algumas barracas. Assim se a praia não é exatamente deserta ao menos rústica é.

         Passo pela estradinha de acesso e logo depois por um riacho, largo demais para um salto e com pelo menos um palmo de fundura, de modo que ao passar com um pé dentro d’água quase me entra pelo cano da bota. Seguindo até o canto esquerdo da praia tenho um pouco de dificuldade de encontrar a boca da trilha que de novo sobe a partir de uma laje rochosa sem nenhuma marca mais evidente.

         A trilha sobe por dentro da mata e logo nivela, passando a bordejar a encosta, quase sempre formando um penhasco à direita. É preciso cuidado, um tombo levaria a uma boa queda. Em 10 minutos a trilha volta a descer e desemboca na praia Mansa.

        A praia Mansa é pequena e a primeira verdadeiramente deserta, sem nenhuma construção e sem ninguém naquele momento. Sigo então para o canto esquerdo dela, onde sento numa rocha à sombra para o lanche, já era meio-dia!

       Depois de 20 minutos de parada, quando já pensava em retomar a caminhada, a chegada de uma lancha à praia me incita a prosseguir já que o sossego e a solidão iam acabar mesmo.

       Procurei pela trilha e logo a encontrei, larga e marcada. Segui por ela então e a prometida subida logo foi seguida por um trecho em nível, se afastando do litoral por dentre a mata nativa. Acabei chegando a uma bifurcação em T. A lógica me dizia que deveria seguir pela esquerda, mas a curiosidade me mandou seguir pela direita para ver onde daria. Logo percebi que o mar estava a minha esquerda, pois podia ouvi-lo e quase vê-lo por detrás da cortina de mata. Claramente iria voltar à costa provavelmente em algum mirante. A trilha bateu então em um pequeno lago em meio à mata. Contornando-o pela esquerda, reencontrando a trilha do outro lado. Mais um pouco e passei por uma laje à direita de onde pude ver o mar, mas segui pela trilha e após curta descida com direito a um ou dois pontos escorregadios, desemboquei em um costão de largas lajes rochosas. Em um ponto mais alto um cruzeiro cimentado à rocha se destacava. Caminhei pelas lajes e aprecie o panorama. Talvez o local sirva a pesca ou apenas de mirante, mas certamente a vista é bonita. De qualquer forma meu destino era a praia da Lagoa. Voltei então a bifurcação e tomei o outro ramo.

        A trilha dá algumas voltas pela mata e por alguns momentos parece estar se afastando da costa, mas acaba voltando lentamente a bordejar rente à costa, Começo a ouvir o mar novamente e logo avisto as areias da praia da Lagoa. A descida final é bastante íngreme.

        Enfim chego à praia da Lagoa, cujo nome é devido à lagoa junto ao canto esquerdo da mesma, mas daqui do canto direito, não dá para vê-la e sequer adivinha-la. Sigo então pelas fofas areias rumo ao canto oposto onde já avisto dois barcos ancorados e alguns turistas na areia. Chegando a lagoa me abrigo numa sombra e me sento para um descanso.

         Cheguei ao extremo de meu passeio, resta agora voltar. Retorno pela areia até próximo ao canto direito, onde encontro uma trilha que adentra pelo capinzal rumo ao interior. Tomo-a e logo entro na mata, passando por alguns trechos enlameados. Não demora e chego a uma estradinha de terra.

         Tomando a estrada para a direita, em pouco contornaríamos uma porteira e poucos metros além, encontramos uma saída à esquerda, inicialmente pouco marcada, mas que logo cruza um riacho e quebra para a direita. É a trilha do Saco das Bananas, por onde cerca de uma hora depois chegaríamos à praia Brava do Frade, e na seqüência passaríamos pelas praias do Saco das Bananas, Raposa, Cassandoquinha, terminando na praia da Cassandoca. Mas não era esse o programa do dia, nem haveria tempo para terminá-lo ainda com luz do dia.

