Arquivo mensal: novembro 2013

Relato: Circuito Maria da Fé-Pedrão

        Esse é outro roteiro de bike que fiz a pé. O percurso todo é por estradinha, sendo apenas os últimos 2 km de acesso ao Pedrão em estado precário, só acessível a jipes.

        O circuito começa e acaba em Maria da Fé, aprazível cidade sul-mineira. Inicio a caminhada em frente à antiga estação ferroviária. Com a antiga locomotiva a minha esquerda, sigo no rumo oeste pela rua por onde outrora corriam os trilhos. Em cerca de 1 km chego a uma bifurcação em “T”, junto às fabricas de batata frita. Tomo a direita, na mesma direção que tomei anteriormente para subir o pico da bandeira.

         Em uma centena de metros o calçamento acaba, saio do perímetro urbano e a estrada começa a subir. Cerca de 1,5 km depois chego a uma bifurcação, marcada com a placa “Lagoa”. Tomo a esquerda, exatamente na direção do bairro Lagoa. O Caminho nivela e sigo bordejando a encosta. Por algumas brechas na vegetação, à esquerda, tenho vista panorâmica do vale do rio Lourenço Velho e das encostas rochosas ao redor, entremeadas de vegetação. Nessa hora da manhã ainda há neblina sobre algumas baixadas. A paisagem é muito bonita. O percurso segue por trechos de mata nativa, com um ou outro sítio disperso.

       Com 5 km e pouco, na próxima bifurcação, tomo a direita, ligeira subida seguida por uma descida forte. Começo a avistar, à esquerda, as casas do bairro Lagoa, mais densamente povoado do que eu imaginava. Chegando quase ao fundo, encontro nova bifurcação em “T”, na qual sigo para a esquerda, passando pelo “centro” do bairro.

       Subo muito pouco e numa bifurcação antes da igreja, tomo a esquerda e logo na seqüência, à direita, iniciando uma subida forte, mas curta. Logo passo pelo alto de um morro, perco a visão do bairro e passo a descer.

       Ignoro uma primeira saída à direita, que parece só levar a uma casa mais à frente, e cem metros depois, na próxima bifurcação, tomo à esquerda, subindo forte novamente. Não demora muito chego novamente ao topo de outro morro e volto a descer, de modo mais suave.

        Logo começo a avistar o paredão rochoso do Pedrão à frente e um pouco à direita. Sigo então por alguns quilômetros, por entre plantações de banana e algumas casas, voltando a subir lentamente. Na bifurcação seguinte, sigo em frente.

        Completados 13 km de caminhada, chego ao bairro do Pedrão. Percorro 100 metros de calçamento e chego a um entroncamento. À direita temos a bonita igrejinha do bairro. Sigo para a direita, logo o calçamento acaba e passo a descer suavemente. Na primeira saída à esquerda, sigo por ali e começa uma forte subida.

         A estrada nivela, passa entre algumas casas, e depois segue na direção de um selado, à esquerda do Pedrão. Nesse ponto a estrada piora bastante, impossibilitando que qualquer carro baixo prossiga. Se você pretende apenas visitar o Pedrão, sem fazer a caminhada, mas não tem um jipe, a opção é parar o carro na última casa e dali seguir a pé esses últimos dois quilômetros. Logo a subida se torna íngreme e escorregadia. Do lado esquerda, no meio da subida foi construído um oratório, que parece conter uma bica d’água, mas que estava seca nesse dia. Quando chego ao selado, a estrada vira para a direita e continua subindo, um pouco menos íngreme. Enfim chego ao alto, e a estrada vira um trilho no pasto. Assusto algumas vacas enquanto procuro o cruzeiro que marca o alto da pedra. Acabo caindo mais para a esquerda do que esperava, passando por um mata-burro e chego então ao cruzeiro.

       Dali a vista é desimpedida para o norte e a cidade que se avista a frente é Pedralva. Do outro lado é possível avistar Itajubá, bem maior, mas Maria da Fé esta escondida em seu vale e não dá para vê-la. À minha frente a encosta rochosa é vertical, caindo até os pastos lá embaixo. Passo cerca de uma hora por ali, faço um lanche e antes de ir embora ainda assisto a decolagem de um paraglider!

       O retorno é pelo caminho da vinda até o bairro do Pedrão. No trecho mais íngreme, enquanto desço, vejo um motoqueiro que subia, tomar um tremendo tombo.

