Relato: Travessia Marins-Marinzinho

      Já tinha subido o Marins diversas vezes, mas dessa vez iríamos fazer algo diferente. Subindo a partir da antiga ranchonete, passaríamos ao Marinzinho e dali desceríamos pela trilha que parte da pousada do Maeda. Do Maeda voltando a ranchonete pela estrada.

      Chegamos a ranchonete, onde paramos o carro e logo ajeitamos as mochilas. Exatamente às 11:20 iniciamos a caminhada tomando a trilha ao final do estacionamento. Em 10 minutos desembocamos na estradinha que dá acesso ao morro do careca e prosseguimos a subida. Logo passamos por uma porteira e continuamos a subir. Paramos brevemente para bater uma foto numa curva de onde temos uma primeira visão do vale do Paraíba. Um pouco mais acima, onde a estrada faz uma curva para a esquerda e uma cerca com uma placa do IBAMA fecha a estrada, seguimos em frente tomando um rabo de trilha que em mais um pouco no leva ao topo do morro do Careca. Seguimos para a esquerda, descendo levemente, até reencontrarmos a trilha que agora entra numa matinha. Na clareira logo à frente, junto a uma placa com um croqui da subida, paramos. O Rafael foi encher seus cantis numa bica mais à frente, seguindo pela estradinha. Fiquei na clareira esperando-o e aproveitei para calibrar o altímetro.

      Retomamos a caminhada às 12:10. A trilha logo sai da mata e começa a subir pra valer por canaletas erodidas que já devem ter sido trilhadas por milhares de montanhistas. Quando chegamos às primeiras lajes rochosas, já cento e poucos metros acima, começamos a ter os primeiros visuais da baixada. A trilha passa a subir de modo um pouco menos íngreme, mas agora os degraus rochosos se sucedem constantemente. A frente passamos por novo trecho mais plano.

      O próximo obstáculo é uma longa laje rochosa inclinada, que na última vez estava molhada e escorregadia, porém dessa vez, seca, estava bem aderente, apenas exigindo um certo esforço físico para subi-la. Chegando ao alto paramos brevemente para descanso e um gole d’água. Após mais um trecho suave, a trilha desvia para a direita e temos novo trecho pelo rochoso, onde se intercalam canaletas e lajes inclinadas. Após esse trecho mais cansativo, a trilha nivela e passa a bordejar para a esquerda.

      O final desse trecho bordejante e marcado pelas duas canaletas paralelas, certamente o trecho mais impressionante da subida. Optamos por subir pela canaleta direita. A canaleta afinal é mais impressionante do que difícil. Chegando ao alto dela, paramos para o almoço, já que passava das 14:00. Ficamos ali uns 20 minutos e então retomamos a subida. Acabamos subindo seguindo alguns totens e chegando até o alto da crista. Daí seguimos pela crista, descendo de novo, acho que nesse trecho não fizemos o caminho mais simples, de qualquer forma descemos a um pequeno vale e subindo do outro lado passamos por uma área de acampamento, bem na bifurcação que tomaríamos no dia seguinte: de um lado tínhamos o Marinzinho, de outro o Marins e seus cumes companheiros, Maria e Mariana.

          Seguindo para a direita, em pouco descemos ao ribeirão. Havia água, mas não ele não corria. Do outro lado a já histórica placa “água contaminada”. Seguimos em frente, seguindo os totens e subindo sempre em direção ao cume que já avultava a nossa frente. Passamos por uma primeira laje inclinada, por outros trechos fáceis, até que chegamos à laje mais inclinada do percurso. Porém não tivemos dificuldade alguma. Num instante ultrapassamos o trecho e paramos para um descanso. Faltava pouco para o cume e ainda é cedo. Prosseguimos seguindo os totens e fomos para esquerda, por um trecho em nível, antes de virar para a direita e voltar a subir forte. Atingimos o cume às 15:20. A subida desde o estacionamento nos tomou 4 horas!