        De modo que chegando a estrada, tomei-a para a esquerda. A estrada após curta subida desce e chega a uma bifurcação junto a pousada Taoland. A esquerda dá acesso para carros a praia da Ponta Aguda. Sigo pela direita e volto a subir. Chego então a um ponto onde a vista se desimpede a esquerda e tenho nova vista do mar à leste e sul. Sigo em frente e a estrada volta a subir. Passo então pela trilha de acesso a praia da Figueira e o resto do caminho não têm novidade, sendo o mesmo da vinda.

          Enfim chego a Rio-Santos e paro para comprar um refrigerante gelado no mercado antes de seguir para o ponto de ônibus logo em frente, onde nem chego a esquentar o banco porque logo passa um ônibus rumo a Ubatuba onde pretendo passar a noite. E é o fim de um dia de sol e praias quase desertas!

Relato:trilha da Praia de Fora

      A trilha da praia de Fora (ou trilha da Ponta da Espia) inicia-se na praia da Enseada e dá acesso a duas prainhas selvagens: praia de Fora e praia de Xandra. Antigamente era possível prosseguir após essa última, e passando por um condomínio, chegar à praia de Toninhas, porém benfeitorias recentes nesse condomínio impedem a passagem e converteram o que era uma travessia numa trilha de bate e volta.

       A caminhada começa na praia da Enseada, na verdade sai do asfalto na altura de Perequê Mirim, pouco antes, e segui pela primeira travessa que encontrei rumo à praia homônima, que não conhecia, apenas para remediar meu desconhecimento. A praia é pequena e hospeda uma marina. Segui então para a esquerda, passei por uma pequena ponte sobre um riacho, e tomei a rua que sai do extremo esquerdo da praia. Rapidamente ela contorna um morro e desemboca no canto direito da praia da Enseada, maior e bem mais freqüentada. Atravessei então todo a praia até seu canto esquerdo, passando por alguns barzinhos e recebendo os tradicionais olhares esgazeados que uma pessoa totalmente vestida e calçada de botas desperta na população de banhistas.

      Chegando ao canto esquerdo, tomei a estradinha que dali sai e vai margeando a encosta a esquerda. Passo por algumas casas e a estrada vira uma trilha. Em pouco tempo a trilha desce até a areia e passo por um trecho estreito de areia bem rente ao mar. Logo a trilha se afasta do mar e passo por uma porteira, atravessando duas ou três propriedades. A passagem parece ser franca e apenas cumprimentei os moradores enquanto passava.

       A trilha vai seguindo pela mata, subindo lentamente, e apenas cruzando um ou outro riacho onde a funda grota formada pelo curso d’água às vezes obriga a um curto salto. Não demora muito e chego ao ponto mais alto da caminhada, a partir daí a trilha começa a descer e se torna mais úmida e escorregadia. Encontro então uma bifurcação. Tomo a direita e a descida se torna ainda mais íngreme e escorregadia. Um ou outro galho caído obriga-me a abaixar para ultrapassá-lo. Sem grandes dificuldades chego a um ponto onde uma corda foi posta para facilitar a descida da última canaleta enlameada que leva direto a praia de Fora. Com cuidado desço me segurando a corda, mas o trecho que parecia difícil revela-se surpreendentemente tranqüilo.

       Enfim alcanço as areias da pequena praia de Fora. Salto um riacho e ando os poucos metros de praia até uma sombra sob um das poucas arvores. No mar alguns poucos surfistas aproveitam esse recanto escondido. Após um descanso à sombra, resolvo subi nas lajes à direita da praia. Percebo que é possível seguir pelo costão e avanço por ele rumo a ponta da Espia, ainda mais à direita. A frente avista-se a ilha Anchieta cuja ponta norte quase toca a ponta da Espia formando um estreito canal. Mas após avançar um pouco pelo costão chego a um trecho que considero arriscado e paro por ali, voltando à praia. No entanto o passeio foi interessante e o panorama que tive do costão é bastante bonito.