       Chegando ao bairro, sigo direto, deixando a igreja à direita. Mais 100 metros e o calçamento acaba, passo então a descer suavemente até a antiga estação do Pedrão, mal conservada e utilizada como residência ou depósito. Enquanto tento tirar uma foto dela me assusto com dois cachorros que avançam sobre mim e me convencem a afastar-me do local. Sigo então pelo antigo leito da ferrovia, agora convertido em estradinha vicinal, passando ao lado da antiga caixa d’água. A seqüência da caminhada é tranqüila, suave subida bordejando a encosta, passando por alguns cortes cavados na rocha, num total de cerca de seis km. Quase chegando à cidade, a estrada abandona o leito e segue para a esquerda, subindo forte por um curto trecho. O antigo leito segue em frente, mas logo a frente sofreu erosão e foi tomado por uma voçoroca, como pude constatar em uma visita anterior, além disso, mais a frente o leito cruzava um rio e a ponte ferroviária era formada por duas vigas longitudinais ligadas por uma treliça, sobre as quais eram fixados os dormentes, os quais obviamente foram retirados juntos com os trilhos a muito tempo, ou seja, só dá para passar perigosamente se equilibrando nas vigas.

          De modo que sigo pela estrada, que logo nivela, alcança o calçamento e chega à mesma bifurcação em “T” do início do trajeto, tomo então à direita e um quilometro depois estou de volta a estação.

          O percurso todo tem 29 km e me tomou 8 horas, contando 1 hora parado no Pedrão.

Relato:Circuito Maria da Fé-Mata de Cima

        Outro circuito de bike em Maria da Fé, que também fiz a pé, é esse que passa pelos bairros de Posses, Mata de Baixo e Mata de Cima. E ainda sobe um pouco mais e perto do ponto mais alto do percurso, a paisagem se abre à direita, dando linda vista da crista Marins-Itaguaré.

        Começo novamente em frente à antiga estação ferroviária, junto à locomotiva, mas sigo para leste, rumo ao trevo na entrada da cidade, como na outra vez, ando pela rua paralela ao leito da finada ferrovia, só que no sentido oposto. Chegando ao trevo, sigo para direita, rumo a Itajubá. Na direção oposta iríamos para Cristina. Cerca de 2,5 km desde a estação, chego ao posto de gasolina Alto da Serra, do lado esquerdo do asfalto. Ali abandono o asfalto e tomo à esquerda, pela estrada que era de terra, mas agora passa por obra de calçamento, rumo ao bairro das Posses. A estrada sobe um pouco, depois nivela e passa a bordejar a encosta à esquerda. Á direita a paisagem se alarga e além das encostas semeada aqui e ali de cafezais, vejo o asfalto que desce para o vale do rio Lourenço velho pela encosta oposta, além de algumas elevações mais distantes.

       O Calçamento termina e sigo pela estrada de terra e deixando a visão do vale para trás.  Menos de 2 km desde o posto e passo por uma curva, seguida de uma ponte sobre um riacho. Rio esse que forma o vale avistado a pouco, e que depois aflui para o Lourenço Velho. Antes da ponte há uma saída à esquerda, mas parece ser só o acesso a alguma fazenda.

       Poucas centenas de metro e uma pequena subida, chego a outro trecho calçado entre casas. Cheguei ao bairro das Posses. Sigo em frente e passo por uma igrejinha à direita, de onde saem muitas pessoas, aparentemente acabou a missa há pouco. Prossigo em frente e, poucas dezenas de metros à frente, acaba o calçamento. A caminhada volta a ser bem agradável, cercada de mata e pontilhada de araucárias, entremeada de pequenos campos. Um bando de papagaio passa sobre mim ruidoso. Ando um bom trecho sem avistar nenhuma casa e o sol que ainda está baixo no horizonte deixa boa parte do trajeto à sombra. Ainda bem!

       Temos então uma subida aos zigue-zagues e, 5 km após as Posses, chego ao bairro de Mata de Baixo e a mais um trecho calçado. A estrada corre por entre algumas casas e alguns barzinhos rurais. Faz uma curva para a esquerda e pouco à frente avisto um campo de futebol à esquerda da estrada. Resolvo parar ali na sombra do vestiário à borda do campo. Nessa altura O sol já começava a ficar forte! Passei então por um quebra-corpo e me instalei a sombra para um descanso e uns goles d’água. Enquanto descansava, me distrai observando o bairro incrustado na baixada e totalmente circundado pelos morros. Não dá para dizer que o lugar fosse muito bonito, mas certamente era pitoresco.