         No cume já havia outros grupos, mas ainda havia bastante espaço. O que já incomodava era um grupo de cinco rapazes que, movidos a garrafas de vodka vagabunda, já gastavam seu tempo e nossa paciência dando gritos e batendo em suas panelas!

         De qualquer forma o cume é largo e não tivemos dificuldade em encontrar um canto mais sossegado para admirarmos a majestosa paisagem que nos rodeava, a qual ficou ainda mais bonita com o por do sol que pudemos acompanhar perfeitamente, pois só havia poucas e finas nuvens junto a horizonte oeste, o que só colaborou para torná-lo ainda mais bonito.

          Após o jantar, ainda pudemos observar o vale do Paraíba iluminado, e as poucas e esparsas luzinhas nos morros mineiros, antes de recolhermo-nos de vez a nossas barracas. A essa altura o céu se havia coberto de nuvens e por isso não pudemos ver as estrelas. A noite foi tranqüila, se abstrairmos o fato de ter sido acordado às 2:30 aos berros de “acorda cambada” de um de nossos arruaceiros vizinhos. Pelo meu termômetro, a temperatura mínima dentro da barraca foi de 4,6 °C e quase não houve vento.

          Acordamos ainda antes das 6:00 e pudemos ver o nascer do sol que aconteceu às 6:15. Depois de mais algum tempo contemplando o panorama, tomamos o café da manhã e começamos a arrumar as coisas. Terminamos às 8:10 e logo começamos a descida. Procuramos seguir pelo mesmo caminho da vinda, mas a tendência foi nos desviarmos para a direita. De qualquer forma fomos descendo até o riacho e subindo do outro lado, logo chegamos ao ponto de bifurcação. Seguimos então para a direita por trilha evidente. Logo passamos por uma fenda na rocha e subindo do outro lado, passamos a subir por laje rochosa provida de muitos totens.

         Logo avistamos uma discreta saída à esquerda. Ali, em alguns metros chegava-se uma poça d´água, que deve ser a nascente do ribeirão, mas por onde a água só deve correr na temporada das chuvas. De qualquer forma a água parece limpa e enchemos o cantil. Voltamos à laje e prosseguimos a subida, acompanhando os totens.

          O panorama vai se abrindo cada vez mais. Chegamos a um alto e descemos caindo um pouco para a esquerda, rumo a uma baixada coberta de capim alto. Seguimos pela trilha em meio às touceiras passamos por um charco. Trecho desagradável onde conseguir molhar a bota ao pisar num ponto onde a bota afundou na água quase até o cano. Passado o charco a trilha passa a subir por degraus rochosos, deixando um cocuruto à direita. Chegamos a um ponto onde a trilha parece se perder no mato à frente. Tivemos de voltar um pouco e encontramos uma saída à direita que nos leva a uma sucessão de canaletas, degraus e lajes intercalados por curtos trecho de trilha. Ao poucos, vamos subindo, sempre seguindo mais para a esquerda até que chegamos a uma área de acampamento para 3 ou 4 barracas bem juntas. Ali devemos ter errado, pois seguimos por uma trilha em frente, que foi bordejando até que pareceu desaparecer. Conseguimos prosseguir por algumas lajes e depois por um íngreme canaleta, chegando até quase o alto do Marizinho. Enfim avistamos uma placa verde, um pouco mais acima. Nesse ponto vimos que havia uma trilha que descia, aparentemente de forma mais fácil até a área de acampamento, mas não consegui imaginar onde a perdemos.

         Subimos então os metros finais até o alto do Marinzinho. Passamos pela placa e logo à frente, vimos uma bifurcação. À esquerda desceríamos para o Maeda. Em frente seguiríamos a travessia para o Itaguaré. Ficamos algum tempo ali curtindo o visual da crista que segue passando pela pedra Redonda e vai até o Itaguaré, e do lado oposto, o paredão que forma a face leste do Marins.