        Da praia, volto pela trilha de vinda até a bifurcação e daí tomo o ramo esquerdo. A trilha segue pela mata, sem subir nem descer muito, até que a mata de abre e a trilha passa a descer pelo aberto com bonita visão da praia abaixo, do costão adiante dela e da encosta verdejante acima deles, em meio a qual despontam algumas casas. A trilha volta a entrar na mata, sempre descendo e logo caio na areia da praia de Xandra. Um pouco maior que a outra, com areia mais fofa e totalmente deserta. Seguindo pela areia, encontro um riacho muito largo para saltar e tenho de subi-lo alguns metros até achar um ponto onde grandes rochas permitem saltá-lo comodamente.

       Seguindo pela areia, antes de chegar a um grupo de grandes blocos rochosos que ocupam o canto esquerdo da praia, tomo uma trilha que sobe rapidamente, mas logo nivela e segue bordejando a encosta. Não demora e a trilha parece se apagar. Desço um degrau rochoso e encontro o que parece a continuação, larga avenida entre bananeiras. Chegando a uma cerca, junto a qual uma enferrujada placa indica propriedade de fulano de tal. Ali a trilha parece se bifurcar. Um ramo desce, mas acaba em um trecho de costão. Até tentei avançar pelo costão de blocos rochosos, mas o nível crescente de dificuldade me dissuadiu de prosseguir. Voltei e tomei o ramo subindo. Após subir um pouco a trilha volta a nivelar e segue bordejando, aparentemente na direção pretendida, apenas para mais a frente esbarrar numa cerca cerrada, onde uma placa informa “trilha fechada, volte por onde veio”.

       Claro que não seria dissuadido por tão pouco, com dificuldade a contornei, saindo da trilha, desci a íngreme encosta escorregadia, subindo de volta a trilha logo após a cerca. Pensei ter burlado a proibição. Ledo engano! Avançando pela trilha agora visivelmente tomada pelo mato, logo cheguei a nova cerca, esta agora intransponível! Atrás da cerca temos já uma rua asfaltada do tal condomínio. Em 2004 quando andei pela primeira vez por ali, estas cercas não existiam e passava-se livremente para a rua, seguindo por ela até a praia de Toninhas. Pelo visto os abonados donos dos casebres desse condomínio, que certamente devem visitar bissextamente o local, acharam necessário cercar melhor suas propriedades, acabando de vez com a curta travessia que existia por ali entre as praias da Enseada e Toninhas! Paciência, o jeito era voltar por onde viera, o que me tomou pouco mais de uma hora. Dessa maneira se visitar o local não perca tempo prosseguindo após a praia de Xandra. Curta a praia e volte daí, pois adiante não vai encontrar mais nada de interesse, a menos que querendo emular São Tomé queira conferir as cercas fechando a passagem.

Relato: Praia das Sete Fontes

         Outra opção de trilha curta em Ubatuba é a trilha das Sete Fontes. O ínício é no Saco da Ribeira. Saindo da Rio-Santos junto ao acesso as marinas, e só seguir pela rua que serpenteia por entre as marinas. Logo o asfalto acaba e sigo por estreita estradinha de terra. Após uma leve subida e descida, chegamos a uma saída à esquerda, sinalizada por placa. A estrada se reduz a uma passagem entre muros que logo desce a praia do Saco da Ribeira.
         A orla da praia é quase toda ocupada por casas de veraneio e há um ou outro barco ancorado logo em frente. Sigo pela areia atravessando toda a praia. No extremo oposto encontro uma trilha que sobe íngreme, mas logo nivela, e segue por entre a mata.
         A trilha segue agradavelmente plana e sombreada por algum tempo, quando a mata a esquerda se abre, temos bela visão da costa a frente, quase como uma versão reduzida da Joatinga. Pouco depois a trilha passa a descer, agora por degraus cimentado e aos zigue-zagues, até desembocar nas areias da praia do Flamengo, mais uma praia sossegada e repleta de casas de veraneios.
         Prossigo pela areia, mas pouco após o meio da praia, junto a um placa “Não jogue lixo, preserve a natureza” ou coisa que o valha, tomo um caminho entre duas cercas, me afastando da praia. Como previ, a trilha sobe rumo a um selado, vísivel antes da descida a praia do Flamengo. Logo a trilha começa a subir rapidamente, passando primeiro por degraus cimentados e depois em trilha, intercalada de algusn degraus rochosos.
        Chegando ao alto do selado imediatamente a trilha desce, passando por alguns trechos escorregadios para logo chegar a baixada. Prosseguindo por entre algumas casas, enfim desemboco na areia da praia das Sete Fontes, junto ao barzinho Stoatoa. Da Rio-Santos até a areia da praia gastei 1:10 hs. Sem pressa. Dei uma volta pela praia e procurei alguma trilha que seguisse até a praia da Sununga, que seria a mais próxima à oeste, mas em vão. Perguntei aos locais e me foi dito não haver conexão com a Sununga. De modo que após 1 hora por ali,um lanche e um refrigerante gelado, iniciei o retorno pelo mesmo caminho da vinda,o qual levou cerca de uma hora.  