       Descansado, voltei à estrada, e retomei a caminhada. O calçamento acaba logo à frente e a subida recomeça. Ignoro a primeira saída à direita e 4,7 km depois chego ao bairro de Mata de Cima, menor que o anterior. Nova saída à direta é desprezada e após mais um trecho quase plano, lá vem nova subida. Na próxima bifurcação, sigo à direita, ou em frente. À esquerda talvez seja só o acesso à casa que avisto mais à frente daquele lado.

         Chego então a um alto, a vegetação se abre à direita e me surpreendo com a lindíssima visão da crista Marins-Itaguaré ao longe. Maravilhoso! Mas logo desço um pouco e perco a vista da crista. Atenção porque aqui temos uma bifurcação chave. Devo tomar a saída à esquerda. A continuação em frente, bem mais batida, é a estrada principal, e leva a Virginia, porém essa cidade está bastante longe ainda, e meu plano é retornar a Maria da Fé por outro caminho, tomo então à esquerda. Mais antes de continuar, paro num providencial banco sob a sombra, para uns goles d’água e um descanso. Estou na metade do percurso e já acumulo mais de 4 horas de caminhada.

         Continuo então, e poucas centenas de metros adiante, tomo à esquerda novamente e agora a estrada se estreita, virando quase uma trilha, fica íngreme e empedrada. Mas em 300 metros chego a um alto e encontro nova bifurcação, seguindo pela direita. Prossigo por trecho quase plano e certamente pouco trafegado. Passo por um galpão à direita, junto à bifurcação que ignoro, seguindo em frente. Nessa altura, olhando para trás, avisto novamente a crista Marins-Itaguaré, agora pela última vez, já que pouco mais à frente a estrada começa a baixar, primeiro lentamente, e depois fortemente. Que pena! A descida agora é feroz e só suaviza 2 km à frente, quando a estrada bifurca e tomo o ramo esquerdo. Logo a frente há uma capela, e contíguo a ela, um rancho, provavelmente usado nas festas locais. Passo pelo portão, apenas encostado, e me aboleto numa das cadeiras a sombra, já é hora do lanche. Ainda procurei um banheiro nos fundos, e o encontrei, trancado! Paciência, tive usar a popular moita.

          O descanso foi providencial e a sombra idem, mas tinha de continuar a caminhada, dali só sairia a pé mesmo. O caminho desce mais um pouco, passa pelo fundo de um vale, por algumas casas e depois recomeça a subir. O trecho mais forte de subida foi um longo zigue-zague até que cheguei a um selado, e olhando para trás pude ver boa parte do trecho percorrido à pouco, desde a descida antes da igreja até o ponto atual. Bonito vale!

          Passado o selado, volto a descer, e não demora muito avisto o bairro Reserva, bem à esquerda. Destaca-se a igreja, relativamente grande, com sua frente ornada de palmeiras. Mas não chego nem perto do bairro, chego sim a uma bifurcação, onde o lado esquerdo leva a bairro Reserva. Sigo pela direita. Mais 1,5 km e chego à nova bifurcação, junto a um ponto de ônibus. Tomo de novo à direita.

          Ando 2 km e chego a novo a um trecho calçado. Estou de volta ao bairro das Posses. Passo sobre um riacho e subo um pouco, chegando a uma bifurcação em “T”. Vim da direita e é por lá que volto. Daí para frente retorno por onde vim. São cerca de 6 km sem surpresas.

         O trajeto completo dá 36,6 km e me tomou 8 horas de caminhada.

Marcadores: maria da fé

Relato: Serra do Divisor de Águas – Serrinha do Alambari

       Serrinha do Alambari é um ainda sossegado bairro de Resende, encravado entre o Parque do Itatiaia, e as movimentadas Penedo e Visconde de Mauá.  Cortadas pelos límpidos rios Santo Antonio e Pirapitinga, que ao longo do seu trajeto formam diversos e bonitos poços. Há pequenas trilhas que cruzam a mata bem preservada e levam a alguns dos poços, mas a trilha mais interessante do local é a chamada trilha do divisor de águas.

        A trilha do divisor sai da beira do rio Santo Antonio e sobe a serra, parte da serra da Mantiqueira que forma a divisa entre o bairro e Visconde de Mauá. Existiria ainda uma continuação da mesma até Mauá, mas tivemos dificuldade em completar a travessia como veremos adiante. De qualquer forma, acampar na crista do divisor de água foi muito compensador pela paisagem magnífica que se descortina.