          Enfim iniciamos a descida rumo à pousada Maeda. O percurso está muito bem sinalizado com marcações amarelas nas rochas. Descemos um pouco rumo a uma baixada de capim e logo subimos retornando à crista. Dali já avistávamos a pousada ao fundo do vale, facilmente reconhecível pelo seu telhado verde em meio aos outros sítios. Imediatamente retomamos a descida forte e por degraus rochosos. Vamos caindo para a direita para mais abaixo, voltarmos novamente para esquerda. Num trecho curto e vertical uma corda providencial ajuda na descida. Pouco a pouco chegamos a uma baixada repleta de capim. O caminho nivela e entramos em uma pequena mata. Subimos um pouco e emergimos num mirante.

       No mirante paramos para o almoço, já era 12:00. Olhando para trás e observando a encosta por onde descemos, ela se apresente quase vertical, parece-nos impossível que tivéssemos descido por ali! Finda a refeição, prosseguimos descendo, agora por trilha mais tranqüila. Ainda passamos por alguns degraus rochosos, mas a trilha vai ficando mais batida e entra na mata. Mais à frente passamos a acompanhar uma cerca de arame do lado esquerdo, onde por descuido acabo inclusive me ralando o braço. Chegamos a uma bifurcação, marcada por placas, seguimos em frente. À direita, mais fechada, é apenas uma variante. Quando a vegetação se abre novamente, chegamos a novo mirante, logo à esquerda, saindo um pouco da trilha principal. Paramos um instante para contemplação, mas o panorama é bem parecido com o obtido acima. Seguimos descendo e a trilha vai se abrindo e parecendo cada vez mais uma estradinha.

       Logo chegamos à nova bifurcação. Tomamos a direita, marcada com a placa “pedra montada”. Subimos ligeiramente e a trilha faz uma curva para a esquerda. Uma trilha mais fechada chega pela direita, a mesma que ignoramos mais atrás. Seguimos em frente e passamos a descer novamente pela mata fresca. Nova bifurcação aparece. À direita podemos ver a pedra montada: um bloco rochoso colocado sobre outro, mais ou menos do mesmo tamanho. Tomamos a trilha que circunda o monólito apenas para visualizá-lo melhor. Logo voltamos à trilha principal e voltamos a descer.

       A trilha em pouco nivela e cruza um riacho. Primeira água desde a base do Marinzinho. Paramos para encher os cantis. O sol era forte e o calor grande. Continuando a descida, a trilha desemboca na estradinha e volta a descer aos zigue-zagues. Várias curvas abaixo, numa curva para a direita, tomamos uma trilha que sai à esquerda e continuamos descendo por trilha muito mais agradável e paralela à estrada.

       Quando passamos por um quebra corpo, voltamos à estrada, junto a uma ex-porteira coberta, agora transformada em cerca coberta! A descida não acabou, mais agora prossegue por estrada carroçável e exposta ao sol. Passamos por uma saída à direita, seguida mais abaixo pela placa que marca a entrada da trilha da Água Branca, acesso a uma série de pequenas cachoeiras e após curta subida, voltamos a descer. Enfim vemos uma porteirinha à esquerda marcada pela placa “Abrigo”. Entramos por ali e logo descemos ao fundo da pousada do Maeda.

      Mal chegamos ali e fomos recepcionados pelo simpático proprietário que logo nos ofereceu um café. Passamos alguns momentos por ali conversando com ele e visitamos o pequeno museu montado por ele. Negociamos o translado de volta a base do Marins. O transporte foi providencial, pois do contrário teríamos de caminhar 8 km de estrada de volta ao carro e sob sol forte. Fazendo o percurso de carro ainda chegamos pelas 16:00 à base do Marins e ainda pudemos tomar um refrigerante gelado e passar algum tempo batendo papo por ali antes de pegar o carro e tomar a estrada de volta. Enfim  temos ai um passeio para quem quer um pouco mais do que só subir o Marins e não está disposto ou não tem condicionamento bastante para encarar a travessia até o Itaguaré.

Marcadores: pico dos marins

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