Relato: cachoeiras de Ubatumirim

       Essa caminhada é para os que chegam a Ubatuba sem carro, com carro a disposição é possível acessar essas cachoeiras mais diretamente, mas o percurso seria ligeiramente diferente.

       De qualquer forma o ponto de partida é a estrada para o sertão de Ubatumirim, cerca de 1,5 km depois da entrada da praia de Ubatumirim para quem vem de Ubatuba. Uma outra referência é um mercado à direita da pista, junto aos restos de um posto de gasolina desativado.

        Saltei do ônibus no ponto mencionado, e tomei então a estradinha asfaltada, à esquerda, seguindo por ela por cerca 1,5 km até uma bifurcação junto a um ponto de ônibus. Ali tomei a esquerda e logo em seguida cruzei por uma ponte pênsil o rio, que corria paralelo a estrada. Do outro lado do rio, tomei a trilha a direita, bem marcada e sombreada, prosseguindo por um trecho muito agradável. Numa bifurcação poucas centenas de metros a frente segui pela esquerda. Logo me aproximei de algumas casas na encosta a frente, e fui detectado pelos cachorros delas que começaram a latir. Quebrei a direita e segui perpendicularmente a direção de onde vinha até encontrar uma estradinha mais larga, seguindo por ela. As casas ficaram para trás, e daí a pouco passei por uma ponte sobre talvez o mesmo rio de antes. Cheguei à nova casa e tomei então à esquerda e seguindo pela estreita estradinha.

          Um curto sobe e desce e, um quilometro a frente, cruzo um riacho de um salto no ponto mais estreito que encontrei. Prossigo pela estrada passando por umas duas casas à direita e depois por uma área gramada à esquerda, onde uma placa parece indicar que o local é usado eventualmente para camping. Mais um pouco e uma bifurcação leva a uma nova casa a direita. Passando pela esquerda da casa, que no momento estava deserta, encontro uma trilha e sigo por ela, entrando na mata. Percebo que um riacho corre paralelo a trilha, à direita e abaixo.

           Ao fim de 300 metros de trilha, chego à cachoeira do Tombador de baixo. Salto pelas pedras e chego à laje bem no meio do rio de onde tenho vista frontal da queda. Paro por ali por um tempo, curtindo o local e aproveitando para tomar uns goles d’água.

           Retomando a caminhada, salto de volta a “terra firme” e voltando muito pouco pela trilha encontro a bifurcação que não tinha visto na vinda. Subindo por ela chego à outra queda chamada Tombador de Cima. Mais uma pausa para fotos. Encontro outra trilha à esquerda e sigo por ela. Logo encontro outra bifurcação e sigo por ela subindo, na perspectiva e achar ainda outra queda, mas ledo engano, a trilha sobe paralela ao riacho e vai se afastando dele. Depois de 10 minutos não achei o fim da trilha, que continua subindo rumo à encosta da serra. Onde será que dá? Coisa a ser explorada em outra oportunidade. Voltei então pela trilha e seguindo pelo ramo oposto ao por onde tinha vindo sai de volta diretamente na estrada, sem passar pela casa!