        Saímos da Dutra na entrada de Penedo, poucos quilômetros à frente já temos o portal da cidade. Seguimos em frente, como que indo para Mauá, cerca de 4 km após Penedo, temos nova entrada à esquerda, ornada de portal. Esta é a entrada da Serrinha. Seguimos por mais 4 km de terra e passamos então por trecho calçado, junto à chamada Praça, centro do bairro. Ao final da mesma, entramos a direita, tomando a estrada do Camping. Logo começamos a subir e após mais 4 km, já tendo passado pelo Camping Clube que dá nome à estrada, chegamos ao portal dos condomínios Alto do Pinhal/ Vale Verde. Ai paramos o carro.

       Pegamos as mochilas, eu e o Rafael, e caminhamos algumas centenas de metros até a entrada do condomínio Vale Verde, à direita. Passamos pelo portão entreaberto e na bifurcação junto a duas casas, uma à frente, outra à direita, seguimos descendo à direita, por duplo caminho calçado. Logo à frente cruzamos com o caseiro seu Gurgel, que já nos conhecia, e conversamos um pouco com ele e com um casal de moradores que os acompanhava. Saímos da estrada e seguimos para a esquerda, no rumo de uma palmeira na orla da mata mais abaixo, lá encontramos a trilha que leva a margem do rio Santo Antonio.

         A trilha desce rapidamente ao rio, que; aliás, é chamado pelos locais de Santo Antonio, mas consta na carta do IBGE, como córrego da floresta! Qualquer que seja o nome, o rio é cristalino e vai formando diversos e lindíssimos poços em seu trajeto. Cruzamo-lo por um tosco dique de pedras e do outro lado, identificamos o início da trilha por uma placa “RPPN Santo Antonio”. A trilha logo começa a subir e passamos por 2 ou 3 troncos caídos. A partir daí a caminhada exige atenção, a trilha, pela mata aberta e repleta de palmitos Jussara, apresenta diversos bifurcações ou pseudobifurcações, talvez provocadas por palmiteiros. O fato é que a trilha vai subindo inicialmente de maneira pouco íngreme, sempre caindo para esquerda, como que subindo meio que paralela ao rio. É difícil dar alguma orientação maior sobre o caminho, certamente não é trilha para principiantes, exige bom senso. A única orientação geral é sempre subir pelo caminho mais aberto.

        Após subirmos os primeiros 300 metros, a trilha que até ai seguia principalmente na direção oeste ou noroeste, vira para a direção norte, e agora a subida torna-se mais íngreme e a trilha mais marcada. A partir daí não mais como errar. A vegetação também muda, se torna mais cerrada e proliferam os bambuzinhos que, a cada momento, se enroscam nas mochilas.

        Após cerca de 600 metros de subida, escutamos barulho de água à direita, e avistamos uma íngreme descida deste lado. Descendo até lá, temos acesso a um fio d’ água que irá nos reabastecer os cantis na volta. Continuando a subida, ao completar cerca de 700 metros de desnível vencido enfim a mata começa a se abrir e nos dá o primeiro vislumbre do vale do Paraíba, já bem abaixo. Mais um pouco e saímos da mata, passando a andar numa crista repleta de arbustos e samambaias. Os mirantes se sucedem, dando-nos magníficas visões das montanhas que guarnecem a borda leste do parque do Itatiaia, onde se destaca um lindo pináculo ogival, do vale do Paraíba, onde se destacam as cidades de Resende e Penedo e, do lado oposto, das vilas de Mauá, em meio aos verdes morros de Minas. No Fundo, a nossa frente, avistamos a Pedra Selada e boa parte da crista que se estende de onde estamos até ela.

          Passamos por uma clareira maior e depois por outras duas menores, onde só caberia uma barraca cada. A subida até ai levou 3:30 hs. Terminado a crista, a trilha vira para a esquerda e começa a descer. Descemos por ela, cerca de 60 ou 80 metros, até que a vegetação começa a mudar, parecendo que vai passar de seco campo de altitude, entremeados de arbustos e samambaias, para mata de encosta, e ai a trilha desaparece! Procuramos a frente, em todas as direções e o Rafael chegou até a rasgar mato por 150 metros, sem que conseguíssemos reencontrar a trilha. À frente tínhamos o fundo vale do rio Marimbondo. Bem mais à direita, do outro lado do rio, víamos o que parecia uma estradinha, mas como chegar lá? Acabamos desistindo de prosseguir e retornamos a clareira maior onde montamos acampamento. Aparentemente a trilha se fechou por falta de uso.

