Relato: Serra do Divisor de Águas – Serrinha do Alambari

       Serrinha do Alambari é um ainda sossegado bairro de Resende, encravado entre o Parque do Itatiaia, e as movimentadas Penedo e Visconde de Mauá.  Cortadas pelos límpidos rios Santo Antonio e Pirapitinga, que ao longo do seu trajeto formam diversos e bonitos poços. Há pequenas trilhas que cruzam a mata bem preservada e levam a alguns dos poços, mas a trilha mais interessante do local é a chamada trilha do divisor de águas.

        A trilha do divisor sai da beira do rio Santo Antonio e sobe a serra, parte da serra da Mantiqueira que forma a divisa entre o bairro e Visconde de Mauá. Existiria ainda uma continuação da mesma até Mauá, mas tivemos dificuldade em completar a travessia como veremos adiante. De qualquer forma, acampar na crista do divisor de água foi muito compensador pela paisagem magnífica que se descortina.

        Saímos da Dutra na entrada de Penedo, poucos quilômetros à frente já temos o portal da cidade. Seguimos em frente, como que indo para Mauá, cerca de 4 km após Penedo, temos nova entrada à esquerda, ornada de portal. Esta é a entrada da Serrinha. Seguimos por mais 4 km de terra e passamos então por trecho calçado, junto à chamada Praça, centro do bairro. Ao final da mesma, entramos a direita, tomando a estrada do Camping. Logo começamos a subir e após mais 4 km, já tendo passado pelo Camping Clube que dá nome à estrada, chegamos ao portal dos condomínios Alto do Pinhal/ Vale Verde. Ai paramos o carro.

       Pegamos as mochilas, eu e o Rafael, e caminhamos algumas centenas de metros até a entrada do condomínio Vale Verde, à direita. Passamos pelo portão entreaberto e na bifurcação junto a duas casas, uma à frente, outra à direita, seguimos descendo à direita, por duplo caminho calçado. Logo à frente cruzamos com o caseiro seu Gurgel, que já nos conhecia, e conversamos um pouco com ele e com um casal de moradores que os acompanhava. Saímos da estrada e seguimos para a esquerda, no rumo de uma palmeira na orla da mata mais abaixo, lá encontramos a trilha que leva a margem do rio Santo Antonio.

         A trilha desce rapidamente ao rio, que; aliás, é chamado pelos locais de Santo Antonio, mas consta na carta do IBGE, como córrego da floresta! Qualquer que seja o nome, o rio é cristalino e vai formando diversos e lindíssimos poços em seu trajeto. Cruzamo-lo por um tosco dique de pedras e do outro lado, identificamos o início da trilha por uma placa “RPPN Santo Antonio”. A trilha logo começa a subir e passamos por 2 ou 3 troncos caídos. A partir daí a caminhada exige atenção, a trilha, pela mata aberta e repleta de palmitos Jussara, apresenta diversos bifurcações ou pseudobifurcações, talvez provocadas por palmiteiros. O fato é que a trilha vai subindo inicialmente de maneira pouco íngreme, sempre caindo para esquerda, como que subindo meio que paralela ao rio. É difícil dar alguma orientação maior sobre o caminho, certamente não é trilha para principiantes, exige bom senso. A única orientação geral é sempre subir pelo caminho mais aberto.

        Após subirmos os primeiros 300 metros, a trilha que até ai seguia principalmente na direção oeste ou noroeste, vira para a direção norte, e agora a subida torna-se mais íngreme e a trilha mais marcada. A partir daí não mais como errar. A vegetação também muda, se torna mais cerrada e proliferam os bambuzinhos que, a cada momento, se enroscam nas mochilas.

        Após cerca de 600 metros de subida, escutamos barulho de água à direita, e avistamos uma íngreme descida deste lado. Descendo até lá, temos acesso a um fio d’ água que irá nos reabastecer os cantis na volta. Continuando a subida, ao completar cerca de 700 metros de desnível vencido enfim a mata começa a se abrir e nos dá o primeiro vislumbre do vale do Paraíba, já bem abaixo. Mais um pouco e saímos da mata, passando a andar numa crista repleta de arbustos e samambaias. Os mirantes se sucedem, dando-nos magníficas visões das montanhas que guarnecem a borda leste do parque do Itatiaia, onde se destaca um lindo pináculo ogival, do vale do Paraíba, onde se destacam as cidades de Resende e Penedo e, do lado oposto, das vilas de Mauá, em meio aos verdes morros de Minas. No Fundo, a nossa frente, avistamos a Pedra Selada e boa parte da crista que se estende de onde estamos até ela.

          Passamos por uma clareira maior e depois por outras duas menores, onde só caberia uma barraca cada. A subida até ai levou 3:30 hs. Terminado a crista, a trilha vira para a esquerda e começa a descer. Descemos por ela, cerca de 60 ou 80 metros, até que a vegetação começa a mudar, parecendo que vai passar de seco campo de altitude, entremeados de arbustos e samambaias, para mata de encosta, e ai a trilha desaparece! Procuramos a frente, em todas as direções e o Rafael chegou até a rasgar mato por 150 metros, sem que conseguíssemos reencontrar a trilha. À frente tínhamos o fundo vale do rio Marimbondo. Bem mais à direita, do outro lado do rio, víamos o que parecia uma estradinha, mas como chegar lá? Acabamos desistindo de prosseguir e retornamos a clareira maior onde montamos acampamento. Aparentemente a trilha se fechou por falta de uso.

            Com a noite chegando, jantamos e depois fomos a um dos mirantes observar o vale fartamente iluminado e as pequenas vilas de Mauá brilhando parcamente em meio à escuridão do lado mineiro. Às 20:00 nos recolhemos às barracas e eu adormeci imediatamente.

            Acordamos às 6:30, já com o sol alto. Tomamos café, arrumamos as coisas e resolvemos voltar ao final da trilha para mais uma exploração que não resultou em melhor resultado que no dia anterior. Resolvemos então voltar por onde viéramos, retornando a Serrinha e ao carro. A descida acabou dando mais trabalho que a subida e diversas vezes saímos da trilha e tivemos de reencontrá-la para continuar a descida.

             Antes das 13:00 já estávamos de volta ao carro e gastamos as próximas horas explorando a malha de trilhas que há entre as duas principais estradas do bairro, a saber: a estrada do Camping e a estrada dos Artesões, e conhecendo alguns dos poços do rio Pirapitinga.

             O acampamento na crista do Divisor de Águas é um passeio muito bonito em cenário majestoso, justificável por si mesmo, ainda que ficasse ainda mais interessante se a travessia para Mauá fosse reaberta. Que seja reaberta em futuro próximo.

             Um último alerta, esse realmente não é passeio para grupos grandes, não há como por mais de quatro barracas na crista e mesmo para isso seria preciso dividir o grupo em três partes.

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