          Voltei então pela estradinha até a casa junto ao rio quase 2 km atrás. Dali tomei a esquerda e segui pela estrada, ignorando a primeira saída à direita, depois ignorando a saída à esquerda e para trás até chegar a uma bifurcação, junto a uma porteira à esquerda. Ali tomei à esquerda e para trás.

          E tome um quilometro e pouco de subida, passando por uma casa simples à esquerda e depois por duas bonitas casas, próximas, uma de cada lado da estrada. Chegando num alto logo depois, encontro a trilha de acesso a cachoeira da Laje, do lado direito e marcada por uma placa. Ali é só descer por trilha íngreme e escorregadia até chegar ao rio e depois subi-lo pela laje escorregadia até a cachoeira da Laje, pequena e graciosa, logo acima. Por ali sentei para um lanche e descanso.

         A volta foi por onde vim até a bifurcação junto à porteira, ali tomei a esquerda e 400 metros após passei por um barzinho e desemboquei no final da estradinha asfaltada, seguindo por ela.

         Cerca de 1,5 km depois, cruzei com o ônibus de Ubatumirim. Segui por mais algumas centenas de metros e cheguei ao ponto onde sai da estrada na vinda. Sentei ali e esperei pela volta do ônibus que em 10 minutos voltou vazio. Tomei-o e voltei a Ubatuba dando fim ao passeio.

          O passeio originalmente era um roteiro de bike podendo portanto, ser prazerosamente feito dessa forma.

          Se estiver de carro e quiser dispensar grandes caminhadas sugiro o seguinte: Siga pela estrada de asfalto até o barzinho, ali pegue a esquerda agora na terra. Chegando na bifurcação da porteira é só escolher, a esquerda dá acesso à cachoeira do Tombador, a direita, à cachoeira da Laje. A estrada da Laje está em muito bom estado, a do Tombador tem alguns trechos de lama, talvez seja melhor parar o carro junto à primeira casa.

Relato: Cachoeira da Água Branca – Ubatuba

     Seguindo pela Rio-Santos, alguns quilômetros após o portal de Ubatuba, tomamos a saída à esquerda sinalizada Sertão da Quina, poucos metros antes da saída a direita que dá acesso à praia da Cassandoca. Se você chegar a ponte sobre o rio Maranduba já passou do ponto.

       Continuando pela estradinha asfaltada, após um trecho de povoação esparsa chegamos ao centrinho do bairro e ai é preciso tomar a esquerda numa saída sinalizada pela placa “pousada das cachoeiras”, porém a placa esta afixada na direção de quem vem no sentido oposto e por isso quase passamos por ela sem ver. Tomando então à esquerda logo o asfalto acaba e começa a terra. Mais um pouco avistamos uma bica numa entrada à direita da estrada, parei o carro por ali mesmo e seguimos a pé.

       A estradinha vai seguindo paralela ao rio Maranduba e logo passamos pela entrada da pousada das Cachoeiras à esquerda, acessada por longa ponte de madeira. Continuamos pela estrada e enfim chegamos ao Camping Bar das Cachoeiras.

       Paramos por um momento para conversar com seu Eraldo que mora ali. Ele nos confirmou que o acesso à cachoeira da Água Branca era por ali e até nos explicou o caminho, mas disse que demorava 4:30 hs para chegar a cachoeira e tentou nos dissuadir de seguir, pois seria muito tarde. De fato já eram 10:30, mas achamos o tempo dele exagerado e dissemos que iríamos tentar assim mesmo.