            Com a noite chegando, jantamos e depois fomos a um dos mirantes observar o vale fartamente iluminado e as pequenas vilas de Mauá brilhando parcamente em meio à escuridão do lado mineiro. Às 20:00 nos recolhemos às barracas e eu adormeci imediatamente.

            Acordamos às 6:30, já com o sol alto. Tomamos café, arrumamos as coisas e resolvemos voltar ao final da trilha para mais uma exploração que não resultou em melhor resultado que no dia anterior. Resolvemos então voltar por onde viéramos, retornando a Serrinha e ao carro. A descida acabou dando mais trabalho que a subida e diversas vezes saímos da trilha e tivemos de reencontrá-la para continuar a descida.

             Antes das 13:00 já estávamos de volta ao carro e gastamos as próximas horas explorando a malha de trilhas que há entre as duas principais estradas do bairro, a saber: a estrada do Camping e a estrada dos Artesões, e conhecendo alguns dos poços do rio Pirapitinga.

             O acampamento na crista do Divisor de Águas é um passeio muito bonito em cenário majestoso, justificável por si mesmo, ainda que ficasse ainda mais interessante se a travessia para Mauá fosse reaberta. Que seja reaberta em futuro próximo.

             Um último alerta, esse realmente não é passeio para grupos grandes, não há como por mais de quatro barracas na crista e mesmo para isso seria preciso dividir o grupo em três partes.

Relato: Travessia Marins-Marinzinho

      Já tinha subido o Marins diversas vezes, mas dessa vez iríamos fazer algo diferente. Subindo a partir da antiga ranchonete, passaríamos ao Marinzinho e dali desceríamos pela trilha que parte da pousada do Maeda. Do Maeda voltando a ranchonete pela estrada.

      Chegamos a ranchonete, onde paramos o carro e logo ajeitamos as mochilas. Exatamente às 11:20 iniciamos a caminhada tomando a trilha ao final do estacionamento. Em 10 minutos desembocamos na estradinha que dá acesso ao morro do careca e prosseguimos a subida. Logo passamos por uma porteira e continuamos a subir. Paramos brevemente para bater uma foto numa curva de onde temos uma primeira visão do vale do Paraíba. Um pouco mais acima, onde a estrada faz uma curva para a esquerda e uma cerca com uma placa do IBAMA fecha a estrada, seguimos em frente tomando um rabo de trilha que em mais um pouco no leva ao topo do morro do Careca. Seguimos para a esquerda, descendo levemente, até reencontrarmos a trilha que agora entra numa matinha. Na clareira logo à frente, junto a uma placa com um croqui da subida, paramos. O Rafael foi encher seus cantis numa bica mais à frente, seguindo pela estradinha. Fiquei na clareira esperando-o e aproveitei para calibrar o altímetro.

      Retomamos a caminhada às 12:10. A trilha logo sai da mata e começa a subir pra valer por canaletas erodidas que já devem ter sido trilhadas por milhares de montanhistas. Quando chegamos às primeiras lajes rochosas, já cento e poucos metros acima, começamos a ter os primeiros visuais da baixada. A trilha passa a subir de modo um pouco menos íngreme, mas agora os degraus rochosos se sucedem constantemente. A frente passamos por novo trecho mais plano.

      O próximo obstáculo é uma longa laje rochosa inclinada, que na última vez estava molhada e escorregadia, porém dessa vez, seca, estava bem aderente, apenas exigindo um certo esforço físico para subi-la. Chegando ao alto paramos brevemente para descanso e um gole d’água. Após mais um trecho suave, a trilha desvia para a direita e temos novo trecho pelo rochoso, onde se intercalam canaletas e lajes inclinadas. Após esse trecho mais cansativo, a trilha nivela e passa a bordejar para a esquerda.

      O final desse trecho bordejante e marcado pelas duas canaletas paralelas, certamente o trecho mais impressionante da subida. Optamos por subir pela canaleta direita. A canaleta afinal é mais impressionante do que difícil. Chegando ao alto dela, paramos para o almoço, já que passava das 14:00. Ficamos ali uns 20 minutos e então retomamos a subida. Acabamos subindo seguindo alguns totens e chegando até o alto da crista. Daí seguimos pela crista, descendo de novo, acho que nesse trecho não fizemos o caminho mais simples, de qualquer forma descemos a um pequeno vale e subindo do outro lado passamos por uma área de acampamento, bem na bifurcação que tomaríamos no dia seguinte: de um lado tínhamos o Marinzinho, de outro o Marins e seus cumes companheiros, Maria e Mariana.

          Seguindo para a direita, em pouco descemos ao ribeirão. Havia água, mas não ele não corria. Do outro lado a já histórica placa “água contaminada”. Seguimos em frente, seguindo os totens e subindo sempre em direção ao cume que já avultava a nossa frente. Passamos por uma primeira laje inclinada, por outros trechos fáceis, até que chegamos à laje mais inclinada do percurso. Porém não tivemos dificuldade alguma. Num instante ultrapassamos o trecho e paramos para um descanso. Faltava pouco para o cume e ainda é cedo. Prosseguimos seguindo os totens e fomos para esquerda, por um trecho em nível, antes de virar para a direita e voltar a subir forte. Atingimos o cume às 15:20. A subida desde o estacionamento nos tomou 4 horas!

         No cume já havia outros grupos, mas ainda havia bastante espaço. O que já incomodava era um grupo de cinco rapazes que, movidos a garrafas de vodka vagabunda, já gastavam seu tempo e nossa paciência dando gritos e batendo em suas panelas!

         De qualquer forma o cume é largo e não tivemos dificuldade em encontrar um canto mais sossegado para admirarmos a majestosa paisagem que nos rodeava, a qual ficou ainda mais bonita com o por do sol que pudemos acompanhar perfeitamente, pois só havia poucas e finas nuvens junto a horizonte oeste, o que só colaborou para torná-lo ainda mais bonito.

          Após o jantar, ainda pudemos observar o vale do Paraíba iluminado, e as poucas e esparsas luzinhas nos morros mineiros, antes de recolhermo-nos de vez a nossas barracas. A essa altura o céu se havia coberto de nuvens e por isso não pudemos ver as estrelas. A noite foi tranqüila, se abstrairmos o fato de ter sido acordado às 2:30 aos berros de “acorda cambada” de um de nossos arruaceiros vizinhos. Pelo meu termômetro, a temperatura mínima dentro da barraca foi de 4,6 °C e quase não houve vento.

          Acordamos ainda antes das 6:00 e pudemos ver o nascer do sol que aconteceu às 6:15. Depois de mais algum tempo contemplando o panorama, tomamos o café da manhã e começamos a arrumar as coisas. Terminamos às 8:10 e logo começamos a descida. Procuramos seguir pelo mesmo caminho da vinda, mas a tendência foi nos desviarmos para a direita. De qualquer forma fomos descendo até o riacho e subindo do outro lado, logo chegamos ao ponto de bifurcação. Seguimos então para a direita por trilha evidente. Logo passamos por uma fenda na rocha e subindo do outro lado, passamos a subir por laje rochosa provida de muitos totens.

         Logo avistamos uma discreta saída à esquerda. Ali, em alguns metros chegava-se uma poça d´água, que deve ser a nascente do ribeirão, mas por onde a água só deve correr na temporada das chuvas. De qualquer forma a água parece limpa e enchemos o cantil. Voltamos à laje e prosseguimos a subida, acompanhando os totens.

          O panorama vai se abrindo cada vez mais. Chegamos a um alto e descemos caindo um pouco para a esquerda, rumo a uma baixada coberta de capim alto. Seguimos pela trilha em meio às touceiras passamos por um charco. Trecho desagradável onde conseguir molhar a bota ao pisar num ponto onde a bota afundou na água quase até o cano. Passado o charco a trilha passa a subir por degraus rochosos, deixando um cocuruto à direita. Chegamos a um ponto onde a trilha parece se perder no mato à frente. Tivemos de voltar um pouco e encontramos uma saída à direita que nos leva a uma sucessão de canaletas, degraus e lajes intercalados por curtos trecho de trilha. Ao poucos, vamos subindo, sempre seguindo mais para a esquerda até que chegamos a uma área de acampamento para 3 ou 4 barracas bem juntas. Ali devemos ter errado, pois seguimos por uma trilha em frente, que foi bordejando até que pareceu desaparecer. Conseguimos prosseguir por algumas lajes e depois por um íngreme canaleta, chegando até quase o alto do Marizinho. Enfim avistamos uma placa verde, um pouco mais acima. Nesse ponto vimos que havia uma trilha que descia, aparentemente de forma mais fácil até a área de acampamento, mas não consegui imaginar onde a perdemos.