         Cruzando a propriedade chegamos ao rio que parece ser uma atração local o que justificaria o barzinho, mas naquele dia o local estava deserto. Parece que as pequenas quedas locais constituem a chamada cachoeira da Renata. Logo encontramos uma trilha a direita que subia acompanhando o rio. Seguimos por ela por uns 5 minutos passando por 3 ou 4 saídas a direita, mas parece que todas desembocavam em terrenos de casas particulares, de modo que o melhor acesso parece ser pelo camping mesmo. Alcançamos então um afluente que tivemos que vadear, consegui cruza-lo por sobre as pedras, mas o Rafael preferiu tirar as botas. Do outro lado a trilha prosseguia para a esquerda voltando a se aproximar do rio. Em mais alguns minutos chegamos a uma bifurcação. À esquerda em pouco metros chegamos ao Poço Verde, outro ponto de banho local. Tiramos uma foto e voltamos a bifurcação, seguindo em frente, logo passamos pela primeira bifurcação que não investigamos, mas que deve dar acesso apenas a outro ponto de banho. Pouco à frente, chegamos a segunda bifurcação, segundo as indicações de seu Eraldo, saindo a noventa graus à esquerda. Na verdade a trilha a frente estava tão fechada que nem dava passagem, de modo que a bifurcação se converteu em curva da trilha original.

          A trilha vai seguindo então paralela à margem esquerda do rio Maranduba, com subidas e descidas, às vezes desviando para cruzar algum pequeno afluente. Contei 18 riachos até a cachoeira. No primeiro valezinho colateral, a queda de uma arvore obstruiu a trilha e nos obriga a descer a pequena e escorregadia encosta e me custa um tombo antes de alcançarmos novamente a trilha na encosta oposta. Seguindo em frente o próximo afluente cavou uma funda vala, cruzada por uma estreita pinguela, preferimos desviar para a esquerda e descer ao fundo da vala por num trecho mais fácil para então retornar a trilha.

        Durante a subida avistamos de tanto em tanto saídas à esquerda, mas que deviam dar acesso a novos pontos de banho e que não tivemos tempo de investigar.

         Cerca de 1:15 hs desde o Poço Verde, a trilha cruza o rio Maranduba, ali paramos para um lanche. Dessa vez não teve jeito foi preciso tirar as botas para cruzar o rio. Do outro lado entramos pelo vale de um afluente antes de sairmos pela direita e voltarmos a acompanhar o rio, agora pela margem direita. Logo passamos por uma pequena toca com restos de fogueira.

         Seguindo em frente, na bifurcação, tomamos a direita, mas chegamos apenas a mais uma cachoeira, por sinal muito bonita. Tiramos umas fotos e voltamos a bifurcação seguindo para a esquerda. A trilha agora se torna mais íngreme, mas continua alternando subidas e descidas.

        Chegamos então ao ponto mais critico, nova bifurcação, marcada por uma flecha gravada no tronco de uma árvore, porém o caminho subindo em frente parece muito mais marcado e acabamos subindo por ele por um tempo, até notarmos que estávamos nos afastando cada vez mais do rio. Retornamos então a bifurcação e tomamos a direita. E continuamos aos sobes e desces. Mais acima uma trilha vem da esquerda e entronca na nossa. E preciso ter cuidado para não errar e na volta entrar por ela! Continuamos subindo e após cerca de 3 horas começamos a ouvir o ruído da cachoeira, mais um pouco e a avistamos. Descendo pelas pedras até o poço de frígidas águas em sua base. Pela posição parece que o sol só bate ali pela manhã e naquele momento, pelas 14:00 hs já estava imerso na sombra, apesar do céu azul. Passei a maior parte do tempo contemplando a enorme cachoeira, em cai em várias quedas. Ainda arrisquei dar uma entradinha na água, mas logo sai. Na sombra e com o vento que fazia ali, estava tão frio fora quanto dentro d’água. O Rafael ainda quis dar uma espiada na trilha que continuava subindo pela esquerda, mas voltou dizendo que a trilha se tornava cada vez mais vertical e mais se afastada do rio. Não havia tempo para mais explorações. Às 15:00 hs iniciamos o retorno que nos tomou cerca de 2:30 hs. De modo que as 17:30 chegamos ao Camping e pouco depois ao carro, bem quando a noite chegava.