         Subimos então os metros finais até o alto do Marinzinho. Passamos pela placa e logo à frente, vimos uma bifurcação. À esquerda desceríamos para o Maeda. Em frente seguiríamos a travessia para o Itaguaré. Ficamos algum tempo ali curtindo o visual da crista que segue passando pela pedra Redonda e vai até o Itaguaré, e do lado oposto, o paredão que forma a face leste do Marins.

          Enfim iniciamos a descida rumo à pousada Maeda. O percurso está muito bem sinalizado com marcações amarelas nas rochas. Descemos um pouco rumo a uma baixada de capim e logo subimos retornando à crista. Dali já avistávamos a pousada ao fundo do vale, facilmente reconhecível pelo seu telhado verde em meio aos outros sítios. Imediatamente retomamos a descida forte e por degraus rochosos. Vamos caindo para a direita para mais abaixo, voltarmos novamente para esquerda. Num trecho curto e vertical uma corda providencial ajuda na descida. Pouco a pouco chegamos a uma baixada repleta de capim. O caminho nivela e entramos em uma pequena mata. Subimos um pouco e emergimos num mirante.

       No mirante paramos para o almoço, já era 12:00. Olhando para trás e observando a encosta por onde descemos, ela se apresente quase vertical, parece-nos impossível que tivéssemos descido por ali! Finda a refeição, prosseguimos descendo, agora por trilha mais tranqüila. Ainda passamos por alguns degraus rochosos, mas a trilha vai ficando mais batida e entra na mata. Mais à frente passamos a acompanhar uma cerca de arame do lado esquerdo, onde por descuido acabo inclusive me ralando o braço. Chegamos a uma bifurcação, marcada por placas, seguimos em frente. À direita, mais fechada, é apenas uma variante. Quando a vegetação se abre novamente, chegamos a novo mirante, logo à esquerda, saindo um pouco da trilha principal. Paramos um instante para contemplação, mas o panorama é bem parecido com o obtido acima. Seguimos descendo e a trilha vai se abrindo e parecendo cada vez mais uma estradinha.

       Logo chegamos à nova bifurcação. Tomamos a direita, marcada com a placa “pedra montada”. Subimos ligeiramente e a trilha faz uma curva para a esquerda. Uma trilha mais fechada chega pela direita, a mesma que ignoramos mais atrás. Seguimos em frente e passamos a descer novamente pela mata fresca. Nova bifurcação aparece. À direita podemos ver a pedra montada: um bloco rochoso colocado sobre outro, mais ou menos do mesmo tamanho. Tomamos a trilha que circunda o monólito apenas para visualizá-lo melhor. Logo voltamos à trilha principal e voltamos a descer.

       A trilha em pouco nivela e cruza um riacho. Primeira água desde a base do Marinzinho. Paramos para encher os cantis. O sol era forte e o calor grande. Continuando a descida, a trilha desemboca na estradinha e volta a descer aos zigue-zagues. Várias curvas abaixo, numa curva para a direita, tomamos uma trilha que sai à esquerda e continuamos descendo por trilha muito mais agradável e paralela à estrada.

       Quando passamos por um quebra corpo, voltamos à estrada, junto a uma ex-porteira coberta, agora transformada em cerca coberta! A descida não acabou, mais agora prossegue por estrada carroçável e exposta ao sol. Passamos por uma saída à direita, seguida mais abaixo pela placa que marca a entrada da trilha da Água Branca, acesso a uma série de pequenas cachoeiras e após curta subida, voltamos a descer. Enfim vemos uma porteirinha à esquerda marcada pela placa “Abrigo”. Entramos por ali e logo descemos ao fundo da pousada do Maeda.

      Mal chegamos ali e fomos recepcionados pelo simpático proprietário que logo nos ofereceu um café. Passamos alguns momentos por ali conversando com ele e visitamos o pequeno museu montado por ele. Negociamos o translado de volta a base do Marins. O transporte foi providencial, pois do contrário teríamos de caminhar 8 km de estrada de volta ao carro e sob sol forte. Fazendo o percurso de carro ainda chegamos pelas 16:00 à base do Marins e ainda pudemos tomar um refrigerante gelado e passar algum tempo batendo papo por ali antes de pegar o carro e tomar a estrada de volta. Enfim  temos ai um passeio para quem quer um pouco mais do que só subir o Marins e não está disposto ou não tem condicionamento bastante para encarar a travessia até o Itaguaré.

Marcadores: pico dos marins

Relato: Pedra da Onça – São Bento do Sapucaí

A pouco fiquei sabendo da chamada “trilha da Onça”, no bairro Cantagalo, em São Bento do Sapucaí. Na primeira oportunidade retornei para conhece-la.
Marquei com o Célio e a Karine de encontrar-nos no centro de São Bento. Assim que eles chegaram seguimos para o bairro do Cantagalo. A fim de evitar alguns quilômetros de terra, retornamos ao asfalto e seguimos na direção de Paraisópolis até pouco antes do posto fiscal, entrando na estrada à direita. Logo cruzamos o rio Sapucaí e seguimos subindo a serra. Passamos pelo bairro Bocaina e, 5 km depois, pelo centro do bairro Cantagalo, com sua
igrejinha, escola, 2 bares e mais uma dúzia de casas ao redor. Seguimos por mais quilômetro e pouco até avistar a esquerda a placa “trilha da Onça” junto a uma casa. Entramos na estradinha e seguimos mais um pouco até próximo a uma casa verde, à esquerda da estradinha. Ali paramos o carro no gramado à direita.
Começamos a caminhada seguindo pela estradinha. Cruzamos mais
umas duas porteiras e passamos por outra casa à esquerda, um pouco mais
acima da encosta. A estrada fica então mais íngreme e em pior estado de
conservação. Passamos ainda por duas tronqueiras e quando a estrada nivela e
parece voltar para trás, avistamos uma trilha subindo à direita. Ainda seguimos
mais um pouco pela estrada mais ela acaba logo a frente. Voltamos então a
trilha e seguimos por ela.
A trilha logo apaga, mais vamos subindo pela encosta rumo ao topo da crista da melhor forma possível. Fomos aos zigue-zagues, usando as trilha de vaca que íamos encontrando pelo caminho, mas que invariavelmente sumiam pouco a frente.
Alcançada a crista, que coincide com a divisa SP/MG, vimos que ela vinha da direita e
subia para a esquerda. Aparentemente a trilha “oficial” começava em outro ponto que perdemos não sei onde. De qualquer forma seguimos subindo. Passamos por um quebra-corpo mais acima e do outro lado da cerca seguimos até o ponto  mais alto, marcado por um rocha. Dali já tínhamos visão de Brasópolis e, se as nuvens ajudassem, veríamos o Observatório astronômico.
Seguindo em frente, a trilha desce e chegando ao fundo bifurca. Um ramo parece bordejar o morro a frente para a direita e não sabendo onde acaba. O outro passa por uma tronqueira onde há uma placa “Divisa SP/MG”. Do outro lado da tronqueira, a trilha desce pela mata e também sei lá onde sai. Mais logo a frente encontramos uma trilha saindo à direita. Prosseguimos subindo. Chegamos a outra placa “Alto do Oliveira”, Paramos para curto descanso. Dali a trilha sobe à direita bem íngreme. Enfim chegamos ao alto e descemos um pouco para logo subir ligeiramente sempre por dentro da mata.
Até que subitamente, encontramos a placa “Pedra da Onça” e logo após a laje rochosa de onde podíamos ver todo horizonte ao norte. Basicamente uma visão parecida com a obtida antes.
Dali a trilha se enfia de novo na mata e após um tempo começa a descer fortemente,
passamos por uma placa “Cantagalo  3 km”, depois sobe de novo e acaba saindo em outra lage de onde temos visão agora da cidade de Paraisópolis. Voltando a descer em seguida.
Enfim saímos no pasto e avistamos o bairro do Cantagalo ao fundo do vale. Vamos seguindo para a direita pela crista de pasto, depois viramos para a esquerda, passamos por um quebra-corpo e seguimos descendo. Nova tronqueira e agora começamos a descer na direção do bairro. A trilha acaba desembocando numa estradinha e após uma porteira chegamos ao bairro.
Cruzamos um campo de futebol e acabamos em frente a igrejinha. Estacionamos no bar do Gato para um refrigerante gelado. Agora era só seguir pela estrada o quilômetro e pouco até o carro. No total andamos cerca de 11 km em 4 horas. Um passeio agradável para um dia de tempo bom!